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Nascer, crescer, envelhecer … Qual o sentido disso? Lindaura Ambrósio*

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Nossa vida não é uma seqüência de eventos ao acaso. Neste caminhar passamos por várias crises, transformações, mudanças. Existem crises, nas mais variadas idades. Existem, também, situações que se repetem na vida de uma mesma pessoa e outros acontecimentos que são bastante individuais. São fases que vivemos e podem ser observadas através de ciclos de 7 anos (setênios) como marcos de transformação que a pessoa atravessa no percurso da sua vida… 0, 7, 14, 21, 28, 35,42,49,56, 63..anos.

Dentro desta forma de observação, chamada biográfica, destacam-se três grandes fases: o crescimento físico até os 21 anos, a maturidade psicológica dos 21 aos 42 e o autodesenvolvimento a partir dos 42 anos.

E o que fazemos quando estamos em crise? Desconjuramos, xingamos, gritamos, desanimamos, choramos, lamentamos, comemos, fugimos, brigamos, acusamos…

O envelhecimento é uma das maiores transformações da vida. É um marco importantíssimo porque sinaliza que já acumulamos essência e que é chegada a hora, necessariamente, de reconhecermos esta essência, desfrutar a auto-realização e passar a cultivá-la com consciência.

Justamente quando as forças biológicas começam a diminuir (a partir dos 42 anos) é que se tem a máxima possibilidade de alavancar a interioridade, ordenando e descobrindo o sentido essencial de nossa trajetória pessoal, fato este que não ocorre com um animal, nem em fases anteriores. Aquele que não ampliar sua visão para o interior, aquele que não ascender sua chama interna, provavelmente apagará junto com o físico ou viverá competindo e se desgastando com os mais jovens.

Infelizmente, na nossa civilização, ainda é grande o número de pessoas que parecem ignorar este processo. Estão unicamente olhando o exterior, a matéria, o físico. Daí ficam à mercê do desequilíbrio. Podemos apontar como reflexo, as doenças degenerativas atingindo pessoas na faixa dos quarenta e poucos anos, os quadros depressivos, as compulsões que estão aumentando a cada dia indistintamente , como também o comprometimento mental refletido pela falta de esperança e pelo isolamento social que está restringindo cada vez mais cedo as pessoas do nosso convívio.

Como reverter este triste panorama? Uma das formas é aprendendo a envelhecer, resgatando o sentido positivo do envelhecimento. Um exemplo vivo de que a natureza é sábia, de que a vida tem um propósito e que vale a pena ser vivida!

Não é fácil, mas é possível. Basta querer . Ou esperar que a própria vida se incumba de dar um empurrãozinho! Afinal, como diz o ditado, quem não vai pelo amor, vai pela dor. A evolução da consciência é uma lei Universal que não se pode fugir dela. Graças a Deus!

*Lindaura Ambrosio é graduada em Ciências Sociais e tem aperfeiçoamento em Gerontologia. É também idealizadora do site Idealidadeb.

 

Antes que elas cresçam- Affonso Romano de Sant’Anna


Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

É que as crianças  crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.

Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.

Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.

Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?

Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.

Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.

Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram  para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta   dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.

Deveríamos ter ido mais  vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir  sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.

Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.

No princípio  subiam a serra ou iam à casa de  praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo  com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio  dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha  terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.

O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.

Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.

 Affonso Romano de Sant’Anna

* Este post é dedicado a você Rodrigo.Parabéns meu filho amado!!! 18 anos de alegria na sua companhia! Amor, sorte , felicidade, saúde e sucesso…


Aprendendo a envelhecer

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Nascer, crescer, envelhecer … Qual o sentido disso?

Nossa vida não é uma seqüência de eventos ao acaso. Neste caminhar passamos por várias crises, transformações, mudanças. Existem crises, nas mais variadas idades. Existem, também, situações que se repetem na vida de uma mesma pessoa e outros acontecimentos que são bastante individuais. São fases que vivemos e podem ser observadas através de ciclos de 7 anos (setênios) como marcos de transformação que a pessoa atravessa no percurso da sua vida… 0, 7, 14, 21, 28, 35,42,49,56, 63..anos.

Dentro desta forma de observação, chamada biográfica, destacam-se três grandes fases: o crescimento físico até os 21 anos, a maturidade psicológica dos 21 aos 42 e o autodesenvolvimento a partir dos 42 anos.

E o que fazemos quando estamos em crise? Desconjuramos, xingamos, gritamos, desanimamos, choramos, lamentamos, comemos, fugimos, brigamos, acusamos…

O envelhecimento é uma das maiores transformações da vida. É um marco importantíssimo porque sinaliza que já acumulamos essência e que é chegada a hora, necessariamente, de reconhecermos esta essência, desfrutar a auto-realização e passar a cultivá-la com consciência.

Justamente quando as forças biológicas começam a diminuir (a partir dos 42 anos) é que se tem a máxima possibilidade de alavancar a interioridade, ordenando e descobrindo o sentido essencial de nossa trajetória pessoal, fato este que não ocorre com um animal, nem em fases anteriores. Aquele que não ampliar sua visão para o interior, aquele que não ascender sua chama interna, provavelmente apagará junto com o físico ou viverá competindo e se desgastando com os mais jovens.

Infelizmente, na nossa civilização, ainda é grande o número de pessoas que parecem ignorar este processo. Estão unicamente olhando o exterior, a matéria, o físico. Daí ficam à mercê do desequilíbrio. Podemos apontar como reflexo, as doenças degenerativas atingindo pessoas na faixa dos quarenta e poucos anos, os quadros depressivos, as compulsões que estão aumentando a cada dia indistintamente , como também o comprometimento mental refletido pela falta de esperança e pelo isolamento social que está restringindo cada vez mais cedo as pessoas do nosso convívio.

Como reverter este triste panorama? Uma das formas é aprendendo a envelhecer, resgatando o sentido positivo do envelhecimento. Um exemplo vivo de que a natureza é sábia, de que a vida tem um propósito e que vale a pena ser vivida!

Não é fácil, mas é possível. Basta querer . Ou esperar que a própria vida se incumba de dar um empurrãozinho! Afinal, como diz o ditado, quem não vai pelo amor, vai pela dor. A evolução da consciência é uma lei Universal que não se pode fugir dela. Graças a Deus!

*Lindaura Ambrosio é graduada em Ciências Sociais e tem aperfeiçoamento em Gerontologia. É também idealizadora do site Idealidadeb.

fonte: mais de 50

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Oração Ao Tempo – Caetano Veloso

 

Buque-delicado_large

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo…

Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo…

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo…

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo…

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo…

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo…

O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo…

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo…

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo…


Esse post é uma homenagem a minha mãe maravilhosa!

Dona Irene Cunha

Mãe,

A senhora é meu porto seguro…meu exemplo para tudo na vida…MEU COLINHO…!

Amo você MINHA MÃE …!

Parabéns pelo seu aniversário!

Elisabete Cunha

18/09/08


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CICLOS!

“Procura no ocultar nada, el tiempo ve, oye y revela todo. ”
[Sófocles]

O que deve ser curto, nos parece longo demais; e a recíproca também é verdadeira.

Foi assim com Da Vinci, gênio das obras inacabadas. Entremeio tanta busca da
perfeição, esquecera ele de calcular o tempo exato das suas artes?
O que é o tempo, afinal? Me intriga pensar a partir de quais premissas foi-se
criada uma noção abstrata, que agregou o poder infindável de guiar as nossas
vidas. E como nos tornamos escravos dele!
Tempo de planejamento, tempo de implementação, tempo perdido!
Ou me arriscaria a montar o fluxo inverso: Tempo perdido, implementado…
planejado!
É loucura, é cíclico..
 

02/09/08

Pato Fu/ Fernanda Takai – Sobre o Tempo