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O apanhador de desperdícios

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Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

MANOEL DE BARROS

A dor da Rejeição

 

Se uma pessoa o rejeita, não significa que você é ruim ou que tem menos valor que outros. Significa apenas que a outra pessoa não está sintonizada com o seu desejo, naquele momento.

Não há motivo para vergonha, depressão, ou sentimento de menos valia. Ao contrário, se alguém é rejeitado significa que possui a capacidade de se envolver afetivamente.

Isso deve ser um alento quando suas esperanças esbarram no “não” do outro. Mais triste do que a dor de uma rejeição é o sofrimento de quem congela o desejo por medo de se decepcionar.

A rejeição faz parte das experiências que se tem na vida.

É saudável sentir-se decepcionado ao ser excluído ou barrado no afeto de alguém que você desejaria ter ao lado. Esse sentimento doloroso faz parte do processo de processamento interno do que aconteceu.

No primeiro momento, a tendência pode ser de carregar as tintas e ver tudo escuro.

Ninguém gosta de ser rejeitado. Porém, a pessoa com autoestima satisfatória não fica estacionada aí e logo se move adiante.

O mundo não se reduz a alguém, ou a um grupo de pessoas. Sua vida será tanto mais ampla quanto for seu olhar sobre o horizonte.

Se o indivíduo não se deixar aprisionar pela rejeição, encontrará oportunidades para viver novas experiências que lhe trarão momentos mais felizes do que poderia imaginar.

O universo costuma apresentar seus presentes mais valiosos para aqueles que seguem em frente e não se detém diante de aparentes fracassos.

A chave é deixar o medo de lado e acreditar no seu valor e na sua capacidade de atrair para sua vida o que o (a) fará feliz.

Assim, como a terra e as flores se renovam em beleza e perfumes depois da tempestade, sua vida se encherá de amor e alegrias se aprender a superar uma rejeição, por mais difícil que possa parecer.

 

Relacionamento – Dez dicas para superar a rejeição


@ Não tome a rejeição como se houvesse algo errado com você. As pessoas fazem escolhas por razões que são delas. Você não precisa ser aceito (a) nem aprovado por todos.

@ A rejeição não significa que você não merece ser amado (a). Não é realista esperar que todos seus desejos e expectativas se realizem. Se alguém não quer você em sua vida, agradeça.

@ A pior coisa é ficar em banho-maria, nem lá, nem cá, vivendo na dúvida. Uma vez que alguém é rejeitado em alguma situação, ganha de presente a liberdade para seguir em frente!

@ Em vez de olhar para a porta que se fechou, mire o horizonte e as infinitas possibilidades que se abrem para você. 

@ Quando uma pessoa se sente devastado por uma experiência de rejeição,não é pelo outro que sofre. A depressão e o pensamento obsessivo em torno do fato é decorrente de problemas emocionais da própria pessoa. Nesse caso, o melhor é tomar uma providência e buscar ajuda psicoterapêutica.

@  Aproveite o momento para iniciar um projeto de vida que você vem adiando. Ao voltar sua atenção e energia em um projeto que trará satisfação pessoal, você conseguirá superar o sentimento de rejeição mais facilmente.

@ Aproveite todas as oportunidades para crescer com as experiências vividas. Pergunte-se o que pode aprender sobre você mesmo (a) com a situação.

@ Use o momento para dar um up grade total. Interno e externo. Cuidar de si mesmo (a) faz bem à autoestima e aumenta a autoconfiança. Comece a meditar, mude o cabelo, renove algumas peças do guarda-roupa, leia sobre autoconhecimento, entre para uma academia, inicie a dieta que vem adiando há tempos, comece uma terapia, faça shiatsu,  mude o estilo de se vestir, entre para uma aula de dança de salão, etc…

@ Entre em contato com antigos colegas e amigos de infância que você não vê há tempos. Aproveite para renovar os laços de amizade e se divertir.

@ Resista aos impulsos de ficar contando para todo mundo o que aconteceu. A necessidade de ouvir opiniões e desabafar a torto e a direito mostra um transbordamento interno. Ninguém poderá curar a sua dor, a não ser você mesmo(a).

Acredite na sua capacidade de se renovar e de superar eventos que causam sofrimento. Aprenda e cresça com suas experiências. Esse é o caminho para a maturidade emocional, condição indispensável para uma vida feliz.

Texto de Jael Coaracy

 

SEXO É BOM E EU GOSTO – Fabricio Carpinejar

 
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Sexo é treino. Não é como andar de bicicleta, que nunca desaprendemos. Não é como dirigir, que decoramos naturalmente.
Sexo é intimidade. Depende mais da transpiração do que da inspiração.
Quatro semanas sem sexo e será incomodado pela estranheza: a lentidão do gesto, a carência de aptidão, a aspereza decorrente dos maiores intervalos da fala.
O distanciamento pesa na pele. É como tirar de repente a música ambiente, e mergulhar no silêncio ensurdecedor da criação do mundo.
Haverá um toque cômico, patético, que virá da ausência de ritmo. Prenderá o cabelo dela com o cotovelo, esticará a perna além do necessário e confundirá com sessão de alongamento, baterá a cabeça na cabeceira da cama.
Sexo é sequência. É se afastar e terá que superar o desconforto, refinar o tato, reinventar o ritmo. Terá que quebrar o gelo.
Para remediar a distância, abusará do aquecimento, da insistência obsessiva, da alternância obrigatória das palavras ora ternas, ora safadas.
Tanto o homem como a mulher percebe o estremecimento; tira-se a roupa meio no seco, meio temerário, quase à meia-luz.
Não dá para puxar a cintura com ímpeto, entrar com vontade debaixo da camisa e da calça. Sacrifica-se a continuidade, a avidez lúbrica.
O sexo já pede explicações, já envolve desculpas.
Até para começar a transa é difícil, com interrogatórios desnecessários, educação exagerada, pudor de estreia.
Quando o par está há muito tempo sem sexo surge o questionamento se o outro quer transar. A pergunta é a prova do esfriamento da relação.
Os beijos pela casa tornam-se também raros, assim como aquele avanço bobo da língua na nuca e nas orelhas.
Ninguém se pegará na cozinha, na sala, fora de hora. O encontro fica restrito ao colchão e, de preferência, à noite.
Menos sexo equivale a menos romantismo. Estão diretamente ligados. Quem transa com frequência acaba mais receptivo e sensível, mais aberto e comunicativo, mais generoso e atento.
O sexo é o romance em ação. É dependência química. É vício dos laços.
Quanto mais transar, mais vontade de transar. Quanto menos transar, menos vontade de transar.
Não confio na máxima “Sexo é algo que não esquecemos”. Muita gente esquece de como se faz.
Casais que permanecem um mês de jejum enfrentarão a formalidade, a solenidade do início, a avareza do fôlego (interessados em guardar energia para o trabalho no decorrer da semana).
Sexo é mecânica amorosa. Demorar demais é encarar uma nova virgindade.
E a primeira transa – lembre! – nem sempre é boa.

Crônica publicada no site Vida Breve
Colunista de quarta-feira
30/4/2014

Borderline, um transtorno de personalidade no limite das emoções!

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Autora de best-sellers sobre psicopatia, bullying e TOC, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva se volta para um transtorno ainda pouco conhecido no país: o da personalidade borderline. Em seu novo livro, “Corações descontrolados” (Ed. Fontanar), ela conta como são as pessoas que vivem no limite de suas emoções e também como lidar com elas. E dá exemplos: “A Carminha, de Avenida Brasil, é totalmente border”

O nome do seu livro é “Corações descontrolados. Ciúmes, raiva, impulsividade, o jeito borderline de ser”. Que jeito é esse?

Todos nós apresentamos momentos de explosões de raiva, tristeza, impulsividade, teimosia, instabilidade de humor, ciúmes intensos, apego afetivo, desespero, descontrole emocional, medo de rejeição, insatisfação pessoal. E, quase sempre, isso gera transtornos e prejuízos para nós mesmos e/ou para as pessoas ao nosso redor. Porém, quando esses comportamentos se apresentam de forma frequente, intensa e persistente, eles acabam por produzir um padrão existencial marcado por dificuldades de adaptação do indivíduo ao seu ambiente social. Quando isso ocorre, podemos estar diante do transtorno da personalidade borderline. Os borders apresentam hiperatividade emocional, ou seja, é muito sentimento e muita emoção sempre. E costumam lidar muito mal com qualquer tipo de adversidade, especialmente as que envolvem rejeição, desaprovação e/ou abandono. Quando se deparam com uma situação dessas, desencadeiam uma reação de estresse muito mais intensa e abrangente do que o esperado. E chama-se borderline por isso, porque vivem no limite das emoções.

É o transtorno do amor?

É o transtorno dos afetos. Porque o amor deve ser funcional, positivo. O que o border tem é um afeto disfuncional.

Existe uma personalidade borderline e um transtorno de personalidade borderline? Como é isso? Qual a linha divisória?

A personalidade é o jeitão de cada um. É a parte biológica somada ao que aprendemos, à cultura. A junção dessas duas partes vai gerar uma série de comportamentos recorrentes, que caracterizam a personalidade de cada um. A personalidade borderline é marcada pela dificuldade nas relações interpessoais, pela baixa autoestima, instabilidade reativa do humor e impulsividade. Quando essas características se apresentam de forma muito disfuncional, nós a chamamos de transtorno.

Tipos diferentes de personalidades, mesmo com traços aparentemente negativos, podem ser requisitos para determinadas atividades, não? Quer dizer, não é qualquer tipo de pessoa que pode ser, por exemplo, um médico voluntário, trabalhando em meio à fome na África ou ajudando sobreviventes do terremoto no Haiti.

Só é transtorno quando apresenta problemas sérios para a pessoa, quando é tão disfuncional que a pessoa deixa de ser produtiva. Tirando isso, a personalidade border, ou, como dizemos, o traço border, pode ser muito interessante, se a pessoa não tem ataques de fúria, dependência. Grandes causas sociais, como você mencionou, demandam pessoas com grande capacidade de sentir empatia, com grande sensibilidade e que precisam de um alto grau de aceitação. Uma outra característica comum nessas pessoas é a fluidez na autopercepção. Por isso, pessoas com traço border dão grandes atores. Quando tratamos alguém com o transtorno, temos que ter em mente que, antes de mais nada, essa é uma maneira de ser, uma base estabelecida que não muda. O que buscamos no tratamento é transformar o transtorno em traço: ou seja, a pessoa vai continuar a ser sensível, emotiva, mas ela não vai capotar naquilo, vai canalizar para coisas produtivas.

O quanto do transtorno é biológico e o quanto é fruto do meio? No livro, a maior parte das pessoas com o transtorno teve vidas muito duras, marcadas por abuso sexual, agressão física, abandono. Como se pode dizer que isso é biológico?

Sabemos é que 50% são biológicos e 50% estão relacionados à criação, ao meio, à cultura. Quando a pessoa tem a biologia, mas vive num meio normal, o transtorno vai se apresentar de uma forma muito mais branda ou como traço. A estrutura genética não muda, mas é possível moldar a forma como se apresenta.

Como é a vida de quem tem o transtorno?

A pessoa tem uma dificuldade muito grande nos relacionamentos. Ela tem a autoestima destruída. Se vê muito pior do que é, de maneira depreciativa, e acha que a solução está no outro; é na dependência afetiva do outro que ela busca segurança e legitimidade. E é muito impulsiva. Mas essa impulsividade se manifesta de uma forma muito específica: ela está relacionada a explosões de raiva e ira. O border, como dizemos, é aquela pessoa que, literalmente, fica cega de raiva. Todo mundo que já viveu uma paixão alucinada sabe como é ser border: esse é o jeito border de ser. O estado da paixão, de acordo com a ciência, dura de dois meses a dois anos justamente porque, se durar mais, ninguém aguenta. Mas o border vive assim.

Trata-se de um transtorno que acomete muito mais mulheres do que homens. A neurociência explica por quê?

Sabemos que 75% dos pacientes são mulheres. Não sabemos exatamente por quê, mas não chega a ser uma grande surpresa se pensarmos que o transtorno está relacionado a uma hiperatividade do sistema límbico, que é o nosso verdadeiro coração, a região do cérebro que regula as emoções. No border, o sistema funciona demais, no extremo das emoções. Nos momentos de maior impulsividade, é como se houvesse uma pane total no sistema, um curto-circuito. Como a questão das emoções já é naturalmente mais marcada para as mulheres, é de se esperar que elas sejam a maior parte dos pacientes. Por outro lado, os homens, com cérebros mais racionais, são a maioria dos que sofrem de transtorno de psicopatia — em que o sistema límbico não funciona ou funciona muito pouco, o que os torna incapazes de ter empatia, de se sensibilizar com o sofrimento dos outros.

A adolescência é uma época em que as emoções já são muito mais intensas. Como é o transtorno nessa fase da vida?

O transtorno surge pela primeira vez nessa fase que é, em geral, quando ocorre o primeiro rompimento ou afeto não correspondido. Essa rejeição desencadeia o curto-circuito. A adolescência é a época das paixões, da impulsividade, da sexualidade, do comportamento de risco. Tudo isso faz parte, o adolescente tem que arriscar para aprender. É uma erupção emocional. No border, no entanto, é uma hemorragia. A automutilação é um comportamento recorrente. E se você perguntar por que ele fez aquilo, vai dizer que é para aliviar a angústia, o vazio.

E alivia mesmo? Por quê?

Sim. Ele se sente muito melhor porque deixa de sentir angústia. Quando há uma ameaça física ao corpo, o sistema de defesa e estresse é acionado. A substância liberada para tamponar a agressão é a endorfina, que é um anestésico. Por isso, um tratamento ótimo é a atividade física intensa, que libera endorfina.

A Carminha, de Avenida Brasil, é border?

Totalmente. Basta ver aquelas explosões de fúria, de ódio, sua instabilidade emocional. E, ao mesmo tempo, o grande pavor que tem da rejeição. Aquela família é seu alicerce, ela jamais se separaria, embora diga o contrário.

Existe tratamento?

É possível diminuir a hiperatividade do sistema límbico com medicações específicas em doses específicas — muitas vezes mínimas. Com isso, você reduz muito os ataques de fúria, os atos destrutivos, as agressões; baixa a bola do sistema mesmo. Mas, paralelamente, é preciso terapia, uma terapia muito específica, mais direcionada para o presente do que para o passado, que vai treinar a pessoa a viver com menos intensidade, a sangrar menos. A não morrer de hemorragia.

Menstruação – Tire suas dúvidas!

 

 

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Bem, este post é dedicado as garotas e garotos que me enviam emails perguntando sobre sexo, menstruação, mudanças no corpo.Acredito que este texto pode esclarecer muitas dúvidas. Leiam!

1. O que é menstruação?

Quando a mulher não engravida, o organismo expele o óvulo que estava no útero e não foi fecundado. Com ele, vai o endométrio, a camada que reveste o útero.

2. Quanto sangue uma garota perde durante a menstruação?

Os médicos calculam uma média de 80 ml, menos da metade de um copo de requeijão.

3. O sangue da menstruação é sempre vermelho?
Nos dias em que o fluxo é menor, o sangue fica marrom como borra de café; quando aumenta, pode adquirir um tom vermelho-vivo. E, nos dias em que o fluxo é muito intenso e sai em forma de pequenos coágulos, fica cor de vinho.

4. Menstruação tem cheiro?
O sangue não tem cheiro. Mas quando passa pelo canal da vagina entra em contato com bactérias e ganha um odor característico. Se ele é muito ruim, pode indicar alguma infecção.

5. Por onde sai o sangue de quem é virgem?
O hímen tem um orifício capaz de dar vazão ao sangue.

6. Posso fazer ginástica?
Pode. “O exercício libera endorfina, que funciona como um analgésico natural”, diz Márcia Gaspar Nunes, do departamento de ginecologia da Universidade Federal de São Paulo.

7. Posso transar menstruada?
Pode. Como a vagina fica lubrificada demais, a sensação de contato entre o pênis e a vagina diminui. Menstruada ou não, tem que usar camisinha.

8. Há o risco de engravidar?

“Casos assim só aparecem em livros”, diz Mara Diêgoli, da clínica ginecológica do Hospital das Clínicas de São Paulo. Isso significa que existe a possibilidade, mas ela é raríssima.

9. É verdade que, na piscina, o sangue não desce?
O que acontece é que a água, se estiver gelada, contrai os vasos, o que dificulta a vazão do sangue. Quando você sair da água, tudo volta ao normal.

10. Quem toma pílula também menstrua?
A única diferença é que quem toma pílula não expele o óvulo durante a menstruação. A quantidade de sangue e as cólicas também diminuem.

11. Tomar pílula sem intervalo interrompe a menstruação?

Sim. Se a idéia é atrasar a menstruação por causa da viagem de formatura, não há problema, mas não é para fazer isso a toda hora. “O corpo da adolescente está aprendendo a menstruar. Não é bom interromper”, avisa Iara Linhares, ginecologista da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Conte os dias no calendário

12. Qual a idade certa para ficar menstruada?

Entre 9 e 14 anos. Se, aos 14, a menina ainda não tem seios desenvolvidos ou pêlos no púbis e nas axilas, é bom investigar.

13. Quanto tempo dura o ciclo menstrual?

De 25 a 35 dias. Mas a maioria das mulheres tem ciclos de 28 dias. Conte a partir do primeiro dia da menstruação até o último dia antes de descer de novo.

14. Quando o ciclo fica regular?
De seis meses a dois anos depois da primeira menstruação.

15. É normal a menstruação atrasar muito?

Só nos dois primeiros anos após a primeira menstruação. Nessa fase, é possível ficar até 12 meses sem menstruar. Mas atraso menstrual também pode ser indício de gravidez ou de algum problema com os seus hormônios.

16. Quantos dias dura a menstruação?

De 3 a 5 dias. Pode durar um pouco mais, desde que o fluxo diminua.

75% das adolescentes sofrem de cólica. 15% delas não consegue nem ir à escola por causa da dor.

De olho nos absorventes

17. Quantos absorventes devo usar por dia?

Depende da garota. Tem gente que gosta de trocar a toda hora. Em média, o ideal é trocá-lo de três a quatro vezes por dia, mesmo nos dias de fluxo intenso. Se eles ficam encharcados e é preciso trocá-los mais de seis vezes no mesmo dia, é sinal de que há algo errado.

18. Absorvente dá alergia?
Algumas garotas sentem coceira quando usam determinado absorvente. A solução é trocar a marca até encontrar uma que não cause irritação. Se não der certo, coloque algodão entre a pele e o absorvente.

19. Menina virgem pode usar absorvente interno?
Pode. O hímen tem um orifício por onde passa o absorvente. “Mas tem que colocar com cuidado: a menina pode provocar pequenas rachaduras na pele do hímen e não perceber, porque já está sangrando”, avisa a ginecologista Mara Diêgoli. Nesses casos, Mara recomenda os absorventes internos do tipo míni ou teen. E, se a menina não consegue colocá-lo de jeito nenhum, não deve insistir: deve procurar orientação médica.

20. Posso dormir com o absorvente interno?

De jeito nenhum. Absorvente interno deve ser trocado a cada três ou quatro horas, no máximo. O sangue é um meio perfeito para a reprodução de bactérias. O risco de infecções é alto.

21. E se eu transar de absorvente interno?
Na hora da transa, o canal da vagina aumenta de tamanho (de 7 cm para 10 cm). Se o garoto não perceber o absorvente (o o.b. ocupa cerca de 5 cm da vagina), vai empurrá-lo para dentro e pode até machucar. Por isso, mesmo que o amasso esteja quente, peça licença, vá ao banheiro e tire o absorvente.

22. E se o fiozinho ficar preso lá dentro?
Lave as mãos, lubrifique o polegar e o indicador com vaselina e introduza-os na vagina. Se não conseguir retirá-lo, tem que ir ao médico.

23. O que acontece se alguém esquecê-lo na vagina?
As bactérias da flora vaginal vão se reproduzir loucamente. O primeiro sinal é um cheiro ruim. Em seguida, dores e febre. Se mesmo assim a menina não se ligar, a infecção pode se espalhar pelo corpo todo e até causar a morte.

Dias de fúria

24. Cólica é igual a TPM?

Não. A menina tem cólica quando já está menstruada. Os sintomas da TPM aparecem até 15 dias antes da menstruação e desaparecem, como mágica, assim que ela desce.

25. Existe alguma receita caseira para combater a cólica?
“Chás quentes ou bolsas de água quente podem ajudar”, explica Márcia Gaspar Nunes, ginecologista. Mas, se quiser combater a causa do problema, tem que tomar remédios. Os mais indicados são antiinflamatórios não-hormonais (como o Ponstan) ou antiespasmódicos (como Buscopan e Atroveran). “Evite medicamentos com ácido acetilsalicílico (como Aspirina), que aumentam o fluxo sangüíneo”, acrescenta Cláudia.

26. Só adolescente tem cólica?
Não. Mas elas costumam ser mais freqüentes e intensas durante a adolescência até os 25 anos.

27. Menstruação dá diarréia?
Algumas meninas podem ter diarréia na menstruação. O útero libera uma substância chamada prostaglandina, que provoca contrações musculares – por isso a cólica – e também pode alterar o trânsito intestinal.

28. Como saber se eu tenho tensão pré-menstrual?

Se essas mudanças de humor, irritação ou depressão só aparecem dias antes da menstruação e desaparecem no dia em que você fica menstruada, pode ser TPM. Inchaço e dor nos seios, dor de cabeça, inchaço na barriga e uma vontade louca de comer doces também são sintomas. Na adolescência, a TPM é menos freqüente que em mulheres adultas. Uma pesquisa do Hospital das Clínicas de São Paulo apontou que apenas 2,9% das meninas entre 10 e 19 anos sentiam a TPM em sua forma mais intensa. 48,3% não tinham nenhum sintoma do problema.
4 maneiras de lidar com a TPM

1. Vá dar um rolê de bike, caminhar no parque ou suar na aula de aerofunk. Exercícios reduzem a tensão, a depressão e melhoram a auto-estima.

2. Evite café ou refrigerantes do tipo “cola”. A cafeína é um estimulante e pode piorar a TPM.

3. Tente ingerir menos sal, para reduzir a retenção de líquidos. E consuma alimentos que ajudam o organismo a eliminar água, como morangos, melancia, alcachofra, aspargo, salsa e agrião.

4. Procure comer alimentos ricos em vitamina B6 (soja, melão, arroz integral, ovos, aveia, amendoim e nozes), vitamina E (soja, óleos vegetais, nozes, couve-de-bruxelas, verduras, cereais integrais e ovos) e magnésio (figo, amêndoas, vegetais verde-escuros, banana e frutos do mar). Eles ajudam a aliviar os sintomas da TPM.

fonte-http://capricho.abril.com.br

Por que não gostamos de mulheres boazinhas? – Por Leonardo Filomeno

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As mulheres boazinhas e fáceis até que são interessantes. Para um encontro de sábado à noite e nada mais. Se quisermos nos envolver de verdade ou até abandonar o futebol do fim de semana com os amigos, tem que ser por uma mulher de atitude, aquela que você admire pela sua personalidade e que você até possa sentir o risco de perder.

Antes que você pense que sou o único a pensar assim, saiba que elas já estão reconhecendo isso. A escritora estadunidense Sherry Argov apontou no seu best-seller “Por que os Homens Amam as Mulheres Poderosas?” os motivos da nossa atração pelas mulheres com mais atitude.

Resolvi então elencar os principais argumentos pelos quais as boazinhas só ficam com os mocinhos nas novelas ou comédias românticas. Homem de verdade gosta é de uma boa mulher com atitude.

1. Quando a esmola é de mais, o santo desconfia…
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Sabe aquela mulher que você fica pela primeira vez e ela acha tudo o que você faz incrível, desde a sua religiosa bebedeira com os amigos na sexta à noite, até sua segunda paixão futebolística pela Portuguesa? Sabemos que isso é só uma armadilha para nos fisgar e basta oficializar o romance para as restrições e críticas aparecerem.

Se você conheceu o cara em um boteco com os amigos, não imagine que ele possa largar a cerveja por sua causa. É que nem achar que vai tornar casto um ator de filmes das Brasileirinhas. Relacionamentos funcionam como um tribunal: tudo o que você abrir mão na relação e fizer no começo, será usado contra você por nós posteriormente.

2. Quanto maior for a luta, maior é a recompensa
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O ser humano é movido por conquistas e, quanto mais difícil for o troféu, com maior vontade e garra buscaremos o prêmio. Por isso mesmo, não vai ser apenas uma lingerie sexy e uma noite de sexo intensa que vai segurar um cara.

Ao invés de tentar conquistá-lo fazendo tudo para agradá-lo, saiba que gostamos da mulher de atitude porque às vezes ela está disponível, às vezes não. E vai ser nessa autonomia e na falta de dependência que ela vai conquistar o cara, porque vai fazer ele ir atrás dela para não perdê-la.

3. Não são as mulheres excepcionais que nos ganham e sim aquelas que nos desafiam
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Aqui não significa que compactuamos com joguinhos de relacionamento. Trata-se de demonstrar que você é feliz sozinha e não é dependente de alguém para isso. Quando elas demonstram inferioridade ou necessidade do parceiro, logo passamos a testá-la para ver até onde você vai ceder, sempre exigindo mais. Isso é da natureza humana e atinge homens e mulheres, gregos e troianos.

As concessões e a ânsia de agradar diminuem o nosso respeito e acabam com a atração que inicialmente nos aproximou. Nós, geralmente, não sentimos desafiados quando nos encontramos diante de uma mulher que não mede sacrifícios para nos conquistar.

4. Quanto menor é o domínio sobre a mulher, maior é a vontade de estar com ela
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Depois de algumas semanas, a mulher boazinha ‘fisgou’ o cara é esta feliz em ficar ao seu lado, isolada do resto do mundo, sem seus antigos laços com as amigas da época de solteira e submetendo sua vida a um espaço dentro da rotina do homem: trabalho, futebol, amigos e namorada.

Uma mulher de atitude não perde tempo refinando as habilidades indispensáveis para “agarrar um cara”. Se ela sai com um homem, é porque a companhia dele é agradável. Saiba que o seu círculo de amizades é tão importante para o relacionamento quanto o nossos amigos. Aprenda com a gente: é possível ter uma vida social fora do relacionamento e nós, homens, agradecemos muito por isso.

5. Aprendemos a conviver com o ônus dessa ‘porra’ toda
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Ok, sabemos claramente que gostar de uma mulher com atitude pode acarretar o ônus de encontrar no caminho algumas malucas ou mesmo ter que conviver por muito tempo com garotas de personalidades difíceis de engolir. Mas, como diria Nietzsche: “O verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo. Por isso quer a mulher: o jogo mais perigoso”.

Autor Leonardo FilomenoJornalista, fã de esportes, apreciador de cerveja (e destilados), e um camarada que vive dando pitacos na vida alheia – no G+

Não foi só pra te comer – Junior Costa


Depois de muito ouvir de mulheres a frase: “É impossível entender os homens”, resolvi montar esse blog para mostrar exatamente como nós pensamos.

Vou tentar mostrar que se vocês meninas retirarem todas as sutilezas de pensamento, todas as interpretações múltiplas sobre frases, toda a complexidade implícita sobre nossas atitudes verão que nós somos simples, planos, rasos e previsíveis.

Resumindo, vou tentar explicar o óbvio que vocês não enxergam e nenhum cara tem o menor saco de explicar.

Ass. Junior Costa

Celulite, parte 1

Este post foi pedido por três amigas ontem a noite. O que nós achamos de celulites, gordinhas, etc, etc.

Logo de cara eu poderia estrapolar o assunto em o que nós achamos da neurose que vocês tem em relação ao corpo, com toda aquela parafernália de cremes, shampoos (tive que ir conferir como escreve num frasco, pra vocês terem uma idéia), etc, etc, etc.

Pois bem, esse assunto é tão longo, mas tão longo que daria no mínimo uns 5 posts pra explicar que no fundo, no fundo, a gente caga e anda pra isso. Portanto vou começar a defecar nesse primeiro post.

Gostamos de mulher bonita? COM CERTEZA! Gostamos de mulher gostosa? ABSOLUTAMENTE SIM! Isso é totalmente fundamental? Depende…

Aqui cabe começar a mostrar a verdade no post anterior: Teremos que analisar os diversos tipos de homem que não são todos iguais. Vou tentar abordar todos os grupos, mas com certeza esquecerei de diversos, então guardem as tochas. Também darei um nome para cada grupo e esse nome é única e exclusivamente a minha opinião.

Os moleques

Estes são os mais novos, que ainda não acharam seu lugar, inexperientes, que ainda medem o “tamanho do pau” pela mulher que desfilam do lado pra mostrar pros amigos. Esses se importam sim, e muito, com os esteriótipos de beleza de vocês afinal é por esses esteriótipos que eles vendem a própria imagem. Via de regra nem sabem direito o que fazer com uma mulher na cama mas isso também não importa, visto que ainda estão se auto-afirmando, então o que vale é o mostram. Derivam em duas sub-espécies, os garanhõezinhos e os punheteiros, sendo que os primeiros conseguem desfilar e os segundos apenas querem desfilar.

Os semi-viados

São tudo os que os moleques são, com a diferença que fazem lipoaspiração, trocam marcas de shampoos e cremes com vocês, reparam no sapato que vocês usam e criticam as roupas que vocês usam. Normalmente trepam com eles mesmos apesar de vocês estarem presentes também.

Os Desencanados

Esses são os homens comuns que não reparam em porra nenhuma. Preferem as bonitas e gostosas mas desde que sejam bonitas e gostosas para o próprio gosto. Se você é legal, gostosinha e trepa bem não estão nem aí pro fato de você ter uns (poucos ou muitos) kilinhos a mais ou a menos. Preferem coxas lisas mas se você não está 100% depilada, tudo bem. Nunca perceberam se você está com a mão feita e pra ser sincero, acreditam que uma mão com 5 dedos é uma mão feita. Se preocupam mais em como você usa o seu corpo do que propriamente como ele é.

Os curva-de-rio

Similares aos desencanados com uma pequena diferença: Não tem nenhum senso crítico. Pra esses mulher é um buraco quentinho e úmido, todo o resto é um detalhe.

Esses são os quatro grupos principais de homens, de novo, na minha visão. Não posso falar muito dos dois primeiros nem do último grupo, nem de todas as variações dos mesmo, portanto vou me ater ao terceiro grupo. Mas isso vai pro próximo post, onde detalharei mais a influência das neuroses que vocês tem em relação a estética e como nós percebemos tudo isso.

Celulite, parte 2

Primeiro, desculpem a demora nas atualizações. Muito trabalho e coisas tristes aconteceram nos últimos dias, nenhuma cabeça nem bom humor pra escrever. Mas vamos lá.

No último post listei alguns tipos de homem. Um tipo que dispensa qualquer análise (os curva de rio), dois que corroboram a neurose que vocês tem com corpo e aparência e um que será o padrão pra falarmos agora, os desencanados.

Nada contra meninas que gostem dos Moleques ou dos Semi-Viados, cada uma com seu mau gosto mas nós, os desencanados, não damos a mínima pras neuras que vocês tem. Vamos falar de algumas delas:

Mãos

Já falaei de mãos por aqui. Cinco dedos é mão feita. Claro que se as unhas estiverem sujas como a de um mecânico ou aquele bicolor de esmalte descascado, só aquelas rebarbas no cantinho, vamos achar feio, ponto. De resto, acredite, se falarmos que a cor tá bonita é só pra inflar o ego de vocês e facilitar uma eventual cantada. Um desencanado de verdade não vai lembrar que cor eram as suas unhas ontem. Mas vamos lembrar com certeza se vocês as cravaram nas nossas costas, sabe como é?

Barriga, bunda grande, coxas grossas

Nós TEMOS barriga. Nós não nos importamos com barriga. Claro que uma barriguinha lisa e definida é deliciosa, mas uma pancinha não é demérito NENHUM. SÉRIO! Nós sonhamos com atrizes pornôs, com dançarinas de axé, com capas da Playboy sim. Mas nós não somos nenhum modelo de revista nem ator de cinema. Logo acredite, normalmente nós achamos você MUITO mais gostosa do que você mesma se acha. Bunda grande e coxas grossas? Já ouví meninas se queixando disso. QUALÉ? Isso é sonho de consumo. Se o encaixe for legal, tudo isso é detalhe.

Celulite

Nove entre dez desencanados não tem certeza do que venha a ser celulite. É tanto nome, celulite, estria, varizes que poxa, dá pra confundir. Sabemos que isso são nomes de pequenas imperfeições que quando efetivamente estão ao alcance das mãos não querem dizer absolutamente nada! Se o encaixe está bom, nós queremos mais é encher as mãos e curtir. Ah, quer saber do décimo desencanado? Bom, ele jura que sabe o que é celulite, mas com certeza está errado.

Cabelos

Tá, cor de cabelo é meio fetichista. Ruivas naturais são fetiche pra muitos caras, mas elas são raras. Se o seu cabelo não parecer uma samambaia agonizante no deserto nós também não daremos muita bola pra isso. Preferimos, via de regra, cabelos naturais, nada daquelas coisas que nem podemos passar as mãos porque “vai desarrumar”. Seu charme pode estar nos cabelos, no pescoço, no colo, nos peitos. Cada mulher tem seu ponto positivo (e, acredite, TODAS tem). Não vai ser horas e fortunas tentando melhorar o cabelo que vai fazer você ficar mais ou menos interessante. Cuide-se, só isso.

Maquiagem

Gostamos? Sim, gostamos. Mas nada exagerado, pelamor. Uma coisinha discreta conta muito mais pontos do que aquele reboque que demora horas pra fazer e que não podemos nem passar a mão no rosto. Liberados para casamentos, mas poxa, queremos tocar vocês sem que vocês se transformem no bozo.

Acreditem, se nós fomos falar com vocês, convidamos você pra sair, é porque você é interessante, BEM interessante. E normalmente você é interessante mais pelo que é do que pelo que se esforça alucinadamente em ser. Claro que não estou pregando o desleixo. Mulher arrumada e cheirosa é ótima, mas não esperamos que você seja perfeita, porque sabemos que NÓS não somos perfeitos. A diferença é que não queremos ser perfeitos (exceto os outros grupos já citados). Nós queremos alguém legal, que achemos bonitas e gostosas e, nesse ponto, homens são absurdamente diferentes entre sí. Não conheço dois caras que gostem exatamente do mesmo tipo de beleza, cada qual valorizando um aspecto. E acaba sendo ridículo vocês todas procurando seguirem um padrão pra ficarem iguais.

O que conta mesmo, no final, é como vocês usam o corpo de vocês com a gente. Mas isso fica pro próximo post.

Ser a outra não é para qualquer uma …

A outra costuma andar deslizando. Coleante e tortuosa como uma cobra. E chega com um breve silvo, se insinuando à meia luz na vida de um homem qualquer.

Muitas vezes se veste de vermelho. Embora tenha veias hirtas, corre nelas um sangue quase espumoso, de um vermelho sacrílegio, que trafega nos interstícios desse corpo.

Ela até nos faz recordar daquele ditado sobre a inveja. Um prato que se come frio e que está sempre ali disposto à serventia.

Essa mulher, com madeixas de todas as cores, não tem qualquer pressa de se alojar em corações ciganos e desatentos. Mas quando finca seu espaço, também não abandona a guarida e lá permanece, reinando como aranha soberana.

Entretecendo insetos-homens, pessoas desavisadas, transformados pelas ganas de sua volúpia. É kafkiana, equilibrando-se entre a sedução e o asco. Estranha, metamórfica, em estágio eterno de lagarta — da qual ignoramos em que borboleta se transformará.

Será dourada, cinza, sépia, parecerá com aquelas bruxas noturnas e fedorentas de pouso certeiro e de mau agouro, que aderem às paredes de quartos solitários e, por conseguinte, indefesos.

Esta mulher não teme os domingos, os sábados, as noitadas em carne viva e pele crua. As rajadas de vento emocional que trespassam seu umbigo ainda róseo e sem piercings.

A outra sabe esperar como ninguém. Do mesmo modo que a alvorada aguarda paciente a hora de crepuscular e semicerrar as pálpebras.

Mulheres assim se nutrem de chuva, naufragam em dias cinzentos e iguais a qualquer dia sem rosto nem horizontes.

Ah, mas quando elas se envolvem na vida de alguém, emitem luzes quase prateadas, feérie de festas vindouras, anunciadas na fileira de dentes exemplares.

Chegam assim em silêncio, determinadas a perturbar os porta-retratos de estabelecidas e rangentes conjugalidades. Terremotos afetivos destilam avalanches passionais nos homens e seus ossos. Ópio sobre as pernas. Absinto no hálito.

Pecado não mordê-las, negras maçãs avantajadas, redondas de fetiches.

Impensável deixar de sorvê-las, como um suco de goiaba selvagem, de sabor primevo, oriundo de  terras rústicas, bravas e indômitas. Frutas que estacionam distantes da civilização e dos galopes.

Quantos desejos sobrevoam as tortuosas cabeças dos machos convictos. É quando estas mulheres os deitam arfantes no chão das humildades e imundícies do mundo. Fazendo com que se submetam, rendidos às cegas, entregues exangues à deidade feminina, latejando em visão  em amplo espectro.Essas mulheres se anunciam com as intempéries, atravessam invernos em renas gigantes e tramam acender lareiras em peitos musculosos para que os mesmos possam sustenta-las em toda a sua alargada voracidade.

Missas negras, pinturas góticas, óperas profanas, desterro das boas e ilibadas intenções.

A outra jamais almeja estar na linha de frente, ser a primeira, a noiva pueril escolhida.

O que a entretém são os solfejos descontínuos de uma alma em agonia. Alma de ventanias, uivando como loba, no cume de montanhas irregulares.

A outra não tenciona ter filhos. Mas quer roubá-los, ainda em fase de  promessas,  decididamente de você.

Arrancar sua atenção deles, extirpar seus afetos do álbum de casamento mais plácido que as poeiras da sua vida morna já depositaram alguma vez  sobre ele.

Mulheres outras não anseiam por beijos, mas mordidas. Rejeitam presentes, acolhem despedidas. Trocam de imediato afagos dóceis e açucarados por arranhões seriais, grafados a ferro em fogo por unhas necessitadas de sexo.

A outra, meu amigo, não quer você.

Ela pretende devorá-lo como esfinge apoteótica, sorvê-lo inteiro como terreno árido e sem chuvas, sequer divisadas nas estações de verão.

Ela decidiu se enraizar em você. Ramificar seus prolongamentos, asfixiando todas as suas vontades bem devagar, uma por uma.

Esta é uma morte consentida, não negue. A morte da sensaboria, dos agonizantes protótipos do desejo.

A outra,  perceba bem, caiu em suas mãos para desorganizar seu destino de ponta a ponta. Os caminhos supostamente traçados e controlados por suas frágeis intenções de homem firme e assentado socialmente.

A outra dói como ambicionada e paradoxal erva daninha do espírito.  Move-se quase ondulante, a secretar lamentos pelos poros sujos.

A outra também é herege para que dela nasçam dúvidas breves e irrecorríveis. Imiscuídas em suas mais agudas  e solitárias reflexões.

Ela ainda se esparrama pelas salas do seu corpo sem nenhum pudor, revirando seus olhos entorpecidos, esgazeados e confessos.

Se é possível trancafiá-la, de modo a que nunca mais você a veja ou a encontre?

Sim, mas se aquiete por enquanto com a resposta provisória.

Tente talvez prendê-la em uma caixinha de músicas muito antiga.

Lembre-se, todavia,  que esta caixinha jamais, em qualquer hipótese, deverá ser aberta.  Sequer durante os seus mais agudos sonhos ou fartos pesadelos.Um último desafio: ouse  existir sem ela.

Experimente sobreviver sem seus braços, tentáculos e ventosas quase abissais.

Porque a outra mora aí. Exatamente dentro de você. No porão ou na garagem das suas trêmulas, indisfarçáveis e crescentes demandas.

fonte- Revista Bula

Texto de

Professora e escritora.

Basorexia = Beijos.

De imediato, basorexia é um termo que me lembra de uma palavra que eu ouvia vez por outra nos meus tempos de infância em Madrid, onde nasci. “Basura”, que simplesmente em espanhol significa lixo. Vamos combinar que a princípio, ao menos, basorexia não sugere nenhum detrito, nada fétido ou escatológico por exagero. Pois estamos falando do desejo, da compulsão mesmo irrefreável de beijar. Beijar muito. Beijar enlouquecidamente. Beijar sem parar.

Antes de tudo, vamos decifrar a foto acima cuja fama atravessa os tempos. Publicada na revista americana Life, foi tirada por Alfred Eisenstaedt em 14 de agosto de 1945 na Times Square, em Nova York. A imagem mostra um marinheiro beijando uma enfermeira em comemoração ao término da Segunda Guerra Mundial.

Voltando à nossa conversa, agora de mãos dadas com uma curiosidade minha: alguém dentre vocês sofre desta deliciosa mania — que embora possa assumir tons neblinados, plúmbeos até, se quisermos ser mais graves, de uma doença — pela falta de conveniência, de savoir faire talvez, como sugeririam os franceses, é inegavelmente irresistível.

Primeiramente, ressaltemos, visando inclusive à prospecção de controvérsias, que o beijo hoje — aquele caprichado, malemolente, coleante e succional, feito aderência de caracol grudado em vidro, ósculo explícito como os do peixe beijador, abrindo e fechando no aquário sua despudorada e rósea boquinha — anda um tanto mofado, abandonado, esquecido nas bocas viçosas. Anda ensimesmado e amarrotado, o pobrezinho do beijo.

A sofreguidão dos fisiológicos, lânguidos e entorpecidos conluios nas décadas e séculos passados, observados nas artes em geral, caiu de certa forma em desuso.

Hoje quase ninguém quer perder tempo, nem com os apetitosos e, a meu ver, insubstituíveis acepipes, hors d’oeuvres do namoro. Os finalmentes sexuais traduzem melhor a azáfama atual. A vida em sua féerie digital é como uma cômoda, compartimentada com um sem número de gavetinhas, cada qual destinada a conter tarefas do cotidiano que, espera-se, assuma desempenho sincronizado.

Em breve retrospectiva, ilustraremos a seguir beijos antológicos, protagonistas do mundo das artes. Aqui divisamos o primeiro beijo no cinema. Enfrentando o pudor da época, o primeiro beijo nas telas deu-se em 1896 e deixou o público boquiaberto, com as trocas de carícias entre os atores May Irwin e John C. Rice no filme “O Beijo”. Em obras clássicas, acenamos com os arrebatadores beijos entre Clark Gable e Vivien Leigh, em “E o Vento Levou”, em 1939. E os romanescos de Cary Grant e Debora Kerr em “Tarde Demais Para Esquecer”, de 1957.

Viajando à renascença, lembramos que na Inglaterra o povo já mostrava sua predileção por beijocas que aconteciam a torto e a direito. Quem por exemplo visitava um amigo deveria, em sinal de respeito, beijar o anfitrião, sua esposa, filhos e até os bichos de estimação. Todos, sem exceção, na boca. Entretanto no século 15, o Rei Henrique VI, com o objetivo de sustar a proliferação de doenças, proibiu o beijo entre os ingleses. Um pouco depois, no século 17, Oliver Cromwell vetou beijos aos domingos. Algum atrevido que ousasse burlar a lei expunha-se de imediato à prisão.

O beijo da traição

Nem sempre, para infortúnio dos amantes, o beijo constou como prova cabal de afeto. Não conseguimos esquecer o beijo de azinhavre de Judas, apóstolo traidor de Jesus, indicando com a carícia aos guardas romanos que ele deveria ser preso.

Ousadia também é o que não falta na acrobacia de línguas e clamores que permeiam o cinema. A intensidade dos beijos homoeróticos entre os atores Heath Ledger e Jake Gyllenhaal, em o “Segredo de Brokeback Mountain” merece seu registro.

“O Beijo” de Picasso, em 1969, retrata a fusão dos amantes cubistas.

Auguste Rodin sacraliza, em 1886, a envolvência e entrega no encontro amoroso, em escultura marmórea.

Aproximando-nos neste momento da música, recordamos a magistral cantora cabo-verdiana, Cesária Évora, intérprete de “O Beijo Roubado”.

Elencamos a doce e sensual Marisa monte, interpretando “Beija Eu” em compilação de vídeo com alguns dos melhores beijos do cinema. Por fusão, desfilam cenas inebriantes de filmes como “Tróia”, “Cidade dos Anjos” , “Doce Novembro”, “Piratas do Caribe”, “Homem-Aranha”, “Sr. e Sra. Smith” e “O Segredo de Brokeback Mountain” dentre outros.

Afinal, o que é melhor que beijo na boca: chocolate, videogame, una vera pizza napolitana?

Enquanto você decide, importa esclarecer que muito além de se posicionar como um livro centrado em mirabolantes técnicas e pitorescas posições sexuais, o “Kama Sutra” abrange desde sempre os meneios da sedução e suas variantes, na forma de provocativos beijos, como nos 16 tipos que o livro evoca. Neste coquetel, há tira-gostos irresistíveis sublinhados em matéria da “Revista Superinteressante”.

1 — Beijo Nominal: Um dos amantes toca a boca do outro com os lábios, sem fazer mais nada.

2 — Beijo Palpitante: Durante o beijo nominal, um dos amantes movimenta o lábio inferior, mas não o superior.

3 — Beijo de Toque: Um dos amantes toca os lábios do outro com a língua, fecha os olhos e coloca suas mãos nas do outro. Lambidinha romântica? Risos.

4 — Beijo Direto: Os lábios dos dois amantes entram em contato direto. Aqui no ocidente, esse beijo também é conhecido como “selinho”.

5 — Beijo Inclinado: É, basicamente, o selinho (Beijo Direto), mas os amantes devem estar com as cabeças inclinadas.

6 — Beijo Voltado: Um dos amantes volta o rosto para o outro, segurando a cabeça e o queixo do outro enquanto se beijam.

7 — Beijo Pressionado: O lábio inferior é pressionado com muita força pelos dedos do amante. Há ainda o beijo “muito pressionado”, quando o lábio inferior é agarrado pelo amante entre dois dedos e depois pressionado com o lábio. Meio estranho, mas vale a pena tentar, não?

O beijo do lábio superior pode ser feito por homens de bigode. Já o agarrado, não!

8 — Beijo do Lábio Superior: O amante beija o lábio superior do outro e o amado, por sua vez, beija seu lábio inferior.

9 — Beijo Agarrado: Um dos amantes toma ambos os lábios do outro entre os seus. Mas atenção: só homens sem bigode podem dar esse beijo! Polêmico.

10 — Luta de Línguas: Durante o beijo agarrado, um dos amantes toca os dentes, língua e céu da boca da pessoa amada. Também é permitido pressionar os dentes de um contra a boca do outro. Perigoso.

11 — Beijo que Acende o Amor: Acontece quando um amante contempla o outro adormecido e o beija (não necessariamente nos lábios, fica a dica).

12 — Beijo que Distrai: É quando se beija o amante enquanto ele está trabalhando, olhando para outra pessoa ou quando estão brigando.

13 — Beijo que Desperta: Ao chegar em casa tarde da noite, o homem beija a amante que está dormindo. Dica: a mulher pode só fingir que está dormindo.

14 — Beijo Revelador de Intenção: Beija-se o reflexo da pessoa amada num espelho, na água ou na parede.

15 — Beijo Transferido: Quando se beija uma criança de colo, um retrato ou uma imagem na presença da pessoa amada.

16 — Beijo Demonstrativo: Quando o homem beija os dedos das mãos (quando a mulher estiver de pé) ou dos pés (quando ela estiver sentada) em um local público. Ou quando a mulher se deita no colo do amante e beija suas coxas ou o dedão do pé.

Depois desta maratona de beijos, vale assinalar que a ideia desta crônica reside em buscar revivescer o combalido, torpedeado e esgarçado beijo. O beijo chinfrim, analógico. Derrotado frequentemente por batalhas travadas na rotina com as megapromessas do virtual. Beijo atônito. Alijado por euforizantes experiências em realidades supra-aumentadas e que tais.

Mas cá entre nós: uma dança de rosto colado pega bem sempre. Atravessa gerações com seu arfar, ritmo e molejo insubstituíveis.

Que a basorexia, então, recaia como epidemia sobre nossos entorpecidos e distraídos corpos e bocas erráticas, deslizando à solta pelos salões da vida. O silêncio de um beijo, molhado apenas pelo ruído de oportunas onomatopeias, sem dúvida é dos mais almejados que há, nas vitrines do consumo humano.

TEXTO de

Professora e escritora.

Bettie Page: A Rainha das Pin-ups

Bettie Page era muito mais do que uma modelo bonita: era simplesmente a melhor. Carismática, ousada, exótica, com um olhar e sorriso inocentes, Bettie brilhou como nunca antes na indústria da moda.

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Bettie Page na adolescência.

Bettie Mae Page nasceu no dia 22 de abril de 1923 em Nashville, Tennessee.
Segunda de seis filhos do casal Walter Roy Page e Edna Pirtle, Bettie passou seus primeiros anos viajando por todo o país com seus pais em busca de estabilidade financeira.

Logo cedo teve de enfrentar as responsabilidades de cuidar de seus irmãos mais novos e ajudar a mãe nas tarefas da casa. O divórcio de seus pais só piorou a situação econômica da família. Sua mãe passou a trabalhar como cabeleireira durante o dia e lavava roupas à noite. Seu pai também teve problemas com alcoolismo e acabou sendo preso.

Aos 10 anos de idade, Bettie e suas duas irmãs ficavam em um orfanato enquanto sua mãe trabalhava. Bettie ficava horas inventando penteados e imitando as estrelas de cinema da época. Mas apenas quando lhe sobrava tempo, pois teve que ajudar a mãe a sustentar a família trabalhando como cozinheira e costureira. Sua habilidade na costura lhe rendeu bons frutos pois, anos mais tarde, ela mesma passou a criar seus próprios biquínis e roupas. Aos 15 anos de idade Bettie foi violentada pelo próprio pai, que havia voltado para morar com a família.

Como estudante, foi uma aluna exemplar. Coordenava grupos de artes dramáticas e, como destaque da turma, ganhou uma bolsa de estudos da Peabody College. Depois de se formar ela se mudou para São Francisco com Billy Neal, seu namorado havia já dois anos, se casando logo em seguida, em 1943.

Foi em São Francisco que Bettie conseguiu seu primeiro trabalho como modelo em uma loja de casaco de peles. Bettie pôde então viajar para diversos lugares, inclusive para o Haiti, onde ela se apaixonou pela cultura local.

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Retrato de Bettie Page.

Em 1947, de volta aos Estados Unidos, Bettie se divorciou de Billy e se mudou para Nova York, onde continuava trabalhando como modelo. Em 1950, durante um passeio, conheceu Jerry Tibbs, um policial apaixonado por fotografia. Tibbs tirou fotos de Bettie e criou sua primeira coleção no estilo pin-up. Tibbs dizia a ela que sua testa era larga demais para usar o cabelo partido ao meio. Bettie então eternizou a franja convexa e lisa conhecida e copiada até hoje.

A partir daí, sua vida mudou completamente.

Ela se tornaria a modelo mais famosa dos anos 50 devido às suas fotos sensuais de estilo boneca. O que lhe rendeu a fama de “rainha das pin-ups”. Sua marca registrada eram os olhos azuis, os cabelos pretos luminosos e a franja, criando um visual exótico e um estilo único que influenciou vários artistas. Bettie amava a câmara, mas a câmara amava mais ainda Bettie.

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Bettie Page, modelagem.

Tibbs apresentou Bettie a vários fotógrafos. Consequentemente, sua carreira de modelo já estava feita. Apareceu em várias capas de revistas da época como Wink, Eyeful, Titter e participou de vários desfiles de beleza. Com isso, Bettie ganhou o título de “Miss Garota Pinup do Mundo” em 1955, sendo chamada até de “a menina mais perfeita”.
Suas fotos apareciam em praticamente todos os lugares. Impossível andar pelas ruas das cidades e não se deparar com um cartaz, uma capa de revista, um álbum de disco ou até mesmo cartas de baralho com o rosto de Bettie estampado neles.

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Bettie Page e sua frase famosa.

Em 1953, Bettie fez um teste de interpretação com Herbert Berghof, ator, diretor e escritor de teatro. Incentivada por ele, atuou em diversas produções de Nova York e apareceu algumas vezes na televisão. Desenhistas criavam quadrinhos com histórias baseadas em seus filmes.

Em 2005 estreou nos Estados Unidos a cinebiografia de Bettie Page. O filme é dirigido por Mary Harron e Gretchen Mol interpreta Bettie.
Apaixona pelo cinema chegou a afirmar: “Minha atriz favorita de todos os tempos é Bette Davis em “Dark Victory”. Eu vi o filme seis ou sete vezes e ainda choro.”

Mas do que Bettie gostava mesmo era de ser fotografada ao ar livre, em barcos, e nas praias. Sua inspiração era Luz del Fuego, nome artístico de Dora Vivacqua (bailarina e naturista) que adorava se exercitar e tomar banhos de sol nua. Bettie, sempre que possível, fazia o mesmo. “Eu amo nadar e andar nua. Me sinto livre como um pássaro!”

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Bettie Page gostava de fotos ao ar livre.

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Bettie Page, modelagem.

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Bettie Page, modelagem.

Os responsáveis pela imortalização de Bettie como pin-up foram os fotógrafos Irving Klaw e Bunny Yeager. No contrato assinado para posar para Klaw, Bettie só receberia seu pagamento mediante poses no estilo “bondage” (tipo específico de fetiche, geralmente relacionado ao sadomasoquismo). Nas fotos, Bettie era amarrada e espancada por uma dominatrix com trajes de couro e salto alto, atuando em cenários fetichistas de rapto como uma vítima indefesa.

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Bettie Page, bondage.

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Bettie Page, bondage.

O presidente do Senado na época, Carey Estes Kefauver, não aprovava as fotografias de Klaw devido à apologia do sadomasoquismo. Bettie chegou a prestar depoimentos, pois as suas fotografias provocativas violavam todos os tipos de tabus sexuais. Os negativos de muitas de suas fotos foram destruídos por ordem judicial e alguns foram proibidos de serem revelados.

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Bettie Page, prisão.

Com ou sem adereços e figurinos elaborados, ela produziu algumas das mais belas fotos de capas de revistas estampando, inclusive, a capa da mais conhecida de todas do gênero erótico: a Playboy, em 1955. A famosa foto mostra Page usando apenas um chapéu de Papai Noel diante de uma árvore de Natal, piscando o olho para a câmara. Hugh Heffner, fundador da revista, declarou: “Eu a achava uma mulher notável, uma figura emblemática na cultura pop que influenciou a sexualidade, os gostos, a moda. Alguém que causou um impacto tremendo em nossa sociedade”.

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Bettie Page, bondage.

Em 1957, Bettie deixou Nova York e se mudou para a Flórida. Casou-se em 1958 com Armond Walterson, desaparecendo aos poucos da vida pública. Alguns culpam Klaw por seu desaparcimento, outros atribuem seu sumiço ao casamento com Walterson.
Em 1959, Page se converteu ao cristianismo. Ela tentou se tornar uma missionária mas não foi aceita devido a seus inúmeros divórcios. Seu casamento com Walterson terminou em 1963. Nesse mesmo ano ela voltou a se casar com Billy Neal, seu primeiro marido, mas os dois se divorciaram novamente pouco tempo depois. Ela então voltou para a Flórida, em 1967, e casou-se com Harry Lear. Divorciaram-se em 1972.

Sua carreira estava chegando ao fim. O final de sua vida foi marcado pela depressão. Para proteger sua privacidade, ela dizia que não sabia quem era Bettie Page quando abordada pelos fãs nas ruas.

Em 1979 se mudou para a Califórnia, onde teve um colapso nervoso e foi diagnosticada com esquizofrenia aguda. Ficou alguns meses em um hospital psiquiátrico e depois de uma briga chegou a ser presa por agressão, mas foi inocentada por razões de insanidade e permaneceu sob a tutela do Estado por 8 anos.

Em 2008 sofreu um ataque cardíaco do qual não recobrou a consciência e entrou em coma. Uma semana depois, falecia a Rainha das Pin-ups, aos 85 anos de idade, de pneumonia. Foi sepultada no cemitério de Westwood Village Memorial Park. Em sua lápide aparece seu nome como “Bettie Mae Page” juntamente com a legenda: “Rainha das Pin-Ups”.

Seu estilo permanece vivo até hoje. Um exemplo disso, na cultura pop atual, é a franja de Katy Perry, alguns modelos de lingerie usados por Madonna em sua fase “Erotica” e, principalmente, toda a carreira da dançarina burlesca Dita Von Teese.

TPM

PL119

TPM é uma síndrome que apresenta um conjunto de sintomas psico-físico-emocional e atinge cerca de 80% das mulheres em fase reprodutiva.

No campo psíquico, vemos predominância da ansiedade, excitação e agressividade. No campo emocional, crises acentuadas de depressão, ou estados depressivos, com forte sentimento de desesperança e tristeza profunda; sentimentos de rejeição e pensamentos auto-depreciativos; irritabilidade e facilidade para chorar; além de dificuldade de concentração em atividades do cotidiano, insônia e mau humor.

Acontecem também alterações físicas, como a retenção de líquidos, inchaço, dores musculares, de cabeça, nos seios e dores em geral; há também acentuado desejo de comer algum tipo de alimento, sobretudo doces e chocolates, ou um aumento generalizado do apetite. Todos esses sintomas e outros mais são decorrentes da mudança hormonal, típica do próprio ciclo menstrual da mulher; somados ao stress decorrente do ritmo e qualidade de vida que a mulher vive.

O tratamento, normalmente, é feito através de recomendação de exercícios físicos, vitaminas e/ou anti-depressivos.
Por que algumas mulheres não têm TPM? Por que outras têm alguns sintomas mais acentuados e outras, menos? E, por que outras mulheres, ainda, têm um quadro gravíssimo de sintomas deixando-as com a sensação de falta de controle sobre si mesmas?
Entendo que as doenças desde as mais leves, como uma gripe, por exemplo, ou a TPM, até uma mais grave, como um câncer ­têm como fator decisivo desencadeante o psiquismo. Se pensarmos numa simples gripe, por exemplo, por que algumas pessoas “pegam” mais gripes que outras? Por que algumas pessoas demoram mais para se curarem e outras, recuperam-se mais rapidamente de uma mesma doença? Vírus estão no ar o tempo todo convivendo conosco, então, porque não somos “atacados” constantemente por eles e, sim, somente em algum determinado momento? Por que estamos vulneráveis e com baixa resistência num momento e em outros, não?
Acredito que as doenças ­inclusive a TPM ­são psicossomáticas.

Esclarecendo a tempo: doença psicossomática é uma doença real em todo o seu quadro de sintomatologia física, que precisa ser tratada com medicamentos, mas, tem como fator determinante o psiquismo.
E, como estudiosa do psiquismo humano, acredito que, inconscientemente, “escolhemos” nossas doenças ­como última instância ­para despertar e refletir e, obviamente, mudar nossas crenças e comportamentos.
Podemos tratar os sintomas da TPM, seja com um complexo vitamínico e/ou algum anti-depressivo; mas é preciso tratar a “causa”, caso contrário, a mulher torna-se refém, mês a mês, dos seus sintomas, tornando-a incapaz de viver, nestes períodos, sua vida com liberdade e assertividade.
A meu ver, tratar apenas seus sintomas é paliativo, pois no mês seguinte lá estão eles, à sua revelia, perturbando e alterando sua vida de uma forma geral.
Como psicóloga, entendo que qualquer situação que se repete na vida de alguém ­ e, aí incluo a TPM acontece para que ele reflita sobre as suas crenças e atitudes no que concerne à sua pessoa e à sua própria vida.

A TPM, com seu conjunto de sintomas, e de como e quanto perturba sua vida ­ pessoal e profissional ­ é um “sintoma” de que há algo de errado com a mulher.
Na fase do ciclo menstrual em que ocorre a TPM há extrema sensibilidade e tudo o que acontece neste período atinge intensamente a mulher. O que antes a mulher relevava, deixava passar e procurava dar pouca importância, nesta fase tem-se a impressão que ocorre o contrário. De fato, ocorre o inverso dos outros momentos!
Acredito que justamente por a mulher estar, realmente, extremamente sensível­ “com a sensibilidade a flor da pele” ­que tudo o que vive é sentido muito mais intensamente, portanto, sua reação também será intensa e super-dimensionada à situação em si.
Acontece que, antes, as situações eram sub-valorizadas e sub-dimensionadas em prol das relações ou da imagem que a mulher quer preservar; porem, durante o período em que ocorre a TPM, estando ela com elevado nível de sensibilidade, tudo a atinge de forma impactante, tornando muitas vezes insuportável o que era antes suportável.
Vemos, então, que por força da alta sensibilidade deste período seu nível de tolerância cai em progressão geométrica em relação aos momentos anteriores.
Portanto, a mulher deve ficar atenta ao que lhe acontece no período da TPM, pois suas reações vão “sinalizar” onde podem estar algumas de suas dificuldades e fontes geradoras de stress e frustrações.

Não justifique uma crise de choro ou uma explosão emocional, por exemplo, ocorridas durante este momento com “Ah, eu estava de TPM!”, como se não fosse nada. Ao contrário, o que acontece de “diferente” aí deve ser observado com atenção.
Embora não conheça nenhuma pesquisa neste sentido, acredito que a TPM seja uma doença da mulher moderna, sobrecarregada com atividades e obrigações múltiplas; com alto grau de exigência, onde ela tem que dar conta de tudo, 100% e perfeitamente.
Essas atividades múltiplas e o alto grau de exigência pessoal e social geram elevado nível de pressão ­ interna e externa e, conseqüentemente, levam a um stress tal que o organismo e o psiquismo não conseguem absorver, elaborar e transformar, revertendo assim numa sintomatologia patológica: a TPM, por exemplo.
Parece que a mulher na atualidade esqueceu-se do que é ser mulher, sobre o seu papel diante do homem e da sociedade.

O caminho que a mulher percorreu em nossa história ocidental, na busca de liberdade e autonomia do homem e na sociedade, fez com que ela se afastasse de si própria, negando seu próprio ritmo e necessidades femininas.
Ela conseguiu provar para si, para o homem e para a sociedade, sua inteligência e competência (dentro do universo masculino), mas a um preço muito alto, que foi ignorar a sua importância como mulher para a sociedade humana apenas por ser mulher.
Vive hoje num ritmo “como se” fosse um homem (até mais sobrecarregada!).
Homem é diferente da mulher: tem outro processo fisiológico, hormonal e psicológico. E, parece, que a mulher esqueceu-se disso. Esqueceu-se que mulher é diferente do homem. Por isso, seu corpo “grita” através dos sintomas da TPM, para despertá-la para a “sua” realidade como mulher.
É preciso que a mulher se redescubra enquanto mulher. Aprenda a valorizar-se, agregando suas qualidades naturais, como, por exemplo, sua receptividade e sensibilidade com as ‘recém descobertas’, tais como, a capacidade de estratégia e objetividade.

A mulher deve ser a primeira a dar o devido valor para o seu papel e o que este representa dentro da sociedade humana, começando consigo mesma.
Como disse anteriormente, qualquer situação que reincida na vida de alguém acontece para que a pessoa pare e reflita. Não acredito que o que passamos na vida e que chamamos “sofrimento” seja apenas para nos prejudicar gratuitamente, mas, sim, para “despertar”, refletir e resolver.
Para a mulher, a reincidência da TPM mostra o quanto ela não está respeitando o seu ritmo e suas necessidade psíquicas, emocionais e fisiológicas.

Para curar a TPM, a mulher precisa curar a causa, que é resgatar-se como mulher, despertando-se para seu autovalor e auto-estima e começar respeitando seus ritmos fisiológico, hormonal, psicológico e emocional.
A TPM, então, como “sintoma” existe na vida da mulher para que ela desperte, desperte para si mesma!

* Maria Aparecida Diniz Bressani é psicóloga e psicoterapeuta Junguiana, especializada em atendimento individual de jovens e adultos, em seu consultório em São Paulo.
Fonte: somos todos um

Próstata – Principais problemas que acometem – Drauzio Varela

Casal maduro

Dr. Miguel Srougi é médico, professor de Urologia na Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, Universidade Federal de São Paulo. É autor do livro “Próstata: Isso É Com Você”, lançado pela Publifolha e dirigido ao público leigo.

Pela proximidade, problemas na próstata acabam afetando a bexiga e a uretra

A próstata é uma glândula que tem o tamanho aproximado de uma castanha e produz o líquido espermático ou esperma, substância que contém nutrientes e serve de veículo para os espermatozoides chegarem até o óvulo. Ela se localiza muito perto da bexiga, um órgão muscular que se distende à medida que a urina se acumula em seu interior. Da bexiga sai a uretra, um canal longo que atravessa a próstata e o pênis até ganhar o meio exterior. A proximidade entre esses órgãos faz com que qualquer problema que afete a próstata acabe repercutindo na bexiga e na uretra.

Hiperplasia e câncer de próstata são patologias frequentes na vida adulta do homem. A hiperplasia caracteriza-se pela multiplicação benigna das células prostáticas. Quando isso acontece, o aumento da próstata comprime bexiga e uretra e provoca dois sintomas. O primeiro é a dificuldade para urinar. A pessoa é obrigada a fazer esforço para vencer a passagem comprometida pela compressão da glândula, o jato urinário fica mais fino e perde a potência. O segundo é a redução da capacidade de a bexiga reter urina. Quem tem hiperplasia de próstata urina com maior freqüência, especialmente à noite o que pode comprometer a qualidade do sono.

A hiperplasia é uma lesão benigna. Já no câncer de próstata, as células prostáticas perdem a inibição, crescem e invadem os tecidos vizinhos.  O câncer é um processo maligno que traz consigo uma série de outros problemas.

Drauzio – Como funciona a próstata no decorrer da vida do homem?

Miguel Srougi – A próstata é uma glândula que se situa na saída da bexiga e produz esperma, o líquido que transporta os espermatozoides até o meio exterior. Por isso, ela tem uma função biológica relevante na fase reprodutora do homem, naquela em que quer ter filhos. A partir dos 40 anos de idade, seu papel se transforma. Ela passa a ser um órgão indesejável por causa do crescimento benigno que ocorre em 80%, 90% dos homens adultos. Esse crescimento não provoca complicações mais sérias, mas prejudica a qualidade de vida em razão do aparecimento de transtornos para urinar.

Drauzio – Não é um contrassenso um órgão que vai perdendo a função, em vez de atrofiar, ir aumentando de tamanho? Por que a próstata hipertrofia com a idade?

Miguel Srougi – São coisas que a natureza criou e que talvez nem a teoria evolucionista explique. É possível que nossos irmãos do futuro até percam a próstata após a fase reprodutora, mas por enquanto ela causa transtornos aos homens. Infelizmente, além do crescimento benigno, é sede de um câncer muito comum. Um terço dos tumores que se originam no organismo do homem partem da próstata. Essa alta prevalência torna a glândula bastante inconveniente e gera problemas que preocupam os médicos e a respeito dos quais a população masculina está começando a tomar consciência.

Drauzio – Em que fase da vida começa a ocorrer a hiperplasia, ou seja, o aumento benigno do volume da próstata?

Miguel Srougi – Ela se inicia por volta dos 40 anos. Por isso, a partir dos 50 começam a surgir problemas urinários em 80%, 90% dos homens, como a dificuldade para expelir a urina e a necessidade de levantar várias vezes numa noite para ir ao banheiro. Embora esse quadro não tenha nenhuma implicação futura para o doente, prejudica sua qualidade de vida naquele momento.

Drauzio – Quais são os principais sintomas da hiperplasia?

Miguel Srougi – O sintoma prevalente é a perda da força do jato. Isso os homens toleram bem. O que mais os incomoda, no entanto, é o aumento da frequência urinária porque compromete sua rotina de vida. O indivíduo é obrigado a sair mais de uma vez de uma reunião importante para ir ao banheiro, ou começa a acordar muito durante a noite para urinar e levanta cansado no outro dia.

Drauzio – Como fica o volume urinário com o aumento do número de micções?

Miguel Srougi – O volume urinário fica menor porque a bexiga perde um pouco a complacência.

Drauzio – Quem corre maior risco de apresentar hiperplasia de próstata?

Miguel Srougi – Existem três fatores de risco que levam ao crescimento benigno da próstata: história familiar, pele negra e ingestão de gorduras. Quem tem pai ou irmão com hiperplasia, apresenta três vezes mais possibilidade de desenvolver o problema do quem não tem.

Drauzio – A próstata não provoca problemas exclusivamente na velhice. Adolescentes podem ter problemas de próstata, as prostatites. O que são prostatites e quais as causas mais freqüentes?

Miguel Srougi – Em termos de saúde pública, trata-se de um problema menos relevante. Prostatite é uma infecção da próstata provocada por bactérias do intestino que a contaminam. É um problema que atinge adultos jovens e causa desconforto local, dor na região genital e dificuldade para urinar. Felizmente, a prostatite responde bem ao tratamento com medicações especificas, em especial, os antibióticos. Alguns homens podem até ficar com manifestações crônicas, mas que não têm maiores implicações.

Drauzio – Prostatites podem comprometer a capacidade de ereção?

Miguel Srougi – A próstata está ligada a certas fantasias negativas que surgem na cabeça do homem, principalmente, ao risco de ver perturbada a função sexual. É uma suposição falsa. A próstata nada tem a ver com a função sexual. Tem a ver com a função reprodutora, com a capacidade de o homem ter filhos. O nervo da ereção que passa do lado da próstata raramente é afetado, mesmo quando existe uma doença nessa glândula. Nos casos de câncer, tratamento que demande intervenção cirúrgica no local e radioterapia podem provocar lesões nesse nervo e isso, sim, irá comprometer a atividade sexual. Quero enfatizar, entretanto, que nem as prostatites, nem o câncer, quer benigno quer maligno, interferem com o mecanismo da ereção.

Drauzio – A prevenção do câncer de próstata envolve o toque retal, mas os homens costumam resistir a esse procedimento. Qual é sua experiência a respeito do assunto?

Miguel Srougi – O diagnóstico do câncer de próstata é feito de duas formas: pelo toque retal e pelo exame de sangue chamado PSA (antígeno prostático específico), uma proteína que só a próstata produz e que se eleva muito nos casos de câncer.

Na cabeça dos homens existe a fantasia de que o exame de PSA é suficiente para o controle preventivo do câncer. Na realidade, não é. Ele falha em 20% dos casos. Embora o de toque falhe em 35%, fazendo os dois juntos a probabilidade de deixar escapar um problema cai para 8%. Portanto, um exame não exclui o outro. Ao contrário, um complementa o outro na realização do diagnóstico.

Os homens relutam em fazer o toque retal por dois motivos: primeiro, por preconceito cultural típico do machismo latino. Segundo, por medo de sentir dor. Eles são muito mais medrosos do que a mulher, que enfrenta melhor qualquer situação dolorosa. O tempo me ensinou, porém, que o preconceito já não é tão forte como antes. Eles resistem, fazem piadas, acham ruim, mas acabam se submetendo ao exame de toque e no ano seguinte vêm tranquilos repetir o exame porque perceberam que não dói.

Drauzio – Vamos aproveitar e  explicar como é feito o exame de toque. Introduzindo um dedo médio no reto do paciente, o médico palpa a próstata. O que ele examina quando toca a próstata?

Miguel Srougi – O câncer de próstata quase sempre aparece na face posterior da próstata. É aí que ele cresce. Com o toque retal, o médico sente se há áreas endurecidas na próstata que é um órgão de consistência mole. Quando surge o câncer, ela adquire a consistência do osso dos dedos dobrados da mão. Dessa forma, é possível perceber nitidamente quando se trata de hiperplasia, ou crescimento benigno da próstata, ou de áreas duras que sugerem a presença de câncer. Nesse caso, o passo seguinte é fazer uma biópsia para verificar se o tumor é realmente maligno.

Drauzio – Como é feita a biópsia?

Miguel Srougi – A biópsia é feita com um agulha que entra pelo reto. É um exame que cria um certo desconforto, mas os médicos, cientes desse problema, o fazem sob pequena sedação do paciente. Ele dorme três minutos, tempo suficiente para colher o material para análise. Depois, o homem volta para casa ou vai trabalhar normalmente.

Drauzio – A biópsia só é feita quando há alguma suspeita de tumor?

Miguel Srougi – A biópsia é feita quando o exame de toque retal dá alterado e/ou o nível de PSA está muito alto. É importante ressaltar que o fato de o PSA estar elevado não indica necessariamente um câncer. Alguns doentes com crescimento benigno da próstata e outros com pequenos focos de infecção nesse órgão produzem mais PSA do que deveriam. No entanto, é fundamental que um homem com níveis elevados de PSA procure um médico para diagnóstico preciso.

Drauzio – Há uma recomendação de que todos os homens acima dos 50 anos façam exame de próstata. Por que acima dessa idade especificamente?

Miguel Srougi – A preocupação dos médicos é basicamente o câncer de próstata, uma vez que, em cada seis homens, um vai apresentar a doença. Câncer de próstata não produz sintomas na fase inicial, exatamente a fase em que o interesse no diagnóstico é maior, porque a doença é curável. Disso advém a importância do exame preventivo.

Como não produz sintomas, o tumor pode crescer de forma silenciosa e, quando é descoberto, em geral, já atingiu os tecidos vizinhos e a possibilidade de cura cai muito. Só para dar uma idéia, se o tumor ainda estiver contido pela glândula, é curável em 90%, 95% dos casos. Se escapar dali, mesmo antes de se espalhar, só por atingir os tecidos vizinhos, a chance de cura cai para 35%.

Sobre isso, existem dados interessantes nos Estados Unidos. Na década de 1960, 60% dos casos de câncer de próstata eram identificados já em fase avançada, com tumores disseminados pelo organismo. Depois das campanhas de prevenção, apenas de 6% a 10% dos doentes procuram assistência inicial com o câncer espalhado, ou seja, com metástases. Isso mostra como a medicina, enfocando o problema seriamente, conseguiu ajudar os homens em termos de saúde pública.

Drauzio – O hormônio masculino tem algum peso nas patologias da próstata?

Miguel Srougi – Durante algum tempo, imaginou-se que a testosterona pudesse causar hiperplasia. Hoje, se sabe que não. O hormônio masculino não causa nem crescimento exagerado da próstata nem câncer, outro mito que existia.

Há homens que fazem reposição hormonal com testosterona com a idéia falaciosa de que ela melhora a atividade intelectual, a força física, a potência sexual e produz rejuvenescimento. Na verdade, a testosterona só melhora a massa muscular e aumenta um pouquinho a libido, isto é, o apetite sexual. O resto é pura fantasia.

O hormônio sexual masculino não causa câncer nem hiperplasia. No entanto, se o indivíduo tiver um pequeno foco de câncer na próstata e tomar testosterona, o crescimento do tumor será muito mais rápido. Por isso, ninguém deve tomar testosterona sem antes procurar um médico para ter certeza de que não é portador de doença maligna na próstata. Se isso ficar esclarecido e ele decidir tomar o hormônio, deve fazer exames preventivos periódicos e com regularidade.

Drauzio – Se em cada seis homens um vai ter câncer de próstata, dando testosterona para cem homens, a incidência da doença será alta, porque o tumor vai crescer mais depressa em 17% deles.

Miguel Srougi – Por isso, pessoalmente condeno o uso rotineiro e indiscriminado da testosterona. Só vale a pena indicá-la nos casos de grande deficiência desse hormônio.

A casuística que possibilitou chegar à porcentagem citada em sua pergunta é americana. No Brasil, os números que parecem ser um pouco mais favoráveis e animadores, a meu ver, não são consistentes. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), que é formado por pessoas de alto valor e grande empenho, em 2003, irão surgir 35.000 novos casos de câncer de próstata em nosso país. Nos Estados Unidos, estão esperando 220.000.

O que justificaria tamanha discrepância entre os dois índices? Na verdade, acho que a incidência de câncer de próstata no Brasil é igual à americana. Se fizermos uma biópsia em cem homens americanos com mais de 50 anos, descobriremos que 5% deles têm câncer de próstata. Se fizermos o mesmo exame em cem brasileiros, o resultado será idêntico, só que aqui a previsão é de 35.000 casos porque existe uma subnotificação. O INCA não consegue computar o número de casos porque os médicos não notificam. Para ter uma idéia, vejo 40, 50 casos por mês que não são registrados em lugar nenhum.

Mais perverso do que isso é a indigência de nosso sistema de saúde. Muitos homens brasileiros desenvolvem a doença e entram em padecimento porque não são diagnosticados nem têm acesso ao sistema de saúde pública para o diagnóstico precoce da doença.

Drauzio – Quais são os homens com maior risco de apresentar câncer de próstata?

Miguel Srougi – Exames de toque e de PSA são especialmente importantes para as pessoas com maior risco de câncer: homens com história familiar da doença, negros e indivíduos com dieta excessivamente gordurosa.

Nos Estados Unidos, pesquisas mostram que os negros têm três vezes mais câncer de próstata do que os brancos. No Brasil, um trabalho realizado pelo Dr. Edson Pasqualin, no pequeno município de Ipirá, na Bahia, com 470 homens submetidos à biópsia, demonstrou que a incidência de câncer de próstata foi 9 vezes maior nos negros do que nos brancos.

Outro grupo de risco é constituído pelos indivíduos com histórico familiar da doença. Se a pessoa tiver pai, irmão ou os dois com câncer de próstata, o risco de desenvolver a doença aumenta de duas a cinco vezes. Nesses casos familiares, entretanto, o câncer costuma ser um pouco menos agressivo.

Ao terceiro grupo de risco pertencem os indivíduos que comem muita gordura. No norte da Europa e nos Estados Unidos, lugares em que a ingestão de gordura é alta, o câncer de próstata é sete vezes mais comum do que no Japão ou na China, países em que a população se alimenta basicamente de peixes e cereais.

Trabalho interessante foi realizado nos Estados Unidos em ratinhos com câncer de próstata induzido experimentalmente. Um grupo recebeu dieta com 2% de gordura e o outro, com 40%. O tumor dos que receberam dieta mais gordurosa demonstrou ser quatro vezes mais volumoso do que o tumor dos que receberam pouca gordura e espalhou-se pelos outros tecidos do organismo

FONTE- http://drauziovarella.com.br

Sex Shop?…

 

Há duas condições fundamentais para uma mulher entrar em um sex shop pela primeira vez: 1 – ela tem de estar acompanhada de uma amiga. 2 – tem de estar à procura de algo para terceiros. Quem me disse isso foi uma colega de infância.

Em voz baixa, em tom de confissão, começou assim: “Vou te contar, fui em um lugar incrível.  Era um lugar que, assim, vendia objetos íntimos”. Ela disse que tentava encontrar uma calcinha “mais ousada”  para o chá de lingerie de uma amiga do trabalho. “Mas aí, sabe, achei umas coisinhas bem interessantes, acho que vou voltar”.

Essa minha amiga não é assim uma mulher careta, bem longe disso.  Mas contava tudo aquilo como se tivesse feito algo errado, proibido, como o filme para maiores que a gente vê aos 12 anos ou a ida ao motel com a identidade da amiga (isso deve acontecer por aí, né…..)

Uma pesquisa da Sophia Mind Pesquisa e Inteligência de Mercado, empresa do grupo de comunicação Bolsa de Mulher, divulgou ao Mulher 7×7 um estudo inédito sobre o interesse do público feminino por sexshop. Boa parte das mulheres que não foram a um sex shop pretende ir. Entre as entrevistadas, 83% disseram ter vontade de entrar em sexshops e 71% afirmaram já ter visitado uma butique erótica. Mas o que será que elas procuram por lá? A maioria compra cremes, sabonetes e artigos para massagem (61%), vibradores (38%) e lingeries (36%).

O consumo só não é maior porque elas não arriscam compras online. Eu também não arriscaria. Já pensou entrar no mailing de lojas desse tipo e passar a receber e-mails, toda hora, com novidades do mercado? Imagine saltar em sua tela a foto do novo vibrador que vai revolucionar o mercado. Vamos combinar, pode pegar mal. É o tipo de serviço que tem que ser discreto. Pior, imagine você comprar pela internet e, de repente, um portador tocar a campainha da sua casa e seu filho dizer: “mamãe, esse pacote rosa escrito sex shop é pra você”.

A verdade é que a gente ainda se preocupa bastante com o que os outros podem dizer. Entre as mulheres que não foram ou não pretendem ir ao sex shop, a vergonha (36%) é o principal argumento, seguido da falta de companhia (30%), falta de companheiro (9%) e falta de oportunidade (4%). O site entrevistou 515 brasileiras entre 18 a 60 anos por questionários online. E você, já foi, pretende ir? Tem histórias de sex shop pra contar?

FONTE- http://colunas.revistaepoca.globo.com

Luciana Vicária