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DADAÍSMO – O CABARET VOLTAIRE E O SEU TEMPO.

 

Tristan Tzara, Paul Éluard, André Breton, Hans Arp, Salvador Dalí,
Yves Tanguy, Max Ernst, René Crevel & Man Ray, 1933

“Dada não significa nada… A obra de arte não deve ser a beleza em si mesma, porque a beleza está morta… não sou nem a favor nem contra, e não vou explicar porque razão odeio o bom-senso…”
” (Tristan Tzara).
Em 1914, quando começou a Primeira Guerra Mundial, o alemão Hugo Ball (1886-1927) mudou-se para a Suíça, que permaneceria como um país neutro, junto com sua companheira, também alemã, Emmy Hennings ( 1885-1948). Em Zurique, uma urbe cosmopolita, fundaram o Cabaret Voltaire, na Spielgasse, nº 1 (onde existe ainda hoje) . O nome do recinto evocava o filósofo francês François Voltaire (1694-1778) ele próprio, em sua época, considerado um intelectual iconoclasta e revolucionário. Os espetáculos no clube se caracterizavam pelo seu non sense e rebeldia, e o ambiente, pelo barulho incessante.

 


Cabaret Voltaire, Zurique, 1916

 

O nome Dada, escolhido para o movimento, não tinha o menor significado ou importância para seus próprios integrantes. A última coisa que desejavam é que tivesse conotação como alguma acepção de racionalidade. Teria sido encontrado numa escolha aleatória, abrindo ao acaso um dicionário francês, onde encontraram a palavra, que designava um “cavalo de brinquedo”. Ao mesmo tempo, dada se assemelhava a um balbuciar de nenê, portanto algo sem sentido próprio.


Revista Dada, 1917-18

Hugo nasceu em Pirmasens, pequena cidade alemã da Renânia e, ainda jovem, já era diretor de teatro em Munique, no Munich Chamber Theater, além de colaborador numa revista intitulada Revolution. Recusou cumprir seu serviço militar no exército alemão e tornou-se desertor. Era um personagem inovador e contestatário, tendo “inventado” poemas constituídos apenas por sons, simples fonemas, flatus vocis, que não representavam palavras coerentes, nem conceitos, mas apenas efeitos acústicos, como Gadji Beri Bimba.

Abaixo, os primeiros versos do poema “sonoro” Gadji beri bimba , de Hugo Ball. Não esquecer que em Zurique o idioma é o alemão – se é que isso importava aos dadaístas.

“gadji beri bimba glandridi laula lonni cadori
gadjama gramma berida bimbala glandri galassassa laulitalomini
gadji beri bin blassa glassala laula lonni cadorsu sassala bim
gadjama tuffm i zimzalla binban gligla wowolimai bin beri ban”

Hugo era um show man, e de fato seriam necessárias algumas décadas para que os ambientes artísticos, a partir de 1960, aceitassem este tipo de performance como forma de arte. Não por acaso, quando publicou excertos de seu diário do período dadaísta, Hugo os intitulou Flucht aus der Zeit (Fuga do Tempo). O Cabaret Voltaire liderou o movimento dadaísta suíço até 1917, e ali confraternizaram artistas como Hans Arp franco-alemão, 1886-1966); Marcel Janco (húngaro, 1895-1984); e Tristan Tzara (romeno, 1896-1963).

Emmy também era oriunda de uma pequena cidade alemã, e iniciava uma carreira de escritora quando conheceu o futuro marido em 1913, no Cabaret Simplizissimus, de Munique, onde se apresentava como artista profissional de cabaret, partindo depois junto com ele para Berlim e, mais tarde, para Zurique.  


Hugo Ball em performance, representando o mágico Bischof em roupas cubistas,
Zurique, 1916, foto do arquivo Nachlass Hugo Ball und Emmy
Hennings Schweizerisches Literaturarchiv, de Berna

 


Tristan Tzara

 


Raoul Hausmann, Cabeça Mecâmica – O Espírito do nosso Tempo
(Der Geist unserer Zeit), Berlim 1919.

 


Johnson contra Cravan, poster anunciando de luta de box,Barcelona, 1916.

 

Tristan Tzara (1896-1963), na verdade Samy Rosenstock, um romeno de origem judaica, um dos fundadores do Cabaret Voltaire, era poeta e ensaísta. Seu pseudônimo significava, em tradução livre, “Terra Triste”. Em 1917, quando Hugo Ball saiu de Zurique, ele assumiu o comando dos dadaístas. Como muitos intelectuais da época, engajou-se no comunismo e na resistência ao nazismo, enquanto produzia ensaios e poemas.

Marcel Janco (húngaro, 1895-1984), também de origem judaica, era poeta e pintor, tendo inclusive ilustrado poemas de Tzara. Fugindo à perseguição nazista, em 1941 foi para Israel (morreu em Tel Aviv), onde continuou sua carreira literária, realizando poemas fonéticos, à maneira de Ball.

Hans Peter Wilhelm Arp (1866-1966) entre os dadaístas foi aquele que deixou obra artística visual mais expressiva. Praticou a pintura, escultura, colagens e relevos. Nascido em Estrasburgo, na Alsácia, quando a região fazia parte da Alemanha, era filho de pai alemão e mãe francesa. Em 1915, desertando do exército alemão, foi viver em Zurique (em 1926 acabaria por optar nacionalidade da mãe). Sua personalidade criativa o levou a participar, além do dadaísmo, em movimentos como o grupo Cobra e o surrealismo, tendo adquirido, como artista, notoriedade internacional e sucesso comercial.

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Em Berlim, antes de se refugiar na Suíça, o casal Hugo-Emmy frequentava o Café des Westens, que fervilhava de ideias e espírito revolucionário. Naquele ano (1914) os “vermelhos” Rosa Luxemburgo (1871-1919) e seu companheiro Karl Liebknecht (1871-1919) fundaram na Alemanha a Liga Espártaco (alusão ao líder escravo que chefiou revoltas contra o Império Romano) e, em 1918, o jornal Die Rote Fahne (A Bandeira Vermelha). Os dois morreram assassinados pelos nazistas, junto com centenas de seus seguidores, sem jamais terem sido julgados. Este ambiente social explosivo, explica o exacerbamento político dos dadaístas. Zurique encontrava-se no epicentro de um conflito bélico global de proporções até então nunca vistas, nem imaginadas.

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Por outro lado, aproximava-se a Revolução Russa de 1917, enquanto o czarismo derrocava, afundando em seus erros e crimes. Na época, o mais importante líder comunista russo, Lenin, seguia um périplo no seu exílio, chegando à Suíça em 1914, primeiro a Berna e depois mudando-se para Zurique. E foi nesta cidade que Lenin, dois anos depois, escreveu Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, um dos textos que serviram de base à orientação dos marxistas de todo o mundo. Zurique, na Suíça, era um refúgio para os revolucionários, assim como Munique, na Alemanha, se tornaria, na década de 1920, o olho do furacão nazista. Em 1917 diversos movimentos pacifistas explodiram na Alemanha.

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Mais tarde, Hans Arp, um dos artistas que aderiu ao movimento, escreveu: “… revoltados com a carnificina da Primeira Guerra, permanecemos em Zurique, nos dedicando (somente) às artes. Enquanto as armas rugiam ao longe, nós cantamos, pintamos, fizemos colagens, escrevemos poemas com todas as nossas energias.”

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Um dos escritores que reproduziu esse cenário de chumbo foi Franz Kafka (1883-1924), judeu nascido em Praga, mas que escrevia em alemão. Em 1915 publicou Metamorfose uma novela densa e enigmática sobre um homem comum, que um dia acorda transformado em um inseto nojento.
Se revivermos o momento histórico em que aconteceu o dadaísmo, suas propostas não parecem pueris. As guerras e seu cortejo de infâmias, num continente dilacerado sistematicamente por conflitos intermináveis, não apareciam aos olhos dos artistas como algo sensato, mas completamente ilógico, uma ignomínia sem explicação. Os dadaístas esperavam que a sociedade ousasse se mirar num espelho, para sentir todo o absurdo da situação. Ou seja: o dadaísmo, quando comparado à brutal realidade, parecia um divertimento inocente.

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Em 1915, três artistas declaradamente dadaístas rumaram para Nova York, onde pretendiam estabelecer-se profissionalmente: Man Ray (na verdade Emanuel Rudzistsky, norte-americano, fotógrafo e pintor, 1890-1976); Francis Picabia (francês, pintor e poeta, 1879-1953); e Marcel Duchamp (francês, artista e teórico, 1887-1968). Fundaram a revista 291, porém, não obtendo notoriedade, acabaram voltando para a Europa.


Marcel Duchamp, Fonte, foto de Alfred Stieglitz em Nova York, 1917.

 

 


Man Ray, Solarização, foto, 1929

 

 

 


Man Ray, Mulher desenhando, 1912

 

 


Francis Picabia, Lu-Li, 1947

 

Na Alemanha, antes mesmo da Primeira Guerra terminar, em 1918, o dadaísmo  chegou a Colônia, Hanover e Berlim, contando-se entre eles o mencionado Hans Arp, Marx Ernst (alemão, pintor, escultor, um dos artistas mais influentes da primeira metade do século 20, 1891-1976), mais Kurt Schwitters (alemão, pintor, escultor e poeta, (1887-1948).

 


Hans Arp, Bigodes, circa 1925, Tate Gallery, Londres

 

 


Merzbau, Kurt Schwitters, Hannover 1923

 

 


Max Ernst, Uma maneira de ser (também) pode ser arte, 1919

 

A partir de 1919, o dadaísmo se fixou definitivamente em Paris, tendo como corifeus o citado Tristan Tzara, além de Francis Picabia, Man Ray e André Breton (francês, escritor, poeta, teórico do surrealismo, 1896-1966).

O Brasil, como os Estados Unidos, não experimentava as convulsões sociais da Europa. As condições objetivas para o surgimento e a expansão do dadaísmo eram quase inexistentes. Mesmo assim, alguma repercussão teve o movimento no país.

No Brasil, uma performance que lembra o espírito dadaísta foi realizada, em outubro de 1956, pelo artista Flávio de Carvalho (1899-1973) que passeou pelo centro de São Paulo vestindo o seu New Look, na verdade um traje supostamente adequado ao calor, que incluía uma blusa com mangas curtas, saiote, chapéu e sandálias. O poeta Manuel Bandeira e o pintor Ismael Nery, em alguns momentos, igualmente foram influenciados pelo dadaísmo. Mário de Andrade, autor de Paulicéia Desvairada, ali incluiu um poema que exprime a aversão à sociedade estabelecida: “… Eu insulto o burgês! O burguês-níquel, / o burguês-burguês! A digestão bem feita de São Paulo! …”

 


Flávio de Carvalho e seu New Look, 1956

Apesar do dadaísmo não ter, praticamente, sobrevivido à Primeira Guerra, algumas de suas teses contaminaram o expressionismo (inclusive o expressionismo Abstrato), o surrealismo, a arte conceitual e a Pop Arte.

CARACTERÍSTICAS DO MOVIMENTO

Será possível determinar algumas “características”, ou chamar o dadaísmo de “movimento” , quando seus seguidores  exorcizavam quaisquer atributos para classificar suas próprias ações? Porque sua única regra era: não observar regras.

Em suas apresentações, os dadaístas tratavam, em primeiro lugar, de provocar reações negativas ou de repulsa, entre os circunstantes. Nas suas obras havia traços que provinham de outros movimentos artísticos, como o expressionismo, o cubismo e o futurismo, mas esta herança não devia interferir com as violentas mensagens dadaístas. Mais tarde, alguns artistas dada aderiram ao surrealismo, que lhes pareceu bem mais consistente sob o ponto de vista estético. No Cabaret Voltaire, as manifestações não eram adocicadas como caprichos intelectuais, antes reações barulhentas  e raivosas. Ao ponto de os próprios seguidores aceitarem que uma hipótese viável para o futuro do movimento seria a sua autodestruição.

Pode também notar-se no dadaísmo a influência do niilismo do filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche (1884-1900). Este defendia que o ser humano, tendo chegado à conclusão que o cristianismo era um conjunto de falsidades, passaria a manter uma desconfiança total em relação a todos os valores, concluindo que nada que o cerca tem sentido, nem na sua vida pessoal, nem sob os pontos de vista religioso ou metafísico (décadas mais tarde, o movimento filosófico existencialismo voltaria a estas teses, com pessimismo semelhante).

Também não havia limites ou preferências por qualquer forma de arte, fosse pintura, tecelagem, arte em vidro, música, poesia “sonora”, fotomontagens, teatro, ou objetos prontos (ready made).

O artista francês Marcel Duchamp (1887-1968) trouxe para o dadaísmo o objet trouvé, ou tout fait (do francês: objeto encontrado por acaso – rótulos de garrafas, tíquetes de metro ou de ônibus, produtos industriais sem serem modificados, embalagens de bebidas, coisas achadas em latas de lixo)  o qual poderia se incorporar à obra de arte, mesmo sem qualquer interferência do artista no seu aspecto visual. Em inglês este objeto se designa como produto ready-made.

 


Marcel Duchamp jogando xadrez, um de seus passatempos favoritos

 


Marcel Duchamp, readymade, porta-garrafas

 


Marcel. Duchamp, ready made, Roda de bicicleta

 


Marcel Duchamp, Gioconda. Em 1919, o artista colocou um bigode
sobre uma reprodução barata do célebre quadro de Da Vinci, com a inscrição LHOOQ.
Soletrando em francês, estas letras se pronunciam como “elle a chaud au cul”
(que, em tradução livre, quer dizer: ela tem fogo no rabo).
Esta apropriação vulgar da obra de um clássico permaneceu
como um símbolo da iconoclastia dos dadaístas.

 

***

Escreveu Tristan Tzara “… Eu redijo um manifesto e não quero nada… sou, por princípio, contra manifestos … redijo este manifesto para mostrar que é possível fazer as ações opostas simultaneamente, num único sopro… sou contra a ação pela contínua contradição, pela afirmação também, eu não sou nem a favor nem contra e não vou explicar porque razão odeio o bom-senso…”

ARTES VISUAIS NA ÉPOCA DO DADAÍSMO
Como era o ambiente das artes visuais na época do dadaísmo? Que escolas, ou movimentos, aconteciam naquele período? Continuavam as escolas tradicionais, como o romantismo, o classicismo, o academicismo e o impressionismo, todos eles encarados com desdém pelos vanguardistas, que se alinhavam à margem do figurativismo tradicional. Os principais movimentos contestatários eram:

 

EXPRESSIONISMO. Na cidade alemã de Dresden, em 1905, tinha surgido uma facção de artistas que se congregavam em torno de propostas vanguardistas. Seu grupo se chamava Die Brücke (A Ponte). Entre os nomes que ficaram: Erich Heckel (1883-1970), Emil Nolde (1867-1956) e Ernst Kirchner (1880-1938).
Este núcleo inicial deu origem a um movimento mais amplo e o expressionismo se espalhou pela Europa e Américas.  “… Seus integrantes não se conformavam com o fato de, naquele tempo conturbado e violento, os artistas continuarem a pintar à maneira ‘agradável’ das décadas anteriores (classicismo, romantismo, impressionismo, pontilhismo, art nouveau). Procuravam refletir as emoções, a revolta interior e denunciar a violência social. Usavam cores fortes, recusavam a verosimilhança da obra de arte com seu objeto, a luz aprazível das obras de escolas anteriores. A arte seria ação, não contemplação; deveria ser uma projeção da mente do artista para fora, não assimilação plácida do mundo real. Utilizavam pinceladas grossas e vigorosas, exercendo a crítica social com suas figuras deformadas… ” Foram figuras dominantes do expressionismo: o pintor norueguês Edvard Munch (1863-1944); os franceses Georges Rouault (1871-1958), Henri Matisse (1869-1954) e André Derain (1880-1954); e o austríaco Oskar Kokoschka (1886-1980).

 

CUBISMO.  Foi iniciado em Paris, com as contribuições de Georges Braque (1882-1963) e Pablo Picasso (1881-1973) os quais, por sua vez, se inspiravam em Paul Cézanne (1839-1906). Entre os críticos convencionou-se que o marco inicial da escola seria o quadro de Picasso Les demoiselles d’ Avignon (As moças de Avignon) pintado em 1907. Neste período inicial houve igualmente a contribuição de vanguardistas russos, alguns fazendo parte do chamado cubofuturismo. O cubismo sugeria a substituição do espaço tridimensional (e a perspectiva, que dominava a pintura ocidental, sobretudo desde a tradição do renascimento) por formas geométricas unidimensionais e pelo emprego das cores, numa paleta limitada de cinzentos e marrons. O objeto seria passível de ser representado em várias imagens espaciais simultâneas. Por exemplo, o retrato de uma pessoa poderia apresentá-la de frente e de perfil, no mesmo quadro.

 

FUTURISMO. Em Milão, Itália, o poeta italiano Fillipo Tommaso Marinetti (1876-1944) lançou em 1909 seu Manifesto Futurista. Segundo este libelo, a arte deveria libertar-se do passado e assumir o papel que lhe caberia perante o novo mundo industrial. Em vez da contemplação teria que cultuar a velocidade, a violência, as máquinas: “… Declaramos que o esplendor do mundo foi enriquecido com uma nova forma de beleza, a beleza da velocidade. Glorificamos a guerra – a única verdadeira higiene do mundo – o militarismo, o patriotismo … destruiremos museus, bibliotecas e lutaremos contra o moralismo, feminismo e todas as formas de covardia utilitária…”

 

SURREALISMO. Devem-se assinalar algumas raízes comuns com o dadaísmo. Como data aceitável para o início do surrealismo pode indicar-se 1919, quando o artista alemão Max Ernst (1891-1976) participou de uma exposição em Colônia, Alemanha. Seus trabalhos faziam parte da mostra Novas Tendências, da qual participavam dadaístas. Entre as obras havia instalações, tendo esculturas com fios, colagens, objetos encontrados ao acaso e apetrechos científicos. Logo após esta mostra,Breton escreveu a Ernst e desta sua colaboração iriam brotar as primeiras manifestações surrealistas. Em 1920, as colagens exibidas em Colônia provocaram o espanto de intelectuais como Tristan Tzara e o poeta francês Louis Aragon (1897-1982). Em relação aos dadaístas, os surrealistas haviam absorvido mais informações sobre a mente humana, sobretudo pela difusão das teorias psicanalíticas de Freud, o que proporcionou ao movimento surrealista mais densidade e consistência intelectual do que se verificava no dadaísmo.

 


Max Ernst, Édipo Rei, 1922. Influência surrealista

 

BAUHAUS. Em 1920, poucos anos depois do Cabaret Voltaire, em Weimar, cidade alemã  na contramão de todos estes movimentos, anteriormente citados,  com posturas pessimistas, surgiu o Bauhaus, uma espécie de Secretaria de Estado para a Construção, originariamente dirigida por Walter Adolf Gropius (1883-1969). 

O Bauhaus advogava papel mais importante para a arquitetura e o design, perseguindo a máxima economia de materiais, atendendo às finalidades práticas do fazer artístico. Não era uma proposta somente estética, mas social e política, pois o convívio teve um efeito didático, mesclando cérebros criadores com ofícios manuais.

Em 1925, Gropius projetou uma escola em outra cidade germânica, Dassau, na qual continuou a mostrar o respeito e atenção por cada material, sempre cuidando de baratear os custos das construções e do mobiliário. Com este ponto de vista, passaram a desenhar-se e a fabricar-se, em escala industrial, cadeiras, mesas, instalações tubulares, atividades em que se destacaram Mies van der Rohe (1866-1969) e artistas de vanguarda atraídos pelas propostas. Nomes que ficariam para a posteridade, como Paul Klee (1897-1940), Wassily Kandinsky (1866-1944) e Moholy-Nagy (1895-1946), ensinaram na Bauhaus. Le Corbusier (Édouard Jeanneret-Gris, dito 1887-1965) foi um dos talentos que estabeleceu contato importante com os inovadores. Além disso, o Bauhaus teve contribuição inestimável para a segunda fase do Art Déco.

Em 1928, Gropius foi substituído na direção até que, após pressão dos nazistas, finalmente a escola foi fechada, em 1933. A diáspora levou alguns de seus artistas para os EUA, inclusive Gropius.

ARMORY SHOW. Pode ser considerada a primeira grande exposição de arte moderna em qualquer parte do mundo. Foi realizada em Nova York em fevereiro e março de 1913, dela participando importantes artistas europeus, como Paul Gauguin (1848-1903), Pablo Picasso (1881-1973) e Marcel Duchamp (1887-1968). Mostraram-se mais de mil obras de diversas tendências, que iam do impressionismo às (então recentes) experiências abstratizantes. O nome da exposição (Armory, arsenal de armas), organizada pela Associação dos Pintores e Escultores Americanos, advém do fato de ter sido realizada nas dependências de um antigo regimento militar. Teve grande importância para a arte norte-americana, pois a colocou em contato com as vanguardas europeias.

 

Fontes

Em português

Chilvers, Ian, Dicionário Oxford de Arte, tradução de Marcelo Brandão Cipolla. Martins Fontes, São Paulo, 1996.

Dempsey, Amy, Estilos, escolas e movimentos, tradução de Carlos Eugênio Marcondes de Moura, Cosac & Naify, São Paulo, 2003.

Richter, Hans, Dadá: arte e antiarte. Ed. Martins Fontes, São Paulo, 1993.

http://dododadaismo.blogspot.com.br/p/dadaismo-no-brasil.html
http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_795.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dada%C3%ADsmo
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/dadaismo/dadaismo-1.php

Em francês

http://www.le-dadaisme.com/

Em inglês

http://www.writing.upenn.edu/~afilreis/88/dada-def.html
http://www.theartstory.org/movement-performance-art.htm

Em espanhol

http://www.arteespana.com/dadaismo.htm

 

Salvador Dalí e Gala

Salvador Felipe Jacinto Dalí nasceu no dia 11 de maio de 1904, em uma cidade do interior da Espanha chamada Figueras. Desde moço flertou com as artes plásticas, com a física, a matemática e a psicanálise. Apesar de ser considerado um gênio desde a infância nunca foi um bom aluno na escola, mas já desenvolvia sua genialidade nas telas.

O artista começou a pintar aos 10 anos de idade, e aos 13 entrou para na Escola Municipal de Desenho, onde aprendeu técnicas de pinturas e esculturas. Posteriormente, estudou na Escola de Belas-Artes de San Fernando, em Madri – onde conviveu com intelectuais, poetas e cineastas. Mas foi em 1928 que ele aderiu ao movimento que caracterizaria permanentemente sua obra, o surrealismo. No ano seguinte, conheceu sua primeira e única mulher, a russa Elena Dimitrievna Diakonova (que se autoapelidou Gala), vivendo com ela um romance de 53 anos.

Nos anos 40, Dalí rompe com o movimento surrealista por motivos políticos e vai para Nova York, onde, instigado pelos avanços nucleares, deixa seus conhecimentos científicos se fazerem visíveis na arte. Tornam-se recorrentes em sua obra objetos suspensos ou que se decompõem em partículas que flutuam no espaço, como na tela Cabeça Rafaelesca Estalando, 1951. Nela, ele reproduz o retrato de sua esposa e musa Gala.

“Todo pintor pinta a cosmogonia de si mesmo; Rafael pinta a cosmogonia do Renascimento e Dalí pinta a era atômica e a era freudiana”, afirmou Dalí nos anos 50. Além disso, percebemos que Gala foi uma musa insubstituível. Dez anos mais velha que Dalí, Gala o introduziu no meio artístico parisiense. Nos anos 30 e 40, a musa foi vista como uma mulher fria e autoritária, determinada, que sabia muito bem manter um relacionamento duradouro com um homem genial valendo-se de esperteza, sensualidade, e inteligência.

Em Leda Atômica, 1949, Dalí explicita seu interesse pela aplicação da matemática na arte, inspirado pelo livro A Geometria da Arte e da Vida, de Matila Ghyka. Assim como passa a envolver mística religiosa com matemática, influenciado pelas pesquisas do amigo matemático Ramon Llull, que tentava demonstrar a existência de Deus a partir da percepção matemática das figuras geométricas. Leda Atômica abre o período dos quadros religiosos de Dalí, outro deles, seguindo o estilo, é Crucifixion or Corpus Hypercubicus, 1954.

Salvador Dalí – Leda Atomica (1949)

O mito de Leda foi retratado por inúmeros artistas, entre eles Timóteo e Leonardo Da Vinci, mas a imagem marcante da Leda de Dalí, suspensa, apoiada em si mesma, se sobressai um pouco da tradição na arte clássica – ultrapassando o mito que Zeus teria se transformado em cisne para seduzir a esposa de Tíndaro. Dalí o transforma, pois o estado de levitação em que se encontra a mulher e o cisne no quadro, expressa força e sublimação.

Salvador Dalí e sua esposa, Gala (Foto: Divulgação)

A presença de Gala foi fundamental na sua vida e na sua obra. O amor, dependência, admiração, era tanto que ele passou a assinar seus quadros como Gala – Dalí. “Gala me deu, na verdadeira acepção da palavra, a estrutura que faltava na minha vida. Eu não era mais do que um saco cheio de buracos, mole e nebuloso, sempre em busca de uma muleta. Encontrei em Gala uma espinha dorsal, e fazer amor com ela, preencheu minha pele. Primeiro eu pensei que ela iria me devorar, mas, pelo contrário, tem me ensinado a conhecer o real.

Assinando meus quadros como Gala – Dali, eu não faço mais do que nomear uma verdade existencial, porque eu não existiria sem minha alma gêmea Gala”, afirmou Dalí.

Salvador Dalí levou ao mundo das artes sua personalidade excêntrica, apaixonado pela psicanálise freudiana, mitologia, física quântica e matemática, tornou-se um grande artista e também um grande promotor de si mesmo. Muitos o criticam, o chamam de narcisista. George Orwell, por exemplo, afirmou que Dalí foi um bom desenhista e um ser humano repulsivo, já Robert Descharnes, disse que depois de Gala, Dalí ficou mais observador que consumidor sexual. A verdade é que acima de tudo Dalí foi um onírico que amava as artes.

CONFIRA ALGUNS TRABALHOS DE SALVADOR DALÍ

Salvador Dalí - A Persistência da Memória, 1931
Salvador Dalí - Galarina, 1944-45
Salvador Dalí - Jovem virgem Auto-sodomizada por sua própria castidade, 1954
Salvador Dalí - Jovem virgem Auto-sodomizada por sua própria castidade, 1954

Salvador Dalí - Metamorfose de Narciso, 1937Salvador Dalí - O Enigma do Desejo, 1904-1989Salvador Dalí - Sonho Causado Pelo Vôo de Uma Abelha em Volta de Uma Romã, Um Segundo Antes do Despertar, 1904-1989Salvador Dalí - Venus with Cupids, 1925Salvador Dalí - Rosa Meditativa, 1958Salvador Dalí - O Grande Masturbador, 1904-1989

Texto de:

Belisa Parente

Na infância, escrevia sentimentos em diários e correspondências, na adolescência me vi poetisa, sonhei ser escritora e virei jornalista. Sou uma aprendiz. Trago em mim a sede de saber, de ter informações concisas sobre o mundo e os homens, de entender os mistérios do amor e da natureza.Internei-me no poético jardim polícromo das palavras e desde então permaneço, encontrando nelas a forma mais intrínseca de me expressar.

Salvador Dalí – Obras do Pintor Surrealista

Salvador Dalí foi um pintor surrealista, cujas obras de artes são originais, bizarras e extremamente criativas, suas pinturas tiveram forte conotação metafisica e sexuais . É considerado um dos mais criativos gênios do movimento surrealista. Excêntrico, ostentava como marca pessoal um esquisito bigode. Tinha uma personalidade muito extravagante e sem modéstia, costumava dizer: “Sou um monstro de inteligência”. Suas obras são uma combinação de imagens bizarras e oníricas de extrema qualidade plástica. Além de pintor, Dalí realizou trabalhos para o cinema, esculturas, fotografias, desenhou jóias e ilustrou livros.
Salvador Dalí nasceu na Espanha, 1904, dia 11 de maio.
Um coquetel de medicamentos não prescritos danificou seu sistema nervoso provocando um fim em suas atividades artísticas. Sofria do Mal de Parkinson, e morreu no dia 23 de janeiro de 1989, na cidade natal de Figueiras, Espanha.
Dalí adorava o luxo e tinha uma paixão irresistível por dourado e por roupas. Casado com Gala Éluard, uma mulher gananciosa e extravagante que zelou toda a sua vida por Dalí e sua obra, e foi responsável pela saúde mental do marido. Muitos atribuem à Gala Éluard, o sucesso de Dalí, cuja a banalização e comercialização da obra do gênio surrealista, é atribuída também à ela, que era cultuada pelo pintor catalão de forma exagerada como a grande musa de sua vida, deificada muitas das vezes em suas pinturas.

Foto de Salvado Dalí e Sua Musa, Gala Éluard


Salvador Dalí foi um dos mais importantes pintores do movimento artístico denominado surrealismo, movimento fortemente influênciado pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud, que enfatizava o papel do inconsciente na atividade criativa.
Apesar da semelhança e influência do mestre Chirico, as pinturas de Dalí são originais, povoadas por alegorias metafísicas e sexuais, em um mundo onírico.
Os representantes mais importantes do surrealismo foram os artistas plásticos René Magritte, Max Ernst e Miró, pintor catalão que convenceu Salvador Dalí a transferir-se para París e aderir o movimento surrealista. A maioria dos artistas plásticos surrealistas, são originados do movimento Dadaísmo.
Salvador Dalí foi alvo de duras críticas por parte dos artistas surrealistas e esteve envolvido em várias polêmicas, comandada por André Breton, o pai do movimento surrealista. Breton acusou Salvador Dalí de ser “Ávido por dólares”. Dalí foi expulso do movimento surrealista, pois no momento da guerra civil espanhola, apoiou o regime autoritário de Francisco Franco. Expulso do movimento, em resposta, disse: “Sou o próprio Surrealismo”.
Na biografia de Salvador Dalí, consta que ele era uma pessoa que gostava exageradamente de chamar a atenção, a ponto de causar desagrado a quem estava perto. Mas, polêmicas a parte, Dalí é sem dúvida nenhuma um dos grandes gênios do surrealismo e suas obras não deixam dúvidas.

Obras de Salvador Dalí

A Persistência da Memória – 1931


A persistência da memória, o mais conhecido dos quadros, é um quadro pequeno (24x33cm), Dalí levou apenas 2 hrs para realiza-lo.
A flacidez dos relógios dependurados e escorrendo mostram uma preocupação humana com o tempo e a memória. A cabeça adormecida que aparece nesse quadro, em muitos outros também, é o próprio Dalí presente.

Metamorfose de Narciso – 1937


O mito grego de Narciso, o jovem belo que viu sua imagem refletida em uma fonte e se apaixonou por ela. Segundo uma das versões, incapaz de satisfazer seus desejos ele se transformou em árvore; em uma outra alternativa dramática, ele se inclinou para frente até abraçar a imagem, caiu de cabeça dentro d’água e se afogou. Depois os deuses o transformaram em flor, Dali mostra Narciso sentado à beira de um lago, olhando para baixo, enquanto, próximo, uma figura de pedra se decompondo se parece bastante com ele. No fundo, um grupo de figuras nuas faz poses, enquanto uma figura semelhante a um narciso aparece no horizonte.

O sono – 1937


Em sono, Dali recriou o tipo de cabeça grande e mole e o corpo inexistente que aparecia com tanta frequência nos seus quadros por volta de 1929. Neste caso, entretanto, o rosto não é um auto-retrato. Sono e sonhos são temas comuns aos surrealistas, uma vez que é dormindo e sonhando que temos o dominio do inconsciente. O homem adormecido de Dali está dormindo precariamente sobre muletas. Muletas sempre foram a marca registrada de Dali, sugerindo a fragilidade em que nossa realidade se apoia. Até o cachorro está sustentado por ela. Toda a luz desta obra, mostra a ideia de fuga do mundo real.

Espanha – 1938


Espanha, pátria de Dalí, devastada pela guerra, está representada por uma mulher cuja cabeça e dorso superior podem também ser percebidos como grupos de homens lutando; os lábios dela correspondem a tunica vermelha de uma dos combatentes, os seios, as cabeças de dois cavaleiros. Tanto o rosto, quanto os combatentes estão pintados no estílo de Leonardo da Vinci.

Crianças Geopoliticas Assistindo ao Nascimento do Novo Homem – 1943


Após a segunda guerra mundial, imaginava-se que o mundo seria outro e que nasceria um novo homem dessa experiência traumática que é a guerra .
Mas a visão de Dalí não demonstra este otimismo. A criança que assiste ao nascimento está assustada e a mulher que aponta para o acontecimento, a saída do homem do ovo – mundo, é ao mesmo tempo esquelética e musculosa. É uma atmosfera de ameaça e não de alegria. O ovo é o próprio mundo, com uma casca mole, onde os continentes são moles e estão derretendo: misteriosamente, a África ocidental deixou cair uma lágrima. Há uma gota de sangue escorrendo da abertura de onde sai o homem.

A Desintegração da Persistência da Memória – 1952


Na reelaboração do seu famoso persistência da memória, Dalí usou o espírito da desintegração nuclear. Um quadro simboliza a persistência e o outro a desintegração. tudo está fragmentado em blocos geométricos; a maior parte da cena está sob a água, que Dali transformou numa espécie de pele, dependurada num galho.

A Última Ceia – 1955


Como os outros quadros de Dalí, ‘A última ceia’ provoca amplas reações: alguns críticos a denunciaram como banal, enquanto outros acreditam que Dalí conseguiu dar mais vida à imagem da Santa Ceia.
Jesus e os 12 apostólos, com as cabeças baixas, ajoelham em torno de uma grande mesa de pedra, suas formas sólidas constrastam com a transparência de Cristo. Dalí construiu este quadro baseando-se nos estudos de Leonardo da Vinci, que pintou a mais famosa das Santas Ceias.

Mais Obras de Salvador Dalí





Escultura – Rinoceronte vestido con puntilhas (rendas), 1956 – Pesa 3.600 quilos

Para entender a obra de Salvador Dalí, é preciso conhecer os simbolismos recorrentes de suas pinturas:

Relógio Fundido – Sugere a Teoria de Einstein, onde o tempo é relativo, a preocupação humana com o tempo e a memória.
O Elefante – Uma distorção do espaço.
O Ovo – pré-natal, o mundo.
A Formiga – morte, decadência, imenso desejo sexual.
O Caramujo – a cabeça do homem.
Gafanhoto – desperdício e medo.

Museu Dalí em Figueres, Catalunha, Espanha, onde está a exposição permanente da coleção de Salvador Dalí, além de conhecer o conjunto de 39 jóias, criadas por Dalí. A mais famosa jóia criadas por Dalí foi “The Royal Heart”, trabalhada em ouro e incrustada com quarenta e seis rubís, quarenta e dois diamantes e quatro esmeraldas, criada de forma a que o centro “Batidas” assemelha-se a um verdadeiro coração.



Fonte de pesquisa
Biografia de Salvador Dalí – Wikipédia
Pintores Famosos – Dalí
Educação Uol – Álbum Dalí
Fotos – google Imagem