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O apanhador de desperdícios

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Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

MANOEL DE BARROS

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10 coisas que fazem as pessoas se afastarem de você by Frederico Mattos

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No consultório algumas pessoas me perguntam sem o saber qual seria o motivo para suas vidas não fluírem como deveriam. Às vezes se queixam de relacionamentos que nunca seguem em frente ou da solidão que sentem e não desconfiam dos motivos das pessoas se afastarem delas. Tenho certeza que essa é uma pergunta feita por várias pessoas, segue uma lista de motivos possíveis:
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1- Instabilidade emocional
Uma das coisas mais difíceis é se relacionar com uma montanha-russa, por dez minutos ou em uma festa pode até ser tolerável, mas para seguir numa amizade, como colega de profissão ou parceiro amoroso é impossível. O mínimo de estabilidade e previsibilidade é importante quando se trata de estabelecer vínculos de confiança.
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2- Ser dominador
Naqueles dias que você não sabe nem o que quer jantar é muito bem-vindo alguém que tenha pulso firme para tomar a liderança. Outra coisa é conviver com um ditador que quer ter a razão em qualquer assunto e determinar como, quando, onde e pra quê sua vida deve existir. Sempre haverá alguém sem vida própria para revezar ao lado de uma pessoa mandona, mas no longo prazo é só reparar, nunca são as mesmas pessoas, ninguém aguenta.
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3- Egoísmo galopante

 

Auto-confiança, opinião própria e boa autoestima são apreciadas numa pessoa, mas dividir espaço com um rei momo psicológico que coloque todas essas características na décima potência é asfixiante. Parte dos motivos que nos fazem ficar ao lado de uma pessoa é saber que ela valoriza quem nós somos por nós mesmos e não como espectadores de sua vida.

4- Ser o centro das atenções

Não importa o motivo, o lugar ou o artifício o que importa é estar no meio do palco. Tem quem coloque uma melancia no pescoço, mas tem quem se faça de coitadinho ou sexy, o modus operandi muda mas o essencial é que aquela pessoa receba atenção constante. Bastou outra pessoa começar uma história ou a outra ficar feliz com sua conquista e surgirá a parasita de energia dos outros para cortar o assunto e sequestrar as atenções. Por um dia até vai, mas a vida inteira é insuportável.

5- Viajar na maionese

Ser distraído é uma característica de quem está fechado no seu próprio mundo, e quando isso vem acompanhado de uma ingenuidade e falta de senso do ridículo o pacote fica completo para produzir alguém que não fala coisa com coisa. É até engraçado conviver com alguém que age na vida como se fosse café-com-leite, mas para aquelas coisas sérias, que dependem de firmeza esse tipo de pessoa não entra na lista de prioridades.

6- Nunca levar nada a sério

As amizades, os relacionamentos amorosos e profissionais precisam de refresco nessa rotina acelerada que vivemos, mas ser bobo alegre e descomprometido ao extremo não é uma boa receita para gerar credibilidade. É como alho e vampiro, não combinam.

7- Agir com raiva diante das frustrações

A vida será sempre cercada de coisas lindas e descompassos e parte da maturidade de alguém se deve a habilidade em administrar com ginga, bom humor e eficiência os seus problemas. Tem gente que vira um furacão com o mínimo de contrariedade e desconta em quem está por perto. As pessoas podem parecer que respeitam você, mas na verdade elas tem medo e bastará uma distração sua para que elas saiam correndo e nunca mais voltem.

8- Confundir falta de educação com honestidade

Há quem ache bonito sair falando as verdades não-solicitadas na cara dos outros. Costumam aproveitar da fama de “honesto” para dar patada e descarregar suas frustrações em cima dos outros. Mas não se deixe enganar, quem gosta de falar as verdades na cara dos outros está mais para amargurado do que sincero. Cometer sincerocídio, portanto, não ajuda em nada se vier desacompanhado de carinho e intimidade.

9- Fazer jogos

Por causa do medo de sofrer algum tipo de humilhação algumas pessoas se antecipam em toda e qualquer suposta artimanha dos outros. Essa defensividade exagerada associada com paranóia e orgulho cria uma bomba explosiva que cria um jogador compulsivo seja na paquera, no trabalho, com os amigos ou amores. Por medo de sofrer a pessoa fica o tempo todo manipulando as vontades e interesses das pessoas na direção daquilo que quer. No final do jogo, no entanto, quem levou o xeque-mate foi ela.

10- Ser frio e insensível

Quem acha que os outros tem telepatia para adivinhar o tamanho do seu amor está enganado. Amor de verdade se mostra agindo e fazendo coisas concretas para mostrar que a companhia vale a pena e as coisas estão agradáveis. Conviver com uma pedra de gelo que não reage a nada pode endurecer quem está por perto. O medo da pessoa fria é parecer vulnerável e no final da história ela irá encarar seu maior fantasma ao afastar todas as pessoas importantes de sua vida por causa de sua insensibilidade.

 

Sobre Frederico Mattos

Sonhador nato, psicólogo provocador, autor do livro “Como se libertar do ex”. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, cultiva um jardim, lava pratos, ama Juliana e escreve no blog Sobre a vida [www.sobreavida.com.br]. No twitter é @fredmattos.

De onde vêm os bebês?


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De onde vêm os bebês?

É a pergunta fatídica capaz de deixar pai e mãe na maior saia justa. Mas não adianta mudar de assunto. Falar sobre sexo e sexualidade com os filhos é importantíssimo e não dá pra deixar pra depois. Quando começar a conversa? Não tem uma idade exata para falar sobre sexo. Depende dos estímulos visuais e auditivos aos quais a criança é exposta. Geralmente, a curiosidade para saber de onde vêm os bebês começa com a gravidez da mãe ou de outra pessoa próxima.

 Vale lembrar que as crianças abaixo de 6 anos não têm memória auditiva tão aguçada, então não dão tanta importância para a resposta. O que interessa para elas é matar a curiosidade ou chamar a atenção, explica a sexóloga e ginecologista Franciele Minotto. O interesse chama A hora certa pra falar sobre sexo é quando surge o interesse! E não tem idade pra isso. Primeiro devemos informá-los sobre os órgãos genitais, como funcionam, sobre a higiene, e sobre a diferença entre os gêneros masculino e feminino, dando exemplos do papai e mamãe, irmão e irmã, se for necessário, sugere a ginecologista. E mesmo se não houver perguntas, a partir dos 10 anos, é legal introduzir o tema no papo em casa.

É necessário que os pais insiram o assunto nas conversas com as crianças. Comentar sobre o que é o namoro e como acontece; que as pessoas beijam na boca, se abraçam, fazem carinho pelo corpo da outra. E que um belo dia poderão ficar nus e, se assim desejarem, o pênis do menino entrará na vagina da menina, aconselha Franciele. Xô, mito! Desconversar, mudar de assunto, não pronunciar a palavra em casa apenas mistifica o sexo e o coloca distante da vida da criança. Como há muito estímulo visual, algumas vezes é difícil esconder ou dissimular a palavra sexo. Isso é importante para não deixar o assunto como algo proibido ou mágico, alerta a sexóloga.

E nada de ficar constrangida. Na hora de conversar, a naturalidade é importante para o entendimento da criança e facilita a percepção de que o sexo é uma prática constante da vida adulta. A professora Joana E. Antunes, 32 anos, não sabia o que responder quando a filha de cinco anos fez a primeira pergunta embaraçosa. Um belo dia, a Thaís virou pra mim e perguntou: mãe, eu posso cruzar? Fiquei surpresa e sem saber o que dizer. Mas expliquei que só podemos fazer isso quando amamos alguém de verdade. Foi a única saída, ri a professora. As metáforas Não adianta usar palavras do diminutivo para se referir aos órgãos sexuais. Nada de pirulitinho e pererequinha. Falar o nome correto de ambos e até utilizar-se de espelho para identificar as estruturas é muitíssimo importante. Sexo não pode ser relegado eternamente ao felizes para sempre do conto de fadas, adverte.

Anote!

Dicas para não engasgar quando a conversa de sexo aparecer na hora do jantar:

– Trate o assunto com naturalidade e deixe claro que é uma prática comum da vida adulta; – Vale perguntar o que a criança já sabe sobre o assunto, para especificar a dúvida;

 – Não esconda que os pais praticam o sexo. Isso estimula os filhos a perceber a união do casal e a compreender que você precisa daquela horinha pra ficar a sós; – Explique que o ato sexual é prazeroso, mas pode trazer transtornos sem algumas precauções: gravidez indesejada, doença sexualmente transmissível, etc;

– Tome cuidado com o contexto e as palavras usadas durante o diálogo para não associar o sexo a algo sujo ou feito apenas pelos maus – É necessário começar a conversa enquanto as modificações puberais estão acontecendo. Deixar para falar depois da primeira menstruação, para as meninas, é tapar o sol com a peneira e pode ser tarde demais!

Fonte: http://delas.ig.com.br

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Êxito!

Acredito que “Vencer na vida”, sob o ponto de vista do pensador moderno não significa somente ter êxito no âmbito profissional ou acumular dinheiro e bens. Eu sei, tá parecendo papo de livro de auto -ajuda…É , mais é muito mais que isso. Ou muito menos; dependendo do ponto de vista de cada um. Todo homem provido de sabedoria sabe que o maior êxito que se pode TER nessa vida está nas coisas mais simples. Alegria, amor, felicidade, paz interior, serenidade, saúde, são coisas que não têm preço e consistem nas maiores benesses ao nosso alcance; gratuitamente.

 Obviamente; uma cômoda situação financeira ajuda. E muito! Mas não é tudo, nem o melhor de todos os êxitos que se pode obter. O dinheiro serve apenas para nos oferecer um suporte para a realização de nossos propósitos e metas, não devendo jamais ser colocado em primeiro plano.Olhe para a natureza, por exemplo. Nela está a maior demonstração da opulência.

Os recursos naturais quando ainda intocados pelo homem são sempre em excesso para atender as demandas do ecossistema ali existente. a natureza é exuberante, extravagante e dadivosa e expressa a infinita riqueza divina em todo o seu esplendor. Vislumbre a grandeza do cosmos e sua infinidade de planetas e estrelas. O universo em que vivemos é uma demonstração nítida da incomensurável riqueza Universal.Há infinita exuberância em sua obra no cosmos. Então; podemos concluir que a riqueza material pode e deve ser desejada. Mas nunca em detrimento das riquezas interiores que são maiores e não se corroem com o tempo. 

O que é mais importante pra você: sua vida ou os bens que você possui?

Pense muito bem para responder tais questionamentos a si mesmo. Deseje obter aquilo que o satisfaz, mas nunca deixe que os seus bens o possua. Você com suas emoções e sentimentos mais nobres é que devem estar no comando. Sempre! Acho que o caminho melhor   consiste na manutenção de atitudes positivas diante da vida.  Obviamente, nem sempre é fácil se manter otimista diante dos acontecimentos que presenciamos, mas isso é estritamente necessário para se entrar em sintonia com a energia  que gera êxito mediante os combates que devemos travar no dia-a-dia e que não são poucas.

Não é nada fácil, mas tenho tentado agir assim ultimamente, parece que comigo as coisas estão voltando ao lugar certo, parece…!

Obrigada!

Feliz Ano  2010 NOVO!

O que é T.O.C.?

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TOC: DOENÇA OU MANIA?

 O TOC, transtorno obsessivo-compulsivo, é um transtorno crônico heterogêneo caracterizado por pensamentos, idéias ou imagens intrusivas, em geral desagradáveis ou ameaçadoras (obsessões), que entram involuntariamente na consciência do individuo causando-lhe sofrimento e ansiedade. Estas obsessões freqüentemente são acompanhadas por atos repetitivos e estereotipados realizados no sentido de aliviá-las.

O TOC na década de 60 era visto como um transtorno mental de prognóstico ruim, e até hoje é confundido, pelas pessoas, com simples manias, classificação que muitas vezes impede que alguns portadores deste transtorno procurem tratamento adequado.

Introdução:

Segundo CID-10, os aspectos essenciais do TOC são pensamentos obsessivos ou atos compulsivos recorrentes. Pensamentos obsessivos são idéias, imagens ou impulsos que entram na mente do individuo repetidamente de uma forma inalterada. Eles são quase invariavelmente angustiantes, e o paciente usualmente tenta, sem sucesso, resistir-lhes. Atos ou rituais são comportamentos estereotipados que se repetem muitas vezes. Eles não são em si mesmo agradáveis, nem resultam na execução de tarefas inerentemente úteis.

Aristides Volpato Cordioli diz que o TOC acomete cerca de 2,5% da população geral, sendo considerado o quarto diagnóstico psiquiátrico mais freqüente. A incidência é maior em classes sociais baixas, entre indivíduos com conflitos conjugais, divorciados ou separados e desempregados. 

Diagnóstico 

Para um diagnóstico definitivo, segundo a CID-10, sintomas obsessivos, atos compulsivos ou ambos, devem estar presente na maioria dos dias por pelo menos duas semanas consecutivas e ser uma fonte de angustia ou de interferência com as atividades.

Os sintomas obsessivos devem ter as seguintes características:

  • Eles devem ser reconhecidos como pensamentos ou impulsos do próprio individuo.
  • Deve haver pelo menos um pensamento ou ato que é ainda resistido, sem sucesso, ainda que possam estar presentes outros aos quais o paciente não resiste mais.
  • O pensamento de execução do ato não deve ser em si mesmo prazeroso.
  • Os pensamentos, imagens ou impulsos devem ser desagradavelmente repetitivos. 

Obsessões

As obsessões são pensamentos ou idéias, impulsos, imagens, cenas, palavras, frases, contagem, dúvidas que invadem a consciência de forma repetitiva, persistente e estereotipada, que o paciente não consegue evitar, seguidos ou não de rituais destinados a neutralizá-los.

Lavar as mãos repetidamente, verificar portas, repetir perguntas, contar, repetir uma palavra, uma frase, uma música, são exemplos claros dessas obsessões.

Os conteúdos relatados pelos pacientes referem-se habitualmente à agressão e à perda de controle, a ferir alguém, a negligência, a ser pouco honesto, aos acidentes, à sexualidade, à religião, à contaminação e às doenças. 

Tratamento

O objetivo do tratamento consiste em mudar o conhecimento do paciente sobre as obsessões, evitar a neutralização e permitir, assim, que os pacientes se habituem com os pensamentos obsessivos. A freqüência e a duração dos pensamentos e o mal-estar causados por eles diminuirá consequentemente.

Neste tratamento os objetivos específicos são:

  • Proporcionar uma explicação adequada das obsessões.
  • Fazer com que o paciente entenda o papel da neutralização na manutenção dos pensamentos obsessivos.
  • Preparar o paciente para a exposição aos pensamentos e às situações que desencadeiam as obsessões.
  • Corrigir, quando necessário, a superestimação do poder e da importância dos pensamentos.
  • Corrigir, quando presente, o exagero das conseqüências de medo especifica associadas ao pensamento.
  • Corrigir, quando presente, o perfeccionismo e a responsabilidade excessiva.
  • Fazer com que o paciente perceba as situações em que está mais vulnerável à recaída.
  • Preparar as estratégias a serem utilizadas quando ocorrer a recaída.

O programa é padronizado e cada paciente recebe todos os componentes do tratamento. Por outro lado, também é individualizado, já que o tipo de exposição, os objetivos da prevenção da resposta e da correção variam de acordo com as características de cada paciente.

Os pacientes recebem normalmente de quatro a cinco meses de tratamento, incluindo cerca de três meses com duas sessões terapêuticas por semana.

Os psicofármacos mais eficazes consistem em antidepressivos que inibem a recaptura da serotonina como a clomipromina, sertralina, paroxetina, fluoxetina e fluvoxamina. Quando adequadamente tratados, pelo menos 2/3 dos pacientes obtêm melhora significativa. 

Considerações Finais:

O TOC é uma doença que apresenta uma fenomenologia rica e diversificada, com infinitas possibilidades de apresentação, o que pode dificultar sua identificação. O grau de critica pode variar entre os pacientes e no mesmo individuo conforme a ocasião.

Podemos constatar neste caso que o TOC é um transtorno no qual se pode obter uma melhora significativa, desde que tenha um bom acompanhamento psicológico, e que siga o tratamento corretamente até o fim. 

Bibliografia: 

CORDIOLI, Aristides Volpato. Psicoterapias: abordagens atuais. 2ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. 

 Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Tradução Dorgival Caetano. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993. 

CABALLO, Vicente E.. Tradução Magali de Lourdes Pedro. Manual para o tratamento cognitivo-comportamental dos transtornos psicológicos: Transtornos de ansiedade, sexuais, afetivos e psicóticos. São Paulo: Livraria Santos Editora Comp. Imp. Ltda., 2003.

Excelente Vídeo de Esclarecimento sobre o TOC!

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“Auto-Conhecimento Masculino”

 
 
Durante muito tempo a cultura popular tem passado a imagem de um homem que não coincide com a sua masculinidade. Muitos não sabem o que é ser verdadeiramente homem, ninguém os ensinou. Buscam viver de aparências, fingindo serem íntegros em sua personalidade[ observe, isso não é uma regra…]. Passam parte de suas vidas escondendo-se de si e dos outros, tentando mostrar uma imagem que não lhes pertence , pois não lhe deram a oportunidade de seguir o caminho do auto-conhecimento.
 
A sociedade atual apresenta a figura do homem perfeito como sendo aquele que se dedica ao trabalho, se esforça para ser um empresário famoso no mundo empresarial, que nunca perde, mas sempre ganha nos negócios. Uma máquina ambulante de produção. Isso tem feito com que o homem reprimisse tudo o que vem a ser empecilho para a sua ascenção no campo sócio-econômico, inclusive o seu lado sentimental, dos afetos e da sensibilidade. Diante dessa realidade surge o questionamento: Por quê os homens se tornaram tão vazios de sentimentos e tão superficiais? Tal problema pode ser estudado à luz da psicologia de Carl Gustav Jung.
 
 Para Jung, a personalidade é constituída de várias instâncias que estão em constante tensão, onde uma se opõe à outra. Dentre essas se destacam a anima e animus. A primeira seria a imagem coletiva da mulher presente no inconsciente do homem, levando-o a ter características femininas em sua personalidade. A segunda, pelo contrário, é a imagem masculina presente no inconsciente da mulher. Essas imagens são denominadas arquétipos (conjunto de imagens herdadas de nossos ancestrais) e se encontram no inconsciente coletivo de todo indivíduo. São elas que permitem a identificação do homem coma natureza da mulher e vice-versa.
 
De acordo com Jung “não existe homem algum, tão exclusivamente masculino que não possua em si algo de feminino.”[1] O fato é que, na maioria das vezes, os homens ocultam esta vida afetiva, que em muitos casos é vista como característica própria da mulher. Com isso o homem acredita ser uma virtude reprimir esses traços de sua personalidade. O que ele não sabe é que todo material reprimido não é anulado. Ele é acumulado no inconsciente, podendo retornar ao consciente de outras formas.
 
A repressão da anima pelo homem pode criar no mundo externo a imagem de um homem forte, firme em suas decisões e aparentemente realizado. Entretanto, quando ele se depara com o mundo interior, percebe que existe uma criança delicada, que tem medo de si e dos outros e ao mesmo quer se lançar em busca de uma vida plena, de paixão, ternura e amizade.
 
 Com isso, se percebe que um dos problemas ligados à masculinidade se deve à não aceitação da imagem feminina.
Analisando a formação do homem no contexto da modernidade, fica evidente o desenvolvimento desordenado de sua personalidade. Não ensinaram o menino a ser homem. O fato é que ele cresce dentro de um ambiente onde o método educativo consiste na supressão ou repressão das fraquezas.
 
A sociedade, sobretudo na cultura ocidental, introduziu na cabeça dos meninos que o homem, para provar a sua masculinidade, não podia expressar sentimento algum. O homem-varão não pode chorar, ser carinhoso, dizer palavras dóceis nem ser educado. Ele não pode manifestar características que pertencem às mulheres.
Desse modo, formou-se muitos homens grosseiros, machões, verdadeiros “tanques de guerra”. Homens superficiais que preferem se relacionar com o mundo financeiro da empresa a ousar demonstrar sensibilidade para com os filhos e a esposa. “A maioria esmagadora dos homens é incapaz de colocar-se individualmente na alma do outro”.[2]
O menino que cresce reprimindo a sua anima possivelmente terá problemas no relacionamento com os outros, sobretudo com as mulheres. É perceptível a falta de intimidade presente no relacionamento de homens que sufocam a sua anima.
 
Quem não conhece um modelo de homem assim?
Portanto, é necessário que o homem tenha coragem de se lançar num caminho de maturação e de resgate da sua autêntica masculinidade. O psicólogo austríaco Steve Bidduph em seu livro, Por que os homens são assim? diz que “se existe um primeiro passo a ser dado pelos homens em direção à cura, provavelmente é começarem a ser mais verdadeiros”.[3] Isto é, assumir que da forma que vivem na sociedade não os torna felizes. Aceitar que viver fingindo ser alguém é tolice, e só trará sofrimento para si mesmo. Para Jung o ponto de maturidade da psique humana está na harmonia das várias instâncias.
 
Neste caso, a harmonia entre anima e animus, cuja falta de desenvolvimento de um ou do outro retém o pleno desabrochar da personalidade. É preciso que o homem tome consciência desta” bissexualidade” inata na sua personalidade, ou seja, a presença da natureza feminina, possibilitando assim, seu encontro com a verdadeira masculinidade.
“O homem natural vive em todo homem. Ele é belo e divino. Tem uma enorme energia fundamental e um grande amor pelo mundo. É tão educador, protetor e criador quanto a figura feminina, mas educa, protege e cria a seu jeito masculino. … A tarefa do homem é se conhecer melhor, de modo a aumentar sua contribuição para o mundo e a honestidade para consigo” Asa Baber, em Wingspan.[4]

[1] JUNG, Carl Gustav. Parte II: Anima e animus. Estudos de psicologia analítica. Ed. Vozes. Petrópolis, 1981.p.179, 197.
[2] JUNG, Carl Gustav. Parte III: A técnica de diferenciação entre o eu e as figuras do inconsciente. p.210,363.
[3] BIDDUFH, Steve. Cap. 2: O que saiu de errado. Por que os homens são assim?. Ed.: Fundamento, São Paulo,2003. p.12.
[4] BIDDFH, Steve. Cap.11: O espírito natural dos homens. p. 130

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Carl Gustav Jung

 

 

 

Carl Gustav Jung nasceu em 26 de julho de 1875, em Kesswil, Cantão da Turgóvia, às margens do lago Constança na Suíça, fruto da união do pastor protestante Johann Paul Jung, e da dona de casa Emile Preiswerk, mulher culta que incentivou Jung à leitura do Fausto de Goethe em sua adolescência. Jung, na infância, vivida no campo e em contato com a natureza, desenvolveu uma inclinação para sonhar e fantasiar propiciada pelos livros da tranqüila biblioteca de seu pai, onde leu textos de filosofia e teologia que influenciaram em muito seu trabalho depois de adulto. Quando ingressou nas Universidades de Basiléia e Zurique para estudar medicina, as idéias de Kant e Goethe já nutriam a mente de Jung. Seu razoável conhecimento de filosofia e o entusiasmo daí originado, impulsionaram-no também ao encontro das idéias de Schopenhauer e Nietzsche, que exerceriam posteriormente forte influência sobre a construção de sua Psicologia Analítica, nome escolhido como alternativa à Psicologia Complexa, termo já cunhado por Pierre Janet. Sua graduação veio em 1902, após o que trabalhou na clínica psiquiátrica da Universidade de Zurique, como assistente do professor Eugene Bleuler, mantendo estudos paralelos com Pierre Janet, em Paris. Seu interesse, então, estava voltava-se para a esquizofrenia. No Teste de Associação de Palavras, Jung chegou ao que denominou Complexos, definindo estes como idéias ou representações afetivamente carregadas e autônomas da Psique consciente. O renome internacional conquistado por Jung através destes estudos, conduziram-no a uma colaboração próxima com Freud, que conheceu pessoalmente em 1907. Esta afinidade de idéias entre os dois mestres, no entanto, deteriorou-se com a publicação da Psicologia do Inconsciente, em 1912 (revista em 1916). Com esta obra, Jung declara sua independência da estreita interpretação sexual de Freud com relação à libido, apresentando os paralelos próximos entre as fantasias psicóticas e os mitos antigos, e explicando a existência de uma energia criativa maior (elan vitae) motivadora da mente humana. Neste momento, Jung renuncia à presidência da Sociedade Psicoanalítica Internacional e funda sua própria Escola, incentivado por outros colegas, pacientes e amigos. Jung era contrário à formação de escolas e discípulos, mas cedeu aos apelos de seus seguidores. Jung desenvolveu suas teorias traçando um amplo conhecimento de mitologia (trabalhos em colaboração com Kerensky) e História; recorrendo a diversas culturas de países como México, Índia e Quênia. Os Tipos Psicológicos, nos quais se ocupou do vínculo entre o consciente e o inconsciente, propondo os tipos de personalidade, extroversão e introversão, foram publicados em 1921, num importante e posteriormente bem difundido trabalho. Segundo Jung, o inconsciente coletivo — sensações, pensamentos e memórias compartilhadas por toda a humanidade — compõe-se do que ele denominou, tomando de Platão, “arquétipos”, ou “imagens primordiais”. Estes correspondem às experiências da Humanidade típicas, como enfrentar a morte ou eleger um companheiro, cuja manifestação simbólica encontram-se nos mitos, nas grandes religiões, nos contos de fadas, nas fantasias e na Alquimia, e em especial nas obras de Paracelso e Picco della Mirandola. Confrontando o inconsciente pessoal e integrando-o com o inconsciente coletivo, representado no arquétipo da Sombra Coletiva, Jung sustenta que um paciente pode alcançar um estado de individuação, ou a integridade de um mesmo (O Deus Interior), através da reconciliação dos estados diversos da personalidade, que ele viu divididos não somente em contrários de introversão e extroversão, mas também nas subvariáveis pensamento, intuição, sensação e percepção. Jung escreveu volumosamente sobre metodologia analítica e os laços entre a Psicoterapia e a crença religiosa. Interessou-se muito pela Sincronicidade, pela Alquimia e pelos estados alterados de consciência, a ponto de criar o método de imaginação ativa, surgido logo após a ruptura com Freud, enquanto o crítico e polêmico livro vermelho era por ele escrito. Na teoria psicanalítica de Sigmund Freud, Jung interpretou os distúrbios mentais e emocionais como tentativa de encontrar integridade pessoal e espiritual. Em especial, sua experiência com Psicóticos foi decisiva para a aproximação com Freud, pois o médico havia tido contato tão-somente com neuróticos, basicamente as denominadas Histerias. Carl Gustav Jung faleceu em 06 de junho de 1961, em Kusnacht. Pai da psicologia analítica e visto como um dos grandes expoentes do século XX, deixou contribuições científicas bastante significativas para o estudo e compreensão da alma humana. As questões espirituais, enquanto fenômenos psíquicos, são refletidas em toda sua obra, numerosa e traduzida para diversas línguas.”

Essa biografia de Jung é de Nise da Silveira e foi retirada da página Guardiões do Saber.

 Obrigada Querido Amigo Português Fernando do Blog Nothingandall pelo Selo dado com tanto carinho!

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