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A dor da Rejeição

 

Se uma pessoa o rejeita, não significa que você é ruim ou que tem menos valor que outros. Significa apenas que a outra pessoa não está sintonizada com o seu desejo, naquele momento.

Não há motivo para vergonha, depressão, ou sentimento de menos valia. Ao contrário, se alguém é rejeitado significa que possui a capacidade de se envolver afetivamente.

Isso deve ser um alento quando suas esperanças esbarram no “não” do outro. Mais triste do que a dor de uma rejeição é o sofrimento de quem congela o desejo por medo de se decepcionar.

A rejeição faz parte das experiências que se tem na vida.

É saudável sentir-se decepcionado ao ser excluído ou barrado no afeto de alguém que você desejaria ter ao lado. Esse sentimento doloroso faz parte do processo de processamento interno do que aconteceu.

No primeiro momento, a tendência pode ser de carregar as tintas e ver tudo escuro.

Ninguém gosta de ser rejeitado. Porém, a pessoa com autoestima satisfatória não fica estacionada aí e logo se move adiante.

O mundo não se reduz a alguém, ou a um grupo de pessoas. Sua vida será tanto mais ampla quanto for seu olhar sobre o horizonte.

Se o indivíduo não se deixar aprisionar pela rejeição, encontrará oportunidades para viver novas experiências que lhe trarão momentos mais felizes do que poderia imaginar.

O universo costuma apresentar seus presentes mais valiosos para aqueles que seguem em frente e não se detém diante de aparentes fracassos.

A chave é deixar o medo de lado e acreditar no seu valor e na sua capacidade de atrair para sua vida o que o (a) fará feliz.

Assim, como a terra e as flores se renovam em beleza e perfumes depois da tempestade, sua vida se encherá de amor e alegrias se aprender a superar uma rejeição, por mais difícil que possa parecer.

 

Relacionamento – Dez dicas para superar a rejeição


@ Não tome a rejeição como se houvesse algo errado com você. As pessoas fazem escolhas por razões que são delas. Você não precisa ser aceito (a) nem aprovado por todos.

@ A rejeição não significa que você não merece ser amado (a). Não é realista esperar que todos seus desejos e expectativas se realizem. Se alguém não quer você em sua vida, agradeça.

@ A pior coisa é ficar em banho-maria, nem lá, nem cá, vivendo na dúvida. Uma vez que alguém é rejeitado em alguma situação, ganha de presente a liberdade para seguir em frente!

@ Em vez de olhar para a porta que se fechou, mire o horizonte e as infinitas possibilidades que se abrem para você. 

@ Quando uma pessoa se sente devastado por uma experiência de rejeição,não é pelo outro que sofre. A depressão e o pensamento obsessivo em torno do fato é decorrente de problemas emocionais da própria pessoa. Nesse caso, o melhor é tomar uma providência e buscar ajuda psicoterapêutica.

@  Aproveite o momento para iniciar um projeto de vida que você vem adiando. Ao voltar sua atenção e energia em um projeto que trará satisfação pessoal, você conseguirá superar o sentimento de rejeição mais facilmente.

@ Aproveite todas as oportunidades para crescer com as experiências vividas. Pergunte-se o que pode aprender sobre você mesmo (a) com a situação.

@ Use o momento para dar um up grade total. Interno e externo. Cuidar de si mesmo (a) faz bem à autoestima e aumenta a autoconfiança. Comece a meditar, mude o cabelo, renove algumas peças do guarda-roupa, leia sobre autoconhecimento, entre para uma academia, inicie a dieta que vem adiando há tempos, comece uma terapia, faça shiatsu,  mude o estilo de se vestir, entre para uma aula de dança de salão, etc…

@ Entre em contato com antigos colegas e amigos de infância que você não vê há tempos. Aproveite para renovar os laços de amizade e se divertir.

@ Resista aos impulsos de ficar contando para todo mundo o que aconteceu. A necessidade de ouvir opiniões e desabafar a torto e a direito mostra um transbordamento interno. Ninguém poderá curar a sua dor, a não ser você mesmo(a).

Acredite na sua capacidade de se renovar e de superar eventos que causam sofrimento. Aprenda e cresça com suas experiências. Esse é o caminho para a maturidade emocional, condição indispensável para uma vida feliz.

Texto de Jael Coaracy

 

Quando a saudade localiza o sujeito na gente by Marla de Queiroz


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Onde a saudade localiza o sujeito na gente? No coração, na mente, no corpo ou nesse conjunto todo que pulsa revirando o baú de adeuses que, talvez, quem sabe, quisessem dizer outra coisa? Pois insiste em nós essa impregnação na lembrança, mas o sentimento ocupa muito mais que a memória.

Onde a saudade localiza o sujeito na gente se os olhares já nem se veem mais e as peles só exalam o perfume da distância? Se o tempo correu enchendo de poeira luas e mais luas deixando sonolentas e opacas as estrelas que brilhavam nas madrugadas incandescentes? Onde fica guardado o sujeito na gente?

Onde a saudade localiza na gente o sujeito inerte, mas animado, não sendo coisa ou algo, mas um ser vivinho, vivente? E um suspiro intenso estendido por dentro, o segredo que o olhar na busca incessante não ocultou? Se as fotos foram apagadas e os bilhetes queimados na fogueira dos livramentos, se até o cartão postal mudou para fechar um ciclo e inaugurar outro momento, onde se escondia esse sujeito? No peito? Na pele? Porque de tudo dele ainda, mesmo que em sonho, reacende a lembrança do beijo, abraço e do jeito. Onde a saudade localizou esse sujeito?

Se a febre que pensávamos medicada arde incessante, embora esporádica, e a noite mal dormida espreita o pesadelo: do riso, do choro, do cheiro, para qual direção foram os ventos que não o levaram por inteiro? Por que a saudade incute na gente esse desmantelo?

Onde a saudade localizou na gente este ser que parecia morto e ressuscitou tão certeiro?

 Marla de Queiroz

Um Recado para Clarice – Elisabete Cunh

Clarice
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Espero que  você esteja bem e continue indo fundo da alma feminina de maneira em que incomode como um soco no estômago. Na verdade , poucos conseguem . Só você tem conseguido fazer isso comigo ao longo de tantos anos . Eu lhe conheci no ginásio, confesso que não lhe entendia muito naquela época,porque a vida ainda não tinha me tornado mulher com dores e amores, era uma menina curiosa e cheia de vontade de entender o mundo.

Você veio para o Brasil tão menina, Recife acolheu sua família…você cresceu e adquiriu traços da personalidade de mulher nordestina. Mulher nordestina já nasce com a alma sensibilizada com a beleza da nossa terra e com o sofrimento do nosso povo. Nascemos sabendo que temos que mostrar mais eficiência e coragem para que nos respeitem Brasil afora.

Aquele livro de Fotobiografia sobre você , que comprei na Casa das Rosas em São Paulo (um dos meus lugares preferido na terra da garoa) emprestei e nunca mais me devolveram…roguei uma praga pra pessoa que ficou e não me devolveu de nunca mais entender uma vírgula sobre você.
Acho que consegui…tomara!

Ahhh Clarice , como te deram frases que você nunca disse e nem sequer imaginou em escrever.
Querida , e o pior é que estão soltas pela internet. Cheias de blábláblá e dignas de quem nunca leu de fato um livro seu e não conhece seu estilo.

Você era uma grande leitora do mundo . Bem, acho que todo escritor, mesmo o medíocre, é. Um escritor não tem outra coisa para trabalhar, senão a própria vida. Pode se debruçar sobre a literatura do passado, pode fazer experiências formais e se entregar a uma “literatura culta”, pode tudo, mas estará sempre defrontado com a realidade.

Você Clarice, porém, lia o mundo não na visão chapada das grandes paisagens, ou dos personagens “perfeitos”, mas nas entrelinhas. Você conseguia ver o “entre”. Perfurava o real, cavando ali onde, quase sempre, por preguiça, por desatenção, por medo, nos detemos. Você não.
Espero que daí onde está você não veja. Certamente morreria (de novo) de desgosto ao lê-las tão fofinhas e açucaradas.

Pela vida Clarice, tenho observado o quanto você é sempre muito envolvente. Algumas pessoas não a suportam, e não voltam mais. Outras se entregam e, até, se desfazem em lágrimas. Ler você cara Clarice é, sempre, uma ameaça.
Você cirugicamente mexe no fundo de cada um que lê, e se for uma mulher ,muitas vezes você mata a dita cuja sem dó, gosto disso.
Quantas pessoas gostariam de escrever cada letra , cada vírgula que você consegue expressar nas linhas da vida?

Bem, vou me despedindo por aqui e já que estamos falando de frases , as suas me descrevem. “Estou passando a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar…”
Enfim:
“Valorize quem te ama, esses sim merecem seu respeito. Quanto ao resto, bom… ninguém nunca precisou de restos para ser feliz.”
.

Ave Clarice !
.

Um beijo!

Elisabete Cunha

“Não suporto meios termos. Por isso, não me dou pela metade. Não sou sua meio amiga nem seu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada”
―Clarice Lispector
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“Sorrisos e abraços espontâneos me emocionam. Palavras até me conquistam temporariamente. Mas atitudes me ganham para sempre.”
―Clarice Lispector
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“Eu sou uma eterna apaixonada por palavras, música e pessoas inteiras. Não me importa seu sobrenome, onde você nasceu, quanto carrega no bolso. Pessoas vazias são chatas e me dão sono.”
―Clarice Lispector
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“Deixo-te livre para sentir minha falta, se é que faço falta. Tens meu número, na verdade, meu coração, então se sentir vontade de falar comigo, me procura você.”
―Clarice Lispector
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“Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.”

―Clarice Lispector

 

Pablo Neruda – Assim que te quero

É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Assim que te quero – Pablo Neruda

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 .
É assim que te quero, amor,
 amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.
 
Pablo Neruda

 

 

 

Martha Medeiros

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Todo pedido é uma transferência de poder. Você quer que alguém, ou algo, uma entidade cósmica qualquer, tome conta dos seus dias. Não fique devendo esse favor para os céus. Cancele a encomenda e meta você mesmo a mão na massa. Seja mais legal com seus irmãos, tome banho de chuva, dê um beijo surpresa em quem você ama, cuide dos seus dentes, aproveite sua juventude, viaje de trem, ande de bicicleta, responda os e-mails recebidos e passe horas dentro do mar. Trate de fazer as pazes com o espelho, de se espreguiçar, de dizer bom-dia pro porteiro e de dançar sozinho no meio da sala. Comece a correr atrás dos seus sonhos, a valorizar as coisas simples e a zelar pelo o que só você tem: sua vida.”

  Martha Medeiros

Desejos

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Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você sesentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

Sergio Jockymann

Rubem Alves

As cigarras passam a maior parte de suas vidas debaixo da terra, alimentando- se das raízes das árvores. Disseram-me que há certas espécies de cigarras que chegam a viver 15 anos debaixo da terra. De repente, alguma coisa acontece, e surge dentro delas um impulso irresistível para mudar. Saem então dos seus túneis, sobem pelos troncos das árvores, arrebentam suas cascas, subterrâneas gaiolas, e se transformam em seres alados. Se elas não abandonarem suas cascas não se transformarão em seres alados. Continuarão a ser seres subterrâneos. Nossos demônios são nossas cascas. Abandonar as cascas é esquecer a forma subterrânea de ser. A grande transformação das cigarras acontece quando a morte se aproxima. É a proximidade da morte que lhes diz: ‘Chegou a hora de voar, cantar e fazer amor, para continuar a viver…’ Eu acho que a morte é o único poder capaz de nos trazer vida nova. A consciência da morte nos força a sair de nossas sepulturas, nos dá asas, nos convida a voar e a amar.”

Rubem Alves

Quintana !

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições…
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
…e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!

Mario Quintana

Fernando Pessoa (1888-1935)

Foi poeta português. Um dos mais importantes poetas da língua portuguesa. “Mensagem” foi um dos poucos livros de poesias publicado em vida. Fernando Pessoa ocupou diversas profissões, foi editor, astrólogo, publicitário, jornalista, empresário, crítico literário e crítico político.

Fernando Pessoa (1888-1935) nasceu em Lisboa, Portugal, no dia 13 de junho de 1888. Ficou órfão de pai aos 5 anos de idade. Seu padastro era o comandante João Miguel Rosa. Foi nomeado cônsul de Portugal em Durban, na África do Sul. Acompanhou a família para a África e lá recebeu educação inglesa. Estudou em colégio de freiras e na Durban High School.

Em 1901 escreveu seus primeiros poemas em inglês. Em 1902 a família volta para Lisboa. Em 1903 Fernando volta sozinho para a África do Sul, onde submete-se a uma seleção para a Universidade do Cabo da Boa Esperança. Em 1905 de volta à Lisboa, matricula-se na Faculdade de Letras, onde cursou Filosofia. Em 1907 abandona o curso. Em 1912 estreou como crítico literário.

Fernando Pessoa foi vários poetas ao mesmo tempo. Tendo sido “plural” como se definiu, criou vários poetas, que conviviam nele. Cada um tem sua biografia e traços diferentes de personalidade. Os poetas não são pseudônimos e sim heterônimos, isto é indivíduos diferentes, cada qual com seu mundo próprio, representando o que angustiava ou encantava seu autor.

Criou entre outros heterônimos, Alberto Caeiro da Silva, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares. Caeiro é considerado naturalista e cético; Reis é um classicista, enquanto Campos tem um estilo associado ao do poeta norte-americano Walt Whitman.

Em 1915, liderou um grupo de intelectuais, entre eles Mário de Sá Carneiro e Almada Negreiros. Fundou a revista Orfeu, onde publicou poemas que escandalizaram a sociedade conservadora da época. Os poemas “Ode Triunfal” e “Opiário”, escritos por Álvaro de Campos, causaram reações violentas contra a revista. Fernando Pessoa foi chamado de louco.

Fernando Pessoa mostrou muito pouco de seu trabalho em vida. Em 1934 candidatou-se com a obra “Mensagem”, um dos poucos livros publicados em vida, ao prêmio de poesia do Secretariado Nacional de Informações de Lisboa. Ficou em segundo lugar.

Fernando António Nogueira Pessoa morreu em Lisboa, no dia 30 de novembro de 1935.

Obras Publicadas em Vida

35 Sonnets, 1918
Antinous, 1918
English Poems, I, II e III, 1921
Mensagem, 1934

Obras Póstumas

Poesias de Fernando Pessoa, 1942
Poesias de Álvaro de Campos, 1944
A Nova Poesia Portuguesa, 1944
Poesias de Alberto Caeiro, 1946
Odes de Ricardo Reis, 1946
Poemas Dramáticos, 1952
Poesias Inéditas I e II, 1955 e 1956
Textos Filosóficos, 2 v, 1968
Novas Poesias Inéditas, 1973
Poemas Ingleses Publicados por Fernando Pessoa, 1974
Cartas de Amor de Fernando Pessoa, 1978
Sobre Portugal, 1979
Textos de Crítica e de Intervenção, 1980
Carta de Fernando Pessoa a João Gaspar Simões, 1982
Cartas de Fernando Pessoa a Armando Cortes Rodrigues, 1985
Obra Poética de Fernando Pessoa, 1986
O Guardador de Rebanhos de Alberto Caeiro, 1986
Primeiro Fausto, 1986

Informações biográficas de Fernando Pessoa:

Data do Nascimento: 13/06/1888
Data da Morte: 30/11/1935
Nasceu há 124 anos
Morreu aos 47 anos

CONHEÇA O TRABALHO DE FERNANDO PESSOA  AQUI : http://www.insite.com.br/art/pessoa/

Hilda Hilst : O grande charme de ser livre .

 

O grande charme de ser livre  

A partir de 1966, Hilda Hilst, poetisa e escritora, viveu isolada.
Mas cercada de amigos humanos e dezenas de amigos caninos e felinos, na Casa do Sol, uma villa de estilo mexicano a 11 km de Campinas, SP.
Autora de 41 livros – vários publicados em francês, italiano, inglês e alemão – foi tachada de imoral, provocativa e pornográfica pela linguagem libertina que usava nas anos sessenta. “Meu grande charme é ser livre”, disse em uma entrevista.
 Frustrada pela falta de reconhecimento em termos materiais e detonada pela crítica, teve uma atitude extrema – em 1990, publicou o livro pornô “O Caderno Rosa de Lory Lambi”.

No ano seguinte, mais dois contos eróticos: Contos d’Escárnio e Cartas de um Sedutor.

A trilogia erótica teve o efeito de uma bomba.
Mesmo reprovada pelos críticos, como sempre, a repercussão foi enorme. Em 1994, Contos d’Escárnio ou Contes Sarcastiques atravessou o oceano para receber a chancela do L’Arpenteur, uma divisão da Editions Gallimard e o jornal francês ”Libération” foi entrevistá-la em casa.

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 Hilda Hilst nasceu na cidade de Jaú, interior paulista, no dia 21 de abril de 1930.
 Filha única do fazendeiro, jornalista, poeta e ensaísta Apolônio de Almeida Prado Hilst e de Bedecilda Vaz Cardoso.
Teve uma infância complicada, marcada pela separação dos pais e a doença mental de ambos, o que motivou sua mudança, com a mãe, para a cidade de Santos (SP).

Por oito anos estudou como interna no Colégio Santa Marcelina, na cidade de São Paulo. Em 1945, matriculou-se na Escola Mackenzie onde fez o curso clássico.
 Como legítima representante do high society, cometeu a ousadia de morar sozinha num apartamento na Alameda Santos, acopmpanhada da governanta Marta.
 Aos 16 anos, ao visitar o pai – totalmente desequilibrado e internado numa clínica psiquiátrica – teve uma experiência terrível: ele a confundiu com a ex-mulher e implorava “só 3 noites de amor, só 3 noites de amor”.

Em 1948, começou a estudar Direito na Faculdade do Largo de São Francisco e ali, entre livros e copos, iniciou uma vida boêmia. Descendente, pelo lado paterno, da tradicional família Almeida Prado, chocava a sociedade com seu comportamento julgado livre e despertou paixões arrasadoras em empresários, artistas e poetas.

Em 1950, publicou “Presságios”, romance sobre a história de amor de dois marginais. O escândalo continuou com a publcação de “Balada de Alzira”, um ano depois. Concluiu o curso de Direito em 1952, advogou por algum tempo, mas se dizia “aterrorizada” com o ofício.

Em cerimônia na Faculdade, Hilda saudou a grande Cecília Meirelles que, ao ler num verso de Hilda a frase “Somos iguais à morte/Ignorados e puros” comentou “quem disse isso precisa dizer mais”.  

Hilda disse muito mais

 Em 1955, publicou “Balada do Festival” e até 2002 produziu 38 livros falando sobre morte, sexo, loucura, existência de Deus e a decadência que traz a velhice.
As obras mais importantes dessa fase foram “Sete cantos do poeta para o anjo”, “Roteiro do silêncio”, “Trovas de muito amor para um amado senhor” e “Cartas de um sedutor”.

 Depois das mortes dos pais – ocorridas com poucos meses de diferença – renunciou à vida social, deixou a capital e passou a morar na Casa do Sol, em Campinas, sítio herdado da mãe, local onde viveu até a morte.
Ali casou-se (1968) e divorciou-se(1980) do escultor Dante Casarini e decidiu não ter filhos para que nenhum herdasse o desequilíbrio mental de seus pais.
 Este corte radical foi influenciado pela “Carta a El Greco”, do escritor grego Nikos Kazantzakis, que defendia a necessidade do isolamento para que, no silêncio da meditação o conhecimento humano emergisse.

Cansada do não reconhecimento da crítica e certa de seu talento, resolveu virar a mesa. Escreveu ‘O caderno rosa de Lori Lamby” que consagra a fase pornográfica, iniciada em “A obscena senhora D”. Hilda dá adeus à “literatura séria” (1990) e decide vender mais e ter mais público interessado em seu trabalho.

Inicia, também, uma carreira de dramaturga, escrevendo oito peças teatrais, algumas encenadas na Escola de Arte Dramática, no Teatro Veredas, pelo Grupo Experimental Mauá (Gema), e no Teatro Anchieta (como exame dos alunos) – todas sob a direção de Terezinha Aguiar, também responsável pela montagem de “O rato no muro”, apresentada no Festival de Teatro de Manizales, na Colômbia.

Os compositores Adoniram Barbosa, Gilberto Mendes, José Antônio de Almeida Prado, (primo da escritora) e, mais recentemente, Zeca Baleiro, inspiraram-se nos textos mais significativos de Hilda para ilustrar suas melodias.
Depois de ganhar prêmos e ver seu trabalho finalmente reconhecido, Hilda Hilst parou de escrever em 2002, “por já ter dito tudo que pretendia dizer”.  

Hilda telefona para o além

 No início da década de 70, preoocupada com a imortalidade da alma e inspirada pelos casos relatados em “Telefone para o além”, do pesquisador sueco Friedrich Juergenson começou a gravar, pelas ondas radiofônicas, vozes que seriam de pessoas mortas e divulgou que discos voadores visitaram sua fazenda.
César Lattes, Mário Schenberg e Newton Bernardes, físicos de grande renome, acompanharam meio incrédulos mas interessados alguns dos experimentos.

Gravadores cassetes acoplados com duas estacões de rádio sintonizadas ao mesmo tempo possibilitaram captação de ruídos nunca decodificados que, segundo Hilda, formavam frases.

Dessas experiências, nasceu o desejo de construir em suas terras um “Centro de Estudos da Imortalidade” onde questões referentes ao tema seriam apreciadas sob o ângulo da metafísica e as idéias de Stephane Lupasco, segundo as quais a a alma é composta de matéria quântica.

Marduk, onde Hilda dizia sempre que gostaria de chegar bem informada, é um planeta hipotético, mas estudado por Zecharia Sitchin, que estava convencido que as civilizações antigas se desenvolveram graças a contatos com extraterrestres.

Nas teorías de Sitchin sobre a cosmologia suméria, Marduk é um planeta de nosso sistema solar que estaria em órbita elíptica em torno da Terra num período entre 3.600 e 3.760 anos.

Uma colisão entre um de seus satélites e Timat, planeta que existia entre Marte e Júpiter, seria a origem da Terra e do cinturão de asteróides que a envolve. Marduk era habitado pelos alienígenas Anunnaki.
Depois da colisão, ainda segundo Sitchin (baseado em dados da civilização Maia), Marduk ficou afastado do sistema solar.
 Os cientistas argumentam que uma órbita assim se transformaria em órbita circular, ou escaparia da atração do Sol e passaria a vagar pelo espaço.
O escritor e pesquisador turco Burak Eldem, apresentou uma nova teoria a respeito, em seu livro “2012”: os 3.661 anos do período orbital de Marduk se fecharão em 2012. Eldem afirma que 3.661 – 1/7 de 25.627 – é o ciclo total dos “de 5 anos mundiais”, segundo o calendário Maia.

Na última passagem de Marduk, em 1649 aC, grandes catástrofes ocorreram na Terra.

Hilda se intressava por espiritismo, esoterismo, vida após a morte e comunicação com uma outra dimensão além do plano físico. Certa da imortalidade, desejava viajar após morte para Marduk, o hipotético planeta onde morariam figuras ilustres das letras e das ciências.

A escritora emplogava-se com o tema: ”Nunca acreditei que fosse só isso: nascimento, vida, morte e apodrecimento”. Hilda seguiu para Marduk, direto de Campinas, às 3h50 do 4 de fevereiro de 2004. *****************************************************************************************

Página oficial de Hilda Hilst, coordenada por Yuri V. Santos: http://hildahilst.cjb.net

Quando você vier…

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Quando você vier, venha com calma e devagar.
 
Me dê o tempo o necessário para te reconhecer e te aceitar.
 
Chegue de mansinho e cheio de delicadeza, que já carrego marcas demais…
 
Não traga sonhos ou promessas.Traga um dia depois do outro.
 
Quando você vier, venha só. Deixe pra trás fantasmas, correntes, troféus para que não somemos passado.
 
Quando você vier venha sorriso. Venha alegria. Venha bom humor. Que já cansei da dor e não faço mais esta rima.
 
Quando você vier, venha sem precisar. Só por querer.
 
Quando você vier não venha com palavras açucaradas nem com discursos melosos.
 
Traga na boca só o sabor da sua verdade.
 
Não me afague com doces mentiras nem me afogue em ilusões. Gosto das coisas como elas são.
 
Quando você vier venha por inteiro que já não me contento com metades.
 
E lembre-se de deixar espaços. Eu preciso respirar solidão algumas vezes.
 
Quando você vier me encontre dentro de mim, que é onde eu me sinto melhor.
 
Mas não me invada. Bata antes de entrar. E entre um passo de cada vez. Sem pressa.
 
Quando você vier traga na alma flores estrelas e chuva. Sol vento criança.
 
Tempo coragem e paz. Muita paz, que é algo que eu ainda não tenho. E quero. Muito.
 
Quando você vier, procure saber de mim, mas reserve-me um pouco de mistério.
 
Quando você vier, que venha só uma vez
 
 
Texto lindo de Claudia Regina Barros –  autora do poético Blog Escrivinhadeira
 


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Um dia acontece. – Claudia Regina Barros

Um dia acontece. Ele se vai. Você fica parada olhando ele arrumar a mala, cada gesto te dizendo: EU NÃO TE QUERO MAIS. Você até que poderia chorar, implorar, pedir desculpas por algo que você nem sabe que fez, mas você já fez tudo isto antes. Algumas vezes. E agora você já não está muito certa de que vale a pena. Você não sabe direito o que se passa dentro de você. Reconhece a dor que já vem caminhando com você há um bom tempo.Reconhece o medo – como é que vai ser; será que eu dou conta sozinha? Reconhece a sensação de fracasso. Reconhece o cansaço. Mas é uma sensação novinha em folha, bem escondidinha na borda do coração é que faz você ficar ali, só olhando. Antes que você consiga identificar o que é, ele fecha a mala e com ela caminha até a porta, cheio de impáfia. Sem saber o que te move, você se adianta e abre a porta pra ele. A frase clichê de cena de efeito em filme barato escapa irresoluta de sua boca, com um sapo repentinamente liberto. Se você sair, não volta mais. Sem sequer se dignar a olhar na sua cara, ele passa reto com um sorrisinho de escárnio. Naquele momento você sente que, não importa quantas vezes vocês tenham protagonizado cenas patéticas como aquela, desta vez é mesmo pra valer. Já deu. Acabou. Você fecha a porta com uma calma gelada. Tranca bem trancada. Passa o ferrolho. Pega alguns sacos de lixo e joga nele as roupas e objetos que ele deixou pra trás e sente uma vontade real e irrestrita de jogar tudo pela janela, mas pensa que mais escândalo a esta altura do campeonato não vai fazer nenhum bem a você. Deixa tudo empilhado ao lado da porta da cozinha e decide limpar imediatamente todos os traços dele em sua casa. Sai andando pela casa com um incenso nas mãos rezando uma benzeção e jogando sal grosso nos cantos. Enquanto passa vão sumindo fotos, livros, cds. Tudo indo literalmente pro saco. A casa se esvazia e você se esvai.Exausta, corre pro banho de roupa e tudo. Abre o chuveiro até o talo e deságua. Chora até não poder mais. Deixa o coração escoar pelo ralo até derreter. Quando sai do banheiro parece que nada é real ou existe. Você flutua no limbo. Anestesiada liga a TV e senta-se à frente dela, tal qual personagem  dA Volta dos Mortos Vivos. Sem saber de si a dor, tristeza ou desilusão reencontra aquela sensaçãozinha escondidinha na borda do coração que a manteve parada, a observá-lo arrumando a mala. Tímida, envergonhada, ela se apresenta e você suspira por reconhecê-la: alívio!

Um dia você acorda e, finalmente entende que você nada perdeu. Seu coração continuou batendo incólume, sua alma permaneceu completa, sua vida se refez, seguiu. O amor nunca chegou, nem partiu, porque sempre fez parte de você. E sempre vai estar lá, pronto pra recomeçar. E você ri de dor tão boba, esta dor de amor finado. Dor que nem remédio tem, pois que já nasceu remediada.

Um dia, acontece!

Texto lindo de Claudia Regina Barros –  autora do poético Blog Escrivinhadeira