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Maysa Matarazzo ou simplesmente Maysa…

Dona de dois olhos verdes inesquecíveis, ela viveu 40 anos a mil. Em pouco menos de meio século de vida mudou seu destino já traçado e se tornou a maior cantora romântica da música brasileira. Conheça agora um pouco mais de Maysa.

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Nascida numa tradicional família capixaba, com alto padrão de vida, Maysa desde criança seguiu os mesmos passos que a maioria das jovens de mesma realidade. Morou em endereços privilegiados e estudou em colégios de elite. Mas, a música já era presente em sua vida desde muito pequena. Aos 12 anos compôs sua primeira canção, chamada “Adeus”, que por acaso seria gravado em seu disco de estreia.

Desde essa época ela já revelava traços de uma personalidade marcante. Quando criança, implorou aos pais que a tirassem do colégio religioso, tradicionalíssimo, alegando que as freiras a estavam deixando louca. Maysa era péssima nos estudos, chegou a repetir o 2º ano ginasial duas vezes seguidas, por fim, na última, abandonou os estudos de vez. Sua imagem era a da legítima bad girl. Aos 16 anos, usava cabelos curtos, vestia calças compridas (absurdo na época), pintava as unhas de vermelho e maquiava-se com audácia.

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Naquela época, o destino comum das garotas como Maysa era se casar com um rapaz de boa estirpe e constituir uma família, ou seja – ela estava destinada ao lar. E tudo parecia indicar que ela cumpriria esse destino sem nenhuma alteração de rota. Aos 17 anos, em 1955, Maysa se casou com o empresário André Matarazzo. O sobrenome faz estremecer, a família ítalo-brasileira Matarazzo era considerada uma das mais ricas do Brasil e uma das maiores fortunas do mundo. Donos de um verdadeiro império que englobava industrias de metalurgia, comércio, navegação e cabotagem.

André Matarazzo era quase 20 anos mais velho que Maysa. Algo estranho, mas natural na época. O casamento, na Catedral da Sé de São Paulo, e a festa, foram dignos de uma super estrela hollywoodiana. Nada anormal para um clã que ao casar sua herdeira nos anos 40, chegou a realizar festins de três dias e três noites em São Paulo.

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Em pouco tempo, Maysa se deu conta da gaiola de ouro em que havia se prendido. A distância e a incompatibilidade com um marido sempre distante e ocupado foram minando seu casamento tempo após tempo. A pressão da tradição daquele clã rígido e obsoleto começou a se tornar insuportável para uma jovem alegre e expansiva, de mentalidade moderna e transgressora. E esta seria a alcunha com que a identificariam tempos depois – transgressora.

A carreira musical de Maysa começou de forma tão banal quanto surpreendente. O produtor Roberto Corte-Real, maravilhado com o seu talento, a convidou para gravar um disco durante uma reunião familiar, em 1956. Obviamente, o marido de Maysa foi contra, e só depois muita insistência ela pode gravar um disco em caráter beneficente com renda revertida para a campanha contra o câncer – o que vetava qualquer possibilidade de carreira profissional.

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O que deveria ser apenas um capricho de uma esposa entediada, acabou se tornando coisa séria quando o disco passou a tocar – e fazer muito sucesso – nas rádios do eixo Rio-São Paulo. A carreira de Maysa começou a deslanchar da noite para o dia e de repente ela havia se tornado uma cantora profissional. Acontece que mulheres de família não podiam se igualar a cantoras de rádio, ela tinha um nome a zelar, um nome de peso – Matarazzo. E foi aí que Maysa alterou seu destino em 360 graus. Ela se desquitou de André Matarazzo em 1957, trocando um matrimônio aristocrático por uma carreira de cantora. O desquite da cantora foi um dos maiores escândalos no Brasil em fins da década de 50.

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O sucesso e a popularidade cresciam dia após dia. Em 1958, ela já era considerada a maior e mais bem paga cantora do Brasil. A consagração veio com as canções “Ouça” e “Meu Mundo Caiu” – os maiores sucessos de sua carreira, de sua própria autoria. Intérprete bem sucedida e compositora reconhecida, seus discos eram campeões de venda e seus programas de televisão tinham muito prestígio, ao mesmo tempo em que era uma das cantoras mais populares da época. Bela, jovem, rica e bem sucedida ela via a carreira em crescente ascensão enquanto a vida pessoal ia ladeira a baixo.

Parece que seu mundo caíra de tal forma, que nada poderia faze-la levantar. Maysa passou sistematicamente a abusar da bebida, o que a tornou uma alcoólatra, como consequência engordou horrores. Sua vida passou a ser permeada por escândalos, tentativas de suicídio, namoros relâmpagos e até um grave acidente de carro estampado nas páginas dos jornais.

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Numa época em que a música brasileira era dominada por vozeirões potentes, Maysa representava um contraste, ao ter uma voz pequena e quase rouca. O que não a impediu de se tornar uma das maiores intérpretes e compositoras do samba-canção, gênero que dominava a cena musical do país naquela época; afilhado do bolero mexicano, do blues americano e do fado português. Maysa fazia parte de um grupo de cantoras como Dolores Duran e Sylvia Telles, que representaram uma transição durante os anos 50, entre o samba de carnaval e a bossa nova, surgida no fim da década; gênero do qual Maysa também foi integrante.

Interpretações tristes e letras altamente românticas e que falavam sobre amores acabados, angústias e sofrimentos. Maysa passou a ser uma grande expoente deste gênero, e representar uma nova estética musical como cantora, filtrando a dramaticidade exagerada do samba-canção em letras obviamente românticas e genuinamente bonitas. Ela também cantava em vários idiomas. Maysa se tornou o expoente mais sofisticado e requintado do estilo Samba-Canção.

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A alcunha de cantora de fossa, rainha da dor de cotovelo, acompanhou-a até o fim da vida. Maysa era uma mulher alegre, expansiva, bem humorada e muito perspicaz. Mas, que tinha momentos de profunda tristeza, solidão e angústia. Ela dizia ter uma série de complexos, quando remoía velhas amarguras e caia em profundo desespero. Sua aura dark era muito acentuada e lhe dava uma aparência verdadeiramente triste, o que acabava sendo muito explorado pela mídia da época. todo o sentimentalismo e a emoção de Maysa transpassavam claramente quando cantava, tudo isto esta impregnado em sua música de sentimentos fortes e passionais. O melhor exemplo é a interpretação magistral para “Ne Me Quitte Pas” de Jacques Brel, um dos maiores êxitos de sua carreira.

Em pouco tempo, o sucesso de Maysa começou a ultrapassar fronteiras. Ela visitou os países da América Latina inúmeras vezes, onde sua música era muito apreciada por um público fiel que consumia seus discos continuamente. Na Argentina ela era chamada de la condesa cantante – trocadilho com o título de nobreza pertencente a família do ex-marido.

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Os anos 60 chegaram cheios de positivismo ao Brasil, e no panorama musical surgia a bossa nova, fomentada desde a década anterior nos bares e boates da zona sul do Rio de Janeiro. Maysa, que tinha um notável faro musical se identificou com aquele movimento que trazia inovação e requinte à MPB, e se tornaria sucesso no mundo inteiro. Com a bossa nova, Maysa pode expandir referências musicais, mesmo não se tornando uma das grandes intérpretes do gênero, ela deu uma nova cara mais romântica à bossa nova, provando ser uma cantora de versatilidade.

A pressão da mídia fez com que Maysa fosse buscar no exterior a paz e o sossego que não tinha no Brasil. Seu nome estava mais em alta do que nunca e ela já era uma cantora consagrada no país, mas os rumos que a vida traça ao nosso destino a fariam ter uma grande carreira internacional. Ela foi responsável pelo lançamento da Bossa Nova no exterior, mais precisamente na Argentina e no Uruguai, em 1961, e contribuiu muito em sua divulgação pelo mundo. Ela excursionou por vários países, tendo se apresentado em Lisboa, Madri, Paris, Nova York, Milão e Cidade do México. Maysa chegou a cantar na África e até no longínquo Japão – onde foi a primeira artista brasileira a se apresentar por lá. O trabalho era exaustivo; na Europa, ela se cantava em casas noturnas, programas de televisão e gravava discos. Maysa chegou a morar durante anos na Espanha, quando era casada com o empresário belga-espanhol Miguel Azanza.

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Um dos momentos mais memoráveis da carreira aconteceu em 1963, quando Maysa fez uma única apresentação, inesquecível, no Olympia de Paris. Ela foi convidada pelo cantor Tino Rossi e deveria encerrar a noite. Maysa cantou um repertório de música brasileira e guardou para o final uma surpresa – “Ne Me Quitte Pas” de Jacques Brel. Podia ser uma ousadia cantar em francês para os franceses, mas o fato é que foi um sucesso. Maysa foi aplaudida de pé e teve de voltar ao palco do Olympia mais três vezes para repetir a música, tonta de emoção e empurrada ao palco por Bruno Coquatrix, diretor da casa. No dia seguinte, os jornais parisienses repercutiram o sucesso de Maysa no Olympia, exaltando-a como a “Imperatriz da Bossa Nova”. Não pode haver uma emoção maior para uma cantora estrangeira que a de cantar e ser aplaudida naquela que é a mais antológica casa de espetáculos da capital francesa.

Maysa continuou empreendendo excursões no exterior por muito tempo e a esta altura já estava bastante distante do público brasileiro. Quando sentiu a necessidade de voltar para casa, ela realizou sua última e maior ousadia. Montou um grande espetáculo na cervejaria Canecão, um local popularíssimo que viria a se tornar, após esta temporada, a maior casa de espetáculos do Rio de Janeiro. Acompanhada por grande orquestra e bailarinos, ela desfilou beleza, talento, competência e ousadia, vestindo mini-saia.

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Os anos 70 pareciam tão promissores quanto confusos. Apesar de todo o prestígio e popularidade, ela já não era mais a maior cantora do Brasil. No panorama musical da época, consolidava-se de fato a MPB, termo que passou a designar um estilo musical mais sofisticado que outros mais populares produzidos na música brasileira, como o samba, a música caipira e a música popular romântica. A maioria dos cantores contemporâneos de Maysa, ídolos da música nos anos 40 e 50, mergulharam num período de profundo ostracismo. Não era o seu caso, mas ela passou a se auto exilar da música, da mídia e do público, dia após dia.

Vivendo a vida cada dia mais num estilo meio hippie, Maysa construiu uma casinha numa praia afastada do litoral do Rio de Janeiro e passou a morar lá na companhia de vários animais. Passou a pintar vários quadros e fazer esculturas de madeira, sempre sozinha. Seu último disco foi gravado em 1974, sua última turnê em 1975. Desde então, só reservava sua aparição a alguns poucos programas e especiais de televisão. Ela já não era mais a grande estrela que foi um dia. Vivia a vida cada vez mais solitária e isolada.

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No dia 22 de janeiro de 1977, a grande voz do amor desfeito partiu para nunca mais voltar. Ia do Rio de Janeiro para sua casa de praia, em Maricá, e no meio havia a ponte Rio-Niterói. Maysa bateu seu carro contra a mureta de proteção da ponte, capotou e só parou na pista contrária sentido Rio. Foi um acidente fatal, Maysa morreu a caminho do hospital.

A cantora de apenas 40 anos deixou um filho – Jayme, os pais que tanto amava e a uma ferida aberta no coração da música brasileira e dos fãs que tanto a amaram. Uma mulher cheia de conflitos e sofrimentos, contrastes, multifacetada, que levou a vida aos trancos e barrancos, mas mesmo assim conseguiu sobreviver e se tornar quem foi. Uma cantora esplêndida, como poucas vezes se vê na música. Maysa estava ao nível de uma Edith Piaf ou Amália Rodrigues. Sua versatilidade permitia que ela fosse do samba à bossa nova, com perfeição, passando pelo jazz e o bolero. Poucas vezes na história vê-se mulheres como Maysa, um forte.
Ela também escrevia poemas – belíssimos – entre os melhores, está este:

“Olha, amiga,
o passado só constrói passado
e o que antes era empáfia,
pela cor brutalmente vermelha acintosa,
de tanto caminho pela escuridão
se descolorou no tempo
que só ele sentiu passar.

 

 

 

Vive porque é preciso, e também é bom, e como!

Texto de

Daniel Taubkin é puro talento !

 

Amigos queridos! O Daniel Taubkin é puro talento e sucesso!

Quer conhecer Daniel Taubkin melhor? Clique!

Um anônimo mandou o vídeo Daniel Taubkin e Banda da Rua – Pescador pra os vídeos do Faustão e a Globo.Com postou.

VAMOS LÁ DÁ UMA OLHADA E VOTAR PRO DANIEL TAUBKIN

É só clicar no link abaixo e conferir!

http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM1122092-7822-DANIEL+TAUBKIN+E+BANDA+DA+RUA+PESCADOR,00.htm

FEMILINDA : LUISA MAITA…

               luisa maita

  Em minha vida a música de qualidade sempre terá espaço! Já tinha ouvido ela cantar com o Daniel Taubkin  [ Bem, tenho certeza que essa família possui cifras musicais no DNA…rs ], mas ontem ela se revelou ao mundo com a voz FEMILINDA no vídeo  da candidatura ao Rio de Janeiro as Olimpiadas 2016. Uma nova voz vem com certeza  e fará bastante sucesso  pelo Brasil e Planeta Terra . Estou falando da paulista Luisa Maita. Dona de uma voz doce e letras impecáveis, Luisa começa a fazer seu nome no topo das paradas de sucesso…

Elisabete Cunha

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 Brilho de estrela

Luísa cresceu rodeada de músicos. Desde a infância, quando morava em um sítio, ouvia todos os estilos musicais e conviveu com pessoas que muito contribuíram para sua vocação de cantar, como seu pai, Amado Maita. Aos 24 anos e com um brilho único, Luísa trilha carreira solo.

Com repertório que mistura clássicos da MPB, composições de autores menos conhecidos e canções de sua própria autoria, a cantora mostra, no show, músicas que fazem parte de sua história pessoal e que foram responsáveis por ela ter decidido cantar. 

A simpatia foi um dos ingredientes que a levaram por caminhos promissores. Luísa participou de diversos festivais estudantis, fez parte do Coralusp e do Coral Profissional Lírico da Congregação Israelita Paulista. Atualmente, estuda no Espaço Musical, escola de Ricardo Breim e é integrante dos grupos Urbanda e Trovadores Urbanos. “O show é resultado de todo esse envolvimento musical”, afirma.

Nos últimos anos, Luísa conheceu e interpretou a obra dos grandes sambistas e compositores brasileiros, apresentando-se como solista nos projetos “Samba da Benção”, no teatro Arthur de Azevedo, e “MPBAR”, no Teatro Folha, além de fazer participações especiais em discos de Jair Rodrigues, Daniel Taubkin, Fernando Falcão, Alexandre Birkett.

“Uma pessoa que me influenciou bastante foi o Daniel Taubkin, que é meu tio. Ele lançou alguns discos nos Estados Unidos e passei a cantar com ele. Foi uma escola, pois é um músico talentoso, tem um jeito muito bacana de arranjar as músicas e encontrar uma interpretação”, conta. Depois dessa experiência, Luísa formou o grupo Urbanda, mas a vontade de fazer um trabalho diferenciado foi forte.

 
Para ela, é preciso buscar a valorização da música brasileira que tem um certo refinamento. “Quando não é de interesse da grande indústria fonográfica, corre-se risco, mas isso não quer dizer que seja impossível”. E a moça não se intimida: “Há vários caminhos e eu estou procurando não ir pelos pré-estabelecidos. Quando se tem vocação há paixão, isso me move e tenho certeza de que esse rio vai desaguar em algum mar”.

Quem for conhecer melhor ,  poderá conferir Luísa interpretando sucessos como “Para Manoel Bandeira”, de Amado Maita; “Anos luz”, de Daniel Taubkin; e “Nega”, de Waldir da Fonseca. Além de algumas música não inéditas, como “Acender as Velas”, de Zé Ketti, e “Curumim”, do Djavan.

Fonte:http://www.guiadavila.com/

 

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Música Semente:Daniel Taubkin

 

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Fazer um comentário mais técnico sobre a musica de Daniel Taubkin, seria um grande atrevimento da minha parte. Para mim fica a posição de ouvinte que só usa a sensibilidade como ferramenta. Uma música singular , penetrantre, pura semente de emoção musical e Pérola virtuosa. Daniel Taubkin é sinônimo de ótima música sempre , a sua sensibilidade musical é rara e sua capacidade de partilhar conhecimento é admirável. O seu Sertão negro é de todas as cores!

  Elisabete Cunha

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Da complexidade jobiniana de Capricho, com melancolia digna de Londrina, de Arrigo Barnabé, ao espírito de big band latina de Mamãeeuquero, que abre o disco com pulso firme, o que se ouve em Sertão negro, quinto disco do cantor, compositor e instrumentista Daniel Taubkin, é uma música de riqueza e complexidade raras. Num tempo em que a falta de fôlego da maioria dos compositores casa bem com a idéia do fim do CD e, portanto, dos álbuns com conceitos bem-amarrados e repertório coerente, Daniel consegue produzir um disco com 15 faixas e mais de uma hora de duração em que a sensação de exuberância é permanente.

Com carreira fonográfica iniciada em 1998, com o disco Brazsil, o artista vinha de shows ao lado do exigente Dori Caymmi e já contou, ali, com as presenças ilustres de Egberto Gismonti, Heraldo do Monte e o próprio Dori. Fez sua carreira entre Brasil e Estados Unidos (o disco A picture of your life, de 2002, só foi lançado lá) e em Sertão negro trabalha africanidades filtradas por lógica própria. E conta com cerca de 100 artistas de diversas matizes e tendências, que contribuem para um todo rico e colorido. Convidados do naipe de um Edsel Gomez, um Benjamim Taubkin e um Teco Cardoso contribuem para excelência instrumental que aumenta em cumplicidade com as presenças da Orquestra Tom Jobim, regida pelo maestro e saxofonista Roberto Sion, com 43 integrantes.

Capaz de ir de uma versão com ares eruditos da tradicional Sometimes I feel like a motherless child a recriações praticamente carnavalescas de Tico-tico no fubá (Zequinha de Abreu), Tem mais samba (Chico Buarque) e O dengo que a nega tem (Caymmi), Daniel faz emocionada homenagem a Sarah Vaughan (To Sarah), exalta Jobim (Sambinha pro Tom) e flerta com a poesia de Fagundes Varela e Castro Alves sem parecer excessivamente reverente. Um disco para degustar em camadas, saboreando detalhes. Como um vinho que revela sua complexidade no contato com ar, devidamente decantado, ao longo de uma hora de sensações variadas

Kiko Ferreira – EM Cultura

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Abaixo algumas pérolas de trabalhos diversos.

 

 

 

http://www.myspace.com/danieltaubkin

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Dias de Luta!

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Só depois de muito tempo
Fui entender aquele homem
Eu queria ouvir muito
Mas ele me disse pouco…

Quando se sabe ouvir
Não precisam muitas palavras
Muito tempo eu levei
Prá entender que nada sei
Que nada sei!…

Só depois de muito tempo
Comecei a entender
Como será meu futuro
Como será o seu…

Se meu filho nem nasceu
Eu ainda sou o filho
Se hoje canto essa canção
O que cantarei depois?
Cantar depois!…

Se sou eu ainda jovem
Passando por cima de tudo
Se hoje canto essa canção
O que cantarei depois?…

Só depois de muito tempo
Comecei a refletir
Nos meus dias de paz
Nos meus dias de luta…

Se sou eu ainda jovem
Passando por cima de tudo
Se hoje canto essa canção
O que cantarei depois?…

Cantar depois!…

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Francisco Buarque de Holanda

“Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo…
Isto é carência!

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar…
Isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos…
Isto é equilíbrio!

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida…
Isto é um princípio da natureza!

Solidão não é um vazio de gente ao nosso lado…
Isto é circunstância!

Solidão é muito mais do que isto!
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma!”

Francisco Buarque de Holanda

 


ILUSIÓN…

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Ilusión (com Julieta Venegas)

Uma vez eu tive uma ilusão
E não soube o que fazer
Não soube o que fazer
Com ela
Não soube o que fazer
E ela se foi
Porque eu a deixei
Por que eu a deixei?
Não sei
Eu só sei que ela se foi

Mi corazón desde entonces
La llora diario
No portão
Por ella
No supe que hacer
Y se me fue
Porque la deje
¿Por que la deje?
No sé
Solo sé que se me fue

Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Vivê-la feliz

É a ilusão de que volte
O que me faça feliz
Faça viver
Por ella no supe que hacer
Y se me fue
Porque la deje
¿Por que la deje?
No sé
Solo sé que se me fue

Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Vivê-la feliz
Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque no me dejo
Tratar de hacerla feliz

Porque la deje
¿Por que la deje?
No sé
Solo sé que se me fue…

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