Arquivo de Tag | LIVROS

Se eu fosse um padre – Mário Quintana

tumblr_mhl065qc4Z1qa6tg8o1_500

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições…
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
…e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!

A Poesia de Florbela Espanca .

12779992008534_large

A poesia de Florbela caracteriza-se pela recorrência dos temas do sofrimento, da solidão, do desencanto, aliados a uma imensa ternura e a um desejo de felicidade e plenitude que só poderão ser alcançados no absoluto, no infinito. A veemência passional da sua linguagem, marcadamente pessoal, centrada nas suas próprias frustrações e anseios, é de um sensualismo muitas vezes erótico. Simultaneamente, a paisagem da charneca alentejana está presente em muitas das suas imagens e poemas, transbordando a convulsão interior da poetisa para a natureza.

Florbela Espanca não se ligou claramente a qualquer movimento literário. Está mais perto do neo-romantismo e de certos poetas de fim-de-século, portugueses e estrangeiros, que da revolução dos modernistas, a que foi alheia. Pelo carácter confessional, sentimental, da sua poesia, segue a linha de António Nobre, facto reconhecido pela poetisa. Por outro lado, a técnica do soneto, que a celebrizou, é, sobretudo, influência de Antero de Quental e, mais longinquamente, de Camões.”

“Poetisa de excessos, cultivou exacerbadamente a paixão, com voz marcadamente feminina (em que alguns críticos encontram dom-joanismo no feminino). A sua poesia, mesmo pecando por vezes por algum convencionalismo, tem suscitado interesse contínuo de leitores e investigadores. É tida como a grande figura feminina das primeiras décadas da literatura portuguesa do século XX.”

A morte anunciada ao longo da sua escrita ocorrerá pouco depois. Põe fim à vida em 8 de Dezembro de 1930, dia em que faz trinta e seis anos, em Matosinhos, onde vive. Aí é enterrada sendo mais tarde trasladada para a sua terra natal.

Florbela morre, não talvez a maior poetisa do seu tempo, mas uma das que mais agudamente e sem temor exprimiu as grandes contradições da sensibilidade feminina nas suas paixões. Ao mesmo tempo, com uma certa ingenuidade, impregnada das verdades simples ou complexas do que é a mulher, na convergência da cultura e do ser.

found on http://sprintskipstride.tumblr.com/

12976700041325_large

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior

Do que os homens! Morder como quem beija!

É ser mendigo e dar como quem seja

Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

 

É ter de mil desejos o esplendor

E não saber sequer que se deseja!

É ter cá dentro um astro que flameja,

É ter garras e asas de condor!

 

É ter fome, é ter sede de Infinito!

Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…

É condensar o mundo num só grito!

 

E é amar-te, assim, perdidamente…

É seres alma, e sangue, e vida em mim

E dizê-lo cantando a toda a gente!

 

Os versos que te fiz

 

Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que a minha boca tem pra te dizer!

São talhados em mármore de Paros

Cinzelados por mim pra te oferecer.

 

Têm dolência de veludos caros,

São como sedas pálidas a arder…

Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que foram feitos pra te endoidecer!

 

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda…

Que a boca da mulher é sempre linda

Se dentro guarda um verso que não diz!

 

Amo-te tanto! E nunca te beijei…

E nesse beijo, Amor, que eu te não dei

Guardo os versos mais lindos que te fiz!

 

Se tu viesses ver-me…

 

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,

A essa hora dos mágicos cansaços,

Quando a noite de manso se avizinha,

E me prendesses toda nos teus braços…

 

Quando me lembra: esse sabor que tinha

A tua boca… o eco dos teus passos…

O teu riso de fonte… os teus abraços…

Os teus beijos… a tua mão na minha…

 

Se tu viesses quando, linda e louca,

Traça as linhas dulcíssimas dum beijo

E é de seda vermelha e canta e ri

 

E é como um cravo ao sol a minha boca…

Quando os olhos se me cerram de desejo…

E os meus braços se estendem para ti…

 

 

Amor que morre

 

O nosso amor morreu… Quem o diria!

Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,

Ceguinha de te ver, sem ver a conta

Do tempo que passava, que fugia!

 

Bem estava a sentir que ele morria…

E outro clarão, ao longe, já desponta!

Um engano que morre… e logo aponta

A luz doutra miragem fugidia…

 

Eu bem sei, meu Amor, que pra viver

São precisos amores, pra morrer,

E são precisos sonhos para partir.

 

E bem sei, meu Amor, que era preciso

Fazer do amor que parte o claro riso

De outro amor impossível que há-de vir! 

 

Fonte :

· www.vidaslusofonas.pt

Muito Prazer, Adélia Prado…

Tumblr_llvw7jsofj1qayzebo1_500_large

“O transe poético é o experimento de uma realidade anterior a você. Ela te observa e te ama. Isto é sagrado. É de Deus. É seu próprio olhar pondo nas coisas uma claridade inefável. Tentar dizê-la é o labor do poeta.”
(Adélia Prado)

Adélia Luzia Prado de Freitas é natural de Divinópolis/MG, nascida em 13/12/1935.
Casada desde 1958  com José Assunção de Freitas, funcionário do Banco do Brasil S.A., tem 5 filhos: Eugênio, Rubem, Sarah, Jordano e Ana Beatriz.

Adélia diz que:
“Uma das mais remotas experiências poéticas que me ocorre é a de uma composição escolar no 3º ano primário, que eu terminava assim: “Olhai os lírios do campo. Nem Salomão, com toda sua glória, se vestiu como um deles…”.
A professora tinha lido este evangelho na hora do catecismo e fiquei atingida na minha alma pela sua beleza. Na primeira oportunidade aproveitei a sentença na composição que foi muito aplaudida, para minha felicidade suplementar. Repetia em casa composições, poesias, era escolhida para recitá-las nos auditórios, coisa que durou até me formar professora primária. Tinha bons ouvintes em casa. Aplaudiam a filha que tinha “muito jeito pra essas coisas”. Na adolescência fiz muitos sonetos à Augusto dos Anjos, dando um tom missionário, moralista, com plena aceitação do furor católico que me rodeava. A palavra era poderosa, podia fazer com ela o que eu quisesse.”

Professora, começou a escrever em 1950, após a morte de sua mãe, Ana Clotilde Corrêa. Em 1973 forma-se em filosofia, um ano após a morte de seu pai, o ferroviário João do Prado Filho.
Por essa época, entediada de seu próprio estilo, começa a escrever de forma torrencial, dando veios às influencias literárias recebidas das leituras de Drummond, Guimarães Rosa, Clarisse Lispector.

Na opinião de Carlos Drummond de Andrade, “Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: esta é a lei, não dos homens, mas de Deus. Adélia é fogo, fogo de Deus em Divinópolis”.

O que mais chama a atenção na literatura produzida por Adélia Prado é a religiosidade embutida e/ou subentendida em seus textos. Ela trata e retrata as coisas do cotidiano com perplexidade, entendimento e pureza.
Sua obra é atemporal, moderna, transformando em lúdico a realidade descrita, fazendo com que os fatos mais corriqueiros ganhem uma beleza poética de grande extraordinariedade.

Adélia costuma dizer que o cotidiano é a própria condição da literatura. Morando na pequena Divinópolis, cidade com aproximadamente 200.000 habitantes, estão em sua prosa e em sua poesia temas recorrentes da vida de província, a moça que arruma a cozinha, a missa, um certo cheiro do mato, vizinhos, a gente de lá.

“Alguns personagens de poemas são vazados de pessoas da minha cidade, mas espero estejam transvazados no poema, nimbados de realidade. É pretensioso? Mas a poesia não é a revelação do real? Eu só tenho o cotidiano e meu sentimento dele. Não sei de alguém que tenha mais. O cotidiano em Divinópolis é igual ao de Hong-Kong, só que vivido em português.”

Qual a contribuição de Adélia Prado para a literatura brasileira?

Para a época em que sua poesia foi divulgada : a revalorização da identidade feminina, como ser pensante e ser maternal. Aqui, o grande valor desta poeta. Ou seja, Adélia conseguiu conciliar a intelectual com a mãe, esposa e dona-de-casa; ela conseguiu o equilíbrio entre o feminismo ( movimento agressivo) com o feminino (natureza intrínseca).
Em seus poemas, estão muito bem colocadas as figuras masculinas ( pai, marido, filho), sem observamos sinais de conflito, fato este que não se observa nas poetas mais atuais.

 
A característica de sua poética?

Lírica, suave, simples, leve. E com um estilo próprio, diferente de Cecília Meireles (considerada, ainda, o grande expoente feminino da poesia brasileira).

Fonte:http://www.amulhernaliteratura.ufsc.br/

 

Tumblr_lq7witg6f51r1cnjdo1_500_large 

 

 

Paixão pelas Letras !

6150765133_f42d163fd6_z_large

Quem me acompanha aqui no blog ,sabe dá minha paixão pela literatura, sou uma convicta apaixonada pelas letras…as sílabas me seduzem realmente.Quando tinha uns 18 anos entrei numa oficina literária. De contos, pelo que me lembro, mas nem cheguei a escrever ou mostrar nada. Na primeira aula o professor saiu arrotando um autoritarismo e não voltei mais. Com aquela idade eu não deveria estar ali, ele praticamente falou. Com aquela idade eu não sabia nada de literatura e não estava à altura da aula dele, seu olhar dizia. Pediu para cada aluno se apresentar e todos se disseram escritores. Eu me espantei e retraí: disse que queria aprender. Perguntou para mim o que eu gostava de ler e falei Kafka, estava lendo muito Kafka naquela época, e continuei com um outro autor, brasileiro. Mas para o professor eu deveria ter ficado calada. No que eu disse o nome desse escritor brasileiro que eu estava lendo – livro na mochila, inclusive, que não mostrei – o professor fez um muxoxo e disse que aquele não era um escritor de verdade. Por um tempo eu não entendi a raiva contida naquele muxoxo, o azedume do comentário, o esgar que, em peso dramático, foi quase um cuspe no chão ao ouvir o nome. Agora entendo: inveja; picuinhas; grupos literários. Aquele professor já passando dos 50 com uma raiva infantil de molecote mimado que não ganhou um parabéns da tia na redação. Lembro sempre dessa história , quando Inácio de Loyola Brandão venceu o Jabuti de melhor livro de ficção do ano. Era ele o escritor maldito. E o livro na mochila era justamente Dentes ao sol, que hoje,Loyola diz que é seu livro predileto, pelo qual gostaria de ser lembrado,ao ler que Loyola tinha vencido o Jabuti daquele ano lembrei daquele professor, daquela oficina, e sorri.

“…Agora, escureceu totalmente, não acendo a luz, cochilo um pouco, acordo assustada. E se meu marido chega e me vê com a carta? Dobro, recoloco no envelope. Vou à despensa, jogo a carta na cesta de natal, quero tomar um banho. Hoje é sexta-feira, meu marido chega mais tarde, passa pelo clube para jogar squash. A casa fica tranqüila, peço à empregada que faça omelete, salada, o tempo inteiro é meu. Adoro as segundas, quartas e sextas, ninguém em casa, nunca sei onde estão as crianças, nem me interessa. Porque assim me deito na cama (adolescente, escrevia o meu diário deitada) e posso escrever outra carta. Colocando amanhã, ela me será entregue segunda. O carteiro das cinco traz. Começo a ficar ansiosa de manhã, esperando o momento dele chegar e imaginando o que vai ser de minha vida se parar de receber estas cartas…”

Trecho do Conto “Obscenidades para uma dona-de-casa”, leia todo!


Acordando-com-livro_large

É O MEU FILHÃO…!

  Tumblr_lo5w50wvhi1qjpzbco1_500_large_large

Realmente, é muito gratificante quando vemos que estamos fazendo um bom trabalho ao educar [ claro, mérito meu e de *Nelson , grande pai,ótimo pai...] .Crio meu filho com toda liberdade de pensamento, para que seja um agente consciente do seu valor e da sua importância na construção de um Brasil /Mundo melhor para todos, sem distinção. Sou uma mãe muito feliz , pois  sinto que meu filho que agora possui 14 anos, torna-se um homem do BEM , cheio de convicções e ciente dos seus direitos e deveres como cidadão. Hoje ele mostrou-me esse texto abaixo, que elaborou para a matéria de Português (Claro,com fontes de pesquisa o auxiliando). Confesso que fiquei muito orgulhosa e pedi  permissão para publicá-lo no Blog para dividi-lo com vocês . Ele gentilmente respondeu com uma pergunta :

- Hummm…, está bom mesmo mãe?

- Está maravilhoso filhão! :)

Leiam:
A leitura se torna presente em nossa vida desde o momento em que começamos a compreender o mundo o nosso redor. No constante desejo de entender melhor as coisas que nos cercam, de perceber o mundo de diversos ângulos, no contato com o livro, estamos de uma certa forma lendo, todavia, muitas vezes não nos damos conta.Vivemos num constante ciclo de inovações tecnológicas que se sucedem, mas, nenhuma consegue nos fazer viajar sentado de tal forma, que faz o livro. Isso nos faz lembrar uma frase dita por Bill Gates, o dono da Microsoft,( a maior empresa no ramo de softwares). “É claro que meus filhos terão computador, mas não deixarão de ter livros”.

A leitura não se resume em decodificar as letras, mas sim, compreender o que elas em conjunto, querem nos comunicar. Segundo Angela Kleiman, a leitura precisa permitir que o leitor apreenda o sentido do texto, não podendo transforma-se em mera decifração de signos lingüísticos sem a compreensão semântica dos mesmos.

Precisamos estar atentos a esta questão, pois a ausência das letras, bloqueia as nossas possibilidades, e de certa forma, nos acaba excluindo dos acontecimentos, da imaginação e da criatividade.  A literatura de modo geral amplia e diversifica nossas visões e interpretações sobre o mundo.

Segundo Roberto Cerqueira Dauto, vivemos num mundo contemporâneo onde as palavras rascunhadas no papel não têm muito valor. A literatura hoje é recurso dos mais ricos, sendo que os mais pobres, até possuem este recurso, porém, não é explorado de forma adequada.  Durante a adolescência se acaba excluindo o hábito de ler do seu convívio diário, por causa da falta de gosto pelos livros. Nas escolas, até que se tenta alguma coisa, porém, não é eficaz. Um dos fatores , é o exemplo que se tem em casa, nem todos os pais, tem o costume de ler.

O Instituto Ibope coordenou a coleta dos dados e entrevistou mais de 500 mil pessoas em 313 municípios brasileiros, e conclui tristemente que o brasileiro lê em média 4,7 livros por ano. A estimativa aumenta de acordo com a escolaridade. Entre os que possuem formação superior é de 8,3 livros por ano, enquanto para quem cursou até a 4ª série a média é de 3,7.

Fazendo isso, com certeza a triste realidade que foi confirmada pela pesquisa do Instituto Ibope, será mudada para melhor.

Rodrigo Cunha

09/09/08

Fontes: Ibope, Revista da Educação, Planeta Educação.

Tumblr_lfkv8z6cmr1qej3j3o1_500_large_large