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O apanhador de desperdícios

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Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

MANOEL DE BARROS

A dor da Rejeição

 

Se uma pessoa o rejeita, não significa que você é ruim ou que tem menos valor que outros. Significa apenas que a outra pessoa não está sintonizada com o seu desejo, naquele momento.

Não há motivo para vergonha, depressão, ou sentimento de menos valia. Ao contrário, se alguém é rejeitado significa que possui a capacidade de se envolver afetivamente.

Isso deve ser um alento quando suas esperanças esbarram no “não” do outro. Mais triste do que a dor de uma rejeição é o sofrimento de quem congela o desejo por medo de se decepcionar.

A rejeição faz parte das experiências que se tem na vida.

É saudável sentir-se decepcionado ao ser excluído ou barrado no afeto de alguém que você desejaria ter ao lado. Esse sentimento doloroso faz parte do processo de processamento interno do que aconteceu.

No primeiro momento, a tendência pode ser de carregar as tintas e ver tudo escuro.

Ninguém gosta de ser rejeitado. Porém, a pessoa com autoestima satisfatória não fica estacionada aí e logo se move adiante.

O mundo não se reduz a alguém, ou a um grupo de pessoas. Sua vida será tanto mais ampla quanto for seu olhar sobre o horizonte.

Se o indivíduo não se deixar aprisionar pela rejeição, encontrará oportunidades para viver novas experiências que lhe trarão momentos mais felizes do que poderia imaginar.

O universo costuma apresentar seus presentes mais valiosos para aqueles que seguem em frente e não se detém diante de aparentes fracassos.

A chave é deixar o medo de lado e acreditar no seu valor e na sua capacidade de atrair para sua vida o que o (a) fará feliz.

Assim, como a terra e as flores se renovam em beleza e perfumes depois da tempestade, sua vida se encherá de amor e alegrias se aprender a superar uma rejeição, por mais difícil que possa parecer.

 

Relacionamento – Dez dicas para superar a rejeição


@ Não tome a rejeição como se houvesse algo errado com você. As pessoas fazem escolhas por razões que são delas. Você não precisa ser aceito (a) nem aprovado por todos.

@ A rejeição não significa que você não merece ser amado (a). Não é realista esperar que todos seus desejos e expectativas se realizem. Se alguém não quer você em sua vida, agradeça.

@ A pior coisa é ficar em banho-maria, nem lá, nem cá, vivendo na dúvida. Uma vez que alguém é rejeitado em alguma situação, ganha de presente a liberdade para seguir em frente!

@ Em vez de olhar para a porta que se fechou, mire o horizonte e as infinitas possibilidades que se abrem para você. 

@ Quando uma pessoa se sente devastado por uma experiência de rejeição,não é pelo outro que sofre. A depressão e o pensamento obsessivo em torno do fato é decorrente de problemas emocionais da própria pessoa. Nesse caso, o melhor é tomar uma providência e buscar ajuda psicoterapêutica.

@  Aproveite o momento para iniciar um projeto de vida que você vem adiando. Ao voltar sua atenção e energia em um projeto que trará satisfação pessoal, você conseguirá superar o sentimento de rejeição mais facilmente.

@ Aproveite todas as oportunidades para crescer com as experiências vividas. Pergunte-se o que pode aprender sobre você mesmo (a) com a situação.

@ Use o momento para dar um up grade total. Interno e externo. Cuidar de si mesmo (a) faz bem à autoestima e aumenta a autoconfiança. Comece a meditar, mude o cabelo, renove algumas peças do guarda-roupa, leia sobre autoconhecimento, entre para uma academia, inicie a dieta que vem adiando há tempos, comece uma terapia, faça shiatsu,  mude o estilo de se vestir, entre para uma aula de dança de salão, etc…

@ Entre em contato com antigos colegas e amigos de infância que você não vê há tempos. Aproveite para renovar os laços de amizade e se divertir.

@ Resista aos impulsos de ficar contando para todo mundo o que aconteceu. A necessidade de ouvir opiniões e desabafar a torto e a direito mostra um transbordamento interno. Ninguém poderá curar a sua dor, a não ser você mesmo(a).

Acredite na sua capacidade de se renovar e de superar eventos que causam sofrimento. Aprenda e cresça com suas experiências. Esse é o caminho para a maturidade emocional, condição indispensável para uma vida feliz.

Texto de Jael Coaracy

 

O homem fofo é o canalha de fato – Xico Sá

 

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Ovídio, meu eficiente pombo correio do amor, não cansa de trazer mensagens e mais mensagens de corações trincados ou simplesmente descrentes nos homens. Ovídio arrulha, como se dissesse: meu amo, meu paciente conselheiro sentimental, te viras que a bronca é pesada. Novos ares, partiu, e lá se vai a avoante figura sobrevoando as encostas do morro do Cantagalo em busca de novas cartinhas.

O principal assunto das cartas que tenho recebido é o seguinte: o cara vem cheio de chabadabadás para cima das moças -principalmente nas redes sociais-, a conversa pega fogo, rola o encontro, o rapaz é fofo e carinhoso, o sexo para começo de história está ótimo, o menino joga na linguagem de um possível caso ou namoro, segue a vida, mais uma saída, um sexozinho gostoso de novo…

Alguns dão até presentinhos…

Fofo!!!

Aí do nada o desgraçado desaparece. Quebra geral a narrativa. Nem um sinal de tambor na floresta, necas de uma mensagenzinha, mesmo que sem graça, em uma garrafa atirada nos mares da internet.

A moça tenta um contato de terceiro grau. Nada. A moça, amigo, vos digo, não é uma desesperada que viu no encontro uma cena de matrimônio. Ao contrário. Estava na dela, tipo ele fala em casamento… ela toma uma coca zero. Nem aí mesmo.

Só fica puta da vida porque o miserável das costas ocas, o malassombro, não é claro no seu sumiço. Havia até falado em ver “O grande hotel Budapeste”, o filme, com a nega. Sem se falar em outras fofuras futuras etc.

Aí chegamos ao ponto, colega. Os fofos são os piores nesse aspecto. Só os fofos pulverizam o ambiente com o bom-ar das falsas promessas. Os fofos sentem a extrema necessidade de continuarem fofos. Amam ser elogiados pela utópica fofolândia que carregam no mapa imaginário de bolso.

Não vivem sem isso. São escravos da fofura ou da falsa e viciante fofura.

O cafajeste até deixa um certo suspense, afinal de contas sabe que o encontro de um homem e uma mulher é e sempre será dirigido pelo cineasta Hitchcock, mas o cafa não engana com os signos da fofice de um possível namoro. Todo cafa é apenas um budista -sem templo- que vive o momento amoroso.

O perigo, nesse sentido, amiga, vem do fofo. O que apenas prova que o contrário da cafajestice não é a fofura. O bom homem é, digamos assim, o homem normal, o homem da agricultura, da pecuária, o vaqueiro, o suburbano sem os arrotos do canalha-bouquet dos vinhos finos –mas aí já seria outra crônica.

O fofo pode ser sim um perigo. Sendo indie ou não.

O fofo sofre de um certo don-juanismo, a doença da conquista pelos bons modos e a boa impressão que causa. Aquele que faz a moça ligar para a amiga no dia seguinte e dizer, na euforia, “bicha, num acredito, o que é esse homem, tão sensível, curte literatura, ama o Morrissey…”

O fofo tem sangue frio na sua arquitetura da decepção. O fofo constrói todo um repertório de coincidência de meus livros, meus discos, minhas bandas etc.

Sumir todo mundo some, homem, mulher etc, mas na equação entre promessa e fuga ninguém supera a covardia –sentimental ou sexual- de um um homem dito fofo.

Não me venha com joguinhos!

 

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Joguinhos de sedução! arghhh!

Em um papo de mulheres maduras(ou quase) ,todas na faixa dos quarenta fui obrigada a escutar uma aula sobre sedução, estratégias, e os joguinhos ridículos todos de esquenta e esfria a que muitas relações se estabelecem. Peguei minha sinceridade no colo pra que não pulasse em cima daqueles conceitos antigos todos afim de escalpelar tamanho machismo impregnado nas medeixas bem hidratadas e cheirosas da Revlon e de unhas impecáveis daquelas meninas grandes e bobocas.

Sabe o que acho de joguinhos de sedução? UMA MERDA, UM SACO, UMA IDIOTICE. Quando um homem nos quer nega não existe necessidade de fazer joguinho e tudo rola naturalmente e vai ser ótimo enquanto durar a história. Agora,se não te quer…não force a barra, não faça gênero, apenas aperte o botão libertário do FODA-SE baby!

Estes frágeis joguinhos : de gato e rato, de não ligo pra ele ligar, de dou um gelo que ele valoriza .doem nas profundezas do meu bendito útero.Por favor me poupem de encontro de Luluzinhas deste tipo, não tenho mais paciência para isso ( tou uma tia chata mesmo…)..

É TÃO MASCULINA MINHA MANEIRA DE ENXERGAR este tipo de coisa que me dá uma profunda vontade de sair correndo anunciando como o moço da pamonha: MENINAS, meninas , meninas! :,É bastante simples, ou o homem te quer ou não te quer minha filha!. Aceite o simples fato de você não ser a garota que ele deseja ao lado dele. Se valorize, isso deveria vir escrito em uma cartilha rosa bebê para meninas se tornarem moças bem resolvidas quando saíssem da maternidade junto com o teste do pezinho.

Ela aprendeu! – Elisabete Cunha

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Moço,por favor, não estraga…

Ela não espera que você seja o-grande-amor-da–vida-dela ,ela parou de acreditar isso na  sexta- série. Um tempo para um respiro solitário só faz bem para ela . Algumas horinhas para se sentir completa na sua própria companhia.

Renova a saudade, faz valorizar o quanto é importante a companhia dela mesma e faz com que ela e outras pessoas se sintam livres e melhores, além de dar um gás para quando voltarem loucos de vontade da companhia, do sorriso, do papo furado delicioso y otras cositas más….

Fazem com que eles, sintam uma lacuna que precisa ser preenchida. E somente é preenchida de fato com quem sabe a senha exata para trazer a leveza e paz para ela. Sem grude excessivo, mas com vida própria o bastante para compartilhar a cada segundo quando estão unidos num mesmo momento – sem a necessidade de ter, mas de poder sentir, mesmo que longe, que um sentimento existente e que não vai acabar tão assim prematuramente por não precisar se avançar cedo demais com algumas etapas necessárias. Pressa para o que é durável : ainda bem que a maturidade deu isso a ela. Ela aprendeu na marra. Mas, aprendeu.Parabéns colega!

Sra TPM – Elisabete Cunha

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>
Sra TPM Bom dia !
.

Gostaria de lhe comunicar que não tenho nada contra a senhora, longe disso …sua presença me faz ter certeza que meus hormônios femininos estão todos em plena função reprodutiva e cheios de vida e podem me dar ainda a frescura da minha pele suave e a umidade característica necessária para uma vida sexual ativa e prazerosa. Bem, não leve a mal a minha sinceridade , tenho que lhe relatar que sua proximidade me traz coisas negativas também.

Não seria verdadeira se não lhe comunicasse que choro sempre, desde uma inexistência de motivos que me façam sentir um vazio ilusório, até com propaganda de dia das mães…ou de margarina.. É sentar, e pensar, pra então sentir e se ver emocionada ou porque o momento é lindo e meus olhos enchem d’água, ou as ligações mentais me fazem ver o lado nem tão bonito assim, e dão o start num pranto que soluça, para, volta e sofrega de novo.

Travesseiro úmido, roupa também, rosto inchado e uma dor de cabeça do cão que só passa se remediada. Ou seja: choro muito, penso pouco, sinto como se tudo transbordasse. É assim, sem farsas nem travas – eu permito mesmo parecer frágil . Sei que meus companheiros de vida sofrem com minha impulsividade já característica por ser ariana, pior quando vem acompanhada por impaciência e palavrões pesadíssimos que fariam Dercy Gonçalves remexer-se no túmulo perguntando que baiana boca suja é esta?.


Enfim,gostaria que falasse com a Dona.Serotonina quepelamor não me deixe só nestes momentos críticos que nem milhões de “Dr. Drauzio Varela” me explicando e me acalmando conseguem domar a fera que existe dentro de mim nestes dias sombrios..

 

Sem Mais a declarar sua Criada & Malcriada

Elisabete Cunha

Inté paromês

 

O macho e a falta de jeito para acabar a relação Por Xico Sá

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Seja um casamento seja um rolinho primavera. Homem não tem a manha.

Por que o homem não sabe acabar direito uma história? Fora Esopo, que ainda nos deixa uma moralzinha de presente, nenhum macho sabe concluir uma narrativa -digo nenhum mais deve ter uns dois ou três lá na minha terra. Só no Crato!

A modinha agora é terminar por mensagem de texto. Indolor. Modinha de macho, óbvio. O medo do goleiro diante do choro. Mal sabem que as lágrimas das raparigas são coquetéis sem alcool, como diz o amigo ultramarinho Miguel Esteves Cardoso no seu livro “O Amor é Fodido” (ed. Assírio & Alvim).

A modinha é até acabar pelo Instagram, como me alerta aqui esse colosso de moça chamado Nick Lanis. Repare na falta de vergonha desse menino, leia isso.

Juntei aqui umas 30 mensagens de leitoras sugerindo o tema. No que me manifesto, com fragmentos de textos que já escrevi sobre o assunto e algum frescor de reciclagem. Urge.

Sim, homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final.

Sim,  o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar…”

Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o escandaloso ponto poroso da caneta-tinteiro do amor. E pronto. Às vezes com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente, jornal da morte, SANGUE, SANGUE, SANGUE, como cantava o Roberto Silva na música regravada lindamente pela Nação Zumbi.

Sem reticênciasm, faz favor, seu cronista.

Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, as mulheres sabem que não faz sentido a prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita.

O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim!!!

O macho pode até sair para comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no continental sem filtro da covardia e do desamor.

Mulher se acaba, mas diz na lata, sem metáforas.

Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro.

O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.

Nem aqui nem Suécia.

Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever na neve o “the end” sem pelo menos uma discussão que amplie o aquecimento do planeta.

Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais sentava praça.

O mais frio, o mais cool dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim, amém.

O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.

O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira costela ou com o primeiro mancebo que aparece pela frente.

Faça como o cara aí do filme “Alta Fidelidade” (foto), sofra dignamente, mas também não precisa exagerar. Isso passa.

 

fonte- Folha

O homem apaixonado

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Excelente texto da Lilian Maial, sobre o homem apaixonado.

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Se você conheceu um homem apaixonado, verdadeiramente apaixonado, você conheceu o que há de melhor nesse mundo.
É fácil e comum, nos dias de hoje, encontrar uma mulher apaixonada. As mulheres parecem ter sido feitas para a paixão (ao menos é o que nos dizem desde que nascemos). Mas homens, esses foram feitos para as batalhas sangrentas do dia a dia, para as dificuldades financeiras, para a luta pela sobrevivência, para o silêncio de sentimentos (assim pensa a nossa sociedade).
Os homens foram tão massacrados de responsabilidades e estigmas de carregar o mundo nas costas, que nem se deram conta de sua própria necessidade de amor e paixão. Fingem tão bem não ligar, reduzem o amor a conquistas, a disputas, a objetivos práticos a serem alcançados que, assim que atingem tal objetivo, o objeto passa a não exercer o mesmo fascínio.
Tudo bem, é por aí. Mas e quando Cupido decide flechar de verdade o coração masculino? Como reage esse coração, tão pouco acostumado a sofrer por amor, a manter alguém 24 horas por dia em seu pensamento?
Gente, é lindo! É tão lindo quanto ver uma criança dando seus primeiros passos, ou vendo um passarinho dar seu primeiro vôo, ou como namorados dando seu primeiro beijo.
Ele (o homem) é pego de surpresa e reage de forma surpreendente. Torna-se vulnerável, emotivo, passa a prestar atenção em letras de músicas, em flores, em poemas, em vitrines, em praças, em crianças. Ele passa subitamente a gostar de lojas, de receitas, de moda e perfumaria. Fica entendido em cremes e cheiros, em livros, em drinks. Passa a ser expert em assuntos exóticos. Acorda e dorme cantarolando. Isso tudo porque a amada tem seu mundo e é seu mundo.
O espelho passa a exercer atração. Geralmente muda o corte do cabelo, a barba e o bigode (tira, se tem, deixa crescer, se não tem). Fica vaidoso, sensível e bobinho. Adorável bobinho. Mas… esconde!
Ah, parece ser pecado se apaixonar!
Deve ser uma terrível gafe demonstrar sentimentos.
Aparentemente é condenável ser simplesmente humano.
Sabe aquela coisa do “lado feminino”? Balela. Não existe essa dicotomia. Todos temos de tudo dentro de nós. O poder, a beleza, o bem, o mal, o masculino e o feminino, o yin e o yang.
Mas esse homem apaixonado passa a ser exigente, a ter carências e vicissitudes. E se você souber manter essa chama acesa, souber lidar com esse homem enfeitiçado, será uma mulher abençoada, porque ele é capaz de tudo para ver você feliz.
Ah, esse homem não medirá esforços. Não haverá obstáculos capazes de detê-lo na empreitada da sua felicidade. Ele acordará com a força de um Hércules, a disposição de um atleta, a perseverança de um monge, e a fragilidade de uma criança.
Acolha-o. Sinta-o. Mime-o. Ame-o.
Deixe-o sentir seu amor fluir.
Alimente-o de afagos, de agrados, de elogios.
Mostre a ele a correspondência de sentimentos, mas não o prenda.
Deixe-o livre para escolher você, escolher estar com você, preferir você a qualquer coisa. Mas por vontade dele.
Creio que o erro de muitas mulheres é querer prender seu homem, controlar seus passos, cercá-lo não de afeto, mas de desconfiança.
O homem apaixonado é seu. Está apaixonado, encantado, tem um mundo novo e muitas das vezes não sabe lidar com ele.
Também fica inseguro, ciumento, quer agradar, quer inundá-la de carinhos, mas quer manter sua habitual liberdade.
E em nome desse novo amor, desse sentimento que o fragiliza tanto, talvez sufoque essa liberdade que sempre teve e que sempre foi-lhe ensinado assim. Mas isso, com o tempo, certamente o deixará limitado e cansado, levando a um desgaste no relacionamento.
Então, o que fazer?
Não há fórmulas. Não há receitas de bolo.
Há sim uma necessidade de entendimento, de espaço, de respeito mútuo.
Há que se lidar com a liberdade assim como se lida com a delicadeza da paixão.
Há que se estabelecer limites. O outro é o outro, você é você.
Não se pode amar ao outro se não se ama a si próprio.
O outro não é seu espelho e nem seu ideal e objetivo.
Nada de se anular em função do amor.
Essa é a diferença entre a mulher apaixonada e o homem apaixonado.
Ele não ama menos, não sente menos, não sofre menos por amor.
Apenas ele sempre teve sua individualidade. A sociedade o permitiu desde o início dos tempos, enquanto nós, mulheres, aos poucos vamos ganhando terreno na igualdade de direitos, inclusive o direito de se amar, o direito a seu espaço individual na relação a dois.
Sendo assim, ao dar de cara com um homem apaixonado, ao se apaixonar por ele, não abra mão de seu espaço, de sua individualidade, porque só assim poderá entender a postura dele e aproveitarão tudo o que a paixão e o amor correspondidos podem fornecer de forma sadia a ambos.
Curta seu homem, estrague-o de tanto amá-lo, e seja feliz!…

Valorize-se já!

Quanta confusão! Quanto desgaste quando na verdade todas as respostas estavam bem aí dentro de você. Mas você, nesse momento não consegue enxergar isso! Sua queixa principal é a falta de valorização. Mas não é só “dele”! É o seu chefe, seus amigos, parentes, enfim, um coro quando o assunto é valorização.

Você quer a todo custo principalmente que ele a valorize e a veja como a mulher dos sonhos. Mas e você? Quando você olha pra você o que vê? Você consegue visualizar a mulher dos sonhos?Ora, se nem você se vê dessa forma, como acredita que ele a verá?

Você trabalha arduamente e anseia por essa valorização. Lê todos os textos do site e praticamente decora minhas palavras. Você tenta seguir meus conselhos a risca, fazendo isso ou aquilo com ele. Ótimo! Só que você faz por fora! É só esse pequeno detalhe!

Você faz tudo por fora, mas lá dentro…lá dentro mesmo você está morrendo de medo! Você está extremamente insegura, firme igual a uma gelatina!

E agora eu pergunto: Qual é a energia que prevalece? Aquela que você aparenta ou que está lá dentro?

Acertou quem disse a energia de dentro. Meninas, é só o que importa!

Você pode até fazer cara de paisagem pra ele, porém quando ele olha pra você, ele ainda sabe o que você está sentido ou pensando. E por quê? Porque ele é médium? Não minha linda, porque ele é um ser que também está nesse planeta com os mesmos sensos, ou seja, com as mesmas ferramentas do que você. Ele sente a sua energia! Assim como você também sente a energia dele. E então se ele der importância a essa energia que está emanando de você, ele saberá que é tudo da porta pra fora!

Logo, a valorização começa em primeiro lugar dentro da gente. Você precisa urgentemente encontrar uma forma de buscar esse valor dentro de você. Quando você conseguir isso, a primeira coisa que acontecerá, é que esse medo que está aí dentro, desaparecerá. Quando você toma seu valor por inteiro, tudo o que você faz é certo! Por mais errado que esteja!

Quando esse seu valor aflora, você fica ao seu lado e então pára de pedir opinião dos outros, pois você será sua melhor amiga e só você sabe o que é melhor! Os outros não têm mais poder sobre você.

E então quando você desperta para esse seu valor, nada mais precisará ser feito. Suas palavras, suas ações e seus pensamentos serão baseados exclusivamente no seu melhor. E ele? Bom, ele começará a valorizá-la automaticamente. Você não precisará se debater mais pra isso.

Essa é uma das leis do Universo. E acredito que seja a principal lei. Tudo começa aqui dentro! Se você não tem valor aí dentro, não adianta trabalhar por fora, pois será em vão. Primeiro aí dentro, o resto é consequência! Eu sei que isso tudo que falo aqui, é totalmente novo para 90% das pessoas que estão lendo. Ok! Mas eu sou a testemunha! Eu também um dia já tive medo, já chorei, me desesperei e fui machucada. Só que depois que descobri como as coisas funcionam, nunca mais passei por isso, pois tudo conspira ao meu favor. E não tem ninguém que mude isso dentro de mim! Ninguém!

Os outros não tem que valorizar você! É seu trabalho fazer isso!

TAG – Transtorno da ansiedade generalizada – Dráuzio Varela

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A ansiedade é uma reação normal diante de situações que podem provocar medo, dúvida ou expectativa. É considerada normal a ansiedade que se manifesta nas horas que antecedem uma entrevista de emprego, a publicação dos aprovados num concurso, o nascimento de um filho, uma viagem a um país exótico, uma cirurgia delicada, ou um revés econômico. Nesses casos, a ansiedade funciona como um sinal que prepara a pessoa para enfrentar o desafio e, mesmo que ele não seja superado,  favorece sua adaptação às novas condições de vida.

O transtorno da ansiedade generalizada (TAG), segundo o manual de classificação de doenças mentais (DSM.IV), é um distúrbio caracterizado pela “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva”, persistente e de difícil controle, que perdura por seis meses no mínimo e vem acompanhado por três ou mais dos seguintes sintomas: inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono.

É importante registrar também que, nesses casos, o nível de ansiedade é desproporcional aos acontecimentos geradores do transtorno, causa muito sofrimento e interfere na qualidade de vida e no desempenho familiar, social e profissional dos pacientes.

O transtorno da ansiedade generalizada pode afetar pessoas de todas as idades, desde o nascimento até a velhice. Em geral, as mulheres são um pouco mais vulneráveis do que os homens.

Sintomas

Os sintomas podem variar de uma pessoa para outra. Além dos já citados (inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular) existem outras queixas que podem estar associadas ao transtorno da ansiedade generalizada: palpitações, falta de ar, taquicardia, aumento da pressão arterial, sudorese excessiva, dor de cabeça, alteração nos hábitos intestinais, náuseas, aperto no peito, dores musculares.

Diagnóstico

O diagnóstico do TAG leva em conta a história de vida do paciente, a avaliação clínica criteriosa e, quando necessário, a realização de alguns exames complementares.

Como os sintomas podem ser comuns a várias condições clinicas diferentes que exigem tratamento específico, é fundamental estabelecer o diagnóstico diferencial com TOC, síndrome do pânico ou fobia social, por exemplo.

Tratamento

O tratamento do TAG inclui o uso de medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos, sob orientação médica, e a terapia comportamental cognitiva. O tratamento farmacológico geralmente precisa ser mantido por seis a doze meses depois do desaparecimento dos sintomas e deve ser descontinuado em doses decrescentes.

Recomendações

* Se você é visto como alguém de estopim curto, que anda sempre com os nervos à flor da pele e tem muita dificuldade para relaxar, provavelmente chegou a hora de procurar um médico para avaliar esse estado permanente de tensão e ansiedade;

* Se você cobra muito de si mesmo, está sempre envolvido em inúmeras tarefas e pressionado pelos compromissos, tente pôr ordem não só na sua agenda, mas também na sua rotina de vida, sem esquecer de reservar um tempo para o lazer. Se não conseguir sozinho, não se envergonhe, peça ajuda.

Não foi só pra te comer – Junior Costa


Depois de muito ouvir de mulheres a frase: “É impossível entender os homens”, resolvi montar esse blog para mostrar exatamente como nós pensamos.

Vou tentar mostrar que se vocês meninas retirarem todas as sutilezas de pensamento, todas as interpretações múltiplas sobre frases, toda a complexidade implícita sobre nossas atitudes verão que nós somos simples, planos, rasos e previsíveis.

Resumindo, vou tentar explicar o óbvio que vocês não enxergam e nenhum cara tem o menor saco de explicar.

Ass. Junior Costa

Celulite, parte 1

Este post foi pedido por três amigas ontem a noite. O que nós achamos de celulites, gordinhas, etc, etc.

Logo de cara eu poderia estrapolar o assunto em o que nós achamos da neurose que vocês tem em relação ao corpo, com toda aquela parafernália de cremes, shampoos (tive que ir conferir como escreve num frasco, pra vocês terem uma idéia), etc, etc, etc.

Pois bem, esse assunto é tão longo, mas tão longo que daria no mínimo uns 5 posts pra explicar que no fundo, no fundo, a gente caga e anda pra isso. Portanto vou começar a defecar nesse primeiro post.

Gostamos de mulher bonita? COM CERTEZA! Gostamos de mulher gostosa? ABSOLUTAMENTE SIM! Isso é totalmente fundamental? Depende…

Aqui cabe começar a mostrar a verdade no post anterior: Teremos que analisar os diversos tipos de homem que não são todos iguais. Vou tentar abordar todos os grupos, mas com certeza esquecerei de diversos, então guardem as tochas. Também darei um nome para cada grupo e esse nome é única e exclusivamente a minha opinião.

Os moleques

Estes são os mais novos, que ainda não acharam seu lugar, inexperientes, que ainda medem o “tamanho do pau” pela mulher que desfilam do lado pra mostrar pros amigos. Esses se importam sim, e muito, com os esteriótipos de beleza de vocês afinal é por esses esteriótipos que eles vendem a própria imagem. Via de regra nem sabem direito o que fazer com uma mulher na cama mas isso também não importa, visto que ainda estão se auto-afirmando, então o que vale é o mostram. Derivam em duas sub-espécies, os garanhõezinhos e os punheteiros, sendo que os primeiros conseguem desfilar e os segundos apenas querem desfilar.

Os semi-viados

São tudo os que os moleques são, com a diferença que fazem lipoaspiração, trocam marcas de shampoos e cremes com vocês, reparam no sapato que vocês usam e criticam as roupas que vocês usam. Normalmente trepam com eles mesmos apesar de vocês estarem presentes também.

Os Desencanados

Esses são os homens comuns que não reparam em porra nenhuma. Preferem as bonitas e gostosas mas desde que sejam bonitas e gostosas para o próprio gosto. Se você é legal, gostosinha e trepa bem não estão nem aí pro fato de você ter uns (poucos ou muitos) kilinhos a mais ou a menos. Preferem coxas lisas mas se você não está 100% depilada, tudo bem. Nunca perceberam se você está com a mão feita e pra ser sincero, acreditam que uma mão com 5 dedos é uma mão feita. Se preocupam mais em como você usa o seu corpo do que propriamente como ele é.

Os curva-de-rio

Similares aos desencanados com uma pequena diferença: Não tem nenhum senso crítico. Pra esses mulher é um buraco quentinho e úmido, todo o resto é um detalhe.

Esses são os quatro grupos principais de homens, de novo, na minha visão. Não posso falar muito dos dois primeiros nem do último grupo, nem de todas as variações dos mesmo, portanto vou me ater ao terceiro grupo. Mas isso vai pro próximo post, onde detalharei mais a influência das neuroses que vocês tem em relação a estética e como nós percebemos tudo isso.

Celulite, parte 2

Primeiro, desculpem a demora nas atualizações. Muito trabalho e coisas tristes aconteceram nos últimos dias, nenhuma cabeça nem bom humor pra escrever. Mas vamos lá.

No último post listei alguns tipos de homem. Um tipo que dispensa qualquer análise (os curva de rio), dois que corroboram a neurose que vocês tem com corpo e aparência e um que será o padrão pra falarmos agora, os desencanados.

Nada contra meninas que gostem dos Moleques ou dos Semi-Viados, cada uma com seu mau gosto mas nós, os desencanados, não damos a mínima pras neuras que vocês tem. Vamos falar de algumas delas:

Mãos

Já falaei de mãos por aqui. Cinco dedos é mão feita. Claro que se as unhas estiverem sujas como a de um mecânico ou aquele bicolor de esmalte descascado, só aquelas rebarbas no cantinho, vamos achar feio, ponto. De resto, acredite, se falarmos que a cor tá bonita é só pra inflar o ego de vocês e facilitar uma eventual cantada. Um desencanado de verdade não vai lembrar que cor eram as suas unhas ontem. Mas vamos lembrar com certeza se vocês as cravaram nas nossas costas, sabe como é?

Barriga, bunda grande, coxas grossas

Nós TEMOS barriga. Nós não nos importamos com barriga. Claro que uma barriguinha lisa e definida é deliciosa, mas uma pancinha não é demérito NENHUM. SÉRIO! Nós sonhamos com atrizes pornôs, com dançarinas de axé, com capas da Playboy sim. Mas nós não somos nenhum modelo de revista nem ator de cinema. Logo acredite, normalmente nós achamos você MUITO mais gostosa do que você mesma se acha. Bunda grande e coxas grossas? Já ouví meninas se queixando disso. QUALÉ? Isso é sonho de consumo. Se o encaixe for legal, tudo isso é detalhe.

Celulite

Nove entre dez desencanados não tem certeza do que venha a ser celulite. É tanto nome, celulite, estria, varizes que poxa, dá pra confundir. Sabemos que isso são nomes de pequenas imperfeições que quando efetivamente estão ao alcance das mãos não querem dizer absolutamente nada! Se o encaixe está bom, nós queremos mais é encher as mãos e curtir. Ah, quer saber do décimo desencanado? Bom, ele jura que sabe o que é celulite, mas com certeza está errado.

Cabelos

Tá, cor de cabelo é meio fetichista. Ruivas naturais são fetiche pra muitos caras, mas elas são raras. Se o seu cabelo não parecer uma samambaia agonizante no deserto nós também não daremos muita bola pra isso. Preferimos, via de regra, cabelos naturais, nada daquelas coisas que nem podemos passar as mãos porque “vai desarrumar”. Seu charme pode estar nos cabelos, no pescoço, no colo, nos peitos. Cada mulher tem seu ponto positivo (e, acredite, TODAS tem). Não vai ser horas e fortunas tentando melhorar o cabelo que vai fazer você ficar mais ou menos interessante. Cuide-se, só isso.

Maquiagem

Gostamos? Sim, gostamos. Mas nada exagerado, pelamor. Uma coisinha discreta conta muito mais pontos do que aquele reboque que demora horas pra fazer e que não podemos nem passar a mão no rosto. Liberados para casamentos, mas poxa, queremos tocar vocês sem que vocês se transformem no bozo.

Acreditem, se nós fomos falar com vocês, convidamos você pra sair, é porque você é interessante, BEM interessante. E normalmente você é interessante mais pelo que é do que pelo que se esforça alucinadamente em ser. Claro que não estou pregando o desleixo. Mulher arrumada e cheirosa é ótima, mas não esperamos que você seja perfeita, porque sabemos que NÓS não somos perfeitos. A diferença é que não queremos ser perfeitos (exceto os outros grupos já citados). Nós queremos alguém legal, que achemos bonitas e gostosas e, nesse ponto, homens são absurdamente diferentes entre sí. Não conheço dois caras que gostem exatamente do mesmo tipo de beleza, cada qual valorizando um aspecto. E acaba sendo ridículo vocês todas procurando seguirem um padrão pra ficarem iguais.

O que conta mesmo, no final, é como vocês usam o corpo de vocês com a gente. Mas isso fica pro próximo post.

Ser a outra não é para qualquer uma …

A outra costuma andar deslizando. Coleante e tortuosa como uma cobra. E chega com um breve silvo, se insinuando à meia luz na vida de um homem qualquer.

Muitas vezes se veste de vermelho. Embora tenha veias hirtas, corre nelas um sangue quase espumoso, de um vermelho sacrílegio, que trafega nos interstícios desse corpo.

Ela até nos faz recordar daquele ditado sobre a inveja. Um prato que se come frio e que está sempre ali disposto à serventia.

Essa mulher, com madeixas de todas as cores, não tem qualquer pressa de se alojar em corações ciganos e desatentos. Mas quando finca seu espaço, também não abandona a guarida e lá permanece, reinando como aranha soberana.

Entretecendo insetos-homens, pessoas desavisadas, transformados pelas ganas de sua volúpia. É kafkiana, equilibrando-se entre a sedução e o asco. Estranha, metamórfica, em estágio eterno de lagarta — da qual ignoramos em que borboleta se transformará.

Será dourada, cinza, sépia, parecerá com aquelas bruxas noturnas e fedorentas de pouso certeiro e de mau agouro, que aderem às paredes de quartos solitários e, por conseguinte, indefesos.

Esta mulher não teme os domingos, os sábados, as noitadas em carne viva e pele crua. As rajadas de vento emocional que trespassam seu umbigo ainda róseo e sem piercings.

A outra sabe esperar como ninguém. Do mesmo modo que a alvorada aguarda paciente a hora de crepuscular e semicerrar as pálpebras.

Mulheres assim se nutrem de chuva, naufragam em dias cinzentos e iguais a qualquer dia sem rosto nem horizontes.

Ah, mas quando elas se envolvem na vida de alguém, emitem luzes quase prateadas, feérie de festas vindouras, anunciadas na fileira de dentes exemplares.

Chegam assim em silêncio, determinadas a perturbar os porta-retratos de estabelecidas e rangentes conjugalidades. Terremotos afetivos destilam avalanches passionais nos homens e seus ossos. Ópio sobre as pernas. Absinto no hálito.

Pecado não mordê-las, negras maçãs avantajadas, redondas de fetiches.

Impensável deixar de sorvê-las, como um suco de goiaba selvagem, de sabor primevo, oriundo de  terras rústicas, bravas e indômitas. Frutas que estacionam distantes da civilização e dos galopes.

Quantos desejos sobrevoam as tortuosas cabeças dos machos convictos. É quando estas mulheres os deitam arfantes no chão das humildades e imundícies do mundo. Fazendo com que se submetam, rendidos às cegas, entregues exangues à deidade feminina, latejando em visão  em amplo espectro.Essas mulheres se anunciam com as intempéries, atravessam invernos em renas gigantes e tramam acender lareiras em peitos musculosos para que os mesmos possam sustenta-las em toda a sua alargada voracidade.

Missas negras, pinturas góticas, óperas profanas, desterro das boas e ilibadas intenções.

A outra jamais almeja estar na linha de frente, ser a primeira, a noiva pueril escolhida.

O que a entretém são os solfejos descontínuos de uma alma em agonia. Alma de ventanias, uivando como loba, no cume de montanhas irregulares.

A outra não tenciona ter filhos. Mas quer roubá-los, ainda em fase de  promessas,  decididamente de você.

Arrancar sua atenção deles, extirpar seus afetos do álbum de casamento mais plácido que as poeiras da sua vida morna já depositaram alguma vez  sobre ele.

Mulheres outras não anseiam por beijos, mas mordidas. Rejeitam presentes, acolhem despedidas. Trocam de imediato afagos dóceis e açucarados por arranhões seriais, grafados a ferro em fogo por unhas necessitadas de sexo.

A outra, meu amigo, não quer você.

Ela pretende devorá-lo como esfinge apoteótica, sorvê-lo inteiro como terreno árido e sem chuvas, sequer divisadas nas estações de verão.

Ela decidiu se enraizar em você. Ramificar seus prolongamentos, asfixiando todas as suas vontades bem devagar, uma por uma.

Esta é uma morte consentida, não negue. A morte da sensaboria, dos agonizantes protótipos do desejo.

A outra,  perceba bem, caiu em suas mãos para desorganizar seu destino de ponta a ponta. Os caminhos supostamente traçados e controlados por suas frágeis intenções de homem firme e assentado socialmente.

A outra dói como ambicionada e paradoxal erva daninha do espírito.  Move-se quase ondulante, a secretar lamentos pelos poros sujos.

A outra também é herege para que dela nasçam dúvidas breves e irrecorríveis. Imiscuídas em suas mais agudas  e solitárias reflexões.

Ela ainda se esparrama pelas salas do seu corpo sem nenhum pudor, revirando seus olhos entorpecidos, esgazeados e confessos.

Se é possível trancafiá-la, de modo a que nunca mais você a veja ou a encontre?

Sim, mas se aquiete por enquanto com a resposta provisória.

Tente talvez prendê-la em uma caixinha de músicas muito antiga.

Lembre-se, todavia,  que esta caixinha jamais, em qualquer hipótese, deverá ser aberta.  Sequer durante os seus mais agudos sonhos ou fartos pesadelos.Um último desafio: ouse  existir sem ela.

Experimente sobreviver sem seus braços, tentáculos e ventosas quase abissais.

Porque a outra mora aí. Exatamente dentro de você. No porão ou na garagem das suas trêmulas, indisfarçáveis e crescentes demandas.

fonte- Revista Bula

Texto de

Professora e escritora.

Expectativas : Saiba como lidar com as suas!

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A vida não é feita de expectativas, é feita de escolhas!

Expectativas são esperas ansiosas e produzem um efeito danoso em nossas vidas quando excedem os padrões da realidade.

É da natureza humana gerar expectativas com relação às coisas, o problema é que nossa imaginação é muito fértil e nossos desejos excedem nossa compreensão da realidade. Nestas condições criamos expectativas com pouca ou nenhuma chance de acontecerem e caminhamos rumo à decepção e a frustração.

Achamos que os outros nos decepcionam quando, na verdade, na maioria das vezes fomos nós quem criamos expectativas irreais sobre eles e suas atitudes.
A solução para essas questões que sempre causam sofrimento e desilusões passa pelas seguintes reflexões:

1ª) Precisamos compreender que nossas expectativas são formadas a partir de nossos desejos e fantasias e, não possuem, muitas vezes, nenhuma relação com a realidade.

2ª) Nossas expectativas estão ligadas à nossa imaginação e por isso podem assumir proporções muito difíceis de serem atendidas.

3ª) As expectativas são nossas, mas podem depender de ação de outras pessoas e acontecimentos para se concretizarem, portanto estamos esperando por algo sobre o qual não temos controle efetivo.

4ª) Expectativas estão associadas à imaginação, sentimentos, emoções e experiências anteriores.

5ª) Expectativas sofrem a ação da nossa ansiedade e dos outros aspectos psicológicos que compõe a nossa personalidade.

Assim, como em tudo na vida, também precisamos aprender a lidar com nossas expectativas e introduzir a razão como mediadora entre elas e a realidade.
Às vezes, você espera que alguém ligue para você e a pessoa não liga… Quanto maiores forem as expectativas de receber a ligação, maior será o sofrimento e a decepção de não a ter recebido. Não percebemos nitidamente, mas nos sentimos feridos, afinal a pessoa “devia” ter ligado e não ligou. Pronto. Esse “ferimento emocional”, que se originou em função de nossas expectativas não atendidas, será suficiente para que nossa imaginação agigante as consequências ao criar as “razões“ pelas quais a pessoa não ligou, tais como: ela não me dá a atenção que eu mereço; ela só me procura quando convém; ela deve estar se divertindo com outras pessoas; ela está me enganando; ela não tem por mim a mesma consideração e sentimento que eu tenho por ela, etc.

Ora, todas estas “razões” são meras suposições da nossa imaginação ampliadas pela ansiedade e por frustrações e comparações com situações anteriores.
A pessoa pode não ter ligado por razões concretas e justificáveis as quais poderíamos facilmente compreender em uma conversa franca com ela. Julgamos baseados em suposições, e suposições são apenas probabilidades manipuladas pela nossa imaginação.

Quanto maiores forem as suas expectativas diante de qualquer situação na vida, maiores serão suas chances de se decepcionar. Quando não estamos esperando nada, achamos tudo o que acontece maravilhoso. Quando esperamos pouco, o que acontece facilmente atende ou supera as nossas expectativas, mas quando esperamos muito…

Esperar muito é depositar nas mãos de outras pessoas e acontecimentos a responsabilidade de fazer seus desejos acontecerem. É uma perigosa ilusão.
Procure dividir os aspectos de sua vida em dois grandes grupos: as coisas que você espera que aconteçam e depende determinantemente de você e as coisas que você espera que aconteça, mas dependem muito mais de outras pessoas e acontecimentos que da sua ação.

Observe que você só pode agir sobre as coisas que dependem determinantemente de você. Somente sobre elas você possui controle. As coisas que dependem de outras pessoas e acontecimentos estão fora do seu controle, você pode até influenciá-las de alguma maneira, mas não pode controlá-las.

Utilize a sabedoria para não gerar expectativas muito elevadas para as coisas que não dependem diretamente de você e de suas atitudes. Elas dependem de outras pessoas que não pensam como você pensa, não agirão como você agiria e não sentem as coisas exatamente como você sente.

Concentre-se em alterar as coisas que você pode e em buscar compreender as que estão nas mãos dos outros.

Deixar a vida ser dirigida por nossas expectativas é como dirigir em alta velocidade de olhos vendados. Abra os olhos da razão, use o coração para amar a vida e as pessoas e a razão para conhecê-las, compreendê-las e aceitá-las.

Uma vida baseada em expectativas é irreal e muito perigosa. Faça as pazes com a realidade e aprenda a ajustar suas expectativas dentro de um padrão lúcido e flexível.

Nem a vida nem as pessoas são como nós gostaríamos que fossem, são como são. Nem mesmo nós somos como gostaríamos de ser…

Um alerta importante: Antes de tentar se tornar quem você gostaria de ser, observe se suas expectativas com relação a si mesmo não estão equivocadas, talvez você esteja melhor assim…

A vida é feita de escolhas, mas é impactada por nossas expectativas.

Texto de Carlos Hilsdorf