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A Importância de Brincar para a Criança


“Soubéssemos nós adultos preservar o brilho e o frescor da brincadeira infantil, teríamos uma humanidade plena de amor e fraternidade. Resta-nos, então, aprender com as crianças.” (Monique Deheinzelin).

A brincadeira é uma linguagem natural da criança e é importante que esteja presente na escola desde a educação infantil para que o aluno possa se colocar e se expressar através de atividades lúdicas  considerando-se como lúdicas as brincadeiras, os jogos, a música, a arte, a expressão corporal, ou seja, atividades que mantenham a espontaneidade das crianças.

Para Oliveira (1990), as atividades lúdicas é a essência da infância. Por isso, ao abordar este tema não podemos deixar de nos referir também à criança. Ao retornar a história e a evolução do homem na sociedade, vamos perceber que a criança nem sempre foi considerada como é hoje. Antigamente, ela não tinha existência social, era considerada miniatura do adulto, ou quase adulto, ou adulto em miniatura. Seu valor era relativo, nas classes altas era educada para o futuro e nas classes baixas o valor da criança iniciava quando ela podia ser útil ao trabalho, colaborando na geração da renda familiar.

A criança não é um adulto que ainda não cresceu. Ela tem características próprias e para se tornar um adulto, ela precisa percorrer todas as etapas de seu desenvolvimento físico, cognitivo, social e emocional. Seu primeiro apoio nesse desenvolvimento é a família, posteriormente, esse grupo se amplia com os colegas de brincadeiras e a escola.

As atividades lúdicas possibilitam fomentar a “resiliência”, pois permitem a formação do autoconceito positivo;

As atividades lúdicas possibilitam o desenvolvimento integral da criança, já que através destas atividades a criança se desenvolve afetivamente, convive socialmente e opera mental-mente.

O brinquedo e o jogo são produtos de cultura e seus usos permitem a inserção da criança na sociedade;

Brincar é uma necessidade básica assim como é a nutrição, a saúde, a habitação e a educação;

Brincar ajuda a criança no seu desenvolvimento físico, afetivo, intelectual e social, pois, através das atividades lúdicas, a criança forma conceitos, relaciona idéias, estabelece relações lógicas, desenvolve a expressão oral e corporal, reforça habilidades sociais, reduz a agressividade, integra-se na sociedade e constrói seu próprio conhecimento.

 

Brincando a criança desenvolve potencialidades; ela compara, analisa, nomeia, mede, associa, calcula, classifica, compõe, conceitua e cria. O brinquedo e a brincadeira traduzem o mundo para a realidade infantil, possibilitando a criança a desenvolver a sua inteligência, sua sensibilidade, habilidades e criatividade, além de aprender a socializar-se com outras crianças e com os adultos.
As brincadeiras e jogos na educação infantil

Com brincadeiras e jogos o espaço escolar pode-se transformar em um espaço agradável, prazeroso, de forma a permitir que o educador alcance sucesso em sala de aula. Nós, educadores temos que ser multifuncionais, ou seja, não apenas educadores, mas filósofos, sociólogos, psicólogos, psicopedagogos, recreacionistas e muito mais, para que possamos desenvolver as habilidades e a confiança necessária em nossos educandos.

Com relação ao jogo, Piaget (1998) acredita que ele é essencial na vida da criança. De início tem-se o jogo de exercício que é aquele em que a criança repete uma determinada situação por puro prazer, por ter apreciado seus efeitos. Em torno dos 2-3 e 5-6 anos nota-se a ocorrência dos jogos simbólicos, que satisfazem a necessidade da criança de não somente relembrar mentalmente o acontecido, mas de executar a representação.

Acredito que as brincadeiras devem acompanhar a criança da educação infantil, pois nesse período da vida da criança, são relevantes todos os aspectos de sua formação, pois como ser bio-psico-social-cultural dá os passos definitivos para uma futura escolarização e sociabilidade adequadas como membro do grupo social que pertence.

NEGRINE (1994), em estudos realizados sobre aprendizagem e desenvolvimento infantil, afirma que “quando a criança chega à escola, traz consigo toda uma pré-história, construída a partir de suas vivências, grande parte delas através da atividade lúdica”. Segundo esse autor, é fundamental que os professores tenham conhecimento do saber que a criança construiu na interação com o ambiente familiar e sociocultural, para formular sua proposta pedagógica.

A criação de espaços e tempos para os jogos e brincadeiras é uma das tarefas mais importantes do professor, principalmente na escola de educação infantil. Cabe-nos organizar os espaços de modo a permitir as diferentes formas de brincadeiras, de forma, por exemplo, que as crianças que estejam realizando um jogo mais sedentário não sejam atrapalhadas por aquelas que realizam uma atividade que exige mais mobilidade e expansão de movimentos, ou seja, observando e respeitando as diferenças de cada um..

Nos tempos atuais, as propostas de educação infantil dividem-se entre as que reproduzem a escola elementar com ênfase na alfabetização e números (escolarização) e as que introduzem a brincadeira valorizando a socialização e a re-criação de experiências. No Brasil, grande parte dos sistemas pré-escolares tende para o ensino de letras e números excluindo elementos folclóricos da cultura brasileira como conteúdos de seu projeto pedagógico. As raras propostas de socialização que surgem desde a implantação dos primeiros jardins de infância acabam incorporando ideologias hegemônicas presentes no contexto histórico-cultural. (OLIVEIRA, 2000).

Relembrando que brincar é um direito fundamental de todas as crianças no mundo inteiro, cada criança deve estar em condições de aproveitar as oportunidades educativas voltadas para satisfazer suas necessidades básicas de aprendizagem. A escola deve oferecer oportunidades para a construção do conhecimento através da descoberta e da invenção, elementos estes indispensáveis para a participação ativa da criança no seu meio.
O professor da Educação Infantil.

Segundo Severino (1991) os profissionais das escolas infantis precisam manter um comportamento ético para com as crianças, não permitindo que estas sejam expostas ao ridículo ou que passem por situações constrangedoras. Alguns adultos, na tentativa de fazer com que as crianças lhes sejam obedientes, deflagram nelas sentimentos de insegurança e desamparo, fazendo-as se sentirem temerosas de perder o afeto, a proteção e a confiança dos adultos.

O professor precisa estar atento à idade e às capacidades de seus alunos para selecionar e deixar à disposição materiais adequados. O material deve ser suficiente tanto quanto à quantidade, como pela diversidade, pelo interesse que despertam pelo material de que são feitos. Lembrando sempre da importância de respeitar e propiciar elementos que favoreçam a criatividade das crianças.

Uma observação atenta pode indicar o professor que sua participação seria interessante para enriquecer a atividade desenvolvida, introduzindo novos personagens ou novas situações que tornem o jogo mais rico e interessante para as crianças, aumentando suas possibilidades de aprendizagem.

“Educar não se limita a repassar informações ou mostrar apenas um caminho, aquele caminho que o professor considera o mais correto, mas é ajudar a pessoa a tomar consciência de si mesma, dos outros e da sociedade. É aceitar-se como pessoa e saber aceitar os outros. É oferecer várias ferramentas para que a pessoa possa escolher entre muitos caminhos, aquele que for compatível com seus valores, sua visão de mundo e com as circunstâncias adversas que cada um irá encontrar. Educar é preparar para a vida”. (KAMI, 1991, 125).

As maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo, aquisições que no futuro tornar-se-ão seu nível básico de ação real e moralidade. (Vygotsky, 1989). Piaget (1998) diz que a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança, sendo, por isso, indispensável à prática educativa.

Na escola é possível o professor se soltar e trabalhar os jogos como forma de difundir os conteúdos. Para isso, entendo ser necessário a vivência, a percepção e o sentido, ou seja, o educador precisa selecionar situações importantes dentro da vivência em sala de aula; perceber o que sentiu como sentiu e de que forma isso influencia o processo de aprendizagem; além de compreender que no vivenciar, no brincar, a criança é mais espontânea. “Sem dúvida, os conteúdos podem ser trabalhados com o uso do jogo. A criança pode trabalhar ou fixar um conteúdo com a atividade lúdica. Mas, para isso, o jogo é uma das estratégias e não a única”.

Entendo ainda que o primeiro passo para se trazer o lúdico, a brincadeira para dentro da escola, é o resgate da infância dos próprios educadores, a memória. “Do que brincavam, como brincavam, lembrarem-se de uma figura especial. É um momento de humanizar as relações, de resgatar o sentimento e lembrar como eles eram e o que sentiam quando viviam o momento que as crianças, seus alunos, estão vivendo agora. Todo mundo foi criança e teve essa vivência.

Penso que atualmente, o problema da utilização do jogo na escola, está no fato dele ser usado apenas como instrumento pedagógico e não como uma linguagem através da qual o professor pode ter informações da criança. No “Referencial Curricular Nacional de Educação Infantil” está incluída na lei a importância de brincar e levar a arte para dentro da educação infantil. “Há o movimento pela formação dos professores, que precisam ser capacitados e se soltar dentro do lúdico”.

fonte-http://www.webartigos.com

DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

 
A aprendizagem e a construção do conhecimento são processos naturais e espontâneos do ser humano que desde muito cedo aprende a mamar, falar, andar, pensar, garantindo assim, a sua sobrevivência. Com aproximadamente três anos, as crianças são capazes de construir as primeiras hipóteses e já começam a questionar sobre a existência.

A aprendizagem escolar também é considerada um processo natural, que resulta de uma complexa atividade mental, na qual o pensamento, a percepção, as emoções, a memória, a motricidade e os conhecimentos prévios estão envolvidos e onde a criança deva sentir o prazer em aprender.

O estudo do processo de aprendizagem humana e suas dificuldades são desenvolvidos pela Psicopedagogia, levando-se em consideração as realidades interna e externa, utilizando-se de vários campos do conhecimento, integrando-os e sintetizando-os. Procurando compreender de forma global e integrada os processos cognitivos, emocionais, orgânicos, familiares, sociais e pedagógicos que determinam à condição do sujeito e interferem no processo de aprendizagem, possibilitando situações que resgatem a aprendizagem em sua totalidade de maneira prazerosa.

Segundo Maria Lúcia Weiss, “a aprendizagem normal dá-se de forma integrada no aluno (aprendente), no seu pensar, sentir, falar e agir. Quando começam a aparecer “dissociações de campo” e sabe-se que o sujeito não tem danos orgânicos, pode-se pensar que estão se instalando dificuldades na aprendizagem: algo vai mal no pensar, na sua expressão, no agir sobre o mundo”.

Atualmente, a política educacional prioriza a educação para todos e a inclusão de alunos que, há pouco tempo, eram excluídos do sistema escolar, por portarem deficiências físicas ou cognitivas; porém, um grande número de alunos (crianças e adolescentes), que ao longo do tempo apresentaram dificuldades de aprendizagem e que estavam fadados ao fracasso escolar pôde freqüentar as escolas e eram rotulados em geral, como alunos difíceis.

Os alunos difíceis que apresentavam dificuldades de aprendizagem, mas que não tinha origens em quadros neurológicos, numa linguagem psicanalítica, não estruturam uma psicose ou neurose grave, que não podiam ser considerados portadores de deficiência mental, oscilavam na conduta e no humor e até dificuldades nos processos simbólicos, que dificultam a organização do pensamento, que consequentemente interferem na alfabetização e no aprendizado dos processos lógico-matemáticos, demonstram potencial cognitivo, podendo ser resgatados na sua aprendizagem.

Raramente as dificuldades de aprendizagem têm origens apenas cognitivas. Atribuir ao próprio aluno o seu fracasso, considerando que haja algum comprometimento no seu desenvolvimento psicomotor, cognitivo, lingüístico ou emocional (conversa muito, é lento, não faz a lição de casa, não tem assimilação, entre outros.), desestruturação familiar, sem considerar, as condições de aprendizagem que a escola oferece a este aluno e os outros fatores intra-escolares que favorecem a não aprendizagem.

As dificuldades de aprendizagem na escola, podem ser consideradas uma das causas que podem conduzir o aluno ao fracasso escolar. Não podemos desconsiderar que o fracasso do aluno também pode ser entendido como um fracasso da escola por não saber lidar com a diversidade dos seus alunos. É preciso que o professor atente para as diferentes formas de ensinar, pois, há muitas maneiras de aprender. O professor deve ter consciência da importância de criar vínculos com os seus alunos através das atividades cotidianas, construindo e reconstruindo sempre novos vínculos, mais fortes e positivos.

O aluno, ao perceber que apresenta dificuldades em sua aprendizagem, muitas vezes começa a apresentar desinteresse, desatenção, irresponsabilidade, agressividade, etc. A dificuldade acarreta sofrimentos e nenhum aluno apresenta baixo rendimento por vontade própria.

Durante muitos anos os alunos foram penalizados, responsabilizados pelo fracasso, sofriam punições e críticas, mas, com o avanço da ciência, hoje não podemos nos limitar a acreditar, que as dificuldades de aprendizagem, seja uma questão de vontade do aluno ou do professor, é uma questão muito mais complexa, onde vários fatores podem interferir na vida escolar, tais como os problemas de relacionamento professor-aluno, as questões de metodologia de ensino e os conteúdos escolares.

Se a dificuldade fosse apenas originada pelo aluno, por danos orgânicos ou somente da sua inteligência, para solucioná-lo não teríamos a necessidade de acionarmos a família, e se o problema estivesse apenas relacionado ao ambiente familiar, não haveria necessidade de recorremos ao aluno isoladamente.

A relação professor/aluno torna o aluno capaz ou incapaz. Se o professor tratá-lo como incapaz, não será bem sucedido, não permitirá a sua aprendizagem e o seu desenvolvimento. Se o professor, mostrar-se despreparado para lidar com o problema apresentado, mais chances terá de transferir suas dificuldades para o aluno.

Os primeiros ensinantes são os pais, com eles aprendem-se as primeiras interações e ao longo do desenvolvimento, aperfeiçoa. Estas relações, já estão constituídas na criança, ao chegar à escola, que influenciará consideravelmente no poder de produção deste sujeito. É preciso uma dinâmica familiar saudável, uma relação positiva de cooperação, de alegria e motivação.

Torna-se necessário orientar aluno, família e professor, para que juntos, possam buscar orientações para lidar com alunos/filhos, que apresentam dificuldades e/ou que fogem ao padrão, buscando a intervenção de um profissional especializado. Dicas para os pais:

  1. Estabelecer uma relação de confiança e colaboração com a escola;
  2. Escute mais e fale menos;
  3. Informe aos professores sobre os progressos feitos em casa em áreas de interesse mútuo;
  4. Estabelecer horários para estudar e realizar as tarefas de casa;
  5. Sirva de exemplo, mostre seu interesse e entusiasmo pelos estudos;
  6. Desenvolver estratégias de modelação, por exemplo, existe um problema para ser solucionado, pense em voz alta;
  7. Aprenda com eles ao invés de só querer ensinar;
  8. Valorize sempre o que o seu filho faz, mesmo que não tenha feito o que você pediu;
  9. Disponibilizar materiais para auxiliar na aprendizagem;
  10. É preciso conversar, informar e discutir com o seu filho sobre quaisquer observações e comentários emitidos sobre ele.

Cada pessoa é uma. Uma vida é uma história de vida. É preciso saber o aluno que se tem, como ele aprende. Se ele construiu uma coisa, não pode-se destruí-la. O psicopedagogo ajuda a promover mudanças, intervindo diante das dificuldades que a escola nos coloca, trabalhando com os equilíbrios/desequilíbrios e resgatando o desejo de aprender.

 

  

Nádia Maria Dias da Silva
Pedagoga – Psicopedagoga
Orientadora Educacional
Professora das disciplinas pedagógicas do Curso Normal

Educação e Comportamento

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Como Educadora , sempre me perguntam  quais as funções do Psicólogo em uma Instituição Educacional . Costumo responder que ele deverá ser  um observador ao nível dos comportamentos que a criança manifesta, ao nível dos conteúdos da aprendizagem se há ou não dificuldades aparentes e ainda inferir sobre as relações com pares, sendo que estas funções se encontram cada vez mais centradas no âmbito da escola em geral situada num contexto e cada vez menos centrada na criança como indivíduo singular.

O psicólogo tem como principais funções na escola as de avaliar e intervir junto de crianças do ensino básico que apresentem dificuldades de comportamento e aprendizagem.

A abordagem feita pelo psicólogo é direta fazendo uso de técnicas específicas de aconselhamento.

No Contexto escolar este organiza atividades, ações de formação para pais, professores, assistentes e outros que possam de alguma forma participar na educação ativa das crianças, sobre vários temas.

O psicólogo deverá participar ativamente junto da escola em atividades que possam implicar mudanças estruturais..

Outra das funções do Psicólogo na escola é participar na elaboração e organização dos serviços de atendimento, no sentido de avaliar se as crianças estão ou não a receber serviços que possam satisfazer as suas necessidades.

Este deverá articular os diferentes contextos educativos da criança, coordenar a informação sobre o desenvolvimento da criança, avaliando as suas necessidades, os recursos existentes na escola e ainda da comunidade onde esta se insere, avaliar os contextos sócio culturais.

O psicólogo deverá ainda se manter alerta e ativo no que respeita novas técnicas de avaliação, intervenção e planificação.

VOCÊ GOSTA DE LER?

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O prazer da leitura se faz presente em nossas vidas desde o momento em que começamos a “compreender” mundo à nossa volta .No constante desejo de decifrar e interpretar o sentido das coisas que nos cercam, de perceber o mundo sob diversas perspectivas. Sempre fui rodeada de livros,minha mãe era professora e trazia muitos livros para casa . Exemplo que segui, sou professora e meu filho foi criado entre os livros naturalmente, sem forçar nada. Quando vi ele já estava alfabetizado antes da idade prevista . E o importante que ele gosta de ler até hoje, observar o mundo , de relacionar a realidade ficcional com a que vivemos.No contato com um livro, enfim, em todos estes casos estamos, de certa forma, lendo – embora, muitas vezes, não nos demos conta. Quando citamos a necessidade do conhecimento prévio de mundo para a compreensão da leitura, podemos inferir o caráter subjetivo que essa atividade assume. Desse modo, a leitura se configura como um poderoso e essencial instrumento libertário para a sobrevivência do homem. Há entretanto, uma condição para que a leitura seja de fato prazerosa e válida: o desejo do leitor. Quando transformada em obrigação, a leitura se resume a simples enfado. Para suscitar esse desejo e garantir o prazer da leitura, o leitor tem a opção escolher o que quer ler, reler, o de ler em qualquer lugar, ou, até mesmo, o de não ler. Respeitados esses direitos, o leitor, da mesma forma, passa a respeitar e valorizar a leitura. Está criado, então, um vínculo indissociável. A leitura passa a ser um imã que atrai e prende o leitor, numa relação de amor da qual ele, por sua vez, não deseja desprender-se.

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Rubem Alves: “Aprendi pela minha recusa em aprender”

O escritor lembra os seus anos de escola e revela qual foi seu professor mais marcante.

Acho que foi Mark Twain que disse: “Nunca permiti que a escola interferisse na minha educação…” Fiquei a pensar: o que foi que a escola me ensinou? – pergunta que é diferente de uma outra, “o que aprendi na escola?”.

Aprendi muito na escola “a despeito dela”: ela foi apenas o espaço onde encontrei professores que me ensinaram a pensar. Aprendi pela minha recusa em aprender. Já ao fim da sua vida, Brunno Betelheim, falando de sua experiência com a escola, declarou: “Na escola os professores tentavam ensinar aquilo que eles queriam ensinar mas eu não queria aprender. Por isso não aprendi…”

Lembro-me bem do jovem professor de literatura – disciplina pela qual eu nutria uma grande ogeriza. Ele nunca ensinou análise sintática, nem pediu que fizéssemos “fichamentos”e nem fazia chamada. Éramos livres para deixar a sala, se quiséssemos. Mas ninguém deixava… Ninguém queria perder o prazer de vê-lo encarnar as grandes obras da literatura.

Foi assim que a escola me ajudou: forçando-me a pensar ao contrário dos meus próprios pensamentos…

Fonte-http://www.erasmobraga.com.br/artigos/como-a-educacao-mudou-minha-vida-04-05-2011-07-45-22    

 “O nascimento do pensamento é igual ao nascimento de uma criança: tudo começa com um ato de amor. Uma semente há de ser depositada no ventre vazio. E a semente do pensamento é o sonho. Por isso os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas em amor: intérpretes de sonhos.”

(Rubem Alves)


 


Site do Rubens Alves:http://www.rubemalves.com.br/


 

PAULO FREIRE…

Paulo Freire, educador brasileiro e considerado cientista da educação, escreveu a obra Pedagogia da Esperança, que considerada como um “re-dizer” e um reencontro com a Pedagogia do Oprimido, obra escrita e publicada por ele em 1967. Trata-se de releitura crítica onde o autor se reencontra com o primeiro texto. Ele reler a partir das transformações que se dão na realidade e a partir também das críticas recebidas por aqueles que não entenderam a Pedagogia do Oprimido ou discordaram dela.
A centralidade da proposta educacional de Paulo Freire está na ligação que ele faz da educação com a transformação da sociedade. Ele defende a idéia de que a educação tem um papel importantíssimo com o processo de libertação da pessoa humana. Partindo da idéia de que vivemos num estado de opressão constante, os sujeitos que promovem a educação devem utilizá-la como instrumento eficaz de transformação.

A Pedagogia da Esperança se apresenta como um aprofundamento da obra anterior, a que faz referência durante todo o texto. Ele reafirma as primeiras convicções, buscando responder com mais clareza os pontos principais e relevantes. A pedagogia construída por Paulo Freira é uma pedagogia que se constrói a partir da realidade das massas oprimidas. Por isso, ele defende a idéia de que a realidade sofrida das massas é o lugar da construção do saber popular. Um saber que tem cientificidade, mas que está intimamente ligado com a praticidade da vida comum do povo simples.
Ele fala que a esperança é uma “necessidade ontológica” do ser humano. Este precisa da esperança e do sonho para viver e construir um mundo melhor. A educação tradicionalista (pragmática) não leva em consideração o sonho e a esperança; antes, desmerece plenamente o autêntico sentido e valor de ambos, anulando assim a possibilidade do conhecimento transformador. A educação pragmatista promove a adequação do sujeito à ordem social, ou seja, simplesmente ajuda o sujeito a se conformar com aquilo que está estabelecido.

Não se trata de qualquer esperança, mas de uma “esperança crítica”, ou seja, uma esperança que não torna a pessoa estática (paralisada, alienada no tempo), mas que leva para a ação. É uma esperança não-saudosista, uma esperança que faz a pessoa enxergar o opressor “fora de si”, levando-a, ainda, a reinventar a própria realidade e reconfigurar a vida. Desta forma, a educação é como que um “motor” de transformação social, mas que sozinha não pode transformar. A transformação só é possível quando a educação está atrelada à prática política do sujeito. Aqui entra o aspecto da democratização da escola pública, do ensino e de todo o processo ensino-aprendizagem.

A escola precisa falar para o mundo e não para si mesma. Ela precisa levar a pessoa a entender a palavra, mas antes desta, o mundo que o circunda. Ele diz enfaticamente que “a leitura do mundo é anterior à leitura da palavra”, por isso, que no seu método, Paulo Freire defende uma leitura do mundo do estudante, antes de levá-lo ao encontro do puro saber teórico. A realidade crua e nua precisa ser enfrentada pelo educando, que auxiliado pelo educador aprende a fazer uma leitura da realidade pelo viéis da esperança. Esta o leva a superar aquilo que Paulo Freire chama de “situações-limite”.

Ele também fala da importância da linguagem e defende a idéia de que esta é o caminho para a invenção da cidadania. A linguagem tem um papel muito importante na história, pois ela consegue formular e desmascarar as ideologias opressoras e alienantes. O educando, chamado a ser sujeito cognoscente, é um ser de linguagem. A linguagem proporciona a compreensão do pensar e este é chamado a repensar o homem também como ser relacional.
A obra fala ainda da superação dos sectarismos através do ato de educar. Só que não é qualquer ato educacional, mas o ato de educar politicamente. A importância política do ato de educar leva o educando a assumir-se a si mesmo como indivíduo e como classe, libertando-o do “medo da liberdade”. O papel do educador neste processo é de extrema importância, pois a prática educativa que leva em conta o espírito político ou o sujeito como ser social e política é uma prática que também considera o “senso comum” como fonte de saber, pois este revela o que povo pensa e faz, revela a realidade do povo.

Paulo Freire explica ainda o ato de ensinar. O que é ensinar, segundo ele? A resposta é simples: “Ensinar é um ato criador, um ato crítico, não mecânico”. O ato criador de ensinar revela que o educador não pode pensar que é o sabedor de todas as coisas ou que ele leva o saber aos educandos. Isto é pragmatismo. O educador precisa entender que o educando tem um saber a oferecer, pois este não é uma “tábua rasa”, vazia, sem conteúdo. A educação conteudista pensa justamente isto: pensa que o educando não sabe de nada e que veio à escola somente para aprender.

O ato crítico de ensinar revela que toda realidade precisa se compreendida. Nada ocorre por acaso. Tudo tem lugar, personagem, destinatários, causas. Assim, o educador precisa levar o educando a “desconfiar” das coisas tais como se apresentam, pois não há compreensão da realidade sem uma prévia compreensão. O olhar crítico do educando não é o olhar crítico do educador, ou seja, o educando não pode pensar ou ser induzido a pensar conforme o educador. Isto é enquadramento. O educando precisa ser despertado para o pensar e neste encontro fazer o confronto da teoria com a prática social.

Quando o educando pensa sua realidade e a realidade do mundo, tal como este se organiza e funciona, com sua dialética e seus sistemas elaborados, também passar a compreender a história como possibilidade. A história não está pronta, mas é constantemente construída pelos sujeitos sociais e históricos. Nesta construção a luta entra como categoria histórica. Paulo Freire ensina que “é preciso transformar a vida em existência”. Nós existimos. Nós somos. Eu não sou e você não é, mas nos construímos em sociedade. Ele diz a este respeito o seguinte: “Não sou se proíbo você de ser”.

Finalmente, ele fala sobre o medo na vida do oprimido. O medo “paralisa” o oprimido diante do opressor e da opressão. É justamente diante do significado do medo paralisante que ele reforça o conceito de esperança, como elemento fundamental para se recuperar a utopia como sonho possível. O medo é vencido pela esperança que move o ser humano para a luta incansável de um futuro melhor. A leitura crítica da Pedagogia da Esperança nos faz repensar o projeto educacional brasileiro. Trata-se de uma leitura que nos leva a repensar o conceito e o método educacional. Esta magnífica obra de Paulo Freire denuncia a falta de prioridade dos governos brasileiros no que refere à educação de sua gente. Fora da educação libertadora não temos sujeitos conscientes nem transformadores.

Referência bibliográfica

FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: Um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. 245 p.

 

 

“Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino. A educação necessita tanto de formação técnica e científica como de sonhos e utopias”.

[ Paulo Freire ]

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PEDAGOGIA DO OPRIMIDO

É O MEU FILHÃO…!

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Realmente, é muito gratificante quando vemos que estamos fazendo um bom trabalho ao educar [ claro, mérito meu e de *Nelson , grande pai,ótimo pai…] .Crio meu filho com toda liberdade de pensamento, para que seja um agente consciente do seu valor e da sua importância na construção de um Brasil /Mundo melhor para todos, sem distinção. Sou uma mãe muito feliz , pois  sinto que meu filho que agora possui 14 anos, torna-se um homem do BEM , cheio de convicções e ciente dos seus direitos e deveres como cidadão. Hoje ele mostrou-me esse texto abaixo, que elaborou para a matéria de Português (Claro,com fontes de pesquisa o auxiliando). Confesso que fiquei muito orgulhosa e pedi  permissão para publicá-lo no Blog para dividi-lo com vocês . Ele gentilmente respondeu com uma pergunta :

– Hummm…, está bom mesmo mãe?

– Está maravilhoso filhão! 🙂

Leiam:
A leitura se torna presente em nossa vida desde o momento em que começamos a compreender o mundo o nosso redor. No constante desejo de entender melhor as coisas que nos cercam, de perceber o mundo de diversos ângulos, no contato com o livro, estamos de uma certa forma lendo, todavia, muitas vezes não nos damos conta.Vivemos num constante ciclo de inovações tecnológicas que se sucedem, mas, nenhuma consegue nos fazer viajar sentado de tal forma, que faz o livro. Isso nos faz lembrar uma frase dita por Bill Gates, o dono da Microsoft,( a maior empresa no ramo de softwares). “É claro que meus filhos terão computador, mas não deixarão de ter livros”.

A leitura não se resume em decodificar as letras, mas sim, compreender o que elas em conjunto, querem nos comunicar. Segundo Angela Kleiman, a leitura precisa permitir que o leitor apreenda o sentido do texto, não podendo transforma-se em mera decifração de signos lingüísticos sem a compreensão semântica dos mesmos.

Precisamos estar atentos a esta questão, pois a ausência das letras, bloqueia as nossas possibilidades, e de certa forma, nos acaba excluindo dos acontecimentos, da imaginação e da criatividade.  A literatura de modo geral amplia e diversifica nossas visões e interpretações sobre o mundo.

Segundo Roberto Cerqueira Dauto, vivemos num mundo contemporâneo onde as palavras rascunhadas no papel não têm muito valor. A literatura hoje é recurso dos mais ricos, sendo que os mais pobres, até possuem este recurso, porém, não é explorado de forma adequada.  Durante a adolescência se acaba excluindo o hábito de ler do seu convívio diário, por causa da falta de gosto pelos livros. Nas escolas, até que se tenta alguma coisa, porém, não é eficaz. Um dos fatores , é o exemplo que se tem em casa, nem todos os pais, tem o costume de ler.

O Instituto Ibope coordenou a coleta dos dados e entrevistou mais de 500 mil pessoas em 313 municípios brasileiros, e conclui tristemente que o brasileiro lê em média 4,7 livros por ano. A estimativa aumenta de acordo com a escolaridade. Entre os que possuem formação superior é de 8,3 livros por ano, enquanto para quem cursou até a 4ª série a média é de 3,7.

Fazendo isso, com certeza a triste realidade que foi confirmada pela pesquisa do Instituto Ibope, será mudada para melhor.

Rodrigo Cunha

09/09/08

Fontes: Ibope, Revista da Educação, Planeta Educação.

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