Arquivo de Tag | Drauzio Varela

TAG – Transtorno da ansiedade generalizada – Dráuzio Varela

>

A ansiedade é uma reação normal diante de situações que podem provocar medo, dúvida ou expectativa. É considerada normal a ansiedade que se manifesta nas horas que antecedem uma entrevista de emprego, a publicação dos aprovados num concurso, o nascimento de um filho, uma viagem a um país exótico, uma cirurgia delicada, ou um revés econômico. Nesses casos, a ansiedade funciona como um sinal que prepara a pessoa para enfrentar o desafio e, mesmo que ele não seja superado,  favorece sua adaptação às novas condições de vida.

O transtorno da ansiedade generalizada (TAG), segundo o manual de classificação de doenças mentais (DSM.IV), é um distúrbio caracterizado pela “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva”, persistente e de difícil controle, que perdura por seis meses no mínimo e vem acompanhado por três ou mais dos seguintes sintomas: inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono.

É importante registrar também que, nesses casos, o nível de ansiedade é desproporcional aos acontecimentos geradores do transtorno, causa muito sofrimento e interfere na qualidade de vida e no desempenho familiar, social e profissional dos pacientes.

O transtorno da ansiedade generalizada pode afetar pessoas de todas as idades, desde o nascimento até a velhice. Em geral, as mulheres são um pouco mais vulneráveis do que os homens.

Sintomas

Os sintomas podem variar de uma pessoa para outra. Além dos já citados (inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular) existem outras queixas que podem estar associadas ao transtorno da ansiedade generalizada: palpitações, falta de ar, taquicardia, aumento da pressão arterial, sudorese excessiva, dor de cabeça, alteração nos hábitos intestinais, náuseas, aperto no peito, dores musculares.

Diagnóstico

O diagnóstico do TAG leva em conta a história de vida do paciente, a avaliação clínica criteriosa e, quando necessário, a realização de alguns exames complementares.

Como os sintomas podem ser comuns a várias condições clinicas diferentes que exigem tratamento específico, é fundamental estabelecer o diagnóstico diferencial com TOC, síndrome do pânico ou fobia social, por exemplo.

Tratamento

O tratamento do TAG inclui o uso de medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos, sob orientação médica, e a terapia comportamental cognitiva. O tratamento farmacológico geralmente precisa ser mantido por seis a doze meses depois do desaparecimento dos sintomas e deve ser descontinuado em doses decrescentes.

Recomendações

* Se você é visto como alguém de estopim curto, que anda sempre com os nervos à flor da pele e tem muita dificuldade para relaxar, provavelmente chegou a hora de procurar um médico para avaliar esse estado permanente de tensão e ansiedade;

* Se você cobra muito de si mesmo, está sempre envolvido em inúmeras tarefas e pressionado pelos compromissos, tente pôr ordem não só na sua agenda, mas também na sua rotina de vida, sem esquecer de reservar um tempo para o lazer. Se não conseguir sozinho, não se envergonhe, peça ajuda.

Cólica menstrual (Dismenorreia)

verdades sobre as cólicas menstruais

Cólica menstrual, ou dismenorreia, é uma dor pélvica provocada pela liberação de prostaglandina, substância que faz o útero contrair para eliminar o endométrio (camada interna do útero que cresce para nutrir o embrião), em forma de sangramento, durante a menstruação, quando o óvulo não foi fecundado.

Mais ou menos 50% das mulheres sentem cólicas menstruais em alguma fase da vida.

A dismenorreia pode ser primária ou secundária. Primária, quando a causa é o aumento na produção de prostaglandina pelo endométrio, e secundária, quando resultante de alterações patológicas no aparelho reprodutivo (endometriose, miomas, tumores pélvicos, fibromas, estenose cervical, etc.).

Sintomas

O principal sintoma é a dor em cólica no baixo ventre, de intensidade variável, que se irradia para as costas e membros inferiores, durante a menstruação. É uma dor aguda e intermitente, às vezes incapacitante, com curtos períodos de acalmia. Quando muito forte, pode estar associada a outros sintomas como náuseas, vômitos, dor de cabeça e nas mamas, inchaço.

Diagnóstico

É importante estabelecer o diagnóstico diferencial entre a dismenorréia primária e secundária para conduzir o tratamento adequado. Além do levantamento da história clínica, exames de laboratório e de imagem ajudam nesse processo.

Tratamento

Mulheres com cólicas menstruais primárias, em geral, se beneficiam com a adoção de algumas medidas, como a prática de exercícios aeróbicos que ajudam a liberar endofirna, aplicação de calor local e dieta rica em fibras. Quando a dismenorreia é secundária, pode ser necessário recorrer ao tratamento cirúrgico.

Nos dois casos, há o recurso do uso de medicamentos antiinflamatórios não-esteróides para alívio da dor. Esse uso, porém, não deve ser indiscriminado: exige acompanhamento médico.

Como os hormônios contidos nos anticoncepcionais provocam atrofia do endométrio, local de produção da prostaglandina, a pílula está indicada nos casos de dismenorreia primária para mulheres com vida sexual ativa que não desejam engravidar.

Recomendações

* Evite levar vida sedentária. Exercícios aeróbicos moderados ajudam a aliviar a dismenorreia primária;

* Coloque uma bolsa de água quente sobre a região abdominal, quando estiver com cólica menstrual;

* Não ingira alimentos que retardam o trânsito abdominal ou provocam fermentação, especialmente no período pré-menstrual;

* Beba bastante água;

* Não se automedique. Procure assistência médica. É importante estabelecer um diagnóstico diferencial entre a dismenorreia primária e secundária para selecionar o melhor tratamento.

FONTE-http://drauziovarella.com.br/

Próstata – Principais problemas que acometem – Drauzio Varela

Casal maduro

Dr. Miguel Srougi é médico, professor de Urologia na Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, Universidade Federal de São Paulo. É autor do livro “Próstata: Isso É Com Você”, lançado pela Publifolha e dirigido ao público leigo.

Pela proximidade, problemas na próstata acabam afetando a bexiga e a uretra

A próstata é uma glândula que tem o tamanho aproximado de uma castanha e produz o líquido espermático ou esperma, substância que contém nutrientes e serve de veículo para os espermatozoides chegarem até o óvulo. Ela se localiza muito perto da bexiga, um órgão muscular que se distende à medida que a urina se acumula em seu interior. Da bexiga sai a uretra, um canal longo que atravessa a próstata e o pênis até ganhar o meio exterior. A proximidade entre esses órgãos faz com que qualquer problema que afete a próstata acabe repercutindo na bexiga e na uretra.

Hiperplasia e câncer de próstata são patologias frequentes na vida adulta do homem. A hiperplasia caracteriza-se pela multiplicação benigna das células prostáticas. Quando isso acontece, o aumento da próstata comprime bexiga e uretra e provoca dois sintomas. O primeiro é a dificuldade para urinar. A pessoa é obrigada a fazer esforço para vencer a passagem comprometida pela compressão da glândula, o jato urinário fica mais fino e perde a potência. O segundo é a redução da capacidade de a bexiga reter urina. Quem tem hiperplasia de próstata urina com maior freqüência, especialmente à noite o que pode comprometer a qualidade do sono.

A hiperplasia é uma lesão benigna. Já no câncer de próstata, as células prostáticas perdem a inibição, crescem e invadem os tecidos vizinhos.  O câncer é um processo maligno que traz consigo uma série de outros problemas.

Drauzio – Como funciona a próstata no decorrer da vida do homem?

Miguel Srougi – A próstata é uma glândula que se situa na saída da bexiga e produz esperma, o líquido que transporta os espermatozoides até o meio exterior. Por isso, ela tem uma função biológica relevante na fase reprodutora do homem, naquela em que quer ter filhos. A partir dos 40 anos de idade, seu papel se transforma. Ela passa a ser um órgão indesejável por causa do crescimento benigno que ocorre em 80%, 90% dos homens adultos. Esse crescimento não provoca complicações mais sérias, mas prejudica a qualidade de vida em razão do aparecimento de transtornos para urinar.

Drauzio – Não é um contrassenso um órgão que vai perdendo a função, em vez de atrofiar, ir aumentando de tamanho? Por que a próstata hipertrofia com a idade?

Miguel Srougi – São coisas que a natureza criou e que talvez nem a teoria evolucionista explique. É possível que nossos irmãos do futuro até percam a próstata após a fase reprodutora, mas por enquanto ela causa transtornos aos homens. Infelizmente, além do crescimento benigno, é sede de um câncer muito comum. Um terço dos tumores que se originam no organismo do homem partem da próstata. Essa alta prevalência torna a glândula bastante inconveniente e gera problemas que preocupam os médicos e a respeito dos quais a população masculina está começando a tomar consciência.

Drauzio – Em que fase da vida começa a ocorrer a hiperplasia, ou seja, o aumento benigno do volume da próstata?

Miguel Srougi – Ela se inicia por volta dos 40 anos. Por isso, a partir dos 50 começam a surgir problemas urinários em 80%, 90% dos homens, como a dificuldade para expelir a urina e a necessidade de levantar várias vezes numa noite para ir ao banheiro. Embora esse quadro não tenha nenhuma implicação futura para o doente, prejudica sua qualidade de vida naquele momento.

Drauzio – Quais são os principais sintomas da hiperplasia?

Miguel Srougi – O sintoma prevalente é a perda da força do jato. Isso os homens toleram bem. O que mais os incomoda, no entanto, é o aumento da frequência urinária porque compromete sua rotina de vida. O indivíduo é obrigado a sair mais de uma vez de uma reunião importante para ir ao banheiro, ou começa a acordar muito durante a noite para urinar e levanta cansado no outro dia.

Drauzio – Como fica o volume urinário com o aumento do número de micções?

Miguel Srougi – O volume urinário fica menor porque a bexiga perde um pouco a complacência.

Drauzio – Quem corre maior risco de apresentar hiperplasia de próstata?

Miguel Srougi – Existem três fatores de risco que levam ao crescimento benigno da próstata: história familiar, pele negra e ingestão de gorduras. Quem tem pai ou irmão com hiperplasia, apresenta três vezes mais possibilidade de desenvolver o problema do quem não tem.

Drauzio – A próstata não provoca problemas exclusivamente na velhice. Adolescentes podem ter problemas de próstata, as prostatites. O que são prostatites e quais as causas mais freqüentes?

Miguel Srougi – Em termos de saúde pública, trata-se de um problema menos relevante. Prostatite é uma infecção da próstata provocada por bactérias do intestino que a contaminam. É um problema que atinge adultos jovens e causa desconforto local, dor na região genital e dificuldade para urinar. Felizmente, a prostatite responde bem ao tratamento com medicações especificas, em especial, os antibióticos. Alguns homens podem até ficar com manifestações crônicas, mas que não têm maiores implicações.

Drauzio – Prostatites podem comprometer a capacidade de ereção?

Miguel Srougi – A próstata está ligada a certas fantasias negativas que surgem na cabeça do homem, principalmente, ao risco de ver perturbada a função sexual. É uma suposição falsa. A próstata nada tem a ver com a função sexual. Tem a ver com a função reprodutora, com a capacidade de o homem ter filhos. O nervo da ereção que passa do lado da próstata raramente é afetado, mesmo quando existe uma doença nessa glândula. Nos casos de câncer, tratamento que demande intervenção cirúrgica no local e radioterapia podem provocar lesões nesse nervo e isso, sim, irá comprometer a atividade sexual. Quero enfatizar, entretanto, que nem as prostatites, nem o câncer, quer benigno quer maligno, interferem com o mecanismo da ereção.

Drauzio – A prevenção do câncer de próstata envolve o toque retal, mas os homens costumam resistir a esse procedimento. Qual é sua experiência a respeito do assunto?

Miguel Srougi – O diagnóstico do câncer de próstata é feito de duas formas: pelo toque retal e pelo exame de sangue chamado PSA (antígeno prostático específico), uma proteína que só a próstata produz e que se eleva muito nos casos de câncer.

Na cabeça dos homens existe a fantasia de que o exame de PSA é suficiente para o controle preventivo do câncer. Na realidade, não é. Ele falha em 20% dos casos. Embora o de toque falhe em 35%, fazendo os dois juntos a probabilidade de deixar escapar um problema cai para 8%. Portanto, um exame não exclui o outro. Ao contrário, um complementa o outro na realização do diagnóstico.

Os homens relutam em fazer o toque retal por dois motivos: primeiro, por preconceito cultural típico do machismo latino. Segundo, por medo de sentir dor. Eles são muito mais medrosos do que a mulher, que enfrenta melhor qualquer situação dolorosa. O tempo me ensinou, porém, que o preconceito já não é tão forte como antes. Eles resistem, fazem piadas, acham ruim, mas acabam se submetendo ao exame de toque e no ano seguinte vêm tranquilos repetir o exame porque perceberam que não dói.

Drauzio – Vamos aproveitar e  explicar como é feito o exame de toque. Introduzindo um dedo médio no reto do paciente, o médico palpa a próstata. O que ele examina quando toca a próstata?

Miguel Srougi – O câncer de próstata quase sempre aparece na face posterior da próstata. É aí que ele cresce. Com o toque retal, o médico sente se há áreas endurecidas na próstata que é um órgão de consistência mole. Quando surge o câncer, ela adquire a consistência do osso dos dedos dobrados da mão. Dessa forma, é possível perceber nitidamente quando se trata de hiperplasia, ou crescimento benigno da próstata, ou de áreas duras que sugerem a presença de câncer. Nesse caso, o passo seguinte é fazer uma biópsia para verificar se o tumor é realmente maligno.

Drauzio – Como é feita a biópsia?

Miguel Srougi – A biópsia é feita com um agulha que entra pelo reto. É um exame que cria um certo desconforto, mas os médicos, cientes desse problema, o fazem sob pequena sedação do paciente. Ele dorme três minutos, tempo suficiente para colher o material para análise. Depois, o homem volta para casa ou vai trabalhar normalmente.

Drauzio – A biópsia só é feita quando há alguma suspeita de tumor?

Miguel Srougi – A biópsia é feita quando o exame de toque retal dá alterado e/ou o nível de PSA está muito alto. É importante ressaltar que o fato de o PSA estar elevado não indica necessariamente um câncer. Alguns doentes com crescimento benigno da próstata e outros com pequenos focos de infecção nesse órgão produzem mais PSA do que deveriam. No entanto, é fundamental que um homem com níveis elevados de PSA procure um médico para diagnóstico preciso.

Drauzio – Há uma recomendação de que todos os homens acima dos 50 anos façam exame de próstata. Por que acima dessa idade especificamente?

Miguel Srougi – A preocupação dos médicos é basicamente o câncer de próstata, uma vez que, em cada seis homens, um vai apresentar a doença. Câncer de próstata não produz sintomas na fase inicial, exatamente a fase em que o interesse no diagnóstico é maior, porque a doença é curável. Disso advém a importância do exame preventivo.

Como não produz sintomas, o tumor pode crescer de forma silenciosa e, quando é descoberto, em geral, já atingiu os tecidos vizinhos e a possibilidade de cura cai muito. Só para dar uma idéia, se o tumor ainda estiver contido pela glândula, é curável em 90%, 95% dos casos. Se escapar dali, mesmo antes de se espalhar, só por atingir os tecidos vizinhos, a chance de cura cai para 35%.

Sobre isso, existem dados interessantes nos Estados Unidos. Na década de 1960, 60% dos casos de câncer de próstata eram identificados já em fase avançada, com tumores disseminados pelo organismo. Depois das campanhas de prevenção, apenas de 6% a 10% dos doentes procuram assistência inicial com o câncer espalhado, ou seja, com metástases. Isso mostra como a medicina, enfocando o problema seriamente, conseguiu ajudar os homens em termos de saúde pública.

Drauzio – O hormônio masculino tem algum peso nas patologias da próstata?

Miguel Srougi – Durante algum tempo, imaginou-se que a testosterona pudesse causar hiperplasia. Hoje, se sabe que não. O hormônio masculino não causa nem crescimento exagerado da próstata nem câncer, outro mito que existia.

Há homens que fazem reposição hormonal com testosterona com a idéia falaciosa de que ela melhora a atividade intelectual, a força física, a potência sexual e produz rejuvenescimento. Na verdade, a testosterona só melhora a massa muscular e aumenta um pouquinho a libido, isto é, o apetite sexual. O resto é pura fantasia.

O hormônio sexual masculino não causa câncer nem hiperplasia. No entanto, se o indivíduo tiver um pequeno foco de câncer na próstata e tomar testosterona, o crescimento do tumor será muito mais rápido. Por isso, ninguém deve tomar testosterona sem antes procurar um médico para ter certeza de que não é portador de doença maligna na próstata. Se isso ficar esclarecido e ele decidir tomar o hormônio, deve fazer exames preventivos periódicos e com regularidade.

Drauzio – Se em cada seis homens um vai ter câncer de próstata, dando testosterona para cem homens, a incidência da doença será alta, porque o tumor vai crescer mais depressa em 17% deles.

Miguel Srougi – Por isso, pessoalmente condeno o uso rotineiro e indiscriminado da testosterona. Só vale a pena indicá-la nos casos de grande deficiência desse hormônio.

A casuística que possibilitou chegar à porcentagem citada em sua pergunta é americana. No Brasil, os números que parecem ser um pouco mais favoráveis e animadores, a meu ver, não são consistentes. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), que é formado por pessoas de alto valor e grande empenho, em 2003, irão surgir 35.000 novos casos de câncer de próstata em nosso país. Nos Estados Unidos, estão esperando 220.000.

O que justificaria tamanha discrepância entre os dois índices? Na verdade, acho que a incidência de câncer de próstata no Brasil é igual à americana. Se fizermos uma biópsia em cem homens americanos com mais de 50 anos, descobriremos que 5% deles têm câncer de próstata. Se fizermos o mesmo exame em cem brasileiros, o resultado será idêntico, só que aqui a previsão é de 35.000 casos porque existe uma subnotificação. O INCA não consegue computar o número de casos porque os médicos não notificam. Para ter uma idéia, vejo 40, 50 casos por mês que não são registrados em lugar nenhum.

Mais perverso do que isso é a indigência de nosso sistema de saúde. Muitos homens brasileiros desenvolvem a doença e entram em padecimento porque não são diagnosticados nem têm acesso ao sistema de saúde pública para o diagnóstico precoce da doença.

Drauzio – Quais são os homens com maior risco de apresentar câncer de próstata?

Miguel Srougi – Exames de toque e de PSA são especialmente importantes para as pessoas com maior risco de câncer: homens com história familiar da doença, negros e indivíduos com dieta excessivamente gordurosa.

Nos Estados Unidos, pesquisas mostram que os negros têm três vezes mais câncer de próstata do que os brancos. No Brasil, um trabalho realizado pelo Dr. Edson Pasqualin, no pequeno município de Ipirá, na Bahia, com 470 homens submetidos à biópsia, demonstrou que a incidência de câncer de próstata foi 9 vezes maior nos negros do que nos brancos.

Outro grupo de risco é constituído pelos indivíduos com histórico familiar da doença. Se a pessoa tiver pai, irmão ou os dois com câncer de próstata, o risco de desenvolver a doença aumenta de duas a cinco vezes. Nesses casos familiares, entretanto, o câncer costuma ser um pouco menos agressivo.

Ao terceiro grupo de risco pertencem os indivíduos que comem muita gordura. No norte da Europa e nos Estados Unidos, lugares em que a ingestão de gordura é alta, o câncer de próstata é sete vezes mais comum do que no Japão ou na China, países em que a população se alimenta basicamente de peixes e cereais.

Trabalho interessante foi realizado nos Estados Unidos em ratinhos com câncer de próstata induzido experimentalmente. Um grupo recebeu dieta com 2% de gordura e o outro, com 40%. O tumor dos que receberam dieta mais gordurosa demonstrou ser quatro vezes mais volumoso do que o tumor dos que receberam pouca gordura e espalhou-se pelos outros tecidos do organismo

FONTE- http://drauziovarella.com.br

Câncer de colo de útero – Drauzio Varela

Mada será detaque no Sem Censura Pará

Câncer de colo de útero, também conhecido por câncer cervical, é uma doença de evolução lenta que acomete, sobretudo, mulheres acima dos 25 anos. O principal agente da enfermidade é papilomavírus humano (HPV), que pode infectar também os homens e estar associado ao surgimento do câncer de pênis.

Antes de tornar-se maligno, o que leva alguns anos, o tumor passa por uma fase de pré-malignidade, denominada NIC (neoplasia intraepitelial cervical), que pode ser classificadaem graus I, II, III e IV de acordo com a gravidade do caso.

Embora sua incidência esteja diminuindo, o câncer de colo de útero ainda está entre as enfermidades que mais atingem as mulheres e levam a óbito no Brasil.

Felizmente, as estatísticas estão mostrando que 44% dos casos diagnosticados no País são de lesão in situ precursora do câncer, que ainda está restrita ao colo e não desenvolveu características de malignidade. Nessa fase, a doença pode ser curada na quase totalidade dos casos.

Tipos de tumor

Os dois tipos mais frequentes de tumor maligno de colo de útero estão associados à infecção pelo HPV. São eles: os carcinomas epidemoides (80% dos casos) e os adenocarcinomas (20% dos casos).

Fatores de risco

A infecção pelo HPV, responsável pelo aparecimento das verrugas genitais, representa o fator de maior risco para o surgimento do câncer de colo de útero. Apesar de existir mais de uma centena de subtipos diferentes desse vírus, somente alguns estão associados ao câncer de colo uterino. São classificados como de alto risco os subtipos 16, 18, 45, 56; de baixo risco, os subtipos 6,11,41,42 e 44 e de risco intermediário, os subtipos  31, 33, 35, 51 e 52.

Podem ser citados, ainda, como fatores de risco:

1) início precoce da atividade sexual;

2) múltiplos parceiros sexuais ou parceiros com vida sexual promíscua;

3) baixa da imunidade;

4) cigarro;

5) más condições de higiene.

Sintomas

Nas fases iniciais, o câncer de colo de útero é assintomático. Quando os sintomas aparecem, os mais importantes são: 1) sangramento vaginal especialmente depois das relações sexuais, no intervalo entre as menstruações ou após a menopausa; 2) corrimento vaginal (leucorreia) de cor escura e com mau cheiro.

Nos estágios mais avançados da doença, outros sinais podem aparecer. Entre eles, vale destacar: 1) massa palpável no colo de útero; 2) hemorragias; 3) obstrução das vias urinárias e intestinos; 4) dores lombares e abdominais; 5) perda de apetite e de peso.

Diagnóstico

A avaliação ginecológica, a colposcopia e o exame citopatológico de Papanicolaou realizados regular e periodicamente são recursos essenciais para o diagnóstico do câncer de colo de útero. Na fase assintomática da enfermidade, o rastreamento realizado por meio do Papanicolaou permite detectar a existência de alterações celulares características da infecção pelo HPV ou a existência de lesões pré-malignas.

O diagnóstico definitivo, porém, depende do resultado da biópsia. Nos casos em que há sinais de malignidade, além de identificar o subtipo do vírus infectante, é preciso definir o tamanho do tumor, se está situado somente no colo uterino ou já invadiu outros órgãos e tecidos (presença de metástases). Alguns exames de imagem (tomografia, ressonância magnética, RX de tórax) representam recursos importantes nesse sentido.

Prevenção

A prevenção do câncer de colo de útero está diretamente associada ao esclarecimento e avanço educacional da população a respeito dos fatores de risco e de como evitá-los.  Dada a importância do diagnóstico precoce, as mulheres precisam ser permanentemente orientadas sobre a necessidade de consultar o ginecologista e fazer o exame de Papanicolaou nas datas previstas, como forma de identificar possíveis lesões ainda na fase de pré-malignidade.

No entanto, a vacinação das meninas  nos primeiros anos de vida contra o HPV continua sendo medida preventiva bastante eficaz, apesar de não proteger contra todos os subtipos do vírus.

Vacinas

Existem duas marcas de vacinas aprovadas para prevenir a infecção por determinados subtipos do HPV, alguns deles responsáveis pela maioria dos casos de câncer de colo uterino.

A vacinação é recomendada para meninas ainda na infância, em três doses, antes do início da atividade sexual.  No entanto, como ainda não há vacinas contra todos os subtipos do vírus, que são muitos, mulheres já vacinadas devem continuar fazendo o exame preventivo de rastreamento, o Papanicolaou, que é oferecido também pelo SUS nas Unidades Básicas de Saúde.

Tratamento

Parte das mulheres sexualmente ativas, que entra em contato com o HPV, pode debelar a infecção espontaneamente ou com tratamento médico pertinente. Caso isso não ocorra, o tratamento tem por objetivo a retirada ou destruição das lesões precursoras pré-malignas.

No entanto, uma vez confirmada a presença de tumores malignos, o procedimento deve levar em conta o estágio da doença, assim como as condições físicas da paciente, sua idade e o desejo de ter, ou não, filhos no futuro.

A cirurgia só deve ser indicada, quando o tumor (carcinoma in situ) está confinado no colo do útero. De acordo com a extensão e profundidade das lesões, ela pode ser mais conservadora ou promover a retirada total do útero (histerectomia).

A radioterapia externa ou interna (braquiterapia) tem-se mostrado um recurso terapêutico eficaz para destruir as células cancerosas e reduzir o tamanho dos tumores. Apesar de a quimioterapia não apresentar os mesmos efeitos benéficos, pode ser indicada na ocorrência de tumores mais agressivos e nos estádios avançados da doença.

Recomendações

* Não existe idade mínima para as meninas receberem as vacinas disponíveis contra a infecção pelo HPV, apesar de a orientação ser ministrá-la a partir dos 9 anos de idade;

* Toda mulher precisa estar consciente de que o exame de Papanicolaou realizado periodicamente representa uma estratégia de rastreamento do câncer de colo uterino que pode salvar vidas.

* Nunca é demais ressaltar, que o uso da camisinha em todas as relações sexuais é um cuidado indispensável contra a infecção não só pelo HPV, mas também por outros agentes de doenças sexualmente transmissíveis.

 Drauzio Varela

SEXO : Ejaculação Precoce – Dráuzio Varela

Tumblr_lz6ryv1wb81qlyujyo1_500_large

Considera-se precoce a ejaculação que ocorre logo após a penetração ou até mesmo antes, sem que o homem tenha controle desse esse evento.

Para caracterizar o distúrbio, é preciso que o episódio se repita com frequência e o homem não consiga satisfazer a parceira em pelo menos 50% das relações. Em certos casos, o descompasso é provocado pelo fato de a mulher necessitar de mais tempo para atingir o orgasmo. Muitas vezes, nem o próprio paciente sabe dizer quanto tempo leva para ejacular, mas as pesquisas indicam que o homem sem problemas leva, em média, de dois a quatro minutos.

Causas

A principal causa da ejaculação precoce é a ansiedade. Embora parte dos indivíduos consiga controlá-la durante o ato sexual, a grande maioria dos ejaculadores precoces é ansiosa. O problema é que quanto mais repetidas forem essas ejaculações, mais ansiosos eles ficam, mais adrenalina produzem e mais rápido ejaculam. Em alguns casos, a ansiedade é tanta que acabam desenvolvendo algum tipo de disfunção erétil.

Nenhuma teoria sobre as causas orgânicas da ejaculação precoce foi comprovada. Sabe-se, porém, que algumas doenças neurológicas podem provocar o distúrbio.

Prevalência

A ejaculação precoce é comum na adolescência. A falta de experiência, o medo do mau desempenho ou de que alguém apareça de repente, entre outros fatores, criam um estado de ansiedade que acelera o momento da ejaculação. A tendência é o problema desaparecer à medida que são superados esses obstáculos.

A ejaculação precoce secundária pode acometer homens de qualquer idade, com tempo de ejaculação normal, mas que por algum motivo se tornaram mais ansiosos.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico e depende do levantamento criterioso da história do paciente. na maioria dos casos, a principal queixa é a dificuldade de satisfazer a companheira.

Tratamento

O tratamento inclui psicoterapia e/ou o uso de antidepressivos (inibidores seletivos de recaptação da serotonina), que aumentam a quantidade de serotonina no cérebro. O que se espera é que ele seja eficaz para baixar o nível de ansiedade e aprender a controlar a resposta ejaculatória.

Nesse processo, é muito importante contar com a ajuda de uma parceira cooperativa.

Recomendações

* Não se acanhe se tiver ejaculação precoce e procure a ajuda de um especialista para resolver o problema. A terapia sexual costuma dar bons resultados;

* Esteja aberto para o tratamento psicoterápico. Além de ajudar a resolver a causa do problema, ele envolve a participação da companheira, o que repercute na melhora do relacionamento;

* Saiba que o orgasmo simultâneo é raro. O que importa, realmente, é que os parceiros se satisfaçam com a relação sexual, cada um a sua maneira e no seu tempo;

* Considere a conveniência do uso prolongado dos antidepressivos, pois o problema costuma voltar, quando o tratamento é suspenso.

Fonte-http://drauziovarella.com.br

375434_244498255617767_174496595951267_600373_253318466_n_large

RELACIONAMENTOS…

Alferce, aldeia em flor 2007

6

“Uma relação tem que servir para tornar a vida dos dois mais fácil. Vou dar continuidade a esta afirmação porque o assunto é bom e merece ser desenvolvido. Algumas pessoas mantêm relações para se sentirem integradas na sociedade, para provarem a si mesmas que são capazes de ser amadas, para evitar a solidão, por dinheiro ou por preguiça. Todos fadados à frustração.
Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado. Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso.
Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e,quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo. Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar aconfiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa. Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia,
e cobrirem o corpo um do outro quando o cobertor cair.
Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois”.

Drauzio Varela