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Jorge AMADO Jorge

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Dificilmente haverá um escritor com a vida tão movimentada e aventurosa quanto Jorge Amado. 

Filho de fazendeiros do interior  da Bahia (seu pai era um dos “coronéis” que ele retrataria tão bem),suas memorias de infância serão marcadas por esses acontecimentos típicos do sertão nordestino, como o fato de seu pai ser ferido por uma tocaia na própria fazenda, que passou também por uma epidemia de varíola. 

Alfabetizado em casa, seguiu estudos em colégios internos, como era de regra na época, de um dos quais fugiu com 12 anos fazendo uma viagem de meses para visitar o avo paterno, que morava em Sergipe. Um dos padres do colégio, notando seu talento literário, lhe deu livros clássicos para  ler, influenciando na sua formação e aumentando seu interesse.Ele foi de colégio em colégio, até  finalmente se formar em direito no Rio de Janeiro, com notas brilhantes; no entanto, nunca iria advogar. No Rio de Janeiro, travou amizade com intelectuais e escritores da época (Vinicius de Morais, Raul Bopp, Rachel de Queiroz e muitos outros). Seu primeiro romance, País do Carnaval, foi um sucesso rápido, e seu titulo torna-se um novo estereótipo. O Brasil passa a ser pensado e descrito como sendo, de fato, o país do carnaval.

Em seguida, publicou o romance Cacau, escrito com apenas 21 anos, uma pequena obra prima sobre a vida de um trabalhador de fazenda em condição análoga a de escravo. No entanto, nota-se que é um livro irregular, ora magnífico, ora apresentando características de um escritor ainda imaturo.Seguindo uma linha neorealista, ia em posição contrária ao modernismo da semana de 1930. Sua profissão de fé na luta de classes e no idealismo socialista vai acompanhar praticamente toda sua obra. 

Seu maniqueísmo literário pode não agradar a crítica, mas agrada ao povo, que esgota rapidamente as tiragens de seus romances. A crueldade das classes dominantes, as penas  desproporcionalmente longas infligidas aos presos pobres, o analfabetismo, a miséria, a mortalidade infantil, os órfãos sem rumo,tudo é retratado com muita verossimilhança nesta obra que se assemelhara à de Balzac pela quantidade de livros e pela qualidade das emoções que evoca nos leitores.

“O sentido de documento, de grito, é sem dúvida a coisa que surge mais clara no novo romance brasileiro. Não é negócio de escola, besteira de grupo. É pensamento natural que não podia deixar de acontecer. Os novos romancistas, brasileiros, não apenas os do Norte, não acreditaram mais em brasilidade e em verde amarelismo. Viram mais longe. Viram esse mundo ignorado que é o Brasil. E o Brasil é um grito, um pedido de socorro. Não falo aqui em frase de deputado baiano na Assembleia: “O Brasil está na beira do abismo”. Isso é literatura de quem tem 6 contos por mês. Grito, sim, de populações inteiras, perdidas, esquecidas, material imenso para imensos livros. Daí essa angústia que calca as paginas dos  modernos romances brasileiros, servidos todos por um clima doloroso, asfixiante. Romancistas novos do Brasil, revolucionários ou reacionários, nos seus livros vive um clamor, um grito que era desconhecido e que começa a ser ouvido.” Palavras de Jorge Amado em “Uma história do romance de 30″ de Luís Bueno.

Jorge Amado trabalha como criador e diretor de várias revistas, sempre escrevendo sem cessar (entre outros livros de sucesso, Capitães de Areia, obra que virou também um belíssimo filmenacional, data dos anos 50).Em auto-exílio no regime getulista, vive na Argentina, no Uruguai, em Paris e em Praga. 

Uma curiosidade desse período é que, apos ser preso por um mês pela ditadura getulista, ele passa quase dois anos escondido na cidade de Estância, em Sergipe, onde acaba se tornando um verdadeiro agitador cultural com um grupo que frequentava a papelaria da pequena cidade, inventando até um concurso de miss e elegendo a sua candidata favorita. É dessa cidade sua primeira mulher, Matilde, com quem terá uma filha.

Em 1945, tornou-se deputado pelo Partido Comunista e participou da famosa Assembleia Constituinte de 1946, com avançadas conquistas democráticas para a época. Jorge Amado foi  responsável por criar varias leis pioneiras de incentivo a cultura. Foi também responsável pela emenda que garantiu a liberdade religiosa no Brasil, pois presenciou  vários tipos de perseguição religiosa.

Adepto do Candomblé, embora se dissesse comunista e materialista, como bom baiano, essa dualidade não lhe causava problema.Nessa época publicou  Seara Vermelha e Gabriela, Cravo e Canela, entre outros. Albert Camus descreve Jubiabá como “magnifico e assombroso”.Motivado por esse livro, o fotografo e etnólogo Pierre Verger visita a Bahia, de onde não saiu mais, e tornou-se grande amigo de Jorge Amado.Em 1961 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira cujo patrono era José de Alencar. Em memória dessa conquista, escreveu Farda, Fardão, Camisola de Dormir, numa alusão clara a idade vetusta dos participantes.Nessa época, e alegando utilizar métodos semelhantes aos de Jorge Amado para escrever, Glauber Rocha realizou o filme A Idade da Terra, tudo em meio a intensa correspondência com o autor.

Na década de 1960, lançou as obras “Os Velhos Marinheiros” (que compreende duas novelas, das quais a mais famosa é “A morte e a morte de Quincas Berro d’Água”), “Os Pastores da Noite”, “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e “Tenda dos milagres”.

Sua franca produção literária continua mesmo na velhice, nos anos 1970 publica ainda os grandes sucessos “Teresa Batista Cansada de Guerra”  e “Tieta do Agreste”, mais tarde transformada, como muitos hão de recordar, em uma novela de grande sucesso realizada pela Rede Globo. 

Além disso, foi parceiro de muitos músicos em várias canções de sucesso, notadamente com Dorival Caimmi.

Seu ultimo livro refere-se à presença dos  imigrantes no Brasil, “A Descoberta da América pelos Turcos”.

Jorge Amado foi traduzido em mais de 48 línguas e em mais de 50 países. Sua segunda esposa, Zelia Gattai, também publicou vários livros. Na extinta União Soviética, seus livros se tornaram imensamente populares, traçando um panorama realista da vida no terceiro mundo e fazendo com que muitos leitores se interessassem pelo Brasil.

Vivendo exclusivamente dos direitos autorais de seus livros, teve suas economias abaladas pela falência do Banco Econômico, banco que, no entanto, foi salvo pelo controvertido programa governamental,o Proer.

Jorge Amado envelheceu e faleceu em sua famosa casa do Rio Vermelho na Bahia, cercado por amigos como Caribé e Mãe Menininha do Gantois, com muitas obras de arte trazidas de todos os cantos do mundo, usando sempre um chapéu ou boné, com sua família, filhos, netos, noras, irmãos sempre muito próximos, não esquecendo de seus cães da raça pug, que Dorival Caimmi dizia serem mestiços de cachorro com porco.

Apesar dos sucessos televisivos e no cinema, as adaptações de suas obras não traduzem a riqueza de suas descrições e de sua linguagem.

É de se lamentar que Jorge Amado esteja “fora de moda” e que não seja atualmente recomendado como leitura obrigatória nas escolas. Qualquer advogado que se interesse pela problemática do trabalho escravo nas fazendas do interior do Brasil, por exemplo, deveria ler Cacau, cuja descrição ainda se aplica a muitos dos fenômenos que ocorrem nos rincões mais distantes deste país.

Utilizando todos os palavrões da língua pátria,  e as descrições realistas com maestria, ler Jorge Amado é sempre um choque e ao mesmo tempo um prazer indescritível, temperado com uma boa dose de bom humor e otimismo.

Jorge Amado era um grande escritor de cartas e deixou milhares de paginas, que se encontram arquivadas no museu- fundação com o seu nome, e que deverão ser abertas 50 anos após sua morte. Os seus leitores e

admiradores aguardam com muita curiosidade.

Texto de Claudia Lopes Borio*

Fonte do texto citado: Jorge Amado, Apontamentos Sobre o Moderno

Romance Brasileiro, Revista Lanterna Verde, Boletim da Sociedade

Felippe d’Oliveira, maio de 1934, Rio de Janeiro, pagina 49.

ATENÇÃO AMIGOS!!
ASSISTAM , ESTÁ MARAVILHOSO ESTE PROGRAMA DA TVZINHA!
PRODUÇÃO: LAIS DANTAS E ELISABETE CUNHA
Chegamos oficialmente a 500 programas e, como eu disse, de uma maneira muito especial, junto com os “casos e causos e místicas” ao redor da história e dos 100 anos de Jorge Amado que, nas palavras de Jonga – seu neto – nunca esteve tão vivo e pulsante. Um programa imperdível!


*FESTA DE YEMANJÁ – 2 DE FEVEREIRO*

 

Antonietta  de  Aguiar  Nunes (*)

   “Dia 2 de fevereiro – dia de festa no mar”, segundo a música do compositor baiano Dorival Caymi. É o dia em que todos vão deixar os seus presentes nos balaios organizados pelos pescadores do bairro do Rio Vermelho junto com muitas mães de santo de terreiros de Salvador, ao lado da Casa do Peso, dentro da qual há um peji de Yemanjá e uma pequena fonte. Na frente da casa, uma escultura de sereia representando a Mãe d´Água baiana, Yemanjá. Desde cedo formam-se filas para entregar presentes, flores, dinheiro e cartinhas com pedidos, para serem levados à tarde nos balaios que serão jogados em alto mar.
 É única grande festa religiosa baiana que não tem origem no catolicismo e sim no candomblé. (Dia 2 de fevereiro é dia de N.Sra. das Candeias, na liturgia católica, e esta Nossa Senhora é mais freqüentemente paralelizada com Oxum, a vaidosa deusa das águas doces). 
 Iemanjá, rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta (AMADO,1956;137)
 Dois de fevereiro é – oficiosamente – feriado na Bahia. É considerada a mais importante das festas dedicadas a Yemanjá, embora Silva Campos narre que antigamente a mais pomposa festa a ela dedicada era a efetuada no terceiro domingo de dezembro, em Itapagipe, em frente ao arrasado forte de São Bartolomeu  (SILVA CAMPOS, 1930;415). Odorico TAVARES (1961;56) narra que, nos outros tempos, os senhores deixaram seus escravos uma folga de quinze dias para festejarem a sua rainha em frente ao antigo forte de São Bartolomeu em Itapagipe. QUERINO (1955;126/7) confirma ser na 3a dominga de dezembro a festa comemorada em frente ao antigo forte de S.Bartolomeu, hoje demolido, “à qual compareciam para mais de 2.000 africanos”. Tio Ataré era o pai de santo residente na rua do Bispo, em Itapagipe, que comandava os festejos. Reuniam os presentes em uma grande talha ou pote de barro que depois era atirada ao mar. A festa durava quinze dias, durante os quais não faltavam batuques e comidas típicas baianas, com azeite de dendê. Hoje a festa do Rio Vermelho dura só o dia 2, prolongando-se pelo fim de semana seguinte, quando próximo.
 SILVA CAMPOS conta também uma lenda de que no Rio Vermelho havia uma rendosa armação de pesca de xaréu sendo bastante abundante tal peixe alí. Certa feita, veio junto com eles na rede, uma sereia. O proprietário do aparelho, querendo viver em paz com a gente debaixo d´água fê-la soltar imediatamente. Anos depois, sendo outro o dono da armação, novamente caiu uma sereia na rede e eles resolveram pegá-la e levá-la, carregada por dois pescadores, para assistir missa na igreja do povoado (não se sabe se na de Santana ou na extinta capela de São Gonçalo). Ela ficou o tempo todo chorosa e envergonhada; terminada a cerimônia soltaram-na à beira-mar. Desde esse dia nunca mais se pegou um xaréu que fosse nas águas do porto de Santana do Rio Vermelho, apesar dos pescadores anualmente levarem oferendas à Mãe d´Água (SILVA CAMPOS, 1930;417).
 O pintor Licídio Lopes, morador antigo do Rio Vermelho, conta em suas memórias que era “entre a praia do Canzuá e a da Paciência, por cima das pedras” que “havia uma gruta muito grande que os antigos diziam que era a casa da Sereia ou Mãe d´Água, porém ela não morava mais ali e a gruta estava abandonada” Esta gruta foi destruída por uma pedreira, na década de 20 do século XX, mas permaneceu a pedra da Sereia; na gruta e nesta pedra é que se botavam presentes para a Mãe d´Água ou sereia. Agora que não existe mais a gruta, botam presentes em todas as praias, e se dá preferência à maré enchendo ou cheia. Conta ainda que o grande presente para Iemanjá, no dia 2 de fevereiro, é uma idéia que não veio das seitas de candomblé, mas de um pescador, querendo reviver a festa do Rio Vermelho, já que a de Santana estava ficando menos concorrida. Decidiram dar um presente à Mãe d´Àgua no dia 2 de fevereiro. Pescadores e peixeiros se reuniram para organizar a festa que começava com uma missa na igreja de Santana de manhã e à tarde botavam o presente para a Rainha do Mar; houve problema com um padre que não gostou que se misturasse missa com presente para uma sereia e eles resolveram não celebrar mais missa e apenas botar o presente à tarde para Iemanjá. Mas como ocorressem algumas dificuldades e imprevistos, alguém lembrou que essa obrigação era feita na África, onde Iemanjá é mãe de todos os orixás. Como no Rio Vermelho não existisse na ocasião algum terreiro, foram procurar em outros bairros uma casa que se encarregasse das obrigações para dar o presente. A mãe de santo Júlia Bugan, que tinha casa de Candomblé na Língua de Vaca, perto do Gantois, foi quem  orientou, dando uma nota para comprarem tudo o que era preciso. Fez os trabalhos e preceitos, colocou na talha que pedira e dentro do balaio, enfeitou com muitas fitas e flores e mandou-o para a casinha de pescadores no dia 2 de manhã. A partir de então continuaram fazendo sempre este preceito para tudo correr bem 
Em 1988, 89 e 90 o preceito foi realizado por Waldelice Maria dos Santos, do Engenho Velho da Federação (SANTOS,1990;28 e 34)
A partir de 1967 o Departamento de Turismo passou a ajudar. Em 1969 foi feito o pedestal junto à casa dos pescadores e colocada a estátua de uma sereia feita por Manuel Bonfim. (LOPES,1984;58/9 e 61).
 No largo de Santana e cercanias armam-se muitas barracas, onde o devoto, depois de depositar sua oferenda, pode ficar tomando uma bebida, degustando as típicas e tradicionais comidas baianas, beliscando aperitivos e revendo os conhecidos e amigos, que sempre aparecem neste dia por lá.
 Às 4 da tarde é que saem os barcos que levam os balaios cheios de oferendas a serem lançados em alto mar. Quando as embarcações voltam para a terra os acompanhantes não olham para trás, que faz mal. Diz a lenda, que os presentes que Yemanjá aceita ficam com ela no fundo do mar, e os que ela não aceita são devolvidos à praia pela maré, à noite e no dia seguinte, para delícia dos meninos, que vão catar nas praias os presentes não recebidos por ela. 
 AMADO (1956;136) conta que se Iemanjá aceitar a oferta dos filhos marinheiros é que o ano será bom para as pescarias, o mar será bonançoso e os ventos ajudarão aos saveiros; se ela o recusar,… ah! as tempestades se soltarão, os ventos romperão as velas dos barcos, o mar será inimigo dos homens e os cadáveres dos afogados boiarão em busca da terra de Aiocá.
 Odorico TAVARES conta uma lenda iorubana que diz que quando Orungan, filho de Iemanjá, apaixonado pela mãe, tentou violentá-la, ela o repudiou e saiu correndo pelos campos, com o incestuoso ao seu alcance. Num dado momento ela caiu e seu corpo começou a crescer; dos seus seios saíram dois rios e seu ventre despedaçou-se dando origem a quinze orixás que regem os vegetais, o trovão, o ferro, a guerra, o mar, os lagos, rios africanos, a agricultura, os caçadores, os montes, as riquezas, a varíola, o sol e a lua (TAVARES,1961;53/4). CACCIATORE (1977;267) os nomeia, não na mesma ordem: Dadá, Xangô, Ogun, Olokun, Oloxá, Oyá, Oxum, Obá, Okô, Okê, Xampanã, Oxossi, Ajê Xalugá, Orun (sol) e Oxupá (lua). 
 No Brasil Yemanjá é orixá do mar e considerada mãe de todos os orixás de origem iorubá (os de origem daomeana – Omolu, Oxumaré e às vezes Exu – são tidos como filhos de Nanã).
 VERGER (1987;50) narra a lenda africana de Yemanjá que era filha de Olokum, a deusa do mar. Casou-se, em Ifé, com Olofim-Odudua., com quem teve dez filhos que se tornaram orixás. De tanto amamentar os filhos, seus seios se tornaram imensos. Cansada da estadia em Ifé, fugiu para o oeste, chegando a Abeokutá. Ao norte desta cidade vivia Okere, rei de Xaki, que desejou desposá-la. Ela concordou, com a condição de que ele nunca ridicularizasse o tamanho de seus seios. Ele assentiu e sempre a tratava com consideração e respeito, mas um dia, voltando bêbado para casa, gritou para ela: “você com seus seios compridos e balouçantes! você com seus seios grandes e trêmulos!”. Yemanjá, ofendida, fugiu em disparada. Antes de seu primeiro casamento Yemanjá recebera de Olokum, sua mãe, uma garrafa contendo uma poção mágica pois, “nunca se sabe o que pode acontecer amanhã”; em caso de necessidade Yemanjá deveria quebrar a garrafa, jogando-a no chão. Em sua fuga, Yemanjá tropeçou e caiu, a garrafa quebrou-se, e dela nasceu um rio cujas águas levaram Yemanjá em direção ao mar, residência de sua mãe. Okere, contrariado, quis impedir a fuga de sua mulher e foi-lhe ao encalço. Para barrar-lhe o caminho transformou-se em uma colina, ainda hoje chamada Okere. Não conseguindo passar, Yemanjá chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos. Ele pediu uma oferenda e, recebida, disse-lhe que no dia seguinte ela encontraria por onde passar. Nesse dia Xangô desfez os nós que prendiam as amarras das chuvas e as nuvens começaram a se reunir; Xangô então lançou seu raio sobre a colina Okere, ela abriu-se em duas, e as águas do rio de Yemanjá atravessaram a colina e a levaram até o mar, onde ela resolveu ficar e não voltar mais à terra.
 Yemanjá é festejada em muitos locais na Bahia. Vive e é festejada na Ribeira, em Plataforma; na península de Humaitá, onde fica a igrejinha de Montserrate; na Gameleira, na ilha de Itaparica; no Rio Vermelho, frente à igreja de Santana, e em muitos outros lugares conhecidos pelos seus filhos e filhas de santo, que vão aí oferecer seus presentes e fazer suas obrigações.
 
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

AMADO, Jorge. Bahia de Todos os Santos (Guia das ruas e dos mistérios da cidade do Salvador) 4a ed. São Paulo: Martins, 1956. 310 p.
CACCIATORE, Olga Gudolle. Dicionário de Cultos Afro-Brasileiros. Rio de Janeiro: Forense, 1977. 279 p.
LOPES, Licídio. O Rio Vermelho e suas tradições; memórias. Salvador: Fundação ?cultural do Estado da Bahia, 1984. 109 p.
MAIA,  Carlos Vasconcelos.  ABC do candomblé. Bahia: Carlito Editor, s/d (1978) 93 p. (Coleção do autor;III)
QUERINO, Manuel. A Bahia de outrora.  Salvador: Progresso, 1955.  348 p.
SILVA CAMPOS, João da. “Tradições Bahianas” in Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia no 56, 1930, pp 353-557.
TAVARES, Odorico. Bahia imagens da terra e do povo. 3a ed. Rio de Janeiro: civilização Brasileira, 1961. 298 p.
VERGER, Pierre Fatumbi. Lendas Africanas dos Orixás. 2a ed. São Paulo:Corrupio, 1987. 96p.
VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás – Deuses iorubás na África e no novo mundo. Salvador: Corrupio /  São Paulo: Círculo do Livro, 1981. 295 p.
VIANNA, Hildegardes. Calendário de festas populares da cidade do Salvador. Salvador: Secretaria Municipal de Educação e Cultura, 1983. 43 p.
 

  (*)Historiógrafa do Arquivo Público do Estado e Professora Assistente de História da Educação na FACED/UFBa

 

BAHIA ENCANTADA!

Ivan CarneiroTumblr_lq91vx0d7z1qjlezro1_500_large


A Praia de Itacaré e, abaixo, o Pelourinho, o Elevador Lacerda e o Mercado Modelo: natureza, história e arte, tudo no mesmo estado!
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” …ê ô! Bahia, fonte mística, encantada
ê ô! Expande o teu axé, não esconde nada
Teu canto de alegria ecoa longe, tempo e espaço
Rainha do Atlântico…”

[ Caetano Veloso ]

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