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A dor da Rejeição

 

Se uma pessoa o rejeita, não significa que você é ruim ou que tem menos valor que outros. Significa apenas que a outra pessoa não está sintonizada com o seu desejo, naquele momento.

Não há motivo para vergonha, depressão, ou sentimento de menos valia. Ao contrário, se alguém é rejeitado significa que possui a capacidade de se envolver afetivamente.

Isso deve ser um alento quando suas esperanças esbarram no “não” do outro. Mais triste do que a dor de uma rejeição é o sofrimento de quem congela o desejo por medo de se decepcionar.

A rejeição faz parte das experiências que se tem na vida.

É saudável sentir-se decepcionado ao ser excluído ou barrado no afeto de alguém que você desejaria ter ao lado. Esse sentimento doloroso faz parte do processo de processamento interno do que aconteceu.

No primeiro momento, a tendência pode ser de carregar as tintas e ver tudo escuro.

Ninguém gosta de ser rejeitado. Porém, a pessoa com autoestima satisfatória não fica estacionada aí e logo se move adiante.

O mundo não se reduz a alguém, ou a um grupo de pessoas. Sua vida será tanto mais ampla quanto for seu olhar sobre o horizonte.

Se o indivíduo não se deixar aprisionar pela rejeição, encontrará oportunidades para viver novas experiências que lhe trarão momentos mais felizes do que poderia imaginar.

O universo costuma apresentar seus presentes mais valiosos para aqueles que seguem em frente e não se detém diante de aparentes fracassos.

A chave é deixar o medo de lado e acreditar no seu valor e na sua capacidade de atrair para sua vida o que o (a) fará feliz.

Assim, como a terra e as flores se renovam em beleza e perfumes depois da tempestade, sua vida se encherá de amor e alegrias se aprender a superar uma rejeição, por mais difícil que possa parecer.

 

Relacionamento – Dez dicas para superar a rejeição


@ Não tome a rejeição como se houvesse algo errado com você. As pessoas fazem escolhas por razões que são delas. Você não precisa ser aceito (a) nem aprovado por todos.

@ A rejeição não significa que você não merece ser amado (a). Não é realista esperar que todos seus desejos e expectativas se realizem. Se alguém não quer você em sua vida, agradeça.

@ A pior coisa é ficar em banho-maria, nem lá, nem cá, vivendo na dúvida. Uma vez que alguém é rejeitado em alguma situação, ganha de presente a liberdade para seguir em frente!

@ Em vez de olhar para a porta que se fechou, mire o horizonte e as infinitas possibilidades que se abrem para você. 

@ Quando uma pessoa se sente devastado por uma experiência de rejeição,não é pelo outro que sofre. A depressão e o pensamento obsessivo em torno do fato é decorrente de problemas emocionais da própria pessoa. Nesse caso, o melhor é tomar uma providência e buscar ajuda psicoterapêutica.

@  Aproveite o momento para iniciar um projeto de vida que você vem adiando. Ao voltar sua atenção e energia em um projeto que trará satisfação pessoal, você conseguirá superar o sentimento de rejeição mais facilmente.

@ Aproveite todas as oportunidades para crescer com as experiências vividas. Pergunte-se o que pode aprender sobre você mesmo (a) com a situação.

@ Use o momento para dar um up grade total. Interno e externo. Cuidar de si mesmo (a) faz bem à autoestima e aumenta a autoconfiança. Comece a meditar, mude o cabelo, renove algumas peças do guarda-roupa, leia sobre autoconhecimento, entre para uma academia, inicie a dieta que vem adiando há tempos, comece uma terapia, faça shiatsu,  mude o estilo de se vestir, entre para uma aula de dança de salão, etc…

@ Entre em contato com antigos colegas e amigos de infância que você não vê há tempos. Aproveite para renovar os laços de amizade e se divertir.

@ Resista aos impulsos de ficar contando para todo mundo o que aconteceu. A necessidade de ouvir opiniões e desabafar a torto e a direito mostra um transbordamento interno. Ninguém poderá curar a sua dor, a não ser você mesmo(a).

Acredite na sua capacidade de se renovar e de superar eventos que causam sofrimento. Aprenda e cresça com suas experiências. Esse é o caminho para a maturidade emocional, condição indispensável para uma vida feliz.

Texto de Jael Coaracy

 

Sobre a Perversidade by Marla de Queiroz

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O perigo da perversidade é que ela é muito sútil. Um ser perverso jamais te atacará diretamente. Ele vai saborear cada silêncio calculado para despertar sua agonia. Ele vai tentar tolher seus lugares íntimos até que não reste qualquer espaço para manobras. Ele vai te seduzir da maneira mais irresistível e depois te tratar com um descaso inexplicável, como se algo de errado tivesse acontecido, mas sem te dar quaisquer indícios do que possa ter acontecido.

Ele será carismático com os outros, prestativo, mas demonstrará impaciência em responder à sua mais simples pergunta. Ele vai oscilar entre o tesão e a indiferença. Você se sentirá desejada quando o sufoco tiver tomado toda a sua alma e, totalmente desamparada quando o desejo demonstrado parecer esvaído nos primeiros suspiros da manhã. E o dia seguinte se tornará um longo e agonizante ano.

Ele parecerá espirituoso, depois irônico, mas estará sendo absurdamente crítico e sarcástico. E te deixará tão confusa que você, por momentos, não saberá identificar a crueldade que há neste tipo de comportamento. Os perversos são viciados em jogos de poder e controle. Não sabem o porquê. Simplesmente precisam tentar te destituir da sua autoconfiança e autoestima até que você se torne refém, dependente, à beira do desespero.

É muito difícil identificar um ser perverso e, depois se livrar dele. Ele te tratará com uma bipolaridade emocional absoluta. E quando tudo parecer perdido, quando você tiver decidido de maneira explícita sua escolha por um afastamento ou desligamento da relação, ele te rondará da maneira mais amorosa possível tentando te convencer que a falta de sintonia anterior era um problema seu. O perigo da perversidade é porque ela é muito sutil.

E o único antídoto para se curar de uma relação doentia como esta é reunir toda a coragem que você jamais imaginou ter e partir com toda a convicção de que você não precisa continuar neste campo minado. Você pode escolher um lugar de paz. Você pode não ser presa de um predador voraz. Você não precisa se vestir de sangue para alimentar estes vampiros. Esteja atenta. O perverso sempre parecerá um ser inofensivo e carismático. Com os outros. Apenas com os outros. E isto te deixará com uma imensa vontade de conquistar aquilo que ele fará questão de demonstrar que não está disponível para você. 

DADAÍSMO – O CABARET VOLTAIRE E O SEU TEMPO.

 

Tristan Tzara, Paul Éluard, André Breton, Hans Arp, Salvador Dalí,
Yves Tanguy, Max Ernst, René Crevel & Man Ray, 1933

“Dada não significa nada… A obra de arte não deve ser a beleza em si mesma, porque a beleza está morta… não sou nem a favor nem contra, e não vou explicar porque razão odeio o bom-senso…”
” (Tristan Tzara).
Em 1914, quando começou a Primeira Guerra Mundial, o alemão Hugo Ball (1886-1927) mudou-se para a Suíça, que permaneceria como um país neutro, junto com sua companheira, também alemã, Emmy Hennings ( 1885-1948). Em Zurique, uma urbe cosmopolita, fundaram o Cabaret Voltaire, na Spielgasse, nº 1 (onde existe ainda hoje) . O nome do recinto evocava o filósofo francês François Voltaire (1694-1778) ele próprio, em sua época, considerado um intelectual iconoclasta e revolucionário. Os espetáculos no clube se caracterizavam pelo seu non sense e rebeldia, e o ambiente, pelo barulho incessante.

 


Cabaret Voltaire, Zurique, 1916

 

O nome Dada, escolhido para o movimento, não tinha o menor significado ou importância para seus próprios integrantes. A última coisa que desejavam é que tivesse conotação como alguma acepção de racionalidade. Teria sido encontrado numa escolha aleatória, abrindo ao acaso um dicionário francês, onde encontraram a palavra, que designava um “cavalo de brinquedo”. Ao mesmo tempo, dada se assemelhava a um balbuciar de nenê, portanto algo sem sentido próprio.


Revista Dada, 1917-18

Hugo nasceu em Pirmasens, pequena cidade alemã da Renânia e, ainda jovem, já era diretor de teatro em Munique, no Munich Chamber Theater, além de colaborador numa revista intitulada Revolution. Recusou cumprir seu serviço militar no exército alemão e tornou-se desertor. Era um personagem inovador e contestatário, tendo “inventado” poemas constituídos apenas por sons, simples fonemas, flatus vocis, que não representavam palavras coerentes, nem conceitos, mas apenas efeitos acústicos, como Gadji Beri Bimba.

Abaixo, os primeiros versos do poema “sonoro” Gadji beri bimba , de Hugo Ball. Não esquecer que em Zurique o idioma é o alemão – se é que isso importava aos dadaístas.

“gadji beri bimba glandridi laula lonni cadori
gadjama gramma berida bimbala glandri galassassa laulitalomini
gadji beri bin blassa glassala laula lonni cadorsu sassala bim
gadjama tuffm i zimzalla binban gligla wowolimai bin beri ban”

Hugo era um show man, e de fato seriam necessárias algumas décadas para que os ambientes artísticos, a partir de 1960, aceitassem este tipo de performance como forma de arte. Não por acaso, quando publicou excertos de seu diário do período dadaísta, Hugo os intitulou Flucht aus der Zeit (Fuga do Tempo). O Cabaret Voltaire liderou o movimento dadaísta suíço até 1917, e ali confraternizaram artistas como Hans Arp franco-alemão, 1886-1966); Marcel Janco (húngaro, 1895-1984); e Tristan Tzara (romeno, 1896-1963).

Emmy também era oriunda de uma pequena cidade alemã, e iniciava uma carreira de escritora quando conheceu o futuro marido em 1913, no Cabaret Simplizissimus, de Munique, onde se apresentava como artista profissional de cabaret, partindo depois junto com ele para Berlim e, mais tarde, para Zurique.  


Hugo Ball em performance, representando o mágico Bischof em roupas cubistas,
Zurique, 1916, foto do arquivo Nachlass Hugo Ball und Emmy
Hennings Schweizerisches Literaturarchiv, de Berna

 


Tristan Tzara

 


Raoul Hausmann, Cabeça Mecâmica – O Espírito do nosso Tempo
(Der Geist unserer Zeit), Berlim 1919.

 


Johnson contra Cravan, poster anunciando de luta de box,Barcelona, 1916.

 

Tristan Tzara (1896-1963), na verdade Samy Rosenstock, um romeno de origem judaica, um dos fundadores do Cabaret Voltaire, era poeta e ensaísta. Seu pseudônimo significava, em tradução livre, “Terra Triste”. Em 1917, quando Hugo Ball saiu de Zurique, ele assumiu o comando dos dadaístas. Como muitos intelectuais da época, engajou-se no comunismo e na resistência ao nazismo, enquanto produzia ensaios e poemas.

Marcel Janco (húngaro, 1895-1984), também de origem judaica, era poeta e pintor, tendo inclusive ilustrado poemas de Tzara. Fugindo à perseguição nazista, em 1941 foi para Israel (morreu em Tel Aviv), onde continuou sua carreira literária, realizando poemas fonéticos, à maneira de Ball.

Hans Peter Wilhelm Arp (1866-1966) entre os dadaístas foi aquele que deixou obra artística visual mais expressiva. Praticou a pintura, escultura, colagens e relevos. Nascido em Estrasburgo, na Alsácia, quando a região fazia parte da Alemanha, era filho de pai alemão e mãe francesa. Em 1915, desertando do exército alemão, foi viver em Zurique (em 1926 acabaria por optar nacionalidade da mãe). Sua personalidade criativa o levou a participar, além do dadaísmo, em movimentos como o grupo Cobra e o surrealismo, tendo adquirido, como artista, notoriedade internacional e sucesso comercial.

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Em Berlim, antes de se refugiar na Suíça, o casal Hugo-Emmy frequentava o Café des Westens, que fervilhava de ideias e espírito revolucionário. Naquele ano (1914) os “vermelhos” Rosa Luxemburgo (1871-1919) e seu companheiro Karl Liebknecht (1871-1919) fundaram na Alemanha a Liga Espártaco (alusão ao líder escravo que chefiou revoltas contra o Império Romano) e, em 1918, o jornal Die Rote Fahne (A Bandeira Vermelha). Os dois morreram assassinados pelos nazistas, junto com centenas de seus seguidores, sem jamais terem sido julgados. Este ambiente social explosivo, explica o exacerbamento político dos dadaístas. Zurique encontrava-se no epicentro de um conflito bélico global de proporções até então nunca vistas, nem imaginadas.

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Por outro lado, aproximava-se a Revolução Russa de 1917, enquanto o czarismo derrocava, afundando em seus erros e crimes. Na época, o mais importante líder comunista russo, Lenin, seguia um périplo no seu exílio, chegando à Suíça em 1914, primeiro a Berna e depois mudando-se para Zurique. E foi nesta cidade que Lenin, dois anos depois, escreveu Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, um dos textos que serviram de base à orientação dos marxistas de todo o mundo. Zurique, na Suíça, era um refúgio para os revolucionários, assim como Munique, na Alemanha, se tornaria, na década de 1920, o olho do furacão nazista. Em 1917 diversos movimentos pacifistas explodiram na Alemanha.

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Mais tarde, Hans Arp, um dos artistas que aderiu ao movimento, escreveu: “… revoltados com a carnificina da Primeira Guerra, permanecemos em Zurique, nos dedicando (somente) às artes. Enquanto as armas rugiam ao longe, nós cantamos, pintamos, fizemos colagens, escrevemos poemas com todas as nossas energias.”

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Um dos escritores que reproduziu esse cenário de chumbo foi Franz Kafka (1883-1924), judeu nascido em Praga, mas que escrevia em alemão. Em 1915 publicou Metamorfose uma novela densa e enigmática sobre um homem comum, que um dia acorda transformado em um inseto nojento.
Se revivermos o momento histórico em que aconteceu o dadaísmo, suas propostas não parecem pueris. As guerras e seu cortejo de infâmias, num continente dilacerado sistematicamente por conflitos intermináveis, não apareciam aos olhos dos artistas como algo sensato, mas completamente ilógico, uma ignomínia sem explicação. Os dadaístas esperavam que a sociedade ousasse se mirar num espelho, para sentir todo o absurdo da situação. Ou seja: o dadaísmo, quando comparado à brutal realidade, parecia um divertimento inocente.

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Em 1915, três artistas declaradamente dadaístas rumaram para Nova York, onde pretendiam estabelecer-se profissionalmente: Man Ray (na verdade Emanuel Rudzistsky, norte-americano, fotógrafo e pintor, 1890-1976); Francis Picabia (francês, pintor e poeta, 1879-1953); e Marcel Duchamp (francês, artista e teórico, 1887-1968). Fundaram a revista 291, porém, não obtendo notoriedade, acabaram voltando para a Europa.


Marcel Duchamp, Fonte, foto de Alfred Stieglitz em Nova York, 1917.

 

 


Man Ray, Solarização, foto, 1929

 

 

 


Man Ray, Mulher desenhando, 1912

 

 


Francis Picabia, Lu-Li, 1947

 

Na Alemanha, antes mesmo da Primeira Guerra terminar, em 1918, o dadaísmo  chegou a Colônia, Hanover e Berlim, contando-se entre eles o mencionado Hans Arp, Marx Ernst (alemão, pintor, escultor, um dos artistas mais influentes da primeira metade do século 20, 1891-1976), mais Kurt Schwitters (alemão, pintor, escultor e poeta, (1887-1948).

 


Hans Arp, Bigodes, circa 1925, Tate Gallery, Londres

 

 


Merzbau, Kurt Schwitters, Hannover 1923

 

 


Max Ernst, Uma maneira de ser (também) pode ser arte, 1919

 

A partir de 1919, o dadaísmo se fixou definitivamente em Paris, tendo como corifeus o citado Tristan Tzara, além de Francis Picabia, Man Ray e André Breton (francês, escritor, poeta, teórico do surrealismo, 1896-1966).

O Brasil, como os Estados Unidos, não experimentava as convulsões sociais da Europa. As condições objetivas para o surgimento e a expansão do dadaísmo eram quase inexistentes. Mesmo assim, alguma repercussão teve o movimento no país.

No Brasil, uma performance que lembra o espírito dadaísta foi realizada, em outubro de 1956, pelo artista Flávio de Carvalho (1899-1973) que passeou pelo centro de São Paulo vestindo o seu New Look, na verdade um traje supostamente adequado ao calor, que incluía uma blusa com mangas curtas, saiote, chapéu e sandálias. O poeta Manuel Bandeira e o pintor Ismael Nery, em alguns momentos, igualmente foram influenciados pelo dadaísmo. Mário de Andrade, autor de Paulicéia Desvairada, ali incluiu um poema que exprime a aversão à sociedade estabelecida: “… Eu insulto o burgês! O burguês-níquel, / o burguês-burguês! A digestão bem feita de São Paulo! …”

 


Flávio de Carvalho e seu New Look, 1956

Apesar do dadaísmo não ter, praticamente, sobrevivido à Primeira Guerra, algumas de suas teses contaminaram o expressionismo (inclusive o expressionismo Abstrato), o surrealismo, a arte conceitual e a Pop Arte.

CARACTERÍSTICAS DO MOVIMENTO

Será possível determinar algumas “características”, ou chamar o dadaísmo de “movimento” , quando seus seguidores  exorcizavam quaisquer atributos para classificar suas próprias ações? Porque sua única regra era: não observar regras.

Em suas apresentações, os dadaístas tratavam, em primeiro lugar, de provocar reações negativas ou de repulsa, entre os circunstantes. Nas suas obras havia traços que provinham de outros movimentos artísticos, como o expressionismo, o cubismo e o futurismo, mas esta herança não devia interferir com as violentas mensagens dadaístas. Mais tarde, alguns artistas dada aderiram ao surrealismo, que lhes pareceu bem mais consistente sob o ponto de vista estético. No Cabaret Voltaire, as manifestações não eram adocicadas como caprichos intelectuais, antes reações barulhentas  e raivosas. Ao ponto de os próprios seguidores aceitarem que uma hipótese viável para o futuro do movimento seria a sua autodestruição.

Pode também notar-se no dadaísmo a influência do niilismo do filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche (1884-1900). Este defendia que o ser humano, tendo chegado à conclusão que o cristianismo era um conjunto de falsidades, passaria a manter uma desconfiança total em relação a todos os valores, concluindo que nada que o cerca tem sentido, nem na sua vida pessoal, nem sob os pontos de vista religioso ou metafísico (décadas mais tarde, o movimento filosófico existencialismo voltaria a estas teses, com pessimismo semelhante).

Também não havia limites ou preferências por qualquer forma de arte, fosse pintura, tecelagem, arte em vidro, música, poesia “sonora”, fotomontagens, teatro, ou objetos prontos (ready made).

O artista francês Marcel Duchamp (1887-1968) trouxe para o dadaísmo o objet trouvé, ou tout fait (do francês: objeto encontrado por acaso – rótulos de garrafas, tíquetes de metro ou de ônibus, produtos industriais sem serem modificados, embalagens de bebidas, coisas achadas em latas de lixo)  o qual poderia se incorporar à obra de arte, mesmo sem qualquer interferência do artista no seu aspecto visual. Em inglês este objeto se designa como produto ready-made.

 


Marcel Duchamp jogando xadrez, um de seus passatempos favoritos

 


Marcel Duchamp, readymade, porta-garrafas

 


Marcel. Duchamp, ready made, Roda de bicicleta

 


Marcel Duchamp, Gioconda. Em 1919, o artista colocou um bigode
sobre uma reprodução barata do célebre quadro de Da Vinci, com a inscrição LHOOQ.
Soletrando em francês, estas letras se pronunciam como “elle a chaud au cul”
(que, em tradução livre, quer dizer: ela tem fogo no rabo).
Esta apropriação vulgar da obra de um clássico permaneceu
como um símbolo da iconoclastia dos dadaístas.

 

***

Escreveu Tristan Tzara “… Eu redijo um manifesto e não quero nada… sou, por princípio, contra manifestos … redijo este manifesto para mostrar que é possível fazer as ações opostas simultaneamente, num único sopro… sou contra a ação pela contínua contradição, pela afirmação também, eu não sou nem a favor nem contra e não vou explicar porque razão odeio o bom-senso…”

ARTES VISUAIS NA ÉPOCA DO DADAÍSMO
Como era o ambiente das artes visuais na época do dadaísmo? Que escolas, ou movimentos, aconteciam naquele período? Continuavam as escolas tradicionais, como o romantismo, o classicismo, o academicismo e o impressionismo, todos eles encarados com desdém pelos vanguardistas, que se alinhavam à margem do figurativismo tradicional. Os principais movimentos contestatários eram:

 

EXPRESSIONISMO. Na cidade alemã de Dresden, em 1905, tinha surgido uma facção de artistas que se congregavam em torno de propostas vanguardistas. Seu grupo se chamava Die Brücke (A Ponte). Entre os nomes que ficaram: Erich Heckel (1883-1970), Emil Nolde (1867-1956) e Ernst Kirchner (1880-1938).
Este núcleo inicial deu origem a um movimento mais amplo e o expressionismo se espalhou pela Europa e Américas.  “… Seus integrantes não se conformavam com o fato de, naquele tempo conturbado e violento, os artistas continuarem a pintar à maneira ‘agradável’ das décadas anteriores (classicismo, romantismo, impressionismo, pontilhismo, art nouveau). Procuravam refletir as emoções, a revolta interior e denunciar a violência social. Usavam cores fortes, recusavam a verosimilhança da obra de arte com seu objeto, a luz aprazível das obras de escolas anteriores. A arte seria ação, não contemplação; deveria ser uma projeção da mente do artista para fora, não assimilação plácida do mundo real. Utilizavam pinceladas grossas e vigorosas, exercendo a crítica social com suas figuras deformadas… ” Foram figuras dominantes do expressionismo: o pintor norueguês Edvard Munch (1863-1944); os franceses Georges Rouault (1871-1958), Henri Matisse (1869-1954) e André Derain (1880-1954); e o austríaco Oskar Kokoschka (1886-1980).

 

CUBISMO.  Foi iniciado em Paris, com as contribuições de Georges Braque (1882-1963) e Pablo Picasso (1881-1973) os quais, por sua vez, se inspiravam em Paul Cézanne (1839-1906). Entre os críticos convencionou-se que o marco inicial da escola seria o quadro de Picasso Les demoiselles d’ Avignon (As moças de Avignon) pintado em 1907. Neste período inicial houve igualmente a contribuição de vanguardistas russos, alguns fazendo parte do chamado cubofuturismo. O cubismo sugeria a substituição do espaço tridimensional (e a perspectiva, que dominava a pintura ocidental, sobretudo desde a tradição do renascimento) por formas geométricas unidimensionais e pelo emprego das cores, numa paleta limitada de cinzentos e marrons. O objeto seria passível de ser representado em várias imagens espaciais simultâneas. Por exemplo, o retrato de uma pessoa poderia apresentá-la de frente e de perfil, no mesmo quadro.

 

FUTURISMO. Em Milão, Itália, o poeta italiano Fillipo Tommaso Marinetti (1876-1944) lançou em 1909 seu Manifesto Futurista. Segundo este libelo, a arte deveria libertar-se do passado e assumir o papel que lhe caberia perante o novo mundo industrial. Em vez da contemplação teria que cultuar a velocidade, a violência, as máquinas: “… Declaramos que o esplendor do mundo foi enriquecido com uma nova forma de beleza, a beleza da velocidade. Glorificamos a guerra – a única verdadeira higiene do mundo – o militarismo, o patriotismo … destruiremos museus, bibliotecas e lutaremos contra o moralismo, feminismo e todas as formas de covardia utilitária…”

 

SURREALISMO. Devem-se assinalar algumas raízes comuns com o dadaísmo. Como data aceitável para o início do surrealismo pode indicar-se 1919, quando o artista alemão Max Ernst (1891-1976) participou de uma exposição em Colônia, Alemanha. Seus trabalhos faziam parte da mostra Novas Tendências, da qual participavam dadaístas. Entre as obras havia instalações, tendo esculturas com fios, colagens, objetos encontrados ao acaso e apetrechos científicos. Logo após esta mostra,Breton escreveu a Ernst e desta sua colaboração iriam brotar as primeiras manifestações surrealistas. Em 1920, as colagens exibidas em Colônia provocaram o espanto de intelectuais como Tristan Tzara e o poeta francês Louis Aragon (1897-1982). Em relação aos dadaístas, os surrealistas haviam absorvido mais informações sobre a mente humana, sobretudo pela difusão das teorias psicanalíticas de Freud, o que proporcionou ao movimento surrealista mais densidade e consistência intelectual do que se verificava no dadaísmo.

 


Max Ernst, Édipo Rei, 1922. Influência surrealista

 

BAUHAUS. Em 1920, poucos anos depois do Cabaret Voltaire, em Weimar, cidade alemã  na contramão de todos estes movimentos, anteriormente citados,  com posturas pessimistas, surgiu o Bauhaus, uma espécie de Secretaria de Estado para a Construção, originariamente dirigida por Walter Adolf Gropius (1883-1969). 

O Bauhaus advogava papel mais importante para a arquitetura e o design, perseguindo a máxima economia de materiais, atendendo às finalidades práticas do fazer artístico. Não era uma proposta somente estética, mas social e política, pois o convívio teve um efeito didático, mesclando cérebros criadores com ofícios manuais.

Em 1925, Gropius projetou uma escola em outra cidade germânica, Dassau, na qual continuou a mostrar o respeito e atenção por cada material, sempre cuidando de baratear os custos das construções e do mobiliário. Com este ponto de vista, passaram a desenhar-se e a fabricar-se, em escala industrial, cadeiras, mesas, instalações tubulares, atividades em que se destacaram Mies van der Rohe (1866-1969) e artistas de vanguarda atraídos pelas propostas. Nomes que ficariam para a posteridade, como Paul Klee (1897-1940), Wassily Kandinsky (1866-1944) e Moholy-Nagy (1895-1946), ensinaram na Bauhaus. Le Corbusier (Édouard Jeanneret-Gris, dito 1887-1965) foi um dos talentos que estabeleceu contato importante com os inovadores. Além disso, o Bauhaus teve contribuição inestimável para a segunda fase do Art Déco.

Em 1928, Gropius foi substituído na direção até que, após pressão dos nazistas, finalmente a escola foi fechada, em 1933. A diáspora levou alguns de seus artistas para os EUA, inclusive Gropius.

ARMORY SHOW. Pode ser considerada a primeira grande exposição de arte moderna em qualquer parte do mundo. Foi realizada em Nova York em fevereiro e março de 1913, dela participando importantes artistas europeus, como Paul Gauguin (1848-1903), Pablo Picasso (1881-1973) e Marcel Duchamp (1887-1968). Mostraram-se mais de mil obras de diversas tendências, que iam do impressionismo às (então recentes) experiências abstratizantes. O nome da exposição (Armory, arsenal de armas), organizada pela Associação dos Pintores e Escultores Americanos, advém do fato de ter sido realizada nas dependências de um antigo regimento militar. Teve grande importância para a arte norte-americana, pois a colocou em contato com as vanguardas europeias.

 

Fontes

Em português

Chilvers, Ian, Dicionário Oxford de Arte, tradução de Marcelo Brandão Cipolla. Martins Fontes, São Paulo, 1996.

Dempsey, Amy, Estilos, escolas e movimentos, tradução de Carlos Eugênio Marcondes de Moura, Cosac & Naify, São Paulo, 2003.

Richter, Hans, Dadá: arte e antiarte. Ed. Martins Fontes, São Paulo, 1993.

http://dododadaismo.blogspot.com.br/p/dadaismo-no-brasil.html
http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_795.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dada%C3%ADsmo
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/dadaismo/dadaismo-1.php

Em francês

http://www.le-dadaisme.com/

Em inglês

http://www.writing.upenn.edu/~afilreis/88/dada-def.html
http://www.theartstory.org/movement-performance-art.htm

Em espanhol

http://www.arteespana.com/dadaismo.htm

 

Pierre Auguste Renoir

“A dor passa, mas a beleza permanece”, disse Renoir, um dos maiores pintores impressionistas, mestre em fixar em suas telas a luz, o brilho e a beleza das coisas.

Pierre-Auguste Renoir nasceu em família modesta – o pai era alfaiate. Em 1845, a família mudou-se para Paris, mas retornaria para Limoges três anos depois.

Em 1855, Renoir, com o intuito de adquirir um ofício, foi aprender decoração de porcelana e trabalhar no próprio ateliê onde estudava. Três anos depois, começou a pintar estampas em tecidos.

Em 1862, mudou-se para Paris e foi admitido na École des Beaux-Arts. Passou a visitar regularmente o Museu do Louvre e começou a estagiar no ateliê do pintor suíço Charles Gleyre.

Em 1866, inscreveu seu quadro “A Hospedaria da Mãe Anthony” no Salão Oficial das Artes, mas foi rejeitado. Dois anos depois, o salão aceitou a tela “Lise”. Mesmo assim, o impressionismo – o novo estilo que Renoir adotara – ainda não era uma forma de arte aceita pela crítica. Por isso, Renoir e seus companheiros planejaram organizar uma exposição de arte impressionista.

Mas, em 1870, com a invasão prussiana da França, Renoir foi convocado, participando da guerra como soldado.

Em 1874, Renoir e outros artistas (como Manet, Degas e Pissarro) enfim organizaram a exposição dos impressionistas.

Ela se realizou no estúdio do famoso fotógrafo Nadar. Embora rejeitada pelos críticos, a exposição se repetiria em 1876, 1877 e 1879. Em 1882, viajou para a Itália para estudar.

Durante esses anos, Renoir foi ficando famoso. Em 1890, casou com sua modelo Aline Charigot (eles teriam três filhos, Pierre, Jean e Claude). No ano seguinte, pintou “Rosa e Azul”, o célebre “quadro das duas meninas” que hoje está no Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Em 1892, obteve reconhecimento oficial para a pintura impressionista: um quadro seu foi adquirido pelo governo francês.

Num acidente de bicicleta, em 1897, quebrou o braço. Dois anos depois, foi acometido de reumatismo, passando a ter problemas de mobilidade.

Em 1904, quando já era admirado em toda a Europa, organizou-se uma grande retrospectiva de sua obra. No ano seguinte, Renoir mudou-se para Cagnes, em busca de clima mais saudável.
Oito anos depois, as dificuldades de saúde o obrigaram a pintar sentado e amarrar os pincéis aos dedos.

Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914), teve dois de seus três filhos convocados (eles seriam feridos). Durante a guerra, também perdeu a esposa, Aline.

Em 1919, Renoir finalmente viu suas obras serem aceitas no Louvre. Em dezembro daquele ano, morreu em sua casa de Cagnes, aos 78 anos.

Principais obras

 

• 1. Retrato de Romaine Lacaux (1864): Nascido em Limoges, Renoir muda-se para Paris com sua família em 1844. Desde cedo, demonstra aptidão para a pintura. Em 1854, trabalha como aprendiz decorador em uma manufatura de porcelanas. Pinta também interiores de cafés, geralmente com cenas mitológicas. Neste mesmo ano, entra para a Escola de Desenho e Arte Decorativa. A partir de 1861, passa a frequentar o ateliê do pintor suíço Charles Gleyre, além de visitar o Louvre como copista. No ano seguinte matricula-se na Escola de Belas Artes. “Retrato de Romaine Lacaux“, pintado em 1864, é uma encomenda de um modesto ceramista, que deseja um retrato de sua filha. As encomendas feitas a Renoir, nesta época, eram bastante raras. No quadro, observa-se formas simplificadas no vestido e uma grande delicadeza nos tons, além de uma marca constante nos retratos de Renoir: a luminosidade dos olhos.

Retrato de Romaine Lacaux, 1864

• 2. A Hospedagem de Mère Anthony (1866): Em 1865, um grupo de alunos do ateliê de Gleyre, composto de Renoir, Monet, Bazille, Sisley, Pissarro e Guillemet, viaja para Marlotte, onde fica hospedado em uma estalagem, imortalizada por Renoir nesta pintura. No quadro, três pintores (Sisley, Jesles Le Coeur e, provavelmente, Monet) comentam o jornal de vanguarda Evénement, onde Émile Zola critica o júri do Salão de Paris. Este grupo realiza, durante algum tempo, longas sessões de pintura ao ar livre nos bosques de Fontainebleau. Para trabalhos em estúdio, usufruem de um espaço alugado por Bazille, o único do grupo que conta com uma boa renda mensal paterna e que auxilia os amigos. Os jovens artistas passam o ano estudando e tentando obter encomendas, enquanto aguardam a época do Salão.

A Hospedagem de Mère Anthony, 1866

• 3. Em Grenouillère (1869): em 1869, Renoir e Monet dedicam-se a um mesmo tema, o balneário de Grenouillère. Pintam lado a lado, ao ar livre, estudando os efeitos móveis e mutáveis da luz sobre a água. Antecipam técnicas utilizadas posteriormente pelos impressionistas, como a tache, pincelada dividida e destacada das outras, que se tornaria um marco do movimento. As duas obras, de Monet e Renoir, podem ser vistas e comparadas aqui.

A Grenouillère,1869

• 4. Banhista com Cão Grifon (1870): paralelas às pinturas e experimentações realizadas ao ar livre, Renoir continua produzindo obras mais tradicionais, destinadas ao Salão oficial. “Banhista com Cão Grifon” é aceita no Salão de 1870, juntamente com a obra “Mulher de Argel”. Embora seu estilo não seja rigorasamente tradicional, traz elementos já parcialmente assimilados pelo júri, como a bidimensionalidade vista em obras de Édouard Manet. A obra recebe duras críticas, especialmente em relação ao desenho.

Banhista com Cão Grifon, 1870

• 5. Cavaleiros no Bois de Boulogne (1873): Em 1870, eclode a Guerra Franco-Prussiana e Renoir é convocado. De volta a capital francesa, em 1871, Renoir encontra-se em meio aos conflitos da Comuna de Paris. Neste período turbulento, realiza alguns retratos, como “Cavaleiros no Bois de Boulogne”, recusado pelo Salão, mas exposto no Salão dos Recusados. A obra alcança um discreto sucesso de público, o que incentiva Renoir e seus amigos a organizarem uma mostra independente.

Cavaleiros no Bois de Boulogne, 1873

• 6. A Parisiense (1874): em 1874, Renoir e outos pintores modernos organizam a primeira mostra impressionista. As obras do grupo são influenciadas pelo trabalho de Édouard Manet, e trazem novidades em relação às formas e uso da cor. Renoir expõe seis quadros, dentre eles, “A Parisiense”, o retrato de uma mulher moderna, que em nada lembra os cânones tradicionais de beleza.

A Parisiense, 1874

• 7. Baile no Moinho da Galette (1876): Em 1875, Renoir conhece Georges “Zizi” Charpentier, que adquire alguns quadros do artista em um leilão. Charpentier apresenta Renoir para várias famílias ricas de Paris, que lhe encomendam pinturas, trazendo uma bem vinda estabilidade financeira na vida do pintor. A partir deste momento, Renoir divide sua carreira em pinturas mais tradicionais, para a burguesia parisiense, e experimentos ao ar livre, para as mostras impressionistas. “Baile no Moinho da Galette” é uma obra audaciosa, com muitos personagens, pintada quase que inteiramente ao ar livre – esboços e estudos preparatórios são realizados em seu ateliê. Renoir busca um retrato da vida moderna e festiva de Paris. No ano de 1900, Pablo Picasso realizou uma pintura com o mesmo tema. As obras de ambos os artistas podem ser vistas aqui.

Baile no Moinho da Galette, 1876

• 8. Os Guardas Chuvas (1881-1885): Em 1879, Renoir realiza sua primeira exposição individual, na sede da revista La Vie Miderne. Aos poucos, afasta-se dos pintores impressionistas e passa a valorizar o desenho. A partir de 1881, inaugura-se o chamado “período áspero” em seu trabalho – outros autores se referem a estes anos como “período azedo”ou “Ingresco”. Seu contorno fica mais nítido, e as cores, mais opacas. Apesar de ser conhecido como um pintor impressionista, Renoir dedicou ao movimento somente uma parte de sua vida. Já ao final da década de 1870, considera a experiência impressionista parcialmente esgotada, e percorre livremente outros estilos, inclusive a solenidade da pintura neoclássica.

Os Guardas Chuvas, 1881-1885

• 9. Meninas ao Piano (1892): A partir da década de 1890, inicia-se o “período nacarado” na obra de Renoir. Os tons ficam menos severos do que no “período áspero”, e a temática gira em torno de retratos e nus femininos. “Meninas ao Piano” é a primeira e única encomenda pública de Renoir, destinada ao “Museu dos Artistas Vivos de Luxemburgo”. Foram realizadas seis versões desta obra. Neste mesmo ano, realiza-se uma antologia retrospectiva da carreira de Renoir, na galeria Ruel, em Pigalle. Cento e dez obras são expostas e a mostra é um sucesso. Com o nome já consagrado, Renoir participaria de diversas outras exposições, em galerias de todo o mundo.

Meninas ao Piano, 1892

• 10. Banhistas (1918-1919): Renoir enfrenta diversos problemas de saúde. Em 1888, sofre uma paralisia facial. A partir da década de 1890, passa a sofrer com uma grave artrose reumática, que lhe causa dores intensas. Continua pintando, mas cada vez com maiores dificuldades de movimento. Em seus últimos anos de vida, já em uma cadeira de rodas, precisa amarrar o pincel na mão, para poder realizar sua arte. Passa a dedicar-se também a escultura, que é produzida por ajudantes, segundo suas orientações. Morre em 1919, de pneumonia, em sua casa.

Banhistas, 1918-1919

Mais informações sobre Auguste Renoir:
Retratos e autorretratos de Renoir


Roy Lichtenstein – POP ART

 Roy Lichtenstein Pop Art

Roy Lichtenstein nasceu em 27 de outubro de 1923 na cidade de Nova Iorque, numa família de classe média, seu pai trabalhava como corretor de imóveis. Freqüenta uma escola secundária privada em Nova Iorque, onde a arte não fazia parte da grade educacional.

Começa a pintar em casa e desenha por livre vontade. Em sua adolescência desperta o interesse pelo jazz e assiste a concertos no Apollo Theater, no Harlem e em vários clubes de jazz na Rua 52, o que o leva a pintar retratos de músicos, muitas vezes tocando os seus instrumentos. Observa Pablo Picasso em busca de inspiração.

'M-maybe' (1963) - Roy Lichtenstein

‘M-maybe’ (1963)


No verão de 1939, freqüenta aulas de arte no Art Students League (Liga dos Estudantes de Arte), dirigido por Reginald Marsh, desenha a partir de modelos ou de cenas e vistas de Nova Iorque: Coney lsland, Carnaval, Lutas de Boxe…

Conclui os estudos na escola superior, em 1940, com o sério propósito de continuar a estudar para se tornar artista. Devido à ênfase regional colocada pela Art Students League, Lichtenstein não sente qualquer necessidade de permanecer em Nova Iorque e ingressa na School of Fine Arts (Escola de Belas-Artes), da Ohio State University (Universidade do Estado de Ohio) uma das poucas, instituições que dá cursos e licenciaturas em belas artes.

'Girl with ball'

‘Girl with ball’ (1961)


Na Ohio State é fortemente influenciado pelo Professor Hoyt L. Sherman: “Arte trata da percepção organizada. Com ele aprendi a ver com olhos de ver”. Seus Trabalhos são baseados em modelos e naturezas-mortas.

Em 1943 ingressa no Exército. Presta serviço a Inglaterra, França, Bélgica e Alemanha. Desenha a natureza utilizando aquarela, lápis e carvão. Após o fim da guerra muda-se da Alemanha para a França. Faz breves estudos da língua e civilização francesa na Cité Universitaire.

Volta a Ohio State University para continuar os estudos de arte dirigidos por G. I. Bill e licencia-se em Junho de 1946. Freqüenta o programa de graduação e é contratado como instrutor. Seus quadros são essencialmente abstrações geométricas seguindo-se depois pinturas semi-abstratas de inspiração cubista.

Em 1949 conclui a graduação na Ohio State University, onde permanece como instrutor até 1951. Em 1949, casa com Isabel Wilson, mas divorcia-se em 1965. Participa em várias exposições coletivas na Chinese Gallery, em Nova Iorque. Faz a primeira exposição individual na Carlebach Gallery, em Nova Iorque. Em seus trabalhos, faz referências a Frederic Remington e Charles W. Peale num estilo cubista. Sua obra torna-se gradualmente mais solta, mais expressionista.

 


Fazmontagens de objetos fundidos e gravados em madeira, representando cavalos, cavaleiros com armaduras e índios. Os mesmos temas são utilizados na pintura que flutua entre o expressionismo e o cubismo.

Muda-se para Cleveland em 1951, onde trabalha como gráfico, projetista, decorador de montras (vitrines) e desenhista em folha metálica. Faz três exposições individuais na John Heller Gallery, Nova Iorque. Nascem seus dois filhos, David Hoyt Lichtenstein e Mitchell Wilson Lichtenstein.

Lichtenstein concentra-se na pintura de temas americanos, empregando de forma exploratória o expressionismo e a abstração e pinta construções em madeira.
Em 1956, faz uma litografia humorística de uma nota de dez dólares, numa forma retilínea, uma espécie de nota falsa: proto-Pop.

Pinta num estilo expressionista abstrato não figurativo. Ocasionalmente faz desenhos de imagens de personagens já desenhados ( Mickey, Pato Donald e outras figuras Disney).

Faz uma exposição individual em 1958 na Condon Riley Gallery, Nova Iorque. Pinturas em expressionismo abstrato.

Forest Scene -1980

É nomeado professor assistente, em 1960, do Douglass College, Rutgers University, Nova Jersey. Muda-se para Highland Park, Nova Jersey. Conhece Robert Watts, Claes Oldenburg, Jim Dine, Robert Whitman, Lucas Samaras e George Segal. O ambiente e os acontecimentos artísticos voltam a despertar-lhe o interesse pelas imagens proto-Pop.

Em 1961, começa as primeiras pinturas Pop: imagens e técnicas inspiradas na aparência de impressão comercial. Lentamente passa a desenhar de lápis para a pintura a óleo diretamente sobre a tela. Começa a usar as imagens da publicidade que sugerem consumismo e trabalhos domésticos. No Outono do mesmo ano, coloca várias pinturas novas na Leo Castelli Gallery, em Nova Iorque. Algumas semanas mais tarde, vê na mesma galeria trabalhos de Andy Warhol usando também imagens da banda desenhada. (Castelli reconhece Lichtenstein como artista e rejeita Warhol.)

Em 1962, faz uma exposição individual na Leo Castelli Gallery. Tomou parte em “The New Paintings of Common Objects” (Novas Pinturas de Objetos Comuns), no Pasadena Art Museum, a primeira exposição num museu centrada na arte Pop. Esteve também presente em os “New Realists” (Novos Realistas) exposição que teve lugar na Sidney Janis Gallery, Nova Iorque.

No ano de 1962 seus trabalhos são inspirados nos de Picasso e de Piet Mondrian.


Em 1963 participa na “Six Painteirs and the Object” (Seis pintores e o objeto) no Solomou R. Guggenheim Mascam, Nova Iorque. Exposições individuais na Leo Castelli Gallery; na Ileana Sonnabend Gallery, Paris, na Ferus Gallery, Los Angeles e na II Punto Galeria, em Turim. É concedida a Lichtenstein, a licença de um ano na Universidade de Rutgers. Muda-se de Nova Jersey para Nova Iorque.

Demite-se da Universidade de Rutgers para se dedicar exclusivamente à pintura. Faz numerosas exposições, entre as quais uma retrospectiva (1961-67) na Pasadena Art Museum. A exposição retrospectiva viaja por Minneapolis, Amestrerdão, Londres, Berna e Hanover. Casa-se com Dorothy Herzka.

Faz pinturas e esculturas em cerâmica de cabeças de moças, inspiradas na banda desenhada da adolescência. Paisagens. Pinta monumentos ou clichés de arquitetura.

Em 1966 faz pinturas modernas usando imagens dos anos trinta. Em 1969, passa duas semanas nos estúdios da Universal Films, em Los Angeles, como artista-residente, para fazer um filme sobre o mar para a exposição “Art and Technology” (Arte e Tecnologia) no Los Angeles County Museum of Art. Trabalha em Nova Iorque com Joel Freedman da Cinnamon Productions, fazendo experiências com filmes.

Faz nova exposição retrospectiva dos trabalhos (1961-1969) no Solomon E. Guggenheim Museum, a qual viaja depois para Kansas City, Seattle, Columbus e Chicago.

Expõe a “New York Painting and Sculpture: 1945-l970” (Pintura e escultura de Nova Iorque: 1945-1970) no Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque.

Em 1970, muda-se para Southampton, Long Island. Pinta quatro grandes murais com pinceladas para a Faculdade de Medicina da Universidade de Dusseldórfia. Foi eleito para a Academia Americana de Arte e Ciência. Dois dos seus filmes sobre o mar são exibidos na “Expo’70” de Osaka, Japão.

Numerosas exposições individuais em galerias (Espelhos, Entablamentos e Tromp l’oeil) e outras obras de arte (Surrealismo, Futurismo, Expressionismo, Estúdios do Artista). Em 1979 executa para a escultura pública do National Eudowment for the Arts: “Mermaid”, uma escultura de dez pés de altura feita em aço e betão para o Theater of the Perfoming Arts, Miami Beach, Florida.

No mesmo ano, é eleito membro da Academia Americana e Instituto das Artes e Letras.

Em 1981 faz outra exposição retrospectiva, desta vez das obras da década de 1970, organizada pelo Saint Louis Museum, que viaja pelos Estados Unidos, Europa e Japão.

 

Adquire em 1982 um atelier num sótão em Manhattan, além do estúdio em Southampton.

Pinta o Green Street Mural (Mural da Rua Verde) em 1983, na Leo Castelli Gallery, 142 Greene Street, Nova Iorque.

Expõe o Mural with Blue Brushstroke (Mural com Pincelada Azul) em 1986 no edifício da Equitable Life Assurance Society, em Nova Iorque.

Em 1987 exibe uma retrospectiva de desenhos no Museum of Modern Art, Nova Iorque. (Também exposta em Francoforte, em 1988.)

Participa em 1990 do “High and Low: Modern Art and Popular Culture”, no Museum of Modern Art, em Nova Iorque. “One-man show” nas galerias Ernst Beyeler, em Basileia, Daniel Templon, em Paris, e Hans Strelow, em Düsseldorf.

Em 1993 faz grande exposição de retrospectiva no Solomon R. Guggenheim Museum, em Nova Iorque, tendo sido depois exibida em Los Angeles, Montreal, Munique, Hamburgo, Bruxelas e Columbus, em Ohio (terminando em 1996).

Roy Lichtensten morre a 29 de Setembro de 1997, em Nova Iorque.

 Mais aqui : http://www.lichtensteinfoundation.org/

Informações retiradas do livro: ” Lichtenstein” de Janis Hendrickson.
(c) 2000 Benedikt Taschen Verlag Gmbh.

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Diego Rivera


Pintor, mas sobretudo um homem de fortes convicções. Diego Rivera é um nome incontornável na história da arte moderna universal e, sobretudo, da cultura mexicana. Os seus ideais comunistas e a forte ligação ao legado do seu povo levaram-no a ressuscitar o movimento muralista, contrariando uma forma de pintura mais burguesa, destinada a uma elite.

Diego Rivera
Diego Rivera, 1933 © Esther Born

Diego Rivera (1886-1957) foi um homem de paixões: sobejamente conhecido pela sua fama de mulherengo, nutria um grande afecto pelas suas raízes e expressava os seus ideais comunistas sem medos. A sua arte era a sua forma de comunicar com o povo. Não uma elite de intelectuais, mas todos os que no início do século XX tentavam sobreviver à guerra civil mexicana, que terá sido responsável pela morte de centenas de milhar de pessoas.

O seu talento precoce para as artes valeu-lhe uma bolsa de estudo que o levou ao epicentro da revolução cultural operada pelas vanguardas modernistas: a Europa. Ao percorrer países como Espanha, França, Bélgica, Holanda e Inglaterra, o artista integrou-se no círculo social próximo de personalidades como Amedeo Modigliani e experienciou de perto a obra de Henri Rousseau – “o único dos modernistas cujo trabalho mexe com cada fibra do meu ser”, terá afirmado Rivera.

Em Paris, sobretudo, o pintor envolveu-se no movimento cubista, protagonizado por artistas como Paul Cézanne e Pablo Picasso, que terá expressado a sua admiração pelas pinturas de Diego Rivera quando ambos se conheceram em 1914, no seguimento da sua exposição na Societé des Artistes Indépendants. O sucesso começava, assim, a despontar na carreira de Rivera, também influenciado pela estética do fauvismo, cujo uso acentuado de cores vibrantes apelou muito naturalmente à sensibilidade do pintor de raízes mexicanas. Nesta altura, predominam nas suas obras retratos e representações de naturezas mortas.

Diego Rivera
Natureza morta, 1918

A partir de 1920, Diego Rivera viria a desenvolver a sua verdadeira identidade como pintor. Numa viagem por Itália, estudou com atenção a arte dos frescos renascentistas, motivando o seu posterior envolvimento no primeiro mural que haveria de assinar, já no México, em 1922. Juntamente com José Orozco e David Siqueiros deu início ao movimento muralista, que levou à produção de inúmeros murais de cariz interventivo, ao representar cenas sociais e políticas e de afinidade marxista.

Diego Rivera
“El Campesino Oprimido”, 1935

Diego Rivera deixaria também a sua marca indelével nos Estados Unidos, onde pintou aquela que o próprio pintor considerava ser uma das suas obras mais bem sucedidas, intitulada “Detroit Industry”. Instalado no museu do Instituto das Artes de Detroit, o conjunto de murais representa uma fábrica automóvel, onde homens de todas as raças estão lado a lado na linha de produção, observados por Henry Ford.

Diego Rivera
“Detroit Industry”, 1933 © Ashley Street

Um dos seus murais mais emblemáticos, “Sueño de una tarde dominical en la Alameda Central” (1947), é uma peça de 65 metros quadrados que retrata, em síntese, a história da civilização mexicana, seguindo uma ordem cronológica. Vista da esquerda para a direita, a obra conta o episódio da conquista da então Nova Espanha, os massacres dos infiéis, a construção da Igreja de San Diego e a manifestação dos direitos da mulher – na figura da poetisa Juana Inés de la Cruz. Trata-se também de uma das mais polémicas obras do pintor, graças à inscrição da frase “Deus não existe”, situação que remeteu o mural para a censura em grande parte dos círculos sociais daquela época. Apenas em 1956 o mural voltaria a ser exibido livremente, já depois de Rivera ter substituído a controversa frase por uma outra inscrição.

Diego Rivera
“Sueño de una tarde dominical en la Alameda Central”, 1947

Diego Rivera
“Mercado de Tenochtitlan”, 1945

Mas falar de Diego Rivera é também falar de Frida Kahlo, sua mulher e outra das mais influentes artistas do século XX. Pertenciam ambos ao partido comunista mexicano, mas as suas obras, tal como eles mesmos, diferiam na sua dimensão física e emocional; Frida, uma mulher frágil e debilitada, pintava quadros mais intimistas, enquanto Rivera procurava representar grandes temas históricos como a construção da civilização mexicana e o resgate do seu legado. O casal tinha uma relação tumultuosa, mas apaixonada, e Rivera não continha a admiração pela obra da mulher. “Frida Kahlo é a maior pintora mexicana. O seu trabalho será multiplamente reproduzido e, graças à literatura, vai comunicar com o mundo. É um dos mais formidáveis legados artísticos e o mais intenso testemunho da verdade humana dos nossos dias”, declarou Rivera numa entrevista concedida em 1953, um ano antes da morte de Frida.

Diego Rivera
Diego Rivera e Frida Kahlo em San Angel, 1940 © Nickolas Muray.

Salvador Dalí e Gala

Salvador Felipe Jacinto Dalí nasceu no dia 11 de maio de 1904, em uma cidade do interior da Espanha chamada Figueras. Desde moço flertou com as artes plásticas, com a física, a matemática e a psicanálise. Apesar de ser considerado um gênio desde a infância nunca foi um bom aluno na escola, mas já desenvolvia sua genialidade nas telas.

O artista começou a pintar aos 10 anos de idade, e aos 13 entrou para na Escola Municipal de Desenho, onde aprendeu técnicas de pinturas e esculturas. Posteriormente, estudou na Escola de Belas-Artes de San Fernando, em Madri – onde conviveu com intelectuais, poetas e cineastas. Mas foi em 1928 que ele aderiu ao movimento que caracterizaria permanentemente sua obra, o surrealismo. No ano seguinte, conheceu sua primeira e única mulher, a russa Elena Dimitrievna Diakonova (que se autoapelidou Gala), vivendo com ela um romance de 53 anos.

Nos anos 40, Dalí rompe com o movimento surrealista por motivos políticos e vai para Nova York, onde, instigado pelos avanços nucleares, deixa seus conhecimentos científicos se fazerem visíveis na arte. Tornam-se recorrentes em sua obra objetos suspensos ou que se decompõem em partículas que flutuam no espaço, como na tela Cabeça Rafaelesca Estalando, 1951. Nela, ele reproduz o retrato de sua esposa e musa Gala.

“Todo pintor pinta a cosmogonia de si mesmo; Rafael pinta a cosmogonia do Renascimento e Dalí pinta a era atômica e a era freudiana”, afirmou Dalí nos anos 50. Além disso, percebemos que Gala foi uma musa insubstituível. Dez anos mais velha que Dalí, Gala o introduziu no meio artístico parisiense. Nos anos 30 e 40, a musa foi vista como uma mulher fria e autoritária, determinada, que sabia muito bem manter um relacionamento duradouro com um homem genial valendo-se de esperteza, sensualidade, e inteligência.

Em Leda Atômica, 1949, Dalí explicita seu interesse pela aplicação da matemática na arte, inspirado pelo livro A Geometria da Arte e da Vida, de Matila Ghyka. Assim como passa a envolver mística religiosa com matemática, influenciado pelas pesquisas do amigo matemático Ramon Llull, que tentava demonstrar a existência de Deus a partir da percepção matemática das figuras geométricas. Leda Atômica abre o período dos quadros religiosos de Dalí, outro deles, seguindo o estilo, é Crucifixion or Corpus Hypercubicus, 1954.

Salvador Dalí – Leda Atomica (1949)

O mito de Leda foi retratado por inúmeros artistas, entre eles Timóteo e Leonardo Da Vinci, mas a imagem marcante da Leda de Dalí, suspensa, apoiada em si mesma, se sobressai um pouco da tradição na arte clássica – ultrapassando o mito que Zeus teria se transformado em cisne para seduzir a esposa de Tíndaro. Dalí o transforma, pois o estado de levitação em que se encontra a mulher e o cisne no quadro, expressa força e sublimação.

Salvador Dalí e sua esposa, Gala (Foto: Divulgação)

A presença de Gala foi fundamental na sua vida e na sua obra. O amor, dependência, admiração, era tanto que ele passou a assinar seus quadros como Gala – Dalí. “Gala me deu, na verdadeira acepção da palavra, a estrutura que faltava na minha vida. Eu não era mais do que um saco cheio de buracos, mole e nebuloso, sempre em busca de uma muleta. Encontrei em Gala uma espinha dorsal, e fazer amor com ela, preencheu minha pele. Primeiro eu pensei que ela iria me devorar, mas, pelo contrário, tem me ensinado a conhecer o real.

Assinando meus quadros como Gala – Dali, eu não faço mais do que nomear uma verdade existencial, porque eu não existiria sem minha alma gêmea Gala”, afirmou Dalí.

Salvador Dalí levou ao mundo das artes sua personalidade excêntrica, apaixonado pela psicanálise freudiana, mitologia, física quântica e matemática, tornou-se um grande artista e também um grande promotor de si mesmo. Muitos o criticam, o chamam de narcisista. George Orwell, por exemplo, afirmou que Dalí foi um bom desenhista e um ser humano repulsivo, já Robert Descharnes, disse que depois de Gala, Dalí ficou mais observador que consumidor sexual. A verdade é que acima de tudo Dalí foi um onírico que amava as artes.

CONFIRA ALGUNS TRABALHOS DE SALVADOR DALÍ

Salvador Dalí - A Persistência da Memória, 1931
Salvador Dalí - Galarina, 1944-45
Salvador Dalí - Jovem virgem Auto-sodomizada por sua própria castidade, 1954
Salvador Dalí - Jovem virgem Auto-sodomizada por sua própria castidade, 1954

Salvador Dalí - Metamorfose de Narciso, 1937Salvador Dalí - O Enigma do Desejo, 1904-1989Salvador Dalí - Sonho Causado Pelo Vôo de Uma Abelha em Volta de Uma Romã, Um Segundo Antes do Despertar, 1904-1989Salvador Dalí - Venus with Cupids, 1925Salvador Dalí - Rosa Meditativa, 1958Salvador Dalí - O Grande Masturbador, 1904-1989

Texto de:

Belisa Parente

Na infância, escrevia sentimentos em diários e correspondências, na adolescência me vi poetisa, sonhei ser escritora e virei jornalista. Sou uma aprendiz. Trago em mim a sede de saber, de ter informações concisas sobre o mundo e os homens, de entender os mistérios do amor e da natureza.Internei-me no poético jardim polícromo das palavras e desde então permaneço, encontrando nelas a forma mais intrínseca de me expressar.

Marc Chagall



Marc Chagall

* Vitebsk, Bielorrússia – 7 de julho de 1887 d.C

+ Saint-Paul-de-Vence, França – 28 de março de 1985 d.C

Pintor, ceramista e gravurista surrealista russo.

Na arte contemporânea, na qual a abstração e o formalismo se contrapõem, Chagall se debruça sobre o elemento temático, essencialmente lúdico e onírico, revelando as raízes telúricas de suas heranças culturais e afetivas.

Pintor, gravador e vitralista bielorusso.

Seu verdadeiro nome era Moysha Zakharavich Shahalaw . Iniciou a sua formação artística quando entrou para o ateliê de um retratista famoso da sua cidade natal. Em 1908 estudou na Academia de Arte de São Petersburgo e, de volta à cidade natal, conheceu Bella, de quem pintou um retrato em 1909 (Kunstmuseum, Basiléia).

Retornou a São Petersburgo e de lá seguiu para Paris em 1910, ligando-se a Blaise Cendrars, Max Jacob e Apollinaire e aos pintores Delaunay, Modigliani e La Fresnay. Obras importantes desse período são “Moi et le village” (1911; “Eu e a aldeia”), “L’Autoportrait aux sept doigts” (1911; “Auto-retrato com sete dedos”), “La Femme enceinte” (1912-1913; “Mulher grávida”), “Le Soldat boit” (1912; “O soldado bebe”).

Marc Chagall - O Soldado Bebe - óleo sobre tela 1912

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Marc Chagal – O Soldado bebe

Quase todos esses títulos foram dados por Cendrars. Coube a Apollinaire escolher as telas que Chagall expôs em 1914 em Berlim, com grande influência sobre o expressionismo de pós-guerra. Com a guerra, Chagall voltou para a Rússia e foi integrado ao exército, mas ficou em São Petersburgo. Em 1915 casou-se com Bella.

Irrompendo a revolução socialista de 1917, foi nomeado comissário de belas-artes do governo de Vitebsk. Fundou uma escola aberta a todas as tendências, entrou em conflito com Malevitch e acabou demitindo-se. Na mesma época, pintou murais para a sala e o foyer do teatro judeu de Moscou.

Lá aprendeu não só as técnicas de pintura, como a gostar e a exprimir a arte. Ingressou, posteriormente, na Academia de Arte de São Petersburgo, de onde rumou para a próspera cidade-luz, Paris.

Ali entrou em contacto com as vanguardas modernistas que enchiam de cor, alegria e vivacidade a capital francesa. Conheceu também artistas como Amedeo Modigliani e La Fresnay. Todavia, quem mais o marcou, deste próspero e pródigo período, foi o modernista Guillaume Apollinaire, de quem se tornou grande amigo.

É também neste período que Chagall pinta dois dos seus mais conhecidos quadros: Eu e a aldeia e O Soldado bebé, pintados em 1911 e em 1912, respectivamente.

Os títulos dos quadros foram dados por Blaise Cendrars. Coube a Guillaume Apollinaire seleccionar as obras que seriam posteriormente expostas em Berlim, no ano em que a 1º Grande Guerra rebentou, em 1914.

Neste ano, após a explosão da guerra, Marc Chagall volta ao seu país natal, sendo, portanto, mobilizado para as trincheiras. Todavia, permaneceu em São Petersburgo, onde casou um ano mais tarde com Bella, uma rapariga que conheceu na sua aldeia.

Depois da grande revolução socialista na Rússia, que pôs fim ao regime autoritário czarista, foi nomeado comissário para as Belas-Artes, tendo inaugurado uma escola de arte, aberta a quaisquer tendências modernistas. Foi neste período que entrou em confronto com Kasimir Malevich, acabando por se demitir do cargo.

Retornou então, a Paris, onde iniciou mais um pródigo período de produção artística, tendo mesmo ilustrado uma Bíblia. Em 1927, ilustrou também as Fábulas de La Fontaine, tendo feito cem gravuras, somente publicadas em 1952. São também deste ano conhecidas, as suas primeiras paisagens.

Visitou, em 1931, a Palestina e, depois, a Síria, tendo publicado, em memória destas duas viagens o livro de carácter auto-biográfico Ma vie (em português: Minha vida).

Desde o ano de 1935, com a perseguição dos judeus e com a Alemanha prestes a entrar em mais uma guerra, Chagall começa a retratar as tensões e depressões sociais e religiosas que sentia na pele, já que também era judeu convicto.

Anos mais tarde, parte para os Estados Unidos da América, onde se refugia dos alemães. Lá, em 1944, com o fim da guerra a emergir, Bella, a sua mulher, falece, facto que lhe causa uma enorme depressão, mergulhando novamente no mundo das evocações, dos chamamentos, dos sonhos. Conclui este período com um quadro que já havia iciado em 1931:Em torno dela.

Dois anos depois do fim da guerra, regressa definitivamente à França, onde pintou os vitrais da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Na França e nos Estados Unidos da América pintou, para além de diversos quadros, vitrais e mosaicos. Explorou também os campos da cerâmica, tema pelo qual teve especial interesse.

Em sua homenagem, em 1973, foi inaugurado o Museu da Mensagem Bíblica de Marc Chagall, na famosa cidade do sul da França, Nice. Em 1977 o governo francês condecorou-o com a Grã-cruz da Legião de Honra.

Tendo sido um dos melhores pintores do século XX, Marc Chagall faleceu em Saint-Paul-de-Vence, no sul da França, em 1985.

Fonte-http://www.biografia.inf.br
1909, Russian Wedding, Marc Chagall

 

Marc Chagall, 1910, The Sabbath, 00001461-Z

1910, The Sabbath, Marc Chagall
 
 

 

Marc Chagall, 1910, Portrait of the Artist's Sister, 00001353-Z

1910, Portrait of the Artist’s Sister, Marc Chagall
 
 

 

Marc Chagall, 1911, The Village Store, 00001466-Z

1911, The Village Store, Marc Chagall
 
 

 

Marc Chagall, 1911, I and the Village, 00001442-Z

1911, I and the Village, Marc Chagall
 

Marc Chagall, 1911, Bride with a Fan, 00001355-Z

1911, Bride with a Fan, Marc Chagall
 
 

 

Marc Chagall, 1911, Rain, 00001432-Z

1911, Rain, Marc Chagall
 
 

 

Marc Chagall, 1911, To My Betrothed, 00001449-Z

1911, To My Betrothed, Marc Chagall
 
 

 

Marc Chagall, 1912, The Cattle Dearler, 00001429-Z

1912, The Cattle Dearler, Marc Chagall
 
 

 

Marc Chagall, 1912, The Soldier Drinks, 00001441-Z

1912, The Soldier Drinks, Marc Chagall

Marc Chagall, 1912, The Spoon Full of Milk, 00001379-Z

1912, The Spoon Full of Milk, Marc Chagall
 
 

 

Marc Chagall, 1912, The Pinch of Snuff, 00001358-Z

1912, The Pinch of Snuff, Marc Chagall
 
 

 

Marc Chagall, 1912, The Cattle Dearler, 00001357-Z

1912, The Cattle Dearler, Marc Chagall
 
 

 

Marc Chagall, 1912, Adam and Eva, 00001356-Z

1912, Adam and Eva, Marc Chagall
 
 

 
 
 

Joan Miró 1893-1983

O ouro do firmamento – 1967
 
“Trabalhar muitíssimo e viver a vida, fazer um passeio na montanha ou olhar uma bela mulher, ler um livro, ouvir um concerto: que isso tudo alimente meu espírito para que sua voz se torne mais forte. E, principalmente, queira Deus que não me falte Santa Inquietude! graças a ela os homens avançaram.
Joan Miró
No panorama da arte do século XX, Joan Miró (1893 – 1983) é um personagem de biografia singular. Entre tantos artistas de rotina boêmia, Miró se destaca pela simplicidade de seu caráter catalão. Ordem, respeito, equilíbrio, tenaciade e auto-exímio são traços que marcaram um pintor de vida discreta, mas de força interior extraordinária. Espírito, vibração, tensão são conceitos presentes com frequência no vocabulário de Miró e que demostraram seu constante esforço para alcançar a essência da pintura.A Academia Galí
A passagem de Miró pela academia Galí – de Francesc d´Assís Galí – foi essencial para o desenvolvimento de sua obra. Ali (em 1912), o futuro pintor encontrou um ambiente para cultivar a sensibilidade como fonte de experiência artística.Galí logo percebeu que seu novo aluno possuía grande dom para a cor, mas que seu domínio das formas deixava a desejar. Para solucionar essa deficiência, o mestre obrigou Miró a vendar seus olhos e tocar objetos para depois reproduzir em papel. O original método de desenho “pelo tato” deixou uma profunda marca em Miró. Depertou sua facinação pelas irregularidades das superfícies, característica que se tornou evidente em suas obras de nus e retratos.
Após esta primeira fase, Joan Miró apresentou em seus trabalhos uma mistura de influências que vão do expressionismo ao fauvismo, passando pelo cubismo.


A fase de realismo detalhista


Miró em seu ateliê em Barcelona, em 1954. A quantidade de telas mostra que o sonho de um grande estúdio se devia a uma necessidade real.

Numa viagem a Paris, em 1919, conheceu Picasso, entrou em contato com o movimento dadaísta e depois com o surrealismo. Seu estilo evoluiu a partir de estudos realizados sobre o irracional e o fantástico, até recriar um mundo onírico pessoal no qual fluem imagens distorcidas da realidade, cheias de formas orgânicas e construções geométricas. As primeiras obras desse período apresentam um ambiente campestre, a que se seguem outras obras orientadas por uma abstração lírica, cuja composição se organiza com uma variação limitada de cores brilhantes (azul, vermelho, amarelo, verde, preto) sobre fundos planos, com diferentes signos gráficos e deformações fantásticas livres de qualquer compromisso figurativo. Este é o caso do Carnaval do Arlequim (1924-1925) ou de Interior Holandês (1928).


Carnaval do Arlequim

A partir da década de 1930, passa a interessar-se pela colagem, enquanto os grafismos tendem a reduzir-se a pontos, linhas e manchas coloridas.


obra da série Constelações

Durante a guerra civil de 1936, concebeu algumas obras que refletem o conflito: O Ceifeiro, Cabeça de Mulher, enquanto continuava a série sobre as Constelações que concluiu nos primeiros anos da década de 1940, foram um forma de anunciar sua linguagem pictórica original e pessoal e que acabaram por abrir as portas à democratização de sua pintura e ao seu reconhecimento internacional.


Em 1956, Miró mudou-se para Son Abrines, em Palma de Maiorca. Ali dispôs do grande ateliê que sempre sonhara. O conjunto arbiga atualmente a sede da Fundação Joan e Pilar Miró.

A partir de 1944, passou a interessar-se pela escultura: realizou diversos murais para o edifício da Unesco em Paris (1958) e para a Universidade de Harvard (1960) – encomenda de Walter Gropius, fundador da Bauhaus. Por causa do grande ritmo de trabalho, cultivou simultaneamente escultura de pequenas dimensões, retornando a pintura em 1959. Esta época foi caracterizada por uma progressiva estilização que atingiu seu máximo nos três painéis Azul I, II e III.

No alto, o Mural da lua (1958) na sede da Unesco, em Paris: acima, o mural do aeroporto de Barcelona (1970).Nas décadas de 1960 e 1970, sua obra já era mundialmente conhecida. Ao mesmo tempo, a presença da cor negra começava a dominar sua pintura.


Camponês catalão ao luar – 1968
Fundação Joan Miró, Barcelona

Empenhou-se cada vez mais em participar de movimentos de defesa da cultura catalã diante do centralismo do governo ditatorial. Entre os projetos, destacou-se a criação da fundação que atualmente leva seu nome – Fundació Miró , Barcelona (foto abaixo).

Em 1975, após o fim da ditadura militar, o povo espanhol finalmente pôde homegear seu trabalho. Em 1978 uma grande retrospectiva foi realizada em Madri, e em 1980, o rei Juan Carlos I concedeu-lhe a medalha de ouro das Belas-Artes do Estado Espanhol.
Faleceu em 1983 em Palma de Maiorca, em meio a comemoração mundial de seu aniversário de 90 anos.” Miró representava a liberdade. Em certo sentido, era absolutamente perfeito. Não era capaz de pôr um ponto sem fazê-lo no lugar exato: era um pintor de verdade, a tal ponto que bastava deixar cair três manchas de cor cobre a tela para fazer um quadro.”
Alberto Giacometti




 

Cândido Portinari – A Vida de um Mestre da Arte

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Candido Portinari nasce no dia 30 de dezembro de 1903, numa fazenda de café em Brodoswki, no Estado de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, recebe apenas a instrução primária. Desde criança, manifesta vocação artística. Aos 15 anos, vai para o Rio de Janeiro em busca de um aprendizado mais sistemático em pintura, matriculando-se na Escola Nacional de Belas Artes.

Em 1928, conquista o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro da Exposição Geral de Belas-Artes, de tradição acadêmica. Vai para Paris, onde permanece durante todo o ano de 1930. Longe de sua pátria, saudoso de sua gente, Portinari decide, ao voltar para o Brasil, em 1931, retratar em suas telas o povo brasileiro, superando aos poucos sua formação acadêmica e fundindo a ciência antiga da pintura a uma personalidade experimentalista a anti-acadêmica moderna.

Em 1935, obtém seu primeiro reconhecimento no exterior, a segunda menção honrosa na exposição internacional do Carnegie Institute de Pittsburgh, Estados Unidos, com uma tela de grandes proporções intitulada “Café”, retratando uma cena de colheita típica de sua região de origem.

A inclinação muralista de Portinari revela-se com vigor nos painéis executados no Monumento Rodoviário da estrada Rio de Janeiro-São Paulo, em 1936, e nos afrescos do novo edifício do Ministério da Educação e Saúde, realizados entre 1936 e 1944. Estes trabalhos, como conjunto e como concepção artística, representam um marco na evolução da arte de Portinari, afirmando a opção pela temática social, que será o fio condutor de toda a sua obra a partir de então. Companheiro de poetas, escritores, jornalistas, diplomatas, Portinari participa da elite intelectual brasileira numa época em que se verificava uma notável mudança da atitude estética e na cultura do país.

No final da década de 30, consolida-se a projeção de Portinari nos Estados Unidos. Em 1939, ele executa três grandes painéis para o pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York. Neste mesmo ano o Museu de Arte Moderna de Nova York adquire sua tela “O Morro”.

Em 1940, participa de uma mostra de arte latino-americana no Riverside Museum de Nova York e expõe individualmente no Instituto de Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova York, com grande sucesso de crítica, venda e público.

Em dezembro deste ano a Universidade de Chicago publica o primeiro livro sobre o pintor, “Portinari, His Life and Art”, com introdução do artista Rockwell Kent e inúmeras reproduções de suas obras.

Em 1941, Portinari executa quatro grandes murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso em Washington, com temas referentes à história latino-americana. De volta ao Brasil, realiza em 1943 oito painéis conhecidos como “Série Bíblica”, fortemente influenciado pela visão picassiana de Guernica e sob o impacto da 2ª Guerra Mundial.

Em 1944, a convite do arquiteto Oscar Niemeyer, inicia as obras de decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), destacando-se o mural “São Francisco” e a “Via Sacra”, na Igreja da Pampulha. A escalada do nazi-fascismo e os horrores da guerra reforçam o caráter social e trágico de sua obra, levando-o à produção das séries “Retirantes” e “Meninos de Brodowski”, entre 1944 e 1946, e à militância política, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro e candidatando-se a deputado, em 1945, e a senador, em 1947. Ainda em 1946, Portinari volta a Paris para realizar sua primeira exposição em solo europeu, na Galerie Charpentier. A exposição teve grande repercussão, tendo sido Portinari agraciado, pelo governo francês, com a Légion d’Honneur.

Em 1947 expõe no salão Peuser, de Buenos Aires e nos salões da Comissão Nacional de Belas Artes, de Montevidéu, recebendo grandes homenagens por parte de artistas, intelectuais e autoridades dos dois países.

O final da década de 40 assinala o início da exploração dos temas históricos por meio da afirmação do muralismo. Em 1948, Portinari exila-se no Uruguai, por motivos políticos, onde pinta o painel “A Primeira Missa no Brasil”, encomendado pelo banco Boavista do Brasil.

Em 1949 executa o grande painel “Tiradentes”, narrando episódios do julgamento e execução do herói brasileiro que lutou contra o domínio colonial português. Por este trabalho, Portinari recebeu, em 1950, a medalha de ouro concedida pelo Júri do Prêmio Internacional da Paz, reunido em Varsóvia.

Em 1952, atendendo a encomenda do Banco da Bahia, realiza outro painel com temática histórica, “A Chegada da Família Real Portuguesa à Bahia” e inicia os estudos para os painéis “Guerra e Paz”, oferecidos pelo governo brasileiro à nova sede da Organização das Nações Unidas. Concluídos em 1956, os painéis, medindo cerca de 14m x10m cada – os maiores pintados por Portinari – encontram-se no “hall” de entrada dos delegados de edifício-sede da ONU, em Nova York. Em 1955, recebe a medalha de ouro concedida pelo Internacional Fine-Arts Council de Nova York como o melhor pintor do ano.

Em 1956, Portinari viaja a Israel, a convite do governo daquele país, expondo em vários museus e executando desenhos inspirados no recém-criado Estado Israelense e expostos posteriormente em Bolonha, Lima, Buenos Aires e Rio de Janeiro. Neste mesmo ano Portinari recebe o Prêmio Guggenheim do Brasil e, em 1957, a Menção Honrosa no Concurso Internacional de Aquarela do Hallmark Art Award, de Nova York. No final da década de 50, Portinari realiza diversas exposições internacionais.

Expõe em Paris e Munique em 1957. É o único artista brasileiro a participar da exposição 50 Anos de Arte Moderna, no Palais des Beaux Arts, em Bruxelas, em 1958. Como convidado de honra, expõe 39 obras em sala especial na I Bienal de Artes Plásticas da Cidade do México, em 1958. Neste mesmo ano, expõe em Buenos Aires. Em 1959 expõe na Galeria Wildenstein de Nova York e, juntamente com outros grandes artistas americanos como Tamayo, Cuevas, Matta, Orozco, Rivera, participa da exposição Coleção de Arte Interamericana, do Museo de Bellas Artes de Caracas. Candido Portinari morreu no dia 06 de fevereiro de 1962, quando preparava uma grande exposição de cerca de 200 obras a convite da Prefeitura de Milão, vítima de intoxicação pelas tintas que utilizava.

 

Clique e aprecie algumas obras de Cândido Portinari :http://www.proa.org/exhibiciones/pasadas/portinari/salas/id_portinari_flautista.html

Veja algumas fotos históricas do pintor. Momentos em família, com seus amigos e no trabalho.

Familia Portinari. Briodowski, 1908.Familia Portinari. Brodowski, 1927.Portinari, Antônio Bento, Mario de Andrade e Rodrigo Mello Franco. Rio de Janeiro, 1936.O casal Portinari diante de sua residencia no Condominio Sul America, no Cosme Velho. Rio de Janeiro, 1937.Portinari com sua irma Olga. Rio de Janeiro, 1937.Casal Portinari.Portinari com seu filho Joao Candido, na praia do Leme. Rio de Janeiro, 1941.Casal Portinari com seu filho Joao Candido. Rio de Janeiro, 1941.Com seu filho Joao Candido e o sobrinho Dinho. Rio de Janeiro, 1944.Grupo na calçada em frente a casa de Portinari, no Leme: Mario de Andrade, Oscar Simom, Portinari e Maria. Rio de Janeiro, 1941.Portinari com seus pinceis e paleta. Rio de Janeiro, 1943.Portinari na Argentina. Buenos Aires, 1947.Candido Portinari com Oscar Niemayer. Rio de Janeiro, 1948.Portinari e seus amigos escritores: Graciliano Ramos, Pablo Neruda e Jorge Amado. Rio de Janeiro, 1952.Com seu amigo, Graciliano Ramos. Rio de Janeiro, 1952.Portinari a bordo do navio a caminho da Europa. Navio Augustus, 1956.Portinari com seus pinceis. Rio de Janeiro, 1956.Potinari com seu cachimbo. Rio de Janeiro, 1958.Portinari com sua neta Denise, na praia do Leme. Rio de Janeiro, 1961.Portinari com sua neta Denise, no apartamento do Leme. Rio de Janeiro, 1961.Velorio de Portinari, vendo-se seu filho Joao Candido ao lado do presidente Juscelino Kubitschek. Rio de Janeiro, 1962.Carlos Lacerda ajudando a carregar o caixao de Portinari. Rio de Janeiro, 1962.Pessoas observam o carro do Corpo de Bombeiros, levando o caixao de Portinari. Rio de Janeiro, 1962.O caixao de Portinari sendo colocado no carro do Corpo de Bombeiros. Rio de Janeiro, 1962.

PABLO PICASSO – Perfeito!

Em 1973 morria PABLO PICASSO

Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remédios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso, ou simplesmente Pablo Picasso (Málaga, 25 de outubro de 1881 — Mougins, 8 de abril de 1973), Pintor espanhol naturalizado francês. Considerado por muitos o maior artista do século 20, era também escultor, artista gráfico e ceramista.
Pablo Picasso, o artista mais famoso e também o mais versátil do século 20, nasceu em Málaga, no sul da Espanha, em 25 de outubro de 1881. O pai era professor de desenho, portanto o óbvio talento de Picasso foi reconhecido desde cedo e, aos quinze anos, tinha já o seu próprio ateliê.
 La Bassin des Tuileries. 1901.
Após um falso início como estudante de arte em Madri e um período de Boêmia em Barcelona, Picasso fez a sua primeira viagem a Paris em outubro de 1900. A cidade continuava a ser a capital artística da Europa e foi lar permanente do artista desde abril de 1904, quando ele se mudou para o prédio apelidado de Bateau-Lavoir (Barco-Lavanderia), em Montmartre, a partir daí o novo centro da arte e da literatura vanguardista.
 
Les toits de Barcelone. 1903
Durante este período, o trabalho de Picasso foi relativamente convencional, passando de uma Fase Azul melancólica (1901-05) para a Fase Rosa, mais alegre e delicada (1905).
A mudança de estado de espírito pode ter se originado em parte pela sua ligação com Fernande Olivier, seu primeiro grande amor. Na vida de Picasso, as mulheres e a arte estão inexplicavelmente misturadas, o surgimento de uma nova mulher freqüentemente sinalizava uma mudança de direção artística.
Embora os trabalhos de Picasso estivessem começando a ter sucesso comercialmente, ele decidiu abandonar seu estilo “Rosa”. Em 1907, inspirado pelas esculturas ibérica e africana, pintou Les Demoiselles d’Avignon, um dos grandes trabalhos liberadores da arte moderna.
Divertindo-se com uma nova liberdade pictórica, Picasso, junto com o pintor francês Georges Braque, criou o Cubismo, em que o mundo visível era desconstruído em seus componentes geométricos. Este foi comprovadamente o momento decisivo em que se estabeleceu um dogma fundamental da arte moderna – o de que o trabalho do artista não é cópia nem ilustração do mundo real, mas um acréscimo novo e autônomo. Graças ao Cubismo, a liberdade do artista estendeu-se também aos materiais, de foram que os meios tradicionais como a pintura e a escultura puderam ser suplementados ou substituídos por objetos colados nas telas, ou “montagens” de itens construídos ou “achados”.
 
Guitar and Violin. 1912
Ao contrário de alguns contemporâneos seus, Picasso nunca chegou a criar uma arte puramente abstrata. De fato, sua versatilidade o mantinha um salto adiante de seus admiradores, muitos dos quais se surpreenderam quando ele voltou a pintar figuras mais convencionais e depois, no início da década de 1920, desenvolveu um estilo neoclássico monumental. Coincidentemente ou não, em 1918 se casara com a bailarina Olga Koklova, e adotara um estilo de vida exageradamente próspero e respeitável – mas que ele achava cada vez mais aborrecido.
Arlequin. 1924
Em 1925, Picasso começou a pintar formas deformadas, violentamente expressivas, que eram em parte uma resposta às suas dificuldades pessoais. A partir desta época, seus trabalhos se tornaram cada vez mais multiformes, empregando – e inventando – uma variedade de estilos como nenhum outro artista havia tentado antes. Foi também um escultor criativo (algumas autoridades o consideram o maior expoente da arte no século 20), e mais tarde dedicou-se à cerâmica com grande entusiasmo. Em qualquer veículo que se expressasse, sempre foi imensamente prolífero, criando em toda a sua vida milhares de obras.
No final da década de 1930, quando o impulso criativo de Picasso parecia finalmente estar enfraquecendo, os acontecimentos o levaram a criar o seu quadro mais famoso: Guernica. Esta obra foi uma resposta aos horrores da Guerra Civil Espanhola. o conflito começou em julho de 1936 com um golpe militar liderado pelo General Francisco Franco, representando os elementos fascistas, tradicionalistas e clericais do país, contra a República Espanhola e seu governo eleito da Frente Popular (centro-esquerda).
 Le café à Royan (Le café). 1940
Ao estourar a guerra, Picasso imediatamente declarou seu apoio à República, levantando enormes quantias em prol da causa e aceitando pintar um grande mural para o pavilhão espanhol na Exposição Internacional de 1937, em Paris. Ainda não havia começado quando soube que, em 26 de abril de 1937, aviões nazistas, enviados por Hitler para ajudar Franco, tinham bombardeado e arrasado a cidade de Guernica. Picasso pôs-se imediatamente a trabalhar nos esboços preliminares para Guernica e depois pintou a enorme tela em cerca de um mês (maio/junho de 1937). Ela foi a expressão máxima não só do sofrimento espanhol como do impacto devastador dos armamentos modernos de guerra sobre suas vítimas em todas as partes do mundo.
 
GUERNICA. 1937
Apesar de tudo, os republicanos perderam a guerra civil, e Picasso ficou exilado da sua terra natal para o resto da sua longa vida. Durante a segunda Guerra Mundial, ele ficou na Paris ocupada pelos alemães, proibido de expor mas sem que ninguém o molestasse seriamente.
Depois da libertação de Paris, Picasso ingressou no Partido Comunista, e durante alguns anos certas obras suas foram declaradamente políticas; mas ele era também uma celebridade internacional, residindo na região onde os ricos iam se divertir no sul da França. Em seguida a uma série de ligações amorosas, ele finalmente casou-se pela segunda vez, agora com Jacqueline Roque, em 1961 e levou uma vida cada vez mais retirada. Artisticamente prolífero até o fim da vida, morreu aos 91 anos em 8 de abril de 1973.
BY erick silveira

Claude Monet (1840–1926)

O nome de Claude Monet está indissociavelmente ligado ao movimento Impressionista. Foi um de seus principais mentores, e a este movimento permaneceu fiel até o final de sua vida. Estudar a pintura de Monet é também estudar o Impressionismo, e a importância que este movimento teve para a arte do século XX pode ser vista também na pintura de Monet. 

Monet nasceu em Paris em 1840 e, embora tenha vivido uma juventude de grandes dificuldades financeiras, alcançou reconhecimento e estabilidade financeira ainda durante sua vida. Embora o Impressionismo tenha provocado, em seu início, grande repercussão negativa, em pouco tempo será reconhecido como a primeira escola de pintura moderna, influenciando toda a arte posterior.

Como pintor, realizou uma verdadeira revolução, porém não deixou qualquer escrito teórico, nem mesmo a indicação a terceiros de quaisquer preocupações teóricas. Esta situação – tão atípica se pensarmos no desenvolvimento posterior da arte no século XX – levou alguns críticos a considerar que Monet não seria totalmente consciente da revolução cultural que iniciara. Um reles preconceito, que só pode ser formulado por pessoas formadas dentro da escola modernista teórica, para quem o pensamento com pincéis é simplesmente inexistente ou insignificante, seja ele de Monet ou de qualquer outro artista.

Monet é um dos maiores pintores na técnica do óleo da história. Sua pintura é, essencialmente, plástica. Soube extrair da tinta e dos pincéis uma estética poucas vezes alcançada na história da arte. Quando olhamos para seus quadros, vemos uma superfície extremamente fluida e tátil. Não há linhas de contorno, e a estrutura da composição é diluída em manchas que avançam e recuam, em profundidades e intensos cromatismos.

O tema de sua pintura é a luz, e o modo como ela interage com os objetos através da mediação da pincelada. A atmosfera, os reflexos, o translúcido, a irisação, a refração, entre outros, são os verdadeiros temas de sua arte. Se ele se utiliza de uma fachada de uma igreja ou de lírios-d’água sobre a superfície de um lago, isto é apenas um pretexto. Em Monet, a luz cria uma nova matéria. Ou melhor, ela nos mostra uma matéria – que pensávamos tão bem conhecer – de modos novos e inimaginados. As pedras da fachada da igreja animam-se, a água do lago torna-se melíflua. Oscar Wilde disse que, antes de Monet, ninguém havia observado que os nevoeiros em volta das pontes de Londres se irisam, e que não era mais possível olhar para aqueles nevoeiros sem se lembrar do pintor francês. 

Mas tudo se realiza através da pincelada. O toque livre de Monet remete aos mestres do pincel, entre os quais Rembrandt. A tinta é colocada sobre a superfície da tela de modo espontâneo e ligeiro, sem ser descuidado, entretanto. A divisão dos tons, com a qual os impressionistas segmentavam as cores em suas componentes primárias, levou o artista a uma cada vez menorpreocupação com a forma. Uma de suas últimas séries de pinturas, retratando lírios d’água, chega a uma tal dissolução da forma na pincelada que, um passo a mais, e se estará já dentro de um estilo abstrato-informal. A poética destas pré-formas, a magia que se desprende destes quase-objetos, nos coloca na posição de seres primitivos que estão descobrindo um mundo novo, onde cada pequena diferença no contínuo adquire significação inusitada e extraordinária.

Com isto chega-se a um ponto importante na trajetória do artista. Antes de ser um método pseudo-científico de pintar, uma tentativa cientificista canhestra de explicar a natureza das coisas através da visão, a pintura de Monet é uma tentativa extraordinária de nos posicionarmo-nos novamente diante do mundo, com os olhos da imaginação (e, portanto, da poesia) totalmente abertos e inocentes. Mais do que ciência, sua pintura é um modo de ser-no-mundo, um modo em que o simbolizar ainda não se iniciou.

Com Monet a pintura recupera um frescor anterior à grande carga de conhecimentos técnicos acumulada pela tradição pictórica desde o renascimento. Com ele, a pintura começa de novo. É como se ele se desembaraçasse da linguagem acadêmica da pintura para começar um novo modo de ver e de pintar, poético e espontâneo. Este é o legado revolucionário que deixou para as gerações posteriores de vanguardistas. Sua pincelada livre e o uso da cor pura logo vão germinar e se desdobrar nas diversas escolas do início do século XX.

The Bodmer Oak, Fontainebleau Forest, 1865

Bridge over a Pond of Water Lilies, 1899

Water Lilies, 1919

The Parc Monceau, 1878

The Monet Family in Their Garden at Argenteuil, 1874

Camille Monet (1847–1879) on a Garden Bench, 1873

Garden at Sainte-Adresse, 1867

Claude Monet, Water Lillies

Claude Monet, Water Lillies

Giverny, 1900

Poppies Blooming, 1873

View of le Havre
Woman with a Parasol

Clifftop Walk at Pourville

Gustav Klimt – Equilíbrio e Refinamento

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© Gustav Klimt, “Beethoven Frieze” (1901-02) , Belvedere, Viena.

Gustav Klimt viveu em Viena em um momento de efervescência. Durante o século XIX, a cidade se urbanizou; novas ideias a invadiam e atraiam intelectuais de diversas localidades. Um cenário intenso que permitiu muitas alterações no conhecimento científico, na sociedade e na arte. Antes de Klimt, a pintura praticada na cidade era provinciana e a maioria das obras eram retratos da elite vienense. O artista traz uma percepção do espirito humano, um estilo pictórico e decorativo, que vai influenciar o art nouveau. Suas obras são caracterizadas como pertencendo ao simbolismo, e dialogam com a arte japonesa e africana, o que resultou em uma pintura peculiar e muito própria.

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© Gustav Klimt, “Palas Atena” (1898).

Foi nesse período que Klimt e mais dezoito artistas dissidentes da Associação dos Artistas Vienensesa criaram a Secessão Vienense, uma crítica à liberdade de criação tolhida pelas academias. Os membros da Secessão foram influenciados pelo movimento Arts and Crafts, da Inglaterra. O grupo buscava resgatar as qualidades do fazer artesanal contra a mecanização, integrando-o com a arte e arquitetura. O afresco Beethoven Frieze é um dos grandes exemplos desse período.

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© Gustav Klimt, “As Três Idades da Mulher” (1905).

Ao deixar a Secessão, a obra de Klimt passou a ter um caráter mais pessoal. Assim, as mulheres tornaram-se o foco de atenção, uma verdadeira obsessão do pintor – que soube como retratá-las diante do novo século. Klimt utilizou-se das curvas femininas e do olhar evocativo das mulheres, sempre colocadas como figuras centrais, como verdadeiras armadilhas de sedução para o observador. A nudez é sempre crua, e as mulheres não são objetos passiveis para o prazer, mas para excitar com o seu próprio prazer. E o nu frontal, mostrando até mesmo os pelos pubianos, rompeu totalmente com o conservadorismo tanto da sociedade quanto das artes.

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© Gustav Klimt, “Serpentes Aquáticas” (1904-1907).

A obra de Klimt possui um equilíbrio e um diálogo único entre o refinamento sensível e decorativo e a morbidez de sua figuras, que pendem para o simbolismo. Os ornamentos aparentam ser simbólicos em diversos momentos, criando ritmos nos elementos de cinzas e pérolas pálidos e dourado e prata vívidos. A ornamentação foi o caminho escolhido pelo artista para criar uma atmosfera de sonho, onde as figuras não estão ligadas a nenhum tempo ou local, repleta de alegorias que estimulam a imaginação.

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© Gustav Klimt, “Fritza Riedler” (1906) , Belvedere, Viena.

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© Gustav Klimt, “Frizo Stoclet – O abraço” (1905).

As joias, parte desta ornamentação, são de uma delicadeza e cuidado que atraem o olhar. Assim como as vestimentas. Em 2008, John Galliano apresentou em um desfile da Dior uma coleção totalmente inspirada nos vestidos usados pelas mulheres de Klimt em suas obras. O artista fez parte do Movimento pela Reforma do Vestuário, que pregava um novo tipo de vestimenta para as mulheres – assim como uma reforma nas regras de comportamento. Os vestidos tinham inspiração nas túnicas africanas de cortes largos e com tecidos de estampagem étnicos.

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© Gustav Klimt, “Adele Bloch Bauer” (1907).

Outro elemento recorrente nas pinturas de Klimt são as ruivas. Influenciado pelos pré-rafaelitas, que popularizaram a imagem da mulher ruiva, nas obras do artista as madeixas vermelhas ganham o status de sedução e feminilidade.

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© Gustav Klimt, “Danae” (1907-08).

Klimt realizou cerca de 3.000 desenhos eróticos, muitas vezes com cenas de sexo explícito – a maioria publicada após a sua morte. Além dos desenhos, muitas de suas pinturas trazem uma carga de intenso erotismo. O ato sexual é revisto através dos personagens clássicos da mitologia grega. A vida também é vista através da passagem do tempo e do sexo. Outra questão explorada por Klimt é o amor entre as mulheres, como na obra As Amigas. E quando o homem se faz presente nas pinturas, é como voyeur ou como complemento.

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© Gustav Klimt, “Danae” (1907-08).

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© Gustav Klimt, “O Beijo” (1908), Belvedere, Viena.

Klimt sentia-se atraído pela mitologia, principalmente pelas sereias – que eram vistas pelo artista como um símbolo ambíguo da feminilidade e perversidade da mulher. Em Água Agitada, as sereias são mulheres de extrema sensualidade, com seus corpos nus de formas sinuosas como se acompanhassem o movimento da água. Um verdadeiro simbolismo erótico. Muitas das mulheres retratadas pelo artista possuem corpos de uma incrível leveza, como se estivessem flutuando no ar ou na água, sem direção ou orientação.

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© Gustav Klimt, “Água Agitada” (1898), Private Collection, Galeria St. Etienne, Nova Iorque.

Já em Judith I, o artista traz uma inovadora versão do mito. Ícone da mulher fatal capaz de submeter qualquer homem aos seus desejos, na obra de Klimt ela aparece sem disfarçar o prazer da dominação – como um prazer sexual – ao segurar a cabeça do general assírio por cuja morte foi responsável. Repleta de ouro – com um fundo em que Klimt buscou reproduzir os relevos assírios do palácio de Nínive – Judith aparece com a roupa transparente e os seios nus. Seus cabelos negros contrastam com os trabalhos em dourados. Uma feminilidade agressiva, onde a mulher tem o pleno poder, mas ainda é repleta de sensualidade.

© Gustav Klimt, “Judith” (1901), Belvedere, Viena.

No final da vida, Klimt abandonou o dourados e as cores fortes e passou a utilizar os tons pastel. Uma viagem à França também fez com que se encantasse pelo impressionismo e com isso alterasse suas pinceladas. Mas seu olhar permaneceu eternamente atraído pelas mulheres.

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© Gustav Klimt, “Mäda Primavesi” (1912-13), Belvedere, Viena.

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