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O apanhador de desperdícios

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Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

MANOEL DE BARROS

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Recôncavo Baiano

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RESPOSTA aberta a um senhor que me chamou de petralha nordestina entre outras coisas. Um insulto como se nordestina fosse defeito ou desmerecimento.
Não sou filiada a nenhum partido, mas com certeza estarei do lado do injustiçado. Alguém que foi eleita verdadeiramente pelo voto do povo deve permanecer ate o final do mandato. Não sou Pt e não aprovo muita coisa .

Mas, a constituição deve ser respeitada. Não foi o nordeste que elegeu Dilma. Foi o Brasil caro amigo, sim, sou nordestina com o maior orgulho da alma. Eu sou nordestina, baiana e do recôncavo baiano. Sei de minha origem e sou fruto de gente corajosa e trabalhadora. Em Terra Nova – BA chegaram meus bisavós por parte de pai do Porto – Portugal pra tentar reconstruir e tentar sorte com armazém de secos e molhados na beira de uma Usina de Cana de Açúcar – ALIANÇA era o nome da usina. E eles venceram.
Pelo lado da minha mãe sou neta de uma mulher, culta, forte inteligente e poeta. Filha de um padre foi criada com a melhor educação que poderia ter na época. E meu bisavô padre assumiu a filha perante toda a sociedade e a deu carinho e educação.

Minha vó namorou anos com o caboclo belo e rude, administrador de usina através de cartas. quando ele se estabilizou foi buscar a minha vó e foram formar família , família grande parte de professores……Família que muito me orgulha…Fui criada na poesia , na verdade , na luta. E eles venceram. Não peçam de mim imparcialidade, indiferença e personalidade equilibrada e nula. Sou uma mistura de raças e isso me dá forças para reconstruir sempre!!!
Quando pequena adorava ver os raios e trovões riscando o céu.
O caos não me assusta… eu sempre venço ele.
Qual motivo estou escrevendo isto?
Um misto de orgulho de meus antepassados e esperança no meu futuro em um momento delicado , perigoso e incerto.
Um dia quando tiver netos quero que eles leiam este post.

EPAHEY OYÁ!

Vou logo avisando… – Elisabete Cunha

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Nunca me chame:

Ir em festas de pagode, arrocha e similares
Ir ao shopping dia 24 de dezembro
Ir ao shopping dia 30 de dezembro
Ir encontrar com pessoas mal-humoradas, grossas e donas da verdade
Ir produzir matéria em camarote no carnaval de Salvador e nem poder aproveitar nada.
ir produzir matéria com gente que dá bolo.
Ir conhecer gente que te usa, usa, usa e não tem nenhuma gratidão em todos os setores da vida.
Ir enfrentar fila, seja ela qual for.
ir assistir o programa de Faustão.
ir viajar de ônibus sentada ao lado do banheiro.
Ir com o carro no centro e não ter lugar pra estacionar.
Ir aturar gente que só faz se queixar da vida, invejosa e mal amada.
(é que me lembro por enquanto, tem mais…muito mais)

Sempre me chame:

Ouvir Piaf , Ella, Billie, Aretha , Etta , Elza soares e Rita Lee.
Andar de bicicleta
Para o que der e vier (quando gosto da pessoa demais)
Beijar meu filho , minha mãe, meu namorido e similares.
Ir ao show de Marisa Monte,Arnaldo Antunes ,Nando Reis, Lenine, Zeca Baleiro . Karina Buhr, Tulipa Ruiz , Ed Motta, entre outros queridos.
Ir a Livraria Cultura , ler livros bem caros por horas e não comprar. (Por razões $$$$)
Ir a Livraria Cultura e tomar um Capuccino com pão de queijo.
Ir ao cinema (sem fila)
Ir ao teatro (sem fila)
Comer acarajé (sem fila)
Caminhar, caminhar, caminhar…
Tomar sorvete na Sorveteria da Ribeira
Tornar a caminhar, caminhar, caminhar por causa do sorvete.
Ficar estudando sobre Arte e visitar museus do mundo via INTERNET (Só posso assim por enquanto)
Ir para praia cedo…não ao meio dia (senão morro literalmente frita)
Beber água de Côco
ir ao salão de beleza
Comprar bolsas e sapatos.
Encontrar gente que me faz feliz de verdade, GENTE DE VERDADE.
(é que me lembro por enquanto, tem mais…muito mais)

Assinado : Elisabete Cunha

Valorize-se já!

Quanta confusão! Quanto desgaste quando na verdade todas as respostas estavam bem aí dentro de você. Mas você, nesse momento não consegue enxergar isso! Sua queixa principal é a falta de valorização. Mas não é só “dele”! É o seu chefe, seus amigos, parentes, enfim, um coro quando o assunto é valorização.

Você quer a todo custo principalmente que ele a valorize e a veja como a mulher dos sonhos. Mas e você? Quando você olha pra você o que vê? Você consegue visualizar a mulher dos sonhos?Ora, se nem você se vê dessa forma, como acredita que ele a verá?

Você trabalha arduamente e anseia por essa valorização. Lê todos os textos do site e praticamente decora minhas palavras. Você tenta seguir meus conselhos a risca, fazendo isso ou aquilo com ele. Ótimo! Só que você faz por fora! É só esse pequeno detalhe!

Você faz tudo por fora, mas lá dentro…lá dentro mesmo você está morrendo de medo! Você está extremamente insegura, firme igual a uma gelatina!

E agora eu pergunto: Qual é a energia que prevalece? Aquela que você aparenta ou que está lá dentro?

Acertou quem disse a energia de dentro. Meninas, é só o que importa!

Você pode até fazer cara de paisagem pra ele, porém quando ele olha pra você, ele ainda sabe o que você está sentido ou pensando. E por quê? Porque ele é médium? Não minha linda, porque ele é um ser que também está nesse planeta com os mesmos sensos, ou seja, com as mesmas ferramentas do que você. Ele sente a sua energia! Assim como você também sente a energia dele. E então se ele der importância a essa energia que está emanando de você, ele saberá que é tudo da porta pra fora!

Logo, a valorização começa em primeiro lugar dentro da gente. Você precisa urgentemente encontrar uma forma de buscar esse valor dentro de você. Quando você conseguir isso, a primeira coisa que acontecerá, é que esse medo que está aí dentro, desaparecerá. Quando você toma seu valor por inteiro, tudo o que você faz é certo! Por mais errado que esteja!

Quando esse seu valor aflora, você fica ao seu lado e então pára de pedir opinião dos outros, pois você será sua melhor amiga e só você sabe o que é melhor! Os outros não têm mais poder sobre você.

E então quando você desperta para esse seu valor, nada mais precisará ser feito. Suas palavras, suas ações e seus pensamentos serão baseados exclusivamente no seu melhor. E ele? Bom, ele começará a valorizá-la automaticamente. Você não precisará se debater mais pra isso.

Essa é uma das leis do Universo. E acredito que seja a principal lei. Tudo começa aqui dentro! Se você não tem valor aí dentro, não adianta trabalhar por fora, pois será em vão. Primeiro aí dentro, o resto é consequência! Eu sei que isso tudo que falo aqui, é totalmente novo para 90% das pessoas que estão lendo. Ok! Mas eu sou a testemunha! Eu também um dia já tive medo, já chorei, me desesperei e fui machucada. Só que depois que descobri como as coisas funcionam, nunca mais passei por isso, pois tudo conspira ao meu favor. E não tem ninguém que mude isso dentro de mim! Ninguém!

Os outros não tem que valorizar você! É seu trabalho fazer isso!

Seja um idiota…

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“Seja um idiota…
A idiotice é vital para a felicidade.
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre.
A vida já é um caos. Por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes,separações, dores e afins.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.
Ignore o que o boçal do seu chefe disse.
Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele!
Milhares de casamentos acabaram não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice.
Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?
Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo.
Você quer? Espero que não!
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas… a realidade já é dura; piora se for densa.
Brincar é legal!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida e esse é o único “não” realmente aceitável.
Teste a teoria.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir…
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?”

Rejeição e dor – Andrea Pavlovitsch

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Você já foi rejeitado? Aposto que sim. Aposto como aquela menininha linda da quarta-série não queria nada com você e quando você escreveu no bilhetinho “Quer namorar comigo?” com dois quadradinhos ao lado do SIM e do NÃO, ela assinalou um X no não tão forte que até furou o papel. E aposto que você ainda se lembra de quando o seu pai comprou um presente para o seu irmão mais novo, e não para você. Ou quando, sentado na sala de espera da entrevista de emprego, percebeu o quanto o ex-futuro chefe gostou muito mais do currículo da candidata que entrou antes de você. Ou dos peitos, que seja! A rejeição acontece. O tempo todo. Seja na fila do ônibus, seja no trabalho, mas onde ela realmente pega, são nas relações amorosas.
Perdi a conta do número de vezes que consolei minhas amigas rejeitadas pelos pretendentes. Perdi a conta do número de vezes que eu precisei delas para que me consolassem. A rejeição amorosa mexe em um lado nosso que nem sabíamos que existia. É como se, por alguns instantes, um imenso buraco abrisse debaixo dos nossos pés (a famosa sensação de estar sem chão) A cabeça fica turva, os olhos começam a lacrimejar, a garganta fecha completamente. É dor. Na sua forma mais pura, mais profunda. É como se fossemos, naquele momento, lixo. Quando estamos realmente, de verdade, apaixonados então a coisa piora. E muito. E não pense que precisamos das famosas palavras “eu não te amo mais” para nos sentirmos assim. Rejeição, quando começa, se sente. Sentimos nos olhares para a mesa ao lado do restaurante. Sentimos quando não importamos mais para aquela pessoa, quando tudo o que fazemos para ela ou para ele parece nada. É como se fosse uma coisa comum, por mais que nos esforcemos, não tem nenhum significado para o outro.
E como é duro se conformar com isso. Quando ele chega e diz “Acabou!” ficamos inconformados. Por quê? Como? Não entendemos nada porque não conseguimos ler os sinais. Pensamos: “Mas como pode, estava tudo tão bem?”. Mas não estava há tempos. Por isso acredito que a rejeição nos cegue. Talvez para que doa menos. Talvez para que possamos passar melhor por isso. E todos fogem da dor, o tempo todo. A dor das necessidades da vida. A dor de perder, de desapegar. A dor de mudar uma rotina que gostamos tanto. De esquecer, de deixar de gostar, de deixar de sentir necessidade e de sentir necessário.
De fato, a rejeição mexe com o que existe de mais primitivo em nós. Quando somos bebês não queremos, e nem podemos ser rejeitados pelos nossos pais. Dois dias sozinhos neste mundo cruel, sem comida, sem leite, sem cobertores nós até sobrevivemos. Mas um dia, que seja, sem carinho e sem toque, e não existiremos mais. A rejeição, portanto, mexe com o nosso instinto de sobrevivência, de capacidade de conseguir chegar numa idade em que poderemos nos virar sozinhos. Mexe com as necessidades de carinho e de afeto que só uma mãe pode dar. E são estes os sentimentos que aparecem quando acontecem as outras rejeições na nossa vida. É como se todas as outras remetessem a rejeição original que pode ser desde um “não sei se quero mesmo ter esse filho” até um abandono na cesta de lixo ou num rio, como está tanto na moda. E isso sempre é dolorido. E muito.

Mas porque somos rejeitados?
Essa é a pergunta que todos gostariam de ver respondida. Não existe uma fórmula. Não adianta você ser a mais bonita, a mais gostosa e a mais inteligente do planeta. Isso não fará com que você não precise passar por isso. E procuramos tanto nos “ajeitar” para evitar a rejeição. Enchemos-nos de botox, levantamos o bumbum, fazemos ginástica, aprendemos a falar direito. Qualquer truque! Para que aquela pessoa, aquela pessoa especial que amamos tanto e que escolhemos, também escolha a gente. E, um dia, um belo dia, descobrimos que nada do que fizermos vai adiantar muito. A rejeição, feliz ou infelizmente, está relacionada à energia. Simplesmente não deixamos de gostar de alguém porque a pessoa tem esse ou o outro defeito. Tantas mulheres aturam maridos bêbados e espancadores por medo da rejeição. Tantos homens sustentam mulheres que não merecem por medo de serem rejeitados por elas. Na pior das hipóteses, o medo da rejeição vira um imenso jogo. E se a pessoa amada sabe se aproveitar desse jogo, com certeza, o outro sofrerá muito.

Mas o que é a rejeição então?
A rejeição, portanto, é o quanto a gente se rejeita. O quanto achamos que não somos suficientemente perfeitos. O quanto não nos aceitamos como somos. É muito fácil aceitar um homem, ou uma mulher, que amamos como eles são. Até achamos os defeitos pequenos charmes passíveis de perdão. Mas quando cometemos um erro, quando fazemos algo de não gostamos, nos culpamos, nos rejeitamos. E quanto mais você se rejeita, mais o Universo vai mandar pessoas para você em forma de rejeição. É como se você estivesse pedindo isso para o Universo o tempo todo. Vibrando a rejeição, atraímos a rejeição.

Então, como nós livrarmos da rejeição?
O primeiro passo é uma grande, imensa, faxina interna. Sente-se um dia, com você, e se lembre de todas, todas, todas as ocasiões em que foi rejeitado ou que se sentiu assim. Chore, grite, esbrajeve. Soque umas almofadas, faça qualquer coisa que te faça sentir melhor, mas, por favor, não entre no coitadinho de mim. Você não é o único rejeitado do planeta e pode, muito bem, agüentar isso. Livre-se daquela coitadinha que não pode mais viver por ter sido rejeitada. Simplesmente mande ela embora da sua vida.
Segundo passo, e mais importante, amar a si sobre todas as coisas. Aprender a amar os seus erros, os seus defeitos, as suas atitudes impensadas, as coisas que você fez e não deram certo, os fracassos. Pense que tudo no Universo está sempre no local e na sintonia certa e que se essas coisas te aconteceram é porque tinham que acontecer. Não pense que seria diferente, que você teria feito outras escolhas, porque não teria. As coisas são o que são. Aceite-as. Aceite a si e, assim, você também vai aceitar o próximo. Pense nas vezes em que você rejeitou alguém. Pensei que você pode ser a menininha da quarta-série que respondeu a enquete. Pense que, muitas vezes, você teve que rejeitar uma pessoa que você sabia que não tinha nada a ver com você. Essa é a dinâmica da vida e não é você quem vai modificá-la. Simplesmente aceite.
Então, a lição de casa para a rejeição é a aceitação. E se isso te fizer chorar, chore. Se isso te fizer sofrer, sofra. Não é vergonha para ninguém passar por isso, não é humilhação. Humilhação, de verdade, é deixar de se amar e esperar que o outro faça isso por vocês dois.
Você é um ser humano perfeito! Com todas as suas imperfeições. E está numa grande escola chamada Vida, onde você pode errar a vontade. E sempre, sempre, sempre se perdoar por isso.

Andrea Pavlovitsch
Terapeuta holística, taróloga e numeróloga. Atende com florais, reiki e psicoterapia.
Agende seu horário por (11)8132-7126,(11)6839-3412 ou (11) 9273-2657 ou peça seu mapa numerológico (pessoal e empresarial) e consulta de tarô através de andreateixeira@psicoterapeutas.com.br
Atendimento pessoal em São Paulo (Jardins, Vila Formosa e Tatuapé)
MSN: teixeira_psi@hotmail.com
* Os créditos acima sempre devem acompanhar o texto *

Solidão, que nada!

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Já repararam em como tem um tanto gente reclamando da solidão? Querendo achar a goiabada pro seu queijo, a tampa pra sua panela, o guaraná pra sua pipoca, o granulado pro seu brigadeiro? Como explicar tantas pessoas querendo a mesma coisa e elas não se esbarrarem por aí? Que diacho de análise combinatória é essa que não dá certo?!

Um dos meus palpites é que nestes tempos ciberneticamente rápidos, as metralhadoras giratórias disparam freneticamente sem observar de verdade o alvo. Saciam-se os desejos e alimentam-se os vazios. E, ainda, parece que não queremos dispender muito tempo nem paciência pra nos envolver afetivamente com o outro. Se afetar com outro. Imagina então o ônus que seria viver uma história de amor.
A Clarice disse que amor não é prêmio e por isso não envaidece. Talvez seja mesmo preciso ficar nu para viver o amor. Tirar a roupa pode ser a parte mais fácil. Difícil mesmo é desnudar-se. Nu. Apenas com nossa beleza e nossa feiura mais autênticas. Temos tempo e disposição pra administrar essa nossa humanidade toda? Definitivamente, o amor suja as mãos.
Ainda sim, sou um romântico incurável (e um pouco cafona, por isso). O amor dá trabalho sim, (não há como fugir disso), mas também pode te fazer tão melhor. E olha que não tô falando de um amor desses de cinema não. É desse amor do dia-a-dia mesmo. Que vai ao banco, toma neosaldina e come pizza dormida. Que tem tesão, assanhamento, safadeza e também um cafuné distraído no cabelo. Que te manda uma mensagem no meio do dia e que também quer ficar sozinho nessa sexta, simplesmente porque quer. Que te detesta quando você rói a unha e se derrete quando você dá aquela sua gargalhada esquisita. Que teve um dia péssimo no trabalho hoje e está irritado, mas que amanhã passa. Que fica engraçado quando eventualmente está de mau humor, mas que tem humor, porque isso é indispensável. Que foi tão inesperado e que é muito e tão bem vindo.
Tem quem não me deixa mentir: Vinicius foi, no reveillon, ver os fogos em Copacabana, mas quem brilhou mesmo foram os olhos da sua paixão. Nádia deu voltas longas em torno da Terra e encontrou o homem da sua vida e o pai da sua filha no amigo da mesa ao lado, no trabalho. Juninho teve um mal súbito na Praça Sete e quem o socorreu o acompanha pela vida afora. Não é história de filme e nem acontece pra todo mundo, mas existe amor. Com seus ônus e seus bônus. De verdade. De realidade.
Desconfio que, mais cedo ou mais tarde, ele aparece pra quem consegue se desnudar. O amor, esse difícil estranho, está a espreita pra quem tem olhos atentos para vê-lo.
Texto- Paulo Andrade