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O que é essa tal felicidade? – Dr. Cristiano Nabuco

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Não é de hoje que a felicidade é perseguida por todos nós, sem exceção. Você, leitor, por acaso também quer ser feliz?… Saiba que, durante muito tempo, acreditou-se que a felicidade dependia dos desígnios dos deuses. Essa concepção religiosa da felicidade foi presente durante muitos séculos e em várias culturas. Entretanto, no século IV a.C., Sócrates inaugurou uma concepção a partir da qual buscar a felicidade é uma tarefa de responsabilidade do próprio indivíduo.

A Revolução Francesa, por exemplo, também estabeleceu que o objetivo da sociedade devesse ser a obtenção da felicidade de seus cidadãos. E, nos tempos atuais, a felicidade é considerada um valor tão precioso que a Declaração de Independência dos EUA registra que “todo homem tem o direito inalienável à vida, à liberdade e à busca da felicidade”.

Para sanar qualquer dúvida, fui consultar o dicionário Aurélio e encontrei o seguinte: “s.f. Estado de perfeita satisfação íntima; ventura. / Beatitude; contentamento, grande alegria, euforia, grande satisfação. / Circunstância favorável, bom êxito, boa sorte, fortuna”.

Veja que as definições de felicidade são múltiplas, e embora tenhamos esse direito, não parece tarefa tão simples encontrá-la.

Querido leitor, qual seu palpite?… Você acredita, por exemplo, que ter dinheiro lhe faria mais feliz? Casar-se e ter filhos também? Ter um bom emprego?… Vamos observar algumas questões então.

Felicidade e dinheiro

Comecemos pela resposta mais óbvia. É possível que você tenha pensado que ganhar mais dinheiro poderia lhe fazer mais feliz. Você, assim como muitas pessoas, acredita que quanto mais dinheiro tiver, mais feliz poderá ser. Economistas descobriram que quanto mais se ganha, melhor é a satisfação das pessoas com a vida.

Entretanto, o que você ainda não sabe é que o nível de felicidade não aumenta na proporção do ganho econômico, ou seja, embora possamos ficar mais felizes por  ganhar mais, esse aumento de satisfação vai até certo ponto e se estabiliza, ou seja, de lá não passa (é o que afirmam muitas pesquisas).

Portanto, ainda que você possa acumular mais e mais, sua felicidade não irá aumentar na mesma proporção. Há um velho ditado que capta intuitivamente esta questão ao dizer: “more money, more problems” (mais dinheiro, mais problemas). Moral da estória: talvez a saída não esteja por aqui.

Felicidade e relacionamento

Bem, aqui encontraremos dados controversos. Em primeiro lugar, não é o casamento que faz as pessoas felizes, mas um casamento feliz é que pode contribuir com o estado de felicidade maior.

As pessoas casadas podem ter níveis de felicidade maiores do que as solteiras (ou separadas), mas a qualidade da relação desenvolvida com o cônjuge ainda é que é o principal indicador da felicidade humana, aponta uma pesquisa.

Quanto aos filhos? Bem, aqui vão dados mais polêmicos. A felicidade entre homens e mulheres diminui após o nascimento do primeiro filho, devido ao nível de preocupação e do estresse gerado. Em geral, pesquisadores indicam que casais sem filhos são mais felizes do que casais com filhos. E casais com filhos pequenos são também aqueles com menor índice de felicidade, se comparados aos anteriores, pois possuem preocupações ainda maiores.

E, apesar de fatos científicos apontarem que filhos não trazem felicidade (coisa de pesquisador), talvez o valor afetivo desenvolvido nestas relações (se forem positivas, obviamente) compense as preocupações geradas ao longo da vida junto aos pequenos. Quem sabe…

Bem, se a saída então para ser feliz não está fundamentalmente no dinheiro, nos relacionamentos, na criação dos filhos, é possível então que essa busca seja, na verdade, algo interno e individual, dependendo apenas e exclusivamente de nós.

O que você acha?… Difícil? Vou lhe dar uma pista.

Mito da chegada

Vamos lembrar que a busca de felicidade já se faz presente desde nossa infância. É bem fácil encontrar nos mais variados livros de histórias infantis onde, invariavelmente, nos deparamos com o “final feliz”. É a princesa que recebe o beijo do príncipe e desperta para viver o amor eterno, o pote de ouro que é encontrado ao final do arco-íris, a intervenção divina fazendo-se presente e salvando o reino em guerra, enfim todos acabam felizes para sempre. 

Tais parábolas são importantíssimas, pois têm como função mostrar às crianças desde cedo que o bem triunfa sobre o mal, que existe bondade, justiça, além de ser uma ótima maneira de incutir ideias e valores a respeito da importância de se viver uma vida regida pela boa moral e pela ética. E, até aqui, tudo bem.

Entretanto, deixamos de ser crianças, crescemos e, por força do hábito, continuamos a acreditar que existe o final feliz das coisas. Assim, aguardamos ansiosos a tão esperada promoção, a viagem dos sonhos, a ocorrência do relacionamento perfeito, a casa nova etc. e, sem perceber, passamos por toda uma vida esperando o dia em que nossos esforços serão recompensados, mas por alguma razão isso nem sempre acontece.

O ponto importante a ser observado aqui é bem simples, eu explico.

Ser feliz e sentir-se bem

Sem perceber, acabamos por confundir ser feliz com sentir-se bem. Veja que dentro dos termos descritos acima, ser feliz sempre envolverá algum acontecimento ou fato externo que irá nos ajudar na realização dos momentos felizes. Portanto, vivemos com o mito da chegada (ou a busca do final feliz) em nossa cabeça, ou seja, com um pouco de sorte, é possível que um dia realizemos alguns de nossos maiores sonhos e possamos, finalmente, ser felizes.

Entretanto, como são fatos externos, não temos o menor controle sobre sua ocorrência e esperamos. Às vezes, talvez por uma vida inteira e, enquanto isso não acontece, sentimo-nos profundamente incompletos.

Bem, qual é a saída então? Devemos entender que, para que possamos nos sentir bem, basta que comecemos a cuidar de nós mesmos e nos empenhemos na realização daquilo que pontualmente nos faz bem, pois sobre isso sim, temos controle. Eu imagino que você esteja pensando que estou simplificando as coisas, mas não é esse meu objetivo.

Ao realizarmos algo que nos faz bem, isso nos sustenta emocionalmente para seguir em frente, pois desenvolve força e virtude, ajudando-nos a desenvolver dignidade pessoal. Desta forma, aumentamos nosso senso de coerência de sentimentos e de nossos afetos positivos.

O que fazer então?

Veja que pontualmente não existe uma receita. Seria ingenuidade de minha parte lhe dizer o que fazer, entretanto, a busca de três necessidades humanas são apontadas pelos pesquisadores como componentes nesta jornada:

– Melhore seu senso de pertencimento, isto é, um estudo publicado no periódico Journal of Happiness Studies, aponta que um círculo de amizades ativo está ligado a maiores níveis de bem estar, habilidades de lidar com o estresse e maior facilidade de engajamento social;

-Desenvolva seu senso de competência, ou seja, procurar aprimorar as habilidades de fazer algo bem feito;

– E, finalmente, fortaleça seu senso de autonomia, que é a capacidade de sentir-se suficientemente bem com você mesmo.

Imagino que você já tenha percebido que não emiti minha opinião. Mas eu, pessoalmente, entendo que busca da felicidade ultrapassa tudo o que foi descrito acima e contém outro elemento denominado busca de sentido.

Não que os pontos explicados acima não os contenham, mas creio que apenas um propósito maior poderá nos encantar e sustentar efetivamente nossa felicidade. Neste ponto, eu compartilho a opinião com a de Érico Veríssimo que diz: “Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente”.

E você, por acaso já achou o sentido pessoal de sua vida? Ainda não?… Seria bom pensar no assunto, pois há uma obrigação moral

Fonte -http://cristianonabuco.blogosfera.uol.com.br/

Santos e Ordinários! – Elisabete Cunha

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O meu oratório de vida é para Santos e Ordinários…
Muitos ordinários já foram importantes , muitos santos já foram expulsos…
Muitos ordinários foram santificados.
Muitos santos se transformaram em ordinários…
Quando falo em ordinários e santos estou falando de seres humanos em geral. Sem gênero. sem cor, sem rótulos superficiais.
Seres com defeitos e efeitos.
Seres com gratidões e ingratidões…
Seres que só se aproximam quando tudo está bem, calmo e estabilizado.
Seres que acolhem, que acolhem, que acolhem quando tudo está cinza, difícil e sem chão.
A grande diferença está justamente nisso:
Acolher ou Escolher.
Seres que acolhem não escolhem o melhor momento.
Eles acolhem em qualquer momento, mesmo que seja o pior momento.
Somos seres ordinários e santos.
Ser santo quando tudo vai bem é fácil.
Ser ordinário quando tudo vai mal é reflexo.
Quero ver ser santo quando tudo vai mal.
Seres humanos …
Seres com maldade, desprezo e indiferença.
Seres que matam cruelmente em nome de um Deus .
Santos que agridem com palavras.
Ordinários que beijam com o olhar.
E apesar de tudo , são seres que possuem toda generosidade e preciosidade humana revelada no toque, nos valores, nos pensamentos, nos sentimentos e principalmente no caráter.
Enfim , citando Clarice :
O que o ser humano mais aspira é tornar-se um ser humano.

Depressão : Saiba como evitar recaídas

 

Descomplica! – Via Elisabete Cunha

 

 

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É que a vida não é colorida, é colorível…levanta e vai pintar tua vida das cores que você mais gostar, porque ela é curta pra caramba (ia escrever caralho, mas achei que não ficava bem pra uma senhora). Certas porradas que chegam sem ser esperadas servem tanto, não se queixe,engula o choro agora!!
Nestes descaminhos aprendi que nada é tão grande como a gente vê. Ainda bem! Decidi descomplicar o simples, simplificar os dias. A gente planeja tanto, aí vem o inesperado fazendo festa, rindo dos nossos projetos megalomaníacos, nos ensinar que muita coisa depende de nós, mas que a vida é muito mais que um bloco de notas.
Vem nos mostrar que não existe receita pronta, palavra certa, escolhas erradas, a vida se apresenta cada dia com uma nova roupa e cabe a nós tirá-la para dançar ou ficarmos sentados esperando a coragem chegar. Reaprendi a construir caminhos sem me preocupar com a chegada, apenas com cada passo da caminhada. Tou dando minhas topadas ainda e são muitas. Mas, acho que melhorei minha mania de achar que podemos controlar tudo.
O lance é pintar estrelas no muro, e ter o céu ao alcance das mãos.Tudo, mas sem ilusões, na real mesmo porque existe uma coisa na vida que precisamos aprender, e ninguém ensina isso nas escolas…Só nos tsunamis que surgem do inesperado que aprendemos a capacidade de suportar e de se reinventar.

E essa tal Maturidade? – Via Elisabete Cunha

Algo que a maturidade ensina e quem é bobo “nem nada” aprende, é que para viver de verdade a gente tem que quebrar a cara ( eu sei, é uma merda!…mas é assim que acontece) Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem , não adianta.

Tomara que os nossos enganos mais devastadores não nos roubem o entusiasmo para semear de novo.Tomara!
Pois é como eu citei no começo : Eu desejo maturidade. Quando se tem maturidade, dá-se melhor o valor que tem cada coisa, sem supervalorizar o que é irrelevante ou subestimar um pequeno aprendizado.
E um bendito aprendizado que venho tentando aprender é que quero em minhas relações é possuir a capacidade de manter a cumplicidade.
Que o entendimento aconteça no olhar.
Que as palavras sejam estilingues e não pedras. Desejo que haja tolerância e muita paciência. Que os defeitos de um, não machuquem o outro. Que as qualidades de um, não ofusquem o outro. Desejo que o tempo seja generoso. Que os dias passem em paz. Que as noites sejam de sossego e carinho.
Desejo que a rotina não seja cruel. Que a paixão seja sempre descoberta. Que o abraço seja sempre acolhedor. Desejo que as vontades caminhem amigas e fiéis.E que as diferenças e as distâncias só sirvam para aproximar.

DEPOIS DOS 40 – Fabricio Carpinejar

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Depois dos 40 anos, o pensamento feminino muda, desembaraça.
O sexo não é mais performance, exaustão, é fazer o que se gosta e do jeito que gosta. É aproveitar dez minutos com a intensidade de uma noite inteira, é reconhecer o rosto do próprio desejo no primeiro suspiro, é optar pela submissão por puro prazer, sem entrar na neurose da disputa ou do controle.
A mulher de 40 não diminui o ritmo da intimidade. Pode ler um livro com a intensidade de uma transa. Pode assistir um filme com a intensidade de uma transa. Pode conversar com a intensidade de uma transa. Ela não tem um momento para a sensualidade, a sensualidade é todo momento.
Tomar o café da manhã não é apenas um desjejum, tem a sua identidade, o seu ritual, um refinamento da história de seus sabores. Tomar o café da manhã com uma mulher de 40 anos é participar de sua memória, de suas escolhas.
Ela não precisa mais provar nada. Já sofreu separações, e tem consciência de que suporta o sofrimento. Já superou dissidências familiares, e tem consciência de que a oposição é provisória. Já recebeu fora, deu fora, entende que o amor é pontualidade e que não deve decidir pelo outro ou amar pelos dois.
A mulher de 40 anos, cansada das aparências, cometerá excessos perfeitos. É mais louca do que a loucura porque não se recrimina de véspera. É ainda mais sábia do que a sabedoria porque não guarda culpa para o dia seguinte.
A beleza se torna também um estado de espírito, um brilho nos olhos, o temperamento. A beleza é resultado da elegância das ideias, não somente do corpo e dos traços físicos.
Encontrou a suavidade dentro da serenidade. A suavidade que é segurança apaixonada, confiança curiosa.
O riso não é mais bobo, mas atento e misterioso, demonstrando a glória de estar inteira para acolher a alegria improvisada, longe da idealização, dentro das possibilidades.
Não existe roteiro a ser cumprido, mapa de intenções e requisitos.
Há a leveza de não explicar mais a vida. A leveza de perguntar para se descobrir diferente, em vez de questionar para confirmar expectativas.
Ser tia ou mãe, ser solteira ou casada não cria angústia. Os papéis sociais foram queimados com os rascunhos.
A mulher de 40 é a felicidade de não ter sido. É a felicidade daquilo que deixou para trás, daquilo que negou, daquilo que viu que era dispensável, daquilo que percebeu que não trazia esperança.
Seu charme vai decorrer mais da sensibilidade do que de suas roupas. O que ilumina sua pele é o amor a si, sua educação, sua expressividade ao falar.
A beleza está acrescida de caráter. Do destemor que enfrenta os problemas, da facilidade que sai da crise.
A beleza é vaidosa da linguagem, do bom humor. A beleza é vaidosa da inteligência, da gentileza.
Depois dos 40 anos não há depois, é tudo agora.

O que você viveu ninguém rouba !

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O que você viveu ninguém rouba. Seus amores secretos, tempestades e estiagens, sonhos alagados de ideais, as vezes tão pueris e ingênuos. Seu pendor artístico, os gestos incompletos, sorrisos entregues às luzes do anoitecer, pálpebras que piscam com suavidade, mistérios da alvorada. Todas estas riquezas lhe pertencem. Esta é a sua abastada herança, que se manterá pulsante, enquanto você, com suas vestes de carne fresca ou amadurecida, deslizar entre a terra dos homens.”

Graça Taguti