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Os 8 tipos de personalidade, segundo Carl Jung

Máscaras presas a um barco

Se quisermos entender a história da psicologia, Carl Gustav Jung é, sem dúvida, um dos nomes que devemos ter em conta. As suas teorias têm sido tanto fonte de controvérsia quanto de inspiração. Não é a toa que ele é o fundador de uma escola do campo psicanalítico, a escola de psicologia analítica, também denominada psicologia dos complexos e psicologia profunda.

Durante muito tempo, Jung foi discípulo de Freud. No entanto, afastou-se dele principalmente porque não estava de acordo com a sua teoria da sexualidade. Mesmo assim, Jung postulou a existência de um “inconsciente coletivo“, que antecedia o inconsciente individual.

“Eu sei o que eu quero: eu tenho um objetivo, uma opinião. Deixe-me ser eu mesma e então eu estou satisfeita”.
-Anne Frank- 

Jung foi um intelectual inquieto, que bebeu de várias fontes. Além da neurologia e da psicanálise, as teorias de Jung receberam influência da mitologia, e até mesmo da religião e da parapsicologia. Uma das suas grandes paixões foi a arqueologia, e é provavelmente dessa tendência que emerge a construção da teoria dos arquétipos, ou símbolos universais que estão presentes no inconsciente humano.

A teoria da personalidade de Jung

Para Carl Jung existem quatro funções psicológicas básicas: pensar, sentir, intuir e perceber. Em cada pessoa, uma ou várias desta funções têm uma ênfase particular. Por exemplo, quando alguém é impulsivo, segundo Jung, deve-se ao fato de predominarem as funções de intuir e perceber, antes das de sentir e pensar.

A partir das quatro funções básicas, Jung postula que se formam dois grandes tipos de caráter: o introvertido e o extrovertido. Cada um deles tem traços específicos, que os diferenciam um do outro.

Caráter do tipo extrovertido

O tipo extrovertido caracteriza-se por:

  • O seu interesse foca-se primeiramente na realidade exterior, e só depois se foca no mundo interior.
  • As decisões são tomadas pensando no seu efeito na realidade exterior, em vez de pensar na sua própria existência.
  • As ações são realizadas em função do que os outros possam pensar sobre delas.
  • A ética e a moral são construídas de acordo com o que predomina no mundo. 
  • São pessoas que se encaixam em quase qualquer ambiente, mas têm dificuldade em realmente se adaptar.
  • São sugestionáveis, influenciáveis e tendem a imitar os demais.
  • Precisam que reparem neles e que sejam reconhecidos pelos outros. 

Caráter do tipo introvertido

Por outro lado, o tipo introvertido tem as seguintes características:

  • Sente interesse por si mesmo, pelos seus sentimentos e pensamentos.
  • Orienta o seu comportamento de acordo com o que sente e pensa, mesmo que isso vá contra a realidade exterior.
  • Não se preocupa muito com o efeito que as suas ações possam causar ao seu redor. Preocupa-se sobretudo com que as ações o satisfaçam interiormente.
  • Tem dificuldades em se encaixar e adaptar aos diferentes ambientes. No entanto, se conseguirem se adaptar, farão isso de forma verdadeira e criativa.

Os tipos de personalidade

A partir das funções psicológicas básicas e dos tipos de caráter fundamentais, Jung assinala que se formam oito tipos de personalidade bem diferenciadas. Todas as pessoas pertencem a um ou a outro tipo. São estas:

Reflexivo extrovertido

A personalidade reflexiva extrovertida corresponde aos indivíduos cerebrais e objetivos, que atuam quase exclusivamente na base da razão. Só dão como certo aquilo que se comprove com as devidas provas. São pouco sensíveis e podem ser até mesmo prepotentes e manipuladores com os outros.

Reflexivo introvertido 

O reflexivo introvertido é uma pessoa com grande atividade intelectual, que, no entanto, tem dificuldade para se relacionar com os outros. Normalmente é uma pessoa teimosa e determinada em alcançar os seus objetivos. Por vezes é visto como um inadaptado, inofensivo e ao mesmo tempo interessante.

Sentimental extrovertido

As pessoas com grande habilidade para entender os outros e para estabelecer relações sociais são os sentimentais extrovertidosNo entanto, é muito difícil para eles se afastar do seu grupo e sofrem quando são ignorados. Têm muita facilidade de comunicação.

Sentimental introvertido

A personalidade sentimental introvertida corresponde a pessoas solitárias e com grande dificuldade para estabelecer relações com os outros. Pode ser pouco sociável e melancólico. Faz todo o possível para passar despercebido e gosta de permanecer em silêncio. Contudo, é muito sensível às necessidades dos outros.

Máscaras de expressão

Perceptivo extrovertido

Os indivíduos perceptivos extrovertidos têm uma fraqueza especial por objetos, ao ponto de lhes atribuir qualidades mágicas, ainda que façam isso de modo inconsciente. Não são apaixonados pelas ideias, a não ser que ganhem uma forma concreta. Procuram o prazer acima de tudo.

Perceptivo introvertido

É um tipo de personalidade muito própria de músicos e artistas. As pessoas perceptivas introvertidas colocam uma ênfase especial nas experiências sensoriais: dão muito valor à cor, à forma, à textura…  O mundo deles é o mundo da forma, como fonte de experiências interiores.

Intuitivo extrovertido

Corresponde ao típico aventureiro. As pessoas intuitivas extrovertidas são muito ativas e inquietas. Elas precisam de vários estímulos diferentes.  São determinadas a alcançar objetivos, e uma vez que conseguem, passam para o próximo e esquecem o anterior. Elas não ligam muito para o bem-estar daqueles que as rodeiam.

Intuitivo introvertido

São extremamente sensíveis aos estímulos mais sutis. A personalidade intuitiva introvertida corresponde ao tipo de pessoas que quase “adivinham” o que os outros pensam, sentem ou se dispõem a fazer. São criativas, sonhadoras e idealistas. É difícil para elas “colocar os pés no chão”.

Fonte- https://amenteemaravilhosa.com.br

Um monstro : ANSIEDADE

Há um monstro que vem me ver e não tem a intenção de me matar, mas quase me impede de viver. Um monstro que muda de forma e de posição no meu corpo. Umas vezes parece me fazer engasgar, outras vezes acelera o meu sistema nervoso, e outras me paralisa. É um monstro muito famoso, padecido e explicado. Ele se chama ansiedade.

O estado de alerta tem sido essencial para a nossa sobrevivência como espécie. No entanto, quando este estado de atenção, tensão e alerta se torna crônico, o resultado é uma PREOCUPAÇÃO constante, que habitualmente também se generaliza em tudo e em todos.

Essa preocupação nos faz ter consciência de tudo o que nos rodeia, mas de uma forma amplificada e distorcida. Já não distinguimos o que nos estressa daquilo que é simples. Tudo se amontoa em nossa mente e funciona com plena capacidade. Não para nos ocuparmos, mas para nos preocuparmos. É um monstro que nos domina porque não sabemos transformar sua raiva em energia, só vira fraqueza.

De onde vem a ansiedade?

Quando a ansiedade se torna crônica e se transforma em um estado de preocupação perpétua, podemos falar do que se conhece em âmbito clínico como Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Ela tem que estar presente durante pelo menos 6 meses e apresentar três ou mais sintomas, como agitação, irritabilidade, cansaço, dificuldade de concentração ou ter a mente em branco, tensão muscular e problemas de sono.

A ansiedade generalizada compartilha muitos sintomas com a depressão; ambos os transtornos apresentam um alto efeito negativo. No entanto, a depressão se caracteriza mais pelo sentimento de tristeza e a ansiedade por uma hiperatividade fisiológica contínua e uma sensação de incerteza e falta de ar. Qualquer mudança na rotina diária é percebida como um monstro ameaçador, pronto para atacar a nossa garganta.

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O TAG não parece ter um forte componente genético, mas parece ter um caráter crônico que se agrava com o estresse e vai flutuando em intensidade ao longo da vida. Sua principal característica definidora é a preocupação constante por aspectos da vida cotidiana. Sua presença é evidente – nos casos em que está presente – em torno dos 20 anos de idade, embora a sua comorbidade com outros sintomas ansiosos ou depressivos possa dificultar o diagnóstico.

É muito mais frequente em mulheres, assim como a maior parte dos transtornos emocionais na vida adulta. Por sua vez, o transtorno se manifesta em um sistema triplo de resposta: o cognitivo, o motor e o emocional.

Esse monstro que conhecemos com perfeição

Muitas pessoas conhecem seus sintomas de cor, já que este transtorno costuma aparecer em pessoas com uma alta consciência sobre o que ocorre com elas, mesmo que não sejam capazes de tratá-lo e de melhorar a sintomatologia. Além disso, costumam descrever com perfeição como a ansiedade paralisa. A alexitimia não é uma característica predominante nestes pacientes, muito pelo contrário.

Eles sabem muito sobre a ansiedade, mas este transtorno parece não ter um tratamento suficientemente bem estabelecido e bem sucedido, mesmo sendo muito frequente na população. O tratamento costuma ser a terapia cognitivo-comportamental, como a de Dugas e Ladouceur (atualizada em 2007); a de Borkovec e Pinkus (2002) ou a de Brown e Barlow (1993).

Às vezes são utilizados medicamentos para potencializar sua eficácia, mas ATENÇÃO: a ansiedade prolongada nunca deve ser tratada com ansiolíticos no caso de utilizar medicamentos. Deve-se utilizar um antidepressivo ISRS como a paroxetina, embora os mais indicados sejam os antidepressivos duais, como a venlafaxina.

Um conto sobre a ansiedade e o mundo em que vivemos

Embora muitos pacientes conheçam bem os seus sintomas, a terapia vai ajudá-los a agir como cientistas diante dos seus próprios sintomas, como “gurus” na busca de sua própria regulação emocional. psicólogo/a deverá colocar ao seu alcance as melhores técnicas para isso.

Uma boa ideia é que a pessoa com ansiedade crônica se faça perguntas reais acerca da sua existência e dos seus valores de vida. Às vezes é preciso fazer perguntas a este mundo, que parece criar e alimentar este monstro. Às vezes vale a pena nos convertermos em um pequeno relato para ver um sentido naquilo que percebemos como caos.

O que você deve ao mundo? O que esse monstro exige de você?

Lembre-se da sua infância. Lembre-se do quanto você era feliz porque pulava, corria e desfrutava sem ter que dar explicações a ninguém. Lembre-se de você saltando, se sujando e se despenteando, embriagado/a pela intensidade do momento. Não havia tempo para a preocupação, porque não existia o conceito de tempo mais além do que você estava vivendo. Mas logo chegaram as demandas e, com elas, a sensação de que você devia algo ao mundo.

Você começou a sentir que era mais importante ocultar aquilo que não ficaria bem aos olhos dos outros do que viver a verdadeira realidade ao seu redor. As demandas começaram a substituir os mergulhos. Os discursos que glorificam as crianças “com altas capacidades” pareciam ensurdecer os gritos que antes eram de alegria e espontaneidade. Ninguém soube lhe dizer que você nunca poderia assumir o controle de tudo.

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Ninguém lhe ensinou a continuar mantendo a chama da sua infância acesa enquanto construía uma identidade com novas responsabilidades. Ninguém soube explicar a diferença entre deveres e direitos, entre eles o de ser feliz sem se sentir culpado/a.

Neste momento, com este monstro te devorando cada vez mais, é hora de começar a exigir mais dele e menos de você. Pergunte para ele: o que eu devo a você, mundo, para me enviar este monstro? Talvez com essa pergunta você e muitas pessoas entendam que por mais que ele exija de nós, não podemos dar nada para o mundo se não formos capazes de desfrutar o fato de estar vivendo nele.

Você não vai decepcionar ninguém, você também não pediu permissão para estar aqui. Esqueça tantas demandas e volte a reivindicar os seus direitos. Volte a se sujar, sem se preocupar se o mundo vai ficar chateado por isso. Cumprimente esse monstro e, mesmo se ele parecer vir com força às vezes, mostre a ele com as suas ações que a única coisa que você tem para ele é aquilo que você não é capaz de dar para si mesmo/a.

 

Fonte: https://amenteemaravilhosa.com.br

“Quando Puder Contar Sua História Sem Chorar, Você Estará Curado”

Feridas emocionais podem levar mais tempo para cicatrizar do que feridas no corpo. Os danos causados ​​pelo desprezo, perda ou fracasso deixam cicatrizes profundas que não são fáceis de fechar. Às vezes, podemos pensar que a dor já faz parte do passado, mas quando temos que falar sobre ela passamos a descobrir que a ferida ainda nos controla.

O problema é que, se nos apressarmos, corremos o risco de causar mais danos ou até prejudicar as pessoas à nossa volta. Se ainda não superamos um relacionamento antigo e nos aventurarmos em outro, o mais provável é que arrastemos toda essa carga emocional negativa e sabotemos o novo relacionamento até que se desfaça.

Assim, é provável que acabemos colecionando uma série de fracassos e decepções, a ponto de pensar que existe um problema em nós, quando na verdade o que aconteceu é que nós não estávamos preparados para começar de novo. Para abrir um novo capítulo da nossa vida, precisamos fechar os antigos capítulos. Se olharmos continuamente para o passado, se o fantasma de ontem nos persegue, não podemos tirar proveito de todo o bem que o futuro nos reserva.

Como saber se estou pronto para começar de novo?

Às vezes, quando sofremos uma grande decepção ou desapontamento, a dor é tão forte que tudo o que queremos é seguir em frente. Isso pode nos fazer desconectar do nosso interior e buscar estímulos apressados que nos desviem a atenção do problema. Como resultado, podemos nos enganar e acreditar que a situação está resolvida assim.

O desejo de se sentir melhor e deixar para trás o passado pode nos impedir de perceber que ainda não estamos prontos para começar de novo e que precisamos de mais tempo. É por isso que nos apressamos a tomar decisões, não percebemos os sinais que indicam que ainda não superamos o que nos aconteceu.

No entanto, um dos sinais inconfundíveis de que as feridas emocionais foram fechadas é quando conseguimos contar essa história sem experimentar as emoções intensas que nos bloqueavam no início.

Se for uma perda importante, por exemplo, você saberá que a superou quando puder contar o que aconteceu sem chorar ou experimentar aquela tristeza dos primeiros tempos, quando em seu lugar existir apenas, nostalgia.

Quando se trata do fim de um casal, por exemplo, você saberá que virou a página quando, em vez de lembrar de todas as coisas negativas, poderá lembrar-se das coisas positivas que sente que fez.

Para saber que você se curou por dentro, você precisa sentir a paz interior novamente , para recuperar o equilíbrio mental que você perdeu. Reconecte-se com o seu interior sem sentir medo das emoções que experimentou e volte a se sentir confortável consigo mesmo.

Essas sensações não mentem, elas são um indicador confiável de que você recompôs os pedaços quebrados e está pronto para começar de novo, seja um novo relacionamento, um novo projeto de trabalho ou até mesmo uma nova vida em outro lugar.

Palavras como sinal de recuperação emocional

Não nos recuperamos da mesma forma depois de sofrer um colapso emocional. Há quem precise do seu espaço e não queira resolver o problema de imediato. De fato, quando se trata de feridas profundas, falar sobre o que aconteceu nos estágios iniciais pode ser praticamente impossível. Você pode sentir um nó na garganta que o impede de contar o que aconteceu. É normal.

De certa forma, essa relutância em falar sobre o evento traumático pode atuar como um mecanismo de defesa que nos protege para nos impedir de reviver a situação que está nos prejudicando. Neurocientistas da Universidade de Harvard descobriram como os traços dolorosos do trauma permanecem gravados em nosso cérebro.

Eles têm apreciado que quando as pessoas não superaram a situação traumática, falar sobre as causas ativa áreas emocionais do cérebro, tais como a amígdala e o córtex visual enquanto a área de linguagem, como a área de broca, desativa-se.

Processar o trauma implica transformá-lo em uma experiência narrativa que encontra um espaço em nossa história de vida. Isso significa que, mais cedo ou mais tarde, devemos falar sobre o que aconteceu, porque só então podemos processá-lo e retirá-lo de seu enorme impacto emocional.

Portanto, a possibilidade de falar sobre a situação que causou tanto dano é também um indicador de que estamos nos curando internamente.

Texto de Rincón de La Psicología, traduzido e adaptado por Portal Raízes

Quando A Dor Se Transforma Em Poema – Por Rubem Alves

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Um deus fraco pode chorar comigo. E por isso nos amamos…

Hoje, sexta-feira, 20 de setembro de 1996, minha vontade é não escrever. Escrevo como sonâmbulo, na esperança, talvez, de que as palavras consigam diminuir a minha dor. Mas eu não quero que a dor diminua. Não quero ser consolado. Não quero ficar alegre de novo. Quando a dor diminui é porque o esquecimento já fez o seu trabalho. Mas eu não quero esquecer. O amor não suporta o esquecimento.

Vazia das palavras que a dor roubou, a alma se volta para os poetas. Não, na verdade não é bem assim. A alma não se volta para nada. Ela está abraçada com a sua dor. São os poetas que vêm em nosso auxílio, mesmo sem serem chamados. Pois essa é a vocação da poesia: pôr palavras nos lugares onde a dor é demais. Não para que ela termine, mas para que ela se transforme em coisa eterna: uma estrela no firmamento, brilhando sem cessar na noite escura. É isso que o amor deseja: eternizar a dor, transformando-a em coisa bela. Quando isso acontece, a dor se transforma em poema, objeto de comunhão, sacramento.

A dor é tanta que a procura das palavras – brinquedo puro quando se está alegre – se transforma num peso enorme, bola de ferro que se arrasta, pedra que se rola até o alto da montanha, sabendo ser inútil o esforço, pois ela rolará de novo morro abaixo. Sinto uma preguiça enorme, um desânimo sonolento de escrever. Arrasto-me. Obrigo-me a me arrastar. Empurro as palavras como quem empurra blocos de granito. Gostaria mesmo é de ficar quieto, não dizer nada, não escrever nada.

Será que algum jornal aceitaria publicar uma crônica que fosse uma página em branco, silêncio puro? Escrevo para me calar, para produzir silêncio. Como numa catedral gótica: as paredes, as colunas e os vitrais servem só para criar um espaço vazio onde se pode orar. Álvaro de Campos entende que a poesia é isso, uma construção em palavras em cujas gretas se ouve uma outra voz, uma melodia que faz chorar.

Sei que minhas palavras são inúteis. A morte faz com que tudo seja inútil. Olho em volta as coisa que amo, os objetos que me davam alegria, o jardim, a fonte, os CDs, os quadros, o vinho (ah, o riso dele era uma cachoeira, quando abria uma garrafa de vinho!): está tudo cinzento, sem brilho, sem cor, sem gosto. Não abro o vinho: sei que ele virou vinagre. Rego as plantas por obrigação. O dever me empurra: elas precisam de mim. Agrado o meu cachorro por obrigação também. Ele não é culpado.

Atendo o telefone e sou delicado com as pessoas que falam comigo: elas ainda não receberam a notícia nem receberão. Tentei dar a notícia a algumas pessoas. Disse-lhes que fazia seis horas que chorava sem parar. Elas riram. Não por maldade, mas por achar que eu estava brincando.

Meu melhor amigo morreu. Portanto, todas as palavras são inúteis. Sobre a cachoeira do seu riso está escrito “nunca mais”. Nenhuma delas será capaz de encher o vazio. Recordo as palavras da Cecília – palavras que, acredito, foram escritas muito depois da dor, depois que a dor já se havia transformado em beleza:

(…) Mas tudo é inútil, porque os teus ouvidos estão como conchas vazias, e a tua narina imóvel não recebe mais notícia do mundo que circula no vento. (…) Mas tudo é inútil, porque estás encostada à terra fresca, e os teus olhos não buscam mais lugares nessa paisagem luminosa, e as tuas mãos não se arredondam já para a colheita nem para a carícia.

Meu melhor amigo. Amigo é uma pessoa que, só de lembrar-se de você, dá uma risada de felicidade. Assim são os amigos – não há os mais nem os menos amigos. Ou é ou não é. Todos são iguais. Mas sei que meus outros amigos entenderão, quando digo que o Elias Abrahão era o meu melhor amigo. Se a gente tem dez filhos e um morre, aquele era o que a gente mais amava. Se um pastor tem cem ovelhas e uma se perde, aquela era a de que ele mais gostava. O Elias morreu. Ele era o meu melhor amigo. Meu corpo e minha alma, hoje, são um vaso cheio com a dor do seu vazio.

O poeta W.H. Auden já disse, exato, o que estou sentindo.
Que parem os relógios, cale o telefone, 
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e o tambor sancione
a  vinda do caixão e seu cortejo atrás.
Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto – um lenço no pescoço –
e os guardas usem finas luvas cor de breu.
 
Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto viveu;
meus dias úteis, meu fim de semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto,
quem julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana.
É hora de apagar as estrelas – são molestas,
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de certo doravante.
 

Em momentos assim tenho dó imenso das pessoas que têm um deus forte. Pois – coitadas – estão perdidas diante da morte.

Ter um deus forte é saber que, se tivesse querido, ele teria evitado a morte. Se não evitou é porque não quis. Ora, se foi ele quem matou, ele não pode estar sofrendo. Está é feliz, por ter feito o que queria. Assim, ele é culpado da minha dor. Eu e ele estamos muito distantes, infinitamente distantes. Como poderia amá-lo – um deus assim tão cruel? Mas, se ele é um deus fraco, isso quer dizer que não foi ele quem ordenou – ele não pôde evitar. Um deus fraco pode chorar comigo. Ele até se desculpa: “não foi possível evitá-lo. Eu bem que tentei. Veja só estas feridas no meu corpo: elas provam que me esforcei…”. Ele chora comigo. E por isso nos amamos.

Tenho no meu quintal uma árvore, sândalo, de perfume delicioso. Foi o Elias quem me deu a mudinha, vinda do Líbano. Cuidarei dela com redobrado carinho. De vez em quando vou regá-la com vinho. Não me surpreenderei se ela ficar bêbada e começar a dar risadas. Saberei que o Elias está por perto.

“Amigo é uma pessoa que, só de lembrar-se de você, dá uma risada de felicidade”. Doracino Naves

Fonte: As melhores Crônicas de Rubem Alves, 5ª reimpressão, Comacchia Livraria e Editora Ltda., São Paulo, páginas 39/41.

10 Coisas que Você Precisa Saber Sobre Apneia do Sono

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Para contribuir com um  sono mais saudável, o site da SBEM publica as 10 coisas que você precisa saber sobre Apneia do Sono. Confira:

 1.      A apneia do sono, o Síndrome da Apenia Obstrutiva do Sono (SAOS), é uma doença crônica, evolutiva caracterizado pela obstrução parcial ou total das vias, causando paradas repetidas e temporárias da respiração enquanto a pessoa dorme. A respiração cessa porque as vias aéreas colapsam, impedindo que o ar chegue até os pulmões.

2.      Entende-se por apneia a interrupção completa do fluxo de ar através do nariz ou da boca por um período de pelo menos 10 segundos nos adultos. Já a hipopneia é a redução de 30% a 50% do fluxo de ar.

3.      A apneia pode ocorrer por vários fatores: os músculos da garganta e língua relaxam mais do que o normal, as amídalas e adenóides são grandes, a pessoa está acima do peso (o excesso de tecido mole na garganta dificulta mantê-la aberta), ou o formato da cabeça e pescoço resulta em menor espaço para passagem de ar na boca e garganta.}

4.      Entre os principais sintomas da apneia estão ronco e sonolência diurna, embora muitos pacientes não os percebam. A sonolência diurna é explicada pelas interrupções do sono causadas pela falta de oxigênio.

5.      Outros sintomas da apneia são: acordar com sensação de sufocamento, ofegante, com dor no peito ou desconforto, confuso ou com dor de cabeça; sentir boca seca ou dor de garganta pela manhã; alterações na personalidade; dificuldade de concentração; impotência sexual; e irritabilidade.

 6.      A apneia do sono aumenta a probabilidade do paciente desenvolver doenças potencialmente letais. Está associada ao aumento do risco de hipertensão, insuficiência e arritmia cardíacas, derrame e diabetes.

7.      A apneia obstrutiva do sono (SAOS) acomete aproximadamente 30% da população adulta mundial. A maior parte dos pacientes, entre 85% e 90%, convive com a doença sem receber o diagnóstico e continua sem tratamento.

8.      Nem todo mundo que ronca tem apneia do sono, sendo que ele é apenas um dos sintomas da doença. O diagnóstico médico é feito por meio de um exame chamado de polissonografia, que é o monitoramento do sono por equipamentos eletrônicos. O exame clínico é indicado para que seja avaliada a condição do trato respiratório do paciente e deve ser feito por um médico com especialização na área.

9.      Mudanças nos hábitos de vida podem contribuir muito com a melhora da apneia do sono. Perder peso, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, dormir de lado, evitar consumo de comidas pesadas antes de dormir, evitar o fumo 4 horas antes de deitar e elevar a cabeceira da cama entre 15cm e 20cm são algumas medidas simples que podem evitar problemas futuros.

10.  A apneia é um problema médico grave, com probabilidade de alterar a vida da pessoa e que pode contribuir para certos transtornos que podem colocar a vida em perigo, mas, que por sua vez, pode ser identi?cada facilmente e tratada efetivamente. Com o tratamento, a respiração adquire um ritmo regular, os roncos cessam, um sono tranquilo é estabelecido e a qualidade de vida melhora.

  • Fonte-https://www.endocrino.org.b

‘‘Se Prepare Para Ser Pai Dos Seus Pais’’ – Um Texto Que Todos Os Filhos Devem Ler

Quando chegamos ao mundo, somos crianças e esperamos permanecer nessa condição durante toda a nossa vida. Ser amado, mimado e educado. 

Deixe nossos pais desperdiçarem doses gigantescas de amor durante toda a nossa jornada pela vida. Que quando a vida dói, temos o colo de uma mãe para se alegrar. 

Que quando a vida se torna angustiante, encontramos sábios conselhos em nossos anciãos. Quando isso está faltando, há sempre um vazio, um sentimento estranho de que somos a exceção.

Mesmo quando somos adultos, procuramos reconhecer nossa infância aos olhos de nossos pais. Nós secretamente queremos sua atenção cuidadosa, como aquela refeição favorita em nosso aniversário ou a camisa do time de futebol, se estivermos em casa.

Você nunca está pronto para mudar de lugar nesse relacionamento.

É difícil aceitar que nossos pais envelhecem. Entenda que essas pequenas limitações que começam a aparecer não se devem à preguiça ou desdém. Que se eles se esqueceram de dar uma mensagem não é porque eles não se importam com a nossa urgência. Que se lhes pedir para repetir as coisas que são por que não ouvem muito bem – e às vezes não surdos, mas simples distração. 

Levamos muito tempo para aceitar que eles não são mais os mesmos – eu ia dizer “super-heróis”. 

Não podemos e devemos compartilhar com toda a nossa angústia, porque para eles as proporções são muito mais elevadas e que tudo está desequilibrado: frequência cardíaca, pressão arterial, índice glicêmico, ou equilíbrio emocional.

Pouco a pouco estamos nos tornando cerimoniosos para o amor. Tentando dizer a eles sobre o que é evitável. Assim, involuntariamente, começamos a investir os papéis de proteção. Nós começamos a tentar proteger nossos pais das desventuras deste mundo.

Dizemos a eles que estamos indo bem, apesar de estarmos em crise. Nós amortecemos o diagnóstico do pediatra para que a doença do neto pareça simples. Nós escondemos problemas conjugais para fingir que construímos uma família duradoura. Filtramos a angústia que pode ser temporária em vez de compartilhar qualquer problema. 

Eles não precisam se preocupar: ficaremos bem no final do dia e, se não, no final de nossas vidas. No entanto, quando mudamos esses pequenos detalhes no relacionamento, ficamos um pouco órfãos. 

Nós mantemos nossos olhos abertos no meio da noite sem sermos capazes de correr chorando para as camas dos nossos pais. 

Escondemos nosso medo de ficar sem emprego, acabar nosso relacionamento, ou perder nossa casa para que não sofram desnecessariamente, e por isso ficamos sozinhos nessa espera, sem um colo, um abraço ou um sorriso para nos consolar.

Quanto mais perdem o vigor, a audição, a memória, mais nos sentimos sozinhos, sem entender por que o inevitável aconteceu. Mesmo um conflito interno pode aparecer para esperando a reagir ao envelhecimento do corpo que lutar mais em seu favor, sem perceber, na nossa própria confusão, eles não têm mais a mesma consciênciaque não temos nenhuma maneira de impedir a passagem de os anos e eles simplesmente têm o direito de se sentirem cansados.

No meio de tudo isso, pode chegar o dia em que nossos pais serão transformados, sim, em nossos filhos. Para que devemos lembrar de comer, tomar uma medicação ou pagar uma conta. 

Para quem é necessário guiar nas ruas ou dar a mão para que não caiam nas escadas. 

Aqueles que devemos nos preparar para mandar para a cama. E talvez alimentar, levando uma colher para a boca.

E serão crianças mais difíceis porque não se lembram de quem são seus pais. Eles vão reagir à sua primeira bronca porque sabem que, no fundo, você acha que lhes deve obediência. 

Eles minimizarão seus primeiros argumentos e tentarão mostrar que ainda são independentes, mesmo quando esse momento já passou, porque é difícil imaginar a nós mesmos sem controle total de nossas próprias rotinas. 

Mas eles cedem gradualmente, quando a força física ou mental é reduzida e eles podem encontrar em seu amor por eles um equilíbrio para todas as mudanças que os assustam.

Não será fácil para você. Não é a lógica da vida. 

Mesmo se você for pai, ninguém o prepara para ser pai de seus pais. E se você não for, você terá que aprender as peculiaridades desse papel para proteger aqueles que ama.

Se puder, sorria para seus comentários senis ou conte uma piada enquanto comem juntos. 

Ouça aquela história repetida até a exaustão como se fosse a primeira vez e faça perguntas como se tudo estivesse inédito. 

Beije na testa com o máximo de ternura possível, como quando você coloca uma criança na cama, prometendo que quando ele abrir os olhos, na manhã seguinte, o mundo ainda estará lá, como antes, intocável, para brincar.

Ora, se você veio para cá com seus pais, com uma licença para interferir em suas vidas, foi porque eles tinham um longo caminho de amizade. E se você pretende viver esse momento com toda a intensidade, só demonstrará quão grande é a sua capacidade de amar e devolver o amor que a vida lhe ofereceu.

Abraço é coisa séria – Marla de Queiroz

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Abraço é coisa tão séria que não se empresta, se dá. E quando os corpos se encostam, todos os chakras se tocam. Abraço é coisa tão séria que junta os dois corações: pode ecoar para sempre ou esvaziar por inteiro.

Pois quando a gente abraça, traz para dentro a pessoa: com bagagem, passado, infância, viagens e o principal: seu perfume espiritual. E o que recebemos nem sempre é o que damos, por isso alguns são afagos que nutrem por um longo tempo e outros, desespero pra matar a fome, um devoramento.

Recuso abraçar levianamente, abraço com meu enrosco de afeto demais, amor puro, corpo colado para o abraço ser sentido, ter sentido. Abraço que é de verdade pode até ser dado de longe, pois ultrapassa as esferas e desconhece distâncias, é todo feito de encontro.

Abraço é coisa tão séria que há de ser doce, leve, divertido, espontâneo, mesmo quando acalanto, colo ou celebração. A gente agarra por impulso de carinho porque a sintonia é a mesma. E quando o abraço termina, quando ele é dado de graça, fica a cosquinha no peito, uma brisinha na alma e a harmonia instalada.