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Super Poderosas – Plantas Medicinais

  • 6 Plantas medicinais super poderosas, curativas e versáteis

Essas 6 plantas medicinais super poderosas que tem histórico de serem super curativas e versáteis.

Já são utilizadas em diversos remédios da medicina tradicional e eram super conhecidas pelos antigos povos em tratamentos medicinais.


1 – Cannabis

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Legal até 1970, quando tornou-se classificada como uma droga pesada.

O cânhamo é uma planta notável e renovável, oferecendo todos os usos tipos de produtos e alimentos que superam algodão e plástico.

Além de tecidos, o cânhamo é utilizado na fabricação de papel, cordas, alimentos (principalmente forragem animal) e para a fabricação de óleos, resinas e combustíveis.

É cinco vezes mais resistente que o algodão, e com seus longos feixes de até 4,5 m é usado para fabricar cordas e amarras de navios pois são bastante resistentes.

A planta é integralmente utilizada para os mais diversos fins, mas destaca-se especialmente a sua fibra, também chamada de filame, muito usada na indústria de papel, pois um hectare de cânhamo produz o mesmo que quatro hectares de eucaliptos, num período de vinte anos.

Da semente extrai-se um óleo muito usado nas indústrias de cosméticos como base para cremes, shampoos, óleos hidratantes, etc, na indústria mecânica para vernizes, lubrificantes, combustíveis, tintas e outros.

Sementes de cânhamo podem ser ingeridas cruas, preparadas junto de outros alimentos, germinadas, transformadas em leite de cânhamo, no chá e podem ser usadas para cozinhar.

As folhas frescas podem ser consumidas em saladas. Produtos já produzidos com cânhamo incluem cereais, waffles, tofu, creme, óleos, farinhas, bolos, suplementos em pó, cereais orgânicos, leite e até mesmo sorvete.

Aproximadamente 44% do peso total da semente de cânhamo é composto por óleos comestíveis, contendo cerca de 80% de Ácido graxo essencial, tais como o ácido linoleico, ômega-6, ômega-3, ácido estearidônico.

Proteínas, incluindo a edestina, são o segundo principal componente das sementes e ainda assim perdem apenas para soja em sua concentração(33%).

Os aminoácidos da semente de cânhamo são quase tão “completos” quanto fontes comuns de proteínas, tais como o trigo, o leite, os ovos e a soja.

A proteína do cânhamo contém todos os 20 aminoácidos conhecidos, incluindo osnove essenciais que os indivíduos adultos não podem produzir.

Diferentes variedades de cânhamo possuem diferentes concentrações do psicoativo da maconha, o tetraidrocanabinol (THC).


2 – TANSY – Catinga-de-mulata

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Também conhecida pelos nomes de catinga-de-mulata, tanaceto, atanásia, erva-de-São-Marcos, entre outros, é uma erva medicinal encontrada na Europa, América do Norte e América do Sul em abundância.

As flores são pequenas de cor amarelo dourado agrupadas em capítulos formando um corimbo denso e aplanado, florecem no verão.

A planta é usada principalmente como vermicida, e também para hemorróidas, pois é tóxica a vermes intestinais.

A infusão de flores é um antihelmíntico recomendado contra as áscaris e os oxiuros. Em sua aplicação externa se aplica seu azeite para combater o reumatismo.

O Tanacetum parthenium é uma das plantas mais úteis para combater as migrâneas (síndrome migranosa) e transtornos menstruais em geral, assim como sua regulação.

É empregada em infusão, tintura mãe e extrato fluido. Seu princípio ativo -matricarina – se emprega em medicina convencional para os mesmos fins.

Seu uso também inclui combater problemas como taquicardia e epilepsia.

Na cultura popular, é uma erva usada para causar aborto espontâneo devido a sua toxicidade em doses excessivas.

Praticantes de candomblé utilizam a planta e suas propriedades aromáticas para fazer loções protetoras contra maus fluidos, bem como na água de cheiro.

 


3 – Hortelã

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Hortelã é uma poderosa planta com diversas utilidades e poderes.

São utilizadas para acalmar dores de cabeça, náuseas, acalmar o estômago, reduz o nervosismo e fadiga, é um antiviral bastante eficaz, tornando-o útil para combater resfriados e gripe.

Hortelã pode ser descrito como uma das ervas mais usados extensivamente no mundo da culinária.

Ele também tem muitas propriedades medicinais e é conhecida por fazer maravilhas ao sistema digestivo.

Hortelã tem poucas calorias, mas contém muitos nutrientes.

Ele fornece apenas 70 calorias por 100 gramas de seu consumo. Ela é uma rica fonte de fibra dietética e de proteína.

É rica em Vitamina C, vitamina B e Vitamina D e minerais como Magnésio, Ferro, sódio e Potássio.

Óleo de hortelã é usado em vários medicamentos para evitar dores de cabeça e o tratamento da depressão

Muitos perfumes e sabonetes aromáticos também estão disponíveis, que ajuda a elevar o humor.

Eles podem ser mantidos abaixo do travesseiro, a fim de obter um efeito relaxante e de uma Boa Noite de Sono.

Benefícios da Hortelã para a pele: A Hortelã é muito benéfico para a pele.

Possui propriedades anti-inflamatórias e é anti-pruriginosas; ele pode ser aplicado diretamente sobre as áreas que coçam.

Ele pode ser usado como um purificador para remover a pele morta e podem ajudar a trazer brilho para a pele.

O Hortelã é uma excelente fonte de antioxidantes e contém ácido rosmarínico, que ajuda a combater os radicais livres e protege a pele contra o câncer de pele.

Ele pode ser aplicado para a acne e espinhas. Tem efeito calmante e refrescante que ajuda na prevenção de acnes.

Benefícios da Hortelã contra o Câncer: Menta restringe o metabolismo das células cancerosas. Ele contém álcool perílico que limita o crescimento de células cancerígenas.

O câncer de próstata pode ser prevenido pelo seu consumo, pois ajuda a desestabilizar a estrutura do DNA. Os carotenóides e retinóides também estão presentes na hortelã que é útil contra câncer de fígado.

Outros Benefícios da Hortelã para Saúde:

  • Hortelã é conhecido como um limpador de sangue e ajuda na liberação de toxinas. É diurético e é útil para eliminar os resíduos corporais.
  • Hortelã foi usado para a saúde oral. É consumida para restringir o mau hálito. Combate bactérias e germes na boca. Também protege os dentes e gengivas.

4 – Alfafa

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Alfafa (Medicago sativa) é uma planta medicinal também conhecida como lucerna. Pertence a família das Leguminosas.

Amplamente utilizada como alimento para ruminantes em regiões de clima temperado e seco.

O nome alfafa é de origem árabe, derivado de al-fac-facah, que significa “o pai de todas as comidas”.

A alfafa é muito nutritiva, apresentando importantes qualidades como: proteína bruta=22 a 25%, cálcio= 1,6%, fósforo= 0,26% e NDT = 60%, níveis muito superiores aos de outras fontes de alimentos habitualmente utilizados (milho, cana-de-açúcar e capim-elefante)

Suas propriedades medicinais se encontram nas folhas, flores e principalmente nos brotos de alfafa.

A planta é altamente nutritiva, traz benefícios para a glândula pituitária (hipófise),alcaliniza o corpo rapidamente e desintoxica o fígado.

Externamente é utilizada em feridas. É usada como uma erva de banho e enxaguante para cabelo.

A raiz da alfafa pode ser descascada, secada e desfiada para ser usada como uma espécie escova de dentes natural, pois a planta possui propriedades medicinais para combater a halitose (mau-hálito).

Alfafa, além de ser rica em clorofila e cálcio, possui vitamina C, vitamina K, ácido fenólico, ácido fólico, cobre, fósforo, manganês, ferro, zinco, flúor e várias outras substâncias.

Possui propriedades antioxidantes e ajuda a diminuir os níveis de colesterol, reduzindo o risco de aterosclerose.

O ácido fenólico ajuda a prevenir a formação de coágulos sanguíneos, reduzindo a incidência de doenças cardiovasculares.

Os carotenóides previnem o surgimento de doenças degenerativas nos olhos.

Também é indicado que os carotenoides podem ajudar a prevenir o aparecimento de alguns tipos de câncer e doenças do coração.

O efeito diurético da alfafa evita que o corpo retenha muitos líquidos.

A alfafa também, por ser um alimento alcalino rico em sais minerais como magnésio, potássio, ferro, zinco e sobretudo cálcio, ajuda a eliminar o sódio em excesso no corpo, evitando a ocorrência de gota.

Ajuda a equilibrar o fator ácido-base do corpo, evitando a acidificação do sangue. Contém saponina com ingrediente ativo, que no intestino, funciona como um emulsificante de gordura, fazendo com que o corpo não absorva dessa gordura, e que a mesma seja eliminada pelo organismo.

A alfafa, rica em proteínas, é um bom fortificante contra o raquitismo.

É eficaz no tratamento de anemias, deficiência de ferro no corpo. Auxilia a circulação sanguínea, protegendo de hemorragias.

O chá de alfafa tomado em jejum recalcifica os ossos e combate o raquitismo e o excesso de ureia, além de ser um calmante natural.

Também combate o escorbuto (doença causada pela deficiência de vitamina C no corpo), falta de apetite, má digestão, úlceras nervosas, cistite, reumatismo e artrite.

As flores e as folhas podem ser comidas em forma de salada ou cozidas na panela.

O broto pode ser cozido e depois consumido em forma de legume na salada ou adicionado a sopas.

Onde a alfafa cresce selvagem e abundante, é um indicador que a terra em questão é bastante rica em minerais.

Muitos fazendeiros plantam alfafa em suas propriedades rurais de forma à enriquecer a terra, que passa a dispor de grande fixação de nitrogênio.

Quando as vacas são alimentadas à base de alfafa, a produção de leite costuma aumentar. Também é explorada comercialmente para a extração de clorofila.

Segundo a EMBRAPA, a alfafa foi introduzida no Brasil pelo Rio Grande do Sul, a partir do Uruguai e da Argentina.

Dentre os fatores que ainda dificultam sua expansão no Brasil, destaca-se o pouco conhecimento, por parte de produtores, das exigências da cultura quanto à fertilidade do solo, do manejo, e das práticas de irrigação, e principalmente a limitada produção de sementes e a inexistência de cultivares adaptadas às principais pragas e doenças, que acompanham a alfafa em todo o mundo.

5 – Sálvia 

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A maioria de suas propriedades medicinais encontra-se, principalmente, em suas folhas – de onde é possível extrair óleos aromáticos, resinas e bálsamo.

A sálvia é uma planta medicinal que pode ser utilizada no tratamento de diversas doenças, como bronquite ou gengivite.

Para que serve a sálvia

A sálvia serve para facilitar o tratamento de aftas, bronquite, caspa, catarro, gengivite, reumatismo, vômito, tosse, diarreia, diabetes e indigestão.

As propriedades da sálvia incluem sua ação anti-inflamatória, anti-reumática, balsâmica, cicatrizante, digestiva, anti-sudorífica e tônica.

Flores cor de rosa avermelhado da planta pode ser usada para tosses e resfriados, mas eles são uma excelente desintoxicante e limpador de sangue também.

A sálvia pode ser uma grande aliada das mulheres, já que, por estimular a vesícula biliar, favorece o transito intestinal, melhora a digestão e, portanto, diminui a circunferência abdominal.

Ou seja, diminui barriga.

Além disso, por ser considerada uma planta carminativa, a sálvia ajuda a eliminar os gases que contribuem para o aumento da barriga.

A ação diurética também contribui para os benefícios entre mulheres, pois ela evita a retenção de líquidos.

Contraindicações da sálvia

A sálvia está contraindicada durante a menstruação, gravidez, aleitamento ou em indivíduos com problemas renais.

Benefícios do chá de sálvia

O consumo frequente do chá de sálvia ainda limpa completamente as vias respiratórias, cura hemorróidas, contém hemorragias menstruais, trata cólicas e alivia os sintomas da menopausa.

Já para curar feridas ou úlceras, faça compressas com o chá e passe no local desejado. Este procedimento também é válido para auxiliar nas dores de cabeça mais fortes, como a enxaqueca.

Mas sálvia também serve como um calmante natural.

Sua infusão acalma o sistema nervoso e controla a ansiedade, proporcionando uma noite de sono calma e sem interrupções.

Óleo

A planta também pode ser usada em forma de óleo.

Suas propriedades, que são a cânfora, o cineal e o beta-tujona, auxiliam no tratamento de entorses e inchaços.

Curiosidade: Sálvia para espantar energias ruins.

Além das propriedades medicinais, a sálvia cuida também das energias da casa. A prática de queimar algumas folhas para defumar a casa é comum para afastar vibrações negativas.

Conforme o conceito Ayurveda, essa planta é um incenso natural e traz energias positivas por um bom tempo e para o ambiente.

Para eliminar o mau olhado do corpo é indicado tomar um banho com o chá de sálvia.

Como fazer chá de Sálvia

Em uma chaleira com um litro de água, coloque 2 colheres de sopa de folhas e deixe no fogo até levantar fervura. Tampe abafe por 10 minutos. Coe e adoce com açúcar ou mel a gosto.

6 – Trevo Vermelho


O trevo vermelho é uma erva selvagem e membro da família das leguminosas.

O trevo vermelho é uma fonte com muitos nutrientes, incluindo o cálcio, o cromo, o magnésio, a niacina, o fósforo, o potássio, a tiamina e a vitamina C.

Aqui estão os 6 benefícios do trevo vermelho para saúde:

Prevenção de Câncer: O trevo vermelho contém isoflavonas, uma substância semelhante ao estrogênio.

Estudos da Universidade de Maryland Medical Center mostram que as isoflavonas pode impedir as células cancerígenas de se desenvolver e até mesmo matar certos tipos de câncer, incluindo o de próstata e câncer endometrial.

Em 2010, Isso foi mostrado em um estudo japonês isoflavonas associado à diminuição do risco de câncer de pulmão em não fumantes.

É importante observar que os investigadores acreditam que as isoflavonas poderão também contribuir para certos tipos de crescimento do câncer.

Pacientes com câncer de mama são desencorajados a usar o trevo vermelho até que mais pesquisa os conduzida.

Saúde do Coração: As isoflavonas encontradas no trevo vermelho pode ajudar a aumentar o bom colesterol HDL, reduzindo o colesterol LDL ruim.

O trevo vermelho também tem sido associada com as artérias mais fortes e podem ter qualidades para diluir o sangue, os quais ajudam a prevenir ataques cardíacos e doenças cardiovasculares.

Saúde Óssea: O trevo vermelho pode ajudar a prevenir a osteoporose, especialmente em mulheres na menopausa.

A perda de estrogênio no corpo está ligado ao desenvolvimento de osteoporose e o trevo vermelho contém fitoestrogénios, que imitam estrogénio natural produzido no corpo feminino.

A menopausa: O trevo vermelho contém fitoestrogénios, nomeadamente isoflavonas, que atuam de forma semelhante ao estrogênio produzido naturalmente no organismo feminino.

Estes phytoestrongens pode ajudar a conter muitos dos efeitos colaterais experimentados durante a menopausa, incluindo suores noturnos, afrontamentos, e enfraquecimento dos ossos.

Saúde da Pele: Os cremes de Trevos vermelhos foram utilizados com sucesso para tratar doenças da pele tais como eczema, psoríase, e outros tipos de pruridos.

Saúde Respiratória: O trevo vermelho pode ser útil no tratamento de condições respiratórias como a asma, bronquite e tosse.

Pode beneficiar o câncer de pulmão e aliviar os sintomas de outras doenças pulmonares.

No entanto, e preciso de mais evidência científica para confirmar a ligação entre o trevo vermelho e aliviar os sintomas de doenças respiratórias.

 

Fontes

http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2nhamo

 

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OS VOTOS – Sérgio Jockymann.

 

1-69
Poema que inspirou Frejat na música Amor pra Recomeçar

Desejo primeiro que você ame e que amando, seja também amado.
E que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde mágoa.
Desejo depois que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos e que mesmo maus e inconsequentes sejam corajosos e fiéis.
E que em pelo menos um deles você possa confiar e que confiando não duvide de sua confiança.
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos, mas na medida exata para que algumas vezes você interprete a respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo para que você não se sinta demasiadamente seguro.
Desejo depois que você seja útil, não insubstituivelmente útil mas razoavelmente útil.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante, não com que os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com aqueles que erram muito e irremediavelmente.
E que essa tolerância nem se transforme em aplauso nem em permissividade, para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um exemplo para os outros.
Desejo que você seja triste, não o ano todo, nem um mês e muito menos uma semana,mas um dia.
Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo ainda que você afague um gato, que alimente um cão e ouça pelo menos um João-de-barro erguer triunfante seu canto matinal.
Porque assim você se sentirá bom por nada.
Desejo também que você plante uma semente por mais ridículo que seja e acompanhe seu crescimento dia a dia, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano você ponha uma porção dele na sua frente e diga: Isto é meu.
Só para que fique claro quem é o dono de quem.
Desejo ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal, não obcecadamente frugal, mas apenas usualmente frugal.
Mas que essa frugalidade não impeça você de abusar quando o abuso se impor*.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra, por ele e por você. Mas que se morrer, você possa chorar sem se culpar e sofrer sem se lamentar.
Desejo por fim que, você tenha ao seu lado alguém bom para lhe aceitar como você é e que sejam felizes sendo quem são.
E que se amem hoje, amanhã, depois, no dia seguinte, mais uma vez e novamente de agora até o próximo ano acabar.
E que quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda tenham amor pra recomeçar.

Devaneios… / Dina Isserlin

 

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Essa noite perdi uma amiga de uma vida
Não precisávamos nos ver, por vezes nem nos
falar, era como se soubessemos o que a outra
sentia…essa noite ela se foi, inverdades,
ingratidão, desamor, falta de compreensão,
foram minguando sua alma, e tem uma hora que
ela se esvaí, coração explode e tudo se
acaba… Essa noite perdi essa , que me
dizia sempre que acreditasse, que beleza
existe e que o amor sempre valeria a pena do
jeito que fosse, amou como nunca havia amado.
Se doou, como poucos fizeram, sem questionar,
sem perguntas, aceitando por vezes nada…
Ela se foi, hoje deve ser um passarinho
voando …Hoje levou com ela,a fé que
eu ainda tinha nas pessoas, hoje acreditar em
algo vai ser difícil…hoje estou de luto
Amanhã, quem sabe um dia, por ela, que foi
sempre só amor, eu volte a acreditar… Hoje
não, hoje quero o silêncio do vento, e a minha
própria companhia… Hoje , quero me recordar
de como ela era, hoje vou deixar a dor passear
por minhas lembranças, hoje não vou reclamar se as
lágrimas rolarem…serão as últimas lágrimas.
Amanhã o sol vai voltar e um novo ciclo nasce
pra me dizer que nada é mais lindo que viver…

Dina Isserlin

O luto é inevitável: Saiba como lidar com ele

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A morte é a experiência mais angustiante que passamos. Mais cedo ou
mais tarde, iremos sofrer a perda de alguém próximo, pode ser um amigo, um amor, um parente próximo. Na nossa cultura, falamos e pensamos muito pouco acerca da morte. Por isso, não aprendemos a lidar com o luto: como nos faz sentir, o que devemos fazer, o que é “normal” acontecer – e de o aceitar.

Vou tentar aqui esclarecer algumas das características principais do
luto como, às vezes, podemos ficar presas a ele e a ajuda que poderemos e deveremos procurar.

O luto é um processo que ocorre imediatamente após a morte de alguém que amamos. Não é um sentimento único, mas sim um conjunto de sentimentos e emoções que requer um tempo para serem digeridos e resolvidos e que não pode ser apressado, cada um de nós tem um “tempo emocional” que deve ser respeitado. Apesar de sermos indivíduos com características próprias, a forma como vivenciamos o luto é muito semelhante na maioria.

Enxurrada de emoções
Nas horas e dias seguintes à morte, a maioria das pessoas passa pela fase da negação ou descrença, ficando totalmente “atordoada”, como se não pudesse acreditar no ocorrido. Mesmo quando a morte era esperada, este sentimento pode surgir, mesmo que seja com menor intensidade. Este sentimento de torpor ou dormência emocional, como se estivéssemos anestesiados, pode ajudar a levar a cabo todos aqueles procedimentos burocráticos inerentes a este processo, mas pode tornar-se num problema se continuar a subsistir. Ver o corpo da pessoa falecida pode, para alguns, ser uma forma de começar a ultrapassar isto e começar a superar a perda. Da mesma forma, para algumas pessoas, o velório e o enterro podem ser situações onde a realidade começa a ser encarada. Apesar de ser difícil lidar com estas situações, o fato é que elas constituem um modo de dizer adeus àqueles que amamos. Estes acontecimentos podem parecer demasiadamente dolorosos, mas o fato é que fugir a eles pode trazer problemas mais tarde, muitas vezes, provocando um certo arrependimento.

Depois da fase de “negação”, poderá surgir um período de grande agitação, ansiedade e ânsia pelo que foi perdido. Surge o sentimento de querer encontrar essa pessoa seja de que maneira for, mesmo que tal seja impossível. Por isto, nesta fase a pessoa começa a não conseguir relaxar ou a concentrar-se e o sono pode ser muito agitado. Os sonhos que surgem nesta altura podem ser muito confusos, pode surgir o medo de dormir sozinho ou no escuro.

Algumas pessoas chegam mesmo a “ver” quem perderam, na rua, em casa. Com muita freqüência, a pessoa em luto sente-se muito zangada e revoltada contra médicos e enfermeiros que não conseguiram impedir a morte que agora lhe pesa, contra os amigos e familiares que nunca deram o seu máximo. É comum também sentir raiva da pessoa que morreu, que foi embora e assim a deixou, abandonou.

Culpa
Vamos falar de outro sentimento comum: a culpa. Quando se perde alguém, é comum começarmos a pensar em tudo aquilo que podia ter sido feito ou dito para aquela pessoa ou ainda o que podia ter feito para impedir essa morte. Claro que a morte é um acontecimento que está além do controle seja de quem for e a pessoa em luto deve ser lembrada disso o tempo todo, se for necessário.

A culpa também pode surgir depois de se sentir alívio pela morte de alguém que nos era muito querido, mas que sabíamos estava a sofrer. Este sentimento é normal, compreensível e muito comum. Essas fases podem ser seguidas rapidamente de períodos de grande tristeza e depressão, retiro e silêncio. Estas mudanças súbitas de emoções podem deixar amigos e familiares confusos, mas faz parte do processo natural de luto. Crises de choro e angústia intensa podem surgir a qualquer momento. Algumas pessoas podem não conseguir perceber estas crises ou ficar sem saber o que fazer quando elas acontecem. Poderá haver uma tendência da parte da pessoa em luto para evitar as outras pessoas, mas isto pode trazer problemas futuros e, por isso, será melhor que volte à sua “vida normal” o mais rapidamente possível. Durante este período, pode parecer estranho aos outros que a pessoa em luto passe muito tempo sentada, sem fazer nada, mas o fato é que ela estará a pensar em quem perdeu, recordando constantemente os bons e maus períodos que passaram juntos. Esta é uma fase silenciosa, mas essencial à resolução do luto.

À medida que o tempo passa, a angústia intensa resultante do luto começa a desaparecer. A depressão atenua-se e será possível, finalmente, começar a pensar em outros assuntos e até em novos projetos. É importante salientar que o sentimento de perda nunca desaparecerá por inteiro. Depois de algum tempo, deve ser possível sentir-se de novo “completo”, apesar de faltar sempre uma parte de si que nunca será substituída. Quando sabemos disso e admitimos esse processo será menos dolorido.

Como ajudar nesse momento?
A família e os amigos podem ajudar a pessoa em luto passando um tempo com ela demonstrando que estão presentes para o que for necessário neste período de dor e tristeza. É importante que a pessoa em luto, se necessitar, tenha alguém com quem chorar e falar sobre a perda sentida, sem que o “amigo” fique dizendo para se recompor e refazer a sua vida. Nesse momento, o que ela precisa e falar e ser ouvida, pois o “falar” nessa fase é “terapêutico”. Com o tempo, a pessoa em luto se restabelecerá, mas não antes de ter chorado tudo, de ter falado sobre a pessoa e a perda.

Não devemos esquecer que datas importantes (o dia do aniversário, do casamento, etc.) poderão ser particularmente difíceis de reviver e pôr a pessoa em luto a participar ativamente na preparação de tais celebrações poderá ajudá-la a não se sentir tão sozinha. É importante dar o tempo necessário para que a pessoa em luto possa superar sua dor, pois de outra forma poderá vir a ter problemas no futuro.

Ficar “preso” ao luto
Há pessoas que parecem não passar pelo processo de luto, que não choram no velório ou no funeral e até evitam falar da pessoa que perderam. São pessoas que voltam à sua vida “normal” e retomam a rotina muito rapidamente. Esta pode ser sua forma normal de lidar com a perda sem conseqüências negativas, mas outras pessoas poderão, ao contrário, sofrer sintomas físicos e desencadear um processo depressivo. Algumas pessoas podem não ter a oportunidade de passar pelo processo de luto da melhor forma, uma vez que têm de continuar a sua vida profissional ou familiar, não tendo tempo de “passar” pelo luto.

Algumas pessoas podem iniciar o processo de luto, mas permanecer nele sem o resolver. Nestes casos, a dor e a angústia por quem se perdeu mantêm-se e podem mesmo passar anos sem que a situação seja realmente resolvida. Nestes casos, a pessoa pode continuar a não aceitar que perdeu quem faleceu, mantendo-se na fase de descrença referida atrás ou, por outro lado, só conseguir pensar em tal pessoa, mantendo, por exemplo, o quarto da pessoa falecida intacto e como uma espécie de local de culto.

Ocasionalmente, a depressão que ocorre com todo e qualquer luto pode agravar-se ao ponto de a pessoa deixar de se alimentar e até pensar em suicídio. Em todos estes casos será obviamente necessária ajuda profissional especializada.

Se você considera que pode estar em risco de sofrer desta incapacidade de resolução do luto, ou conhecer alguém que pode estar nesta situação e considera importante partilhar isso com alguém exterior a família ou amigos, pode buscar auxilio de um profissional, de um psicólogo para superar essa fase.

Kátia Horpaczky é psicóloga clinica, psicoterapeuta sexual, família e casal – CRP 06/41.454-3 – E-mail: consultoriodepsicologia@uol.com.br

Talco cabeça , tronco e membros.

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Você me aceita com talco cabeça , tronco e membros? Você me aceita de unhas ruídas e de peito em ruínas? me aceita de sono pesado e respiração profunda? de sonho rasgado e de otimismo fajuto? me aceita?

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Você me aceita de força estridente e covardia que ladra/late/bate?
me aceita de dente torto e vida torta e beijo ainda mais torto? de olhos tristes e medo quente? me aceita com fome com sede com sina? cantando Gonzaguinha às sete da manhã?

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Aceita esses e outros milhões de pontos e traços e riscos que tô disposta a correr?
aceita a exclamação que duvida e a interrogação segura? aceita minha cara de puta? minha alma serpente? meus orixás?

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Aceita meu pai XANGÔ e minha mãe OYÁ? que eu sou do raios e trovões e sendo deles eu não sou sua? aceita minha facilidade ainda que mutante em pertencer? em caber em você tão bem? aceita minha lua em áries? minha vontade contrastante em mandar e desaparecer? aceita minha descrença? meu ateísmo? minha frieza cética?

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Aceita minha ética, minhas teses poéticas de sobrevivência?
aceita minha física? minhas fórmulas? minhas fichas que caem e derrubam nossa paz num efeito dominó? aceita que mesmo ao seu lado eu seria só?
me aceita?

 

Você me deixa depois do sim
ou fica comigo até que o fim nos mostre
que a empatia precisa ser esmiuçada seja por meu terapeuta na sexta passada ou seja  dilacerada desse jeito esquisito, por mim?

Não gosto de meias-palavras

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Eu sou criança. E vou crescer assim. Gosto de abraçar apertado, sentir alegria inteira, inventar mundos, inventar amores. O simples me faz rir, o complicado me aborrece. O mundo pra mim é grande, não entendo como moro em um planeta que gira sem parar, nem como funciona o fax. Verdade seja dita: entender, eu entendo. Mas não faz diferença, os dias passam rápido, existe a tal gravidade, papéis entram e saem de máquinas, ninguém sabe ao certo quem descobriu a cor. (Têm coisas que não precisam ser explicadas. Pelo menos para mim). Tenho um coração maior do que eu, nunca sei a minha altura, tenho o tamanho de um sonho. E o sonho escreve a minha vida que às vezes eu risco, rabisco, embolo e jogo debaixo da cama (pra descansar a alma e dormir sossegada).

Coragem eu tenho um monte. Mas medo eu tenho poucos. Tenho medo de Jornal Nacional, de lagartixa branca, de maionese vencida, tenho medo das pessoas, tenho medo de mim. Minha bagunça mora aqui dentro, pensamentos dormem e acordam, nunca sei a hora certa. Mas uma coisa eu digo: eu não paro. Perco o rumo, ralo o joelho, bato de frente com a cara na porta: sei aonde quero chegar, mesmo sem saber como. E vou. Sempre me pergunto quanto falta, se está perto, com que letra começa, se vai ter fim, se vai dar certo. Sempre questiono se você está feliz, se eu estou bonita, se vou ganhar estrelinha, se posso levar pra casa, se eu posso te levar pra mim. Não gosto de meias-palavras, de gente morna, nem de amar em silêncio. Aprendi que palavra é igual oração: tem que ser inteira senão perde a força. E força não há de faltar porque – aqui dentro – eu carrego o meu mundo. Sou menina levada, sou criança crescida com contas para pagar. E mesmo pequena, não deixo de crescer. Trabalho igual gente grande, fico séria, traço metas. Mas quando chega a hora do recreio, aí vou eu… Escrevo escondido, faço manha, tomo sorvete no pote, choro quando dói, choro quando não dói. E eu amo. Amo igual criança. Amo com os olhos vidrados, amo com todas as letras. A-M-O. Sem restrições. Sem medo. Sem frases cortadas. Quer me entender? Não precisa. Quer me fazer feliz? Me dê um chocolate, um bilhete, um brinde que você ganhou e não gostou, uma mentira bonita pra me fazer sonhar. Não importa. Todo dia é dia de ser criança e criança não liga pra preço, pra laço de fita e cartão com relevo. Criança gosta mesmo é de beijo, abraço e surpresa!

(E eu – como boa criança que sou – quero mais é rasgar o pacote!)

Fernanda Mello

Gaslaitear – O que é isso?

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Você é tão sensível. Tão emocional. Tão defensiva. Você está exagerando. Calma. Relaxe. Pare de surtar! Você é louca! Eu estava só brincando, você não tem senso de humor? Você é tão dramática. Deixa pra lá de uma vez!
Soa familiar?

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Se você é uma mulher, provavelmente sim.

Você alguma vez escuta esse tipo de comentário de seu marido, parceiro, chefe, amigos, colegas ou parentes após expressar frustração, tristeza ou raiva sobre algo que eles disseram ou fizeram?

Quando alguém diz essas coisas a você, não é um exemplo de comportamento sem consideração. Quando seu marido aparece meia hora atrasado para o jantar sem avisar – isso é desconsideração. Uma observação com o propósito de calar você – como, “Relaxa, está exagerando” – logo após você apontar o comportamento ruim de alguém é manipulação emocional, pura e simples.

E é esse o tipo de manipulação emocional que alimenta uma epidemia em nosso país, uma epidemia que define as mulheres como loucas, irracionais, exageradamente sensíveis e confusas. Essa epidemia ajuda a alimentar a ideia de que as menores provocações fazem com que as mulheres libertem suas (loucas) emoções. Isso é falso e injusto. Acho que é hora de separar o comportamento sem consideração de manipulação emocional e começarmos a usar uma palavra fora de nosso vocabulário usual.

Quero introduzir um útil temo para identificar essas reações: “gaslaitear”.

(pequeno adendo do editor: “gaslaitear” foi uma adaptação do termo gaslighting para o português, para facilitar a compreensão do texto)

Gaslaitear é um termo usado com frequência por profissionais da área de saúde mental (não sou um deles) para descrever comportamento manipulador usado para induzir pessoas a pensarem que suas reações são tão insanas que só podem estar malucas.

O termo vem do filme de 1944 da MGM, “Gaslight”, estrelando Ingrid Bergman. O marido de Bergman no filme, interpretado por Charles Boyer, quer tomar sua fortuna. Ele se dá conta de que pode conseguir isso fazendo com que ela seja considerada insana e enviada para uma instituição mental. Para tanto, ele intencionalmente prepara as lâmpadas de gás (no inglês, “gaslights”, vindo daí o nome do filme) de sua casa para ligarem e desligarem alternadamente.

E toda vez que Ingrid reage a isso, ele diz a ela que está vendo coisas.

Nesse contexto, uma pessoa gaslaiteadora é alguém que apresenta informação falsa para alterar a percepção da vítima sobre si mesma.

Hoje, quando o termo é usado, usualmente significa que o perpetrador usou expressões como, “Você é tão estúpida” ou “Ninguém jamais vai te querer” para a vítima.

Essa é uma forma intencional e premeditada de gaslaitear, como as ações do personagem de Charles Boyer no filme Gaslight, no qual ele estrategicamente age para fazer com que sua esposa acredite estar confusa.

A forma de gaslaitear que estou apontando nem sempre é premeditada ou intencional, o que a torna pior, pois significa que todos nós, especialmente as mulheres, já tiveram que lidar com isso em algum momento.

Aqueles que gaslaiteaim criam reações – seja raiva, frustração, tristeza – na pessoa com quem estão interagindo. Então, quando essa pessoa reage, o gaslaiteador a faz sentir desconfortável e insegura por agir como se seus sentimentos fossem irracionais ou anormais.

* * *

Minha amiga Anna (todos os nomes trocados por questão de privacidade, claro) é casada com um homem que sente a necessidade de fazer observações não solicitadas e aleatórias sobre seu peso.

Sempre que ela fica brava ou frustrada com seus comentários insensíveis, ele responde da mesma maneira defensiva, “Você é tão sensível, estou só brincando”.

Minha amiga Abbie trabalha para um homem que, quase todos os dias, acha um jeito de criticá-la, assim como a qualidade de seu trabalho. Observações como “Você não consegue fazer algo direito?” ou “Por que fui te contratar?” são comuns para ela. Seu chefe não tem dificuldade em demitir pessoas (o que faz regularmente), então seria difícil pensar, baseado nesses comentários, que Abbie trabalha pra ele há seis anos.

Mas toda vez que ela se posiciona e diz “Não me ajuda em nada quando você diz essas coisas”, ela recebe a mesma resposta:

“Relaxa, você está exagerando.”
É muito mais fácil manipular emocionalmente alguém que foi condicionado por nossa sociedade para tal. Nós continuamos a impor isso sobre as mulheres pelo simples fato de que elas não recusam nossos fardos. É a covardice suprema.

Abbie pensa que seu chefe está apenas sendo um babaca nesses momentos, mas a verdade é que ele está fazendo esses comentários para induzí-la a achar que suas reações não fazem sentido. E é exatamente esse tipo de manipulação que a faz sentir culpada por ser sensível e, como resultado, se recusar a deixar seu emprego.

Mas gaslaitear pode ser tão simples quanto alguém sorrindo e dizendo, “Você é tão sensível”, para outra pessoa. Tal comentário pode soar inócuo, mas naquele contexto a pessoa está emitindo um julgamento sobre como a outra deveria se sentir.

Mesmo que lidar com gaslaitear não seja uma verdade universal para todas as mulheres, nós certamente conhecemos muitas delas que enfrentam isso no trabalho, em casa ou em seus relacionamentos.

E o ato de gaslaitear não afeta só mulheres inseguras. Até mesmo mulheres assertivas e confiantes estão vulneráveis. Por que?

Porque as mulheres suportam o peso da nossa neurose. É muito mais fácil para nós colocar nossos fardos emocionais nos ombros de nossas esposas, amigas, namoradas e empregadas, do que é impô-los nos ombros dos homens.

Quer gaslaitear seja consciente ou não, produz o mesmo resultado: torna algumas mulheres emocionalmente mudas.

Essas mulheres não conseguem expressar com clareza para seus esposos que o que é dito ou feito a elas as machuca. Elas não conseguem dizer a seus chefes que esse comportamento é desrespeitoso e as impede de trabalhar melhor. Elas não conseguem dizer a seus parentes que, quando eles são críticos, estão fazendo mais mal do que bem.

Quando essas mulheres recebem qualquer tipo de reprimenda por suas reações, tendem a deixar passar, pensando, “Esqueça, tá tudo bem.”

Esse “esqueça” não significa apenas deixar um pensamento de lado, é ignorar a si mesma. Me parte o coração.

Não é de se admirar que algumas mulheres sejam inconscientemente passivas agressivas ao expressarem raiva, tristeza ou frustração. Por anos, têm se sujeitado a tanto abuso que nem conseguem mais se expressar de um modo que seja autêntico para elas.

Elas dizem “sinto muito” antes de darem sua opinião. Em um email ou mensagem de texto, colocam uma carinha feliz ao lado de uma questão ou preocupação séria, de modo a reduzir o impacto de expressarem seus verdadeiros sentimentos.

Você sabe como é: “Você está atrasado 🙂 “

Essas são as mesmas mulheres que seguem em relacionamentos dos quais deveriam sair, que não seguem seus sonhos, que desistem da vida que gostariam de viver.

* * *

Desde que embarquei nessa auto-exploração feminista na minha vida e nas vidas das mulheres que conheço, esse conceito das mulheres como “loucas” tem de fato emergido como uma séria questão na sociedade e igualmente uma grande frustração para as mulheres em minha vida, de modo geral.

Desde o modo com que as mulheres são retratadas em reality shows a como nós condicionamos meninos e meninas a verem as mulheres, acabamos aceitando a ideia de que as mulheres são desequilibradas, indivíduos irracionais, especialmente em momentos de raiva e frustração.

Outro dia mesmo, em um vôo de São Francisco para Los Angeles, uma aeromoça que acabou me reconhecendo de outras viagens perguntou qual era minha profissão. Quando disse a ela que escrevo principalmente sobre mulheres, ela logo riu e perguntou, “Oh, sobre como somos malucas?”.

Sua reação instintiva ao meu trabalho me deixou um bocado deprimido. Apesar de ter respondido como uma brincadeira, a pergunta dela não deixa de apontar um padrão sexista que atravessa todas as facetas da sociedade, sobre como homens veem as mulheres, o que impacta enormente como as mulheres enxergam a si mesmas.

Até onde sei, a epidemia de gaslaitear é parte da luta contra os obstáculos da desigualdade que as mulheres enfrentam. Gaslaitear rouba sua ferramenta mais forte: sua voz. Isso é algo que fazemos com elas todos dias, de diferentes modos.

Não acho que essa ideia de que as mulheres são “loucas” está baseada em algum tipo de conspiração massiva. Na verdade, acredito que está conectada à lenta e firme batida das mulheres sendo minadas e postas de lado, diariamente. E gaslaitear é uma das muitas razões pelas quais estamos lidando com essa construção pública das mulheres como “loucas”.

Reconheço ter gaslaiteado minhas amigas no passado (mas nunca os amigos – surpresa, surpresa). É vergonhoso, mas fico feliz em ter me dado conta disso e cessado de agir dessa maneira.

Mesmo tomando responsabilidade por meus atos, acredito sim que, junto com outros homens, sou um produto de nosso condicionamento. E que ele nos dificulta admitir culpa e expor qualquer tipo de emoção.

Quando somos desencorajados de expressar nossas emoções em nossa infância e adolescência, isso faz com que muitos de nós sigam firmes em sua recusa de expressar arrependimento quando vemos alguém sofrendo por conta de nossas ações.

Quando estava escrevendo esse artigo, me lembrei de uma de minhas falas favoritas de Gloria Steinem:

“O primeiro problema para todos nós, homens e mulheres, não é aprender; mas sim desaprender.”
Então, para muitos de nós, o assunto é primeiro desaprender como usar essas lâmpadas de gás (referência à origem do termo gaslighting/gaslaitear) e entender os sentimentos, opiniões e posições das mulheres em nossas vidas.

Pois a questão de gaslaitear não seria, em última instância, sobre nosso condicionamento em acreditar que as opiniões das mulheres não têm tanto peso quanto as nossas? Que o que elas têm a dizer e o que sentem não é tão legítimo quanto o que nós dizemos e sentimos?

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Nota do editor: Yashar vai publicar em breve seu primeiro e-book, chamado “A message to women from a man: you are not crazy”. Se estiver interessado e quiser ser notificado da publicação, insira seus dados aqui.

Esse post foi originalmente publicado no blog do Yashar, The Current Conscience. Nós lemos pela primeira vez no The Good Men Project. Tradução feita com permissão do autor.