Arquivos

Umberto Eco alerta: “Nem todas as verdades são para todos os ouvidos.”

20398325_1932818496979741_1910038318070890496_n

.

Uma das maiores dificuldades comunicativas diz respeito à capacidade de expor pontos de vista sem exagerar no tom impositivo ou mesmo agressivo com que se defendem argumentos, mesmo os mais incoerentes. Cada vez mais intolerantes, as pessoas parecem precisar revestir seus discursos de agressividade, para que pareçam convincentes.

Com o advento da Internet, todos possuímos espaços virtuais onde podemos nos expressar, expondo nossos pontos de vista sobre assuntos vários. Ilusoriamente protegidos pela distância que a tela fria traz, muitas vezes excedemos no radicalismo com que pontuamos nossos comentários, sem levar em conta a maneira como aquelas palavras atingirão o outro.

A frieza do cotidiano e a concorrência de mercado acabam por contaminar nocivamente os relacionamentos humanos, que se tornam cada vez menos afetivos, tão robóticos quanto as máquinas de café que nos entopem os sentidos. Importamo-nos quase nada com os sentimentos alheios, com a historia de vida alheia, com a necessidade de entender as razões que não são nossas, pois queremos a todo custo extravasar tudo isso que se acumula dentro de nós em meio à velocidade estressante de nossas vidas. 

Nesse contexto, quando expomos aquilo que pensamos sobre determinado assunto, principalmente relacionados à política e/ou à religião, acabamos sendo vítimas de contra-ataques violentos que não rebatem o que expusemos, mas tão somente tentam neutralizar nossa verdade com destemperos emocionais isentos de criticidade. Aceitável seria, entretanto, uma contra-argumentação pautada por reflexões plausíveis, o que não ocorre, em grande parte dos casos.

O fato é que poucos estão dispostos a se abrir ao que o outro tem a oferecer, a dizer, a mostrar, a trazer de diferente para suas vidas, porque é trabalhoso refletir sobre idéias já postas e cristalizadas dentro de nós, ao passo que manter intacto aquilo que carregamos há tempos é cômodo e tranquilo. E quem não quer não muda, não recebe o novo, somente dá em troca o pouco que tem e, pior, muitas vezes de forma deselegante e depreciativa.

Portanto, é necessário que aprendamos a nos expressar e a debater nossas ideias com quem realmente estiver pronto para trocar conhecimentos, com quem possui uma postura receptiva para com o novo e que não se importa com a quebra de certezas. Não percamos nosso precioso tempo com quem só ouve o que quer e da forma que lhe convém, diminuindo-nos por conta da diversidade de opiniões. Esses definitivamente não merecem nem mesmo nossa presença.

Texto de Marcel Camargo

 

“O que REALMENTE significa ter ansiedade”

99706a2240d37f6a459891e46469f4d5.jpg

 

“O que realmente significa ter ansiedade?

Vai além de simplesmente se preocupar. Ansiedade significa noites em claro, conforme você suspira e vira de um lado para o outro. É o seu cérebro nunca sendo capaz de desligar. É a confusão de pensamentos que você pensa antes da hora de dormir e todos os seus piores medos se tornam realidade em sonhos e pesadelos. 

É acordar cansada mesmo que o dia só tenha começado.

Ansiedade é aprender como funcionar em privação de sono porque você só conseguiu fechar os olhos às duas da manhã.
É toda mensagem que você pensa ‘como fazer isso da forma correta?’. É duas ou três mensagens que você manda caso tenha feito algo errado. Ansiedade é responder mensagens de forma embaraçosamente rápida.

Ansiedade é o tempo que você gasta esperando uma resposta enquanto um cenário se monta na sua cabeça, questionando o que a outra pessoa está pensando ou se ela está brava.

Ansiedade é a mensagem não respondida que te mata por dentro, mesmo que você diga a si mesma ‘talvez ele esteja ocupado ou irá responder depois’.

Ansiedade é a voz crítica que diz ‘talvez ele esteja só te ignorando mesmo’. É você acreditar em cada cenário negativo que você cria.

Ansiedade é esperar. Parece que você está sempre esperando.

É o conjunto de conclusões inexatas que sua mente cria, e você não tem outra escolha a não ser aceita-las.

Ansiedade é se desculpar por coisas que nem precisam ser desculpadas.

Ansiedade é duvidar de si mesma e falta de autoconfiança.

Ansiedade é ser superatenta sobre tudo e todos. Você consegue dizer se alguém mudou de humor apenas pelo tom de voz da pessoa.

Ansiedade é arruinar relacionamentos antes mesmo deles começarem. Ela te diz ‘você está enganada; ele não gosta de você e vai te deixar’. E você acredita.

Ansiedade é um estado constante de preocupação, pânico e viver no limite. É viver com medos irracionais.

É pensar demais, é se importar demais. Porque a raiz das pessoas ansiosas é se importar.

É ter mãos suadas e coração acelerado. Mas por fora, ninguém percebe. Você aparenta estar calma e sorridente, mas por dentro é o contrário.

Ansiedade é a arte da decepção por parte de pessoas que não te conhecem. E das pessoas que te conhecem, é ouvir constantemente ‘não se preocupe’, ‘você está pensando demais’, ‘relaxe’. É sobre seus amigos ouvirem suas conclusões e não entenderem como você chegou nelas.

Ansiedade é querer consertar algo que nem problema é.

É o amontoado de perguntas que te fazem duvidar de si mesma. É voltar atrás para checar novamente.

Ansiedade é o desconforto de uma festa por pensar que todo mundo está te observando e você não é bem-vinda lá.

Ansiedade é tentar compensar e agradar demais outras pessoas.

Ansiedade é estar sempre no horário porque o pensamento de chegar atrasada te deixa em pânico.

Ansiedade é o medo de fracassar e a busca incansável por perfeição. E então se punir quando você falha.

É sempre precisar de um roteiro e de um plano.

Ansiedade é a voz dentro da sua cabeça que diz ‘você vai falhar’.

É tentar suprir as expectativas dos outros mesmo que isso esteja te matando. Ansiedade é aceitar mais do que você consegue lidar para que você se distraia e não pense demais em outros assuntos.

Ansiedade é procrastinar, porque você está paralisada pelo medo de fracassar.

É o gatilho que te faz ter um ataque de pânico.

 

É estar quebrada na sua privacidade e chorar de preocupação quando ninguém mais está vendo.

É aquela voz crítica dizendo ‘você estragou tudo’ ou ‘você deveria mesmo se sentir um lixo agora’.

Mas mais que qualquer coisa, ansiedade é se importar. É nunca querer machucar alguém. É nunca querer fazer algo errado. Mais que tudo, é o desejo de simplesmente ser aceita e querida. Então você acaba tentando demais às vezes.
E quando você encontra amigos que entendem isso, eles te ajudam a superar juntos. Você percebe que essa pode ser uma batalha que você enfrente todos os dias, mas é uma que não precisa ser enfrentada sozinha.

Fonte- https://www.sabervivermais.com

 

 

Caixa com decoupage Frida Khalo.

 

 

Frida u

Caixa com decoupage Frida Khalo

by Elisabete Cunha

Quem quer?
Feito sob encomenda
Cada caixa será exclusiva.
Encomende a sua!

40 REAIS

betescunha@gmail.com

https://www.facebook.com/elisabetecunha13

A imagem pode conter: 1 pessoaA imagem pode conter: 1 pessoaA imagem pode conter: 1 pessoa

Conselhos De Puta Velha – Ísis Toth

0ç

1. Não se esforce demais. O lingerie de seda, o perfume importado e o jantarzinho a luz de velas com vinho caro é para quem merece. Algumas mulheres têm mania de pegar um ficante que encontrou há a uma semana na balada, levar pra casa e tratar como um rei. Tratamento vip é para namorado firme e marido, se merecerem. Porte-se como uma joia rara e como tal não se doe facilmente para o primeiro que aparecer, não importa o nível da sua carência, seja valiosa.

2. Pare de ser tão boazinha. Abrir mão do que gosta, mudar o jeito de ser, deixar de se divertir, só porque começou um relacionamento e está apaixonada? Homem gosta de mulher com vida própria, orbitar em volta dele é receita certa para o fracasso, ele pode momentaneamente demonstrar que gosta deste estilo, mas logo se cansa. No fim você perde o namorado e os amigos. Sem contar que ele não vai abrir mão de assistir futebol para ficar com você. Use o mesmo critério para lidar com ele e no fim ele estará te acompanhando em tudo, feliz da vida, afinal é muito bom estar ao lado de pessoas que tem vida.

 

3. Pare com os joguinhos. Os casais perdem a oportunidade de se conhecer de verdade e sem máscaras. Está manjado demais transar só no terceiro encontro, não responder a mensagem antes de 60 minutos, só atender o telefone no quinto toque, fazer ciúmes sem necessidade e fingir que não dá a mínima. Encontrar o equilíbrio entre ser disponível demais e ser inacessível está difícil. Ninguém mais demonstra interesse e tesão pelo outro de forma saudável. Nunca sabemos se o outro não liga no dia seguinte porque não está interessado ou porque está se fazendo de difícil para valorizar o passe. Ter tato para não perder a dignidade e saber a hora de bater em retirada é importante, mas um pouco de transparência e sinceridade não faz mal a ninguém. Se for fazer joguinho, seja inteligente, crie novos truques, pois alguns já estão batidos demais.

4. Jamais se rebaixe. Não importa qual foi a traição, a culpa é do seu parceiro e não da “vagabunda” que ele comeu, a não ser que ela tenha colocado um revolver na cabeça dele. Essa história de mulher bater na amante é ridícula. Nenhum homem é digno de escândalos e manifestações públicas de ciúmes, isso inclui as indiretas nas redes sociais. Mesmo que tiver chorando lágrimas de sangue, fique em cima do salto, ninguém precisa saber da sua condição miserável, não dê esse gostinho para as inimigas e para algumas amigas falsas e invejosas. Aprenda, para algumas pessoas só contamos as vitórias!

5. Seja você mesma. A performance do filme pornô de quinta categoria não precisa necessariamente ir para sua cama, nada mais patético que a mulherada que finge orgasmo e ainda quer contar vantagem “ pras amiga”. Sem contar que se a coisa for forçada demais o homem percebe. Já ouvi depoimentos de caras que simplesmente brocharam em situações assim. Nada contra quem gosta do estilo e faz porque realmente gosta e está com vontade, mas tudo que é falso e feito somente para tentar impressionar o outro pode gerar efeito contrário.

7. Escolha bem seu parceiro use a razão não só o coração. A mulherada lutou e luta tanto por igualdade, mas hoje tem jornada dupla e até tripla para dar conta da vida profissional, casa, filhos e marido. Queria saber onde está a igualdade nisso, pois enquanto a mulher se desdobra, muitos maridos estão no sofá assistindo tv ou no bar com os amigos. Quando for se relacionar com alguém, antes de se envolver loucamente em um amor de pica sem fim, preste muita atenção na sogra, veja como ela trata os filhos. Dá tudo na mão, recolhe os sapatos e meias sujas pela casa, faz o pratinho de comida com o feijão em cima, lava as cuecas, defende cada um até a morte mesmo que estejam errados? Se for esse o caso, AMIGA CORRAAAAA! Caso contrário, você será uma forte candidata a Amélia emancipada.

8. O borogodó Magnetismo pessoal e amor próprio vale mais que um corpo sarado. A mulherada está caprichando tanto no treino, na lipoaspiração e no silicone, mas o número de fracassos amorosos não diminui. Outra ala se sente gorda demais e sem autoconfiança para atrair o sexo oposto, mas também não faz nada para mudar. Existem mulheres que aparentemente não possuem nada de especial, podem até ser “feias”, porém, por alguma razão os homens caem aos seus pés. Esse magnetismo em algumas mulheres vem de onde? O que elas têm é independência emocional, se apoiam sozinhas, se bastam, tem outras metas além de agarrar um homem, estudam, trabalham, viajam e são felizes sozinhas ou acompanhadas. Não vivem carentes chorando pelos

Esse título foi inspirado por uma grande amiga, prostituta aposentada, que acumulou uma experiência de vida que poucas vezes vi igual. Na verdade, ela tem a idade da minha mãe e sempre me deu conselhos dizendo: – Ouve o conselho dessa puta velha! Por incrível que pareça, toda vez que não seguia os conselhos dela me dava mal. Esta mulher até hoje tem em suas mãos tudo que quer e um poder de atração de dar inveja a qualquer ninfeta de 20 anos, soube investir todo dinheiro que ganhou e tem uma vida mais que tranquila ao lado do grande e único amor de sua vida. E quando pensamos em puta, pensamos logo em promiscuidade e vender o corpo, mas tem muita puta por aí mais digna e honesta que certas mulheres tidas como “damas da sociedade”, mas que já se venderam mais que tudo e por muito pouco. Histórias assim são para quebrar os paradigmas e fazer repensar alguns valores, sem contar que chacoalham os puritanos, as feministas e críticos de plantão.

Texto baseado no livro de Argov,Sherry – Por que os Homens Amam as Mulheres Poderosas? Sextante / Gmt
Autora:Ísis Toth

 

Seja gostosa pra você!

Resultado de imagem para plus size

Gostosa é uma palavra muito boa. Qualquer coisa gostosa remete a algo bom, a deleite, a prazer. Mulher gostosa então, é um atalho para a felicidade. Todavia, quando usada para seres humanos (de qualquer tipo), essa palavra maravilhosa precisa vir com um asterisco. *Ser gostosa não depende de corpo, de medida, de viço da pele ou quilômetros rodados na academia.

Gostosura é libido, malemolência, cheiro. Uma mina gostosa tem charme e qualquer coisa de poderosa. Tem um corpo que ri, que goza, mas veja, não é o pedaço de carne que é gostoso, é toda ela. Daí, meu amigo, não importa o peso que marca na balança, não importa se o peito foi inflado com silicone ou se a bunda foi moldada por trezentos chutes na aula de boxe.

Não importa se tem cicatriz de cesárea e nem curvas demais ou de menos. A gostosura mora dentro. Gente gostosa é aquela que encaixa na gente, que derrete as certezas e esquenta o sangue nas veias. É quem excita só com o cheiro ou com o despretensioso caminhar matinal. Estamos finalizando e é preciso deixar claro: a gostosura está em quem vê, está na troca, no encaixar da boca no ouvido, do olho no olho.

Se ela tem o corpo das propagandas de cerveja e biquíni? Não, ela não tem. Mas vou te dizer, ela é gostosa pra caralho.

Texto por LIA BOCK

A dor

tumblr_om0109tnwc1sthf15o1_500

Cheguei a conclusão de existem pessoas na vida que não nasceram para serem amadas.
Eu sou assim. Não tenho vergonha de assumir. Hoje nem faço mais questão de que isso aconteça mais comigo. Endureci… É triste …mas é a mais pura verdade. Viver de ilusões  e embarcar numa mentira, alimentada muitas vezes por um parceiro que não a amou de fato, só alimentou uma história de faz de conta, criou uma situação onde a companheira se sentia amada e tinha confiança total e depois de todos os erros. Erros que se houvesse amor de verdade poderia ser perdoado.
Nunca houve amor, houve a transferência de culpa.
Tudo foi um teatro onde descartar o outro é banal.
Isso tudo é uma bomba…isso é sério.
Se alguém na infância recebe na medida certa o amor, o carinho, o afeto, o apoio e – por que não? – também a bronca ponderada, mas sente-se valorizado, estimulado, elogiado, bem como corrigido, desenvolve-se de forma adequada.
Se, pelo contrário, vive num ambiente desestruturado, em que não é ajudado a se desenvolver, a se descobrir, a participar, a se posicionar, sua personalidade fica esburacada. Um desses buracos é formado pela carência de afeto.
Quando não o recebe na dosagem certa, a pessoa se ressente, carregando essa deficiência como um pesado fardo pela vida afora. Se não entender o porquê desse vazio interior que sente e não tentar superá-lo, será uma pessoa muito infeliz.
Estas pessoas são mal-amadas e não resolvidas consigo mesmas. Não gostam de si e se julgam incapazes de serem amadas, porque não foram satisfeitas quando crianças na área do amor e do afeto. A carência afetiva é “irmã gêmea” da rejeição. A pessoa sente-se rejeitada porque não recebeu amor.Uma criança criada em um ambiente onde um dos pais é alcoolista marca para sempre o futuro afetivo .
Não é amada porque, de certa forma, se encolhe, não acreditando e não confiando em si. Mas se não acredita em si, é porque não recebeu esse crédito. Resultado: sua vida é marcada pela revolta, pela apatia, pelo isolamento, pela agressão, pela fuga e pela tirania. E impossível avaliar os estragos que a carência afetiva ocasiona dentro da pessoa.Eu hoje sei: Doenças crônicas e uma vida flagelada.
Hoje, tenho tentado aprender a não odiar tanto e sim a agradecer cada relacionamento falho, cada vez que meu coração se partiu, a agradecer cada despedida forçada, cada ferida estancada, cada espinho e cada tropeço, eles me fizeram o que sou hoje, uma pessoa forte  no ato cair e se levantar,  afinal de contas, a vida é feita de quedas, e eu vou aprender a me levantar.

LESÕES AFETIVAS- Carolina Vila Nova

67

Nada nos machuca mais do que as lesões afetivas, as feridas que ficam na alma. Mais do que dor física, a falta de amor, a traição, a ausência de determinadas pessoas ou ainda as palavras proferidas na hora errada são capazes de nos ferir mais do que a dor da carne.

  • Nada nos machuca mais do que as lesões afetivas, as feridas que ficam na alma. Mais do que dor física, a falta de amor, a traição, a ausência de determinadas pessoas ou ainda as palavras proferidas na hora errada são capazes de nos ferir mais do que a dor da carne.

Desde criança nos habituamos a segurar o choro, escondemos os momentos de fraqueza e engolimos “seco” a dor de mesmo pequenos, carregarmos a obrigação de agir como adultos.

Nos ensinam a ser fortes, como se força significasse o não sentir, quando na verdade sentimos muito: sentimos a falta de afeto, sentimos a falta de nossas mães e nossos pais, sentimos a morte ou o sumiço do cãozinho de estimação, sentimos a repreensão injusta da professora na escola e os risos dos colegas sobre quem somos.

Durante toda a vida vivenciamos situações de injustiças, crueldade, desamor e tanto mais. Para o que nos fere não existe escapatória. Faz parte da vida, e de diferentes formas e momentos, iremos vivenciar a dor.

Qual a solução então para aquilo nos machuca mais profundamente? O afeto, os gestos e momentos do mais puro amor. E apesar de parecer algo simples, não temos tido tempo nesta vida para aquilo que é o alimento e remédio da alma.

Numa sociedade em que todos estamos sempre correndo, não há mais tempo para a conversa com os amigos, um telefonema, um olhar mais demorado, o apreciar da chuva ou do pôr-do-sol. Não viajamos mais para dentro de nós mesmos através daquilo que nos conecta com a própria vida.

Nossos filhos crescem sem nossa presença, rodeados de presentes que representam as falhas tentativas de compensação. Envelhecemos dia-após-dia, afastando de nós mesmos os que mais amamos, devido à nossa pressa de ir ao trabalho, à faculdade, ao supermercado e de cumprir as infinitas tarefas que a vida em sociedade nos incumbe.

Acumulamos nossa feridas na alma e acabamos por recriar lesões afetivas ao nosso redor. Não por uma maldade existente em nós mesmos, mas pelo ritmo contagioso da vida. Repetimos os erros de nossos pais em nós mesmos e em nossos filhos. E assim sucessivamente.

Diante da loucura de preencher os requisitos diários do dia-a-dia, devemos nos lembrar também, diariamente, do que faz a vida valer a pena. São os pequenos momentos, as pequenas coisas, aquilo que acontece de forma natural e expontânea e nem preço tem. Um momento de qualidade com nossos filhos e familiares, sem pressa, com real presença de nós mesmos. Uma palavra de conforto e motivação. Um elogio e um reconhecimento.

Se por um lado as lesões afetivas nos marcam profundamente, os afetos tem o poder de nos curar de todo mal vivenciado um dia. O abraço afetuoso, um beijo na testa, uma expressão de amor que pode vir em palavras ou numa simples expressão corporal.

Nada muda o nosso passado. E por mais dor e arrependimentos que se carregue, o comportamento de agora tem o poder de ser transformador. Para nós e para os outros.

Se a falta de amor em diversos momentos da vida nos marca com dor, a presença do amor alivia as marcas adquiridas ao longo de nossa existência, nos torna mais fortes e tolerantes para as dores que ainda hão de vir e nos permite ser os que irão aliviar as feridas de outros, de preferência as dos que tanto amamos.

A resposta é simples: amor!

Fonte :© obvious: http://lounge.obviousmag.org/reading_terapia/2016/07/lesoes-afetivas.html#ixzz4FkllFhwL

O que é resiliência? – Dr. Cristiano Nabuco

 

tumblr_nb5lp5UbG41sthf15o1_1280

.

O termo resiliência quer dizer – em seu significado original, na Física, – o nível de resistência que um material pode sofrer frente às pressões sofridas e sua capacidade de retornar ao estado original sem a ocorrência de dano ou ruptura. A Psicologia pegou emprestada a palavra, criando o termo resiliência psicológica para indicar como as pessoas respondem às frustrações diárias, em todos os níveis, e sua capacidade de recuperação emocional. Falando de uma maneira bem simples, quando mais resiliente você for, mais fortemente estará preparado para lidar com as adversidades da vida.

Embora exista certa controvérsia a respeito dos indicadores de uma boa resiliência, não se acredita que ela seja resultante de um traço de caráter ou de personalidade. Na verdade, a melhor definição da palavra seria o resultado de um processo de aprendizagens de vida. Portanto, você, assim como eu, está apto para desenvolvê-la.

O treinamento começa desde cedo

Desde a infância, pessoas que ativamente se esquivam das dificuldades ou que são isoladas dos problemas cotidianos (como fazem alguns pais para “poupar” a criança), deixam de “treinar” suas habilidades resilientes. Desta forma, quando crescem, tais indivíduos não conseguem apresentar repertórios adequados de enfrentamento aos problemas e, desta forma, perdem a habilidade de atravessar as situações de crise de maneira construtiva.  Sua falta de habilidade faz com que reajam em excesso (aumentando assim o tamanho das adversidades) ou, no polo oposto, respondam de maneira passiva, ou seja, permanecem anestesiados frente aos dilemas, perpetuando-os.

Um dos princípios mais importantes neste aprendizado diz respeito ao que chamamos de capacidade de enfrentamento de uma pessoa. Eu explico: em todas às situações adversas que passamos podemos compreendê-las de duas formas.

A primeira diz respeito a uma interpretação mais negativa dos fatos, ou seja, entendemos que coisas ruins que acontecem a nós estão fora de nosso raio de ação, pois não temos a menor responsabilidade a respeito de sua ocorrência. Nesta posição, como  não temos controle pelo acontecido, não exibimos nenhuma atitude de mudança. E, assim, assumimos uma postura de vítima das circunstâncias da vida.

Uma segunda possibilidade diz respeito a uma interpretação mais ativa dos fatos, ou seja, podemos assumir que parte dos problemas e das dificuldades que vivemos dizem única e exclusivamente respeito a nossa forma de agir no mundo, e portanto, entendemos que possuímos alguma responsabilidade sobre o fato.

Assim, quando eu me vejo parte integrante do problema e pelo que acontece a minha volta, recupero a possibilidade de mudar as coisas que não me fazem bem. Aqui, exatamente, encontra-se um dos maiores dilemas humanos. Embora muitas pessoas desejem ativamente mudar as situações de sua vida, dificilmente querem se automodificar. Mudar então é apenas um desejo.

Nesse sentido, nossa atitude mental frente às adversidades é uma das primeiras lições para construir uma boa resiliência psicológica, pois nos possibilita uma postura mais ativa: a de nos tornamos responsáveis pelo que acontece a nossa volta. Um bom exemplo deste posicionamento pode ser compreendido através de antigo ditado que diz: “não importa o que fizeram conosco, mas sim o que fazemoscom aquilo que fizeram de nós”.

E você leitor, em qual posição mais se situa?… A de vítima ou a de responsável pela sua vida? Se optar por entender sua realidade dentro de uma maneira mais ativa e, principalmente sob seu controle, é provável que sua resiliência seja aumentada de maneira expressiva. Pode não ser muito usual, mas tente praticar este pensamento.

Buscando um sentido

Um segundo ponto que aumenta de forma significativa nossa resiliência é o desenvolvimento de um projeto pessoal de vida. Conhecemos pessoas que vivem apenas contando com o dia de hoje e assim passam por sua vida de maneira quase que inconsciente, alheias a tudo e a todos. Uma importante lição deve ser aprendida neste ponto.

Uma história que merece ser contada aqui é a do psicólogo existencialista Viktor Frankl. Prisioneiro dos campos de concentração, ele teve a oportunidade de observar as mais diversas reações dos prisioneiros frente às atrocidades cometidas pelos nazistas. Em seus relatos, descreve que muitas pessoas em certo ponto não mais conseguiam tolerar o sofrimento e assim deliberadamente desistiam de viver. Faziam isso se jogando contra as cercas eletrificadas, deixando de se alimentar ou, finalmente, se atirando contra os militares e seus cachorros. Em suas notas, descreveu que aquelas que mais suportavam a dor de uma prisão (e que sobreviveram) eram aquelas que desenvolviam um sentido de vida como, por exemplo, guardar comida para um prisioneiro mais fragilizado ou mobilizar-se para conseguir medicações para algum outro mais necessitado. Tais ações, segundo ele, traziam de volta a dignidade humana, pois abasteciam as pessoas com força e determinismo pessoal.

“O sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior”, dizia Frankl.  Desta forma, temos em nosso cotidiano que desenvolver projetos que tragam um sentido a nossa existência, pois isso nos torna mais resilientes frente às adversidades da vida. Quando eu tenho um projeto maior para me apoiar, entendo que os problemas são apenas obstáculos a serem superados, pois persigo algo muito maior.

E você leitor, tem algum projeto pessoal maior de vida? O que realmente você espera de sua existência? Veja que não vale desejar ficar rico, pois sabemos que isso por si só não traz dignidade a ninguém. Ter um projeto maior é possuir uma causa que lhe traga sentido. Algo que nos faça sair da cama todos os dias e que seguramente poderá trazer-lhe de quebra mais resiliência.

Entendendo emoções

Finalmente, o tripé da resiliência se apoia na capacidade de compreender o que sentimos. Pode parecer algo mais simples, entretanto, não é o que ocorre. Vivemos usualmente sem entrar em contato com nossas sensações subjetivas e isso pode nos confundir bastante. Estar atento aos nossos sentimentos é uma das maneiras mais simples de desenvolver nossa capacidade de enfrentamento emocional. Entenda que estar em contato com nossas emoções nos faz sermos mais ágeis na busca daquilo que efetivamente nos faz bem, como também na evitação das situações que nos fazem mal. É a chamada inteligência emocional.

Em função de não estarmos habituados a nos conectar conosco, estamos sempre procurando aliviar nossos sentimentos ruins através de atitudes externas como, por exemplo, comprar quando não nos sentimos bem, comer quando estamos ansiosos etc, ou seja, agimos de uma maneira esquiva, na qual nos protegemos de nossos próprios sentimentos desconfortáveis. O ponto central aqui é perceber nosso estado subjetivo para então poder mudá-lo.

Caso você esteja achando difícil minha proposta, vou lhe ajudar. Usarei uma antiga crônica de Clarice Lispector que tem o seguinte título: “Se eu fosse eu”. Diz ela: “Quando a procura de um papel se torna inútil, pergunto-me: se eu fosse eu, em que lugar eu o guardaria?” E complementa dizendo: “Quando eu acho o objeto perdido, fico tão absorvida com a pergunta ‘se eu fosse eu’, que eu começo a pensar, diria melhor, sentir”. E finaliza indagando: “leitor, se você fosse você mesmo, quem você seria e onde estaria?”. Conclui sua crônica dizendo: “É como se a mentira fosse lentamente movida do lugar onde se acomodara e temos então contato com a experiência real da vida”.

Portanto, sabemos o que nos incomoda, apenas decidimos não pensar no assunto, anestesiando-nos. Se esta pergunta lhe deu algum frio na barriga, isso definitivamente é um bom sinal. Caso você ainda não tenha percebido, ainda há tempo para mudar. Se não consegue sozinho, busque ajuda.

Concluindo então nossa conversa: (a) desenvolva um papel ativo em sua vida (não se sinta vítima de sua existência), (b) elabore um grande projeto pessoal (caso ainda não o tenha) e finalmente (c) entenda suas emoções. Posso lhe assegurar que você desenvolverá de maneira espantosa sua resiliência emocional.  Milan Kundera em seu livro A lentidão afirmou que “cada possibilidade nova que tem a existência, até a menos provável, transforma a existência inteira”.

Fonte-http://cristianonabuco.blogosfera.uol.com.br/

100 frases de Nelson Rodrigues

 Nelson Rodrigues foi o maior frasista brasileiro, o nosso Rochefoucauld. Com a contribuição milionária de Erika Nakamura, o Diário selecionou em 2012 100 máximas de Nelson Rodrigues para festejar seus 100 anos.

  1. A adúltera é a mais pura porque está salva do desejo que apodrecia nela.
  2. A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual.
  3. A dúvida é autora das insônias mais cruéis. Ao passo que, inversamente, uma boa e sólida certeza vale como um barbitúrico irresistível.
  4. A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem.
  5. A liberdade é mais importante do que o pão.
  6. A maioria das pessoas imagina que o importante, no diálogo, é a palavra. Engano, e repito: – o importante é a pausa. É na pausa que duas pessoas se entendem e entram em comunhão.
  7. A pior forma de solidão é a companhia de um paulista.
  8. A platéia só é respeitosa quando não está a entender nada.
  9. A prostituta só enlouquece excepcionalmente. A mulher honesta, sim, é que, devorada pelos próprios escrúpulos, está sempre no limite, na implacável fronteira.
  10. A televisão matou a janela.
  11. A verdadeira grã-fina tem a aridez de três desertos.
  12. Acho a velocidade um prazer de cretinos. Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca.
  13. Amar é dar razão a quem não tem.
  14. Amar é ser fiel a quem nos trai.
  15. Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos.
  16. As grandes convivências estão a um milímetro do tédio.
  17. Com sorte vc atravessa o mundo, sem sorte vc não atravessa a rua.
  18. Começava a ter medo dos outros. Aprendia que a nossa solidão nasce da convivência humana.
  19. Copacabana vive, por semana, sete domingos.
  20. D. Helder só olha o céu para saber se leva ou não o guarda-chuva.
  21. Desconfie da esposa amável, da esposa cordial, gentil. A virtude é triste, azeda e neurastênica.
  22. Desconfio muito dos veementes. Via de regra, o sujeito que esbraveja está a um milímetro do erro e da obtusidade.
  23. Deus está nas coincidências.
  24. Dinheiro compra tudo, até amor verdadeiro.
  25. É preciso ir ao fundo do ser humano. Ele tem uma face linda e outra hedionda. O ser humano só se salvará se, ao passar a mão no rosto, reconhecer a própria hediondez.
  26. É preciso trair para não ser traído.
  27. Em muitos casos, a raiva contra o subdesenvolvimento é profissional. Uns morrem de fome, outros vivem dela, com generosa abundância.
  28. Entre o psicanalista e o doente, o mais perigoso é o psicanalista.
  29. Está se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza.
  30. Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral.
  31. Existem situações em que até os idiotas perdem a modéstia.
  32. Falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista.
  33. Hoje é muito difícil não ser canalha. Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo.
  34. Hoje, o sujeito prefere que lhe xinguem a mãe e não o chamem de reacionário.
  35. Invejo a burrice, porque é eterna.
  36. Jovens: envelheçam rapidamente!.
  37. Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos…
  38. Na mulher, certas idades constituem, digamos assim, um afrodisíaco eficacíssimo. Por exemplo:- 14 anos!
  39. Nada nos humilha mais do que a coragem alheia.
  40. Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera.
  41. Não admito censura nem de Jesus Cristo.
  42. Não damos importância ao beijo na boca. E, no entanto, o verdadeiro defloramento é o primeiro beijo na boca. A verdadeira posse é o beijo na boca, e repito: – é o beijo na boca que faz do casal o ser único, definitivo. Tudo mais é tão secundário, tão frágil, tão irreal.
  43. Não existe família sem adúltera.
  44. Não há nada que fazer pelo ser humano:o homem já fracassou.
  45. Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe.
  46. Nem toda mulher gosta de apanhar. Só as normais.
  47. Nossa ficção é cega para o cio nacional. Por exemplo: não há, na obra do Guimarães Rosa, uma só curra.
  48. Num casamento, o importante não é a esposa, é a sogra. Uma esposa limita-se a repetir as qualidades e os defeitos da própria mãe.
  49. Nunca a mulher foi menos amada do que em nossos dias.
  50. O adulto não existe. O homem é um menino perene.
  51. O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É abjeto que um homem deseje a mãe de seus próprios filhos.
  52. O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda.
  53. O asmático é o único que não trai.
  54. O biquíni é uma nudez pior do que a nudez.
  55. O boteco é ressoante como uma concha marinha. Todas as vozes brasileiras passam por ele.
  56. O Brasil é muito impopular no Brasil.
  57. O brasileiro é um feriado.
  58. O brasileiro, quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte.
  59. O cardiologista não tem, como o analista, dez anos para curar o doente. Ou melhor: – dez anos para não curar. Não há no enfarte a paciência das neuroses.
  60. O casamento é o máximo da solidão com a mínima privacidade.
  61. O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota.
  62. O homem começa a morrer na sua primeira experiência sexual.
  63. O homem não nasceu para ser grande. Um mínimo de grandeza já o desumaniza. Por exemplo: — um ministro. Não é nada, dirão. Mas o fato de ser ministro já o empalha. É como se ele tivesse algodão por dentro, e não entranhas vivas.
  64. O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da imaturidade.
  65. O morto esquecido é o único que repousa em paz.
  66. O marido não deve ser o último a saber. O marido não deve saber nunca.
  67. O Natal já foi festa, já foi um profundo gesto de amor. Hoje, o Natal é um orçamento.
  68. O ônibus apinhado é o túmulo do pudor.
  69. O pudor é a mais afrodisíaca das virtudes.
  70. O puro é capaz de abjeções inesperadas e totais e o obsceno, de incoerências deslumbrantes. Somos aquela pureza e somos aquela miséria. Ora aparecemos varados de luz, como um santo de vitral, ora surgimos como faunos de tapete.
  71. O sábado é uma ilusão.
  72. O Ser Humano, tal como imaginamos, não existe.
  73. Os homens mentiriam menos se as mulheres fizessem menos perguntas.
  74. Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.
  75. Perfeição é coisa de menininha tocadora de piano.
  76. Qualquer menino parece, hoje, um experimentado e perverso anão de 47 anos.
  77. Quem nunca desejou morrer com o ser amado nunca amou, nem sabe o que é amar.
  78. Se Euclides da Cunha fosse vivo teria preferido o Flamengo a Canudos para contar a história do povo brasileiro.
  79. Se os fatos são contra mim, pior para os fatos.
  80. Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.
  81. Sem paixão não dá nem para chupar picolé.
  82. Sexta feira é o dia em que a virtude prevarica.
  83. Só acredito nas pessoas que ainda se ruborizam.
  84. Só não estamos de quatro, urrando no bosque, porque o sentimento de culpa nos salva.
  85. Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata.
  86. Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo podia-se andar nu.
  87. Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta.
  88. Subdesenvolvimento não se improvisa; é obra de séculos.
  89. Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante.
  90. Toda coerência é, no mínimo, suspeita.
  91. Toda mulher bonita leva em si, como uma lesão da alma, o ressentimento. É uma ressentida contra si mesma.
  92. Toda mulher bonita tem um pouco de namorada lésbica em si mesmo.
  93. Toda mulher gosta de apanhar. Só as neuróticas reagem.
  94. Toda unanimidade é burra.
  95. Todas as mulheres deviam ter catorze anos.
  96. Todo amor é eterno. Se não é eterno, não era amor.
  97. Todo desejo é vil.
  98. Todo tímido é candidato a um crime sexual.
  99. Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhoras que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém.
  100.  Um filho, numa mulher, é uma transformação. Até uma cretina, quando tem um filho, melhora.
 Texto de Paulo Nogueira
 

 Entrevista histórica de Nelson Rodrigues – Otto Lara Resende –

 
 

VOA!

 

tumblr_l8c2cdOK9M1qb0n4ho1_400

 

São muitos os voos que queremos alçar. Anseios de liberdade. De independência.
Desejos amorosos. Períodos sabáticos. Sonhos com o norte e tantas direções…
Confortos afetivos, aproveitar melhor os sentidos. São tantos sentimentos que
solicitam um voo alto que os liberte, ou os faça alcançar aquilo que falta, aquilo
que grita, aquilo que alegra…

Tantas metáforas contidas num único voo. Nietzsche, um traçador de rotas
metafóricas tem uma das mais brilhantes sobre como aprender a voar:
‘Quem deseja aprender a voar deve primeiro aprender a caminhar, a correr,
a escalar e a dançar. Não se aprende a voar voando.’

A gente quer da vida o voo das coisas mais leves e todas as suas delícias.
Ao contrário do voo, não se aprende a viver senão vivendo. Para voar é
preciso viver com vontade, vontade que é o nome que a vida dá para as
suas asas que nos abraçam e nos tiram pra dançar:Confiança e vontade.

E agarrar-se com força nas asas da vida que tudo ensina.Inclusive, voar.

Manoel de Barros

Imagem do documentário Só dez por cento é mentira

Manoel de Barros jamais gostou de ser chamado de “poeta do Pantanal” ou, pior ainda, “poeta pantaneiro”. ele diz que pela primeira vez usou a palavra Pantanal num verso, pois considera o Livro de Pré-Coisas (1985) uma espécie de roteiro poético. Está ali, no sexto e último poema da primeira parte do livro  “As águas são a epifania da criação./ Agora eu penso nas águas do Pantanal.” E um pouco adiante: “Penso com humildade que fui convidado para o banquete dessas águas. Porque sou de bugre. Porque sou de brejo.” Mas não é à beira d’água ou no brejo que o poeta mora, e sim numa casa de muros de tijolos na zona norte de Campo Grande, de quase nenhum quintal.

‘Eu queria usar palavras de ave para escrever’, diz um verso do poeta Manoel de Barros

“Lá tem muito mosquito”, diz ao justificar por que não mora no Pantanal. É como se quisesse guardar apenas na geografia da infância sua ligação com rios, bichos e plantas. Até os 8 anos, morou numa fazenda perto de Corumbá, em cujo chão brincou com as criaturas que tanto aparecem em sua poesia: sapos, formigas, lesmas, passarinhos, borboletas. Quando adulto, nos anos 50, morou ali por mais dez anos sem escrever um verso sequer – até que pudesse “financiar o ócio”, ou seja, ter dinheiro para se mudar e sobreviver como poeta. Nos outros 65 anos de vida, só morou em cidades: Rio, que diz até hoje adorar, e Campo Grande, que preferiu a Cuiabá pelo clima menos impiedoso. O poeta pantaneiro, quem diria, gosta de asfalto.

Quando entra no pequeno escritório no andar de cima da casa, graceja: “Aqui é meu lugar de fazer o inútil.” Eis seus livros, de assuntos como linguística, cinema e, claro, poesia – como a antologia de haicai que lê no momento -, e uma escrivaninha de madeira, diante de uma gravura de seu amigo Siron Franco que lembra as pinturas de seu admirado Paul Klee. Das gavetinhas à sua frente, ele tira algumas pilhas de cadernetas, blocos de papel cujas capas ele mesmo faz com recortes de fotos e quadros. “Tenho uns 200 cadernos aqui”, conta. “Acho que não aproveitei nem 2% destes textos.” A letra de Manoel de Barros é como sua figura e sua poesia: miúda, delicada, brejeira.

“Poesia é trabalho”, afirma. Todo dia, às 7 da manhã, ele bate ponto neste ambiente que não chega a 10 m², com janela que dá vista para o telhado vizinho e um ar-condicionado que hoje, apesar do calor suarento, está desligado. Escreve seus versos, lê, medita até a hora em que sua mulher, Stella, o chama para o almoço. Se a marca de sua infância foi a sensação de solidão, lá “no abandono do Pantanal”, agora o poeta está sempre acompanhado; além da mulher, os netos e bisnetos aparecem com frequência. Quanto à fazenda da família, no norte de Mato Grosso do Sul, às margens do Rio Taquari, é administrada por “um amigo” e Manoel raramente a visita (“Faz mais de dois anos que não vou”). No mais, vê na TV filmes (europeus, sobretudo) e futebol (a bandeira na escada entrega: é Botafogo), descansa, conversa e não se sente à vontade com a vida prática. “Sou analfabeto no resto”, confessa – e nem pescar ele sabe.

A alfabetização foi na infância, com uma tia, que visitou o rancho onde os pais de Manoel criavam seus seis filhos e levou cartilhas e lápis. O pai era responsável por construir as cercas das terras do irmão e, durante três anos, passava cada noite com a família em um acampamento diferente. “Fui criado assim, no chão, no meio do sertão brabo”, relembra. “Vivia brincando com lagartixas, gafanhotos e sapos, perto das lagoas. Minha mãe me deixava no chão, mascando um naco de carne.” Só depois, na sede da fazenda, aprendeu as primeiras letras e se acostumou a ouvir a mãe tocar violino. Aos 8, veio para Campo Grande estudar num internato. Embora nascido em Cuiabá, onde viveu apenas alguns meses, Manoel passou a maior parte da existência em Mato Grosso do Sul. Mas foi na capital de Mato Grosso que conheceu Bernardo, um menino “parvo, de voz abortada”, único que se dava bem com uma “tia maluca, sempre presa no quarto” e que aparece como seu alter ego nos poemas, por sua “inocência e mansidão”.

Casado em 1947, foi fazer a vida no Rio, formado em Direito. Na primeira audiência, a timidez era tanta que o jovem advogado vomitou na mesa do juiz cujo nome jamais esqueceu, Epaminondas. Melhor lembrança teve do ano em que, depois de visitar aldeias indígenas no Brasil e na Bolívia, foi para Nova York se educar. Visitou museus, onde, além de Klee, descobriu Picasso, Klimt e muitos outros; frequentou cinematecas, onde adquiriu gosto por Buñuel e Fellini; e leu os poetas americanos, como T.S. Eliot. “Mas eu já tinha meus preferidos antes.” Na Biblioteca Nacional, no Rio, lera Rimbaud, Baudelaire, Mallarmé, Fernando Pessoa; entre os brasileiros, Drummond e Bandeira, uma de suas maiores influências. Conheceu pessoalmente ambos, assim como Rubem Braga, outro “homem da natureza”, e muitos escritores e artistas. Mas diz não gostar de intelectuais, “muito pretensiosos, pomposos”.

O grande acontecimento da sua vida, porém, se chamou João Guimarães Rosa. Manoel não lembra qual foi o ano em que o leu pela primeira vez, mas lembra bem o título – Sagarana (1946) – e a sensação deixada: “Eu fiquei roseado.” Manoel já era maduro e tinha alguns livros publicados, nos quais vê “o desejo de desconstruir a linguagem”, mas Rosa foi o pulo do sapo. Conta com discreto orgulho uma vez que se encontrou com o mestre, em 1960, por meio do diplomata Mario Calabria. Deu a ele o Compêndio para Uso dos Pássaros, então recém-publicado, e Rosa o leu imediata e calmamente, à frente dos dois amigos. Terminou, sorriu e resumiu: “Manoel, é um doce.” Antes, a bordo de um navio a caminho de Corumbá, tinha trocado apenas umas poucas palavras com Rosa, cercado de um séquito de amigos e brandindo um leque de buriti boliviano. O assunto da breve conversa? Passarinhos, claro.

A prosa de João deu asas à poesia de Manoel. Além das semelhanças de universo infantil sertanejo (“Mas o pantaneiro é mais pacífico que os jagunços; só usa arma para matar jacaré e queixada”), aponta acima de tudo “a paixão pelas palavras”. É o mesmo motivo por que rejeita rótulos como “regionalista”, que de vez em quando tentam colar em sua poesia. “Minha poesia é feita de palavras, não de paisagens”, diz, ressalvando a seguir que não pode fugir às suas origens: “Ela é também impregnada da água e do solo da minha infância.” Eis a explicação para um dos aforismos que estão na segunda parte do novo livro, Menino do Mato, e o qual Rosa muito possivelmente assinaria: “A poesia é a infância da linguagem.”

Outra opinião de Rosa que recorda é a de que ele, Manoel, era um poeta que reinventa imagens e ele, Rosa, a sintaxe. Esse talento para imagens, como “a formiga ajoelhada na pedra” ou “quero passar a mão na bunda do vento”, com um toque surreal de concretude, começou a se mostrar maduro depois de Rosa, em trabalhos como Gramática Expositiva do Chão (1966), e por isso despertou a admiração de Millôr Fernandes (“O homem mais genial do Brasil”, segundo Manoel), cujos textos o fizeram nacionalmente conhecido depois de publicar o Livro de Pré-Coisas. A partir dali começou a publicar com maior assiduidade: cinco livros nos anos 90, seis na primeira década deste século.

Irregular e por vezes especiosa ou melosa (“Para chegar a Deus. Formigas me mostraram Ele”), sua poesia atinge momentos de grandeza como: “Estou apto a trapo!/ A gente é rascunho de pássaro/ Não acabaram de fazer…” (Gramática). Ou: “Minhocas arejam a terra; poetas, a linguagem” (Livro de Pré-Coisas). Ou um quase haicai como: “Folha seca viaja/ pelo rio – um rã sentado nela/ Escolhe nuvens./ Nas nuvens um incêndio de garças” (O Guardador de Águas, 1989). Ou: “A maior riqueza do homem é a sua incompletude./ Nesse ponto sou abastado” (Retrato do Artista Quando Coisa, 1998). E sobretudo nas imagens que vêm do chão de sua infância, desse Manoel do barro: “Caracóis não gosmam em latas” (Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo, 2001).

Surpreso com a pergunta sobre a palavra mais bonita do idioma, Manoel não surpreendeu com a resposta: “criança”. Com dúvida aberta para “borboleta”.

FONTE- Estadão e http://www.campograndenews.com.br

Vincent Van Gogh – O artista maldito.

Vincent van Gogh. Self-Portrait in a Grey Felt Hat.


Na região do Brabante holandês, em Groot Zundert, a 30 de março de 1853, nasce este gênio da pintura, cuja obra só foi possível graças a enorme confiança depositada em seu próprio destino e da ajuda do irmão Theo. O pai,Theodore van Gogh, era pastor, a mãe, Anna-Cornelia Carbentus, era filha de um encadernador da corte. Família honrada, antiga1 tradicional, mas pobre. Desde o século XVI, os van Gogh eram eminentes burgueses, com certo pendor pelas artes. Vincent era o primogênito de seis irmãos. Pouco sociável, gênio arredio gostava de vagar pelos campos, demonstrando amor à natureza. Nenhum irmão, a não ser Theo, quatro anos mais moço, consegue fazer-lhe companhia em suas solitárias incursões ecológicas. Este relacionamento fraterno será permanente por toda sua curta vida, sensibilizando a aqueles que, porventura, tiverem as mãos às cartas de Vincent a Theo. Aos 16 anos, o jovem Vincent van Gogh consegue empregar-se na Casa Goupil, em Haia, estabelecimento francês na Holanda1 importante galeria de arte. Assim, van Gogh deixa para trás o seu sempre nublado de sua aldeia, a sombria e triste Groot Zundert, sua nervosa mãe e o severo calvinista, seu pai. Deixa mais: a infância melancólica,o tédio de menino triste e solitário. Vincent sente-se desajustado em seu lar, em sua terra, naquela sociedade repressora. Sabe disso. Ao aceitar o convite de um tio, gerente da Casa Goupil, sabia que estava fugindo de tudo isso. Permanece em Haia por três anos, de 1869 a 1871. Neste ano e enviado a filial de Bruxelas, onde fica dois anos. Depois, sempre em busca de conhecer novos mundos, segue para a Goupil de Londres, onde fica por mais dois anos, quando sente a necessidade de exprimir-se, desenhando cenas do Tamisa em suas horas vagas. Primeira decepção: apaixona-se por Úrsula, filha da dona da pensão onde mora, mas e repelido. Em meados de 1874 volta à Holanda.

O pai percebe-o sombrio e atormentado. A falta de sol enerva-o. Sonha com Paris. Uma idéia fixa, reforçada pela imagem que emana da Cidade-Luz,a capital das artes. Em 1875, van Gogh consegue transferência para Paris. Tudo o encanta, cada vez mais seduzindo-o e canalizando seu espírito para a arte: lê Flaubert, Dumas, Hugo, Rimbaud, Baudelaire. Admira as românticas cenas campestres de Courbet e Os heróis épicos de Delacroix, Os pintores de maior sucesso de venda na época. Mas odeia o emprego, que o impede de viver em plenitude. Em vez de vender telas na Goupil, freqüenta outras galerias, lê livros sobre arte, forma opinião própria; e o pior: discute com a clientela. Em abril de 1876 é demitido. Tem 22 anos, muitas decepções,algumas ilusões e nenhum piano para o futuro. O remédio e retornar a casa dos pais, agora na cidadezinha de Etten. Mas o rebelde Vincent d nada representa, senão decepção para o pai, desilusão para a nervosa mãe. Só o irmão Theo o compreende. É extremamente depressivo o ano de 1876 para o jovem Vincent van Gogh. Sofre crises nervosas seguidas e longos períodos de mutismo e solidão, resultando em profundo misticismo. Seu fervor religioso e de tal ordem que o próprio pai, pastor, o considera exagerado.O jovem van Gogh novamente está empreendendo o caminho da fuga da sociedade, da família, da realidade que o cerca. Primeiro foge para Londres, onde pretendia ensinar francês e alemão em escolas, mas não domina tais idiomas para ensiná-los. Volta à Holanda, trabalhando por três meses numa livraria em Dordrecht. Decide seguir a carreira do pai: será pastor,mas entre os pobres. A miséria me atrai” – escreve ao irmão Theo.

Reprovado no Seminário Teológico da Universidade de Amsterdã, consegue lugar de pregador missionário nas minas de carvão de Borinage, Bélgica. Os mineiros desconfiam daquele homem estranho que, além do mais não segue as ordens de seus superiores. É demitido em julho de 1879, poucos meses depois de sua experiência evangélica. Perde a fé e a saúde. Volta para casa. Certifica-se de que aquela não e sua vocação. Tem 26 anos. Instala-se em Cuesmes. Na solidão,desenha cenas de memória de Borinage. Começa seu despertar: quer ser pintor. Para isso começa a viver da pequena mesada mandada por Theo. Van Gogh caminha sem destino, mochila às costas, parando aqui e ali, sob o vento frio e cortante do inverno. Dorme à beira de caminhos, em celeiros, debaixo de carroças,mas sempre desenhando. Escreve a Theo em julho de 1880 uma carta no qual descreve a angústia em que se encontra. Theo, emocionado, resolve dedicar-se ao irmão a vida toda, sabendo-o pintor por destino. Nessa altura, Vincent encontra-se em Bruxelas, estudando anatomia e desenhando muito. Escreve a Theo pretender “Uma arte de homens”, e muda-se para Haia, onde estuda com Anton Mauve. Mas briga com Mauve, pois desgosta-se das regras acadêmicas. “Não quero pintar quadros,quero pintar a vida” – escreve ao irmão. Vida para Van Gogh são paisagens e gente; camponeses e mineiros, campos e trigais. O pintor Mauve o encoraja; O pai o inibe. Sua modelo – Christiane – o acolhe. Apesar de enfatizar em carta a Theo: “Encontro em mim uma harmonia e uma musicalidade calma e pura”, suas telas são sombrias, pesadas, cinzentas. Christiane abandona-o. A criança que deu a luz morre; setembro de 1883. Volta pela última vez à casa paterna,alugando depois um atelier de um sacristão católico. Seu gênio emerge em toda plenitude.

Seu destino são as cores,pinta retratos, paisagens,com toda confiança em si e em seu futuro. Não concede tréguas ao seu corpo exausto da batalha de pintar. Outra decepção amorosa: noivado desfeito pelos pais da moça. No dia 27 de março de 1885, o pastor Theodore van Gogh morre à porta de sua casa. A perda do pai mortifica-o, deixa a Holanda e segue para Antuerpia, Bélgica. Nesta cidade uma dupla revelação: a pintura de Rubens e as estampas japonesas. Vincent van Gogh,aos 32 anos, emociona-se às lagrimas. As etapas de sua vida se precipitam. Em março de 1886, Vincent está em Paris. Reencontra Theo, diretor da Casa Goupil, rua Montmartre. O irmão acolhe van Gogh como a uma criança. Passam a morar juntos no pequeno apartamento de Theo rua Laval, hoje Jean Massé. Vincent freqüenta a loja de Pai Tanguy,onde encontra trabalhos de Hokussai, Hiroshige e Utamaro. Fica impressionado pela “nova maneira de representar os objetos e o espaço”. Pinta o retrato de Pai Tanguy,um quadro composto por partes, possuidoras de valores tonais distintos, mas formando um todo. Conhece Toulouse-Lautrec, familiariza-se com os impressionistas – Monet, Renoir, Pissarro. Mais tarde torna-se intimo de Gauguin. Em todos os cafés discute-se o impressionismo. Depois, o neo-­impressionismo ou pontilhismo de Seurat. Vincent torna a prática de construir a figura por meio de pequenos toques coloridos, divididos na tela, mas recompostos oticamente pela visão dos pontilhistas; e dos impressionistas torna a arbitrariedade da cor e pinta o Auto-retrato e mais 200 quadros em dois anos. A saúde precária de van Gogh não resiste a esses dois anos de vida trepidante em Paris. Toulouse-Lautrec aconselha-o a ir para a Provença. Em fevereiro de 1888 já está em Arles, pintando ao ar livre. Vida calma, tranqüila, colorida. Retrata o trabalho do campo: trigais, montes de feno, carroças, hortas, ao longe montanhas azuis. Ao chegar o sol de verão, porém, van Gogh entra na fase mais furiosa, perturbadora e produtiva de sua carreira. Liberta o colorido. “Serei um colorista arbitrário.” A luz ilumina Os girassóis fazendo desta planta seu tema predileto: “Eu quero a luz que vem de dentro, quero as cores representando emoções”. Gauguin chega em outubro daquele ano para trabalharem lado a lado. Dois meses de trabalho duro e fértil para ambos. Mas diferenças de comportamento entre os dois terminam em luta corporal. Gauguin é mais forte. Vincent sofre descontrole muscular, e em crise corta um pedaço da orelha, enviando-o para a mulher, motivo da briga.

É recolhido ao Hospital Saint-Paul para doentes nervosos. Volta para casa e pinta: “Auto-retrato com a Orelha Cortada”. Seu olhar (na tela) é de espanto,mágoa,melancolia. As crises se sucedem com freqüência. Trabalha com vigor e fúria, mas Theo não consegue vender suas telas. Em maio de 1889, van Gogh pede ao irmão que o interne. Internado em Saint-Rémy, continua a pintar a vida à sua volta:doentes,celas, o pátio, os médicos. Pinta paisagens vigiada por um guarda; com fervor,intensamente. Escreve a Theo: “Na vida de um artista,a morte talvez não seja a coisa mais difícil”. Suas paisagens são agressivas. Em suas crises, rala no chão, fala com demônios, alucinações místicas: ouve anjos. Theo, chamado, não pode visitá-lo:sua mulher espera a primeira filha. Pede a Signac que vá em seu lugar. Signac fica impressionado com a pintura de van Gogh. O jornal Mercure de France publica elogias entusiásticos. Exposição em Bruxelas, na Casa Goupil, agita a imprensa de toda a Europa, mas só é vendida uma tela: A Vinha Vermelha, o único quadro comprado em vida de Vincent. Theo consegue tratamento com o Dr. Gachet,psiquiatra, pintor e amigo dos artistas. Van Gogh deixa Saint ­Rémy em 1890 visita o irmão e segue para Auvers. O caso e grave. O Dr. Gachet compra tinta e telas, e deixa o pintor à vontade. Van Gogh pinta “Os Ciprestes”, “Trigal com Corvos” e “Retrato do Dr. Gachet”,todos com pinceladas violentas, mas sem dúvida as melhores obras de van Gogh. Seus últimos quadros atestam total rompimento com a realidade objetiva. Trigais turbulentos, ciprestes trêmulos, oliveiras torcidas, há angústia,dor, sofrimento nessas obras. A paranóia aumenta: acusa o Dr. Gachet de querer matá-lo. Melhora. Vai a Paris em busca dos amigos – Toulouse-Lautrec,Bernard, mas não procura Theo, também acusado de “mantê-lo afastado”. Volta a Auvers. No dia 27 de julho de 1890 sai para o campo de trigo com um revólver. E domingo. Pinta seu último quadro. O trigo está dourado, o céu totalmente azul. Corvos pretos grasnam, fugindo em revoada. No meio do campo, um tiro no peito. Socorrido pelo filho do Dr. Gachet, aguarda lúcido a chegada de Theo. Morre dia 29, dizendo a Theo: A miséria não tem fim.

Conheçam algumas telas!

Starry Night

Starry Night

Noite Estrelada Sobre o Rhone

Starry Night Over the Rhone

Still Life com uma cesta de maçãs

Still Life with a Basket of Apples

Still Life com uma cesta de batatas, Rodeado por Autumn Leaves e Legumes

Still Life with a Basket of Potatoes, Surrounded by Autumn Leaves and Vegetables

Paisagem de Outono 1885

Autumn Landscape 1885

A Ponte Langlois em Arles 1888

The Langlois Bridge at Arles 1888

Um par de sapatos 1887

A Pair of Shoes 1887

Irises

Irises

Os tosquiadores

The Sheep-Shearers

A Pastora

The Shepherdess

O Fumante

The Smoker

O Semeador

The Sower

O Spinner

The Spinner

Still Life com uma tigela de barro e pêras

Still Life with an Earthen Bowl and Pears

Natureza morta com Bíblia

Still Life with Bible

Still Life com garrafas e faiança

Still Life with Bottles and Earthenware

Still Life com tamancos e Potes

Still Life with Clogs and Pots

Still Life com Decanter e limões em uma Placa

Still Life with Decanter and Lemons on a Plate

Still Life com barro , garrafas e Tamancos

Still Life with Earthenware, Bottle and Clogs

Natureza-Morta com Cinco Garrafas

Still Life with Five Bottles

Natureza morta com uvas

Still Life with Grapes

Natureza morta com três pássaros ninhos

Still Life with Three Birds

Natureza morta com dois potes e duas abóboras

Still Life with Two Jars and Two Pumpkins

Still Life : Bowl com Margaridas

Still Life: Bowl with Daisies

Still Life : Vaso japonês com Rosas e anêmonas

Still Life: Japanese Vase with Roses and Anemones

Retrato de um homem velho com barba

Portrait of an Old Man with Beard

Retrato do Doutor Gachet

Portrait of Doctor Gachet

Retrato de Milliet , segundo tenente da zuavos

Portrait of Milliet; Second Lieutenant of the Zouaves

Retrato de Escalier paciência; Shepherd na Provence

Portrait of Patience Escalier; Shepherd in Provence

Retrato de Père Tanguy

Portrait of Père Tanguy

Retrato do negociante de arte de Alexander Reid

Portrait of the Art Dealer Alexander Reid

Auto-retrato com chapéu de feltro escuro na armação

Self-Portrait with Dark Felt Hat at the Easel

Auto-Retrato com Cachimbo

Self-Portrait with Pipe

Auto-Retrato com Chapéu de Palha

Self-Portrait with Straw Hat

Auto-Retrato

Self-Portrait

Memória do Jardim em Etten

Memory of the Garden at Etten

Montmartre: Pedreira , a Mills

Montmartre: Quarry, the Mills

Paisagem montanhosa Atrás Hospital Saint -Paul

Mountainous Landscape Behind Saint-Paul Hospital

O Café Night no Place Lamartine em Arles

The Night Cafe in the Place Lamartine in Arles

Meio-dia : descanso do trabalho

Noon: Rest from Work

A Torre da Igreja Velha em Nuenen

The Old Church Tower at Nuenen

Torre da Igreja Velha em Nuenen

Old Church Tower at Nuenen

Old Man in Sorrow ( No Limiar da Eternidade )

Old Man in Sorrow (On the Threshold of Eternity)

The Old Mill

The Old Mill

A Torre Velha , em Campos

The Old Tower in the Fields

Olive Grove

Olive Grove

Retrato da Paciência Escalier

Portrait of Patience Escalier

Quintais de casas antigas em Antuérpia na Neve

Backyards of old Houses in Antwerp in the Snow

O De Ruijterkade em Amsterdam

The De Ruijterkade in Amsterdam

Acampamento de ciganos com caravanas

Encampment of Gypsies with Caravans

 

Fonte-http://www.abcgallery.com/

Homem feminino – Carlos Nader

Tumblr_lujnrlyyxo1qhup4ao1_1280_large

Nosso colunista alerta: está faltando mulherzinha nos homens. E, veja só, nas mulheres também…

Eu era daqueles homens que poderiam ter um adesivo no vidro do carro: “Eu Também Jogo Toalha Molhada na Cama”. Era mais forte do que eu. Um instinto irresistível, diretamente ligado ao cromossomo Y.

Não tinha jeito. Eu saía do banho, pensando em tudo que tinha que fazer durante o dia, todo o trabalho que me esperava, e, quando via, já tinha jogado a toalha. Sempre assim. As aranhas teciam suas teias, os deputados teciam suas tramóias e eu jogava uma toalha molhada na minha própria cama.

Com o tempo, eu me regenerei, iluminado por uma aparição de Nossa Senhora do Apocalipse. Arremesso de toalha na cama é um gesto que tem ligação direta com o fim do mundo. É. Homem, em geral, não sabe cuidar da casa. Nem da própria, nem da de todos. A história ambiental da Terra é lotada de homens jogando toalhas sujas em camas limpas.

Um petroleiro vaza no Alasca. Uma usina atômica vaza na Rússia. Um litro de mercúrio de garimpeiro vaza para um rio da Amazônia. Nenhuma dessas cenas é fruto de uma maldade programada, dolosa. Como a toalha na cama, o acidente ecológico resulta sempre de um descaso autodestrutivo, vindo de gente que está mais preocupada em conquistar algo lá fora do que em preservar algo aqui dentro. Homens, em geral.

Não fere o meu lado masculino
É claro que existem homens que cuidam da casa. E mulheres que conquistam o mundo. É só olhar para qualquer Madonna Louise armada de um microfone ou qualquer dona Maria armada de uma direção de carro: as mulheres não são necessariamente um poço natural de bondade e abnegação.

Tem aquela frase do Mencken que diz que só existe uma coisa em que homens e mulheres concordam. Nenhum dos dois confia nas mulheres. A frase não é minha, mas eu também rejeito qualquer tipo de populismo sexual, qualquer demagogia de gênero. Homem que só fica elogiando o papel das mulheres no mundo está geralmente querendo jogá-las no mesmo lugar onde joga a toalha molhada.

O que defendo não é grande novidade: acho que falta energia feminina no mundo. Não só ao lado dos homens, mas também dentro deles. Correndo por fora desde os anos 60, a maioria das mulheres não teve medo de realizar seu lado masculino. Inclusive com certo exagero, às vezes. Mas o fato é que há pouca mulher mulherzinha hoje em dia. Enquanto isso, a maioria dos homens continua homenzinha demais.

O equilíbrio ambiental do planeta passa pelo balanço mais justo dessas energias vitais. O feminino, mesmo dentro de um menino, gosta de brincar de casinha, dentro da casinha. E o masculino, mesmo no coração de uma menina, gosta de brincar de construir e destruir casinhas.

Está faltando pulso feminino no mundo, enquanto há mundo. As mulheres ficaram mais homens. Os homens precisam ficar mais mulheres. Ficar mais mulher é coisa para macho.

*Carlos Nader, 41, ainda não jogou a toalha. Seu e-mail é: carlos_nader@hotmail.com

Fonte- Revista Trip

%d blogueiros gostam disto: