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FIBROMIALGIA – A Dor Maldita.

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O QUE É FIBROMIALGIA?

A Fibromialgia é uma das doenças reumatológicas mais frequentes. É caracterizada por dor muscular generalizada no corpo acompanhada de sintomas de fadiga, e alterações de sono, memória e humor.

Os sintomas podem começar após um trauma físico, uma cirurgia, uma infecção ou uma tensão psicológica significativa. Em outros casos, os sintomas se acumulam gradualmente ao longo do tempo sem que se consiga determinar os fatos geradores. As mulheres são cerca de 10 vezes mais propensas a desenvolver a Fibromialgia do que os homens.

Muitas pessoas que têm Fibromialgia também podem apresentar dores de cabeça tensionais, disfunção da articulação temporomandibular, síndrome do intestino irritável, ansiedade e depressão.

Embora não haja cura para a Fibromialgia, uma variedade de medicamentos e outros tipos de tratamentos podem ajudar a controlar os sintomas.

PRINCIPAIS SINTOMAS

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DOR GENERALIZADA

A dor associada à Fibromialgia muitas vezes é descrita como uma dor difícil de caracterizar, nem forte nem aguda, que poderíamos chamar de dor “cansada” e constante, com duração de pelo menos três meses. Para ser considerada generalizada, a dor deve ocorrer em ambos os lados do corpo e acima e abaixo da cintura.

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FADIGA

Pessoas com Fibromialgia muitas vezes despertam cansadas, mesmo que tenham dormido por longos períodos. Muitas vezes o paciente até dorme um bom número de horas, mas acorda cansado – é o famoso “sono não reparador”. Muitos pacientes com Fibromialgia têm outros distúrbios do sono, como a síndrome das pernas inquietas e apneia do sono.

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DIFICULDADES COGNITIVAS

Lacunas de memória, conhecido por muitos como “Fibro Fog” ou “Névoa Fibro” é um termo usado para descrever os prejuízos da memória vividos por uma parte das pessoas que sofrem de Fibromialgia. Pode incluir perda de memória de fixação, falta de concentração e raciocínio prejudicado, assim como problemas de linguagem, tais como dificuldade para se recordar e falar palavras comuns.

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OUTROS PROBLEMAS

Muitas pessoas que têm Fibromialgia também podem sofrer de depressão, dores de cabeça, e dor ou cólicas no abdome inferior.

Referência: Sociedade Brasileira de Reumatologia

 

 

CAUSAS

Até agora as pesquisas não conseguiram determinar a causa da Fibromialgia, mas provavelmente envolve uma variedade de fatores trabalhando juntos.

Possivelmente existem causas genéticas, uma vez que casos de Fibromialgia tendem a ocorrer em família. Podem haver certas mutações genéticas que tornariam o portador mais suscetível a desenvolver o transtorno. Entretanto, até agora não foi descoberto o gene causador da doença.

Algumas infecções parecem desencadear ou agravar a Fibromialgia.
Transtorno de estresse pós-traumático também tem sido associada à Fibromialgia.

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POR QUE DÓI?

Os investigadores acreditam que a estimulação repetida do nervo faz com que o cérebro de pessoas com Fibromialgia se modifique.

Esta mudança envolve um aumento anormal dos níveis de certas substâncias químicas que sinalizam dor (neurotransmissores). Além disso, os receptores de dor do cérebro parecem desenvolver uma espécie de memória da dor e tornam-se mais sensíveis, o que significa que podem reagir exageradamente a sinais de dor.

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FATORES DE RISCO

Gênero: A Fibromialgia é de 8 a 10 vezes mais frequente em mulheres do que em homens.

História familiar: Existe maior chance de ocorrer Fibromialgia em pacientes que tenham familiares com esse diagnóstico.

Doença reumática: Pacientes com algumas doenças reumáticas, como artrite reumatoide ou lúpus eritematoso, podem ser mais propensos a desenvolver a Fibromialgia.

DIAGNÓSTICO

Uma vez que muitos dos sinais e sintomas da Fibromialgia são semelhantes a várias outras doenças, é muito comum que os pacientes passem por vários médicos antes de terem o seu diagnóstico confirmado.

Em alguns casos, o paciente pode ser encaminhado a um reumatologista.

Uma vez que não existem testes específicos para a Fibromialgia, o diagnóstico é essencialmente clínico. Os exames laboratoriais e radiológicos são utilizados para avaliar as condições gerais dos pacientes e para afastar outras doenças causadoras de dor.

A história clínica e o exame físico cuidadoso são fundamentais para se fechar o diagnóstico.

O diagnóstico realiza-se através de pressão com os dedos em 18 pontos específicos do corpo. O critério de resposta dolorosa, em pelo menos 11 desses 18 pontos, é recomendado como proposta de classificação, mas não deve ser considerado como essencial para o diagnóstico.

Além disso, um diagnóstico de Fibromialgia pode ser sugerido se uma pessoa teve dor generalizada por mais de três meses – sem condição médica subjacente que poderia causar a dor.

DORES PELO CORPO

Dignostico
Dignostic Body

Referência: The American Fibromyalgia Syndrome Association (AFSA)

PREPARANDO-SE PARA A CONSULTA MÉDICA

Antes da consulta, seria interessante preparar uma lista dos seus sintomas e das dúvidas a serem perguntadas durante as consultas que devem incluir:

1- Descrições detalhadas dos seus sintomas.
2- Informações sobre problemas de saúde que você teve no passado.
3- Informações sobre os problemas de saúde de seus pais ou irmãos.

4- Todos os medicamentos e suplementos dietéticos que você toma, inclusive chás e outros hábitos.
5- Perguntas que você quer fazer ao médico.
6- O que você está esperando do seu médico.

 

 

TRATAMENTO DA FIBROMIALGIA

Uma vez que não existe um tratamento específico para a Fibromialgia, a ênfase está em minimizar os sintomas e melhorar a saúde geral.

O tratamento tem como objetivo o alívio da dor, a melhora da qualidade do sono, a manutenção ou restabelecimento do equilíbrio emocional, a melhora do condicionamento físico e da fadiga e o tratamento específico de desordens associadas.

A atitude do paciente é um fator determinante na evolução da doença. Para tanto é muito importante entender e lidar com os sintomas diversos de sua doença. O primeiro passo é tirar todas as suas dúvidas com o seu médico ou com grupos de apoio a pacientes com Fibromialgia.

ANTES DE FAZER QUALQUER TRATAMENTO

CONSULTE O SEU MÉDICO

Referência: Sociedade Brasileira de Reumatologia

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Eu tenho Fibromialgia

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Inicio este post com a certeza hoje de que a dor que sinto diariamente há anos  não é uma frescura , desculpa, covardia. Ouvi isso durante anos de algumas pessoas.

Fiz todos os exames e por exclusão descobri que tenho Fibromialgia e que além de tudo o que estou enfrentando este ano , a fibromialgia também me coloca a prova. Eu não vou cair. Eu não vou ser covarde. Vou enfrentar tudo e vou sobreviver…Deus vai me ajudar a superar TUDO.

Este texto foi retirado do site do Doutor Dráuzio Valera , vale a pena ler:

Durante décadas, pacientes com fibromialgia visitaram consultórios de diferentes especialidades procurando alívio para suas dores. Questionados sobre o local da dor, era comum a resposta “pergunte-me onde não dói”. Os exames, entretanto, não revelavam nada: nenhuma lesão muscular, nenhuma inflamação. O paciente peregrinava de clínicos para reumatologistas até, enfim, chegar a um psicólogo, às vezes convencido de que a dor só existia na sua imaginação.

Como as dores geralmente são musculares ou localizam-se nas articulações, durante muito tempo cabia aos reumatologistas investigá-las. Porém, estudos apontam que esta seria uma doença da área dos neurologistas. O cérebro de quem tem fibromialgia processaria a dor de maneira exagerada. Estima-se que uma pressão de até quatro quilos não provoque dor na maioria das pessoas, mas bem menos que isso já é suficiente para disparar dor intensa em quem tem a doença.

“Desde a década de 1980 já havia estudos mostrando que pacientes com fibromialgia tinham neurotransmissores de dor, como a substância P (de “pain, “dor” em inglês), em maior quantidade. Dos anos 2000 para cá, com o avanço da neurociência, passou a ser possível mostrar em exames essa diferença”, explica o dr. Eduardo dos Santos Paiva, presidente da Comissão de Dor, Fibromialgia e outras Síndromes de Partes Moles da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Cérebro de paciente com fibromialgia à direita apresenta maior reação à dor.

 

SINTOMAS E DIAGNÓSTICO

É possível detectar a reação exagerada do cérebro a estímulos por meio de uma Ressonância Magnética Funcional, mas esse é um exame extremamente caro e trabalhoso e exige profissionais especializados e experientes para ser realizado, o que faz com que não seja aplicado rotineiramente e fique praticamente restrito ao uso em estudos. Geralmente, a investigação conta muito com o relato do próprio paciente e com exames para descartar doenças que possam ter sintomas similares, como espondilites, polimialgia reumática, hipotireoidismo e mieloma múltiplo, um tipo de câncer que acomete mais pessoas acima dos 65 anos.

Em geral, o primeiro indício de fibromialgia é uma dor localizada que persiste e, com o tempo, evolui e se alastra para tornar-se difusa, assemelhando-se à dor que toma o corpo todo após uma gripe forte. Normalmente a dor surge sem motivo, mas às vezes pode ser desengatilhada por traumas psicológicos, físicos, como uma lesão provocada por um acidente de carro, ou infecções.

Até os anos 1990, usava-se um mapa elaborado por 20 reumatologistas para testar a sensibilidade do paciente. Os 18 pontos distribuídos pelo corpo eram os mais citados por pacientes como locais doloridos. São simétricos bilateralmente, e a maioria se concentra acima da cintura. Alguns deles, em especial na nuca, nas escápulas e na parte externa dos cotovelos, ao serem pressionados provocavam gritos de dor.

pontos fibromialgia

 

Ainda assim, a dor da fibromialgia é diferente das dores agudas, como as causadas por um corte ou uma porta que se fecha violentamente sobre um dedo. A dor aguda gera uma reação fisiológica, a pessoa sua, berra. Já à dor crônica a pessoa vai se adaptando e passa a conviver com ela no dia a dia. Um paciente fibromiálgico que queira esconder sua condição consegue falar normalmente, sem demonstrar que está sofrendo. Quando está habituado à dor, então, vive seu cotidiano aparentemente sem sentir nenhum desconforto, o que motiva a descrença por parte de quem convive com ele.

Entende-se que, para haver fibromialgia, é necessário haver dor em todo o corpo por mais de três meses, na maioria dos dias ao longo desse período. “Os pontos de dor foram muito usados durante os anos 1990. Hoje em dia, eles ainda ajudam, mas não são definidores do diagnóstico. É necessário haver um conjunto de outros sintomas que englobam cansaço extremo, alteração do sono, da concentração e problemas de memória”, afirma o dr. Eduardo.

Entre esses sintomas, é marcante o papel da fadiga para caracterização da doença. Faz parte do processo de diagnóstico um questionário que visa a avaliar o impacto do cansaço na rotina do paciente. Ele tem de classificar de 0 a 10 o nível de dificuldade que enfrentou para realizar determinadas tarefas. E pelo grau de exigência das tarefas, podemos ter uma ideia do quão intensa pode ser a falta de energia. Afinal, como é possível se cansar penteando os cabelos?

 

questionário fibromialgia

 

“É um cansaço diferente, não é uma simples preguiça. Você acorda totalmente esgotada, sem vontade nenhuma de fazer as coisas”, relata a contabilista Sonia Folador. Hoje com 56 anos, tinha 45 quando começou a sentir fadiga, problemas de memória e dor generalizada, mais concentrada no lado direito do quadril.

Como ocorreu com Sonia, a doença costuma surgir em mulheres entre 30 e 55 anos, embora haja casos de pessoas mais velhas, adolescentes e até crianças acometidas, compondo no Brasil um contingente de aproximadamente 5 milhões de pessoas (cerca de 2% a 3% da população, percentual próximo ao que se estima no mundo).

FARDO FEMININO

Existem dez vezes mais mulheres atingidas que homens. Segundo o National Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases, entre 80% e 90% das pessoas com fibromialgia são mulheres. O machismo enraizado em nossa cultura mostrou-se muito eficiente para transformar um fato científico em uma característica inerente ao gênero. Se as pacientes são mulheres, provavelmente a dor é psicológica, frescura, drama, sintoma de TPM (Tensão Pré-Menstrual) etc. E assim, gerações de mulheres passaram a vida resignadas, com dor e outros sintomas. “No começo não é fácil, a gente não sabe o que é. Antes tudo era reumatismo, mas a dor não passa e aí você vai vivendo. Depois que a gente descobre de fato, o tratamento progride”, afirma Sonia.

A ligação entre fibromialgia e o sexo feminino pode estar na serotonina, neurotransmissor que influencia o sono, a produção de hormônios, o ritmo cardíaco e outras funções fisiológicas importantes. As mulheres produzem menos serotonina, e por isso são mais propensas a problemas como depressão, enxaqueca e transtornos de humor, principalmente no período de TPM. Como o neurotransmissor também participa do processamento da dor, talvez esse seja a explicação para o número muito maior de pacientes mulheres.

Além da forte relação com o sexo feminino, a doença tem laços estreitos com a depressão. Cerca de 50% dos fibromiálgicos apresentam também esse transtorno grave, com um quadro agravando o outro: a dor e o descrédito provocam reclusão, piorando a depressão, que por sua vez intensifica a dor – de forma real, e não psicológica.

TRATAMENTO 

Como a dor da fibromialgia não tem uma origem definida, analgésicos e anti-inflamatórios não ajudam. Os medicamentos que surtem algum efeito são os da classe dos antidepressivos e neuromoduladores. Porém, alguns pacientes podem encarar a prescrição com desconfiança, devido à imagem negativa que as doenças psiquiátricas têm em nossa sociedade. Aqueles que tiveram de encarar incredulidade até chegar ao diagnóstico podem até expressar revolta, interpretando que a sombra da “dor psicológica” está voltando e que estão sendo tratados de algum transtorno psiquiátrico. No caso da fibromialgia, entretanto, tais remédios são usados simplesmente para aumentar a quantidade de neurotransmissores que diminuem a dor.

fibromialgia substância p

 

Atualmente, a palavra-chave do tratamento para fibromialgia é atividade física. Mesmo quando o médico decide incluir alguma medicação, ela serve para permitir a prática de exercícios. É comum, por exemplo, pacientes dormirem mal. Alguns até dormem horas suficientes para repor as energias, mas ainda assim acordam cansados (o chamado “sono não reparador”).

Em um caso desses, receitar um medicamento para facilitar o sono obviamente melhora a qualidade de vida, mas tem como objetivo final dar mais disposição para uma atividade física no dia seguinte. “O paciente tem dificuldade pra entender por que tem tanta dor e não aparece em nenhum exame, então temos que dar condições para ele ser ativo no tratamento”, explica o dr. Eduardo.

“Eu acordo e tomo um cafezinho sem vontade de fazer exercício, mas mesmo assim troco de roupa e vou pra academia todo dia. Faço pilates, alongamento e natação. Percebo claramente a diferença quando não faço. Se não vou, parece que fico toda travada, sem querer fazer nada”, relata Sonia.

A fibromialgia não é considerada uma doença curável. Há casos em que os sintomas diminuem consideravelmente, chegando a quase desaparecer, mas há outros em que será necessário fazer controle por toda a vida. Entender esse fato é fundamental para levar o tratamento da melhor forma possível. Assim como a retroalimentação que ocorre fibromialgia e depressão, os sintomas da doença trazem uma série de problemas que se acumulam e se reforçam. A dor altera o humor, que afeta o rendimento profissional e as relações sociais, o que aumenta o estresse, que é um dos gatilhos da dor e assim estende-se ao infinito.

Pacientes não precisam se preocupar com danos graves, como deformações ou paralisação de membros. Além disso, precisam ter informação sobre a doença e não se abalarem caso ainda encontrem profissionais e pessoas que os desacreditem. Mantido o tratamento, a perspectiva é que as dores regridam ao custo de uma rotina que é recomendada para a saúde de qualquer ser humano: atividade física regular.

FONTE:http://drauziovarella.com.br/