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Saúde mental – Rubem Alves

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Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico.

Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakoviski suicidou-se.

Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos. Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as idéias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, bastar fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme) ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou.

Pensar é uma coisa muito perigosa… Não, saúde mental elas não tinham. Eram lúcidas demais para isso. Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata. Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental. Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvi falar de político que tivesse estresse ou depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.

Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos. Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas chama-se hardware, literalmente “equipamento duro”, e a outra denomina-se software, “equipamento macio”. O hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito.

O software é constituído por entidades “espirituais” – símbolos que formam os programas e são gravados nos disquetes.

Nós também temos um hardware e um software. O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo “espirituais”, sendo que o programa mais importante é a linguagem.

Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software. Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam. Não se conserta um programa com chave de fenda. Porque o software é feito de símbolos, somente símbolos podem entrar dentro dele.

Assim, para se lidar com o software há que se fazer uso dos símbolos. Por isso, quem trata das perturbações do software humano nunca se vale de recursos físicos para tal. Suas ferramentas são palavras, e eles podem ser poetas, humoristas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas.

Acontece, entretanto, que esse computador que é o corpo humano tem uma peculiaridade que o diferencia dos outros: o seu hardware, o corpo, é sensível às coisas que o seu software produz. Pois não é isso que acontece conosco? Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos de Drummond e o corpo fica excitado. Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta e se arrebenta de emoção! Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio: a música que saía de seu software era tão bonita que seu hardware não suportou.

Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, saúde mental até o fim dos seus dias. Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes. A beleza é perigosa para o hardware. Cuidado com a música. Brahms e Mahler são especialmente contra-indicados. Já o rock pode ser tomado à vontade.

Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago? Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. E, aos domingos, não se esqueça do Silvio Santos e do Gugu Liberato.

Seguindo essa receita você terá uma vida tranqüila, embora banal. Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram .

Rubem Alves

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Do universo à jabuticaba

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MINHA VIDA… se divide em três fases. Na primeira, meu mundo era do tamanho do univeso e era habitado por deuses, verdades e absolutos. Na segunda fase meu mundo encolheu, ficou mais modesto e passou a ser habitado por heróis revolucionários que portavam armas e cantavam canções de transformar o mundo. Na terceira fase, mortos os deuses, mortos os heróis, mortas as verdades e os absolutos, meu mundo se encolheu ainda mais e chegou não à sua verdade final mas à sua beleza final: ficou belo e efêmero como uma jabuticabeira florida.”

Levei um susto quando vi a capa do livro, assim verde e amarelo. Não parece em nada com o jeitão do Rubem. Mas independente de cor, o Rubem Alves é irresistível quando se precisa de um amigo para um longo papo. É só colocar um banquinho próximo a uma jabuticabeira, um pote no colo e jogar conversa fora (sou seriam caroços…) Se a prosa for à noite, melhor, sem pressa como velhos amigos após longo período de ausência. Assim é a leitura dos seus causos, histórias hilariantes (tem até de extintor desentupidor, acredite) tudo dito da mais simples forma. Pura filosofia, ou seria psicologia. Que importa, já relatou o próprio que o melhor negócio da vida é ser palhaço, no melhor sentido. Então, à palhaçada, sem perda de tempo!

Eu e as palavras somos companheiros de brincadeira. Esse livro é uma brincadoteca. Para explicar isso me lembrei do que Neruda escreveu, ele que também amava brincar com as palavras. Não sou Neruda, mas a literatura me dá permissão para brincar com os brinquedos que ele fez com as palavras: Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, modo-as, derreto-as… Amo tanto as palavras… As inesperadas… As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem… Vocábulos amados… Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho… Persigo algumas palavras. São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema… Agarro-as no voo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, com ágatas, como azeitonas… E então as revolvo, gito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as… Deixo-as, como estalactites em meu poema, como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda… Tudo está na palavra…”

Assim eu gostaria que fossem as minhas palavras – perdão, as palavras nunca são minhas porque são elas que brincam comigo – mas quem sou eu? Não sou poeta. Sou um palhaço. Meus textos? Como se fossem um espetáculo de circo. Assim lhes desejo, aos que brincam com o que escrevo, leveza e risos. E, se possível, beleza e espanto.

Rubem Alves – do universo à jabuticaba

A Arte de Envelhecer / Drauzio Varella

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Achei que estava bem na foto. Magro, olhar vivo, rindo com os amigos na praia. Quase não havia cabelos brancos entre os poucos que sobreviviam. Comparada ao homem de hoje, era a fotografia de um jovem.

Tinha cinquenta anos naquela época, entretanto, idade em que me considerava bem distante da juventude. Se me for dado o privilégio de chegar aos noventa em pleno domínio da razão, é possível que uma imagem de agora me cause impressão semelhante.

envelhecimento é sombra que nos acompanha desde a concepção: o feto de seis meses é muito mais velho do que o embrião de cinco dias.

Lidar com a inexorabilidade desse processo exige uma habilidade na qual somos inigualáveis: a adaptação. Não há animal capaz de criar soluções diante da adversidade como nós, de sobreviver em nichos ecológicos que vão do calor tropical às geleiras do Ártico.

Da mesma forma que ensaiamos os primeiros passos por imitação, temos que aprender a ser adolescentes, adultos e a ficar cada vez mais velhos.

adolescência é um fenômeno moderno. Nossos ancestrais passavam da infância à vida adulta sem estágios intermediários. Nas comunidades agrárias, o menino de sete anos trabalhava na roça e as meninas cuidavam dos afazeres domésticos antes de chegar a essa idade.

A figura do adolescente que mora com os pais até os 30 anos, sem abrir mão do direito de reclamar da comida à mesa e da camisa mal passada, surgiu nas sociedades industrializadas depois da Segunda Guerra Mundial. Bem mais cedo, nossos avós tinham filhos para criar.

A exaltação da juventude como o período áureo da existência humana é um mito das sociedades ocidentais. Confinar aos jovens a publicidade dos bens de consumo, exaltar a estética, os costumes e os padrões de comportamento característicos dessa faixa etária, tem o efeito perverso de insinuar que o declínio começa assim que essa fase se aproxima do fim.

A ideia de envelhecer aflige mulheres e homens modernos, muito mais do que afligia nossos antepassados. Sócrates tomou cicuta aos 70 anos, Cícero foi assassinado aos 63, Matusalém, sabe-se lá quantos anos teve, mas seus contemporâneos gregos, romanos ou judeus viviam em média 30 anos. No início do século 20, a expectativa de vida ao nascer, nos países da Europa mais desenvolvida, não passava dos 40 anos.

A mortalidade infantil era altíssima, epidemias de peste negra, varíola, malária, febre amarela, gripe e tuberculose dizimavam populações inteiras. Nossos ancestrais viveram num mundo devastado por guerras, enfermidades infecciosas, escravidão, dores sem analgesia e a onipresença da mais temível das criaturas. Que sentido haveria em pensar na velhice, quando a probabilidade de morrer jovem era tão alta? Seria como hoje preocupar-nos com a vida aos cem anos de idade, que pouquíssimos conhecerão.

Os que estão vivos agora têm boa chance de passar dos oitenta. Se assim for, é preciso sabedoria para aceitar que nossos atributos se modificam com o passar dos anos. Que nenhuma cirurgia devolverá, aos 60, o rosto que tínhamos aos dezoito, mas que envelhecer não é sinônimo de decadência física para aqueles que se movimentam, não fumam, comem com parcimônia, exercitam a cognição e continuam atentos às transformações do mundo.

Considerar a vida um vale de lágrimas no qual submergimos de corpo e alma ao deixar a juventude, é torná-la experiência medíocre. Julgar aos 80 anos, que os melhores foram aqueles dos 15 aos 25 é não levar em conta que a memória é editora autoritária, capaz de suprimir por conta própria as experiências traumáticas e relegar ao esquecimento as inseguranças, medos, desilusões afetivas, riscos desnecessários e as burradas que fizemos nessa época.

Nada mais ofensivo para o velho do que dizer que ele tem “cabeça de jovem”. É considerá-lo mais inadequado do que o rapaz de 20 anos que se comporta como criança de dez.

Ainda que maldigamos o envelhecimento, é ele que nos traz a aceitação das ambiguidades, das diferenças, do contraditório e abre espaço para uma diversidade de experiências com as quais nem sonhávamos anteriormente.

Siga o  Site Drauzio Varella no instagram: @sitedrauziovarella

Previna-se : Câncer de Mama.

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Se toque, menina! É hora de combater o câncer de mama!

o mais a gente se conhecer, mais armas teremos para buscar ajuda”, explica Paula Vilela Gherpelli, médica ginecologista. Paula participou de um vídeo, a pedido da eduK, para nos ensinar como fazer o autoexame das mamas. Ela ressalta a importância de estarmos sempre de olho nas mamas e de procurar ajuda tão logo se perceba algo diferente. “Essa pode ser a diferença entre a vida e a morte”, diz.

Neste mês de outubro, é comemorado o movimento Outubro Rosa. O Inca, Instituto Nacional de Câncer, explica, em seu site: o movimento conhecido como Outubro Rosa nasceu nos Estados Unidos, na década de 1990, para estimular a participação da população no controle do câncer de mama. A data é celebrada anualmente com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama e promover a conscientização sobre a importância da detecção precoce da doença.

E o Inca recomenda:

Estima-se que 30% dos casos de câncer de mama possam ser evitados quando são adotadas práticas saudáveis como:

  • Praticar atividade física;

  • Alimentar-se de forma saudável;

  • Manter o peso corporal adequado;

  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;

  • Amamentar

Vídeo: #OutubroRosa na eduK contra o câncer de mama

Passo a passo do autoexame

Passo 1: em frente a um espelho, coloque as mãos na cintura e observe o formato, tamanho e contorno das suas mamas. Veja se existem pregas, depressões ou alterações na pele.

Passo 2: agora, coloque as mãos para o alto e fique alerta aos mesmos sinais, veja se aparecem alterações significativas.

Passo 3: coloque uma mão atrás da nuca e com a ponta dos dedos da outra mão, percorra toda a área da mama em movimentos circulares, de fora pra dentro. Procure por nódulos ou qualquer sinal diferente. Uma dica: no chuveiro, com as mamas e axilas ensaboadas, as mãos escorregam mais facilmente, ajudando no auto-exame.

Passo 4: pressione suavemente os mamilos e veja se saem secreções.

Passo 5: as axilas também fazem parte do tecido mamário e devem ser examinadas com movimentos circulares, iguais aos feitos nas mamas.

O autoexame deve ser feito uma vez por mês, depois do período menstrual. Dessa forma, você vai conseguir detectar qualquer alteração bem no início. Se achar algo diferente, procure seu médico, ok?

Não dê bobeira para o câncer de mama! Se toque!

Fonte-https://www.eduk.com.b

Cuidado com o HPV!

HPV

 

Provavelmente você conhece alguém que tem, e a pessoa se acabou de chorar, querendo matar quem transmitiu essa doença para ela.
Depois de passar com o médico descobriu que não é o fim do mundo, e que ter o vírus não significa ter doença no colo do útero!
Papilomavírus humano, o HPV, vírus que possui sua principal transmissão por via sexual e coloniza a pele e a mucosa (pênis, vagina, ânus, boca e colo do útero por exemplo).
Esse vírus, responsável por 99% de todos os casos de câncer de colo de útero, é mais comum do que se imagina, estima-se que no Brasil 2 milhões de novos casos de HPV são registrados todos os anos!
 
– Fiz o exame, descobri que tenho HPV. E agora doutor?
Ainda não há cura para esse vírus , mas há controle, e deve-se realizar rigorosamente para evitar as complicações que o vírus acarreta.
 
– SINTOMAS:
A grande maioria das infecções por HPV não apresenta sintomas, a paciente apenas descobre no exame de rotina com o ginecologista.
Quando presente, o principal sintoma são as verrugas genitais, que podem estar na vulva, no períneo, no ânus e em outras áreas.
 
– DIAGNÓSTICO:
Para a mulher sem sintomas, o diagnóstico acaba por ser feito nos exames de rotina.
– Papanicolau: Recomendado anualmente para todas mulheres a partir dos 25 anos, no caso de dois resultados negativos pode ser feito a cada 3 anos.
– Colposcopia: Com auxílio de uma lupa esse exame avalia as lesões na vulva e no colo do útero.
– Captura híbrida: mostra se a mulher teve o contato com o vírus, e mostra os subtipos.
 
– VACINA:
As evoluções na biomedicina permitiram a criação de uma vacina para prevenção do HPV, o ideal é que se vacine as meninas entre 9 e 13 anos e idade.
Atualmente também é possível vacinar meninos de 12 a 13 anos.
 
– TRATAMENTO:
Como foi dito, o HPV em si não possuí cura, mas possui controle.
No caso das verrugas genitais elas podem ser cauterizadas com laser ou ácido, porém sempre existirá a chance das lesões aparecerem novamente, com necessidade de novas cauterizações.
 
A camisinha ainda é um ótimo meio de prevenção, inclusive no sexo oral, uma vez que o vírus pode colonizar mucosa da boca e da garganta.
 
*Pouca gente sabe, mas pode-se pesquisar HPV nos homens, através de um exame chamado de “peniscopia”, muito parecido com a colposcopia.
 
Cuide-se e na dúvida procure seu médico.
 
Por Dr. Bruno Jacob
Via Acidez Feminina

Não perca sua identidade

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Ainda que possa tentar a ideia de que, agindo de outra maneira, a pessoa que lhe interessa possa gostar de você também, tudo que você irá conseguir será passageiro caso precise deixar de ser você.

 

Não perca sua identidade, não se boicote. Não deixe de ser você mesmo para que alguém o ame mais. Se fizer isso, de forma inevitável, estará se sabotando.

Quando gostamos de uma pessoa e queremos conhecê-la mais profundamente, desejamos causa-lhe uma boa impressão. Isto, às vezes, nos leva a não agir com naturalidade.

Porém, com esta atitude você mente para si mesmo e também para a pessoa por quem se interessou. A encherá de expectativas com mentiras, acreditará que algumas coisas em você a atraem, mas na realidade essas coisas são falsas…

Não deixe de ser você mesmo ou terminará em um falso amor.

 

A magia de todo começo

 

Os inícios das relações são mágicos. Tudo parece fluir de uma maneira mística, sem esforço. Porém, com o tempo isso se desvanece. De repente, é preciso se esforçar em aspectos nos quais não era preciso fazer antes.

Talvez tenha chegado a este momento porque se transformou no ideal da outra pessoa. Quis afirmar as expectativas que ela tinha em relação a você. Isto, cedo ou tarde, tinha que acabar.

Não só você se apaixona por alguém que espera que se adapte aos seus padrões, como também você mesmo tenta apaixonar à outra pessoa se transformando no que ela deseja.

E onde ficou a sua autenticidade? O que aconteceu com o seu “eu”? Tentou camuflar tudo o possível para mergulhar em um amor falso.

Todas essas conexões que criou com a outra pessoa eram falsas. Seu medo de não gostar de você, de que seus defeitos a espantassem, fez com que você agisse diferente do que você é.

Essa magia do começo logo irá embora, simplesmente porque sua forma de começar a relação não foi a mais sincera e nem justa.

A importância de ser assertivo

 

Desde um primeiro momento, com a pessoa que gostamos, é imprescindível manifestar nossos gostos, nossos interesses e mostrar o nosso verdadeiro caráter.

Não temos porque esconder o que nos desagrada, porque com o tempo desejaremos fazê-lo e nosso parceiro ficará confuso a respeito e dirá: eu não sabia!

Pensemos em um breve exemplo: imagine que a pessoa com a qual você está, fuma. Ela faz isso desde sempre e você nunca expressou sua desconformidade quanto a ela fazer isso no carro ou em casa.

Mas, um dia você se incomoda muito. Se irrita, grita perguntando se ela não percebe que você não gosta desse hábito. Sua resposta, sem dúvidas, será: eu não pensei que isso te incomodasse, afinal, você nunca se queixou.

Poderíamos dar muito mais exemplos similares que não farão mais do que comprovar o quanto somos pouco assertivos.

Não nos damos conta de que, em nosso afã por gostar, nos enganamos.

 

Os problemas que surgem quando começa a ser você mesmo

 

Tudo vai bem, sem problemas, até que você começa a ser você mesmo. Porque a máscara que colocou não pode ser sustentada por muito tempo.

É então quando surgem os conflitos. A conexão que há entre você e seu parceiro é alterada. Agora está sendo assertivo, mas já é tarde.

Há partes de nosso parceiro que começam a nos incomodar, mas o mesmo acontece com ele. Começamos a reclamar de coisas que antes não nos incomodavam ou é isso que parecia.

Discussões, irritações e conflitos que não os levam a nenhum entendimento se fazem presentes e não têm mais volta.

Tudo isso te desgasta. Você crê que já não ama mais o outro, que o amor se desgastou. Porém, não se dá conta de que tudo isso é fruto de um falso amor que ambos criaram.

Não deixe de ser você, ainda que se sinta tentado. É difícil ser consciente de como estamos agindo no início, mas devemos fazer um esforço para não terminarmos frustrados, doídos e decepcionados.

Não tenha medo de ser autêntico. Quem se apaixonar por você deve fazê-lo pelo seu verdadeiro eu, não pelo modelo que adotou para gostar de você.

Se não pode ser quem é do lado da pessoa que ama no começo, não vale a pena mantê-la ao seu lado.

Não deixe de ser você mesmo e terá o relacionamento que sempre quis.

 

 

 

Fonte indicada: Melhor com Saúde

Manifesto das Almas Livres

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A inquietude é mais do que apenas uma consequência de ansiedade. Estar inquieto tem a ver com um estado da alma. É querer ver o mundo, se libertar de padrões, aceitar diferenças e preferir a incerteza de uma vida solta do que a previsibilidade de uma vida comum.

Estude, cresça, aprenda, se apaixone, namore, trabalhe, case, seja bem sucedido, tenha filhos, compre um apartamento, ganhe dinheiro, gaste dinheiro, se mostre feliz – a todo momento.

Esse script soa bem familiar, não? Por favor, manifeste-se quem nunca se viu pressionado a cumprir essa sequência, muitas vezes até por pessoas que nem fazem parte do nosso círculo íntimo de amizades.

Pior pra gente. Alguém andou esquecendo que, feliz ou infelizmente, os que hoje têm seus 20 e muitos ou 30 e poucos anos, vivem o limbo das gerações.

Já não somos mais daquele grupo de pessoas que trabalhava única e exclusivamente para ganhar dinheiro, mas também ainda não somos da geração que finalmente valorizará mais o trabalho como paixão do que o ofício como obrigação.

Não somos mais parte da estrutura familiar na qual o pai vestia o papel de chefe e a mãe de dona de casa, mas também não chegamos ao ponto em que não tem problema nenhum se acontecer de optarmos por construir nossa vida sozinhos, donos de nosso próprio nariz, vida e apartamento.

Nossos pais não entendem que talvez aos 27 ou 32 anos, a gente queira mais um gato do que um filho, um iPhone 39 do que um namorado, uma manhã de domingo com pizza fria do que um almoço na casa dos sogros, uma viagem de quatro meses pela Ásia do que aquele emprego promissor em uma empresa chata qualquer.

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O problema é que a sociedade vem exigindo que a gente siga os padrões antigos, que cada vez se aplicam menos as nossas vidas. Ainda não da muito dinheiro largar tudo e ir estudar os musgos que habitam as pedras das praias paradisíacas da Indonésia, mas isso não impede que a gente o faça mesmo assim.

Acordamos, vendemos o carro comprado há quatro anos, fazemos um bazar com as roupas que não usamos, passamos oito meses comendo maçã e pão, e mendigando copos de cerveja dos amigos a fim de economizar cada centavo possível, e então… Largamos tudo.

Vamos atrás de nossos sonhos. Viajamos. Para a Bahia ou para o interior da Europa. Deixamos nosso emprego promissor e vamos viver de arte. Abrimos nossa própria loja de regadores de Bonsai. Carregamos nossa vida dentro de uma mala de rodinhas.

Nos apaixonamos pelo vizinho, pelo ator da novela das nove, uma música greco-italiana, um filme mudo dos anos 20. Nos encantamos diariamente pela vida e pelas oportunidades que ela nos oferece, mesmo que elas sejam por vezes ingrata.

Os conceitos de felicidade vêm mudando. E tudo bem as pessoas mais próximas a nós, principalmente os mais velhos, quererem que a gente siga o roteiro de sempre. Na cabeça deles, a fórmula da felicidade é a mesma de 20 anos atrás.

Por isso às vezes bate aquele medo de estar fazendo tudo errado, de desperdiçar oportunidades ou decepcionar pessoas.

Às vezes, a gente até queria acalmar a alma e aceitar uma vida quadrada. Se encaixar no molde. Da vontade de tentar, de se obrigar a se relacionar com aquela pessoa que é legal mas não faz teu estômago dar cambalhotas, de aceitar aquele emprego no último andar do arranha-céu no centro da cidade, de deixar para lá o romance do continente vizinho e aceitar a vida como ela é por aqui.

Só que uma mente que se expande nunca mais volta ao seu tamanho original, certo? Uma alma que se liberta do físico nunca mais se encaixa no mesmo corpo. E entre a saudade do que não foi vivido e a inquietude de uma alma livre… Bom, eu fico com a segunda opção.

 Texto de MARIAMARIAALICE