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Manifesto das Almas Livres

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A inquietude é mais do que apenas uma consequência de ansiedade. Estar inquieto tem a ver com um estado da alma. É querer ver o mundo, se libertar de padrões, aceitar diferenças e preferir a incerteza de uma vida solta do que a previsibilidade de uma vida comum.

Estude, cresça, aprenda, se apaixone, namore, trabalhe, case, seja bem sucedido, tenha filhos, compre um apartamento, ganhe dinheiro, gaste dinheiro, se mostre feliz – a todo momento.

Esse script soa bem familiar, não? Por favor, manifeste-se quem nunca se viu pressionado a cumprir essa sequência, muitas vezes até por pessoas que nem fazem parte do nosso círculo íntimo de amizades.

Pior pra gente. Alguém andou esquecendo que, feliz ou infelizmente, os que hoje têm seus 20 e muitos ou 30 e poucos anos, vivem o limbo das gerações.

Já não somos mais daquele grupo de pessoas que trabalhava única e exclusivamente para ganhar dinheiro, mas também ainda não somos da geração que finalmente valorizará mais o trabalho como paixão do que o ofício como obrigação.

Não somos mais parte da estrutura familiar na qual o pai vestia o papel de chefe e a mãe de dona de casa, mas também não chegamos ao ponto em que não tem problema nenhum se acontecer de optarmos por construir nossa vida sozinhos, donos de nosso próprio nariz, vida e apartamento.

Nossos pais não entendem que talvez aos 27 ou 32 anos, a gente queira mais um gato do que um filho, um iPhone 39 do que um namorado, uma manhã de domingo com pizza fria do que um almoço na casa dos sogros, uma viagem de quatro meses pela Ásia do que aquele emprego promissor em uma empresa chata qualquer.

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O problema é que a sociedade vem exigindo que a gente siga os padrões antigos, que cada vez se aplicam menos as nossas vidas. Ainda não da muito dinheiro largar tudo e ir estudar os musgos que habitam as pedras das praias paradisíacas da Indonésia, mas isso não impede que a gente o faça mesmo assim.

Acordamos, vendemos o carro comprado há quatro anos, fazemos um bazar com as roupas que não usamos, passamos oito meses comendo maçã e pão, e mendigando copos de cerveja dos amigos a fim de economizar cada centavo possível, e então… Largamos tudo.

Vamos atrás de nossos sonhos. Viajamos. Para a Bahia ou para o interior da Europa. Deixamos nosso emprego promissor e vamos viver de arte. Abrimos nossa própria loja de regadores de Bonsai. Carregamos nossa vida dentro de uma mala de rodinhas.

Nos apaixonamos pelo vizinho, pelo ator da novela das nove, uma música greco-italiana, um filme mudo dos anos 20. Nos encantamos diariamente pela vida e pelas oportunidades que ela nos oferece, mesmo que elas sejam por vezes ingrata.

Os conceitos de felicidade vêm mudando. E tudo bem as pessoas mais próximas a nós, principalmente os mais velhos, quererem que a gente siga o roteiro de sempre. Na cabeça deles, a fórmula da felicidade é a mesma de 20 anos atrás.

Por isso às vezes bate aquele medo de estar fazendo tudo errado, de desperdiçar oportunidades ou decepcionar pessoas.

Às vezes, a gente até queria acalmar a alma e aceitar uma vida quadrada. Se encaixar no molde. Da vontade de tentar, de se obrigar a se relacionar com aquela pessoa que é legal mas não faz teu estômago dar cambalhotas, de aceitar aquele emprego no último andar do arranha-céu no centro da cidade, de deixar para lá o romance do continente vizinho e aceitar a vida como ela é por aqui.

Só que uma mente que se expande nunca mais volta ao seu tamanho original, certo? Uma alma que se liberta do físico nunca mais se encaixa no mesmo corpo. E entre a saudade do que não foi vivido e a inquietude de uma alma livre… Bom, eu fico com a segunda opção.

 Texto de MARIAMARIAALICE

 

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Um Recado para Clarice – Elisabete Cunh

Clarice
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Espero que  você esteja bem e continue indo fundo da alma feminina de maneira em que incomode como um soco no estômago. Na verdade , poucos conseguem . Só você tem conseguido fazer isso comigo ao longo de tantos anos . Eu lhe conheci no ginásio, confesso que não lhe entendia muito naquela época,porque a vida ainda não tinha me tornado mulher com dores e amores, era uma menina curiosa e cheia de vontade de entender o mundo.

Você veio para o Brasil tão menina, Recife acolheu sua família…você cresceu e adquiriu traços da personalidade de mulher nordestina. Mulher nordestina já nasce com a alma sensibilizada com a beleza da nossa terra e com o sofrimento do nosso povo. Nascemos sabendo que temos que mostrar mais eficiência e coragem para que nos respeitem Brasil afora.

Aquele livro de Fotobiografia sobre você , que comprei na Casa das Rosas em São Paulo (um dos meus lugares preferido na terra da garoa) emprestei e nunca mais me devolveram…roguei uma praga pra pessoa que ficou e não me devolveu de nunca mais entender uma vírgula sobre você.
Acho que consegui…tomara!

Ahhh Clarice , como te deram frases que você nunca disse e nem sequer imaginou em escrever.
Querida , e o pior é que estão soltas pela internet. Cheias de blábláblá e dignas de quem nunca leu de fato um livro seu e não conhece seu estilo.

Você era uma grande leitora do mundo . Bem, acho que todo escritor, mesmo o medíocre, é. Um escritor não tem outra coisa para trabalhar, senão a própria vida. Pode se debruçar sobre a literatura do passado, pode fazer experiências formais e se entregar a uma “literatura culta”, pode tudo, mas estará sempre defrontado com a realidade.

Você Clarice, porém, lia o mundo não na visão chapada das grandes paisagens, ou dos personagens “perfeitos”, mas nas entrelinhas. Você conseguia ver o “entre”. Perfurava o real, cavando ali onde, quase sempre, por preguiça, por desatenção, por medo, nos detemos. Você não.
Espero que daí onde está você não veja. Certamente morreria (de novo) de desgosto ao lê-las tão fofinhas e açucaradas.

Pela vida Clarice, tenho observado o quanto você é sempre muito envolvente. Algumas pessoas não a suportam, e não voltam mais. Outras se entregam e, até, se desfazem em lágrimas. Ler você cara Clarice é, sempre, uma ameaça.
Você cirugicamente mexe no fundo de cada um que lê, e se for uma mulher ,muitas vezes você mata a dita cuja sem dó, gosto disso.
Quantas pessoas gostariam de escrever cada letra , cada vírgula que você consegue expressar nas linhas da vida?

Bem, vou me despedindo por aqui e já que estamos falando de frases , as suas me descrevem. “Estou passando a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar…”
Enfim:
“Valorize quem te ama, esses sim merecem seu respeito. Quanto ao resto, bom… ninguém nunca precisou de restos para ser feliz.”
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Ave Clarice !
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Um beijo!

Elisabete Cunha

“Não suporto meios termos. Por isso, não me dou pela metade. Não sou sua meio amiga nem seu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada”
―Clarice Lispector
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“Sorrisos e abraços espontâneos me emocionam. Palavras até me conquistam temporariamente. Mas atitudes me ganham para sempre.”
―Clarice Lispector
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“Eu sou uma eterna apaixonada por palavras, música e pessoas inteiras. Não me importa seu sobrenome, onde você nasceu, quanto carrega no bolso. Pessoas vazias são chatas e me dão sono.”
―Clarice Lispector
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“Deixo-te livre para sentir minha falta, se é que faço falta. Tens meu número, na verdade, meu coração, então se sentir vontade de falar comigo, me procura você.”
―Clarice Lispector
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“Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.”

―Clarice Lispector