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“Quando Puder Contar Sua História Sem Chorar, Você Estará Curado”

Feridas emocionais podem levar mais tempo para cicatrizar do que feridas no corpo. Os danos causados ​​pelo desprezo, perda ou fracasso deixam cicatrizes profundas que não são fáceis de fechar. Às vezes, podemos pensar que a dor já faz parte do passado, mas quando temos que falar sobre ela passamos a descobrir que a ferida ainda nos controla.

O problema é que, se nos apressarmos, corremos o risco de causar mais danos ou até prejudicar as pessoas à nossa volta. Se ainda não superamos um relacionamento antigo e nos aventurarmos em outro, o mais provável é que arrastemos toda essa carga emocional negativa e sabotemos o novo relacionamento até que se desfaça.

Assim, é provável que acabemos colecionando uma série de fracassos e decepções, a ponto de pensar que existe um problema em nós, quando na verdade o que aconteceu é que nós não estávamos preparados para começar de novo. Para abrir um novo capítulo da nossa vida, precisamos fechar os antigos capítulos. Se olharmos continuamente para o passado, se o fantasma de ontem nos persegue, não podemos tirar proveito de todo o bem que o futuro nos reserva.

Como saber se estou pronto para começar de novo?

Às vezes, quando sofremos uma grande decepção ou desapontamento, a dor é tão forte que tudo o que queremos é seguir em frente. Isso pode nos fazer desconectar do nosso interior e buscar estímulos apressados que nos desviem a atenção do problema. Como resultado, podemos nos enganar e acreditar que a situação está resolvida assim.

O desejo de se sentir melhor e deixar para trás o passado pode nos impedir de perceber que ainda não estamos prontos para começar de novo e que precisamos de mais tempo. É por isso que nos apressamos a tomar decisões, não percebemos os sinais que indicam que ainda não superamos o que nos aconteceu.

No entanto, um dos sinais inconfundíveis de que as feridas emocionais foram fechadas é quando conseguimos contar essa história sem experimentar as emoções intensas que nos bloqueavam no início.

Se for uma perda importante, por exemplo, você saberá que a superou quando puder contar o que aconteceu sem chorar ou experimentar aquela tristeza dos primeiros tempos, quando em seu lugar existir apenas, nostalgia.

Quando se trata do fim de um casal, por exemplo, você saberá que virou a página quando, em vez de lembrar de todas as coisas negativas, poderá lembrar-se das coisas positivas que sente que fez.

Para saber que você se curou por dentro, você precisa sentir a paz interior novamente , para recuperar o equilíbrio mental que você perdeu. Reconecte-se com o seu interior sem sentir medo das emoções que experimentou e volte a se sentir confortável consigo mesmo.

Essas sensações não mentem, elas são um indicador confiável de que você recompôs os pedaços quebrados e está pronto para começar de novo, seja um novo relacionamento, um novo projeto de trabalho ou até mesmo uma nova vida em outro lugar.

Palavras como sinal de recuperação emocional

Não nos recuperamos da mesma forma depois de sofrer um colapso emocional. Há quem precise do seu espaço e não queira resolver o problema de imediato. De fato, quando se trata de feridas profundas, falar sobre o que aconteceu nos estágios iniciais pode ser praticamente impossível. Você pode sentir um nó na garganta que o impede de contar o que aconteceu. É normal.

De certa forma, essa relutância em falar sobre o evento traumático pode atuar como um mecanismo de defesa que nos protege para nos impedir de reviver a situação que está nos prejudicando. Neurocientistas da Universidade de Harvard descobriram como os traços dolorosos do trauma permanecem gravados em nosso cérebro.

Eles têm apreciado que quando as pessoas não superaram a situação traumática, falar sobre as causas ativa áreas emocionais do cérebro, tais como a amígdala e o córtex visual enquanto a área de linguagem, como a área de broca, desativa-se.

Processar o trauma implica transformá-lo em uma experiência narrativa que encontra um espaço em nossa história de vida. Isso significa que, mais cedo ou mais tarde, devemos falar sobre o que aconteceu, porque só então podemos processá-lo e retirá-lo de seu enorme impacto emocional.

Portanto, a possibilidade de falar sobre a situação que causou tanto dano é também um indicador de que estamos nos curando internamente.

Texto de Rincón de La Psicología, traduzido e adaptado por Portal Raízes

Quando A Dor Se Transforma Em Poema – Por Rubem Alves

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Um deus fraco pode chorar comigo. E por isso nos amamos…

Hoje, sexta-feira, 20 de setembro de 1996, minha vontade é não escrever. Escrevo como sonâmbulo, na esperança, talvez, de que as palavras consigam diminuir a minha dor. Mas eu não quero que a dor diminua. Não quero ser consolado. Não quero ficar alegre de novo. Quando a dor diminui é porque o esquecimento já fez o seu trabalho. Mas eu não quero esquecer. O amor não suporta o esquecimento.

Vazia das palavras que a dor roubou, a alma se volta para os poetas. Não, na verdade não é bem assim. A alma não se volta para nada. Ela está abraçada com a sua dor. São os poetas que vêm em nosso auxílio, mesmo sem serem chamados. Pois essa é a vocação da poesia: pôr palavras nos lugares onde a dor é demais. Não para que ela termine, mas para que ela se transforme em coisa eterna: uma estrela no firmamento, brilhando sem cessar na noite escura. É isso que o amor deseja: eternizar a dor, transformando-a em coisa bela. Quando isso acontece, a dor se transforma em poema, objeto de comunhão, sacramento.

A dor é tanta que a procura das palavras – brinquedo puro quando se está alegre – se transforma num peso enorme, bola de ferro que se arrasta, pedra que se rola até o alto da montanha, sabendo ser inútil o esforço, pois ela rolará de novo morro abaixo. Sinto uma preguiça enorme, um desânimo sonolento de escrever. Arrasto-me. Obrigo-me a me arrastar. Empurro as palavras como quem empurra blocos de granito. Gostaria mesmo é de ficar quieto, não dizer nada, não escrever nada.

Será que algum jornal aceitaria publicar uma crônica que fosse uma página em branco, silêncio puro? Escrevo para me calar, para produzir silêncio. Como numa catedral gótica: as paredes, as colunas e os vitrais servem só para criar um espaço vazio onde se pode orar. Álvaro de Campos entende que a poesia é isso, uma construção em palavras em cujas gretas se ouve uma outra voz, uma melodia que faz chorar.

Sei que minhas palavras são inúteis. A morte faz com que tudo seja inútil. Olho em volta as coisa que amo, os objetos que me davam alegria, o jardim, a fonte, os CDs, os quadros, o vinho (ah, o riso dele era uma cachoeira, quando abria uma garrafa de vinho!): está tudo cinzento, sem brilho, sem cor, sem gosto. Não abro o vinho: sei que ele virou vinagre. Rego as plantas por obrigação. O dever me empurra: elas precisam de mim. Agrado o meu cachorro por obrigação também. Ele não é culpado.

Atendo o telefone e sou delicado com as pessoas que falam comigo: elas ainda não receberam a notícia nem receberão. Tentei dar a notícia a algumas pessoas. Disse-lhes que fazia seis horas que chorava sem parar. Elas riram. Não por maldade, mas por achar que eu estava brincando.

Meu melhor amigo morreu. Portanto, todas as palavras são inúteis. Sobre a cachoeira do seu riso está escrito “nunca mais”. Nenhuma delas será capaz de encher o vazio. Recordo as palavras da Cecília – palavras que, acredito, foram escritas muito depois da dor, depois que a dor já se havia transformado em beleza:

(…) Mas tudo é inútil, porque os teus ouvidos estão como conchas vazias, e a tua narina imóvel não recebe mais notícia do mundo que circula no vento. (…) Mas tudo é inútil, porque estás encostada à terra fresca, e os teus olhos não buscam mais lugares nessa paisagem luminosa, e as tuas mãos não se arredondam já para a colheita nem para a carícia.

Meu melhor amigo. Amigo é uma pessoa que, só de lembrar-se de você, dá uma risada de felicidade. Assim são os amigos – não há os mais nem os menos amigos. Ou é ou não é. Todos são iguais. Mas sei que meus outros amigos entenderão, quando digo que o Elias Abrahão era o meu melhor amigo. Se a gente tem dez filhos e um morre, aquele era o que a gente mais amava. Se um pastor tem cem ovelhas e uma se perde, aquela era a de que ele mais gostava. O Elias morreu. Ele era o meu melhor amigo. Meu corpo e minha alma, hoje, são um vaso cheio com a dor do seu vazio.

O poeta W.H. Auden já disse, exato, o que estou sentindo.
Que parem os relógios, cale o telefone, 
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e o tambor sancione
a  vinda do caixão e seu cortejo atrás.
Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto – um lenço no pescoço –
e os guardas usem finas luvas cor de breu.
 
Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto viveu;
meus dias úteis, meu fim de semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto,
quem julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana.
É hora de apagar as estrelas – são molestas,
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de certo doravante.
 

Em momentos assim tenho dó imenso das pessoas que têm um deus forte. Pois – coitadas – estão perdidas diante da morte.

Ter um deus forte é saber que, se tivesse querido, ele teria evitado a morte. Se não evitou é porque não quis. Ora, se foi ele quem matou, ele não pode estar sofrendo. Está é feliz, por ter feito o que queria. Assim, ele é culpado da minha dor. Eu e ele estamos muito distantes, infinitamente distantes. Como poderia amá-lo – um deus assim tão cruel? Mas, se ele é um deus fraco, isso quer dizer que não foi ele quem ordenou – ele não pôde evitar. Um deus fraco pode chorar comigo. Ele até se desculpa: “não foi possível evitá-lo. Eu bem que tentei. Veja só estas feridas no meu corpo: elas provam que me esforcei…”. Ele chora comigo. E por isso nos amamos.

Tenho no meu quintal uma árvore, sândalo, de perfume delicioso. Foi o Elias quem me deu a mudinha, vinda do Líbano. Cuidarei dela com redobrado carinho. De vez em quando vou regá-la com vinho. Não me surpreenderei se ela ficar bêbada e começar a dar risadas. Saberei que o Elias está por perto.

“Amigo é uma pessoa que, só de lembrar-se de você, dá uma risada de felicidade”. Doracino Naves

Fonte: As melhores Crônicas de Rubem Alves, 5ª reimpressão, Comacchia Livraria e Editora Ltda., São Paulo, páginas 39/41.

Abraço é coisa séria – Marla de Queiroz

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Abraço é coisa tão séria que não se empresta, se dá. E quando os corpos se encostam, todos os chakras se tocam. Abraço é coisa tão séria que junta os dois corações: pode ecoar para sempre ou esvaziar por inteiro.

Pois quando a gente abraça, traz para dentro a pessoa: com bagagem, passado, infância, viagens e o principal: seu perfume espiritual. E o que recebemos nem sempre é o que damos, por isso alguns são afagos que nutrem por um longo tempo e outros, desespero pra matar a fome, um devoramento.

Recuso abraçar levianamente, abraço com meu enrosco de afeto demais, amor puro, corpo colado para o abraço ser sentido, ter sentido. Abraço que é de verdade pode até ser dado de longe, pois ultrapassa as esferas e desconhece distâncias, é todo feito de encontro.

Abraço é coisa tão séria que há de ser doce, leve, divertido, espontâneo, mesmo quando acalanto, colo ou celebração. A gente agarra por impulso de carinho porque a sintonia é a mesma. E quando o abraço termina, quando ele é dado de graça, fica a cosquinha no peito, uma brisinha na alma e a harmonia instalada.

Lei do retorno- Luciano Cazz

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A lei do retorno é uma engrenagem exata onde todas as peças se encaixam e funciona na inteligência suprema de Deus, que nós, seres humanos, não somos capazes de alcançar.
A todo momento que você pensa e age, um bumerangue na energia que você produziu é lançado no universo. Ele pode ir longe ou não. Mais uma coisa é certa: seja o bem ou seja o mal que foi jogado, ele sempre retorna ao ponto de origem: você! Muitas coisas na vida não têm preço. Mas todas têm troco.
A lei do retorno tem seu jeito próprio de agir. Ela é uma ordem criada por Deus para se desenvolver naturalmente. Os pesos e as medidas são exatos, conforme nosso ato e bagagem de todas as vidas já experimentadas. Funciona exatamente como uma semente plantada que dará o fruto que a ela corresponder e nunca outro.

Retorno Imediato


Às vezes, a lei do retorno é direta. Alguém o derruba nessa esquina e na próxima leva um tombo. Você ajuda o próximo aqui e logo ali um anjo aparece em sua vida, trazendo-lhe a solução que tanto esperava. Se acontecesse sempre assim, teríamos mais clareza de sua existência e precisão. Mas essa é aquela semente que brota rapidamente, como a do feijão que começa a germinar em dois dias. Na lei do retorno são mais raras, mas ainda possíveis.

Retorno a médio prazo

Existem ocasiões em que o bumerangue da lei do retorno demora anos para voltar ao ponto de origem. Alguém o rouba hoje e somente quando essa pessoa estiver idosa é que o carma criado vai se manifestar. E… pimba! no momento em que mais precisava, o universo vem cobrar a dívida do passado, e sem qualquer negociação. Você passa a vida toda ajudando todo mundo, e quando desiste dos seus sonhos, vem Deus e o coloca onde você sempre quis estar.

Retorno a longo prazo

Mas na maioria dos acontecimentos, o retorno pode demorar literalmente uma vida. Ou até mais. Tudo depende de uma conjuntura de fatores. Primeiro você precisa estar preparado para o fardo. Deus nunca lhe traz aquilo que você não pode suportar. Então, antes de pagar a dívida, é preciso que a alma evolua. Muitas vezes, a pessoa o humilhou a vida toda, pela soberba de sua riqueza, e só na próxima vida ela virá pobre para evoluir sua alma na dificuldade financeira, sendo vítima de todas aquelas situações em que, outrora, ela o havia humilhado.

Ausência aparente de retorno

Alguém que o prejudicou pode nunca pagar por isso, uma vez que o mal causado vem do débito que você tinha com tal pessoa, desde vidas passadas. Na verdade, ela que está acertando as contas com você. Isso não quer dizer que ela esteja livre da dívida pelo que lhe causou. Mas, se esse retorno vier, será na razão e no mistério de Deus, bem longe do nosso entendimento. Da mesma forma, alguém que muito ajuda os outros, mas padece em sua própria vida, pode estar devolvendo aquilo que um dia tirou. E seu retorno será a quitação das dívidas do passado. Portanto, também invisível aos nossos olhos.

A lei do retorno é uma engrenagem exata onde todas as peças se encaixam e funciona na inteligência suprema de Deus, que nós, seres humanos, não somos capazes de alcançar.
Para nos mantermos no melhor de nós mesmos e evitar dívidas desnecessárias e perigosas, nesta ou nas próximas vidas, devemos sempre ter em mente aquela musiquinha da banda Legião Urbana linda de se ouvir: “Tudo que você faz, um dia volta para você.
E se você fizer o mal, com o mal mais tarde terá de viver. (…) Como um bumerangue, tudo vai voltar…”

 

Via – https://www.resilienciamag.com

Umberto Eco alerta: “Nem todas as verdades são para todos os ouvidos.”

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Uma das maiores dificuldades comunicativas diz respeito à capacidade de expor pontos de vista sem exagerar no tom impositivo ou mesmo agressivo com que se defendem argumentos, mesmo os mais incoerentes. Cada vez mais intolerantes, as pessoas parecem precisar revestir seus discursos de agressividade, para que pareçam convincentes.

Com o advento da Internet, todos possuímos espaços virtuais onde podemos nos expressar, expondo nossos pontos de vista sobre assuntos vários. Ilusoriamente protegidos pela distância que a tela fria traz, muitas vezes excedemos no radicalismo com que pontuamos nossos comentários, sem levar em conta a maneira como aquelas palavras atingirão o outro.

A frieza do cotidiano e a concorrência de mercado acabam por contaminar nocivamente os relacionamentos humanos, que se tornam cada vez menos afetivos, tão robóticos quanto as máquinas de café que nos entopem os sentidos. Importamo-nos quase nada com os sentimentos alheios, com a historia de vida alheia, com a necessidade de entender as razões que não são nossas, pois queremos a todo custo extravasar tudo isso que se acumula dentro de nós em meio à velocidade estressante de nossas vidas. 

Nesse contexto, quando expomos aquilo que pensamos sobre determinado assunto, principalmente relacionados à política e/ou à religião, acabamos sendo vítimas de contra-ataques violentos que não rebatem o que expusemos, mas tão somente tentam neutralizar nossa verdade com destemperos emocionais isentos de criticidade. Aceitável seria, entretanto, uma contra-argumentação pautada por reflexões plausíveis, o que não ocorre, em grande parte dos casos.

O fato é que poucos estão dispostos a se abrir ao que o outro tem a oferecer, a dizer, a mostrar, a trazer de diferente para suas vidas, porque é trabalhoso refletir sobre idéias já postas e cristalizadas dentro de nós, ao passo que manter intacto aquilo que carregamos há tempos é cômodo e tranquilo. E quem não quer não muda, não recebe o novo, somente dá em troca o pouco que tem e, pior, muitas vezes de forma deselegante e depreciativa.

Portanto, é necessário que aprendamos a nos expressar e a debater nossas ideias com quem realmente estiver pronto para trocar conhecimentos, com quem possui uma postura receptiva para com o novo e que não se importa com a quebra de certezas. Não percamos nosso precioso tempo com quem só ouve o que quer e da forma que lhe convém, diminuindo-nos por conta da diversidade de opiniões. Esses definitivamente não merecem nem mesmo nossa presença.

Texto de Marcel Camargo

 

Usa e joga fora!

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Curtir, compartilhar, se conectar ao Wi-Fi, começar uma amizade, terminar uma amizade, descurtir. A vida contemporânea inexoravelmente também se passa na rede, de modo que é imprescindível para o entendimento do mundo que nos cerca a compreensão do que significa uma vida ligada por uma rede wireless, assim como, de que modo esse estilo de vida interfere nas relações interpessoais.

A despeito disso, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman nos oferece um manancial de conhecimento através do seu olhar crítico e atento do mundo contemporâneo. Para ele, o grande sucesso da vida “online” reside na facilidade de desconectar, isto é, de fazer e se desfazer dos laços construídos sem o dispendioso trabalho que possuímos na vida “off-line”. Dessa maneira, as relações são pautadas pela extrema fluidez e velocidade, uma vez que o grande atrativo da vida online é poder estar em constante movimento, desfrutando livremente da tecla “delete” assim que uma relação acene com possibilidades melhores.

Esse modelo de relacionamento, portanto, parece ter como fonte principal de prazer o ato de se desfazer das relações, já que o sucesso dos relacionamentos não é medido pela profundidade, e sim pela sua capacidade rotativa que transforma tudo em uma grande rede descartável.

“A alegria de livrar-se de algo, o ato de descartar e jogar no lixo, esta é a verdadeira paixão do nosso mundo.”

Sendo assim, qualquer tempo investido em uma relação mais profunda e, sobretudo, fora de uma tela, é tido como sinônimo de desperdício, afinal, com tantas opções, qual a razão para estar preso em apenas algumas delas? A associação de tempo investido com desperdício ganha contornos ainda piores ao analisarmos o contexto no qual estamos inseridos, em que o tempo tornou-se um artigo de luxo e, portanto, o “sucesso” do indivíduo está diretamente relacionado ao modo como abandona antigas preferências e desliza com agilidade e leveza por novas.

“Fazer contato visual ou permitir a aproximação física de um outro ser humano é sinônimo de desperdício, pois equivale a dedicar algum tempo, escasso e precioso, a aproximação: decisão que poderia interromper ou impedir o surfe em tantas outra superfícies convidativas.”

Há de se considerar, dessa forma, que no mundo online a quantidade exerce maior importância que a qualidade, de tal maneira que se deve buscar a maior rotatividade possível, a fim de contemplar um maior número de conexões. Para facilitar tantas conexões, as relações devem ser ausentes de contradições e contrastes que tornam as relações reais mais trabalhosas, levando, assim, a uma padronização das relações e, consequentemente, das pessoas presentes nessas relações.

“A capacidade interativa da internet é feita sob medida para essa nova necessidade. É a quantidade das conexões, mais que sua qualidade, que faz a diferença entre as possibilidades de sucesso ou fracasso.”

Essa padronização talvez seja o traço mais destrutivo do modelo de vida online que levamos, já que há uma despersonalização do individuo, que é despido de suas características próprias para que possa ser integrado pela grande rede. Em outras palavras, ao seguir esse modelo, há uma automatização que transforma os humanos em ciborgues e, pior, de forma espontânea e livre, posto que já estamos biologicamente programados, como revela uma pesquisa, a qual diz que recebemos um fluxo de dopamina (produto químico que negocia o prazer no cérebro) quando ouvimos o aviso da caixa de entrada.

Entretanto, é inocência pensar que a vida off-line esteja tão diferente, diria que esta está englobada pela vida online ou no mínimo segue os seus ditames, ou seja, busca fugir da dispendiosidade que relações verdadeiras possuem, bem como, do tempo que é necessário ser investido nas mesmas. Nesse ponto reside o cerne da questão, uma vez que uma relação verdadeira seja real ou virtual necessita de tempo e da capacidade de o indivíduo estar aberto às dificuldades inerentes em qualquer tipo de relacionamento. Apesar disso, não estamos dispostos a nos esforçar tanto por uma relação, já que, como disse, existem milhares o tempo inteiro acenando com possibilidades mais atraentes.

Essa grande rede de conexões, no entanto, é apenas uma ideia ilusória, posto que ao estar inserido em tantas relações, não há envolvimento com nada, de tal forma que o indivíduo se encontra em um meio termo em que não se envolve verdadeiramente com o que acontece com os amigos virtuais, mas também não está envolvido com o que acontece nas relações reais, inclusive, pelo fato destas estarem cada vez mais parecidas com as relações virtuais.

Obviamente, nem todas as relações são pautadas da forma supracitada, bem como, não há problema em usufruir a internet, afinal, esse texto chegará até você por meio dela. Sendo assim, o problema está no modo como utilizamos essa ferramenta e como temos aplicado o seu modus operandi na vida off-line, revelando ao mesmo tempo uma solidão imensa que cria a necessidade de estar o tempo inteiro “conectado” e a incapacidade/falta de vontade/preguiça de estar inserido profundamente em uma relação que não seja equipada com a tecla “delete” e “antispam”, “[…] mecanismos que protegem das consequências incômodas (e sobretudo dispendiosas em termos de tempo) das interações mais profundas”.

Como dizia Millôr Fernandes – “O importante é ter sem que o ter te tenha”, de modo que ao estarmos inseridos na grande rede, é preciso lembrar que a pessoa humana real precede e é mais importante que um perfil em uma rede social. Mais que isso, é preciso lembrar que pessoas reais não sorriem o tempo inteiro e não “seguem” as mesmas coisas que nós, de forma que impreterivelmente haverá problemas que não poderão ser resolvidos com a tecla “delete”, assim como, existem emoções e sentimentos que jamais poderão ser sentidos através de uma tela, já que por mais que a internet tenha avançado, nada substitui a conexão de dois corações em sintonia.

 

Texto de Erick Morais

 

 

Dicas para fortalecer-se emocionalmente por Tereza Gurgel

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vida cotidiana é pontilhada de acontecimentos que fogem do nosso controle e vontade. Somos também influenciados diariamente pelas pessoas ao nosso redor e nos tornamos presas de nossas próprias emoções.Não é fácil aceitar a realidade, muitas vezes, dolorosa. Será que vivemos apenas no piloto automático, sem ter coragem para tomarmos o controle de nosso destino? Por que razão abrimos mão de nossa vida e deixamos que outros tomem o controle?

Na verdade, isto se deve ao fato de que é muito mais confortável para nós alimentarmos a preguiça. Mudar exige compromisso, muito empenho e o caminho para a melhora tem seus altos e baixos. Temos tanto com o que nos preocupar e fazer que não sobra tempo para o mais importante: cuidar de si.

Se você quer mudar sua vida, evitando emoções que podem minar a sua saúde, comece a aceitar alguns fatos:

  • É inevitável que as coisas não aconteçam exatamente como você quer; aliás, isto seria impossível, pois a nossa vontade pode, muitas vezes, contrariar a de outros! Comece a ver o quadro maior, saindo do vitimismo.
  • Você não pode voltar atrás, pois vivemos em uma dimensão em que o tempo não retrocede. Então, não há motivo para ficar imerso na recordação de tempos antigos. Se o passado existiu, é para que você aprenda as lições dele e siga em frente. Evite aquelas frases como: “No meu tempo…” O nosso tempo é o agora! Viva no presente, sempre alerta nesse instante precioso que passa.
  • Também evite se angustiar pelo futuro. Ele é fruto daquilo que você constrói hoje, com mais alguns imprevistos e mudanças que não dependem diretamente de você. Então, faça bem a sua parte.
  • Organize melhor seu tempo. As pessoas vivem dizendo que não têm tempo para nada, mas isto reflete a falta de coordenar melhor suas atividades diárias. Estar ocupado o tempo todo não significa necessariamente que você esteja produzindo mais! Você dedica tempo para fazer aquilo que gosta? Qual foi o último dia que você relaxou?

controle emocional

  • A vida, muitas vezes, pode ser brutal, injusta e dolorosa; reconheça seus sentimentos negativos. “Sim, estou com raiva por ter perdido aquele trabalho”, “Sim, estou triste porque perdi meu amor”, etc. Identifique seus sentimentos, não brigue com eles e, principalmente, não se abandone neles. Pense naquilo que você vai fazer a partir destes sentimentos, daqui por diante. “Ok, perdi aquele trabalho, fiquei com muita raiva, mas como posso arrumar outro, que seja o melhor para mim? Devo investir em um aprimoramento, fazer cursos?”, “Meu amor se foi, me sinto sem chão, mas a partir de agora tenho que cuidar com mais amor de mim mesma. Que tipo de pessoa quero atrair na minha vida?”. Pense se uma terapia, convencional e/ou complementar, não seria um bom caminho para se perceber melhor. Mas não se esqueça: terapia é esforço, terapeuta nenhum é mágico! Não delegue aos outros aquilo que é seu dever.
  • Não adianta querer ignorar a realidade. Muitas coisas não dão certo mesmo! Você se esforçou, procurou fazer tudo bem planejado, mas… Aprenda o seguinte: você pode mudar a maneira como reage frente a essas situações. Como? Aceitando que não funcionou, mas que existem outras maneiras de se fazer algo dar certo. O que você vai fazer daqui por diante? Sentar, se desesperar e se lamentar ou procurar outro rumo?

Buda já disse:

“A vida é sofrimento; a causa do sofrimento é o desejo; a cessação do sofrimento é se ver livre do desejo; o modo de fazê-lo é seguir o Nobre Caminho Óctuplo (entendimento correto, aspiração correta, linguagem correta, ação correta, meio de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta)”.

Deixo como reflexão final as palavras do político e escritor Walther Rathenau(1867 – 1922), que foi uma das primeiras vítimas nos primórdios do nazismo. Seu assassinato foi um sinal antecipado da instabilidade e dos horrores que viriam a seguir e que culminaram na Segunda Guerra Mundial:

“Mesmo as épocas de opressão são dignas de respeito, pois são a obra, não dos homens, mas da humanidade e, portanto, da natureza criadora, que pode ser dura, mas nunca é absurda. Se a época que vivemos é dura, temos o dever de amá-la ainda mais, de penetrá-la com o nosso amor, até que tenhamos afastado as enormes montanhas que dissimulam a luz que há para além delas.”