Arquivo por Autor | elisabetecunha2008

Edgar Degas

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“Chamam-me o pintor das bailarinas”, dizia Degas com tristeza, “não compreendem que a bailarina é um pretexto para reproduzir o movimento fluido.”

“Bailarinas em Rosa” – Edgar Degas
Pintor francês impressionista (1834-1917)

Degas era conhecido como “o pintor das bailarinas”, mas hoje é reconhecido como tendo feito a ponte entre a pintura do século XIX e a do século XX.

Degas (cujo nome completo era Hilaire-Germain-Edgar De Gas) nasceu em Paris, na França, no dia 19 de julho de 1834, e morreu na mesma capital, no dia 27 de setembro de 1917.

Degas era pintor, artista gráfico e escultor, amplamente celebrado pelas suas imagens da vida parisiense. Seu tema principal era a figura humana — especialmente a feminina —, que ele trabalhou em obras que vão desde os retratos sombrios de seus primeiros anos até os estudos de lavadeiras, cantoras de cabaré e modistas, em que seguia as técnicas do estilo de pintura chamado impressionismo. As bailarinas e as mulheres se banhando foram temas dos quadros de Degas durante toda a sua carreira.

Degas foi um inovador incansável e, mesmo reconhecido como um dos melhores desenhistas de seu tempo, fez experiências com uma ampla variedade de materiais e meios de criar imagens, usando óleo, pastel, guache, gravura, litografia, monotipia, modelagem em cera e fotografia.

Nas últimas décadas de sua vida, tanto os seus temas quanto as suas técnicas simplificaram-se, originando uma nova arte de cores vivas e formas expressivas, bem como vastas sequências de obras intimamente ligadas.

Ele chegou a ser marginalizado como “o pintor das bailarinas”, mas agora é reconhecido como uma das figuras mais complexas e inovadoras de sua geração, tendo influenciado Pablo Picasso, Henri Matisse e muitos dos principais artistas do século XX.

“A Primeira Bailarina” – Edgar Degas
“A Aula de Dança” – Edgar Degas







“Ensaio de Balé” – Edgar Degas
Degas
“As Bailarinas em Azul” – Edgar Degas

Degas

 

Fonte – 

Um Recado para Clarice – Elisabete Cunha

Clarice
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Espero que  você esteja bem e continue indo fundo da alma feminina de maneira em que incomode como um soco no estômago. Na verdade , poucos conseguem . Só você tem conseguido fazer isso comigo ao longo de tantos anos . Eu lhe conheci no ginásio, confesso que não lhe entendia muito naquela época,porque a vida ainda não tinha me tornado mulher com dores e amores, era uma menina curiosa e cheia de vontade de entender o mundo.

Você veio para o Brasil tão menina, Recife acolheu sua família…você cresceu e adquiriu traços da personalidade de mulher nordestina. Mulher nordestina já nasce com a alma sensibilizada com a beleza da nossa terra e com o sofrimento do nosso povo. Nascemos sabendo que temos que mostrar mais eficiência e coragem para que nos respeitem Brasil afora.

Aquele livro de Fotobiografia sobre você , que comprei na Casa das Rosas em São Paulo (um dos meus lugares preferido na terra da garoa) emprestei e nunca mais me devolveram…roguei uma praga pra pessoa que ficou e não me devolveu de nunca mais entender uma vírgula sobre você.
Acho que consegui…tomara!

Ahhh Clarice , como te deram frases que você nunca disse e nem sequer imaginou em escrever.
Querida , e o pior é que estão soltas pela internet. Cheias de blábláblá e dignas de quem nunca leu de fato um livro seu e não conhece seu estilo.

Você era uma grande leitora do mundo . Bem, acho que todo escritor, mesmo o medíocre, é. Um escritor não tem outra coisa para trabalhar, senão a própria vida. Pode se debruçar sobre a literatura do passado, pode fazer experiências formais e se entregar a uma “literatura culta”, pode tudo, mas estará sempre defrontado com a realidade.

Você Clarice, porém, lia o mundo não na visão chapada das grandes paisagens, ou dos personagens “perfeitos”, mas nas entrelinhas. Você conseguia ver o “entre”. Perfurava o real, cavando ali onde, quase sempre, por preguiça, por desatenção, por medo, nos detemos. Você não.
Espero que daí onde está você não veja. Certamente morreria (de novo) de desgosto ao lê-las tão fofinhas e açucaradas.

Pela vida Clarice, tenho observado o quanto você é sempre muito envolvente. Algumas pessoas não a suportam, e não voltam mais. Outras se entregam e, até, se desfazem em lágrimas. Ler você cara Clarice é, sempre, uma ameaça.
Você cirugicamente mexe no fundo de cada um que lê, e se for uma mulher ,muitas vezes você mata a dita cuja sem dó, gosto disso.
Quantas pessoas gostariam de escrever cada letra , cada vírgula que você consegue expressar nas linhas da vida?

Bem, vou me despedindo por aqui e já que estamos falando de frases , as suas me descrevem. “Estou passando a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar…”
Enfim:
“Valorize quem te ama, esses sim merecem seu respeito. Quanto ao resto, bom… ninguém nunca precisou de restos para ser feliz.”
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Ave Clarice !
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Um beijo!

Elisabete Cunha

“Não suporto meios termos. Por isso, não me dou pela metade. Não sou sua meio amiga nem seu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada”
―Clarice Lispector
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“Sorrisos e abraços espontâneos me emocionam. Palavras até me conquistam temporariamente. Mas atitudes me ganham para sempre.”
―Clarice Lispector
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“Eu sou uma eterna apaixonada por palavras, música e pessoas inteiras. Não me importa seu sobrenome, onde você nasceu, quanto carrega no bolso. Pessoas vazias são chatas e me dão sono.”
―Clarice Lispector
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“Deixo-te livre para sentir minha falta, se é que faço falta. Tens meu número, na verdade, meu coração, então se sentir vontade de falar comigo, me procura você.”
―Clarice Lispector
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“Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.”

―Clarice Lispector

Foto de Elisabete Cunha.

Filhos da Insegurança (filhos de alcoolistas)

Analisar os impactos negativos sobre as crianças, que tornam-se cedo demais excessivamente responsáveis, vivendo num regime de urgência e de insegurança, que lhes rouba o melhor da infância e perturba para sempre sua relação com a realidade do mundo e dos outros.

Estabelecer uma comparação entre as crianças crescidas num ambiente sadio e as que tiveram que se desenvolver no clima doentio do alcoolismo paterno ou materno. Com base nessas observações.

Estudos apontam que filhos de alcoolistas têm maior chance para o desenvolvimento de depressão, suicídio, desordens alimentares, ansiedade, fobia social e para o desenvolvimento de comportamentos violentos, dependência química, envolvimento com acidentes e gravidez na adolescência (Christensen & Bilenberg, 2000; Furtado e cols., 2002; Mylant, Ide, Cuevas & Meelhan, 2002; Figlie e cols., 2004).

A família alcoolista tende a centrar-se no álcool, esquecendo de oferecer assistência às crianças. Por exemplo, as necessidades normais de dependência dos filhos não são satisfeitas e a criança pode experenciar um sentimento crônico de tristeza e perda, que se manisfesta em depressão e num senso de ser “diferente” dos outros. Quando adulto, esse indivíduo pode experenciar isolamento emocional, medo da intimidade e tendência a reagir passivamente em vez de agir em seu próprio interesse.

Características :

Não confiar
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Numa família alcoólica ou disfuncional promessas são freqüentemente esquecidas, celebrações canceladas e o humor dos pais geralmente imprevisível. Como resultado, Filhos Adultos aprendem a não contar com os outros e freqüentemente tem dificuldade em acreditar que os outros podem se preocupar em seguir seus compromissos ou promessas.
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Não sentir
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Devido a constante dor do desapontamento, a criança numa família alcoólica deve “parar de sentir” para sobreviver emocionalmente. Afinal qual a utilidade de se ferir o tempo todo? Nessas famílias, quando as emoções são expressas, elas são freqüentemente abusivas e estimuladas pela bebida.
Essas explosões não tem resultados positivos e junto com o ato de beber, são habitualmente negados no dia seguinte. Assim, Filhos Adultos tem poucas oportunidades para ver emoções expressadas apropriadamente e usadas para estimular mudanças construtivas. Então os Filhos Adultos pensam: “por que sentir alguma coisa quando os sentimentos somente saem do controle e não mudam nada de fato? Eu não quero me ferir mais do que eu já faço”.
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Não falar
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Filhos Adultos aprendem em suas famílias a não falar sobre boa parte de sua realidade- o ato de beber de alguém ou outra disfuncionalidade. Isso resulta na necessidade da família em negar que um problema existe e que o ato de beber ou disfuncionalidade de alguém está ligado a esse problema.
Isso que é tão evidente não precisa ser comentado. Há freqüentemente uma esperança que se ninguém falar sobre o problema ele simplesmente não virá a se repetir. Também não há nada de bom para falar. E impossível falar quando um parente esta alcoolizado. Quando o parente esta sóbrio, todos querem esquecer. Desse treino desde cedo, Filhos Adultos geralmente desenvolvem uma tendência a não falar em nada desagradável.
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Filhos Adultos se preocupam com o que é “ser normal”
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Não há nenhuma referência para o que possa ser uma família normal. Você também não tem referências sobre o que pode ser falado e sentido. Numa situação mais saudável, você não precisa pisar em ovos todo o tempo.
Por você ter feito isso, você se torna confuso. Muitos acontecimentos do passado contribuem para que você se preocupe com o que é ser normal.
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Filhos adultos tem dificuldade em seguir um projeto do início ao fim.
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Em lares saudáveis, a criança tem este comportamento e atitudes como modelos. A criança observa o processo e pode eventualmente Ter perguntas durante o seu desenvolvimento.
O aprendizado pode ser mais indireto do que direto, mas está presente. Devido a sua experiência Ter sido bem diferente, não deve ser uma surpresa que você tenha problemas em seguir um projeto do inicio ao fim.
Mentir é a base do sistema familiar afetado pelo álcool. Ele mascara em parte a visível negação de realidades desagradáveis, encobre situações, promessas não cumpridas e inconsistentes. Mentir como norma em sua casa tornou-se parte do que você conheceu e sobre o que pode ser útil para você. De vez em quando, mentir faz a vida muito mais confortável.
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Filhos Adultos julgam eles mesmos sem misericórdia.
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O seu julgamento dos outros não é nada perto daquele destinado à você mesmo. Branco e preto, bom ou mau, são as maneiras típicas pelas quais você enxerga as coisas. Você sabe o que é se sentir mal, e como esses sentimentos fazem você se comportar. E então, se você esta bem há sempre o risco de que não vá durar. 
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Filhos Adultos se levam muito a sério.
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Essas duas características estão intimamente ligadas. Você não escuta seus pais rindo , brincando ou relaxando. A vida é uma coisa muito séria. O humor da sua casa não permite que haja algum tipo de relaxamento. Eventualmente você simplesmente convive com os outros.. Se divertir, relaxar, não era permitido. A sua criança interior foi reprimida.
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Filhos Adultos tem dificuldades com relacionamentos íntimos.
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Os sentimentos de estar inseguro, ter dificuldade em confiar ou de se magoar, não são exclusivos de Filhos Adultos. Esses são problemas que muitas pessoas tem. É simplesmente uma questão de grau, você sendo um Filho Adulto faz com que algumas dificuldades normais venham a ser mais intensas.
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Filhos Adultos reagem de forma excessiva quando não tem o controle de uma situação.
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O jovem filho de uma família alcoólica ou disfuncional não estava no controle. A vida do alcoólico ou de outro pai/mãe disfuncional foi imposto à eles, assim como seu ambiente. Para sobreviver quando estava crescendo, ele teve que mudar. Ele teve que se encarregar de criar seu próprio ambiente para o desenvolvimento. Isso foi muito importante e muitas lembranças ficaram. O filho de um alcoólico aprendeu a confiar somente nele mais do que em qualquer outra pessoa quando era impossível contar com o julgamento de outra pessoa para ajudá-lo.
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Filhos Adultos procuram constantemente aprovação e afirmação.
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A mensagem que você teve quando criança foi muito confusa. Não havia um amor incondicional. A definição não era clara e a mensagem eram misturadas. “sim, não, eu te amo, vá pra longe”.
Então você cresceu confuso sobre seu real valor.
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Filhos Adultos sentem-se diferentes das outras pessoas.
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Sentir-se diferente é algo que você deve ter desde sua infância e mesmo em circunstâncias que não havia garantiam isso o sentimento prevalecia.
Outras crianças tiveram a oportunidade de serem crianças, você não. Você estava muito preocupado com o que acontecia em sua casa. Você pode nunca ter se sentido completamente a vontade brincando com outras crianças. Você não estava completamente lá. Você se preocupava com os problemas de sua casa que tomavam espaço de todo o resto em sua vida.
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Filhos Adultos são super responsáveis ou muito irresponsáveis.
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Ou você pega tudo, ou abandona tudo. Não há o caminho do meio. Você tenta agradar seus pais fazendo mais e mais ou você chega num ponto em que reconhece que isso não importa, então você acaba não fazendo nada.
Esse sentimento faz com que o Filho Adulto muitas vezes repita esse padrão, ao manter-se em relacionamentos cujo melhor destino seria a separação ou uma ruptura de algum tipo.
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Filhos Adultos são impulsivos
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Filhos Adultos tem a tendência a prender eles mesmos em um modo de agir sem pensar seriamente em comportamentos alternativos ou possíveis conseqüências. Essa impulsividade leva a confusão, uma sensação de auto-ódio e a perda do controle sobre a situação. Alem disso eles perdem uma excessiva quantidade de energia arrumando a bagunça que fizeram
 
 

Fonte-http://www.moreirajr.com.br/

Joseane de Souza
Psicóloga. Doutoranda do Curso de Pós-graduação em Enfermagem Psiquiátrica da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – USP.
Ana Maria Pimenta Carvalho
Professora doutora do Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – USP.
Endereço para correspondência: R. Sorocaba, 465 C.P. 248 CEP 85055-090 Guarapuava – PR. E-mail: Joseanepsico@ig.com.br

Delicadeza – Elisabete Cunha

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Eu adoro a língua portuguesa.

Sempre adorava minhas aulas de Português, era uma boa aluna de uma matéria só: “Português”, o meu boletim sempre vinha com notas altas e em azul e por algumas razões não gostava na mesma intensidade das aulas de Matemática.

Para mim a Matemática era muito exata, muito concreta e gelada. As letras não…eram abstratas. Eu podia criar palavras, fantasiar situações e alimentar a minha cabecinha de criança ao escrever e isso me fazia feliz.

Sempre viajei nas palavras, histórias, contos , no significado, no peso e na leveza de cada uma delas.Tem palavra que tem até cheiro e gosto . Isso sem falar do poder de levantar e derrubar qualquer pessoa.

Tenho paixão por palavras terminadas com o sufixo EZA…

(com o sufixo esa , não me interesso muito).

A minha predileta é DELICADEZA. Mas, também gosto de beleza, certeza, gentileza, clareza, fineza, firmeza,franqueza, grandeza,leveza, limpeza, nobreza, pureza e algumas outras lindezas.

Mas, como nada é perfeito tambem existem :
Frieza, Dureza e TRISTEZA.

P.S.. Não sei, só sei que é assim!
(Como diria o Suassuna , aquele que escrevia numa boniteza retada )

Elisabete Cunha

Sobre o abandono – Marla de Queiroz

 

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Frequenta o abandono quem vive um quase namoro, fantasia reciprocidade, aceita abraço frouxo, conversa sem olho no olho, ausência de carícia.-

Frequenta o abandono quem chama a rejeição de saudade, implora por qualquer fiapo de atenção, enfeita sua própria desvantagem. 

Frequenta o abandono quem vê na recusa uma possibilidade de mudança ignorando os sinais óbvios da distância.

Frequenta o abandono quem não reconhece que ser bem tratada não é um mérito, mas uma condição e segue chamando migalhas de banquete.

Frequenta o abandono com assiduidade quem se contenta com tão pouco que o Outro para mantê-la descobre que pode dar cada vez menos.

Frequenta o abandono quem não está disponível pra viver um romance porque namora um drama.

Marla de Queiroz

ENCONTRO – Marla de Queiroz

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Quando me encontrei comigo, eu estava de passagem. Gostei tanto de quem conheci que resolvi andar junto, lado a lado, dentro.Eu introjetei em mim aquela pessoa que, finalmente, não estava mais vivendo levianamente, mas participando verdadeiramente da realidade. Foi estando muito lúcida que pude me embriagar de arte e deixar minha imaginação inventar os caminhos que ela trilharia. Conheci paisagens, às vezes, muito familiares, mas o meu olhar era inédito.

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Não sou mais imediatista quando me faço companhia, pois essa nova pessoa respeita o seu próprio tempo.Por isso, também é preciso evitar alguns lugares, pessoas, antigos hábitos e pensamentos. O passado só me cabe para servir como base para o que tenho me tornado. Cada dia eu amanheço numa página em branco e vou dormir numa outra cheia de coisas que escrevi e vivenciei. A única garantia é que nem sempre encontro o que procuro, mas sempre busco o estado e o lugar mais confortáveis para mim.

Eu mereço experienciar esta fascinação pela vida e a liberdade de ser exuberante e transformar o chão em céu, o mar em útero, meu corpo em Templo. Respeito os que vivem de outro modo, porque meu caminho não é o certo nem o único, é o que eu escolhi para mim quando lancei mão do meu livre arbítrio.


E nasci apaixonada pelo amor, mas só agora, me fazendo companhia, é que ele deixou de ser uma palavra para se tornar uma experiência.
Sou muito grata por estar na esquina aonde eu estava passando e por ter me dado a mão…Caminhamos juntas: eu comigo mesma!

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Marla de Queiroz

 

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A Marca da Saudade – Ita Portugal

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Saudade não se cura, não se mata, não possui juízo, não leva desaforo prá casa. Saudade não se confronta, não possui companhia, não tem prazo de validade. Saudade não possui destino certo, não fica impotente. Saudade toca flauta no coração lembrando sua presença.

A saudade é muda, silenciosa, companhia no desamparo. A saudade é o sentimento que despe a alma. Saudade que se preze é cheia de intenções e a maior delas é ressuscitar as lembranças. Saudade respeitada é aquela que abre a porta do passado, por teimosia, engaiola as certezas e interdita os novos amores.

A saudade é a bagunça afetiva que não nos ensinaram a arrumar. É a solidão fantasiada de melancolia. Sentir saudade é querer o manjar do passado que está estragado. É continuar o ritual, agora sem companhia. É dançar sem música, correr sem adversário, cantar sem afinação, tocar sem partitura, seduzir sem parceiro, sentir frio no banco da praça, sem cobertor para aquecer.  

Saudade é o canto da sala que não foi varrido, mas pode ser a nossa chancela e nosso exílio, nossa tragédia ou reeducação amorosa. Saudade é o fervor escondido do que se foi. Toda saudade é um pouco fantasma que se alimenta na nossa solidão. É cortar as asas do nosso coração para não deixá-lo voar. Saudade é tudo que dizem por aí. Saudade é o tropeço que o amor deixou.

Ita Portugal