Felicidade / Marla de Queiroz

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Há exatos cinco minutos decidiu ser feliz.

Não que já não fosse de alguma forma. Mas decidiu tomar consciência de que sua pressa não tinha sentido e que havia um condicionamento exaustivo para sentir-se sempre em falta.

Decidiu ser feliz assim: se despedindo de alguns hábitos, pessoas, desocupando lugares que lhe davam a extrema sensação de estar na contramão da alegria. Sua infelicidade era composta por coisas simples, mas simbólicas: uma cama alheia convidativa, mas que esvaziava o seu espaço. Uma pessoa sedutora, mas que lhe roubava a individualidade e determinava seu estado de espírito.

Sua consciência esclarecia a precisa carência em que vivia. A inanição de afetos: abandonou seu espaço de criação e o momento de solitute, os prediletos. Mas bateu um cansaço mental e físico tão absolutos que teve a sensação de que, se não decidisse ser feliz naqueles exatos cinco minutos, quando o seu corpo se sentisse realmente deitado e sua mente silenciasse, nunca mais sairia daquela posição, daquele estado. E era preciso continuar.

Então, a felicidade começaria ali, com um simples repouso de tudo, de todos, de uma parcela de mundo. Naqueles exatos cinco minutos.

 

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