Arquivo | junho 2015

Filhos da Insegurança (filhos de alcoolistas)

Analisar os impactos negativos sobre as crianças, que tornam-se cedo demais excessivamente responsáveis, vivendo num regime de urgência e de insegurança, que lhes rouba o melhor da infância e perturba para sempre sua relação com a realidade do mundo e dos outros.

Estabelecer uma comparação entre as crianças crescidas num ambiente sadio e as que tiveram que se desenvolver no clima doentio do alcoolismo paterno ou materno. Com base nessas observações.

Estudos apontam que filhos de alcoolistas têm maior chance para o desenvolvimento de depressão, suicídio, desordens alimentares, ansiedade, fobia social e para o desenvolvimento de comportamentos violentos, dependência química, envolvimento com acidentes e gravidez na adolescência (Christensen & Bilenberg, 2000; Furtado e cols., 2002; Mylant, Ide, Cuevas & Meelhan, 2002; Figlie e cols., 2004).

A família alcoolista tende a centrar-se no álcool, esquecendo de oferecer assistência às crianças. Por exemplo, as necessidades normais de dependência dos filhos não são satisfeitas e a criança pode experenciar um sentimento crônico de tristeza e perda, que se manisfesta em depressão e num senso de ser “diferente” dos outros. Quando adulto, esse indivíduo pode experenciar isolamento emocional, medo da intimidade e tendência a reagir passivamente em vez de agir em seu próprio interesse.

Características :

Não confiar
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Numa família alcoólica ou disfuncional promessas são freqüentemente esquecidas, celebrações canceladas e o humor dos pais geralmente imprevisível. Como resultado, Filhos Adultos aprendem a não contar com os outros e freqüentemente tem dificuldade em acreditar que os outros podem se preocupar em seguir seus compromissos ou promessas.
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Não sentir
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Devido a constante dor do desapontamento, a criança numa família alcoólica deve “parar de sentir” para sobreviver emocionalmente. Afinal qual a utilidade de se ferir o tempo todo? Nessas famílias, quando as emoções são expressas, elas são freqüentemente abusivas e estimuladas pela bebida.
Essas explosões não tem resultados positivos e junto com o ato de beber, são habitualmente negados no dia seguinte. Assim, Filhos Adultos tem poucas oportunidades para ver emoções expressadas apropriadamente e usadas para estimular mudanças construtivas. Então os Filhos Adultos pensam: “por que sentir alguma coisa quando os sentimentos somente saem do controle e não mudam nada de fato? Eu não quero me ferir mais do que eu já faço”.
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Não falar
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Filhos Adultos aprendem em suas famílias a não falar sobre boa parte de sua realidade- o ato de beber de alguém ou outra disfuncionalidade. Isso resulta na necessidade da família em negar que um problema existe e que o ato de beber ou disfuncionalidade de alguém está ligado a esse problema.
Isso que é tão evidente não precisa ser comentado. Há freqüentemente uma esperança que se ninguém falar sobre o problema ele simplesmente não virá a se repetir. Também não há nada de bom para falar. E impossível falar quando um parente esta alcoolizado. Quando o parente esta sóbrio, todos querem esquecer. Desse treino desde cedo, Filhos Adultos geralmente desenvolvem uma tendência a não falar em nada desagradável.
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Filhos Adultos se preocupam com o que é “ser normal”
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Não há nenhuma referência para o que possa ser uma família normal. Você também não tem referências sobre o que pode ser falado e sentido. Numa situação mais saudável, você não precisa pisar em ovos todo o tempo.
Por você ter feito isso, você se torna confuso. Muitos acontecimentos do passado contribuem para que você se preocupe com o que é ser normal.
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Filhos adultos tem dificuldade em seguir um projeto do início ao fim.
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Em lares saudáveis, a criança tem este comportamento e atitudes como modelos. A criança observa o processo e pode eventualmente Ter perguntas durante o seu desenvolvimento.
O aprendizado pode ser mais indireto do que direto, mas está presente. Devido a sua experiência Ter sido bem diferente, não deve ser uma surpresa que você tenha problemas em seguir um projeto do inicio ao fim.
Mentir é a base do sistema familiar afetado pelo álcool. Ele mascara em parte a visível negação de realidades desagradáveis, encobre situações, promessas não cumpridas e inconsistentes. Mentir como norma em sua casa tornou-se parte do que você conheceu e sobre o que pode ser útil para você. De vez em quando, mentir faz a vida muito mais confortável.
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Filhos Adultos julgam eles mesmos sem misericórdia.
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O seu julgamento dos outros não é nada perto daquele destinado à você mesmo. Branco e preto, bom ou mau, são as maneiras típicas pelas quais você enxerga as coisas. Você sabe o que é se sentir mal, e como esses sentimentos fazem você se comportar. E então, se você esta bem há sempre o risco de que não vá durar. 
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Filhos Adultos se levam muito a sério.
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Essas duas características estão intimamente ligadas. Você não escuta seus pais rindo , brincando ou relaxando. A vida é uma coisa muito séria. O humor da sua casa não permite que haja algum tipo de relaxamento. Eventualmente você simplesmente convive com os outros.. Se divertir, relaxar, não era permitido. A sua criança interior foi reprimida.
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Filhos Adultos tem dificuldades com relacionamentos íntimos.
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Os sentimentos de estar inseguro, ter dificuldade em confiar ou de se magoar, não são exclusivos de Filhos Adultos. Esses são problemas que muitas pessoas tem. É simplesmente uma questão de grau, você sendo um Filho Adulto faz com que algumas dificuldades normais venham a ser mais intensas.
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Filhos Adultos reagem de forma excessiva quando não tem o controle de uma situação.
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O jovem filho de uma família alcoólica ou disfuncional não estava no controle. A vida do alcoólico ou de outro pai/mãe disfuncional foi imposto à eles, assim como seu ambiente. Para sobreviver quando estava crescendo, ele teve que mudar. Ele teve que se encarregar de criar seu próprio ambiente para o desenvolvimento. Isso foi muito importante e muitas lembranças ficaram. O filho de um alcoólico aprendeu a confiar somente nele mais do que em qualquer outra pessoa quando era impossível contar com o julgamento de outra pessoa para ajudá-lo.
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Filhos Adultos procuram constantemente aprovação e afirmação.
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A mensagem que você teve quando criança foi muito confusa. Não havia um amor incondicional. A definição não era clara e a mensagem eram misturadas. “sim, não, eu te amo, vá pra longe”.
Então você cresceu confuso sobre seu real valor.
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Filhos Adultos sentem-se diferentes das outras pessoas.
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Sentir-se diferente é algo que você deve ter desde sua infância e mesmo em circunstâncias que não havia garantiam isso o sentimento prevalecia.
Outras crianças tiveram a oportunidade de serem crianças, você não. Você estava muito preocupado com o que acontecia em sua casa. Você pode nunca ter se sentido completamente a vontade brincando com outras crianças. Você não estava completamente lá. Você se preocupava com os problemas de sua casa que tomavam espaço de todo o resto em sua vida.
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Filhos Adultos são super responsáveis ou muito irresponsáveis.
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Ou você pega tudo, ou abandona tudo. Não há o caminho do meio. Você tenta agradar seus pais fazendo mais e mais ou você chega num ponto em que reconhece que isso não importa, então você acaba não fazendo nada.
Esse sentimento faz com que o Filho Adulto muitas vezes repita esse padrão, ao manter-se em relacionamentos cujo melhor destino seria a separação ou uma ruptura de algum tipo.
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Filhos Adultos são impulsivos
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Filhos Adultos tem a tendência a prender eles mesmos em um modo de agir sem pensar seriamente em comportamentos alternativos ou possíveis conseqüências. Essa impulsividade leva a confusão, uma sensação de auto-ódio e a perda do controle sobre a situação. Alem disso eles perdem uma excessiva quantidade de energia arrumando a bagunça que fizeram
 
 

Fonte-http://www.moreirajr.com.br/

Joseane de Souza
Psicóloga. Doutoranda do Curso de Pós-graduação em Enfermagem Psiquiátrica da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – USP.
Ana Maria Pimenta Carvalho
Professora doutora do Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – USP.
Endereço para correspondência: R. Sorocaba, 465 C.P. 248 CEP 85055-090 Guarapuava – PR. E-mail: Joseanepsico@ig.com.br
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Delicadeza – Elisabete Cunha

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Eu adoro a língua portuguesa.

Sempre adorava minhas aulas de Português, eu era uma boa aluna. O grande detalhe é que eu era fera nas matérias de humanas e um fracasso nas matérias exatas. Meu grande tesão era de uma matéria só: “Português”.

O meu boletim sempre vinha com notas altas e em azul e por algumas razões exatas eu não gostava na mesma intensidade das aulas de Matemática.

Para mim a Matemática era muito lógica, engessada, muito concreta e gelada.

As letras não…eram abstratas e sempre foram uma festa para mim.

Eu podia criar palavras, fantasiar situações e alimentar a minha cabecinha de criança ao escrever e isso me fazia feliz.

Sempre viajei nas palavras, histórias, contos , no significado, no peso e na leveza de cada uma delas.Tem palavra que tem até cheiro e gosto .

Isso sem falar do poder que possuem em levantar e derrubar qualquer pessoa.

Tenho paixão por palavras terminadas com o sufixo EZA…

(com o sufixo esa , não me interesso muito).

A minha predileta é DELICADEZA. Mas, também gosto de beleza, certeza, gentileza, clareza, fineza, firmeza,franqueza, grandeza,leveza, limpeza, nobreza, pureza e algumas outras lindezas.

Mas, como nada é perfeito tambem existem :
Frieza, Dureza e TRISTEZA.

P.S.. Não sei, só sei que é assim!
(Como diria o Suassuna , aquele que escrevia numa boniteza retada )

Elisabete Cunha

Sobre o abandono – Marla de Queiroz

 

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Art by Picasso

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Frequenta o abandono quem vive um quase namoro, fantasia reciprocidade, aceita abraço frouxo, conversa sem olho no olho, ausência de carícia.-

Frequenta o abandono quem chama a rejeição de saudade, implora por qualquer fiapo de atenção, enfeita sua própria desvantagem. 

Frequenta o abandono quem vê na recusa uma possibilidade de mudança ignorando os sinais óbvios da distância.

Frequenta o abandono quem não reconhece que ser bem tratada não é um mérito, mas uma condição e segue chamando migalhas de banquete.

Frequenta o abandono com assiduidade quem se contenta com tão pouco que o Outro para mantê-la descobre que pode dar cada vez menos.

Frequenta o abandono quem não está disponível pra viver um romance porque namora um drama.

Marla de Queiroz

ENCONTRO – Marla de Queiroz

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Quando me encontrei comigo, eu estava de passagem. Gostei tanto de quem conheci que resolvi andar junto, lado a lado, dentro.Eu introjetei em mim aquela pessoa que, finalmente, não estava mais vivendo levianamente, mas participando verdadeiramente da realidade. Foi estando muito lúcida que pude me embriagar de arte e deixar minha imaginação inventar os caminhos que ela trilharia. Conheci paisagens, às vezes, muito familiares, mas o meu olhar era inédito.

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Não sou mais imediatista quando me faço companhia, pois essa nova pessoa respeita o seu próprio tempo.Por isso, também é preciso evitar alguns lugares, pessoas, antigos hábitos e pensamentos. O passado só me cabe para servir como base para o que tenho me tornado. Cada dia eu amanheço numa página em branco e vou dormir numa outra cheia de coisas que escrevi e vivenciei. A única garantia é que nem sempre encontro o que procuro, mas sempre busco o estado e o lugar mais confortáveis para mim.

Eu mereço experienciar esta fascinação pela vida e a liberdade de ser exuberante e transformar o chão em céu, o mar em útero, meu corpo em Templo. Respeito os que vivem de outro modo, porque meu caminho não é o certo nem o único, é o que eu escolhi para mim quando lancei mão do meu livre arbítrio.


E nasci apaixonada pelo amor, mas só agora, me fazendo companhia, é que ele deixou de ser uma palavra para se tornar uma experiência.
Sou muito grata por estar na esquina aonde eu estava passando e por ter me dado a mão…Caminhamos juntas: eu comigo mesma!

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Marla de Queiroz

 

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