A Marca da Saudade – Ita Portugal

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Saudade não se cura, não se mata, não possui juízo, não leva desaforo prá casa. Saudade não se confronta, não possui companhia, não tem prazo de validade. Saudade não possui destino certo, não fica impotente. Saudade toca flauta no coração lembrando sua presença.

A saudade é muda, silenciosa, companhia no desamparo. A saudade é o sentimento que despe a alma. Saudade que se preze é cheia de intenções e a maior delas é ressuscitar as lembranças. Saudade respeitada é aquela que abre a porta do passado, por teimosia, engaiola as certezas e interdita os novos amores.

A saudade é a bagunça afetiva que não nos ensinaram a arrumar. É a solidão fantasiada de melancolia. Sentir saudade é querer o manjar do passado que está estragado. É continuar o ritual, agora sem companhia. É dançar sem música, correr sem adversário, cantar sem afinação, tocar sem partitura, seduzir sem parceiro, sentir frio no banco da praça, sem cobertor para aquecer.  

Saudade é o canto da sala que não foi varrido, mas pode ser a nossa chancela e nosso exílio, nossa tragédia ou reeducação amorosa. Saudade é o fervor escondido do que se foi. Toda saudade é um pouco fantasma que se alimenta na nossa solidão. É cortar as asas do nosso coração para não deixá-lo voar. Saudade é tudo que dizem por aí. Saudade é o tropeço que o amor deixou.

Ita Portugal

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