Arquivo | janeiro 2015

É ou não é. – Elisabete Cunha

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Amor não acaba. Filmes acabam, balas acabam, dias acabam, beijos acabam, noites acabam, chocolate acaba, o assunto acaba, a paciência acaba, a vontade acaba – desejo diminui. Mas o amor não. Ele entra em coma, fica fraco, doente e, se for o caso, morre. Amor não é um sentimento, um fato, um objeto. Amor é uma vida, é algo que sai da compreensão humana, científica, racional. Amor não começa e acaba.
Amor nasce e morre.
É ou não é. Não sobrevive na UTI.
Morre de morte morrida.
Não tem ressurreição que dê jeito.

Elisabete Cunha

Santos e Ordinários! – Elisabete Cunha

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O meu oratório de vida é para Santos e Ordinários…
Muitos ordinários já foram importantes , muitos santos já foram expulsos…
Muitos ordinários foram santificados.
Muitos santos se transformaram em ordinários…
Quando falo em ordinários e santos estou falando de seres humanos em geral. Sem gênero. sem cor, sem rótulos superficiais.
Seres com defeitos e efeitos.
Seres com gratidões e ingratidões…
Seres que só se aproximam quando tudo está bem, calmo e estabilizado.
Seres que acolhem, que acolhem, que acolhem quando tudo está cinza, difícil e sem chão.
A grande diferença está justamente nisso:
Acolher ou Escolher.
Seres que acolhem não escolhem o melhor momento.
Eles acolhem em qualquer momento, mesmo que seja o pior momento.
Somos seres ordinários e santos.
Ser santo quando tudo vai bem é fácil.
Ser ordinário quando tudo vai mal é reflexo.
Quero ver ser santo quando tudo vai mal.
Seres humanos …
Seres com maldade, desprezo e indiferença.
Seres que matam cruelmente em nome de um Deus .
Santos que agridem com palavras.
Ordinários que beijam com o olhar.
E apesar de tudo , são seres que possuem toda generosidade e preciosidade humana revelada no toque, nos valores, nos pensamentos, nos sentimentos e principalmente no caráter.
Enfim , citando Clarice :
O que o ser humano mais aspira é tornar-se um ser humano.