Arquivo | maio 2014

AMAR NÃO É AMOR – Artur da Távola

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Amar está correto como verbo. É ação. Amor deveria ser outro verbo. E o é no idioma da alma. Eu amoro, tu amoras, ele amora, nós amoramos, vós amorais, eles amoram. Assim é o verbo amor no presente. Fica inventado a partir de agora.

Pode-se amar sem amor; amar com amor; desamar com amor. Existem: amor por quem se amou; amor por quem se ama; amor por quem se amaria. Porém não se pode amar quem se amou, ou quem se amaria. Só se ama a quem se ama.


Amor não é igual a amar. Amar é estado ativo, e sua conjugação deveria ser imperfeita, só existir no presente e no gerúndio. As demais formas deveriam ser do verbo amor. Amor não é substantivo: é verbo subjetivo. Amar é presente, gerúndio, ativo, inebriante, pulsátil, vitalizador. Amor é mais amplo, profundo, generoso e calado. Existe até quando não mais se ama. E, até mesmo, quando não se ama. É sentimento profuso, amplo, capaz de existir ainda quando se deixa de amar. É presente mas passado, futuro. É indicativo e subjuntivo.


“Eu amo” e “Eu sinto amor” não quer dizer o mesmo. O presente de amar não deveria ser amo e, sim “eu amoro”, etc. Amo é o presente do verbo Amor. A plenitude só se dá quando amor e amar coincidem. Amar é calor. Amor é o sol.


Amar é continente. Amor é conteúdo.


Amar é buscar. Amor é saber.


Amar é liberdade. Amor é sabedoria.


Para se amar, não é necessário o amor. E, sem o amor, o amar passa. Quando existe amor, o amar é melhor. E pode durar. Amar por amor eis a perfeição.


Amar é posse. Amor é doação. Amar foge. Amor reúne. Amar é delícia instintiva. Amor é milagre existencial. Amar tolda. Amor revela.


Amar é alegria. Amor é felicidade.


O amor sente. O amor sabe.


O amar está. O amor é.

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Dissimulada …

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Querida!

Se você é impulsiva por instinto.É sincerona por criação. Mostra-se sem medo da máscara cair a qualquer momento e revelar que você não é fria , indiferente , equilibrada e que não é nenhum poço de segurança feminina. Bem, se for desbocada, pior ainda. Eu sinto muito, é provável que as recusa do convite venha logo na sequência. E com elas as rejeições por todos os lados.
As dissimuladas, porém, elas não sentem nada. Premeditam, se contém, são pacientes feito cordeiros no rebanho. E se dão bem, claro que sim: com tanta suavidade, o mundo fica desejoso de ver fora do centro de si mesma e em tons de vermelho, preto, roxo alguém que opta sempre pelo bege. Sim o bege, o neutro…estas devem ser as cores das sonsas..Logo eu que sou a fã number one das cores de Almodovar nunca conseguiria me ajustar a tanta neutralidade…
Se caso eu fosse um desses seres perfeitos e ajustados da familía das Dissimuladis Espertium , levaria os homens à loucura com minha indiferença,seria discreta em família e, claro, viveria para o trabalho e estudos porque as dissimuladas sabem muito bem parecer ótimas hardworkers independentes e criaturas cultíssimas.
Se eu fosse dissimulada, daria uma vontade imensa de ser exatamente essa bagunça incontida que sou eu mesma e claro que esconderia a verdade e agiria perfeitamente perfeita em tudo e com todos. Seria o oposto o que sou, também tenho certeza eu teria menos decepções..
Se eu fosse dissimulada deveria falar menos palavras de baixo calão, não demonstrar interesse algum e esquecer a ideia fantasiosa de deixar alguma marca, qualquer umazinha, nesse mundão.

É… não sou….me ferrei!!!

P.S, Ia falar me FODI…mas, n gosto de palavrões! ( sou dissimulada?)

FICO FELIZ QUE VOCÊ NÃO ME RESPONDE – Fabrício Carpinejar

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Fico feliz que você não atende aos meus telefonemas. Fico feliz que você deixa minhas mensagens no vácuo, que você espia, não responde e apaga. Fico feliz com sua disposição em me destruir e não colar os nossos pedaços. Fico feliz com sua raiva contida, seus protestos secretos, suas exigências sempre misteriosas, sua atitude intransigente. Fico feliz com seu extremismo, seu isolamento, seu vestido preto e justo. Seu luto é lindo.

Fico feliz que você me evita, que você nem fala mais de mim, que cansou de sofrer. Fico feliz que você pode não me escolher, pode me rejeitar. Não suporto mesmo mendicância.

Fico feliz que você muda os trajetos para não esbarrar comigo. Fico feliz que você não escuta nossas músicas, arquivou nosso idioma, jogou fora nossos presentes, fotos e bilhetes. Fico feliz com a astúcia de sua ausência. Fico feliz que sou como uma encarnação antiga, que não estou em seu corpo. Fico feliz que não desperto nem saudade fria, nem saudade quente. Fico feliz que você não olha minhas páginas no Facebook, no instagram, que desapareceu a curiosidade da dor.

Fico feliz que você já passou de ser vítima do desespero para ser dona do seu desespero e manda e desmanda nas palavras e no silêncio. Fico feliz que você já voltou a sair, a beber, a contar piadas, a conversar com os amigos. Fico feliz que você pode me ocultar no jardim de sua memória, sem cruz e sinal de pedras. Fico feliz que você pode fingir que nada aconteceu, fugir do que aconteceu. Fico feliz com sua resistência, sua força de vontade. Fico feliz que está resolvida e não acredita em mim. Fico feliz com sua estabilidade imediata, sua defesa articulada e coesa. Fico feliz com seu equilíbrio na tempestade, segurando o desaforo, o guarda-chuva e o rosto ao mesmo tempo. Fico feliz que abandonou as lágrimas, o nariz escorrendo, os ouvidos tremendo. Fico feliz que recolheu as roupas de sua tristeza.

Fico feliz que se tornou decidida a ponto de me evitar, a ponto de me recusar, a ponto de me esnobar. Fico feliz que você optou por seguir sua intuição, por concordar com suas premonições, por não se submeter a ser menor do que esperava no amor. Sem metades, sem mentiras, sem meias-promessas. Fico imensamente feliz que você me nega, que você me esnoba. Fico tão orgulhoso do que o nosso relacionamento nos ensinou.

Você está pronta para mim. Necessito de oposição. Necessito de alguém que me desafie. Necessito realmente de uma mulher forte ao meu lado.

Da série Ficções do amor

Ela aprendeu! – Elisabete Cunha

ciume.

Moço,por favor, não estraga…

Ela não espera que você seja o-grande-amor-da–vida-dela ,ela parou de acreditar isso na  sexta- série. Um tempo para um respiro solitário só faz bem para ela . Algumas horinhas para se sentir completa na sua própria companhia.

Renova a saudade, faz valorizar o quanto é importante a companhia dela mesma e faz com que ela e outras pessoas se sintam livres e melhores, além de dar um gás para quando voltarem loucos de vontade da companhia, do sorriso, do papo furado delicioso y otras cositas más….

Fazem com que eles, sintam uma lacuna que precisa ser preenchida. E somente é preenchida de fato com quem sabe a senha exata para trazer a leveza e paz para ela. Sem grude excessivo, mas com vida própria o bastante para compartilhar a cada segundo quando estão unidos num mesmo momento – sem a necessidade de ter, mas de poder sentir, mesmo que longe, que um sentimento existente e que não vai acabar tão assim prematuramente por não precisar se avançar cedo demais com algumas etapas necessárias. Pressa para o que é durável : ainda bem que a maturidade deu isso a ela. Ela aprendeu na marra. Mas, aprendeu.Parabéns colega!

Sra TPM – Elisabete Cunha

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Sra TPM Bom dia !
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Gostaria de lhe comunicar que não tenho nada contra a senhora, longe disso …sua presença me faz ter certeza que meus hormônios femininos estão todos em plena função reprodutiva e cheios de vida e podem me dar ainda a frescura da minha pele suave e a umidade característica necessária para uma vida sexual ativa e prazerosa. Bem, não leve a mal a minha sinceridade , tenho que lhe relatar que sua proximidade me traz coisas negativas também.

Não seria verdadeira se não lhe comunicasse que choro sempre, desde uma inexistência de motivos que me façam sentir um vazio ilusório, até com propaganda de dia das mães…ou de margarina.. É sentar, e pensar, pra então sentir e se ver emocionada ou porque o momento é lindo e meus olhos enchem d’água, ou as ligações mentais me fazem ver o lado nem tão bonito assim, e dão o start num pranto que soluça, para, volta e sofrega de novo.

Travesseiro úmido, roupa também, rosto inchado e uma dor de cabeça do cão que só passa se remediada. Ou seja: choro muito, penso pouco, sinto como se tudo transbordasse. É assim, sem farsas nem travas – eu permito mesmo parecer frágil . Sei que meus companheiros de vida sofrem com minha impulsividade já característica por ser ariana, pior quando vem acompanhada por impaciência e palavrões pesadíssimos que fariam Dercy Gonçalves remexer-se no túmulo perguntando que baiana boca suja é esta?.


Enfim,gostaria que falasse com a Dona.Serotonina quepelamor não me deixe só nestes momentos críticos que nem milhões de “Dr. Drauzio Varela” me explicando e me acalmando conseguem domar a fera que existe dentro de mim nestes dias sombrios..

 

Sem Mais a declarar sua Criada & Malcriada

Elisabete Cunha

Inté paromês

 

As melhores coisas vêm quando você menos espera!

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Nada como um insight, aquela ideia que surge das cinzas e magicamente completa o quebra-cabeças da vida que lhe consumiu tantas horas a fio e tantos neurônios. E foi assim, sem querer, numa noite sem estrelas e vendo o tempo passar lento, que a vida veio com mais uma de suas extravagantes sabedorias. Tive que desentender tudo para entender o que ela dizia: é preciso desapegar-se para poder pegar com mais intensidade.

Naquela noite, aprendi que, além de deixar ir o que é ruim, desapego é permitir vir o que é bom. É preciso estar desprendido de crenças, paredes e corpos. Isso não quer dizer não tê-los – pelo contrário. Mas que nada disso te impeça de seguir um furacão, um vendaval ou mesmo uma boa brisa que seja.

Pode parecer contraditório, mas estar desapegado aguça o sentir, o olhar, a vontade. Permite-lhe se entregar aos momentos, estar mais presente e ser mais verdadeiro, porque livra você de tantos por quês, sês, serás… Essa é a fórmula do desapego. E, basicamente, ela vale para tudo: experiências gastronômicas, desamor com o chefe, dilemas existenciais, viagens imprevisíveis e SEMPRE para os relacionamentos.

Na vida, nada segue uma mera receita de bolo. Mas há algumas práticas indispensáveis para quem quer desapegar. Em primeiro lugar, livre-se de tantas expectativas, do que virá amanhã ou daqui um mês; em segundo, da perfeição, de ter que ser e fazer o tal; e em terceiro, dos estagnantes medos. É, meu amigo, ninguém disse que seria fácil – principalmente se considerarmos que vivemos em um mundo onde parece que temos sempre que saber de tudo e estar no controle das situações. Mas vale a pena tentar. Foque em apenas aproveitar o momento sem pensar tanto, é aí que a mágica começa.

Desapegar-se nada mais é do que viver o presente. Menos pés no passado que traz depressão, mais distância do futuro que tanto traz ansiedade. Afinal, o agora é o único tempo meramente vivo da nossa existência – o passado é lembrança e o futuro é especulação. E para viver o presente, é necessária uma certa dose de fluidez, como em um jogo; bola no campo da vida, essa grande artilheira que toca para alcançar o que deseja e manda pra escanteio quando preciso. Também é importante ter a compreensão de que há coisas, pessoas e situações que não adiantam ser forçadas ou controladas e que, nesses casos, melhor mesmo é deixa-las ir e abrir espaço para que o novo faça gol.

Desapegar não quer dizer que nada importa, pelo contrário, é atestado de amor que deixa com que cada um seja quem é, que faça o que gosta e até que siga outro caminho, se desejar. É pensamento que faz com que coisas e pessoas em sintonia cheguem até você.

Quando compreendemos isso, deixamos de querer mudar o que não podemos, de ansiar controlar momentos e pessoas, de querer transformá-las no que desejamos, de manter por perto quem não nos quer ou não nos faz bem, de empacar.

Portanto, um conselho: desapegue para pegar. Simplesmente viva a beleza do presente e da realidade, aprenda com os inusitados caminhos da vida, teça relações mais leves, aproveite, beije com mais vontade, goze com mais verdade, divirta-se e se delicie. Não se contente com menos, seja feliz e lembre-se sempre de que todo amor livre tende a ser mais verdadeiro porque ele não conhece limites.

A vida, segundo Mario Benedetti

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O tempo passa. Às vezes penso que teria que andar de pressa, aproveitar o máximo possível estes anos que me restam. Hoje em dia, qualquer um pode me dizer, depois de escrutinar minhas rugas: “Ora, mas você ainda é um homem jovem”. Ainda. Quantos anos me restam desse “ainda”? Penso nisso e me aflijo, tenho a angustiante sensação de que a vida está me escapando, como se minhas veias tivessem se aberto e eu não pudesse estancar o sangue. Porque a vida é muitas coisas (trabalho, dinheiro, sorte, amizade, saúde, complicações), mas ninguém vai me negar que, quando pensamos nessa palavra Vida, quando dizemos, por exemplo, que “nos apegamos à vida”, estamos fazendo com que seja assimilada por outra palavra mais concreta, mais atraente, mais seguramente importante: estamos fazendo que seja assimilada pelo Prazer. Penso no prazer (qualquer forma de prazer) e estou certo de que isso é a vida. Daí vem a aflição (…). Ainda me restam, assim espero, uns quantos anos de amizade, de saúde aceitável, de ocupações rotineiras, de expectativa diante da sorte, mas quantos me restam de prazer? (…) “Ainda” quer dizer: está no fim.

E este é o lado absurdo de nosso acordo: dissemos que levaríamos tudo com calma, que deixaríamos o tempo correr, que depois reveríamos a situação. Mas o tempo corre, deixemos ou não (…) A experiência é boa quando vem junto com o vigor; depois, quando o vigor se vai, resta apenas uma peça de museu, decorativa, cujo único valor reside em ser uma recordação daquilo que já se foi. A experiência e o vigor são simultâneos por muito pouco tempo. Estou agora nesse pouco tempo. Não se trata, porém, de uma sorte invejável.

Mario Benedetti, no livro “A Trégua“, (L&PM, pp. 73-4)