Arquivo | março 2014

Canção das mulheres – Lya Luft

tumblr_mhhyr5Eg0J1qah029o1_500

Art by Diego Rivera

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco – em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ”Olha que estou tendo muita paciência com você!”

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa – uma mulher.

Lya Luft

No Outono eu nasci – Elisabete Cunha

Gustav Klimtçç

Art by Gustave Klimt
.
Eu nasci em pleno outono, talvez seja por isso que eu tenha esta mania de renascimento.
Este meu humilde bloguito  tem este nome de bolero paraguaio “encanto de renascer” justamente pela minha capacidade de renascer e reencontrar forças no meu bom humor como uma fênix toda trabalhada na purpurina em pleno outono.
.
Na realidade ele chamava-se “encanto”. Daí então veio uma puta de uma nuvem cinza chumbo bem carregada , que morou em cima de mim 2/3 anos e parei de escrever, na realidade parei de viver. Quando renasci das cinzas ou melhor, quando minhas folhas novas renasceram em minha árvore achei legal rebatiza-lo de “Encanto de Renascer” o nome bregão vem justamente disso…
.
Sempre tenho uma certeza de renovação de esperanças , renovação das folhas, renovação da vida… (claro, tenho momentos de tristeza,não sou tão bem resolvida assim, aliás não sou nada resolvida). Mas, sempre tenho  fé de que tudo vai melhorar e se for necessário  que em minha árvore caiam todas as folhas para que outras renasçam sadias e viçosas , podem cair, não lamentarei.
Outono não é uma estação é uma ponte para novos desafios, temos a certeza que a folha da árvore que cai, quando nascer não ocupará o mesmo galho, nem o mesmo lugar, a sua renovação não irá permitir que novos sulcos nasçam em cima de antigas cicatrizes, que as mesmas sejam curadas, fechadas e para sempre esquecidas.
,
Podemos aprender com a natureza observando os ciclos. E olhar para nós mesmos para nos entendermos e aceitarmos nossos ciclos também . Tudo pode começar nos tons pastéis de Outono, porque o outono fortifica e prepara para o Inverno, tempo de aquecer a alma e encarar o brilho de todas as cores do futuro.É isso que me salva sempre…Só pode!
Afinal eu nasci com/e no Outono.