O amor medroso – Jéssica Mendes

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 Acredito que poucas coisas sejam tão ruins quanto gostar de alguém que tem medo. Gostar de um medroso é pior do que ter um amor-não-correspondido, porque no fim das contas você sabe que o medroso gosta de você, e ele também sabe que gosta, mas não age. Mas já já eu volto nesse assunto. Primeiro, vamos falar da paixão, sentimento que antecede qualquer tipo de amor.

Vou resumir um estudo feito pela professora Cindy Hazan, da Universidade de Cornell, NY. Ela concluiu que “seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados durante alguns meses”. A pesquisadora também identificou algumas substâncias responsáveis pela paixão, são elas a dopamina, a fenilitilamina e a oxitocina. “Estes produtos químicos são comuns no corpo humano, mas são encontrados juntos apenas nas fases iniciais do flerte. Porém, com o tempo, o organismo se torna resistente aos seus efeitos e toda a “loucura” da paixão desvanece gradualmente. É nesta fase que o casal tem que decidir. Ou se separam ou se acostumam com as formas mais brandas da paixão/amor: companheirismo, afeto, tolerância; e permanecem juntos.”

Acho interessante que no estudo esteja definido assim “formas mais brandas da paixão/amor”. É aquele momento em que uma coisa vira a outra e a gente não sabe bem onde está. Algumas pessoas – as bem resolvidas – já cruzaram a barrinha e tem certeza do que sentem: É amor! Afinal, depois de toda a convivência, os conflitos e as dificuldades, elas não conseguem ficar sem aquela pessoa. Mesmo depois de saber que ele tinha uma mania bem irritante, que o melhor amigo é uma péssima influência, e de ter perdoado uma mancada imperdoável. Fazer o que? É amor. E todos os bons momentos bem vividos e bem aproveitados durante a paixão fazem crer que dará certo.

Mas para o medroso não funciona assim. O medroso é aquele cara que some depois de ter te apresentado à família. É aquele que fica frio depois porque os amigos disseram que vocês foram feitos um para o outro. O medroso é aquele que mesmo recebendo todo o carinho e atenção de quem ele realmente gosta, prefere manter duas ou três opções na manga, para o dia em que você der um pé na bunda dele.

Sabe aquele sorriso amarelo que você recebeu depois de dizer um “eu adoro você”? Então, era a covardia perguntando ao outro se era aquilo mesmo e onde ele estaria se metendo. Essa sua inocente demonstração de afeto soou como uma ofensa, e qualquer tipo de resposta seria a declaração de uma sentença: “Game over, amigo. Você vai sofrer. Cai fora.” Ele faz com que o momento mais gostoso do relacionamento (a fase da paixão), seja destruído por inseguranças.

Enquanto isso, você já ouviu de mim ou sua melhor amiga: “Esquece. Você fez tudo o que podia. Ele não deu valor. O medo dele é maior do que o que ele sente por você. É isso mesmo o que você quer? São caras desse tipo que abandonam as mulheres no altar. Você não tem mais 15 anos. Seu relacionamento vai parar aonde? E daí que a mãe e os amigos dele gostam de você? Você quer ouvir um “eu te amo” de quem?”.

E é depois de perder todas as oportunidades, sozinho no quarto, que o medroso constata que o que ele sentia era real. Que ele queria fazer parte dos seus planos, que você era uma boa ideia. Mas infelizmente alguns só percebem isso depois de te ver marcada na foto de outro cara, com um sorriso de orelha a orelha e a legenda: “Me faz feliz”.

Jéssica Mendes

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