Nódulos na Tireóide – O que fazer ?

tumblr_mpm40eX7C01r3nz20o1_500Arte Henri Matisse

 

O que fazer em caso de nódulos na tireóide

Muita gente chega a meu consultório preocupada com os nódulos da tireóide. O que poucos sabem, porém, é que esses nódulos são relativamente comuns e podem ser detectados em cerca de 3% da população, seja pelo auto exame do paciente (olhando o pescoço no espelho) ou pelo exame médico. Se utilizarmos rotineiramente o exame ultra-sonográfico, vamos encontrar nódulos em 30% dos indivíduos com mais de 45 anos. Ou seja, eles são bem mais freqüentes do que a maioria imagina. O problema maior é saber se o nódulo é benigno ou maligno (câncer de tireóide).

Investigação de familiares é fundamental

O primeiro passo, portanto, é investigar os antecedentes familiares do paciente, com um aprofundado questionamento sobre casos de câncer de tireóide na família. A pesquisa deve incluir os avós, tios e tias, irmãos, pai e mãe, pois muito dos casos de nódulos malignos são de origem familiar. Depois o médico deve fazer um exame físico para verificar se o nódulo é firme, duro, se cresceu rapidamente e se existem gânglios (“pequenos caroços no pescoço”). E finalmente, indicar a ultra-sonografia – o melhor exame para “ver” o nódulo. Na ultra-sonografia é possível verificar se o nódulo tem liqüido (nódulo cístico), se é sólido, se ele apresenta calcificações. Examina-se ainda o contorno do nódulo e identificam-se gânglios. O ultra-sonografista pode sugerir (mas não comprovar) se o nódulo é benigno ou maligno.

O “teste de ouro” é uma etapa decisiva

Passadas todas essas etapas, o teste final, ou “teste de ouro”, como se diz no jargão médico, é a punção aspirativa do nódulo. Todo mundo se arrepia de medo e angústia quando imagina enfiar uma agulha no pescoço. Mas vamos pensar juntos: a pele do pescoço tem pouca enervação (pouca sensibilidade) e a introdução de agulha fina, siliconizada, não irá provocar grande dor ou desconforto. Além disso, o profissional irá acompanhar por meio de ultra-sonografia o caminho da agulha até a entrada no nódulo. Em seguida aspira as células do nódulo e as examina no microscópio.

80% dos nódulos são benignos

Nos melhores centros médicos, 90% da punção aspirativa retira células suficientes para o exame; nos 10% restantes nova punção poder ser necessária. A chance de o nódulo ser benigno é enorme (mais de 80%), mas, como medicina não é uma ciência exata, muitas vezes o profissional não consegue um diagnóstico totalmente preciso. A conclusão pode ser: indeterminada.

Nesses casos, o paciente deve considerar a possibilidade de outros testes com o material colhido da punção (tais como pesquisa de outros elementos que separam benignos de malignos). Pode-se recorrer também a fixação de certos compostos radioativos que se “grudam” nos malignos, mas não nos benignos. Existem outros métodos de imagem que ainda confirmam benignidade (o exame chamado PET). Enfim a coordenação entre o seu médico, o especialista em ultra-sonografia e o citologista irá resolver o caso em cerca de 80% das vezes.

As situações indicadas para cirurgia

Para nódulos com mais de 2cm, dependendo da idade e sexo masculino/feminino, é possível que a melhor indicação seja a cirurgia. Freqüentemente o cirurgião manda examinar o nódulo durante a operação e, no caso de ser benigno, apenas retira parte da glândula. Nesse caso, não há nenhum prejuízo para o paciente, porque a outra metade continua produzindo hormônios em nível adequado e suficiente.

Minha recomendação aos que têm algum tipo de preocupação em relação a esse problema é ser otimista. A maioria dos nódulos na tireóide é do tipo benigno e os médicos conseguem chegar a um diagnóstico sem necessidade de operar.

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