Os Impressionistas

O Impressionismo é talvez o movimento artístico mais fascinante e amado, da história da arte no mundo inteiro. A denominação nasce quase por acaso, por conta de um crítico que detestou o quadro de Monet, Impressão, nascer do Sol  (1872). A frase de Louis Leroy foi “Impressão, Nascer do Sol – eu bem o sabia! Pensava eu, se estou impressionado é porque lá há uma impressão. E que liberdade, que suavidade de pincel! Um papel de parede é mais elaborado que esta cena marinha“. Assim, de uma expressão pejorativa, nascia o nome do movimento que celebrizou tantos pintores. O conceito do grupo de jovens artistas era fugir do Realismo, dos quadros que retratavam fielmente a realidade. A luz e o movimento eram a força motriz nessa nova pintura, plena de pinceladas soltas, pintadas ao ar livre, captando a luz, o momento. De perto parecem borrões e é ao se distanciar que se tem a verdadeira dimensão da beleza da pintura.

Édouard Manet ( Paris, 23/01/1932 – Paris,  30/4/1883), filho de um alto funcionário do governo e neto de um diplomata, junto com seus irmãos Eugène e Gustave, teve acesso à arte com o tio, o Capitão Édouard Fournier, que  os levava ao Louvre para admirar as grandes obras. Na escola Manet demonstrou logo que não conseguiria atender às expectativas do pai, que queria que ele fosse advogado. Suas notas eram tão ruins que ele não conseguiu sequer passar no exame para a escola Naval. Acabou sendo admitido como marinheiro para trabalhar num navio que viria ao Brasil, onde ele admirou muito a luminosidade da Baia de Guanabara.

Apesar de não se considerar propriamente um impressionista, Edouard Manet foi, de certa forma, o precurssor do Impressionismo quando escandalizou Paris ao pintar Olympia. Sua pintura quebrou os laços com a antiga forma de pintar e essa era uma das características do Impressionismo.

Manet serviu de grande inspiração para os impressionistas  Claude Monet, Edgar Degas, Auguste Renoir, Camille Pissarro, e os ajudou muito, em especial ao seu quase homônimo, Monet. Emprestou dinheiro a ele várias vezes e os apoiou em exposições. Foram precisos quase trinta anos para acostumar o olhar do público à nova arte e para que o Impressionismo conquistasse o gosto popular e dos críticos.

Oscar-Claude Monet (Paris 14/11/1840 – Giverny, 5/12/1926) é o mais famoso dos pintores impressionistas e aquele com mais seguidores. Em Giverny, onde sua casa virou um museu lindo, ao lado existe o museu dos Impressionistas americanos, jovens que inspirados pelo mestre, mudaram para Giverny para ficar próximo de Monet. 

Monet pintou durante toda a sua vida, sempre respeitando os ideais propostos pelo Impressionismo. A Ponte Japonesa e as Nympheas foram seus temas mais frequentes. Ele pintou durante trinta anos essa ponte e no fim da vida, já com a visão muito afetada pela catarata, colava massa com diferentes formas em suas latas de tinta para saber quais eram as cores e continuar a pintar.

Pierre-Auguste Renoir (Limoges, 25/02/1841 – Cagnes-sur-Mer, 3/12/1919), é um dos maiores pintores franceses e um expoente do Impressoinismo. Muito jovem, para ajudar a família, ele começou a trabalhar numa fábrica de porcelana. Tinha um traço perfeito e tão rápido que propôs ao patrão que pagasse pela quantidade de peças e não por hora. Com isso ele começou a estudar Belas Artes. Sua pintura sempre foi plena de sensualidade, alegria, beleza. Ele dizia que o mundo já tinha muitas tristezas e que o pintor devia trazer a beleza, não retratar a feiura.

O Brasil possui um de seus lindos retratos, o quadro Rosa e AzulAs Meninas Cahen d’Anvers), pintado em 1881, que pertence ao Masp desde 1952.

Edgar H. Germain Degas (Paris, 19/07/1834 – id. 27/09/1917) é sempre lembrado por suas lindas bailarinas. Ele idolatrava o pintor Dominique Ingrès e admirava muito a pintura italiana, que sempre o influenciou de tal maneira que ele nunca foi um “perfeito” impressionista. Degas não pintava a luz, mas, representava a beleza dos movimentos da dança. Era grande amigo de Manet, a quem teria dito: “Você precisa de uma vida natural e eu de uma artificial”. Com um pai banqueiro, ele teve uma vida privilegiada (até a morte deste), mas, ao final de sua vida foi atormentado pela cegueira, que o fez voltar-se para a escultura. O Masp possui uma bela coleção de algumas de suas esculturas.

Berthe Morisot (Bouges, Cher, 14/01/1841 – Paris, 2/03/1895), foi a única pintora impressionista  que alcançou sucesso. Posou para Manet algumas vezes, sendo esse o retrato mais famoso.

Embora se pudesse supor que fossem apaixonados, ele era casado e ela só posava acompanhada de familiares. Finalmente Berthe se casou com o irmão de Manet, Eugène. Participou da primeira exposição dos Impressionistas em 1874 e suas obras foram expostas em diversos países, com destaque para New York ( 1886). Seus traços eram inspirados nos de Manet mas, mais leves e puros.

Paul Cézanne (Aix-em-Provence, 19/01/1839 – id. 22/10/1906), já não pode ser considerado um impressionista. Ele marca a separação entre o Impressionismo e o Cubismo. É a ponte entre os dois séculos, o  XIX e o XX.  Diz a lenda que Matisse e Picasso consideravam Cézanne “o pai de todos nós”. Segundo Cézanne ele via a natureza em suas formas elementares.

Cézanne era quase um ermitão, permanencendo em sua cidade natal praticamente toda sua vida e pintando quase obsessivamente a montanha de sua cidade: A Sainte-Victoire.

Auvers-sur-Oise – A cidade possui um museu muito especial, voltado para o Impressoinismo e conta a história deste período, na Paris daqueles tempos. Ir até o Château des Impressionnistes é muito simples e leva só 30 minutos de Paris. É como passar um dia com os Impressionistas. Conheça os detalhes em

http://www.francetravelthemes.pro/pt/61/chateau-d-auvers-voyage-au-temps-des-impressionnistes/

Foi nesta cidade, próxima de Paris, que Van Gogh (Zundert, 30/03/1853 – Auvers-sur-Oise, 29/07/1890) viveu seus últimos dias. Ao caminhar pelas ruas, não sem emoção,  identificamos as paisagens de muitos de seus quadros.

O quarto onde ele viveu e morreu também pode ser visitado e sua simplicidade é tocante.  Aproveite para ir até o cemitério e ver o túmulo dele e de seu irmão Théo. Se for primavera e tiver sorte, poderá ver os girassóis que fazem sombra sobre Van Gogh.

O Museu D´Orsay em si já é uma obra de arte! Antiga estação de trem – Gare d´Orsay – que reformado e inaugurado em 1986, se transformou em um dos maiores museus de Paris. É o museu com a maior quantidade de obras Impressionistas.

Em São Paulo, 320 mil pessoas foram ver a exposição Impressionismo – Paris e a Modernidade que agora chega ao Rio de Janeiro no Centro Cultural do Banco do Brasil, certamente fará o mesmo sucesso. Os 81 quadros foram  cercados de cuidados que vão desde a aclimatização das obras, controle da umidade do ar durante a exposição, número de visitantes, entre outros.  A atmosfera e a decoração no Rio é moderna: cores vibrantes, violeta, azul-marinho, verde-musgo predominam. É a reprodução das cores atuais na sede do Musée D´Orsay. Assim, no Brasil, ficamos mais perto da França e dos Impressionistas. Muito mais perto.

Por Cecilia Cavalheiro

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