Arquivo | abril 2013

Fragmentos de Martha Medeiros

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“Eu sou assim, ligada na tomada. Sempre querendo encontrar uma razão pra tudo. Pessoas como eu sofrem mais. Se decepcionam mais. Por outro lado, crescemos. Evoluimos. Amadurecemos. Nada é estático em nossas vidas. Nada é à toa. Tudo ganha uma compreensão, tudo é degrau, tudo eleva.”
“Bonitas mesmo somos quando ninguém está nos vendo. Atirada no sofá, com uma calça de ficar em casa, uma blusa faltando um botão, as pernas enroscadas uma na outra, o cabelo caindo de qualquer jeito pelo ombro, nenhuma preocupação se o batom resistiu ou não à longa passagem do dia. Um livro nas mãos, o olhar perdido dentro de tantas palavras, um ar de descoberta no rosto. Linda.”
“Não sou de frescura e muito menos de compulsões consumistas. Mas ainda tenho um lado mulherzinha: choro à beça, sou louca por flores, não vivo sem meus hidratantes, aprecio o cavalheirismo, gosto de ficar de mãos dadas no cinema, devoro revistas de moda, me interesso por decoração e fico chocada quando escuto expressões grosseiras.”
“Somando os prós e os contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?
Meu palpite: dentro de um abraço.
Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve…”
Martha Medeiros

A melhor versão de nós mesmos – Martha Medeiros


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Alguns relacionamentos são produtivos e felizes. Outros são limitantes e inférteis. Infelizmente, há de ambos os tipos, e de outros que nem cabe aqui exemplificar. O cardápio é farto. Mas o que será que identifica um amor como saudável e outro como doentio? Em tese, todos os amores deveriam ser benéficos, simplesmente por serem amores. Mas não são. E uma pista para descobrir em qual situação a gente se encontra é se perguntar que espécie de mulher e que espécie de homem a sua relação desperta em você. Qual a versão que prevalece? A pessoa mais bacana do mundo também tem um lado perverso. E a pessoa mais arrogante pode ter dentro de si um meigo. Escolhemos uma versão oficial para consumo externo, mas os nossos eus secretos também existem e só estão esperando uma provocação para se apresentarem publicamente. A questão é perceber se a pessoa com quem você convive ajuda você a revelar o seu melhor ou o seu pior. Você convive com uma mulher tão ciumenta que manipula para encarcerar você em casa, longe do contato com amigos e familiares, transformando você num bicho do mato? Ou você descobriu através da sua esposa que as pessoas não mordem e que uma boa rede de relacionamentos alavanca a vida? Você convive com um homem que a tira do sério e faz você virar a barraqueira que nunca foi? Ou convive com alguém de bem com a vida, fazendo com que você relaxe e seja a melhor parceira para programas divertidos? Seu marido é tão indecente nas transações financeiras que força você a ser conivente com falcatruas? Sua esposa é tão grosseira com os outros que você acaba pagando micos pelo simples fato de estar ao lado dela? Seu noivo é tão calado e misterioso que transforma você numa desconfiada neurótica, do tipo que não para de xeretar o celular e fazer perguntas indiscretas? Sua namorada é tão exibida e espalhafatosa que faz você agir como um censor, logo você que sempre foi partidário do “cada um vive como quer”? Que reações imprevistas seu amor desperta em você? Se somos pessoas do bem, queremos estar com alguém que não desvirtue isso, ao contrário, que possibilite que nossas qualidades fiquem ainda mais evidentes. Um amor deve servir de trampolim para nossos saltos ornamentais, não para provocar escorregões e vexames. O amor danoso é aquele que, mesmo sendo verdadeiro, transforma você em alguém desprezível a seus próprios olhos. Se a relação em que você se encontra não faz você gostar de si mesmo, desperta sua mesquinhez, rabugice, desconfiança e demais perfis vexatórios, alguma coisa está errada. O amor que nos serve e nos faz evoluir é aquele que traz à tona a nossa melhor versão.

 

Martha Medeiros

Menopausa: aspectos psicológicos

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Ainda não estou na faixa da menopausa, mas ela esta se aproximando gradativamente, pesquisando sobre o tema , fiquei curiosa e ache interesante dividi-lo com vocês:

Joel Rennó Jr. é médico psiquiatra. Coordena o Pró-Mulher, um programa de atenção à saúde psicológica da mulher desenvolvido no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo

A menopausa é uma fase crítica na vida da mulher, uma fase psicológica delicada em que alterações nítidas de comportamento podem ocorrer. Mulheres que já passaram por essa experiência e as pessoas que conviveram com elas são unânimes em reconhecer determinados sintomas, entre eles, a depressão e a labilidade emocional. Mesmo aquelas que manifestam pequenas alterações comportamentais, queixam-se da mudança aparentemente sem causa do humor ou da vontade de chorar que inexplicavelmente as invade de uma hora para outra.

É um fase perigosa que exige atenção porque, em alguns casos, transtornos psiquiátricos sérios podem acometer algumas mulheres. Todavia, muito do que se fala a respeito desse tema não passa de mitos criados pelo ideário popular. Desde que convenientemente assistida, a mulher menopausada pode gozar de excelente qualidade de vida.

CARACTERÍSTICAS DO CLIMATÉRIO

Drauzio – Quais as alterações psicológicas mais comumente encontradas nas mulheres quando chegam perto da menopausa?

José Rennó Jr. – É importante que as pessoas saibam as diferenças entre as diversas fases desse período denominado genericamente de menopausa. Na realidade, o climatério começa por volta dos 41 anos de idade, estende-se até mais ou menos os 65 anos e é marcado por pequenas alterações físicas e psicológicas. Dentro dessa grande margem de tempo, ocorre a menopausa, isto é, a data em que aconteceu a última menstruação e que só pode ser determinada retrospectivamente depois que a mulher passou pelo menos um ano em amenorreia (sem menstruar).

Antecedendo o episódio da menopausa, temos a perimenopausa, período em que há alterações hormonais importantes, especialmente nos níveis de estrogênio e progesterona. Nessa fase, a vulnerabilidade feminina é maior aos sintomas físicos e psíquicos. Entre os físicos destacam-se os fogachos (ondas de calor intenso) e, entre os psíquicos, tristeza, desânimo, irritabilidade e labilidade emocional, ou seja, grande flutuação do humor. Muitas se queixam, ainda, de insônia e alterações da memória. Por isso, é fundamental determinar se a mulher se encontra na perimenopausa ou na pós-menopausa, fase em que os transtornos psiquiátricos são menos prevalentes.

Quando se fala em menopausa, é preciso deixar bem claro que diversos fatores influenciam o desenrolar do processo. Não é apenas uma questão hormonal. Há fatores psicossociais preponderantes quer marcam esse período e podem estar na gênese dos transtornos psíquicos.

Por exemplo, a mulher que tinha uma vida socialmente ativa e se dedicou plenamente à família e à educação dos filhos, de repente se depara com os filhos crescidos, saindo de casa, e vive a síndrome do ninho vazio. Além disso, a relação conjugal pode estar passando por transformações que exigem diálogo para reconstruí-la em novos moldes. Dependendo de seu arcabouço psicológico, recursos internos e personalidade, essa mulher irá elaborar de forma construtiva ou não as modificações que estão ocorrendo em sua vida na época da menopausa.

ALTERAÇÕES DA PERIMENOPAUSA

 

Drauzio – Do ponto de vista sexual, quais são as principais alterações que ocorrem na fase de perimenopausa?

José Rennó Jr. – As principais queixas são dispareunia, ou seja, dor na relação sexual, e a diminuição da libido. A dispareunia ocorre porque o epitélio torna-se mais fino e menos lubrificado pela falta de estrogênio. A vagina mais seca pode dificultar a relação. No que se refere à falta de desejo, muitas vezes, o que gera ansiedade é a comparação com o que a mulher sentia no passado. Deve-se considerar, também, de que nessa faixa etária o homem pode apresentar um distúrbio ou disfunção sexual que afeta a companheira. Por isso, é tão importante examinar os aspectos biológicos e hormonais femininos quanto os de sua relação familiar e conjugal.

Drauzio – Você deixou claro que as alterações psicológicas estão diretamente ligadas à história de vida de cada mulher e por isso variam muito.

José Rennó Jr. – Em psiquiatria e psicologia, é muito importante ter um follow-up, levantar um histórico preciso da vida da pessoa. Por exemplo, há mulheres que mudam drasticamente de comportamento e atitudes, como se tivessem mudado de personalidade. A pessoa alegre e extrovertida de antes, que elaborava de forma construtiva suas frustrações perante a vida, transforma-se noutra, cabisbaixa, pessimista e irritável, queixando-se de angústia com frequência. O marido observa que ela está de pavio curto, estourando por motivos banais.

Por isso, em saúde mental, nunca se pode considerar um corte transversal na vida da mulher. É preciso levantar um histórico para avaliar o que mudou nas relações e interações com ela mesma e com as pessoas de seu convívio familiar e social.

Nessa fase, as queixas de perda de memória são muito importantes. ”Doutor, tenho que anotar tudo. Não me lembro mais das datas dos aniversários, e esqueço o número dos telefones de pessoas para as quais ligo costumeiramente.” Muitas temem estar desenvolvendo um quadro demencial e procuram neurologistas e psiquiatras, queixando-se dessas alterações de memória.
A queda na produção de hormônios também se reflete no padrão de sono, que pode melhorar com a terapia de reposição hormonal (TRH).

Drauzio – Nessa fase, quais são as alterações mais comuns na arquitetura do sono?

José Rennó Jr. – As alterações mais comuns envolvem insônia inicial (a mulher deita e não dorme) e o despertar precoce, ou seja, em vez de acordar no seu horário habitual, ela acorda de madrugada e isso, sem dúvida, prejudica a qualidade de sua vida.

Hoje, quando se fala em reposição hormonal, sempre se tem em consideração a qualidade de vida da mulher, que pressupõe saúde física e mental na menopausa. Essas questões nunca estão dissociadas. Ao contrário, estão sempre totalmente integradas.

ESTUDO SOBRE A AÇÃO DO ESTROGÊNIO

Drauzio – Você é um estudioso dos aspectos psicológicos relacionados com a reposição hormonal. O que revelou esse estudo que você realizou?

José Rennó Jr. – Foi um estudo randomizado, duplo-cego e controlado com placebo. As mulheres foram escolhidas de forma aleatória em clínicas ginecológicas e nem o médico nem a paciente sabiam quem tomava remédio, um tipo de estrogênio normalmente indicado pelos ginecologistas, e quem tomava um comprimido inerte, uma pílula de farinha conhecida como placebo. Essas mulheres tinham entre 45 e 56 anos de idade e estavam todas na pós-menopausa. Na verdade, eram histerectomizadas, isto é, não tinham útero. Recusamos pacientes com quadros depressivos, porque o mais comum é encontrar, nessa fase, sintomas de depressão, ansiedade e perda de memória.

Essas mulheres foram acompanhadas durante seis meses, passaram por ampla bateria de exames na área ginecológica e psiquiátrica, por escalas de humor e por testes de memória.
Por que escolhemos mulheres histerectomizadas, portanto na pós-menopausa? Porque não tinham a interferência da progesterona que geralmente provoca um quadro parecido com a disforia pré-menstrual, caracterizado por tristeza, desânimo, irritabilidade, alterações do apetite, ou seja, a progesterona pode interferir negativamente no humor da mulher. Era uma população de mulheres oligossintomáticas, ou seja, com poucos sintomas, e perfil que não desse margem a um viés capaz de interferir nas conclusões da pesquisa.

Grande parte dos estudos com mulheres na menopausa é um verdadeiro balaio de gatos. Envolvem mulheres na perimenopausa e na pós-menopausa o que dificulta saber se o tratamento é fidedigno para um grupo específico. Muitas vezes, os sintomas psíquicos melhoram em decorrência da melhora dos sintomas físicos. Logicamente, o humor da mulher melhora se desaparecem, por exemplo, os fogachos intensos e o suor abundante.

O objetivo da nossa pesquisa era ver se realmente o estrogênio tinha uma ação direta sobre a melhora do humor e da memória. Há modelos experimentais que mostram que esse hormônio tem ação definida no sistema nervoso central, uma vez que altera a secreção de uma série de substâncias químicas conhecidas como neurotransmissores (entre eles a serotonina e a noradrenalina) que fazem a conexão entre as células nervosas. Nosso estudo não evidenciou diferenças no humor dos dois grupos, quer seus componentes tenham tomado pílula de farinha ou a droga ativa.

ASPECTOS PSICOLÓGICOS E REPOSIÇÃO HORMONAL

Drauzio – Qual seria o perfil da ação do estrogênio no sistema nervoso central e que repercussão provoca no comportamento?

José Rennó Jr. – Mulheres mais sintomáticas, que iniciam a reposição hormonal precocemente, costumam ter melhora dos sintomas com a reposição hormonal. No entanto, em medicina, não se pode ser reducionista. Às vezes, as pessoas concluem apressadamente que a reposição hormonal traz ou não benefício à vida da mulher. Não podemos nos esquecer, porém, de que existem vários tipos de reposição hormonal, várias dosagens e vias de administração. Não é um tratamento único o que obriga determinar em que grupo de mulheres a reposição funciona e em que grupos deixa de funcionar. Mulheres na perimenopausa ou na pós-menopausa? Com poucos sintomas ou com transtornos psiquiátricos? Que tipo de hormônio foi utilizado? Que tipo de progesterona?

O estudo do WHI (Women Health Initiative) causou celeuma, mas se resumiu a avaliar a aplicação do acetato de medroxiprogesterona e estrogênio equino-conjugado. Não sou contra nem a favor à terapia de reposição hormonal. Visando sempre à qualidade de vida da mulher nessa fase, acredito, porém, ser válido prescrevê-la, desde que a indicação seja precisa e os riscos pequenos e controláveis.

Drauzio – No seu ponto de vista, se fosse possível isolar apenas o quadro psicológico, que sintomas indicariam a necessidade de reposição hormonal?

José Rennó Jr. – Vou exemplificar com um quadro clínico para deixar mais claro. Se recebo uma mulher entre 41 e 51 anos de idade, na perimenopausa, com fenômenos psíquicos e mudanças comportamentais relatadas por ela e pela família, uma mulher que nunca teve depressão, mas apresenta alterações de memória, labilidade de humor, tristeza e desânimo, diante desses sintomas e se não houver qualquer tipo de contra-indicação, a terapia de reposição hormonal pode ter efeito benéfico no humor. Existem trabalhos científicos sérios que comprovam a ação estrogênica nos sintomas depressivos dessas mulheres.

Na pós-menopausa, porém, se a mulher nunca fez reposição hormonal profilática com o fim específico de melhorar o humor e a memória, é questionável a ação estrogênica em termos de sistema nervoso central. Por isso, é importante avaliar o nível sintomatológico da paciente, as alterações comportamentais e o período de vida em que se encontra. Acredito que, dado precocemente, o estrogênio previna alterações da memória, embora alguns trabalhos evidenciem o contrário. Em relação à doença de Alzheimer, especialistas no assunto levantaram a hipótese dos benefícios da utilização desse hormônio, mas os resultados positivos do estrogênio na prevenção e diminuição de alguns sintomas não foram comprovados.

Essa é uma área contraditória. De qualquer forma, acredito que a reposição hormonal seja válida para um grupo específico de pacientes visando à melhora da qualidade de vida.

Drauzio – A menopausa não é o único período crítico na vida das mulheres. Elas atravessam fases em que estão mais vulneráveis a alterações psicológicas. Que fases são essas?

José Rennó Jr. – São os períodos em que há mais oscilações hormonais. Explicitando melhor: nos períodos em que há variações importantes nos níveis dos hormônios, há maior vulnerabilidade a transtornos psíquicos de forma geral, sejam eles depressivos ou ansiosos. Isso inclui os períodos pós-parto, pré-menstrual, perimenopausa e pode estender-se até um ano após a menopausa.

Está comprovado cientificamente que mulheres com antecedentes de depressão pós-parto e de TPM (tensão pré-menstrual) são mais suscetíveis à manifestação de problemas psicológicos na perimenopausa. Elas são mais sintomáticas nessa fase.

Outro aspecto interessante foi levantado por um trabalho realizado em Harvard, segundo o qual tanto sintomas psíquicos podem levar às alterações hormonais, como o contrário, alterações hormonais importantes podem provocar distúrbios psíquicos.

MITOS E PRECONCEITOS

Drauzio – Quais os principais mitos que cercam a mulher na menopausa?

José Rennó Jr. – Por questões de ordem cultural, nas sociedades orientais, onde a mulher é respeitada e a expectativa de envelhecer encarada de forma positiva, os sintomas tanto físicos quanto psíquicos da menopausa são menos intensos.

Infelizmente, nas culturas ocidentais, a realidade é outra. Há um grande “pré-conceito” em relação às mulheres nesse período. Simbolicamente, existe o mito de que a mulher na pós-menopausa seria uma lua minguante, enquanto na fase reprodutiva seria uma lua cheia.

Trata-se de um ‘pré-conceito” absolutamente infundado. A mulher na pós-menopausa pode contar com recursos médicos que garantem qualidade de vida em todas as suas funções, inclusive na sexualidade. O primeiro passo, portanto, é lutar contra o estigma e o preconceito vigente. Para tanto, abordamos o marido e os filhos dessas mulheres, pois as relações familiares pesam muito na gênese das alterações comportamentais da menopausa.

MUDANÇAS NO ESTILO DE VIDA

Drauzio – Quanto ao estilo de vida, o que recomendar a essas mulheres que chegam aos 40 anos e podem viver problemas um pouco mais sérios?

José Rennó Jr. – A mudança de hábitos de vida é fundamental. Isso envolve mudanças comportamentais. Ela precisa dedicar-se a atividades que lhe deem prazer, resgatem sua autoestima e a estimulem mentalmente. É importante aceitar novos desafios, como um curso de informática, se nunca mexeu com computadores, frequentar uma faculdade de terceira idade para ampliar os horizontes, resgatar o convívio com os amigos e rever o tipo de relacionamento e vínculo estabelecido com as pessoas da família.

Atividade física é fundamental. Além de prevenir a osteoporose, está provado que melhora o humor e a memória. O exercício físico não só aumenta a secreção de endorfinas, opioides endógenos que funcionam como analgésicos naturais, mas também aumenta a secreção de serotonina, um hormônio neurotransmissor que interfere positivamente no estado afetivo da mulher.

São recomendáveis também algumas mudanças na dieta, porque nesse período há alterações do metabolismo. Muitas mulheres acham que engordam porque estão fazendo reposição hormonal, outro mito. Na realidade, nessa faixa etária, a mesma ingesta calórica dos anos anteriores produz sobrepeso por causa da redução da atividade metabólica e não por causa dos hormônios. A Sociedade Brasileira do Climatério desenvolveu um programa nutricional eficiente que ajuda mulheres menopausadas a controlar o peso. Vale a pena conhecê-lo.

Drauzio – Se continuar comendo a mesma coisa, ela vai engordar, não é?

José Rennó Jr. – É justamente o que acontece. Por isso, deve-se trabalhar tanto os aspectos psicológicos quanto os físicos, que interferem nos psicológicos. Dietas, mudanças de comportamento, conscientização da família, enfim, é necessário fazer uma abordagem abrangente, no sentido de focalizar todo o contexto de vida da mulher. Cabe ao médico, seja ele ginecologista, psiquiatra, clínico geral, ter essa visão multidisciplinar da gênese dos transtornos de humor e memória no período da menopausa.

PRÓ-MULHER

Drauzio – Você coordena o Pró-Mulher, um programa de atenção à saúde da mulher, no Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. As mulheres podem procurar esse serviço?

José Rennó Jr. – Elas podem ligar para nossa sede dentro do Hospital das Clínicas e se inscreverem para participar do processo de triagem. É um serviço público gratuito que atende pelo telefone (11) 3069-6975.

Muitas mulheres dizem que têm TPM ou transtornos psíquicos específicos da menopausa e o histórico mostra o contrário. Há mulheres com quadros depressivos leves, outras com transtornos alimentares que pioram no período pré-menstrual e as que têm reincidência de quadros depressivos na pós-menopausa sem ser um quadro especifico desse período. O Pró-Mulher se propõe esclarecer o diagnóstico de cada caso e encaminhar o tratamento.

Fonte-http://drauziovarella.com.br

Os Impressionistas

O Impressionismo é talvez o movimento artístico mais fascinante e amado, da história da arte no mundo inteiro. A denominação nasce quase por acaso, por conta de um crítico que detestou o quadro de Monet, Impressão, nascer do Sol  (1872). A frase de Louis Leroy foi “Impressão, Nascer do Sol – eu bem o sabia! Pensava eu, se estou impressionado é porque lá há uma impressão. E que liberdade, que suavidade de pincel! Um papel de parede é mais elaborado que esta cena marinha“. Assim, de uma expressão pejorativa, nascia o nome do movimento que celebrizou tantos pintores. O conceito do grupo de jovens artistas era fugir do Realismo, dos quadros que retratavam fielmente a realidade. A luz e o movimento eram a força motriz nessa nova pintura, plena de pinceladas soltas, pintadas ao ar livre, captando a luz, o momento. De perto parecem borrões e é ao se distanciar que se tem a verdadeira dimensão da beleza da pintura.

Édouard Manet ( Paris, 23/01/1932 – Paris,  30/4/1883), filho de um alto funcionário do governo e neto de um diplomata, junto com seus irmãos Eugène e Gustave, teve acesso à arte com o tio, o Capitão Édouard Fournier, que  os levava ao Louvre para admirar as grandes obras. Na escola Manet demonstrou logo que não conseguiria atender às expectativas do pai, que queria que ele fosse advogado. Suas notas eram tão ruins que ele não conseguiu sequer passar no exame para a escola Naval. Acabou sendo admitido como marinheiro para trabalhar num navio que viria ao Brasil, onde ele admirou muito a luminosidade da Baia de Guanabara.

Apesar de não se considerar propriamente um impressionista, Edouard Manet foi, de certa forma, o precurssor do Impressionismo quando escandalizou Paris ao pintar Olympia. Sua pintura quebrou os laços com a antiga forma de pintar e essa era uma das características do Impressionismo.

Manet serviu de grande inspiração para os impressionistas  Claude Monet, Edgar Degas, Auguste Renoir, Camille Pissarro, e os ajudou muito, em especial ao seu quase homônimo, Monet. Emprestou dinheiro a ele várias vezes e os apoiou em exposições. Foram precisos quase trinta anos para acostumar o olhar do público à nova arte e para que o Impressionismo conquistasse o gosto popular e dos críticos.

Oscar-Claude Monet (Paris 14/11/1840 – Giverny, 5/12/1926) é o mais famoso dos pintores impressionistas e aquele com mais seguidores. Em Giverny, onde sua casa virou um museu lindo, ao lado existe o museu dos Impressionistas americanos, jovens que inspirados pelo mestre, mudaram para Giverny para ficar próximo de Monet. 

Monet pintou durante toda a sua vida, sempre respeitando os ideais propostos pelo Impressionismo. A Ponte Japonesa e as Nympheas foram seus temas mais frequentes. Ele pintou durante trinta anos essa ponte e no fim da vida, já com a visão muito afetada pela catarata, colava massa com diferentes formas em suas latas de tinta para saber quais eram as cores e continuar a pintar.

Pierre-Auguste Renoir (Limoges, 25/02/1841 – Cagnes-sur-Mer, 3/12/1919), é um dos maiores pintores franceses e um expoente do Impressoinismo. Muito jovem, para ajudar a família, ele começou a trabalhar numa fábrica de porcelana. Tinha um traço perfeito e tão rápido que propôs ao patrão que pagasse pela quantidade de peças e não por hora. Com isso ele começou a estudar Belas Artes. Sua pintura sempre foi plena de sensualidade, alegria, beleza. Ele dizia que o mundo já tinha muitas tristezas e que o pintor devia trazer a beleza, não retratar a feiura.

O Brasil possui um de seus lindos retratos, o quadro Rosa e AzulAs Meninas Cahen d’Anvers), pintado em 1881, que pertence ao Masp desde 1952.

Edgar H. Germain Degas (Paris, 19/07/1834 – id. 27/09/1917) é sempre lembrado por suas lindas bailarinas. Ele idolatrava o pintor Dominique Ingrès e admirava muito a pintura italiana, que sempre o influenciou de tal maneira que ele nunca foi um “perfeito” impressionista. Degas não pintava a luz, mas, representava a beleza dos movimentos da dança. Era grande amigo de Manet, a quem teria dito: “Você precisa de uma vida natural e eu de uma artificial”. Com um pai banqueiro, ele teve uma vida privilegiada (até a morte deste), mas, ao final de sua vida foi atormentado pela cegueira, que o fez voltar-se para a escultura. O Masp possui uma bela coleção de algumas de suas esculturas.

Berthe Morisot (Bouges, Cher, 14/01/1841 – Paris, 2/03/1895), foi a única pintora impressionista  que alcançou sucesso. Posou para Manet algumas vezes, sendo esse o retrato mais famoso.

Embora se pudesse supor que fossem apaixonados, ele era casado e ela só posava acompanhada de familiares. Finalmente Berthe se casou com o irmão de Manet, Eugène. Participou da primeira exposição dos Impressionistas em 1874 e suas obras foram expostas em diversos países, com destaque para New York ( 1886). Seus traços eram inspirados nos de Manet mas, mais leves e puros.

Paul Cézanne (Aix-em-Provence, 19/01/1839 – id. 22/10/1906), já não pode ser considerado um impressionista. Ele marca a separação entre o Impressionismo e o Cubismo. É a ponte entre os dois séculos, o  XIX e o XX.  Diz a lenda que Matisse e Picasso consideravam Cézanne “o pai de todos nós”. Segundo Cézanne ele via a natureza em suas formas elementares.

Cézanne era quase um ermitão, permanencendo em sua cidade natal praticamente toda sua vida e pintando quase obsessivamente a montanha de sua cidade: A Sainte-Victoire.

Auvers-sur-Oise – A cidade possui um museu muito especial, voltado para o Impressoinismo e conta a história deste período, na Paris daqueles tempos. Ir até o Château des Impressionnistes é muito simples e leva só 30 minutos de Paris. É como passar um dia com os Impressionistas. Conheça os detalhes em

http://www.francetravelthemes.pro/pt/61/chateau-d-auvers-voyage-au-temps-des-impressionnistes/

Foi nesta cidade, próxima de Paris, que Van Gogh (Zundert, 30/03/1853 – Auvers-sur-Oise, 29/07/1890) viveu seus últimos dias. Ao caminhar pelas ruas, não sem emoção,  identificamos as paisagens de muitos de seus quadros.

O quarto onde ele viveu e morreu também pode ser visitado e sua simplicidade é tocante.  Aproveite para ir até o cemitério e ver o túmulo dele e de seu irmão Théo. Se for primavera e tiver sorte, poderá ver os girassóis que fazem sombra sobre Van Gogh.

O Museu D´Orsay em si já é uma obra de arte! Antiga estação de trem – Gare d´Orsay – que reformado e inaugurado em 1986, se transformou em um dos maiores museus de Paris. É o museu com a maior quantidade de obras Impressionistas.

Em São Paulo, 320 mil pessoas foram ver a exposição Impressionismo – Paris e a Modernidade que agora chega ao Rio de Janeiro no Centro Cultural do Banco do Brasil, certamente fará o mesmo sucesso. Os 81 quadros foram  cercados de cuidados que vão desde a aclimatização das obras, controle da umidade do ar durante a exposição, número de visitantes, entre outros.  A atmosfera e a decoração no Rio é moderna: cores vibrantes, violeta, azul-marinho, verde-musgo predominam. É a reprodução das cores atuais na sede do Musée D´Orsay. Assim, no Brasil, ficamos mais perto da França e dos Impressionistas. Muito mais perto.

Por Cecilia Cavalheiro

Eu, eu mesma e minha vagina

Cara Vagina,

Não está fácil o mundo aqui fora. Como você deve saber, somos mulher, e isso não exatamente ajuda.

Há quem discorde, e diga que mulheres têm muito mais facilidades do que homens. Porque somos fisicamente mais fracas, e porque a sociedade machista quer nos agradar e nos levar para cama, o que deveria abrir certas portas. Talvez, mas implica em te usar quando os outros querem, e não quando eu quero. Te colocaria meio que a serviço deles. Te curto vagina, e levo a sério seus sentimentos e vontades. Tento sempre que possível, atendê-los. Ouço e levo em consideração.

(Sigo te devendo o Javier Bardem. Tá difícil, mas não desisti).

Não é tarefa fácil. O mundo não exatamente curte o tipo de relação que nós temos. O mundo prefere que a gente não se entenda e que eu não te dê ouvido ou voz. Que eu não consiga te entender e te agradar. O mundo fica mais tranquilo quando mulheres e vaginas são inimigas.

O mundo mina nossa relação tratando meu temperamento quase insuportável como se fosse consequência de negligenciar suas vontades e desejos. Ah, se eles soubessem o que se passa aqui…

Mas não sabem. E não só no que diz respeito a você. O mundo não entende nada de mulher. E prefere assim. Prefere fingir que tudo se resume a TPM, muito sexo, pouco sexo, nenhum sexo, vontade de procriar e competitividade entre vaginas. Eles acham que é assim simples. Que somos assim óbvias.

Claro. Afinal vai tudo de vento em popa, e as pessoas só fazem melhorar. Por que raios alguém teria algum motivo para se aborrecer com esses humanos lindos? Puro desequilíbrio. Pura falta de sexo. Até porque são todos exímios amantes que de tão incríveis, mudariam nossa vida com uma noite de sexo.

Mulher é tudo louca, repetem por aí. Quero ver aguentarem o que aguentamos.

O mundo é machista. Não estou militando, não estou nem reclamando, mas é. São os fatos. Mulheres são machistas. Constatação que não é novidade, mas é real. Se um marido dá em cima de uma mulher X, e ela deixa: ela é uma puta. Se uma esposa, dá em cima de um homem solteiro: ela é uma puta. Gostaria de entender. Gostaria que eles entendessem.

Mas como eles entenderiam? No mundo heterossexual machista tem coisas que eles nem imaginam que passamos, simplesmente por existir. E não falo de opressão, ou violência, ou injustiça. Falo das pequenas coisas do dia a dia. Eles não imaginam o constrangimento que é ir ao ginecologista e além de responder questões íntimas sobre nós duas, ainda deitar naquela mesa medonha, te deixar exposta, e quando parece que não existe como piorar, o médico senta ali no meio e puxa uma luminária que tem um spot na ponta, para te enxergar melhor. Tudo isso enquanto pergunta o que temos feito da vida. No momento estamos passando vergonha, doutor.

O mundo maravilhoso da intimidade feminina. Da manutenção, do cuidado e da higiene.

Não imaginam como sofremos na depilação. Não imaginam que mais do que tornar tudo esteticamente mais agradável para eles, nos submetemos a rotina de arrancar os pelos todos com cera quente porque fica tudo mais gostoso. E a dor passa e a sensação fica. E é deliciosa. Pararei por aqui. Porque você sabe do que eu estou falando e aqui não é lugar para ficar de conversinha para punheteiro se inspirar. Até porque eles te imaginam depilada, mas, não imaginam o contorcionismo envolvido, e a sensação humilhante que é ter que te abrir para a fulana depiladora deixar tudo impecável.

Temos nossos bons e maus momentos. Confesso me chatear com você quando você faz barulhos fora de hora, na frente dos meninos, durante o sexo. Eu sei, foi ele quem empurrou ar para dentro e uma hora o ar teria que sair. Eu sei que acontece muito de vez em quando, mas eu gostaria que não acontecesse nunca. O que importa é a gente, mas eu gosto e quero impressionar alguns dos moços para quem te apresento. Gostamos deles.

Não imaginam também como é gostoso quando concordamos, e que sempre sabemos o que queremos, mesmo quando não é a melhor das ideias. Não imaginam como somos doces e gentis com eles, mesmo quando eles fazem tudo errado. Como insistimos e mostramos o caminho, mesmo quando o começo é pouco promissor. Não entendem que a única forma de terem alguma chance com a gente é se nos entendermos. Não sabem nos valorizar e cuidar das duas em igual medida.

Sorte que nos entendemos, e contamos uma com a outra. E fazemos nossos exercícios Kegel e nos preocupamos mais com incontinência urinária na terceira idade do que com o tamanho dos pênis que encontramos por aí.

Deixa eles, Vagina. Uma hora eles aprendem.

Tenho que ir agora, hora do banho e depois cinema. Te vejo mais tarde.

Beijos!

Basorexia = Beijos.

De imediato, basorexia é um termo que me lembra de uma palavra que eu ouvia vez por outra nos meus tempos de infância em Madrid, onde nasci. “Basura”, que simplesmente em espanhol significa lixo. Vamos combinar que a princípio, ao menos, basorexia não sugere nenhum detrito, nada fétido ou escatológico por exagero. Pois estamos falando do desejo, da compulsão mesmo irrefreável de beijar. Beijar muito. Beijar enlouquecidamente. Beijar sem parar.

Antes de tudo, vamos decifrar a foto acima cuja fama atravessa os tempos. Publicada na revista americana Life, foi tirada por Alfred Eisenstaedt em 14 de agosto de 1945 na Times Square, em Nova York. A imagem mostra um marinheiro beijando uma enfermeira em comemoração ao término da Segunda Guerra Mundial.

Voltando à nossa conversa, agora de mãos dadas com uma curiosidade minha: alguém dentre vocês sofre desta deliciosa mania — que embora possa assumir tons neblinados, plúmbeos até, se quisermos ser mais graves, de uma doença — pela falta de conveniência, de savoir faire talvez, como sugeririam os franceses, é inegavelmente irresistível.

Primeiramente, ressaltemos, visando inclusive à prospecção de controvérsias, que o beijo hoje — aquele caprichado, malemolente, coleante e succional, feito aderência de caracol grudado em vidro, ósculo explícito como os do peixe beijador, abrindo e fechando no aquário sua despudorada e rósea boquinha — anda um tanto mofado, abandonado, esquecido nas bocas viçosas. Anda ensimesmado e amarrotado, o pobrezinho do beijo.

A sofreguidão dos fisiológicos, lânguidos e entorpecidos conluios nas décadas e séculos passados, observados nas artes em geral, caiu de certa forma em desuso.

Hoje quase ninguém quer perder tempo, nem com os apetitosos e, a meu ver, insubstituíveis acepipes, hors d’oeuvres do namoro. Os finalmentes sexuais traduzem melhor a azáfama atual. A vida em sua féerie digital é como uma cômoda, compartimentada com um sem número de gavetinhas, cada qual destinada a conter tarefas do cotidiano que, espera-se, assuma desempenho sincronizado.

Em breve retrospectiva, ilustraremos a seguir beijos antológicos, protagonistas do mundo das artes. Aqui divisamos o primeiro beijo no cinema. Enfrentando o pudor da época, o primeiro beijo nas telas deu-se em 1896 e deixou o público boquiaberto, com as trocas de carícias entre os atores May Irwin e John C. Rice no filme “O Beijo”. Em obras clássicas, acenamos com os arrebatadores beijos entre Clark Gable e Vivien Leigh, em “E o Vento Levou”, em 1939. E os romanescos de Cary Grant e Debora Kerr em “Tarde Demais Para Esquecer”, de 1957.

Viajando à renascença, lembramos que na Inglaterra o povo já mostrava sua predileção por beijocas que aconteciam a torto e a direito. Quem por exemplo visitava um amigo deveria, em sinal de respeito, beijar o anfitrião, sua esposa, filhos e até os bichos de estimação. Todos, sem exceção, na boca. Entretanto no século 15, o Rei Henrique VI, com o objetivo de sustar a proliferação de doenças, proibiu o beijo entre os ingleses. Um pouco depois, no século 17, Oliver Cromwell vetou beijos aos domingos. Algum atrevido que ousasse burlar a lei expunha-se de imediato à prisão.

O beijo da traição

Nem sempre, para infortúnio dos amantes, o beijo constou como prova cabal de afeto. Não conseguimos esquecer o beijo de azinhavre de Judas, apóstolo traidor de Jesus, indicando com a carícia aos guardas romanos que ele deveria ser preso.

Ousadia também é o que não falta na acrobacia de línguas e clamores que permeiam o cinema. A intensidade dos beijos homoeróticos entre os atores Heath Ledger e Jake Gyllenhaal, em o “Segredo de Brokeback Mountain” merece seu registro.

“O Beijo” de Picasso, em 1969, retrata a fusão dos amantes cubistas.

Auguste Rodin sacraliza, em 1886, a envolvência e entrega no encontro amoroso, em escultura marmórea.

Aproximando-nos neste momento da música, recordamos a magistral cantora cabo-verdiana, Cesária Évora, intérprete de “O Beijo Roubado”.

Elencamos a doce e sensual Marisa monte, interpretando “Beija Eu” em compilação de vídeo com alguns dos melhores beijos do cinema. Por fusão, desfilam cenas inebriantes de filmes como “Tróia”, “Cidade dos Anjos” , “Doce Novembro”, “Piratas do Caribe”, “Homem-Aranha”, “Sr. e Sra. Smith” e “O Segredo de Brokeback Mountain” dentre outros.

Afinal, o que é melhor que beijo na boca: chocolate, videogame, una vera pizza napolitana?

Enquanto você decide, importa esclarecer que muito além de se posicionar como um livro centrado em mirabolantes técnicas e pitorescas posições sexuais, o “Kama Sutra” abrange desde sempre os meneios da sedução e suas variantes, na forma de provocativos beijos, como nos 16 tipos que o livro evoca. Neste coquetel, há tira-gostos irresistíveis sublinhados em matéria da “Revista Superinteressante”.

1 — Beijo Nominal: Um dos amantes toca a boca do outro com os lábios, sem fazer mais nada.

2 — Beijo Palpitante: Durante o beijo nominal, um dos amantes movimenta o lábio inferior, mas não o superior.

3 — Beijo de Toque: Um dos amantes toca os lábios do outro com a língua, fecha os olhos e coloca suas mãos nas do outro. Lambidinha romântica? Risos.

4 — Beijo Direto: Os lábios dos dois amantes entram em contato direto. Aqui no ocidente, esse beijo também é conhecido como “selinho”.

5 — Beijo Inclinado: É, basicamente, o selinho (Beijo Direto), mas os amantes devem estar com as cabeças inclinadas.

6 — Beijo Voltado: Um dos amantes volta o rosto para o outro, segurando a cabeça e o queixo do outro enquanto se beijam.

7 — Beijo Pressionado: O lábio inferior é pressionado com muita força pelos dedos do amante. Há ainda o beijo “muito pressionado”, quando o lábio inferior é agarrado pelo amante entre dois dedos e depois pressionado com o lábio. Meio estranho, mas vale a pena tentar, não?

O beijo do lábio superior pode ser feito por homens de bigode. Já o agarrado, não!

8 — Beijo do Lábio Superior: O amante beija o lábio superior do outro e o amado, por sua vez, beija seu lábio inferior.

9 — Beijo Agarrado: Um dos amantes toma ambos os lábios do outro entre os seus. Mas atenção: só homens sem bigode podem dar esse beijo! Polêmico.

10 — Luta de Línguas: Durante o beijo agarrado, um dos amantes toca os dentes, língua e céu da boca da pessoa amada. Também é permitido pressionar os dentes de um contra a boca do outro. Perigoso.

11 — Beijo que Acende o Amor: Acontece quando um amante contempla o outro adormecido e o beija (não necessariamente nos lábios, fica a dica).

12 — Beijo que Distrai: É quando se beija o amante enquanto ele está trabalhando, olhando para outra pessoa ou quando estão brigando.

13 — Beijo que Desperta: Ao chegar em casa tarde da noite, o homem beija a amante que está dormindo. Dica: a mulher pode só fingir que está dormindo.

14 — Beijo Revelador de Intenção: Beija-se o reflexo da pessoa amada num espelho, na água ou na parede.

15 — Beijo Transferido: Quando se beija uma criança de colo, um retrato ou uma imagem na presença da pessoa amada.

16 — Beijo Demonstrativo: Quando o homem beija os dedos das mãos (quando a mulher estiver de pé) ou dos pés (quando ela estiver sentada) em um local público. Ou quando a mulher se deita no colo do amante e beija suas coxas ou o dedão do pé.

Depois desta maratona de beijos, vale assinalar que a ideia desta crônica reside em buscar revivescer o combalido, torpedeado e esgarçado beijo. O beijo chinfrim, analógico. Derrotado frequentemente por batalhas travadas na rotina com as megapromessas do virtual. Beijo atônito. Alijado por euforizantes experiências em realidades supra-aumentadas e que tais.

Mas cá entre nós: uma dança de rosto colado pega bem sempre. Atravessa gerações com seu arfar, ritmo e molejo insubstituíveis.

Que a basorexia, então, recaia como epidemia sobre nossos entorpecidos e distraídos corpos e bocas erráticas, deslizando à solta pelos salões da vida. O silêncio de um beijo, molhado apenas pelo ruído de oportunas onomatopeias, sem dúvida é dos mais almejados que há, nas vitrines do consumo humano.

TEXTO de

Professora e escritora.

Bettie Page: A Rainha das Pin-ups

Bettie Page era muito mais do que uma modelo bonita: era simplesmente a melhor. Carismática, ousada, exótica, com um olhar e sorriso inocentes, Bettie brilhou como nunca antes na indústria da moda.

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Bettie Page na adolescência.

Bettie Mae Page nasceu no dia 22 de abril de 1923 em Nashville, Tennessee.
Segunda de seis filhos do casal Walter Roy Page e Edna Pirtle, Bettie passou seus primeiros anos viajando por todo o país com seus pais em busca de estabilidade financeira.

Logo cedo teve de enfrentar as responsabilidades de cuidar de seus irmãos mais novos e ajudar a mãe nas tarefas da casa. O divórcio de seus pais só piorou a situação econômica da família. Sua mãe passou a trabalhar como cabeleireira durante o dia e lavava roupas à noite. Seu pai também teve problemas com alcoolismo e acabou sendo preso.

Aos 10 anos de idade, Bettie e suas duas irmãs ficavam em um orfanato enquanto sua mãe trabalhava. Bettie ficava horas inventando penteados e imitando as estrelas de cinema da época. Mas apenas quando lhe sobrava tempo, pois teve que ajudar a mãe a sustentar a família trabalhando como cozinheira e costureira. Sua habilidade na costura lhe rendeu bons frutos pois, anos mais tarde, ela mesma passou a criar seus próprios biquínis e roupas. Aos 15 anos de idade Bettie foi violentada pelo próprio pai, que havia voltado para morar com a família.

Como estudante, foi uma aluna exemplar. Coordenava grupos de artes dramáticas e, como destaque da turma, ganhou uma bolsa de estudos da Peabody College. Depois de se formar ela se mudou para São Francisco com Billy Neal, seu namorado havia já dois anos, se casando logo em seguida, em 1943.

Foi em São Francisco que Bettie conseguiu seu primeiro trabalho como modelo em uma loja de casaco de peles. Bettie pôde então viajar para diversos lugares, inclusive para o Haiti, onde ela se apaixonou pela cultura local.

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Retrato de Bettie Page.

Em 1947, de volta aos Estados Unidos, Bettie se divorciou de Billy e se mudou para Nova York, onde continuava trabalhando como modelo. Em 1950, durante um passeio, conheceu Jerry Tibbs, um policial apaixonado por fotografia. Tibbs tirou fotos de Bettie e criou sua primeira coleção no estilo pin-up. Tibbs dizia a ela que sua testa era larga demais para usar o cabelo partido ao meio. Bettie então eternizou a franja convexa e lisa conhecida e copiada até hoje.

A partir daí, sua vida mudou completamente.

Ela se tornaria a modelo mais famosa dos anos 50 devido às suas fotos sensuais de estilo boneca. O que lhe rendeu a fama de “rainha das pin-ups”. Sua marca registrada eram os olhos azuis, os cabelos pretos luminosos e a franja, criando um visual exótico e um estilo único que influenciou vários artistas. Bettie amava a câmara, mas a câmara amava mais ainda Bettie.

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Bettie Page, modelagem.

Tibbs apresentou Bettie a vários fotógrafos. Consequentemente, sua carreira de modelo já estava feita. Apareceu em várias capas de revistas da época como Wink, Eyeful, Titter e participou de vários desfiles de beleza. Com isso, Bettie ganhou o título de “Miss Garota Pinup do Mundo” em 1955, sendo chamada até de “a menina mais perfeita”.
Suas fotos apareciam em praticamente todos os lugares. Impossível andar pelas ruas das cidades e não se deparar com um cartaz, uma capa de revista, um álbum de disco ou até mesmo cartas de baralho com o rosto de Bettie estampado neles.

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Bettie Page e sua frase famosa.

Em 1953, Bettie fez um teste de interpretação com Herbert Berghof, ator, diretor e escritor de teatro. Incentivada por ele, atuou em diversas produções de Nova York e apareceu algumas vezes na televisão. Desenhistas criavam quadrinhos com histórias baseadas em seus filmes.

Em 2005 estreou nos Estados Unidos a cinebiografia de Bettie Page. O filme é dirigido por Mary Harron e Gretchen Mol interpreta Bettie.
Apaixona pelo cinema chegou a afirmar: “Minha atriz favorita de todos os tempos é Bette Davis em “Dark Victory”. Eu vi o filme seis ou sete vezes e ainda choro.”

Mas do que Bettie gostava mesmo era de ser fotografada ao ar livre, em barcos, e nas praias. Sua inspiração era Luz del Fuego, nome artístico de Dora Vivacqua (bailarina e naturista) que adorava se exercitar e tomar banhos de sol nua. Bettie, sempre que possível, fazia o mesmo. “Eu amo nadar e andar nua. Me sinto livre como um pássaro!”

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Bettie Page gostava de fotos ao ar livre.

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Bettie Page, modelagem.

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Bettie Page, modelagem.

Os responsáveis pela imortalização de Bettie como pin-up foram os fotógrafos Irving Klaw e Bunny Yeager. No contrato assinado para posar para Klaw, Bettie só receberia seu pagamento mediante poses no estilo “bondage” (tipo específico de fetiche, geralmente relacionado ao sadomasoquismo). Nas fotos, Bettie era amarrada e espancada por uma dominatrix com trajes de couro e salto alto, atuando em cenários fetichistas de rapto como uma vítima indefesa.

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Bettie Page, bondage.

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Bettie Page, bondage.

O presidente do Senado na época, Carey Estes Kefauver, não aprovava as fotografias de Klaw devido à apologia do sadomasoquismo. Bettie chegou a prestar depoimentos, pois as suas fotografias provocativas violavam todos os tipos de tabus sexuais. Os negativos de muitas de suas fotos foram destruídos por ordem judicial e alguns foram proibidos de serem revelados.

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Bettie Page, prisão.

Com ou sem adereços e figurinos elaborados, ela produziu algumas das mais belas fotos de capas de revistas estampando, inclusive, a capa da mais conhecida de todas do gênero erótico: a Playboy, em 1955. A famosa foto mostra Page usando apenas um chapéu de Papai Noel diante de uma árvore de Natal, piscando o olho para a câmara. Hugh Heffner, fundador da revista, declarou: “Eu a achava uma mulher notável, uma figura emblemática na cultura pop que influenciou a sexualidade, os gostos, a moda. Alguém que causou um impacto tremendo em nossa sociedade”.

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Bettie Page, bondage.

Em 1957, Bettie deixou Nova York e se mudou para a Flórida. Casou-se em 1958 com Armond Walterson, desaparecendo aos poucos da vida pública. Alguns culpam Klaw por seu desaparcimento, outros atribuem seu sumiço ao casamento com Walterson.
Em 1959, Page se converteu ao cristianismo. Ela tentou se tornar uma missionária mas não foi aceita devido a seus inúmeros divórcios. Seu casamento com Walterson terminou em 1963. Nesse mesmo ano ela voltou a se casar com Billy Neal, seu primeiro marido, mas os dois se divorciaram novamente pouco tempo depois. Ela então voltou para a Flórida, em 1967, e casou-se com Harry Lear. Divorciaram-se em 1972.

Sua carreira estava chegando ao fim. O final de sua vida foi marcado pela depressão. Para proteger sua privacidade, ela dizia que não sabia quem era Bettie Page quando abordada pelos fãs nas ruas.

Em 1979 se mudou para a Califórnia, onde teve um colapso nervoso e foi diagnosticada com esquizofrenia aguda. Ficou alguns meses em um hospital psiquiátrico e depois de uma briga chegou a ser presa por agressão, mas foi inocentada por razões de insanidade e permaneceu sob a tutela do Estado por 8 anos.

Em 2008 sofreu um ataque cardíaco do qual não recobrou a consciência e entrou em coma. Uma semana depois, falecia a Rainha das Pin-ups, aos 85 anos de idade, de pneumonia. Foi sepultada no cemitério de Westwood Village Memorial Park. Em sua lápide aparece seu nome como “Bettie Mae Page” juntamente com a legenda: “Rainha das Pin-Ups”.

Seu estilo permanece vivo até hoje. Um exemplo disso, na cultura pop atual, é a franja de Katy Perry, alguns modelos de lingerie usados por Madonna em sua fase “Erotica” e, principalmente, toda a carreira da dançarina burlesca Dita Von Teese.