Pierre Auguste Renoir

“A dor passa, mas a beleza permanece”, disse Renoir, um dos maiores pintores impressionistas, mestre em fixar em suas telas a luz, o brilho e a beleza das coisas.

Pierre-Auguste Renoir nasceu em família modesta – o pai era alfaiate. Em 1845, a família mudou-se para Paris, mas retornaria para Limoges três anos depois.

Em 1855, Renoir, com o intuito de adquirir um ofício, foi aprender decoração de porcelana e trabalhar no próprio ateliê onde estudava. Três anos depois, começou a pintar estampas em tecidos.

Em 1862, mudou-se para Paris e foi admitido na École des Beaux-Arts. Passou a visitar regularmente o Museu do Louvre e começou a estagiar no ateliê do pintor suíço Charles Gleyre.

Em 1866, inscreveu seu quadro “A Hospedaria da Mãe Anthony” no Salão Oficial das Artes, mas foi rejeitado. Dois anos depois, o salão aceitou a tela “Lise”. Mesmo assim, o impressionismo – o novo estilo que Renoir adotara – ainda não era uma forma de arte aceita pela crítica. Por isso, Renoir e seus companheiros planejaram organizar uma exposição de arte impressionista.

Mas, em 1870, com a invasão prussiana da França, Renoir foi convocado, participando da guerra como soldado.

Em 1874, Renoir e outros artistas (como Manet, Degas e Pissarro) enfim organizaram a exposição dos impressionistas.

Ela se realizou no estúdio do famoso fotógrafo Nadar. Embora rejeitada pelos críticos, a exposição se repetiria em 1876, 1877 e 1879. Em 1882, viajou para a Itália para estudar.

Durante esses anos, Renoir foi ficando famoso. Em 1890, casou com sua modelo Aline Charigot (eles teriam três filhos, Pierre, Jean e Claude). No ano seguinte, pintou “Rosa e Azul”, o célebre “quadro das duas meninas” que hoje está no Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Em 1892, obteve reconhecimento oficial para a pintura impressionista: um quadro seu foi adquirido pelo governo francês.

Num acidente de bicicleta, em 1897, quebrou o braço. Dois anos depois, foi acometido de reumatismo, passando a ter problemas de mobilidade.

Em 1904, quando já era admirado em toda a Europa, organizou-se uma grande retrospectiva de sua obra. No ano seguinte, Renoir mudou-se para Cagnes, em busca de clima mais saudável.
Oito anos depois, as dificuldades de saúde o obrigaram a pintar sentado e amarrar os pincéis aos dedos.

Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914), teve dois de seus três filhos convocados (eles seriam feridos). Durante a guerra, também perdeu a esposa, Aline.

Em 1919, Renoir finalmente viu suas obras serem aceitas no Louvre. Em dezembro daquele ano, morreu em sua casa de Cagnes, aos 78 anos.

Principais obras

 

• 1. Retrato de Romaine Lacaux (1864): Nascido em Limoges, Renoir muda-se para Paris com sua família em 1844. Desde cedo, demonstra aptidão para a pintura. Em 1854, trabalha como aprendiz decorador em uma manufatura de porcelanas. Pinta também interiores de cafés, geralmente com cenas mitológicas. Neste mesmo ano, entra para a Escola de Desenho e Arte Decorativa. A partir de 1861, passa a frequentar o ateliê do pintor suíço Charles Gleyre, além de visitar o Louvre como copista. No ano seguinte matricula-se na Escola de Belas Artes. “Retrato de Romaine Lacaux“, pintado em 1864, é uma encomenda de um modesto ceramista, que deseja um retrato de sua filha. As encomendas feitas a Renoir, nesta época, eram bastante raras. No quadro, observa-se formas simplificadas no vestido e uma grande delicadeza nos tons, além de uma marca constante nos retratos de Renoir: a luminosidade dos olhos.

Retrato de Romaine Lacaux, 1864

• 2. A Hospedagem de Mère Anthony (1866): Em 1865, um grupo de alunos do ateliê de Gleyre, composto de Renoir, Monet, Bazille, Sisley, Pissarro e Guillemet, viaja para Marlotte, onde fica hospedado em uma estalagem, imortalizada por Renoir nesta pintura. No quadro, três pintores (Sisley, Jesles Le Coeur e, provavelmente, Monet) comentam o jornal de vanguarda Evénement, onde Émile Zola critica o júri do Salão de Paris. Este grupo realiza, durante algum tempo, longas sessões de pintura ao ar livre nos bosques de Fontainebleau. Para trabalhos em estúdio, usufruem de um espaço alugado por Bazille, o único do grupo que conta com uma boa renda mensal paterna e que auxilia os amigos. Os jovens artistas passam o ano estudando e tentando obter encomendas, enquanto aguardam a época do Salão.

A Hospedagem de Mère Anthony, 1866

• 3. Em Grenouillère (1869): em 1869, Renoir e Monet dedicam-se a um mesmo tema, o balneário de Grenouillère. Pintam lado a lado, ao ar livre, estudando os efeitos móveis e mutáveis da luz sobre a água. Antecipam técnicas utilizadas posteriormente pelos impressionistas, como a tache, pincelada dividida e destacada das outras, que se tornaria um marco do movimento. As duas obras, de Monet e Renoir, podem ser vistas e comparadas aqui.

A Grenouillère,1869

• 4. Banhista com Cão Grifon (1870): paralelas às pinturas e experimentações realizadas ao ar livre, Renoir continua produzindo obras mais tradicionais, destinadas ao Salão oficial. “Banhista com Cão Grifon” é aceita no Salão de 1870, juntamente com a obra “Mulher de Argel”. Embora seu estilo não seja rigorasamente tradicional, traz elementos já parcialmente assimilados pelo júri, como a bidimensionalidade vista em obras de Édouard Manet. A obra recebe duras críticas, especialmente em relação ao desenho.

Banhista com Cão Grifon, 1870

• 5. Cavaleiros no Bois de Boulogne (1873): Em 1870, eclode a Guerra Franco-Prussiana e Renoir é convocado. De volta a capital francesa, em 1871, Renoir encontra-se em meio aos conflitos da Comuna de Paris. Neste período turbulento, realiza alguns retratos, como “Cavaleiros no Bois de Boulogne”, recusado pelo Salão, mas exposto no Salão dos Recusados. A obra alcança um discreto sucesso de público, o que incentiva Renoir e seus amigos a organizarem uma mostra independente.

Cavaleiros no Bois de Boulogne, 1873

• 6. A Parisiense (1874): em 1874, Renoir e outos pintores modernos organizam a primeira mostra impressionista. As obras do grupo são influenciadas pelo trabalho de Édouard Manet, e trazem novidades em relação às formas e uso da cor. Renoir expõe seis quadros, dentre eles, “A Parisiense”, o retrato de uma mulher moderna, que em nada lembra os cânones tradicionais de beleza.

A Parisiense, 1874

• 7. Baile no Moinho da Galette (1876): Em 1875, Renoir conhece Georges “Zizi” Charpentier, que adquire alguns quadros do artista em um leilão. Charpentier apresenta Renoir para várias famílias ricas de Paris, que lhe encomendam pinturas, trazendo uma bem vinda estabilidade financeira na vida do pintor. A partir deste momento, Renoir divide sua carreira em pinturas mais tradicionais, para a burguesia parisiense, e experimentos ao ar livre, para as mostras impressionistas. “Baile no Moinho da Galette” é uma obra audaciosa, com muitos personagens, pintada quase que inteiramente ao ar livre – esboços e estudos preparatórios são realizados em seu ateliê. Renoir busca um retrato da vida moderna e festiva de Paris. No ano de 1900, Pablo Picasso realizou uma pintura com o mesmo tema. As obras de ambos os artistas podem ser vistas aqui.

Baile no Moinho da Galette, 1876

• 8. Os Guardas Chuvas (1881-1885): Em 1879, Renoir realiza sua primeira exposição individual, na sede da revista La Vie Miderne. Aos poucos, afasta-se dos pintores impressionistas e passa a valorizar o desenho. A partir de 1881, inaugura-se o chamado “período áspero” em seu trabalho – outros autores se referem a estes anos como “período azedo”ou “Ingresco”. Seu contorno fica mais nítido, e as cores, mais opacas. Apesar de ser conhecido como um pintor impressionista, Renoir dedicou ao movimento somente uma parte de sua vida. Já ao final da década de 1870, considera a experiência impressionista parcialmente esgotada, e percorre livremente outros estilos, inclusive a solenidade da pintura neoclássica.

Os Guardas Chuvas, 1881-1885

• 9. Meninas ao Piano (1892): A partir da década de 1890, inicia-se o “período nacarado” na obra de Renoir. Os tons ficam menos severos do que no “período áspero”, e a temática gira em torno de retratos e nus femininos. “Meninas ao Piano” é a primeira e única encomenda pública de Renoir, destinada ao “Museu dos Artistas Vivos de Luxemburgo”. Foram realizadas seis versões desta obra. Neste mesmo ano, realiza-se uma antologia retrospectiva da carreira de Renoir, na galeria Ruel, em Pigalle. Cento e dez obras são expostas e a mostra é um sucesso. Com o nome já consagrado, Renoir participaria de diversas outras exposições, em galerias de todo o mundo.

Meninas ao Piano, 1892

• 10. Banhistas (1918-1919): Renoir enfrenta diversos problemas de saúde. Em 1888, sofre uma paralisia facial. A partir da década de 1890, passa a sofrer com uma grave artrose reumática, que lhe causa dores intensas. Continua pintando, mas cada vez com maiores dificuldades de movimento. Em seus últimos anos de vida, já em uma cadeira de rodas, precisa amarrar o pincel na mão, para poder realizar sua arte. Passa a dedicar-se também a escultura, que é produzida por ajudantes, segundo suas orientações. Morre em 1919, de pneumonia, em sua casa.

Banhistas, 1918-1919

Mais informações sobre Auguste Renoir:
Retratos e autorretratos de Renoir


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