Arquivo | outubro 2012

Cândido Portinari – A Vida de um Mestre da Arte

photo

Candido Portinari nasce no dia 30 de dezembro de 1903, numa fazenda de café em Brodoswki, no Estado de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, recebe apenas a instrução primária. Desde criança, manifesta vocação artística. Aos 15 anos, vai para o Rio de Janeiro em busca de um aprendizado mais sistemático em pintura, matriculando-se na Escola Nacional de Belas Artes.

Em 1928, conquista o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro da Exposição Geral de Belas-Artes, de tradição acadêmica. Vai para Paris, onde permanece durante todo o ano de 1930. Longe de sua pátria, saudoso de sua gente, Portinari decide, ao voltar para o Brasil, em 1931, retratar em suas telas o povo brasileiro, superando aos poucos sua formação acadêmica e fundindo a ciência antiga da pintura a uma personalidade experimentalista a anti-acadêmica moderna.

Em 1935, obtém seu primeiro reconhecimento no exterior, a segunda menção honrosa na exposição internacional do Carnegie Institute de Pittsburgh, Estados Unidos, com uma tela de grandes proporções intitulada “Café”, retratando uma cena de colheita típica de sua região de origem.

A inclinação muralista de Portinari revela-se com vigor nos painéis executados no Monumento Rodoviário da estrada Rio de Janeiro-São Paulo, em 1936, e nos afrescos do novo edifício do Ministério da Educação e Saúde, realizados entre 1936 e 1944. Estes trabalhos, como conjunto e como concepção artística, representam um marco na evolução da arte de Portinari, afirmando a opção pela temática social, que será o fio condutor de toda a sua obra a partir de então. Companheiro de poetas, escritores, jornalistas, diplomatas, Portinari participa da elite intelectual brasileira numa época em que se verificava uma notável mudança da atitude estética e na cultura do país.

No final da década de 30, consolida-se a projeção de Portinari nos Estados Unidos. Em 1939, ele executa três grandes painéis para o pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York. Neste mesmo ano o Museu de Arte Moderna de Nova York adquire sua tela “O Morro”.

Em 1940, participa de uma mostra de arte latino-americana no Riverside Museum de Nova York e expõe individualmente no Instituto de Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova York, com grande sucesso de crítica, venda e público.

Em dezembro deste ano a Universidade de Chicago publica o primeiro livro sobre o pintor, “Portinari, His Life and Art”, com introdução do artista Rockwell Kent e inúmeras reproduções de suas obras.

Em 1941, Portinari executa quatro grandes murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso em Washington, com temas referentes à história latino-americana. De volta ao Brasil, realiza em 1943 oito painéis conhecidos como “Série Bíblica”, fortemente influenciado pela visão picassiana de Guernica e sob o impacto da 2ª Guerra Mundial.

Em 1944, a convite do arquiteto Oscar Niemeyer, inicia as obras de decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), destacando-se o mural “São Francisco” e a “Via Sacra”, na Igreja da Pampulha. A escalada do nazi-fascismo e os horrores da guerra reforçam o caráter social e trágico de sua obra, levando-o à produção das séries “Retirantes” e “Meninos de Brodowski”, entre 1944 e 1946, e à militância política, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro e candidatando-se a deputado, em 1945, e a senador, em 1947. Ainda em 1946, Portinari volta a Paris para realizar sua primeira exposição em solo europeu, na Galerie Charpentier. A exposição teve grande repercussão, tendo sido Portinari agraciado, pelo governo francês, com a Légion d’Honneur.

Em 1947 expõe no salão Peuser, de Buenos Aires e nos salões da Comissão Nacional de Belas Artes, de Montevidéu, recebendo grandes homenagens por parte de artistas, intelectuais e autoridades dos dois países.

O final da década de 40 assinala o início da exploração dos temas históricos por meio da afirmação do muralismo. Em 1948, Portinari exila-se no Uruguai, por motivos políticos, onde pinta o painel “A Primeira Missa no Brasil”, encomendado pelo banco Boavista do Brasil.

Em 1949 executa o grande painel “Tiradentes”, narrando episódios do julgamento e execução do herói brasileiro que lutou contra o domínio colonial português. Por este trabalho, Portinari recebeu, em 1950, a medalha de ouro concedida pelo Júri do Prêmio Internacional da Paz, reunido em Varsóvia.

Em 1952, atendendo a encomenda do Banco da Bahia, realiza outro painel com temática histórica, “A Chegada da Família Real Portuguesa à Bahia” e inicia os estudos para os painéis “Guerra e Paz”, oferecidos pelo governo brasileiro à nova sede da Organização das Nações Unidas. Concluídos em 1956, os painéis, medindo cerca de 14m x10m cada – os maiores pintados por Portinari – encontram-se no “hall” de entrada dos delegados de edifício-sede da ONU, em Nova York. Em 1955, recebe a medalha de ouro concedida pelo Internacional Fine-Arts Council de Nova York como o melhor pintor do ano.

Em 1956, Portinari viaja a Israel, a convite do governo daquele país, expondo em vários museus e executando desenhos inspirados no recém-criado Estado Israelense e expostos posteriormente em Bolonha, Lima, Buenos Aires e Rio de Janeiro. Neste mesmo ano Portinari recebe o Prêmio Guggenheim do Brasil e, em 1957, a Menção Honrosa no Concurso Internacional de Aquarela do Hallmark Art Award, de Nova York. No final da década de 50, Portinari realiza diversas exposições internacionais.

Expõe em Paris e Munique em 1957. É o único artista brasileiro a participar da exposição 50 Anos de Arte Moderna, no Palais des Beaux Arts, em Bruxelas, em 1958. Como convidado de honra, expõe 39 obras em sala especial na I Bienal de Artes Plásticas da Cidade do México, em 1958. Neste mesmo ano, expõe em Buenos Aires. Em 1959 expõe na Galeria Wildenstein de Nova York e, juntamente com outros grandes artistas americanos como Tamayo, Cuevas, Matta, Orozco, Rivera, participa da exposição Coleção de Arte Interamericana, do Museo de Bellas Artes de Caracas. Candido Portinari morreu no dia 06 de fevereiro de 1962, quando preparava uma grande exposição de cerca de 200 obras a convite da Prefeitura de Milão, vítima de intoxicação pelas tintas que utilizava.

 

Clique e aprecie algumas obras de Cândido Portinari :http://www.proa.org/exhibiciones/pasadas/portinari/salas/id_portinari_flautista.html

Veja algumas fotos históricas do pintor. Momentos em família, com seus amigos e no trabalho.

Familia Portinari. Briodowski, 1908.Familia Portinari. Brodowski, 1927.Portinari, Antônio Bento, Mario de Andrade e Rodrigo Mello Franco. Rio de Janeiro, 1936.O casal Portinari diante de sua residencia no Condominio Sul America, no Cosme Velho. Rio de Janeiro, 1937.Portinari com sua irma Olga. Rio de Janeiro, 1937.Casal Portinari.Portinari com seu filho Joao Candido, na praia do Leme. Rio de Janeiro, 1941.Casal Portinari com seu filho Joao Candido. Rio de Janeiro, 1941.Com seu filho Joao Candido e o sobrinho Dinho. Rio de Janeiro, 1944.Grupo na calçada em frente a casa de Portinari, no Leme: Mario de Andrade, Oscar Simom, Portinari e Maria. Rio de Janeiro, 1941.Portinari com seus pinceis e paleta. Rio de Janeiro, 1943.Portinari na Argentina. Buenos Aires, 1947.Candido Portinari com Oscar Niemayer. Rio de Janeiro, 1948.Portinari e seus amigos escritores: Graciliano Ramos, Pablo Neruda e Jorge Amado. Rio de Janeiro, 1952.Com seu amigo, Graciliano Ramos. Rio de Janeiro, 1952.Portinari a bordo do navio a caminho da Europa. Navio Augustus, 1956.Portinari com seus pinceis. Rio de Janeiro, 1956.Potinari com seu cachimbo. Rio de Janeiro, 1958.Portinari com sua neta Denise, na praia do Leme. Rio de Janeiro, 1961.Portinari com sua neta Denise, no apartamento do Leme. Rio de Janeiro, 1961.Velorio de Portinari, vendo-se seu filho Joao Candido ao lado do presidente Juscelino Kubitschek. Rio de Janeiro, 1962.Carlos Lacerda ajudando a carregar o caixao de Portinari. Rio de Janeiro, 1962.Pessoas observam o carro do Corpo de Bombeiros, levando o caixao de Portinari. Rio de Janeiro, 1962.O caixao de Portinari sendo colocado no carro do Corpo de Bombeiros. Rio de Janeiro, 1962.
Anúncios

Jorge AMADO Jorge

Resultado de imagem para jorge amado

Dificilmente haverá um escritor com a vida tão movimentada e aventurosa quanto Jorge Amado. 

Filho de fazendeiros do interior  da Bahia (seu pai era um dos “coronéis” que ele retrataria tão bem),suas memorias de infância serão marcadas por esses acontecimentos típicos do sertão nordestino, como o fato de seu pai ser ferido por uma tocaia na própria fazenda, que passou também por uma epidemia de varíola. 

Alfabetizado em casa, seguiu estudos em colégios internos, como era de regra na época, de um dos quais fugiu com 12 anos fazendo uma viagem de meses para visitar o avo paterno, que morava em Sergipe. Um dos padres do colégio, notando seu talento literário, lhe deu livros clássicos para  ler, influenciando na sua formação e aumentando seu interesse.Ele foi de colégio em colégio, até  finalmente se formar em direito no Rio de Janeiro, com notas brilhantes; no entanto, nunca iria advogar. No Rio de Janeiro, travou amizade com intelectuais e escritores da época (Vinicius de Morais, Raul Bopp, Rachel de Queiroz e muitos outros). Seu primeiro romance, País do Carnaval, foi um sucesso rápido, e seu titulo torna-se um novo estereótipo. O Brasil passa a ser pensado e descrito como sendo, de fato, o país do carnaval.

Em seguida, publicou o romance Cacau, escrito com apenas 21 anos, uma pequena obra prima sobre a vida de um trabalhador de fazenda em condição análoga a de escravo. No entanto, nota-se que é um livro irregular, ora magnífico, ora apresentando características de um escritor ainda imaturo.Seguindo uma linha neorealista, ia em posição contrária ao modernismo da semana de 1930. Sua profissão de fé na luta de classes e no idealismo socialista vai acompanhar praticamente toda sua obra. 

Seu maniqueísmo literário pode não agradar a crítica, mas agrada ao povo, que esgota rapidamente as tiragens de seus romances. A crueldade das classes dominantes, as penas  desproporcionalmente longas infligidas aos presos pobres, o analfabetismo, a miséria, a mortalidade infantil, os órfãos sem rumo,tudo é retratado com muita verossimilhança nesta obra que se assemelhara à de Balzac pela quantidade de livros e pela qualidade das emoções que evoca nos leitores.

“O sentido de documento, de grito, é sem dúvida a coisa que surge mais clara no novo romance brasileiro. Não é negócio de escola, besteira de grupo. É pensamento natural que não podia deixar de acontecer. Os novos romancistas, brasileiros, não apenas os do Norte, não acreditaram mais em brasilidade e em verde amarelismo. Viram mais longe. Viram esse mundo ignorado que é o Brasil. E o Brasil é um grito, um pedido de socorro. Não falo aqui em frase de deputado baiano na Assembleia: “O Brasil está na beira do abismo”. Isso é literatura de quem tem 6 contos por mês. Grito, sim, de populações inteiras, perdidas, esquecidas, material imenso para imensos livros. Daí essa angústia que calca as paginas dos  modernos romances brasileiros, servidos todos por um clima doloroso, asfixiante. Romancistas novos do Brasil, revolucionários ou reacionários, nos seus livros vive um clamor, um grito que era desconhecido e que começa a ser ouvido.” Palavras de Jorge Amado em “Uma história do romance de 30″ de Luís Bueno.

Jorge Amado trabalha como criador e diretor de várias revistas, sempre escrevendo sem cessar (entre outros livros de sucesso, Capitães de Areia, obra que virou também um belíssimo filmenacional, data dos anos 50).Em auto-exílio no regime getulista, vive na Argentina, no Uruguai, em Paris e em Praga. 

Uma curiosidade desse período é que, apos ser preso por um mês pela ditadura getulista, ele passa quase dois anos escondido na cidade de Estância, em Sergipe, onde acaba se tornando um verdadeiro agitador cultural com um grupo que frequentava a papelaria da pequena cidade, inventando até um concurso de miss e elegendo a sua candidata favorita. É dessa cidade sua primeira mulher, Matilde, com quem terá uma filha.

Em 1945, tornou-se deputado pelo Partido Comunista e participou da famosa Assembleia Constituinte de 1946, com avançadas conquistas democráticas para a época. Jorge Amado foi  responsável por criar varias leis pioneiras de incentivo a cultura. Foi também responsável pela emenda que garantiu a liberdade religiosa no Brasil, pois presenciou  vários tipos de perseguição religiosa.

Adepto do Candomblé, embora se dissesse comunista e materialista, como bom baiano, essa dualidade não lhe causava problema.Nessa época publicou  Seara Vermelha e Gabriela, Cravo e Canela, entre outros. Albert Camus descreve Jubiabá como “magnifico e assombroso”.Motivado por esse livro, o fotografo e etnólogo Pierre Verger visita a Bahia, de onde não saiu mais, e tornou-se grande amigo de Jorge Amado.Em 1961 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira cujo patrono era José de Alencar. Em memória dessa conquista, escreveu Farda, Fardão, Camisola de Dormir, numa alusão clara a idade vetusta dos participantes.Nessa época, e alegando utilizar métodos semelhantes aos de Jorge Amado para escrever, Glauber Rocha realizou o filme A Idade da Terra, tudo em meio a intensa correspondência com o autor.

Na década de 1960, lançou as obras “Os Velhos Marinheiros” (que compreende duas novelas, das quais a mais famosa é “A morte e a morte de Quincas Berro d’Água”), “Os Pastores da Noite”, “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e “Tenda dos milagres”.

Sua franca produção literária continua mesmo na velhice, nos anos 1970 publica ainda os grandes sucessos “Teresa Batista Cansada de Guerra”  e “Tieta do Agreste”, mais tarde transformada, como muitos hão de recordar, em uma novela de grande sucesso realizada pela Rede Globo. 

Além disso, foi parceiro de muitos músicos em várias canções de sucesso, notadamente com Dorival Caimmi.

Seu ultimo livro refere-se à presença dos  imigrantes no Brasil, “A Descoberta da América pelos Turcos”.

Jorge Amado foi traduzido em mais de 48 línguas e em mais de 50 países. Sua segunda esposa, Zelia Gattai, também publicou vários livros. Na extinta União Soviética, seus livros se tornaram imensamente populares, traçando um panorama realista da vida no terceiro mundo e fazendo com que muitos leitores se interessassem pelo Brasil.

Vivendo exclusivamente dos direitos autorais de seus livros, teve suas economias abaladas pela falência do Banco Econômico, banco que, no entanto, foi salvo pelo controvertido programa governamental,o Proer.

Jorge Amado envelheceu e faleceu em sua famosa casa do Rio Vermelho na Bahia, cercado por amigos como Caribé e Mãe Menininha do Gantois, com muitas obras de arte trazidas de todos os cantos do mundo, usando sempre um chapéu ou boné, com sua família, filhos, netos, noras, irmãos sempre muito próximos, não esquecendo de seus cães da raça pug, que Dorival Caimmi dizia serem mestiços de cachorro com porco.

Apesar dos sucessos televisivos e no cinema, as adaptações de suas obras não traduzem a riqueza de suas descrições e de sua linguagem.

É de se lamentar que Jorge Amado esteja “fora de moda” e que não seja atualmente recomendado como leitura obrigatória nas escolas. Qualquer advogado que se interesse pela problemática do trabalho escravo nas fazendas do interior do Brasil, por exemplo, deveria ler Cacau, cuja descrição ainda se aplica a muitos dos fenômenos que ocorrem nos rincões mais distantes deste país.

Utilizando todos os palavrões da língua pátria,  e as descrições realistas com maestria, ler Jorge Amado é sempre um choque e ao mesmo tempo um prazer indescritível, temperado com uma boa dose de bom humor e otimismo.

Jorge Amado era um grande escritor de cartas e deixou milhares de paginas, que se encontram arquivadas no museu- fundação com o seu nome, e que deverão ser abertas 50 anos após sua morte. Os seus leitores e

admiradores aguardam com muita curiosidade.

Texto de Claudia Lopes Borio*

Fonte do texto citado: Jorge Amado, Apontamentos Sobre o Moderno

Romance Brasileiro, Revista Lanterna Verde, Boletim da Sociedade

Felippe d’Oliveira, maio de 1934, Rio de Janeiro, pagina 49.

ATENÇÃO AMIGOS!!
ASSISTAM , ESTÁ MARAVILHOSO ESTE PROGRAMA DA TVZINHA!
PRODUÇÃO: LAIS DANTAS E ELISABETE CUNHA
Chegamos oficialmente a 500 programas e, como eu disse, de uma maneira muito especial, junto com os “casos e causos e místicas” ao redor da história e dos 100 anos de Jorge Amado que, nas palavras de Jonga – seu neto – nunca esteve tão vivo e pulsante. Um programa imperdível!


PABLO PICASSO – Perfeito!

Em 1973 morria PABLO PICASSO

Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remédios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso, ou simplesmente Pablo Picasso (Málaga, 25 de outubro de 1881 — Mougins, 8 de abril de 1973), Pintor espanhol naturalizado francês. Considerado por muitos o maior artista do século 20, era também escultor, artista gráfico e ceramista.
Pablo Picasso, o artista mais famoso e também o mais versátil do século 20, nasceu em Málaga, no sul da Espanha, em 25 de outubro de 1881. O pai era professor de desenho, portanto o óbvio talento de Picasso foi reconhecido desde cedo e, aos quinze anos, tinha já o seu próprio ateliê.
 La Bassin des Tuileries. 1901.
Após um falso início como estudante de arte em Madri e um período de Boêmia em Barcelona, Picasso fez a sua primeira viagem a Paris em outubro de 1900. A cidade continuava a ser a capital artística da Europa e foi lar permanente do artista desde abril de 1904, quando ele se mudou para o prédio apelidado de Bateau-Lavoir (Barco-Lavanderia), em Montmartre, a partir daí o novo centro da arte e da literatura vanguardista.
 
Les toits de Barcelone. 1903
Durante este período, o trabalho de Picasso foi relativamente convencional, passando de uma Fase Azul melancólica (1901-05) para a Fase Rosa, mais alegre e delicada (1905).
A mudança de estado de espírito pode ter se originado em parte pela sua ligação com Fernande Olivier, seu primeiro grande amor. Na vida de Picasso, as mulheres e a arte estão inexplicavelmente misturadas, o surgimento de uma nova mulher freqüentemente sinalizava uma mudança de direção artística.
Embora os trabalhos de Picasso estivessem começando a ter sucesso comercialmente, ele decidiu abandonar seu estilo “Rosa”. Em 1907, inspirado pelas esculturas ibérica e africana, pintou Les Demoiselles d’Avignon, um dos grandes trabalhos liberadores da arte moderna.
Divertindo-se com uma nova liberdade pictórica, Picasso, junto com o pintor francês Georges Braque, criou o Cubismo, em que o mundo visível era desconstruído em seus componentes geométricos. Este foi comprovadamente o momento decisivo em que se estabeleceu um dogma fundamental da arte moderna – o de que o trabalho do artista não é cópia nem ilustração do mundo real, mas um acréscimo novo e autônomo. Graças ao Cubismo, a liberdade do artista estendeu-se também aos materiais, de foram que os meios tradicionais como a pintura e a escultura puderam ser suplementados ou substituídos por objetos colados nas telas, ou “montagens” de itens construídos ou “achados”.
 
Guitar and Violin. 1912
Ao contrário de alguns contemporâneos seus, Picasso nunca chegou a criar uma arte puramente abstrata. De fato, sua versatilidade o mantinha um salto adiante de seus admiradores, muitos dos quais se surpreenderam quando ele voltou a pintar figuras mais convencionais e depois, no início da década de 1920, desenvolveu um estilo neoclássico monumental. Coincidentemente ou não, em 1918 se casara com a bailarina Olga Koklova, e adotara um estilo de vida exageradamente próspero e respeitável – mas que ele achava cada vez mais aborrecido.
Arlequin. 1924
Em 1925, Picasso começou a pintar formas deformadas, violentamente expressivas, que eram em parte uma resposta às suas dificuldades pessoais. A partir desta época, seus trabalhos se tornaram cada vez mais multiformes, empregando – e inventando – uma variedade de estilos como nenhum outro artista havia tentado antes. Foi também um escultor criativo (algumas autoridades o consideram o maior expoente da arte no século 20), e mais tarde dedicou-se à cerâmica com grande entusiasmo. Em qualquer veículo que se expressasse, sempre foi imensamente prolífero, criando em toda a sua vida milhares de obras.
No final da década de 1930, quando o impulso criativo de Picasso parecia finalmente estar enfraquecendo, os acontecimentos o levaram a criar o seu quadro mais famoso: Guernica. Esta obra foi uma resposta aos horrores da Guerra Civil Espanhola. o conflito começou em julho de 1936 com um golpe militar liderado pelo General Francisco Franco, representando os elementos fascistas, tradicionalistas e clericais do país, contra a República Espanhola e seu governo eleito da Frente Popular (centro-esquerda).
 Le café à Royan (Le café). 1940
Ao estourar a guerra, Picasso imediatamente declarou seu apoio à República, levantando enormes quantias em prol da causa e aceitando pintar um grande mural para o pavilhão espanhol na Exposição Internacional de 1937, em Paris. Ainda não havia começado quando soube que, em 26 de abril de 1937, aviões nazistas, enviados por Hitler para ajudar Franco, tinham bombardeado e arrasado a cidade de Guernica. Picasso pôs-se imediatamente a trabalhar nos esboços preliminares para Guernica e depois pintou a enorme tela em cerca de um mês (maio/junho de 1937). Ela foi a expressão máxima não só do sofrimento espanhol como do impacto devastador dos armamentos modernos de guerra sobre suas vítimas em todas as partes do mundo.
 
GUERNICA. 1937
Apesar de tudo, os republicanos perderam a guerra civil, e Picasso ficou exilado da sua terra natal para o resto da sua longa vida. Durante a segunda Guerra Mundial, ele ficou na Paris ocupada pelos alemães, proibido de expor mas sem que ninguém o molestasse seriamente.
Depois da libertação de Paris, Picasso ingressou no Partido Comunista, e durante alguns anos certas obras suas foram declaradamente políticas; mas ele era também uma celebridade internacional, residindo na região onde os ricos iam se divertir no sul da França. Em seguida a uma série de ligações amorosas, ele finalmente casou-se pela segunda vez, agora com Jacqueline Roque, em 1961 e levou uma vida cada vez mais retirada. Artisticamente prolífero até o fim da vida, morreu aos 91 anos em 8 de abril de 1973.
BY erick silveira