Arquivo | setembro 2012

Ansiedade = Ejaculação Precoce

O fantasma da ejaculação precoce

75% dos casos de ejaculação precoce estão ligados à ansiedade

O seu parceiro anda preocupado por que não está conseguindo segurar a ejaculação pelo tempo que gostaria e, por consequência, as transas têm se tornado cada vez mais curtas? Chegou a hora de você acalmar o gato e mostrar a ele que: 1) sexo não é só penetração e 2) a ejaculação precoce, na maioria dos casos, é decorrente de fatores emocionais. Ou seja, quanto mais ele encanar menos tempo vai durar.

Segundo levantamento elaborado no ambulatório de sexualidade do Centro de Referência da Saúde do Homem, órgão da Secretaria de Estado da Saúde, a ejaculação precoce, em 75% dos casos relatados por homens entre 20 e 70 anos, é causado por fatores emocionais, como ansiedade acentuada e baixa autoestima.

Para quem não sabe, a ejaculação precoce acontece quando o homem chega ao auge da relação em um curto espaço de tempo e com poucos estímulos sexuais. Este ‘descontrole’ pode acontecer antes mesmo da penetração, durante as preliminares e, claro, causa constrangimento e insatisfação tanto para eles como para elas.

Por mais incomum que você possa achar, o problema ocorre com mais facilidade entre os jovens e no encontro com novo parceiros, isso porque a ansiedade intensa que atormenta o sexo masculino antes do sexo, principalmente pelo medo de não corresponder às expectativas da parceira, é um dos principais vilões do bom desempenho sexual. Outra característica em comum entre os pacientes que mais se queixam do problema é a timidez excessiva.

“A insegurança em relação à própria aparência, e muitas vezes a inexperiência, geram grande pressão psicológica no homem. A consequência deste ‘transtorno ansioso’ é o aceleramento da ejaculação”, explica o urologista Cláudio Murta. Ele ainda ressalta que, segundo estudos, o tempo médio de uma relação é de 15 a 20 minutos. “Saber disso é um dos primeiros passos para que o paciente consiga diminuir as expectativas em relação ao seu desempenho”.

Se o gato anda sofrendo com a ansiedade é hora de explicar que apesar de gostar e apreciar uma boa noite de sexo, penetração não é tudo. Além do mais é bom lembrá-lo que, mesmo que ele goze antes de você, se ele não te deixar a ‘ver navios’, tudo bem. Afinal, não é só o sexo que mantém um relacionamento.Por Paula Perdiz

As cores de Almodóvar

Pedro Almodóvar, nd -by Ruven Afanador
No caos dos amores e dos relacionamentos, o absurdo transparece e se transfigura em situações plausíveis. Entre cores berrantes, figurinos extravagantes, personagens caricatos, situações delirantes e exageradas, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar exercitou a arte de tornar verossímil o estranhamento do ser humano com as suas próprias contradições. E o universo cinematográfico de Almodóvar flutua no diálogo entre o racional e o instinto do homem.

Esta dicotomia tênue da condição humana explode na tela no formato de uma multiplicidade de idéias e sensações. É deixar se envolver com o plural das vivências, com o acaso das escolhas. E também é, de certa forma, descobrir que todos nós temos o nosso lado brega. O kitsch tornou-se marca registrada da filmografia deste cineasta, que nasceu na década de 50, na Calzada de Calatrava, província de La Mancha, a pátria amada de Dom Quixote.

Educado na infância em colégio interno de padres, Almodóvar parte para Madri, onde começa a trabalhar em uma companhia telefônica. Nos tempos livres, ele freqüentava grupos de teatro, galerias de arte e viajava sempre que possível para Barcelona, point das vanguardas na época. Em 73, Almodóvar realiza seus primeiros curta-metragens em preto-e-branco, no formato Super 8. Na década de 80, o cineasta engaja-se na ”movida madrile¤a”, período de efervescência cultural motivada pela redemocratização da Espanha após o fim da ditadura de Franco (1892 – 1975). É nesse período que vem o seu primeiro longa-metragem: Pepi, Luci, Bom y Otras Chicas del Montón.

Para sobreviver em Madri, Almodóvar participou de uma banda de rock, atuou como drag-queen numa boate e publicou histórias em quadrinhos. Colaborou com artigos para revistas e jornais alternativos sob o pseudônimo de Patty Diphusa. Tenta enveredar pela literatura com o romance pornô-humorístico Fogo nas Entranhas, de 1981. Mas as habilidades de Almodóvar seriam tragadas pelo cinema, quando passa a fazer um filme por ano. Labirinto de Paixões, Maus Hábitos e O que fiz para merecer isto? são os longas iniciais e os menos conhecidos do público em geral. Com Matador, Almodóvar lança a carreira de Antonio Banderas, que também atuou em A Lei do Desejo e Ata-Me!.

O reconhecimento internacional veio com a indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1988 por Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos. É com esta produção que Almodóvar lança as bases para uma série de filmes tragicômicos e melodramáticos. Nada parecido com qualquer chatice novelesca. Para trabalhar as emoções na passagem do amor ao ódio sem meio-termos, o cineasta centra o foco no universo feminino. ”Os homens também choram, mas penso que as mulheres choram melhor. Elas não conhecem nem o pudor nem o sentido do ridículo, nem essa coisa horrível que chamam de amor próprio”, afirmou para a imprensa espanhola em 2002.

No ritmo melódico do bolero, as heroínas dos filmes de Almodóvar vivem constantemente situações de traição, solidão, sofrimento e desespero. O espectador se identifica facilmente com as adoráveis mulheres almodovianas, como a protagonista-título de Kika, a Marina de Ata-Me!, a Elena de Carne Trêmula, a Manuela, a Nina e a Hermana, de Tudo Sobre Minha Mãe, a Lydia e a Alicia, de Fale Com Ela. O turbilhão de sentimentos encontra espaço nos cenários, onde o uso de cores vivas fragiliza a fronteira entre o cinema e a pintura. Vermelho, azul, laranja, rosa e verde fundem-se na desordem de manifestações geométricas, inspiradas nos quadros de Mondrian e Gatti.

Nos três últimos filmes (Tudo Sobre Minha Mãe, Fale Com Ela e o recente A Má Educação), Almodóvar atinge a maturidade ao amenizar o emaranhado de elementos provocantes para valorizar o lirismo e a poesia das contingências da vida humana. E nesse intervalo efêmero, a tentativa de compartilhar sonhos, anseios e desejos com o outro. Personagens que compreendam e sejam compreendidos, ainda que imersos no colorido das paixões.

Obs: Matéria publicada no Jornal O Povo em 12/11/2004