Arquivo | julho 2012

Menopausa: uma nova fase

10 perguntas e respostas sobre esse período da vida de toda mulher, com dicas que ajudam a aliviar os sintomas

É possível envelhecer com muita qualidade de vida!.Com o passar dos anos a mulher se torna madura, e o corpo se prepara para o fim da fertilidade. Então, chega o climatério — mais conhecido como menopausa. Por volta dos 50 anos, os ovários param de produzir dois hormônios importantes para o corpo: o estrógeno e a progesterona. E a menopausa, que sempre pareceu distante, bate à porta. Junto com o fim da menstruação, surgem vários outros incômodos: depressão, insônia, ondas de calor, falhas de memória e diminuição do desejo sexual. Viva a nova fase Desagradável? Sem dúvida.
Mas você pode reverter esses sintomas. De acordo com o ginecologista Thomaz Rafael Gallop, de São Paulo, amadurecer é inevitável, mas ninguém precisa sofrer. “As mulheres não devem tratar a menopausa como doença, mas como uma nova fase a ser vivida”, explica. Elimine as suas dúvidas sobre o climatério e tenha uma relação tranqüila com a sua maturidade.
1. Quando começa a menopausa?
Em geral, se inicia entre 48 e 52 anos. Em algumas mulheres a menstruação simplesmente desaparece. Em outras, há o encurtamento ou o alongamento dos ciclos menstruais. Podem surgir também períodos sem menstruação antes do desaparecimento definitivo.
2. Quais são os tratamentos mais indicados?
Depende dos sintomas da mulher e da qualidade de vida que ela tem. Alguns dos tratamentos indicados são a terapia de reposição hormonal (TRH), os antidepressivos ou outros medicamentos que aliviem os sintomas em cada caso.
3. Terei problemas caso decida não fazer a reposição hormonal?
Não. A reposição não é obrigatória. É apenas uma maneira de amenizar os sintomas do climatério. Mas há mulheres que entram na menopausa sem sentir nada — especialmente aquelas que se exercitam ou que tiveram uma alimentação saudável durante a vida. Nesses casos, o próprio organismo equilibra os hormônios do corpo.

4. A reposição vai me fazer engordar?
Depende. Na maioria dos estudos já feitos, não se comprovou que a terapia de reposição hormonal(TRH) está ligada ao aumento do peso, a não ser em mulheres com tendência a engordar. Porém, os hormônios ingeridos podem fazer a mulher ganhar uns quilinhos, porque aumentam a quantidade de açúcar que vai para o sangue.

5. Meu desejo sexual vai voltar com a TRH?
Sim. E ela combate também os sintomas da menopausa que prejudicam a região genital: mucosa vaginal mais fina, menos elástica e com pouca lubrificação. Mas fique atenta: a perda de libido pode estar ligada a problemas emocionais. 

6. A menstruação volta com o uso de hormônios?
Em certas mulheres há um sangramento periódico, parecido com menstruação, mas sem ovulação.

7. Pode haver gravidez no climatério?
Nesse período a fertilidade cai, e a chance de engravidar é bem menor. Mas não é impossível. Não abandone os métodos anticoncepcionais logo que o climatério chegar! Após um ano de menopausa confirmada, esse risco não existe mais.

8. A menopausa causa doenças?
Sim. A osteoporose é um sério problema que surge nessa fase. Ela torna os ossos mais porosos e frágeis, por causa da perda de hormônios femininos. Para combatê-la, tome mais leite e derivados, que contêm cálcio. E coma vegetais verde-escuros.

9. O que significa menopausa precoce?
É quando os ovários param de funcionar em mulheres com menos de 40 anos. As causas ainda são desconhecidas, mas essas mulheres devem fazer reposição hormonal.

10. Com o tempo, as ondas de calor vão acabar?
Sim. Elas diminuem e, em geral, desaparecem dois anos depois da última menstruação.

fonte-http://mdemulher.abril.com.br

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A Importância de Brincar para a Criança


“Soubéssemos nós adultos preservar o brilho e o frescor da brincadeira infantil, teríamos uma humanidade plena de amor e fraternidade. Resta-nos, então, aprender com as crianças.” (Monique Deheinzelin).

A brincadeira é uma linguagem natural da criança e é importante que esteja presente na escola desde a educação infantil para que o aluno possa se colocar e se expressar através de atividades lúdicas  considerando-se como lúdicas as brincadeiras, os jogos, a música, a arte, a expressão corporal, ou seja, atividades que mantenham a espontaneidade das crianças.

Para Oliveira (1990), as atividades lúdicas é a essência da infância. Por isso, ao abordar este tema não podemos deixar de nos referir também à criança. Ao retornar a história e a evolução do homem na sociedade, vamos perceber que a criança nem sempre foi considerada como é hoje. Antigamente, ela não tinha existência social, era considerada miniatura do adulto, ou quase adulto, ou adulto em miniatura. Seu valor era relativo, nas classes altas era educada para o futuro e nas classes baixas o valor da criança iniciava quando ela podia ser útil ao trabalho, colaborando na geração da renda familiar.

A criança não é um adulto que ainda não cresceu. Ela tem características próprias e para se tornar um adulto, ela precisa percorrer todas as etapas de seu desenvolvimento físico, cognitivo, social e emocional. Seu primeiro apoio nesse desenvolvimento é a família, posteriormente, esse grupo se amplia com os colegas de brincadeiras e a escola.

As atividades lúdicas possibilitam fomentar a “resiliência”, pois permitem a formação do autoconceito positivo;

As atividades lúdicas possibilitam o desenvolvimento integral da criança, já que através destas atividades a criança se desenvolve afetivamente, convive socialmente e opera mental-mente.

O brinquedo e o jogo são produtos de cultura e seus usos permitem a inserção da criança na sociedade;

Brincar é uma necessidade básica assim como é a nutrição, a saúde, a habitação e a educação;

Brincar ajuda a criança no seu desenvolvimento físico, afetivo, intelectual e social, pois, através das atividades lúdicas, a criança forma conceitos, relaciona idéias, estabelece relações lógicas, desenvolve a expressão oral e corporal, reforça habilidades sociais, reduz a agressividade, integra-se na sociedade e constrói seu próprio conhecimento.

 

Brincando a criança desenvolve potencialidades; ela compara, analisa, nomeia, mede, associa, calcula, classifica, compõe, conceitua e cria. O brinquedo e a brincadeira traduzem o mundo para a realidade infantil, possibilitando a criança a desenvolver a sua inteligência, sua sensibilidade, habilidades e criatividade, além de aprender a socializar-se com outras crianças e com os adultos.
As brincadeiras e jogos na educação infantil

Com brincadeiras e jogos o espaço escolar pode-se transformar em um espaço agradável, prazeroso, de forma a permitir que o educador alcance sucesso em sala de aula. Nós, educadores temos que ser multifuncionais, ou seja, não apenas educadores, mas filósofos, sociólogos, psicólogos, psicopedagogos, recreacionistas e muito mais, para que possamos desenvolver as habilidades e a confiança necessária em nossos educandos.

Com relação ao jogo, Piaget (1998) acredita que ele é essencial na vida da criança. De início tem-se o jogo de exercício que é aquele em que a criança repete uma determinada situação por puro prazer, por ter apreciado seus efeitos. Em torno dos 2-3 e 5-6 anos nota-se a ocorrência dos jogos simbólicos, que satisfazem a necessidade da criança de não somente relembrar mentalmente o acontecido, mas de executar a representação.

Acredito que as brincadeiras devem acompanhar a criança da educação infantil, pois nesse período da vida da criança, são relevantes todos os aspectos de sua formação, pois como ser bio-psico-social-cultural dá os passos definitivos para uma futura escolarização e sociabilidade adequadas como membro do grupo social que pertence.

NEGRINE (1994), em estudos realizados sobre aprendizagem e desenvolvimento infantil, afirma que “quando a criança chega à escola, traz consigo toda uma pré-história, construída a partir de suas vivências, grande parte delas através da atividade lúdica”. Segundo esse autor, é fundamental que os professores tenham conhecimento do saber que a criança construiu na interação com o ambiente familiar e sociocultural, para formular sua proposta pedagógica.

A criação de espaços e tempos para os jogos e brincadeiras é uma das tarefas mais importantes do professor, principalmente na escola de educação infantil. Cabe-nos organizar os espaços de modo a permitir as diferentes formas de brincadeiras, de forma, por exemplo, que as crianças que estejam realizando um jogo mais sedentário não sejam atrapalhadas por aquelas que realizam uma atividade que exige mais mobilidade e expansão de movimentos, ou seja, observando e respeitando as diferenças de cada um..

Nos tempos atuais, as propostas de educação infantil dividem-se entre as que reproduzem a escola elementar com ênfase na alfabetização e números (escolarização) e as que introduzem a brincadeira valorizando a socialização e a re-criação de experiências. No Brasil, grande parte dos sistemas pré-escolares tende para o ensino de letras e números excluindo elementos folclóricos da cultura brasileira como conteúdos de seu projeto pedagógico. As raras propostas de socialização que surgem desde a implantação dos primeiros jardins de infância acabam incorporando ideologias hegemônicas presentes no contexto histórico-cultural. (OLIVEIRA, 2000).

Relembrando que brincar é um direito fundamental de todas as crianças no mundo inteiro, cada criança deve estar em condições de aproveitar as oportunidades educativas voltadas para satisfazer suas necessidades básicas de aprendizagem. A escola deve oferecer oportunidades para a construção do conhecimento através da descoberta e da invenção, elementos estes indispensáveis para a participação ativa da criança no seu meio.
O professor da Educação Infantil.

Segundo Severino (1991) os profissionais das escolas infantis precisam manter um comportamento ético para com as crianças, não permitindo que estas sejam expostas ao ridículo ou que passem por situações constrangedoras. Alguns adultos, na tentativa de fazer com que as crianças lhes sejam obedientes, deflagram nelas sentimentos de insegurança e desamparo, fazendo-as se sentirem temerosas de perder o afeto, a proteção e a confiança dos adultos.

O professor precisa estar atento à idade e às capacidades de seus alunos para selecionar e deixar à disposição materiais adequados. O material deve ser suficiente tanto quanto à quantidade, como pela diversidade, pelo interesse que despertam pelo material de que são feitos. Lembrando sempre da importância de respeitar e propiciar elementos que favoreçam a criatividade das crianças.

Uma observação atenta pode indicar o professor que sua participação seria interessante para enriquecer a atividade desenvolvida, introduzindo novos personagens ou novas situações que tornem o jogo mais rico e interessante para as crianças, aumentando suas possibilidades de aprendizagem.

“Educar não se limita a repassar informações ou mostrar apenas um caminho, aquele caminho que o professor considera o mais correto, mas é ajudar a pessoa a tomar consciência de si mesma, dos outros e da sociedade. É aceitar-se como pessoa e saber aceitar os outros. É oferecer várias ferramentas para que a pessoa possa escolher entre muitos caminhos, aquele que for compatível com seus valores, sua visão de mundo e com as circunstâncias adversas que cada um irá encontrar. Educar é preparar para a vida”. (KAMI, 1991, 125).

As maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo, aquisições que no futuro tornar-se-ão seu nível básico de ação real e moralidade. (Vygotsky, 1989). Piaget (1998) diz que a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança, sendo, por isso, indispensável à prática educativa.

Na escola é possível o professor se soltar e trabalhar os jogos como forma de difundir os conteúdos. Para isso, entendo ser necessário a vivência, a percepção e o sentido, ou seja, o educador precisa selecionar situações importantes dentro da vivência em sala de aula; perceber o que sentiu como sentiu e de que forma isso influencia o processo de aprendizagem; além de compreender que no vivenciar, no brincar, a criança é mais espontânea. “Sem dúvida, os conteúdos podem ser trabalhados com o uso do jogo. A criança pode trabalhar ou fixar um conteúdo com a atividade lúdica. Mas, para isso, o jogo é uma das estratégias e não a única”.

Entendo ainda que o primeiro passo para se trazer o lúdico, a brincadeira para dentro da escola, é o resgate da infância dos próprios educadores, a memória. “Do que brincavam, como brincavam, lembrarem-se de uma figura especial. É um momento de humanizar as relações, de resgatar o sentimento e lembrar como eles eram e o que sentiam quando viviam o momento que as crianças, seus alunos, estão vivendo agora. Todo mundo foi criança e teve essa vivência.

Penso que atualmente, o problema da utilização do jogo na escola, está no fato dele ser usado apenas como instrumento pedagógico e não como uma linguagem através da qual o professor pode ter informações da criança. No “Referencial Curricular Nacional de Educação Infantil” está incluída na lei a importância de brincar e levar a arte para dentro da educação infantil. “Há o movimento pela formação dos professores, que precisam ser capacitados e se soltar dentro do lúdico”.

fonte-http://www.webartigos.com

Hilda Hilst : O grande charme de ser livre .

 

O grande charme de ser livre  

A partir de 1966, Hilda Hilst, poetisa e escritora, viveu isolada.
Mas cercada de amigos humanos e dezenas de amigos caninos e felinos, na Casa do Sol, uma villa de estilo mexicano a 11 km de Campinas, SP.
Autora de 41 livros – vários publicados em francês, italiano, inglês e alemão – foi tachada de imoral, provocativa e pornográfica pela linguagem libertina que usava nas anos sessenta. “Meu grande charme é ser livre”, disse em uma entrevista.
 Frustrada pela falta de reconhecimento em termos materiais e detonada pela crítica, teve uma atitude extrema – em 1990, publicou o livro pornô “O Caderno Rosa de Lory Lambi”.

No ano seguinte, mais dois contos eróticos: Contos d’Escárnio e Cartas de um Sedutor.

A trilogia erótica teve o efeito de uma bomba.
Mesmo reprovada pelos críticos, como sempre, a repercussão foi enorme. Em 1994, Contos d’Escárnio ou Contes Sarcastiques atravessou o oceano para receber a chancela do L’Arpenteur, uma divisão da Editions Gallimard e o jornal francês ”Libération” foi entrevistá-la em casa.

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 Hilda Hilst nasceu na cidade de Jaú, interior paulista, no dia 21 de abril de 1930.
 Filha única do fazendeiro, jornalista, poeta e ensaísta Apolônio de Almeida Prado Hilst e de Bedecilda Vaz Cardoso.
Teve uma infância complicada, marcada pela separação dos pais e a doença mental de ambos, o que motivou sua mudança, com a mãe, para a cidade de Santos (SP).

Por oito anos estudou como interna no Colégio Santa Marcelina, na cidade de São Paulo. Em 1945, matriculou-se na Escola Mackenzie onde fez o curso clássico.
 Como legítima representante do high society, cometeu a ousadia de morar sozinha num apartamento na Alameda Santos, acopmpanhada da governanta Marta.
 Aos 16 anos, ao visitar o pai – totalmente desequilibrado e internado numa clínica psiquiátrica – teve uma experiência terrível: ele a confundiu com a ex-mulher e implorava “só 3 noites de amor, só 3 noites de amor”.

Em 1948, começou a estudar Direito na Faculdade do Largo de São Francisco e ali, entre livros e copos, iniciou uma vida boêmia. Descendente, pelo lado paterno, da tradicional família Almeida Prado, chocava a sociedade com seu comportamento julgado livre e despertou paixões arrasadoras em empresários, artistas e poetas.

Em 1950, publicou “Presságios”, romance sobre a história de amor de dois marginais. O escândalo continuou com a publcação de “Balada de Alzira”, um ano depois. Concluiu o curso de Direito em 1952, advogou por algum tempo, mas se dizia “aterrorizada” com o ofício.

Em cerimônia na Faculdade, Hilda saudou a grande Cecília Meirelles que, ao ler num verso de Hilda a frase “Somos iguais à morte/Ignorados e puros” comentou “quem disse isso precisa dizer mais”.  

Hilda disse muito mais

 Em 1955, publicou “Balada do Festival” e até 2002 produziu 38 livros falando sobre morte, sexo, loucura, existência de Deus e a decadência que traz a velhice.
As obras mais importantes dessa fase foram “Sete cantos do poeta para o anjo”, “Roteiro do silêncio”, “Trovas de muito amor para um amado senhor” e “Cartas de um sedutor”.

 Depois das mortes dos pais – ocorridas com poucos meses de diferença – renunciou à vida social, deixou a capital e passou a morar na Casa do Sol, em Campinas, sítio herdado da mãe, local onde viveu até a morte.
Ali casou-se (1968) e divorciou-se(1980) do escultor Dante Casarini e decidiu não ter filhos para que nenhum herdasse o desequilíbrio mental de seus pais.
 Este corte radical foi influenciado pela “Carta a El Greco”, do escritor grego Nikos Kazantzakis, que defendia a necessidade do isolamento para que, no silêncio da meditação o conhecimento humano emergisse.

Cansada do não reconhecimento da crítica e certa de seu talento, resolveu virar a mesa. Escreveu ‘O caderno rosa de Lori Lamby” que consagra a fase pornográfica, iniciada em “A obscena senhora D”. Hilda dá adeus à “literatura séria” (1990) e decide vender mais e ter mais público interessado em seu trabalho.

Inicia, também, uma carreira de dramaturga, escrevendo oito peças teatrais, algumas encenadas na Escola de Arte Dramática, no Teatro Veredas, pelo Grupo Experimental Mauá (Gema), e no Teatro Anchieta (como exame dos alunos) – todas sob a direção de Terezinha Aguiar, também responsável pela montagem de “O rato no muro”, apresentada no Festival de Teatro de Manizales, na Colômbia.

Os compositores Adoniram Barbosa, Gilberto Mendes, José Antônio de Almeida Prado, (primo da escritora) e, mais recentemente, Zeca Baleiro, inspiraram-se nos textos mais significativos de Hilda para ilustrar suas melodias.
Depois de ganhar prêmos e ver seu trabalho finalmente reconhecido, Hilda Hilst parou de escrever em 2002, “por já ter dito tudo que pretendia dizer”.  

Hilda telefona para o além

 No início da década de 70, preoocupada com a imortalidade da alma e inspirada pelos casos relatados em “Telefone para o além”, do pesquisador sueco Friedrich Juergenson começou a gravar, pelas ondas radiofônicas, vozes que seriam de pessoas mortas e divulgou que discos voadores visitaram sua fazenda.
César Lattes, Mário Schenberg e Newton Bernardes, físicos de grande renome, acompanharam meio incrédulos mas interessados alguns dos experimentos.

Gravadores cassetes acoplados com duas estacões de rádio sintonizadas ao mesmo tempo possibilitaram captação de ruídos nunca decodificados que, segundo Hilda, formavam frases.

Dessas experiências, nasceu o desejo de construir em suas terras um “Centro de Estudos da Imortalidade” onde questões referentes ao tema seriam apreciadas sob o ângulo da metafísica e as idéias de Stephane Lupasco, segundo as quais a a alma é composta de matéria quântica.

Marduk, onde Hilda dizia sempre que gostaria de chegar bem informada, é um planeta hipotético, mas estudado por Zecharia Sitchin, que estava convencido que as civilizações antigas se desenvolveram graças a contatos com extraterrestres.

Nas teorías de Sitchin sobre a cosmologia suméria, Marduk é um planeta de nosso sistema solar que estaria em órbita elíptica em torno da Terra num período entre 3.600 e 3.760 anos.

Uma colisão entre um de seus satélites e Timat, planeta que existia entre Marte e Júpiter, seria a origem da Terra e do cinturão de asteróides que a envolve. Marduk era habitado pelos alienígenas Anunnaki.
Depois da colisão, ainda segundo Sitchin (baseado em dados da civilização Maia), Marduk ficou afastado do sistema solar.
 Os cientistas argumentam que uma órbita assim se transformaria em órbita circular, ou escaparia da atração do Sol e passaria a vagar pelo espaço.
O escritor e pesquisador turco Burak Eldem, apresentou uma nova teoria a respeito, em seu livro “2012”: os 3.661 anos do período orbital de Marduk se fecharão em 2012. Eldem afirma que 3.661 – 1/7 de 25.627 – é o ciclo total dos “de 5 anos mundiais”, segundo o calendário Maia.

Na última passagem de Marduk, em 1649 aC, grandes catástrofes ocorreram na Terra.

Hilda se intressava por espiritismo, esoterismo, vida após a morte e comunicação com uma outra dimensão além do plano físico. Certa da imortalidade, desejava viajar após morte para Marduk, o hipotético planeta onde morariam figuras ilustres das letras e das ciências.

A escritora emplogava-se com o tema: ”Nunca acreditei que fosse só isso: nascimento, vida, morte e apodrecimento”. Hilda seguiu para Marduk, direto de Campinas, às 3h50 do 4 de fevereiro de 2004. *****************************************************************************************

Página oficial de Hilda Hilst, coordenada por Yuri V. Santos: http://hildahilst.cjb.net

Claude Monet (1840–1926)

O nome de Claude Monet está indissociavelmente ligado ao movimento Impressionista. Foi um de seus principais mentores, e a este movimento permaneceu fiel até o final de sua vida. Estudar a pintura de Monet é também estudar o Impressionismo, e a importância que este movimento teve para a arte do século XX pode ser vista também na pintura de Monet. 

Monet nasceu em Paris em 1840 e, embora tenha vivido uma juventude de grandes dificuldades financeiras, alcançou reconhecimento e estabilidade financeira ainda durante sua vida. Embora o Impressionismo tenha provocado, em seu início, grande repercussão negativa, em pouco tempo será reconhecido como a primeira escola de pintura moderna, influenciando toda a arte posterior.

Como pintor, realizou uma verdadeira revolução, porém não deixou qualquer escrito teórico, nem mesmo a indicação a terceiros de quaisquer preocupações teóricas. Esta situação – tão atípica se pensarmos no desenvolvimento posterior da arte no século XX – levou alguns críticos a considerar que Monet não seria totalmente consciente da revolução cultural que iniciara. Um reles preconceito, que só pode ser formulado por pessoas formadas dentro da escola modernista teórica, para quem o pensamento com pincéis é simplesmente inexistente ou insignificante, seja ele de Monet ou de qualquer outro artista.

Monet é um dos maiores pintores na técnica do óleo da história. Sua pintura é, essencialmente, plástica. Soube extrair da tinta e dos pincéis uma estética poucas vezes alcançada na história da arte. Quando olhamos para seus quadros, vemos uma superfície extremamente fluida e tátil. Não há linhas de contorno, e a estrutura da composição é diluída em manchas que avançam e recuam, em profundidades e intensos cromatismos.

O tema de sua pintura é a luz, e o modo como ela interage com os objetos através da mediação da pincelada. A atmosfera, os reflexos, o translúcido, a irisação, a refração, entre outros, são os verdadeiros temas de sua arte. Se ele se utiliza de uma fachada de uma igreja ou de lírios-d’água sobre a superfície de um lago, isto é apenas um pretexto. Em Monet, a luz cria uma nova matéria. Ou melhor, ela nos mostra uma matéria – que pensávamos tão bem conhecer – de modos novos e inimaginados. As pedras da fachada da igreja animam-se, a água do lago torna-se melíflua. Oscar Wilde disse que, antes de Monet, ninguém havia observado que os nevoeiros em volta das pontes de Londres se irisam, e que não era mais possível olhar para aqueles nevoeiros sem se lembrar do pintor francês. 

Mas tudo se realiza através da pincelada. O toque livre de Monet remete aos mestres do pincel, entre os quais Rembrandt. A tinta é colocada sobre a superfície da tela de modo espontâneo e ligeiro, sem ser descuidado, entretanto. A divisão dos tons, com a qual os impressionistas segmentavam as cores em suas componentes primárias, levou o artista a uma cada vez menorpreocupação com a forma. Uma de suas últimas séries de pinturas, retratando lírios d’água, chega a uma tal dissolução da forma na pincelada que, um passo a mais, e se estará já dentro de um estilo abstrato-informal. A poética destas pré-formas, a magia que se desprende destes quase-objetos, nos coloca na posição de seres primitivos que estão descobrindo um mundo novo, onde cada pequena diferença no contínuo adquire significação inusitada e extraordinária.

Com isto chega-se a um ponto importante na trajetória do artista. Antes de ser um método pseudo-científico de pintar, uma tentativa cientificista canhestra de explicar a natureza das coisas através da visão, a pintura de Monet é uma tentativa extraordinária de nos posicionarmo-nos novamente diante do mundo, com os olhos da imaginação (e, portanto, da poesia) totalmente abertos e inocentes. Mais do que ciência, sua pintura é um modo de ser-no-mundo, um modo em que o simbolizar ainda não se iniciou.

Com Monet a pintura recupera um frescor anterior à grande carga de conhecimentos técnicos acumulada pela tradição pictórica desde o renascimento. Com ele, a pintura começa de novo. É como se ele se desembaraçasse da linguagem acadêmica da pintura para começar um novo modo de ver e de pintar, poético e espontâneo. Este é o legado revolucionário que deixou para as gerações posteriores de vanguardistas. Sua pincelada livre e o uso da cor pura logo vão germinar e se desdobrar nas diversas escolas do início do século XX.

The Bodmer Oak, Fontainebleau Forest, 1865

Bridge over a Pond of Water Lilies, 1899

Water Lilies, 1919

The Parc Monceau, 1878

The Monet Family in Their Garden at Argenteuil, 1874

Camille Monet (1847–1879) on a Garden Bench, 1873

Garden at Sainte-Adresse, 1867

Claude Monet, Water Lillies

Claude Monet, Water Lillies

Giverny, 1900

Poppies Blooming, 1873

View of le Havre
Woman with a Parasol

Clifftop Walk at Pourville

Dá-me a tua mão – Clarice Lispector

 Dá-me a tua mão:

Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
– nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio…