Solidão, que nada!

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Já repararam em como tem um tanto gente reclamando da solidão? Querendo achar a goiabada pro seu queijo, a tampa pra sua panela, o guaraná pra sua pipoca, o granulado pro seu brigadeiro? Como explicar tantas pessoas querendo a mesma coisa e elas não se esbarrarem por aí? Que diacho de análise combinatória é essa que não dá certo?!

Um dos meus palpites é que nestes tempos ciberneticamente rápidos, as metralhadoras giratórias disparam freneticamente sem observar de verdade o alvo. Saciam-se os desejos e alimentam-se os vazios. E, ainda, parece que não queremos dispender muito tempo nem paciência pra nos envolver afetivamente com o outro. Se afetar com outro. Imagina então o ônus que seria viver uma história de amor.
A Clarice disse que amor não é prêmio e por isso não envaidece. Talvez seja mesmo preciso ficar nu para viver o amor. Tirar a roupa pode ser a parte mais fácil. Difícil mesmo é desnudar-se. Nu. Apenas com nossa beleza e nossa feiura mais autênticas. Temos tempo e disposição pra administrar essa nossa humanidade toda? Definitivamente, o amor suja as mãos.
Ainda sim, sou um romântico incurável (e um pouco cafona, por isso). O amor dá trabalho sim, (não há como fugir disso), mas também pode te fazer tão melhor. E olha que não tô falando de um amor desses de cinema não. É desse amor do dia-a-dia mesmo. Que vai ao banco, toma neosaldina e come pizza dormida. Que tem tesão, assanhamento, safadeza e também um cafuné distraído no cabelo. Que te manda uma mensagem no meio do dia e que também quer ficar sozinho nessa sexta, simplesmente porque quer. Que te detesta quando você rói a unha e se derrete quando você dá aquela sua gargalhada esquisita. Que teve um dia péssimo no trabalho hoje e está irritado, mas que amanhã passa. Que fica engraçado quando eventualmente está de mau humor, mas que tem humor, porque isso é indispensável. Que foi tão inesperado e que é muito e tão bem vindo.
Tem quem não me deixa mentir: Vinicius foi, no reveillon, ver os fogos em Copacabana, mas quem brilhou mesmo foram os olhos da sua paixão. Nádia deu voltas longas em torno da Terra e encontrou o homem da sua vida e o pai da sua filha no amigo da mesa ao lado, no trabalho. Juninho teve um mal súbito na Praça Sete e quem o socorreu o acompanha pela vida afora. Não é história de filme e nem acontece pra todo mundo, mas existe amor. Com seus ônus e seus bônus. De verdade. De realidade.
Desconfio que, mais cedo ou mais tarde, ele aparece pra quem consegue se desnudar. O amor, esse difícil estranho, está a espreita pra quem tem olhos atentos para vê-lo.
Texto- Paulo Andrade
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