DEPRESSÃO …

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  “A essência máxima da tristeza é uma ficção mental de que alguém poderia ser feliz num projeto estritamente privado” – ALFRED ADLER- PSICÓLOGO.

Nos termos da psiquiatria, a depressão se caracteriza por uma profunda tristeza acompanhada de sentimentos de desamparo e baixa auto-estima. A segurança pessoal do indivíduo fica debilitada, e o mesmo pensa que ninguém é capaz de lhe prover ajuda. Há um comprometimento em quase todas as esferas da existência: emocional, fisiológica, comportamental e social. É comum também a auto-recriminação, sendo que o deprimido se considera uma pessoa insuportável para conviver com os demais semelhantes.

O objetivo deste estudo é enfocar principalmente os aspectos psíquicos da depressão, abstraindo quaisquer considerações orgânicas e químicas acerca da síndrome citada. A depressão bem como o transtorno do pânico se tornaram talvez as principais afecções psicológicas de nossa era. Nenhum outro abalo psíquico consome tanto sofrimento e dispêndio medicamentoso como os acima citados. Se continuarmos nessa linha de raciocínio social, chegaremos a conclusão primeira de que a depressão é o reflexo de nossos tempos pela absoluta falta de investimento social e nos relacionamentos humanos em geral. Nossa vida baseada no egoísmo e individualismo expõe através do sintoma da depressão, a faceta mais cruel de um estilo de vida deturpado e carente de um sentido mais amplo.

Quase todos nós traçamos diariamente um planejamento de satisfação apenas individual, e a depressão insiste em nos revelar que a plena gratificação só se realiza quando estamos profundamente ligados a alguém, sentindo a proximidade, companheirismo e principalmente cooperação. Como o deprimido falhou ou insiste em não vivenciar os sentimentos acima citados, força com que os outros o amparem e lhe estimulem o tempo todo, alegando não ter forças ou vitalidade para a consecução de determinadas tarefas. Essa é a maior armadilha que o deprimido utiliza constantemente, sendo que sua doença serve para manter uma espécie de seguro no qual as pessoas sempre estarão preocupadas com o mesmo, saciando dessa forma não apenas suas carências afetivas, mas, sobretudo seu desejo de poder sobre os demais, embora o depressivo sempre negue tais afirmativas.

Se aprofundarmos nossa ótica psíquica logo descobriremos que a depressão encobre um sofrimento muito mais sério, que é a solidão. O deprimido como dizia o psicólogo ALFRED ADLER, fez uma espécie de “arranjo”, sendo que é preferível a tristeza, fadiga, tédio e pobreza psíquica, do que o tormento de sua terrível solidão pessoal e existencial, aliadas ao temor de novas frustrações pessoais caso tente algum novo contato social. Para o deprimido é muito mais cômodo o sofrimento de seus sintomas habituais do que o risco de novas decepções. Buscar ou acreditar numa relação de profunda troca é o mesmo que procurar o “SANTO GRAAL”, pois seu profundo temor interno lhe transformou num ser não apenas cético, mas absolutamente intolerante, impaciente e desconfiado no tocante as relações humanas. Nesse ponto podemos fazer uma dura crítica a questão medicamentosa como forma de tratamento dos estados depressivos.

É mais do que óbvio de que determinados quadros de depressão grave requerem o uso de ansiolíticos ou antidepressivos, visando a melhoria da qualidade de vida do paciente. Porém, o uso indiscriminado de medicamentos que assistimos diariamente só encobrem as questões existenciais citadas anteriormente. Há um bom tempo vivemos na sociedade descrita por ALDOUS HUXLEY em seu livro “ADMIRÁVEL MUNDO NOVO”, onde uma droga chamada “soma” aliviava todos os conflitos psíquicos. Da ficção para nossa tenebrosa realidade, acompanhamos determinadas pessoas se desacreditarem totalmente de si próprias e de seu potencial, buscando apenas o alívio imediato no uso dos mais variados psicotrópicos. Se essas drogas à venda no mercado servem apenas para mascarar nosso fracasso e medo de nos sensibilizarmos, então ocorreu uma troca de valores, sendo que a própria psicose se torna a saúde, e os métodos de intervenção a essência da doença.

A grande verdade do século XX é que o ser humano não estava habilitado a vivenciar a angústia da solidão. O projeto do individualismo passado pelos meios econômicos e educacionais acarretou um preço exorbitante em termos de saúde psíquica. Qualquer tipo de droga lícita ou não, apenas será menos consumida quando a prioridade absoluta for à relação humana como um todo. Nenhuma ação repressiva será capaz de abafar a insatisfação humana, e parece que essa lição ainda não foi aprendida por qualquer autoridade mundial.

Enfim, a depressão é a representação máxima da despotencialização, é a recusa constante do prosseguir, buscando a fixação num estilo de vida de limitação existencial e rebaixamento emocional, evitando sempre o que seria uma dor maior. O deprimido com o decorrer de seu processo passa a odiar aquilo que talvez seja uma de nossas maiores dádivas: a potência em todos os sentidos. Se há um ponto inalterado na observação psicológica acerca de uns cem anos, é a utilização da enfermidade para a obtenção do privilégio do não enfrentamento das provas diárias de nossas vidas. Sempre é muito mais cômodo reproduzir o caos social em nosso psiquismo, do que criar e trocar com outros aquilo que temos de especial, e infelizmente o que é o “melhor”, sempre acaba sendo reprovado na hora da comunhão profunda.

Antonio araújo

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