Arquivo | fevereiro 2011

Recomeço…

A vida é um constante recomeço…

Não se dê por derrotado e siga a diante
As pedras que hoje atrapalham a sua caminhada
Amanhã enfeitarão a sua estrada…
Aprenda com seus erros
Tire uma lição de vida em cada lágrima derramada!
Lembre-se:
Ninguém é perfeito e somente aprendemos errando!
Sonhe!
Sorria!
Tudo vale a pena…
Saiba que você não está aqui para sofrer
E se você aqui chegou
É para ser Feliz!
Acredite na vida!
Acredite no amor…

Autoria:
MAURA THEOBALD
http://maura-girassois.blogspot.com/

QUANDO O HOMEM FINGIR O ORGASMO – CARPINEJAR

Arte de Francis Bacon
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As mulheres queimaram a calcinha, o sutiã e as pantufas. Os homens incineraram as ceroulas e os pijamas listrados. Não há mais nenhuma revolução sexual. Depois do anticoncepcional e do Viagra, a impressão é que os tabus foram superados e não desponta recorde a ser quebrado no horizonte.

Você se engana. A mais complicada mudança de costumes ainda não aconteceu: o fingimento masculino do orgasmo. Aguardo uma pílula que amplie o nosso repertório.

Seria nossa libertação das garras e caprichos das lobas e lolitas. Se a mulher saiu da cozinha, o homem não abandonou o quarto. Está algemado na cama de seu corpo. Da forma atual, seremos sempre dependentes. Não há como se safar. Manteremos a pose de sexo frágil da relação, submissos e súditos. É uma injustiça ultrajante, nos privaram do benefício de falsear, testar gemidos, recorrer a playback, enganar a plateia. É tudo real, honesto e verdadeiro. Uma sinceridade imperdoável. Entregamos na hora se amamos ou não, se estamos felizes ou não; dispensável o interrogatório.

Nenhuma namorada busca conferir o orgasmo do seu parceiro. Não merecemos nem a pergunta. Não desfrutamos do mistério, da hesitação, do enamoramento entre o claro e o escuro. Não conhecemos a dúvida, filhos da certeza por toda a eternidade. O grito e o tremor nos entregam. A ausência de chance de mentir no sexo faz com que a gente tente descontar fora dali, contando vantagens na profissão.

O homem pode enganar pulando da cena com a camisinha intacta. Mas não gera a mesma graça. No sexo tântrico, corre o boato de que é possível gozar sem ejacular, porém nenhuma esposa é santa para acreditar nesta história, dirá apenas que broxamos e pedirá na lata para confessar o nome da outra.

O progresso carnal virá com o fingimento do macho. É o que falta para a civilização confirmar a igualdade. É o último degrau. Distanciado de truques e evasivas, terá que ser encarando a vítima. Como no teatro da crueldade: simular olho no olho, boca na boca, ouvido a ouvido. Reservaremos um dia na semana para aula de canto, exercitaremos o pompoarismo das cordas vocais. Ela ficará indecisa se agradou, louca para questionar e nos bater com o travesseiro, prestes a nos sacudir pelo veredito. E não falaremos nada, observaremos o teto com ares de abóbora e dormiremos de conchinha.

Assim a mulher saberá finalmente o quanto sofremos até hoje para descobrir se ela gozou.

Publicado no jornal Zero Hora
Segundo Caderno, coluna quinzenal, p. 3, 8/11/2010
Porto Alegre (RS), Edição N° 16513

 

Luis de Camões

Art by Magritte


Eu cantarei de amor tão docemente,

Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente

Luis de Camões


Jamais haverá ano novo, se continuar a copiar os erros dos anos velhos.

Luís de Camões


A verdadeira afeição na longa ausência se prova.

Luis de Camões