Arquivo | dezembro 2010

Tristeza!

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Tristeza: o que fazer quando o peito aperta?

Patricia Gebrim

Talvez você tenha sido atraído por este título porque esteja triste. Você está triste?

O peito apertado, um nó na garganta, uma vontade de chorar… quem já não passou por isso? E por mais explicações que tenhamos a respeito, ou por mais que saibamos os motivos da tal tristeza, o que podemos fazer para melhorar? É sobre isso que quero falar com você, esteja triste ou não.

Não importa se você é do tipo de pessoa que procura ajuda, ou daquelas que preferem se isolar, você pode sim fazer algo por você. A primeira coisa importante é se lembrar que na vida tudo passa, então, em breve, essa tristeza terá passado também. Lembrar disso faz com que consigamos colocar a tristeza em seu devido lugar, diminui sua intensidade e nos ajuda a observá-la de fora.

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Talvez você tenha tido na infância, alguém que o pegasse no colo quando estava triste, alguém que costumava acariciar seus cabelos e sussurrar em seus ouvidos: – Isso vai passar, vai dar tudo certo…

Se você se lembra de alguém assim, tente imaginar que você esteja no colo dessa pessoa agora mesmo, recebendo todo aquele carinho, sentindo-se seguro nesse abraço quentinho. Feche os olhos e tente imaginar. Tente imaginar que a tristeza vai ficando menor à medida em que você vai sentindo o calor desse abraço. Pense nesse abraço como o lugar mais seguro do mundo, como um lugar que aceita você exatamente como você é. Preste atenção e experimente a sensação gostosa de ser aceito como é. Esse abraço aceita a sua dor, a sua tristeza, as suas lágrimas. Aceita você.

Se você nunca recebeu algo assim de ninguém, não importa. Você pode receber agora. Deixe-se cuidar, nem que seja na sua imaginação. Imagine uma pessoa capaz de dar isso a você, dê a ela a forma que quiser e solte-se em seus braços. Isso pode curar feridas profundas. Experimente.

Outro ponto importante. Não fique lutando contra a tristeza. Se ela vier, abra passagem. Entre em contato e confie que, assim como veio, chegará o momento em que ela também irá. Se você ficar bravo com você mesmo por estar triste, ou se ficar decepcionado, ou irritado; só vai piorar as coisas. Pense que a tristeza é só um sentimento, como tantos outros. Ela não é você. Isso é importante… a tristeza não é você!

É só um sentimento que está passando por você, como uma nuvem que passa no céu. Distancie-se para poder enxergar melhor, não se misture com a tristeza.

Muitas vezes, quando estamos tristes, também costumamos imaginar que a nossa tristeza é maior do que a tristeza de qualquer outra pessoa. Mas isso não é verdade. Muitas pessoas sentem-se tristes como você, e sobrevivem, e renascem, naquele lugar que existe do outro lado da tristeza. A tristeza é como a queda de uma cachoeira, se você a atravessa, existe um lugar mágico esperando por você do outro lado. Faça da sua tristeza uma passagem para algo melhor. Pense nas lágrimas como um bálsamo que cura feridas antigas, desfaça os nós da sua garganta e deixe que o aperto no seu peito escorra para fora de você. Aceite a tristeza e a veja se dissolver nessa aceitação.

Importante. Quando triste, seja mais cuidadoso com você. Muitas vezes, com a desculpa de amenizar uma tristeza, nos ferimos ainda mais. Bebemos demais, comemos demais, utilizamos substâncias que causam dano a nosso corpo, gastamos demais… e esquecemos de que isso só nos deixará mais tristes. Preste atenção, e se estiver triste, trate-se com todo o cuidado e carinho de que for capaz. Faça um escalda-pés quentinho, coloque flores em frente a seu prato de jantar, ouça uma música bonita, faça uma prece. Mude essa sintonia a partir de aceitação e da suavidade que existe em você.

Mas se a tristeza durar muito tempo, se a tristeza se tornar uma poça de lama que aprisiona seus pés, não tarde em buscar ajuda. Nunca concorde em construir sua casa nesse terreno lamacento.

Você pode estar se perguntando: mas por que ficamos tristes afinal? Existe alguma utilidade nesse sentimento tão dolorido? E eu lhe digo que sim. A tristeza existe para nos ajudar a adquirir consciência de que existe uma dor em nós. Só quando percebemos a dor é que podemos agir no sentido de transformá-la. Assim, a tristeza traz informações e sempre nos pede algum tipo de transformação.
Se você for corajoso o suficiente para ouvir o que a tristeza lhe diz, com certeza aprenderá muitas coisas sobre você e será capaz de atravessá-la e chegar nesse outro lugar… um lugar pleno de vida, alegria e amor.

Pense nesse lugar, esperando por você agora mesmo. Até lá.

Fonte: Vya Estelar
Imagem: foto Lilia Lima

ÓDIO…

Marc Chagall "Bay of Angels" original lithograph
 

Art by Marc Chagall

“La Baie des Anges”;

Jamais poderemos ter esperança de compreender e controlar o ódio, até que aprendamos a compreender e controlar o medo.

As pessoas se odeiam porque se sentem inseguras. A pessoa mais propensa a odiar é aquela que abriga sentimentos de inferioridade. Ela é frustrada, ansiosa, desconfiada e medrosa.

As pessoas que odeiam passam pela vida com os punhos cerrados. Estão constantemente na defensiva. É mais do que provável que estiveram expostas a padrões de ódio durante a infância. São condicionadas ao ódio e em muitas ocasiões estão apenas imitando as reações de ódio dos pais.

As pessoas odeiam porque foram e ainda são privadas do amor que desejavam e do amor de que tinham necessidade. Sentem-se rejeitadas. Abrigam a triste desilusão de que para sobreviver precisam odiar. São encorajadas nas suas convicções pela cínica filosofia de que este é o mundo do “homem lobo do homem” — que todos são desonestos, egoístas e que o único meio de progredir neste mundo é conservar-se em luta e ultrapassar em ódio o semelhante.

Para elas a vida torna-se um círculo vicioso de insegurança que leva ao ódio e o ódio dá em resultado uma maior insegurança. Cada dia se torna uma luta competidora para sobreviver. A sobrevivência, não importa como, torna-se uma obsessão.

Compreendem a tragédia do seu falho raciocinar quando o tiro da sua cínica filosofia da vida sai pela culatra. Infelizmente aprendem através de triste experiência que o ódio gera o ódio, que a vingança e o espírito vingativo são qualidades fúteis.

Os ódios epidêmicos são geralmente característicos das guerras. Mesmo as nações estão finalmente acordando para a fria compreensão de que não existe vitória em nenhuma guerra.

Sintetizando, as pessoas odeiam por causa do medo. Sentem medo da morte, de Deus, dos indivíduos e do maior de todos os medos – o medo do próprio medo.

Muitas pessoas que consultam psicanalistas, por várias vezes demonstram ser pacientes difíceis somente porque estão saturadas com sentimentos de indignidade pessoal e com encurralados sentimentos de hostilidade. Aborrecem-se facilmente e zangam-se por terem de pagar o tratamento psicanalítico numa condição em que são propensos a culpar os outros. Não gostam que se lhes diga que os seus problemas de infelicidade são autoprovocados.

Quando o psicanalista se esforça para ser bondoso e compreensivo, o paciente neurótico, cheio de amargura e de ódio, muitas vezes se torna abusivo. Está incapacitado de aceitar a bondade e o amor que o psiquiatra irradia. Isto faz que ele se sinta mais culpado.

Tenho tido pacientes que me disseram que não podiam suportar alguém que demonstrasse bondade para com eles. Esta demonstração tornava-os hostis ou fazia-os chorar. Quando o psicanalista é firme, o paciente interpreta mal, considerando esta firmeza como rejeição. Torna-se desconfiado e como conseqüência toma uma atitude abusiva de defesa. O psicanalista transforma-se em alvo da antipatia que seu paciente cultivou durante anos, com relação aos pais.

Todo psicanalista experimenta este mecanismo de amor e ódio entre os seus pacientes. Quando o paciente principia a ter fé no tratamento (transferência positiva) em direção ao cultivo de um amor normal a si próprio, logo começa a desprender-se da sua rija casca de defesa e pela primeira vez compreende que o ódio não conduz a parte alguma.

A sua saúde melhora à medida que as suas atitudes se modificam. Finalmente convence-se de que o ódio tem sido um obstáculo dispendioso.

Informaçoes sobre o autor
Dr Wagner Paulon Psicanalista e Mestre em Psicopatologia pela (Escola Paulista) em SP-BRASIL; Formação Integral e Análise Didática em Psicanálise; Psicólogo Clínico pelo (Saint Meinrad College) em USA; Pedagogo pelo (FEC-ABC) em SP-BRASIL; MBA pela (University Abet) em USA; Curso de Especialização em Entorpecentes pela (USP) em SP-BRASIL; Livre Docente em Faculdades e Sem Fronteiras” e Atual Diretor do Centro Psicanalítico de Ubatuba-SP. 

Site: http://www.wpaulon.zip.net