Arquivo | junho 2010

DISTÂNCIA E DISTANCIAMENTO – Fabrício Carpinejar

 

Arte by Marc Chagall

Sendo obrigado a ficar separado da namorada ou namorado, do marido ou da mulher, o que fazer? Morar em casas diferentes, cidades diferentes, países diferentes não revela distância. A distância mais difícil de ser superada é a do costume: a psicológica, a que não permite abraços efusivos e brincadeiras, que paralisa e planifica os sentimentos com os anos de convivência.

É um lugar-comum dizer que é fácil uma relação dar certo sem que os dois se vejam. Mas quem namora afastado não está convencido da conquista e se põe a trabalhar para surpreender. Acautela-se para não sacrificar o que está começando. Exercita mais antes de falar. Procura a toda hora uma forma de chamar atenção. Fiscaliza, atualiza a relação, olha ao telefone ou a caixa de mensagens com curiosidade inquisidora. Corre risco, cobre a aposta, suscetível a enganos, comédias e foras. Aprende a ver longe para não permanecer longe. Distância não é distanciamento. A primeira é física, o segundo é emocional.

Tudo é questão de matemática. Melhor ser dois no tempo sendo um no espaço do que ser um no tempo para ser dois no espaço. Dividir o mesmo teto é pouco perto de dividir o mesmo texto. Os casais separados pela força das circunstâncias não ficam com receio das juras e das promessas. Preocupam-se com sutilezas e detalhes. Não têm vergonha da vergonha. Não estão condicionados ao amor como posse, mas como incerteza. Conhecem quem são pela intensidade de sua busca. Esforçam-se para que a carne seja a lembrança de outra carne, a pele seja a lembrança de outra pele. O esforço é compreensão e a esperança, uma espécie de justiça.

A falta de imaginação termina com qualquer coisa, das atitudes mais complexas às mais simples. Como não colocar um ingrediente a mais ao seguir uma receita? É inevitável. Os melhores cozinheiros são de olho. Minha avó nunca anotou nenhum de seus pratos, porque me dizia: “a comida é que me diz quando está pronta, não eu”. Erra-se para acertar. E quando se acerta, com um toque pessoal, parece um milagre.

Sem reagir à vida, não há experiência, há acomodação. Não é de estranhar que o medo de ver um nascimento é maior do que ver uma morte. Desmaiar num parto é mais fácil do que desmaiar diante de alguém que parte. Casais que se julgam definitivos porque moram juntos perdem o medo solidário de nascer (todo mundo que nasce precisa de ajuda) para deixar o medo mesquinho de morrer tomar conta da relação (todo mundo que morre, morre sozinho). O desejo não combina com segurança e senhas. O desejo é não saber o que vai acontecer depois. Os namorados e namoradas apartados por uma questão de trabalho, de residência ou de família estão dispostos a se encontrar dentro dos próprios desencontros. O círculo perfeito é muito apertado. Agrada-me a elipse, a hesitação, a fresta para arejar os afetos. Uma alegria breve pode vir a ser uma alegria interminável.

Fabrício Carpinejar

AMOR FEINHO – Adélia Prado

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Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.

Adélia Prado

O que é o HPV ?

  

Arte  by Klimt

Como Fazer o Diagnóstico : 

O HPV, ou human papiloma virus, é um vírus que vive na pele e nas mucosas genitais dos seres humanos, tais como vulva, vagina, colo de útero e pênis.

Nos genitais existem duas formas de manifestação clínica.

1.    As verrugas genitais que aparecem na vagina, pênis e ânus.
2.    Existe outra forma, que é microscópica, que aparece no pênis, vagina e colo de útero.

Trata-se de uma infecção adquirida por meio de contato sexual. É altamente contagiosa e a melhor prevenção é o uso de “camisinha”.

O mais importante nessa doença é que existe uma associação entre alguns grupos de papilomavírus e o câncer de colo de útero.colposcopia, e o diagnóstico de certeza é feito por meio de biópsia da área suspeita.

Existem também exames que identificam o tipo do vírus e se estes são cancerígenos.

O tratamento do HPV é por destruição química ou física das lesões sempre indicado e realizado por médico especialista.

O papilomavírus ou human papiloma virus pode se alojar tanto no colo do útero como na vagina e na vulva.

Na vulva ele causa a doença chamada condiloma genital ou popularmente conhecida no Brasil como “crista de galo”.

Na vagina e no colo do útero ele normalmente se apresenta com lesões microscópicas que só podem ser descobertas por meio do exame de papanicolaou ou a colposcopia.

No homem ele pode se manifestar por verrugas no pênis ou de maneira microscópica.

É muito importante que o parceiro seja encaminhado para exame com um urologista para procura de lesões e tratamento, se forem encontradas

Existem também exames que identificam o tipo do vírus e se estes são cancerígenos.

O tratamento do HPV é por destruição química ou física das lesões sempre indicado e realizado por médico especialista.

O papilomavírus ou human papiloma virus pode se alojar tanto no colo do útero como na vagina e na vulva.

Na vulva ele causa a doença chamada condiloma genital ou popularmente conhecida no Brasil como “crista de galo”.

Na vagina e no colo do útero ele normalmente se apresenta com lesões microscópicas que só podem ser descobertas por meio do exame de papanicolaou ou a colposcopia.

No homem ele pode se manifestar por verrugas no pênis ou de maneira microscópica.

É muito importante que o parceiro seja encaminhado para exame com um urologista para procura de lesões e tratamento, se forem encontradas.

Previna-se contra o HPV e lembre-se:

• A maioria das pessoas infectadas pelo HPV não desenvolve o câncer de colo uterino.

• Por ser o principal causador do câncer do colo uterino, o HPV precisa ser descoberto o quanto antes. Por isso, sempre faça seus exames preventivos anualmente.

• Use preservativo em todas as relações sexuais.

• Fique atenta a esses sintomas: coceira, corrimento, sangramento anormal, principalmente fora da menstruação, e dor durante a relação sexual. Se você tiver algum desses sintomas, procure seu ginecologista.

• Fumar, beber em excesso ou usar drogas afeta o sistema de defesa do organismo, fazendo com que o HPV atinja a mulher com maior facilidade.

• Procure saber mais sobre o HPV e o câncer de colo uterino e compartilhe todas essas informações com o seu parceiro e amigas. Assim será mais fácil se prevenir.

• É importante que seu parceiro(a) também procure um médico para verificar se ele está com o vírus.

• Você não está sozinha(o)! A maioria das pessoas com vida sexual ativa pode estar infectada por algum dos tipos do HPV.

Dr. Sérgio dos Passos Ramos

INSÔNIA – Fabrício Carpinejar

  

Gravura de Paul Klee 

 

Queria ter um corpo para dormir. A casa dorme em paz. A paz sempre é barulhenta. A respiração dos filhos é como uma chaleira que me faz chegar perto. Lembro do cueiro, dos paninhos, dos aventais, dos bordados, das fraldas, das gavetas assistidas diariamente. Não faltaram panos para esticar a infância. Cheiro a nuca, contorno as golas, arrumo suas cobertas e a respiração deles não deixa a minha boca. Será que o vento que apaga a chama não é luz também? A chama é apenas um vento visível. Talvez seja assim.

De pequeno, mirava o céu durante horas a descobrir quem soprava as estrelas. Acreditava que as estrelas eram nuvens que não foram capturadas. A noite não ri para as fotos. Não dormirei de olhos limpos. Não lavarei os meus olhos ao acordar. Ficarão sujos, sujos daquilo que ainda não vi. Sujos como o uniforme da escola, entre a gripe e a fome. Sujos da euforia de escorrer o queixo com a fruta. Sujos dos beijos do chão. Sujos do ciúme, da ponta das unhas na pele, das pontas do cigarro pisados. Sujos da ventilação do sangue. Sujos da ciência do soluço. Sujos do balcão das oliveiras. Sujos do que ainda não amei ou não podia amar ou julguei desnecessário amar e hoje me faz uma falta danada. Não fecho o meu caixa, devo ter somado errado, devo ter deixado alguém de fora da minha indecisa eternidade. Sujos de quem atravessou o meu caminho e não troquei um aceno sequer. Sujos da insatisfação que poderia ser desejo se fosse mais organizada. Sujos do tanque de pedra, do limo do tanque de pedra. O tanque de pedra de minha avó era tão verdadeiro. Não há verdade igual, ao menos verdade que tenha nascido de ventre feminino e não da boca de um homem. As roupas de molho recebiam braçadas de figos ao longo do entardecer.

 Minhas roupas cheiravam a figueiras. Corriam espantadas de pássaros. Eu me distraio. Distraído dos filhos à perturbação dos astros, dos astros ao nervosismo dos chinelos, dos chinelos aos remédios vencidos, dos remédios ao sentinela que come a marmita diante do televisor, do sentinela ao cachorro revirando o lixo, do cachorro ao carro que passa sem reparar que estou aqui no quarto andar de minha paz. Na aula, vivia distraído com o que acontecia fora da aula. Fora da aula, distraído com o que acontecia dentro da aula. No casamento, distraído com o que acontecia fora do casamento. Fora do casamento, distraído com o que acontecia no casamento. Eu me disperso com facilidade. Minha dispersão é amor avulso. Se me despedir, as ervas continuarão surgindo das frestas do muro. Se me despedir, o corpo não deixará de ser água correndo. Não me despeço, me disperso, porque crescerei contra a minha própria vontade. Sou possessivo, que mal há nisso? Sou possessivo. Nada melhor do que chamar “minha mulher”, “meus filhos”, “minha alegria”. Não posso deixar as lembranças se tornarem impessoais. Meu egoísmo é enraizamento. Às vezes me bate um desejo de viver tanto, tanto, que até me esqueço de falar.

Fabrício Carpinejar