Arquivo | abril 2010

Caio Fernando Abreu

Arte : Jasper Johns


“Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.”


Caio Fernando Abreu


 

Paul Klee


Arte de Paul Klee

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Inluenciado por seu pai, o professor de música Hans Klee, Paul interessou-se primeiramente por música, mas na adolescência viu aflorar sua vocação para as artes plásticas.

Estudou na Academia de Belas Artes de Munique e, estabelecendo-se nessa cidade, conheceu Kandinsky e Franz Marc, entre outros artistas de vanguarda.

Em 1906, casou-se com a pianista Lili Stumpf, com quem teve um filho, Félix. Nesse mesmo ano, expôs suas gravuras pela primeira vez.

Passou a fazer parte, em 1911, do grupo “Der Blaue Reiter” (“o cavaleiro azul”), que reunia artistas expressionistas liderados por Wassily Kandisnky.

Klee visitou a Tunísia em 1914, o que proporcionou grande impacto em sua obra. Impressionado com a luminosidade e as cores do país africano, Klee chegou a declarar que “a cor e eu somos um só”.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Paul Klee integrou o exército imperial da Alemanha. Com o fim do conflito, tornou-se professor da famosa escola de arte moderna Bauhaus, instalando-se na cidade de Weimar.

Além de possuir uma das mais importantes obras pictóricas da primeira metade do século 20, Paul Klee notabilizou-se por sua reflexão teórica, encontrada em textos como “Sobre a Arte Moderna” e “Confissão Criadora”.
A partir de 1931, o artista tornou-se professor da Academia de Düsseldorf. Com a ascensão dos nazistas ao poder, a situação de Klee na Alemanha tornou-se difícil, sendo considerado um produtor de “arte degenerada”.

Em 1933, retornou à Suíça. Dois anos depois, teve diagnosticada uma doença auto-imune e progressiva, a esclerodermia. Paul Klee faleceu em Berna, em 1940.

Em junho de 2005, com a inauguração do Centro Paul Klee, a cidade de Berna, na Suíça, passou a abrigar a maior coleção individual do mundo, com 4.000 obras do artista.

Projetado pelo arquiteto italiano Renzo Piano, que também projetou o Centro George Pompidou, em Paris, o museu tornou-se um riquíssimo centro de pesquisas sobre um dos fundadores da arte abstrata – o pintor e artista gráfico Paul Klee.

Veja aqui mais obras do Artista :Clique!

 

 

Fonte-http://educacao.uol.com.br/biografias/paul-klee.jhtm


O QUE EU GOSTO – Fabrício Carpinejar

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O QUE EU GOSTO

Gosto do garfo, apetece-me a idéia de que ele não precisa da faca para sobreviver. Não gosto de começar pelas verduras. Gosto de comer com pão. Não gosto de elevador. Gosto de escadas envidraçadas. Gosto de lápis mais do que canetas. Não gosto de parque. Gosto de praças esquecidas. Não gosto de sinais de trânsito. Gosto de pichações. Não gosto de passarelas. Gosto de calçadas largas, onde não me sinto pressionado a tomar uma decisão. Não gosto de quem finge voz infantil para falar com as crianças. Gosto de pedalar descalço como se fosse praia. Não gosto de chuva mentirosa, sem relâmpagos. Gosto de abraçar com efusão e fracassar despedidas. Não gosto de quem conversa dando tapinhas nos ombros. Gosto da sinceridade de um café. Não gosto de aperitivos. Gosto de escutar música para curvar a boca.

Não gosto de apresentações. Gosto de abrir vinho. Não gosto de terminar o vinho. Gosto quando desmarco um encontro para me encontrar por acidente. Não gosto de guarda-chuva. Gosto de livros com sobrecapa. Não gosto de nadar sozinho. Gosto de nadar sem raias para respirar. Não gosto de portas. Gosto de me falhar em janelas. Gosto de reparar primeiro os pés das pessoas, para calçar meus olhos e subir devagar. Não gosto de poltronas. Gosto de rede. Não gosto de colchão no chão.Gosto de água-furtada, abrir um piano, fechar o estojo de um violino. Não gosto de porões. Gosto de gavetas. Não gosto de armários.

Gosto de adormecer sem vontade. Não gosto de dormir cedo. Gosto de abrir cartas. Não gosto de procurar o CEP. Gosto de ter um lugar para sofrer escondido. Não gosto de chorar em público. Gosto de água com gás. Não gosto de trocar o gás. Gosto de repor as lâmpadas. Não gosto de lanternas. Gosto de velas e lamparinas, do clarão cansado. Não gosto de gente educada em excesso. Gosto do humor discreto. Não gosto de ser chamado pelas costas. Gosto quando trocam o meu nome. Não gosto de telegramas. Gosto de telefonemas longos. Não gosto de rodapés. Gosto de letra tremida. Não gosto de letras de fôrma. Gosto de guardanapo nos joelhos. Não gosto de mesas de plástico. Gosto da ironia. Não gosto do cinismo. Gosto de ver um filme pela metade. Não gosto de esperar os créditos finais. Gosto de chegar atrasado para ser pontual. Não gosto da tristeza. Gosto de gritar para as paredes.

Não gosto quando tem eco. Gosto de misturar as chaves. Não gosto de fotos em álbuns. Gosto de fotos soltas. Não gosto de assobiar. Gosto de acenar. Não gosto de palitos nos dentes. Gosto de mapas antigos. Não gosto de filas. Gosto de ler no trem. Não gosto de lembrar das senhas. Gosto de esquecer as dívidas. Não gosto de limpar as telhas. Gosto das escamas das casas. Não gosto de conferir os bolsos. Gosto da imperfeição. Não gosto do acúmulo. Gosto de inventar a letra quando estou cantando. Não gosto do travessão.

Gosto do ponto e vírgula.

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Fabrício Carpinejar

 

 

UMA CLARIDADE

O dia aqui está laranja. Como nossa infância. Laranja, recordas? Laranja que a gente pensava que emanava das lajes ou do telhado, mas vinha das mãos mexendo no futuro. Laranja de um sorvete que não existia, a não ser na luz que o comia. Laranja como a nossa convicção. Nunca pensei em laranja para vestir, hoje me acordei dentro dessa cor e lembrei o que não sabia. Laranja do interior da fruta, não da casca, do sumo que fica organizado para a boca e distribuído em lágrimas empacotadas, com o rigor de penas de um pássaro. Laranja dos olhos arregalados em fotografias. Laranja cristalino. Laranja crespo. Laranja como a crista do galo quando ele dorme. Laranja como a língua depois do xarope. Laranja como os pés depois de caminhar muito na areia. Laranja como as pontas dos dedos depois da maconha. Laranja como um pasto depois da fogueira. Laranja como a iluminação no túnel. Laranja da grama queimada na praia. Laranja de um chapéu de feltro guardado no armário. Laranja de uma cadeira de palha de três gerações. Laranja como o silvo do trem. Laranja como cavalos em celeiro. Laranja como um grito de criança na piscina. Laranja como um pátio sem cachorro. Laranja como um colete de lã dado pela tia. Laranja como o peito de um pássaro na minha grade. Laranja como uma lanterna de pilha fraca. Laranja como velas de igreja. Laranja como os joelhos invisíveis das abelhas. Laranja como um segredo enrugado. Laranja é quase loucura, se não fosse casa.

*Fabrício Carpi Nejar, ou Fabricio Carpinejar, como passou a assinar em 1998 (Caxias do Sul, 23 de outubro de 1972) é um poeta e jornalista brasileiro. Filho dos poetas Carlos Nejar e Maria Carpi, adotou a junção de seus sobrenomes em sua estréia poética, As solas do sol, de 1998. Em 2003 publicou, pela editora Companhia das Letras, a antologia Caixa de sapatos, que lhe conferiu notoriedade nacional. É mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

fonte:http://www.carpinejar.blogger.com.br/2005_05_01_archive.html

Entrevista fantástica no Jô!!!! Demais!

 

Ajudem Luciano a Viver!!!

Ação solidária
Amigos se mobilizam por doação de medula óssea para menino
   


Várias pessoas solidárias com o drama do garoto Luciano fizeram comunidades pedindo doação no site de relacionamentos Orkut
IPATINGA – Apesar de ter apenas sete anos, o garoto Luciano Pereira Bonfá Filho já sabe que precisa contar com a solidariedade das pessoas para que ele possa voltar a ter uma vida normal. Há três anos e meio, Luciano descobriu que sofre de um câncer raro, denominado hipoplasia acentuada de medula óssea, e desde então sua única saída é fazer um transplante. Mas, para isso, ele precisa encontrar uma pessoa que tenha uma medula óssea compatível com a sua. Para ajudar o garoto, dois metalúrgicos, ao conhecerem a triste história de Luciano, resolveram fazer uma campanha para conseguir um doador para o menino.
Após ter tido mais uma crise, há cerca de 15 dias, Luciano foi novamente hospitalizado no Hospital Unimed, em Coronel Fabriciano. “Precisamos de no mínimo 500 cadastros de possíveis doadores para que o Hemocentro de Governador Valadares venha até a cidade coletar amostras de sangue para tentarmos encontrar um doador compatível”, informou Wanderson Mesquita Gomes, de 21 anos, que ficou amigo do garoto logo depois que ficou ciente do problema, em um culto de oração semanal.
 

 

Palavras proféticas
Ainda de acordo com Wanderson, a chance de Luciano conseguir um doador compatível fora da família é de uma em um milhão no país. Por isso, resolveu iniciar uma campanha na cidade de Ipatinga em busca de doadores. “Luciano chegou a me dizer que Deus conversou com ele e lhe prometeu a cura. Disse ainda que seria usado para converter outras pessoas. Me emocionei e passei até a pedir dinheiro na rua para ajudar a mãe dele a comprar os medicamentos. Para Luciano conseguir chegar aos 18 anos sem a doação de medula, ele precisa de 13 frascos de um medicamento importado, avaliado em R$ 40 mil cada. No total, a família precisaria de R$ 520 mil”, informou.
Ao saber que poderia ser considerado estelionatário, Wanderson resolveu procurar outros meios para ajudar o garoto. Ele conseguiu encontrar outro companheiro solidário para lhe ajudar a buscar doadores de medula e dinheiro. “Conseguimos um advogado gratuito que nos orientou quanto à campanha e aquisição de dinheiro para a família. Tudo está sendo feito dentro da legalidade e quem quiser pode ir pessoalmente visitar o garoto. Seria muito bom, porque tenho certeza de que ao conversar com Luciano a pessoa será grandemente abençoada”, adiantou.
 

 

Amor de pai
Para Leandro Ramos dos Prazeres, de 30 anos, pais de duas filhas, poder ajudar Luciano tem um sentimento diferente. “Sei o quanto um filho é valioso para os pais. A mãe de Luciano é separada e não tem como trabalhar porque precisa cuidar dele e de outro filho. Imagino o tamanho do desespero desta família. Além disso, aprendi que precisamos amar o próximo como a nós mesmos”, relatou.
Caminhos para a ajuda
As pessoas que se interessarem em ajudar o garoto devem fazer o cadastro específico de doação para Luciano, no site do Hemocentro de Governador Valadares, clicar no link Serviços e preencher o cadastro de doador. Para ser um candidato basta ter entre 18 e 55 anos e levar documento de identidade. O procedimento é similar a um exame de hemograma no qual é coletada uma amostra de sangue. O Hemocentro de Valadares fica localizado na Rua Grão Pará, 882, Bairro Santa Efigênia. Para oferecer qualquer outro tipo de ajuda, a pessoa pode entrar em contato com Joiciane Bonfá, mãe de Luciano, através do telefone 9828-3398.