Arquivo | janeiro 2010

Abelardo da Hora

Na minha última visita à São Paulo tive uma grata surpresa ao visitar a mostra “Amor e Solidariedade”  exposta no vão livre do MASP . Uma retrospectiva, idealizada para celebrar as seis décadas da primeira exposição deste mestre, um dos marcos fundamentais da arte moderna brasileira, deste criador  pernambucano que, aos 84 anos, é um dos poucos escultores expressionistas de vulto em plena atividade no Brasil. [ Confesso minha ignorância em relação ao trabalho dele.]

A iniciativa do MASP e do Instituto Abelardo da Hora de Recife é excelente, achei fantástica a iniciativa da exposição ser no vão livre do MASP merece muito mais que ser apenas um espaço vazio onde as pessoas se encontram. As pessoas têm vontade de conhecer mais sobre arte, mas com o ingresso do MASP a 15 reais esse provavelmente é o único jeito das pessoas terem um contato mais direto com essas obras. Espero que esta não seja a última exposição com esse tipo de estrutura, e que venham muitas outras!

A exposição “Amor e Solidariedade” permanecerá no vão do MASP todos os dias até 15 de fevereiro.

Com uma carreira que sofreu muita influência política, Abelardo sempre foi um artista que conseguiu equilibrar seu engajamento militante, sem nunca deixar de lado a sensualidade dos nus femininos. Essa dualidade poderá pode ser observada na retrospectiva do trabalho de Abelardo, mas o essencial, segundo os críticos, é que ele nunca se curvou aos modismos. Preferiu se comover tanto ao retratar as condições subumanas da sociedade nordestina como corpos femininos que transmitem ao mesmo tempo sensualidade e recato.
A vasta obra de Abelardo inclui mais de mil trabalhos espalhados pelo mundo. Depois de São Paulo, as peças de Abelardo vão para João Pessoa, Recife, Caracas, Paris (Museu George Pompidou), Bruxelas e Buenos Aires

Obras do Artista, Clique!

Abelardo da Hora. In: Itaú Cultural.

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Leonardo Boff

 File:Leonardo boff.jpeg

O trem da vida 

 Jornal do Brasil –

Publicado em 24/02/2006
 
Deixemos os cenários sombrios sobre o futuro do Planeta. Vamos às  histórias que falam do destino final da vida.
   
  Um trem corre veloz para o seu destino. Corta os campos como uma seta. Fura as montanhas. Passa os rios. Desliza como um fio em movimento.
   
  Lá dentro se desenrola todo o drama humano. Gente de todas as gentes. Gente que conversa. Gente que cala. Gente que trabalha em seu computador. Gente de negócios, preocupada. Gente que contempla serenamente a paisagem. Gente que cometeu crimes. Gente que é boa gente. Gente que pensa mal de todo mundo. Gente solar que se alegra com o mínimo de luz que encontra em cada pessoa. Gente que adora viajar de trem. Gente que por razões ecológicas é contra o trem. Gente que errou de trem. Gente que não se questiona; sabe estar no rumo certo e a que horas chega em sua cidade. Gente ansiosa que corre para os primeiros vagões no afã de chegar antes que os outros. Gente estressada que quer retardar o mais possível a chegada e se coloca nos últimos vagões. E absurdamente gente que pretende fugir do trem andando na direção oposta a ele.
   
  E o trem impassível segue o seu destino, traçado pelos trilhos. Despreocupadamente carrega a todos. A ninguém se furta. Serve a todos e a todos propicia uma viagem que pode ser esplendorosa e feliz. E garante deixá-los todos no destino inscrito em sua rota.
   
  Neste trem, como na vida, todos viajam gratuitamente. Uma vez em movimento, não há como fugir, descer ou sair. Pode se enfurecer ou se alegrar. Nem por isso o trem deixa de correr para o seu destino predeterminado e carregar a todos cortesmente.
   
  A graça de Deus – sua misericórdia, sua bondade e seu amor – é assim como um trem. O destino da viagem é Deus. O caminho é também Deus porque o caminho não é outra coisa que o destino se realizando passo a passo, metro a metro.
   
  A graça carrega a todos, os que são a favor e os que são contra. Com a negação, o trem não se modifica. Também não a graça de Deus. Só o ser humano se modifica. Pode estragar sua viagem. Mas não deixa de estar dentro do trem.
   
  Acolher o trem, enturmar-se com os companheiros de destino é já antecipar a festa da chegada. Viajar é já estar chegando em casa. A graça é ”a glória no exílio, glória que é a graça na pátria” como diziam os antigos teólogos.
   
  Rechaçar o trem, correr ilusoriamente contra sua direção, de nada adianta. O trem suporta e carrega também a estes rebeldes, com toda a paciência, porque Deus se dá indistintamente a bons e a maus, a justos e a injustos.
   
  A vida como a graça é generosa para com todos. De tempos em tempos ela nos faz cair na realidade. Nesse momento – e sempre há o momento propício para cada pessoa humana – o recalcitrante percebe então que é carregado gentil e gratuitamente. De nada adianta sua resistência e revolta. O mais razoável é escutar o chamado de sua natureza e deixar-se seduzir pela oportunidade de uma viagem feliz.
   
  Nesse momento desfaz-se o inferno interior e irrompe gloriosamente o céu, a face humanitária de Deus. Descobre a gratuidade do trem, de todas as coisas e a presença de Deus. Há um destino bom para todos cada qual na sua medida.
   
  E tu, leitor e leitora, como viajas?    
 
   Leonardo Boff, autor de Graça e experiência humana (Vozes), escreve às sextas-feiras.
  
 
Leonardo Boff Nasceu em Concórdia, Santa Catarina, aos 14 de dezembro de 1938. É neto de imigrantes italianos da região do Veneto, vindos para o Rio Grande do Sul no final do século XIX.Fez seus estudos primários e secundários em Concórdia-SC, Rio Negro-PR e Agudos-SP. Cursou Filosofia em Curitiba-PR e Teologia em Petrópolis-RJ. Doutorou-se em Teologia e Filosofia na Universidade de Munique-Alemanha, em 1970. Ingressou na Ordem dos Frades Menores, franciscanos, em 1959.Durante 22 anos, foi professor de Teologia Sistemática e Ecumênica em Petrópolis, no Instituto Teológico Franciscano. Professor de Teologia e Espiritualidade em vários centros de estudo e universidades no Brasil e no exterior, além de professor-visitante nas universidades de Lisboa (Portugal), Salamanca (Espanha), Harvard (EUA), Basel (Suíça) e Heidelberg (Alemanha).Esteve presente nos inícios da reflexão que procura articular o discurso indignado frente à miséria e à marginalização com o discurso promissor da fé cristã gênese da conhecida Teologia da Libertação. Foi sempre um ardoroso defensor da causa dos Direitos Humanos, tendo ajudado a formular uma nova perspectiva dos Direitos Humanos a partir da América Latina, com “Direitos à Vida e aos meios de mantê-la com dignidade”.É doutor honoris causa em Política pela universidade de Turim (Itália) e em Teologia pela universidade de Lund (Suécia), tendo ainda sido agraciado com vários prêmios no Brasil e no exterior, por causa de sua luta em favor dos fracos, dos oprimidos e marginalizados e dos Direitos Humanos.De 1970 a 1985, participou do conselho editorial da Editora Vozes. Neste período, fez parte da coordenação da publicação da coleção “Teologia e Libertação” e da edição das obras completas de C. G. Jung. Foi redator da Revista Eclesiástica Brasileira (1970-1984), da Revista de Cultura Vozes (1984-1992) e da Revista Internacional Concilium (1970-1995).Em 1984, em razão de suas teses ligadas à Teologia da Libertação, apresentadas no livro “Igreja: Carisma e Poder”, foi submetido a um processo pela Sagrada Congregação para a Defesa das Fé, ex Santo Ofício, no Vaticano. Em 1985, foi condenado a um ano de “silêncio obsequioso” e deposto de todas as suas funções editoriais e de magistério no campo religioso. Dada a pressão mundial sobre o Vaticano, a pena foi suspensa em 1986, podendo retomar algumas de suas atividades.››› na cadeira de Galilei GalileuEm 1992, sendo de novo ameaçado com uma segunda punição pelas autoridades de Roma, renunciou às suas atividades de padre e se auto-promoveu ao estado leigo. “Mudou de trincheira para continuar a mesma luta”: continua como teólogo da libertação, escritor, professor e conferencista nos mais diferentes auditórios do Brasil e do estrangeiros, assessor de movimentos sociais de cunho popular libertador, como o Movimento dos Sem Terra e as comunidades eclesiais de base (CEB’s), entre outros.Em 1993 prestou concurso e foi aprovado como professor de Ética, Filosofia da Religião e Ecologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).Em 8 de Dezembro de 2001 foi agraciado com o premio nobel alternativo em Estocolmo (Right Livelihood Award).Atualmente vive no Jardim Araras, região campestre ecológica do município de Petrópolis-RJ e compartilha vida e sonhos com a educadora/lutadora pelos Direitos a partir de um novo paradigma ecológico, Marcia Maria Monteiro de Miranda. Tornou-se assim ‘pai por afinidade’ de uma filha e cinco filhos compartilhando as alegrias e dores da maternidade/paternidade responsável. Vive, acompanha e re-cria o desabrochar da vida nos “netos” Marina , Eduardo, Maira, Luca e Yuri.

É autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Ecologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística. A maioria de sua obra está traduzida nos principais idiomas modernos(fonte: site pessoal).

Êxito!

Acredito que “Vencer na vida”, sob o ponto de vista do pensador moderno não significa somente ter êxito no âmbito profissional ou acumular dinheiro e bens. Eu sei, tá parecendo papo de livro de auto -ajuda…É , mais é muito mais que isso. Ou muito menos; dependendo do ponto de vista de cada um. Todo homem provido de sabedoria sabe que o maior êxito que se pode TER nessa vida está nas coisas mais simples. Alegria, amor, felicidade, paz interior, serenidade, saúde, são coisas que não têm preço e consistem nas maiores benesses ao nosso alcance; gratuitamente.

 Obviamente; uma cômoda situação financeira ajuda. E muito! Mas não é tudo, nem o melhor de todos os êxitos que se pode obter. O dinheiro serve apenas para nos oferecer um suporte para a realização de nossos propósitos e metas, não devendo jamais ser colocado em primeiro plano.Olhe para a natureza, por exemplo. Nela está a maior demonstração da opulência.

Os recursos naturais quando ainda intocados pelo homem são sempre em excesso para atender as demandas do ecossistema ali existente. a natureza é exuberante, extravagante e dadivosa e expressa a infinita riqueza divina em todo o seu esplendor. Vislumbre a grandeza do cosmos e sua infinidade de planetas e estrelas. O universo em que vivemos é uma demonstração nítida da incomensurável riqueza Universal.Há infinita exuberância em sua obra no cosmos. Então; podemos concluir que a riqueza material pode e deve ser desejada. Mas nunca em detrimento das riquezas interiores que são maiores e não se corroem com o tempo. 

O que é mais importante pra você: sua vida ou os bens que você possui?

Pense muito bem para responder tais questionamentos a si mesmo. Deseje obter aquilo que o satisfaz, mas nunca deixe que os seus bens o possua. Você com suas emoções e sentimentos mais nobres é que devem estar no comando. Sempre! Acho que o caminho melhor   consiste na manutenção de atitudes positivas diante da vida.  Obviamente, nem sempre é fácil se manter otimista diante dos acontecimentos que presenciamos, mas isso é estritamente necessário para se entrar em sintonia com a energia  que gera êxito mediante os combates que devemos travar no dia-a-dia e que não são poucas.

Não é nada fácil, mas tenho tentado agir assim ultimamente, parece que comigo as coisas estão voltando ao lugar certo, parece…!

Obrigada!

Feliz Ano  2010 NOVO!