Arquivo | dezembro 2009

Muito Prazer, Adélia Prado…

Tumblr_llvw7jsofj1qayzebo1_500_large

“O transe poético é o experimento de uma realidade anterior a você. Ela te observa e te ama. Isto é sagrado. É de Deus. É seu próprio olhar pondo nas coisas uma claridade inefável. Tentar dizê-la é o labor do poeta.”
(Adélia Prado)

Adélia Luzia Prado de Freitas é natural de Divinópolis/MG, nascida em 13/12/1935.
Casada desde 1958  com José Assunção de Freitas, funcionário do Banco do Brasil S.A., tem 5 filhos: Eugênio, Rubem, Sarah, Jordano e Ana Beatriz.

Adélia diz que:
“Uma das mais remotas experiências poéticas que me ocorre é a de uma composição escolar no 3º ano primário, que eu terminava assim: “Olhai os lírios do campo. Nem Salomão, com toda sua glória, se vestiu como um deles…”.
A professora tinha lido este evangelho na hora do catecismo e fiquei atingida na minha alma pela sua beleza. Na primeira oportunidade aproveitei a sentença na composição que foi muito aplaudida, para minha felicidade suplementar. Repetia em casa composições, poesias, era escolhida para recitá-las nos auditórios, coisa que durou até me formar professora primária. Tinha bons ouvintes em casa. Aplaudiam a filha que tinha “muito jeito pra essas coisas”. Na adolescência fiz muitos sonetos à Augusto dos Anjos, dando um tom missionário, moralista, com plena aceitação do furor católico que me rodeava. A palavra era poderosa, podia fazer com ela o que eu quisesse.”

Professora, começou a escrever em 1950, após a morte de sua mãe, Ana Clotilde Corrêa. Em 1973 forma-se em filosofia, um ano após a morte de seu pai, o ferroviário João do Prado Filho.
Por essa época, entediada de seu próprio estilo, começa a escrever de forma torrencial, dando veios às influencias literárias recebidas das leituras de Drummond, Guimarães Rosa, Clarisse Lispector.

Na opinião de Carlos Drummond de Andrade, “Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: esta é a lei, não dos homens, mas de Deus. Adélia é fogo, fogo de Deus em Divinópolis”.

O que mais chama a atenção na literatura produzida por Adélia Prado é a religiosidade embutida e/ou subentendida em seus textos. Ela trata e retrata as coisas do cotidiano com perplexidade, entendimento e pureza.
Sua obra é atemporal, moderna, transformando em lúdico a realidade descrita, fazendo com que os fatos mais corriqueiros ganhem uma beleza poética de grande extraordinariedade.

Adélia costuma dizer que o cotidiano é a própria condição da literatura. Morando na pequena Divinópolis, cidade com aproximadamente 200.000 habitantes, estão em sua prosa e em sua poesia temas recorrentes da vida de província, a moça que arruma a cozinha, a missa, um certo cheiro do mato, vizinhos, a gente de lá.

“Alguns personagens de poemas são vazados de pessoas da minha cidade, mas espero estejam transvazados no poema, nimbados de realidade. É pretensioso? Mas a poesia não é a revelação do real? Eu só tenho o cotidiano e meu sentimento dele. Não sei de alguém que tenha mais. O cotidiano em Divinópolis é igual ao de Hong-Kong, só que vivido em português.”

Qual a contribuição de Adélia Prado para a literatura brasileira?

Para a época em que sua poesia foi divulgada : a revalorização da identidade feminina, como ser pensante e ser maternal. Aqui, o grande valor desta poeta. Ou seja, Adélia conseguiu conciliar a intelectual com a mãe, esposa e dona-de-casa; ela conseguiu o equilíbrio entre o feminismo ( movimento agressivo) com o feminino (natureza intrínseca).
Em seus poemas, estão muito bem colocadas as figuras masculinas ( pai, marido, filho), sem observamos sinais de conflito, fato este que não se observa nas poetas mais atuais.

 
A característica de sua poética?

Lírica, suave, simples, leve. E com um estilo próprio, diferente de Cecília Meireles (considerada, ainda, o grande expoente feminino da poesia brasileira).

Fonte:http://www.amulhernaliteratura.ufsc.br/

 

Tumblr_lq7witg6f51r1cnjdo1_500_large 

 

 

O que é T.O.C.?

72560623_vyiqsi2d_c_large

 

 

TOC: DOENÇA OU MANIA?

 O TOC, transtorno obsessivo-compulsivo, é um transtorno crônico heterogêneo caracterizado por pensamentos, idéias ou imagens intrusivas, em geral desagradáveis ou ameaçadoras (obsessões), que entram involuntariamente na consciência do individuo causando-lhe sofrimento e ansiedade. Estas obsessões freqüentemente são acompanhadas por atos repetitivos e estereotipados realizados no sentido de aliviá-las.

O TOC na década de 60 era visto como um transtorno mental de prognóstico ruim, e até hoje é confundido, pelas pessoas, com simples manias, classificação que muitas vezes impede que alguns portadores deste transtorno procurem tratamento adequado.

Introdução:

Segundo CID-10, os aspectos essenciais do TOC são pensamentos obsessivos ou atos compulsivos recorrentes. Pensamentos obsessivos são idéias, imagens ou impulsos que entram na mente do individuo repetidamente de uma forma inalterada. Eles são quase invariavelmente angustiantes, e o paciente usualmente tenta, sem sucesso, resistir-lhes. Atos ou rituais são comportamentos estereotipados que se repetem muitas vezes. Eles não são em si mesmo agradáveis, nem resultam na execução de tarefas inerentemente úteis.

Aristides Volpato Cordioli diz que o TOC acomete cerca de 2,5% da população geral, sendo considerado o quarto diagnóstico psiquiátrico mais freqüente. A incidência é maior em classes sociais baixas, entre indivíduos com conflitos conjugais, divorciados ou separados e desempregados. 

Diagnóstico 

Para um diagnóstico definitivo, segundo a CID-10, sintomas obsessivos, atos compulsivos ou ambos, devem estar presente na maioria dos dias por pelo menos duas semanas consecutivas e ser uma fonte de angustia ou de interferência com as atividades.

Os sintomas obsessivos devem ter as seguintes características:

  • Eles devem ser reconhecidos como pensamentos ou impulsos do próprio individuo.
  • Deve haver pelo menos um pensamento ou ato que é ainda resistido, sem sucesso, ainda que possam estar presentes outros aos quais o paciente não resiste mais.
  • O pensamento de execução do ato não deve ser em si mesmo prazeroso.
  • Os pensamentos, imagens ou impulsos devem ser desagradavelmente repetitivos. 

Obsessões

As obsessões são pensamentos ou idéias, impulsos, imagens, cenas, palavras, frases, contagem, dúvidas que invadem a consciência de forma repetitiva, persistente e estereotipada, que o paciente não consegue evitar, seguidos ou não de rituais destinados a neutralizá-los.

Lavar as mãos repetidamente, verificar portas, repetir perguntas, contar, repetir uma palavra, uma frase, uma música, são exemplos claros dessas obsessões.

Os conteúdos relatados pelos pacientes referem-se habitualmente à agressão e à perda de controle, a ferir alguém, a negligência, a ser pouco honesto, aos acidentes, à sexualidade, à religião, à contaminação e às doenças. 

Tratamento

O objetivo do tratamento consiste em mudar o conhecimento do paciente sobre as obsessões, evitar a neutralização e permitir, assim, que os pacientes se habituem com os pensamentos obsessivos. A freqüência e a duração dos pensamentos e o mal-estar causados por eles diminuirá consequentemente.

Neste tratamento os objetivos específicos são:

  • Proporcionar uma explicação adequada das obsessões.
  • Fazer com que o paciente entenda o papel da neutralização na manutenção dos pensamentos obsessivos.
  • Preparar o paciente para a exposição aos pensamentos e às situações que desencadeiam as obsessões.
  • Corrigir, quando necessário, a superestimação do poder e da importância dos pensamentos.
  • Corrigir, quando presente, o exagero das conseqüências de medo especifica associadas ao pensamento.
  • Corrigir, quando presente, o perfeccionismo e a responsabilidade excessiva.
  • Fazer com que o paciente perceba as situações em que está mais vulnerável à recaída.
  • Preparar as estratégias a serem utilizadas quando ocorrer a recaída.

O programa é padronizado e cada paciente recebe todos os componentes do tratamento. Por outro lado, também é individualizado, já que o tipo de exposição, os objetivos da prevenção da resposta e da correção variam de acordo com as características de cada paciente.

Os pacientes recebem normalmente de quatro a cinco meses de tratamento, incluindo cerca de três meses com duas sessões terapêuticas por semana.

Os psicofármacos mais eficazes consistem em antidepressivos que inibem a recaptura da serotonina como a clomipromina, sertralina, paroxetina, fluoxetina e fluvoxamina. Quando adequadamente tratados, pelo menos 2/3 dos pacientes obtêm melhora significativa. 

Considerações Finais:

O TOC é uma doença que apresenta uma fenomenologia rica e diversificada, com infinitas possibilidades de apresentação, o que pode dificultar sua identificação. O grau de critica pode variar entre os pacientes e no mesmo individuo conforme a ocasião.

Podemos constatar neste caso que o TOC é um transtorno no qual se pode obter uma melhora significativa, desde que tenha um bom acompanhamento psicológico, e que siga o tratamento corretamente até o fim. 

Bibliografia: 

CORDIOLI, Aristides Volpato. Psicoterapias: abordagens atuais. 2ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. 

 Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Tradução Dorgival Caetano. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993. 

CABALLO, Vicente E.. Tradução Magali de Lourdes Pedro. Manual para o tratamento cognitivo-comportamental dos transtornos psicológicos: Transtornos de ansiedade, sexuais, afetivos e psicóticos. São Paulo: Livraria Santos Editora Comp. Imp. Ltda., 2003.

Excelente Vídeo de Esclarecimento sobre o TOC!

Tumblr_lq8xmhg4kn1qc5oyvo1_500_large

 

Daniel Taubkin é puro talento !

 

Amigos queridos! O Daniel Taubkin é puro talento e sucesso!

Quer conhecer Daniel Taubkin melhor? Clique!

Um anônimo mandou o vídeo Daniel Taubkin e Banda da Rua – Pescador pra os vídeos do Faustão e a Globo.Com postou.

VAMOS LÁ DÁ UMA OLHADA E VOTAR PRO DANIEL TAUBKIN

É só clicar no link abaixo e conferir!

http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM1122092-7822-DANIEL+TAUBKIN+E+BANDA+DA+RUA+PESCADOR,00.htm

Clarice por Clarice…

 

Temperamento impulsivo

 “Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade. Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. […] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”

 Descoberta do amor

       “[…] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. […] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. […] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.
Pois juro que a vida é bonita.”

Lúcida em excesso

       “Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.”.

Visitem o link da Clarice Lispector

 

Tumblr_lpbpzhrd0f1qagbjfo1_500_large_large