Arquivo | novembro 2009

“Auto-Conhecimento Masculino”

 
 
Durante muito tempo a cultura popular tem passado a imagem de um homem que não coincide com a sua masculinidade. Muitos não sabem o que é ser verdadeiramente homem, ninguém os ensinou. Buscam viver de aparências, fingindo serem íntegros em sua personalidade[ observe, isso não é uma regra…]. Passam parte de suas vidas escondendo-se de si e dos outros, tentando mostrar uma imagem que não lhes pertence , pois não lhe deram a oportunidade de seguir o caminho do auto-conhecimento.
 
A sociedade atual apresenta a figura do homem perfeito como sendo aquele que se dedica ao trabalho, se esforça para ser um empresário famoso no mundo empresarial, que nunca perde, mas sempre ganha nos negócios. Uma máquina ambulante de produção. Isso tem feito com que o homem reprimisse tudo o que vem a ser empecilho para a sua ascenção no campo sócio-econômico, inclusive o seu lado sentimental, dos afetos e da sensibilidade. Diante dessa realidade surge o questionamento: Por quê os homens se tornaram tão vazios de sentimentos e tão superficiais? Tal problema pode ser estudado à luz da psicologia de Carl Gustav Jung.
 
 Para Jung, a personalidade é constituída de várias instâncias que estão em constante tensão, onde uma se opõe à outra. Dentre essas se destacam a anima e animus. A primeira seria a imagem coletiva da mulher presente no inconsciente do homem, levando-o a ter características femininas em sua personalidade. A segunda, pelo contrário, é a imagem masculina presente no inconsciente da mulher. Essas imagens são denominadas arquétipos (conjunto de imagens herdadas de nossos ancestrais) e se encontram no inconsciente coletivo de todo indivíduo. São elas que permitem a identificação do homem coma natureza da mulher e vice-versa.
 
De acordo com Jung “não existe homem algum, tão exclusivamente masculino que não possua em si algo de feminino.”[1] O fato é que, na maioria das vezes, os homens ocultam esta vida afetiva, que em muitos casos é vista como característica própria da mulher. Com isso o homem acredita ser uma virtude reprimir esses traços de sua personalidade. O que ele não sabe é que todo material reprimido não é anulado. Ele é acumulado no inconsciente, podendo retornar ao consciente de outras formas.
 
A repressão da anima pelo homem pode criar no mundo externo a imagem de um homem forte, firme em suas decisões e aparentemente realizado. Entretanto, quando ele se depara com o mundo interior, percebe que existe uma criança delicada, que tem medo de si e dos outros e ao mesmo quer se lançar em busca de uma vida plena, de paixão, ternura e amizade.
 
 Com isso, se percebe que um dos problemas ligados à masculinidade se deve à não aceitação da imagem feminina.
Analisando a formação do homem no contexto da modernidade, fica evidente o desenvolvimento desordenado de sua personalidade. Não ensinaram o menino a ser homem. O fato é que ele cresce dentro de um ambiente onde o método educativo consiste na supressão ou repressão das fraquezas.
 
A sociedade, sobretudo na cultura ocidental, introduziu na cabeça dos meninos que o homem, para provar a sua masculinidade, não podia expressar sentimento algum. O homem-varão não pode chorar, ser carinhoso, dizer palavras dóceis nem ser educado. Ele não pode manifestar características que pertencem às mulheres.
Desse modo, formou-se muitos homens grosseiros, machões, verdadeiros “tanques de guerra”. Homens superficiais que preferem se relacionar com o mundo financeiro da empresa a ousar demonstrar sensibilidade para com os filhos e a esposa. “A maioria esmagadora dos homens é incapaz de colocar-se individualmente na alma do outro”.[2]
O menino que cresce reprimindo a sua anima possivelmente terá problemas no relacionamento com os outros, sobretudo com as mulheres. É perceptível a falta de intimidade presente no relacionamento de homens que sufocam a sua anima.
 
Quem não conhece um modelo de homem assim?
Portanto, é necessário que o homem tenha coragem de se lançar num caminho de maturação e de resgate da sua autêntica masculinidade. O psicólogo austríaco Steve Bidduph em seu livro, Por que os homens são assim? diz que “se existe um primeiro passo a ser dado pelos homens em direção à cura, provavelmente é começarem a ser mais verdadeiros”.[3] Isto é, assumir que da forma que vivem na sociedade não os torna felizes. Aceitar que viver fingindo ser alguém é tolice, e só trará sofrimento para si mesmo. Para Jung o ponto de maturidade da psique humana está na harmonia das várias instâncias.
 
Neste caso, a harmonia entre anima e animus, cuja falta de desenvolvimento de um ou do outro retém o pleno desabrochar da personalidade. É preciso que o homem tome consciência desta” bissexualidade” inata na sua personalidade, ou seja, a presença da natureza feminina, possibilitando assim, seu encontro com a verdadeira masculinidade.
“O homem natural vive em todo homem. Ele é belo e divino. Tem uma enorme energia fundamental e um grande amor pelo mundo. É tão educador, protetor e criador quanto a figura feminina, mas educa, protege e cria a seu jeito masculino. … A tarefa do homem é se conhecer melhor, de modo a aumentar sua contribuição para o mundo e a honestidade para consigo” Asa Baber, em Wingspan.[4]

[1] JUNG, Carl Gustav. Parte II: Anima e animus. Estudos de psicologia analítica. Ed. Vozes. Petrópolis, 1981.p.179, 197.
[2] JUNG, Carl Gustav. Parte III: A técnica de diferenciação entre o eu e as figuras do inconsciente. p.210,363.
[3] BIDDUFH, Steve. Cap. 2: O que saiu de errado. Por que os homens são assim?. Ed.: Fundamento, São Paulo,2003. p.12.
[4] BIDDFH, Steve. Cap.11: O espírito natural dos homens. p. 130

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Estética & Filosofia

Com a ditadura imposta à sociedade de um padrão para o “Belo” fala-se muito da palavra “Estética”. Mas , de fato o que significa esta palavra ?

Estética é a área da filosofia que estuda racionalmente o belo – aquilo que desperta a emoção estética por meio da contemplação – e o sentimento que ele suscita nos homens. A palavra estética vem do grego aesthesis, que significa conhecimento sensorial ou sensibilidade, e foi adotada pelo filósofo alemão Alexander Baumgarten (1714-1762) para nomear o estudo das obras de arte como criação da sensibilidade, tendo por finalidade o belo.

Embora a expressão “estética” tenha uso recente para designar essa área filosófica, ela já era abordada sob outros nomes desde a Antiguidade. Entre os gregos usava-se freqüentemente o termo poética (poeisis) – criação, fabricação -, que era aplicado à poesia e a outras artes. Aos poucos, a estética passou a abranger toda a reflexão filosófica que tem por objeto as artes em geral ou uma arte específica. Engloba tanto o estudo dos objetos artísticos quanto os efeitos que estes provocam no observador, abrangendo os valores artísticos e a questão do gosto.

Contemporaneamente, sob uma perspectiva fenomenológica, não existe mais a idéia de um único valor estético (o belo) a partir do qual julgamos todas as obras de arte. Cada objeto artístico estabelece seu próprio tipo de beleza , ou seja, o tipo de valor pelo qual será julgado. Os objetos artísticos são belos porque são autênticos segundo seu modo de ser singular, sensível, carregando significados que só podem ser percebidos por meio da experiência estética.

*Alguns dados de André Rodrigo Martins
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Carl Gustav Jung

 

 

 

Carl Gustav Jung nasceu em 26 de julho de 1875, em Kesswil, Cantão da Turgóvia, às margens do lago Constança na Suíça, fruto da união do pastor protestante Johann Paul Jung, e da dona de casa Emile Preiswerk, mulher culta que incentivou Jung à leitura do Fausto de Goethe em sua adolescência. Jung, na infância, vivida no campo e em contato com a natureza, desenvolveu uma inclinação para sonhar e fantasiar propiciada pelos livros da tranqüila biblioteca de seu pai, onde leu textos de filosofia e teologia que influenciaram em muito seu trabalho depois de adulto. Quando ingressou nas Universidades de Basiléia e Zurique para estudar medicina, as idéias de Kant e Goethe já nutriam a mente de Jung. Seu razoável conhecimento de filosofia e o entusiasmo daí originado, impulsionaram-no também ao encontro das idéias de Schopenhauer e Nietzsche, que exerceriam posteriormente forte influência sobre a construção de sua Psicologia Analítica, nome escolhido como alternativa à Psicologia Complexa, termo já cunhado por Pierre Janet. Sua graduação veio em 1902, após o que trabalhou na clínica psiquiátrica da Universidade de Zurique, como assistente do professor Eugene Bleuler, mantendo estudos paralelos com Pierre Janet, em Paris. Seu interesse, então, estava voltava-se para a esquizofrenia. No Teste de Associação de Palavras, Jung chegou ao que denominou Complexos, definindo estes como idéias ou representações afetivamente carregadas e autônomas da Psique consciente. O renome internacional conquistado por Jung através destes estudos, conduziram-no a uma colaboração próxima com Freud, que conheceu pessoalmente em 1907. Esta afinidade de idéias entre os dois mestres, no entanto, deteriorou-se com a publicação da Psicologia do Inconsciente, em 1912 (revista em 1916). Com esta obra, Jung declara sua independência da estreita interpretação sexual de Freud com relação à libido, apresentando os paralelos próximos entre as fantasias psicóticas e os mitos antigos, e explicando a existência de uma energia criativa maior (elan vitae) motivadora da mente humana. Neste momento, Jung renuncia à presidência da Sociedade Psicoanalítica Internacional e funda sua própria Escola, incentivado por outros colegas, pacientes e amigos. Jung era contrário à formação de escolas e discípulos, mas cedeu aos apelos de seus seguidores. Jung desenvolveu suas teorias traçando um amplo conhecimento de mitologia (trabalhos em colaboração com Kerensky) e História; recorrendo a diversas culturas de países como México, Índia e Quênia. Os Tipos Psicológicos, nos quais se ocupou do vínculo entre o consciente e o inconsciente, propondo os tipos de personalidade, extroversão e introversão, foram publicados em 1921, num importante e posteriormente bem difundido trabalho. Segundo Jung, o inconsciente coletivo — sensações, pensamentos e memórias compartilhadas por toda a humanidade — compõe-se do que ele denominou, tomando de Platão, “arquétipos”, ou “imagens primordiais”. Estes correspondem às experiências da Humanidade típicas, como enfrentar a morte ou eleger um companheiro, cuja manifestação simbólica encontram-se nos mitos, nas grandes religiões, nos contos de fadas, nas fantasias e na Alquimia, e em especial nas obras de Paracelso e Picco della Mirandola. Confrontando o inconsciente pessoal e integrando-o com o inconsciente coletivo, representado no arquétipo da Sombra Coletiva, Jung sustenta que um paciente pode alcançar um estado de individuação, ou a integridade de um mesmo (O Deus Interior), através da reconciliação dos estados diversos da personalidade, que ele viu divididos não somente em contrários de introversão e extroversão, mas também nas subvariáveis pensamento, intuição, sensação e percepção. Jung escreveu volumosamente sobre metodologia analítica e os laços entre a Psicoterapia e a crença religiosa. Interessou-se muito pela Sincronicidade, pela Alquimia e pelos estados alterados de consciência, a ponto de criar o método de imaginação ativa, surgido logo após a ruptura com Freud, enquanto o crítico e polêmico livro vermelho era por ele escrito. Na teoria psicanalítica de Sigmund Freud, Jung interpretou os distúrbios mentais e emocionais como tentativa de encontrar integridade pessoal e espiritual. Em especial, sua experiência com Psicóticos foi decisiva para a aproximação com Freud, pois o médico havia tido contato tão-somente com neuróticos, basicamente as denominadas Histerias. Carl Gustav Jung faleceu em 06 de junho de 1961, em Kusnacht. Pai da psicologia analítica e visto como um dos grandes expoentes do século XX, deixou contribuições científicas bastante significativas para o estudo e compreensão da alma humana. As questões espirituais, enquanto fenômenos psíquicos, são refletidas em toda sua obra, numerosa e traduzida para diversas línguas.”

Essa biografia de Jung é de Nise da Silveira e foi retirada da página Guardiões do Saber.

 Obrigada Querido Amigo Português Fernando do Blog Nothingandall pelo Selo dado com tanto carinho!

BOL

BILHETE – Mario Quintana…

BILHETE
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…

Mário Quintana

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