Loronix: Amado Maita-(1972)

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Primeiro, único, raro e magnífico álbum lançado pela Copacabana do cantor, baterista, compositor e jornalista paulista Amado Maita, disputado a peso de ouro por colecionadores do mundo todo – nem o próprio artista tinha um exemplar. Gravado em apenas 16 horas, com influências do samba e do jazz, belas letras, melodias brilhantes e uma banda que incluía o sensacional Edison Machado (bateria), Guilherme Vergueiro (piano), Ricardo Pereira dos Santos (baixo), Silas (trombone), Ion Muniz (sax), Antônio Barbosa (violão e arranjos) e Mozar Terra (arranjos). “Samba de Amigo”, “Mariana”, “Gestos”, “Os Mergulhadores”, “Piedade” e “Reflexão”, são algumas das composições que merecem destaque deste LP.Hoje é o aniversário do Amado Maita que está cuidando da música em alguma estrela. Suas sementes aqui já estão germinando lindamente.


Não havia músicos na família de Amado Maita. Porém seu pai, de origem árabe, e sua mãe, de ascendência índia e espanhola, trouxeram musicalidades diversas para dentro de casa. A paixão pela música nasceu da convivência com a Escola de Samba Vai-Vai, dos tempos em que, ainda criança, morava diante da quadra de ensaios, no bairro paulistano do Bexiga – uma influência fundamental em sua música, somada à convivência com sambistas cariocas em excursão a São Paulo, que costumavam esticar as noites no bar da família Maita e ali realizar rodas de samba. Nesse tempo, o Bexiga se tornara um centro de atividade musical que ia muito além do samba. “[…] a comunidade musical de São Paulo centralizou-se no Bexiga. A quantidade de casas noturnas com música brasileira era enorme, e cada uma contratava quatro grupos que se revezavam. Um de choro, um seresteiro, um de ‘sambão’ e um mais sofisticado, com um trio (piano, contrabaixo e bateria), às vezes um sopro e uma cantora, mais para o lado da bossa nova. “Então vocês podem imaginar a quantidade de músicos que ficavam pelos bares ali da Santo Antonio se ‘confraternizando’ nos intervalos, mais os que apareciam para visitar ou procurar serviço. As batidas policiais também eram muito freqüentes. Ali, comecei a trabalhar e a conhecer muitos músicos. Fora os que já citei, que trabalhavam no Chez Regine, conheci o Anunciação, o Nenê, o Paulo Braga, o Robertinho Silva, o Milton Banana, o Mutinho, (bateristas), o Macumbinha (violonista), o Dagmar, (trompetista), o Amado Maita, o Zé das Flores, o Carlinhos Tumbadora, o Mozar Terra, o Tenório Jr., o Mario Edson, o Moacir Zwarg, o Luiz Melo (pianistas), Jorge Oscar, Alex, Waldir, Zé Alves, Carlinhos Monjardim, Pete Wooley, Fogueira, Claudio Bertrami, (contrabaixistas), o querido violonista e arranjador Antonio Barbosa, os também violonistas Manoel da Conceição, o ‘Mão de Vaca’, e o Sidney do Valle, o ‘Palhinha’, o Nivaldo Ornelas, o Nestico Aguiar, o ‘Bauru’, (saxofonistas), o Manezinho da Flauta, Evandro e seu Regional, o Theo da Cuíca, o Dom Bira, o Chacal, os cantores Pedro Miguel, Mauricy Moura, Tião Motorista, Adauto Santos, Ellen Blanco, Germano Mathias, a Leny de Andrade, o Agostinho dos Santos, a Alaíde Costa, Ana Maria Brandão… […] “Os artistas internacionais naquela época se apresentavam no Teatro Municipal e, invariavelmente, depois de suas apresentações iam para lá também ‘confraternizar’ e dar canjas com a gente. “Tive a oportunidade de conhecer Duke Ellington, Sara Vaughan, Erroll Garner, Cannonbal Adderley, Ella Fitzgerald, Dizzy Gillespie, Blue Mitchell e, numa ocasião muito singular, Stevie Wonder, que apareceu no Telecoteco e fez de tudo. Tocou bateria com a gente, cantou, e depois fui com ele e os músicos dele para o Hotel San Raphael, na Avenida São João, ‘confraternizar’ mais um pouquinho até de manhã.” (Guilherme Vergueiro) Nesse meio, Amado Maita fez seu aprendizado, quase inteiramente autodidata. O estudo formal foi curto; aos 15 anos, estudou violão com um professor de nome José Reinaldo e, a partir daí, aprendeu com a vida. A percussão veio intuitivamente dos ensaios da Escola de Samba e acabou abrindo as portas da bateria, que chegou a executar com maestria, e que começou a tocar profissionalmente a partir de 1975, num instrumento presenteado pelo contrabaixista Pete Wooley.

Fonte: Vinil velho


Daniel Taubkin & Special Guests performing:
“Passa Essa Bola!”(in memory of Amado Maita, Pete Wooley & Mozar Terra)
music by Daniel Taubkin/ lyrics by Luisa Maita and Daniel Taubkin

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6 pensamentos sobre “Loronix: Amado Maita-(1972)

  1. Parabéns em recordar de um artista completo que se foi tão cedo.

  2. Amado Maita MARCOU ÉPOCA e poderia ter nos dado muito mais. Uma pena perde-lo tão jovem.

  3. Elisabete
    Querida amiga,não conhecia este grande músico. Obrigada pela oportunidade.beijos

  4. BETINHA
    SEU BLOG ME DEIXA BOBA…DELICIOSO DE NAVEGAR !
    E QUE MUSICOS!
    MARAVILHOSOSSSSSSSSSSSSSS

  5. Oi, saudações a todos ! Que 2012 seja de muita saúde e harmonia ! Sou Dagmar Silveira, filho do trompetista Dagmar M. SIlveira citado logo acima, e gostaria de conhecer músicos e pessoas que conheceram meu pai, sou compositor e tenho algumas músicas e gostaria de gravar algo… abraços !

    Obs. No e-mail estou como “Johnny Smiths”.

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