Imutável Essência?

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Parece comm nos depararmos com rostos tristes em nosso cotidiano. Se prestarmos atenção com maior empatia na criança que está passando ao nosso lado no farol fechado, na senhora que leva seus pães para casa, no jovem que ouve seu player de mp3, podemos reparar uma sutil nuance que percorre os sulcos dos rostos destas pessoas. Há uma sensação de perda, de comoção, de dúvida sobre o que está por vir. Dificilmente alguns conseguem disfarçar tal impressão com um caminhar um pouco mais rápido, um chiclete entre os dentes ou um celular. Embora o resultado eventualmente venha à tona na forma de uma dúvida sobre que caminho tomar ou qualquer outro detalhe funesto. Mas por que a tristeza?
Talvez seja uma sensação mesquinha de falta de esperança, de ansiedade, de compaixão por quem não se pode ajudar, enfim. Razões se mesclam numa apoteose de dor e medo. As pessoas não parecem mais confiantes do que foram algum dia. O menor descuido revela nossa impressão nos outros. Será verdade?
Por que se manter ocupado com a tristeza quando há muito para celebrar? Não quero dizer com isso que é válido o argumento de que existem duas formas de encarar a tristeza: ou você a vê ou você a ignora. Ele é contundente enquanto definidor de sensações, mas podemos apagar de nossas mentes as comoções não interpretadas?
Parece inevitável fazer as pessoas deixarem de sentir tristeza. Somos bombardeados por eventos drásticos pela nossa mídia constantemente. São mortes, tragédias, falências, acidentes devidamente categorizados nos telejornais da manhã, meio-dia e noite. Como evitar de sentir tristeza?
Pior que sentir tristeza é lembrar-se dos eventos tristes. Você consegue entender porque seu cérebro guarda lembranças estúpidas enquanto lembranças importantes de eventos que pareciam marcar sua vida não fazem parte de seu acrevo com frequência? Talvez nosso cérebro aja com maior perspicácia que nós mesmos enquanto conscientes. Há uma seleção de lembranças associadas a eventos individuais que nos marcaram por alguma emoção, seja ela feliz ou trsite, mas principalmente, por ser única… Lembranças dos sapatos que usávamos na infância, dos doces que nossas avós faziam, da voz de nossa professora, do nosso primeiro bichinho de estimação, das brincadeiras na rua com nossos vizinhos ou primos. Entretanto não lembramos com detalhes de eventos como casamentos, batismos, formaturas. Talvez pela falta de individualidade desses eventos para nossas mentes. Não se trata de egoísmo. Trata-se de sobrevivência. Essas lembranças constroem nossa personalidade com o passar dos anos. Reunimos lembranças que servirão de base para  comparações futuras com nossas próximas percepções. São figuras comparativas de um passado que um dia nos trouxe um sentimento de exclusividade. Esses pequenos moldes são aos poucos preenchidos com outros elementos que incluem novas pessoas, novos conceitos e desejos que passarão a fazer parte de nossa mente complexa e bela. Somos frutos hoje de um processo que evoluiu às custas de sentimentos e fatos.
Entretanto parece que continuamos a nos ocupar de tristeza. Se dúvida, faça uma análise você mesmo.A grande maioria não estará lembrando das partes felizes de nossa rebuscada imaginação, mas das mágoas que povoam o espírito.
Podemos nos tornar felizes, não ignorando a tristeza ou nossas preocupações (um conceito que se aproxima muito da imprudência), mas permitindo que as impressões infelizes encontrem comparativos com as lembranças que realmente importam. Um sábio amigo uma vez me disse: Bete, se você quer saber se uma coisa merece sua tristeza, pense dessa forma “qual será a consequência disso daqui a um ano”? Confesso que é um raciocínio válido, embora um pouco displicente. Mas eu agradeço até hoje pela idéia.
Somos ricos de uma matéria evolutiva de raciocínio, onde sorrisos se encontram com caras raivosas e medíocres. Cabe à nossa impressão concebida ao longo desses anos destrinchar os efeitos de cada sensação e absorver em nossa mente o que realmente convém. Isso me traz à tona uma cena inesquecível que vi há 4 anos, mas desde então nunca me saiu da cabeça. Eu estava  triste após ter batido meu carro, lamentando a hora em que sai de casa. De repente um ônibus parou próximo a um supermercado e desceu um pequeno menino só. Olhei e avistei um garotinho se aproximar do meio fio para cruzar a rua. Ele parecia disperso, mas quando se aproximou da rua, olhou para sua mãe  que o esperava do outro lado, mudou sua expressão de tal forma que pude contemplar certo brilho em seu olhar. Ela o olhou de volta e apertou suavemente sua mão. Ele retribuiu o gesto deslocando seu rosto em direção ao corpo de sua mãe e levando o dedo de sua outra mão à boca. Sentiu segurança para ultrapassar. Naquele momento, ela era a referência para ele. base de uma segurança que iria se firmar na sua personalidade de um homem independente que iria se tornar um dia . A heroína base que não o abandonaria nos momentos difíceis. Tudo isto estava visivelmente exposto em seu olhar. Sem mistérios, sem disfarces,eu me senti feliz, e pude constatar em ação tudo o que ouvia sentada confortavelmente na Faculdade. Nossa Essência é fundamentalmente construida na nossa infâcia.    Às vezes me pego dirigindo  o carro na rua ,pensando em meus problemas. Chego para ultrapassar algum carro  e então me lembro do garotinho. Naquele momento me sinto feliz por ele e por mim, ao lembrar do fato de poder manter a felicidade e esperança estampada em meu rosto… Principalmente por ser humana, por ser resultado de todas essas transformações que me levaram até onde estou. A partir de então, a tristeza era apenas uma opção distante…Não acredito que nossa essência é imutável, isso não…Sempre podemos melhorar…
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5 pensamentos sobre “Imutável Essência?

  1. BETE

    VOCÊ SEMPRE ESCREVE COM COERÊNCIA E BASE. tUDO QUE EXPRESSA É A BASE DE UMA CONCEPÇÃO PSICOLOGICA!
    PARABENS

  2. Elisabete

    Gostaria que nos procurasse para conversarmos sobre alguma palestra ou ate mesmo algum trabalho. Venho acompanhando seus textos e realmente é a pessoa indicada para o que queremos.
    Procure-nos no Restaurante Natural “Grão de Arroz” na Mouraria,caso prefira ligue antes.

  3. PARABÉNS COLEGA QUERIDA.
    VOCÊ É UMA DOCE,FIEL E VERDADEIRA PESSOA DO BEM. MAIS NÃO PISEM NO CALO DESTA LOURA NÃO KKKKKKKKKKKKKKKKK
    ELA VIRA UMA ONÇA!!!!
    SEU TEXTO TA LINDO!

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