Arquivo | outubro 2009

Danger Bullying!


Como trabalho na área educacional tem me chegado vários casos de Bullying ,  a palavra “Bully” é de origem inglesa e significa “valentão”. Grande parte das pessoas confunde ou tende a interpretar o bullying simplesmente como a prática de atribuir apelidos pejorativos às pessoas, associando a prática exclusivamente com o contexto escolar. No entanto, tal conceito é mais amplo,o bullying se caracteriza por ser algo agressivo e negativo, executado repetidamente e que ocorre quando há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas. Desta forma, este comportamento pode ocorrer em vários ambientes, como escolas, universidades, no trabalho ou até mesmo entre vizinhos. Basicamente, a prática do bullying se concentra na combinação entre a intimidação e a humilhação das pessoas, geralmente mais acomodadas, passivas ou que não possuem condições de exercer o poder sobre alguém ou sobre um grupo. Em outras palavras, é uma forma de abuso psicológico, físico e social. No ambiente de trabalho, a intimidação regular e persistente que atinge a integridade e confiança da vítima é caracterizada como bullying. Entre vizinhos, tal prática é identificada quando alguns moradores possuem atitudes propositais e sistemáticas com o fim de atrapalhar e incomodar os outros. Falando especificamente do ambiente escolar, grande parte das agressões é psicológica, ocasionada principalmente pelo uso negativo de apelidos e expressões pejorativas. No entanto, as práticas do bullying no ambiente escolar também se referem às agressões de caráter físico. Um dos casos mais chocantes de bullying escolar foi o de Curtis Taylor, um aluno do oitavo ano de uma escola secundária em Iowa, Estados Unidos. Curtis foi vítima do bullying durante três anos consecutivos: era espancado nos vestiários da escola, suas roupas eram sujas com leite achocolatado e seus pertences, vandalizados. Curtis não resistiu ao sofrimento e humilhação e suicidou em 1993. Este não foi um caso isolado. Na década de 90, os Estados Unidos se depararam com uma onda de tiroteios em escolas, realizados por alunos que se intitulavam vítimas da prática. Depressão, ansiedade, estresse, dores não-especificadas, perda de auto-estima, problemas de relacionamento, abuso de drogas e álcool são os principais problemas associados ao bullying. Ajude denunciando…

O Preservativo das Meninas

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Já experimentou usar a camisinha feminina ? Saiba que este tipo de preservativo é um método eficaz de proteção contra doenças sexualmente transmissíveis, AIDS e gravidez indesejada.

Ela pode ser usada por todas as mulheres com vida sexual ativa, colocada antes da relação e retirada logo após. 

O preservativo feminino pode ser de látex ou de poliuretano, um tipo de plástico 40% mais resistente e hipoalergênico (causa pouca alergia). E, segundo meu ginecologista Gabriel Fernandes, pode ser mais eficaz na prevenção de gravidez e DSTs, quando utilizado de forma correta. “A camisinha fica mais quieta na vagina do que no pênis. Ela o recebe no ato sexual sem se movimentar”, afirma o ginecologista.

Apesar da aparência estranha, ela é uma ótima opção para quem sente dor durante o ato sexual, pois já vem lubrificada. Na extremidade fechada da camisinha existe um anel flexível e móvel que serve de guia para a colocação da camisinha no fundo da vagina. A borda do outro extremo termina em outro anel flexível, que vai cobrir a vulva (parte externa da vagina).

 Veja o modo correto de colocar o preservativo feminino. “A mulher deve estar deitada na hora de colocá-lo. Ele é introduzido com três dedos. Com os dedos polegar, indicador e o terceiro, ela pega a camisinha e introduz o anel inferior com o indicador dentro da vagina até chegar ao fundo. Quando perceber que ele se adaptou ao fundo do órgão sexual, tire a mão, abre o anel e o adapta no meio da vagina”.

De acordo com meu ginecologista, não tem como errar. Caso a camisinha feminina fique um pouco fora do lugar, o próprio pênis a arrumará durante o ato. O mais importante é conhecer a anatomia da vagina na hora de utilizá-la e sempre consultar um ginecologista. Não custa nada experimentar para ver se você consegue se adaptar.

Como usar?

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Paixão pelas Letras !

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Quem me acompanha aqui no blog ,sabe dá minha paixão pela literatura, sou uma convicta apaixonada pelas letras…as sílabas me seduzem realmente.Quando tinha uns 18 anos entrei numa oficina literária. De contos, pelo que me lembro, mas nem cheguei a escrever ou mostrar nada. Na primeira aula o professor saiu arrotando um autoritarismo e não voltei mais. Com aquela idade eu não deveria estar ali, ele praticamente falou. Com aquela idade eu não sabia nada de literatura e não estava à altura da aula dele, seu olhar dizia. Pediu para cada aluno se apresentar e todos se disseram escritores. Eu me espantei e retraí: disse que queria aprender. Perguntou para mim o que eu gostava de ler e falei Kafka, estava lendo muito Kafka naquela época, e continuei com um outro autor, brasileiro. Mas para o professor eu deveria ter ficado calada. No que eu disse o nome desse escritor brasileiro que eu estava lendo – livro na mochila, inclusive, que não mostrei – o professor fez um muxoxo e disse que aquele não era um escritor de verdade. Por um tempo eu não entendi a raiva contida naquele muxoxo, o azedume do comentário, o esgar que, em peso dramático, foi quase um cuspe no chão ao ouvir o nome. Agora entendo: inveja; picuinhas; grupos literários. Aquele professor já passando dos 50 com uma raiva infantil de molecote mimado que não ganhou um parabéns da tia na redação. Lembro sempre dessa história , quando Inácio de Loyola Brandão venceu o Jabuti de melhor livro de ficção do ano. Era ele o escritor maldito. E o livro na mochila era justamente Dentes ao sol, que hoje,Loyola diz que é seu livro predileto, pelo qual gostaria de ser lembrado,ao ler que Loyola tinha vencido o Jabuti daquele ano lembrei daquele professor, daquela oficina, e sorri.

“…Agora, escureceu totalmente, não acendo a luz, cochilo um pouco, acordo assustada. E se meu marido chega e me vê com a carta? Dobro, recoloco no envelope. Vou à despensa, jogo a carta na cesta de natal, quero tomar um banho. Hoje é sexta-feira, meu marido chega mais tarde, passa pelo clube para jogar squash. A casa fica tranqüila, peço à empregada que faça omelete, salada, o tempo inteiro é meu. Adoro as segundas, quartas e sextas, ninguém em casa, nunca sei onde estão as crianças, nem me interessa. Porque assim me deito na cama (adolescente, escrevia o meu diário deitada) e posso escrever outra carta. Colocando amanhã, ela me será entregue segunda. O carteiro das cinco traz. Começo a ficar ansiosa de manhã, esperando o momento dele chegar e imaginando o que vai ser de minha vida se parar de receber estas cartas…”

Trecho do Conto “Obscenidades para uma dona-de-casa”, leia todo!


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Loronix: Amado Maita-(1972)

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Primeiro, único, raro e magnífico álbum lançado pela Copacabana do cantor, baterista, compositor e jornalista paulista Amado Maita, disputado a peso de ouro por colecionadores do mundo todo – nem o próprio artista tinha um exemplar. Gravado em apenas 16 horas, com influências do samba e do jazz, belas letras, melodias brilhantes e uma banda que incluía o sensacional Edison Machado (bateria), Guilherme Vergueiro (piano), Ricardo Pereira dos Santos (baixo), Silas (trombone), Ion Muniz (sax), Antônio Barbosa (violão e arranjos) e Mozar Terra (arranjos). “Samba de Amigo”, “Mariana”, “Gestos”, “Os Mergulhadores”, “Piedade” e “Reflexão”, são algumas das composições que merecem destaque deste LP.Hoje é o aniversário do Amado Maita que está cuidando da música em alguma estrela. Suas sementes aqui já estão germinando lindamente.


Não havia músicos na família de Amado Maita. Porém seu pai, de origem árabe, e sua mãe, de ascendência índia e espanhola, trouxeram musicalidades diversas para dentro de casa. A paixão pela música nasceu da convivência com a Escola de Samba Vai-Vai, dos tempos em que, ainda criança, morava diante da quadra de ensaios, no bairro paulistano do Bexiga – uma influência fundamental em sua música, somada à convivência com sambistas cariocas em excursão a São Paulo, que costumavam esticar as noites no bar da família Maita e ali realizar rodas de samba. Nesse tempo, o Bexiga se tornara um centro de atividade musical que ia muito além do samba. “[…] a comunidade musical de São Paulo centralizou-se no Bexiga. A quantidade de casas noturnas com música brasileira era enorme, e cada uma contratava quatro grupos que se revezavam. Um de choro, um seresteiro, um de ‘sambão’ e um mais sofisticado, com um trio (piano, contrabaixo e bateria), às vezes um sopro e uma cantora, mais para o lado da bossa nova. “Então vocês podem imaginar a quantidade de músicos que ficavam pelos bares ali da Santo Antonio se ‘confraternizando’ nos intervalos, mais os que apareciam para visitar ou procurar serviço. As batidas policiais também eram muito freqüentes. Ali, comecei a trabalhar e a conhecer muitos músicos. Fora os que já citei, que trabalhavam no Chez Regine, conheci o Anunciação, o Nenê, o Paulo Braga, o Robertinho Silva, o Milton Banana, o Mutinho, (bateristas), o Macumbinha (violonista), o Dagmar, (trompetista), o Amado Maita, o Zé das Flores, o Carlinhos Tumbadora, o Mozar Terra, o Tenório Jr., o Mario Edson, o Moacir Zwarg, o Luiz Melo (pianistas), Jorge Oscar, Alex, Waldir, Zé Alves, Carlinhos Monjardim, Pete Wooley, Fogueira, Claudio Bertrami, (contrabaixistas), o querido violonista e arranjador Antonio Barbosa, os também violonistas Manoel da Conceição, o ‘Mão de Vaca’, e o Sidney do Valle, o ‘Palhinha’, o Nivaldo Ornelas, o Nestico Aguiar, o ‘Bauru’, (saxofonistas), o Manezinho da Flauta, Evandro e seu Regional, o Theo da Cuíca, o Dom Bira, o Chacal, os cantores Pedro Miguel, Mauricy Moura, Tião Motorista, Adauto Santos, Ellen Blanco, Germano Mathias, a Leny de Andrade, o Agostinho dos Santos, a Alaíde Costa, Ana Maria Brandão… […] “Os artistas internacionais naquela época se apresentavam no Teatro Municipal e, invariavelmente, depois de suas apresentações iam para lá também ‘confraternizar’ e dar canjas com a gente. “Tive a oportunidade de conhecer Duke Ellington, Sara Vaughan, Erroll Garner, Cannonbal Adderley, Ella Fitzgerald, Dizzy Gillespie, Blue Mitchell e, numa ocasião muito singular, Stevie Wonder, que apareceu no Telecoteco e fez de tudo. Tocou bateria com a gente, cantou, e depois fui com ele e os músicos dele para o Hotel San Raphael, na Avenida São João, ‘confraternizar’ mais um pouquinho até de manhã.” (Guilherme Vergueiro) Nesse meio, Amado Maita fez seu aprendizado, quase inteiramente autodidata. O estudo formal foi curto; aos 15 anos, estudou violão com um professor de nome José Reinaldo e, a partir daí, aprendeu com a vida. A percussão veio intuitivamente dos ensaios da Escola de Samba e acabou abrindo as portas da bateria, que chegou a executar com maestria, e que começou a tocar profissionalmente a partir de 1975, num instrumento presenteado pelo contrabaixista Pete Wooley.

Fonte: Vinil velho


Daniel Taubkin & Special Guests performing:
“Passa Essa Bola!”(in memory of Amado Maita, Pete Wooley & Mozar Terra)
music by Daniel Taubkin/ lyrics by Luisa Maita and Daniel Taubkin

O que é Endometriose?

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Olha ,quando vou a algum médico sei que sou daquelas pacientes que perguntam tudo. Até agora nunca reclamaram, porém acho que tenho direito de tirar minhas dúvidas. Já tive algumas amigas que iam trabalhar se torcendo de dor, quando perguntava diziam que era a Endometriose, na época pesquisava e tirava algumas dúvidas. Mais nada como um profissional para nos explicar de maneira mais resposável o que é a ENDOMETRIOSE?

A endometriose ataca milhões de mulheres no mundo inteiro de maneira progressiva. “Endometriose é a presença de endométrio (tecido que reveste o útero) fora do seu local normal de implantação. Ele pode se localizar em qualquer parte do abdômen, como na superfície do ovário, dentro do ovário e até no peritônio”,  me explicou o doutor Gabriel Fernandes, ginecologista da Sociedade Brasileira de Endometriose.

A doença, que costuma atingir mulheres entre 15 e 35 anos (fase chamada de idade reprodutiva) e com menstruação regular, pode causar infertilidade quando chega a um estágio elevado. “Uma das teses sobre o seu aparecimento, que prevalece desde 1927, é a teoria do refluxo menstrual. Ou seja, fragmentos do endométrio que se destacaram, refluem por dentro das trompas de uma forma retrógrada, caindo dentro do abdômen e ali se implantando e desenvolvendo”, Se o organismo não consegue eliminar este sangue armazenado, surge a endometriose.

 A partir dos anos 80, algumas pesquisas apontaram que ela pode aparecer devido a alterações do sistema imunológico. Essa parte do corpo é responsável pelo mecanismo de defesa do organismo e está diretamente ligada ao sistema nervoso central, responsável pelas emoções do indivíduo. Quando algumas sensações negativas chegam ao sistema nervoso central, como estresse, pânico, cansaço e preocupação, o imunológico diminui seu funcionamento e abre espaço para doenças físicas. Por isso, ela é considerada uma “doença desagradável”. Os sintomas aparecem durante o período menstrual e são fáceis de identificar: dores para evacuar e urinar, cólicas e dores nas relações sexuais.

A falta de tratamento da doença pode levar à infertilidade. Já as causas ainda não são bem definidas. O método mais eficaz para identificar o problema é a biópsia feita durante a videolaparoscopia, que consiste na introdução de instrumentos cirúrgicos através de pequenos orifícios do abdômen. A incisão é feita abaixo do umbigo e a presença de uma microcâmera possibilita reconhecer a doença, seu estudo anatomopatológico e o grau de estágio, que varia de mínima a severa. Segundo Gabriel Fernandes, esse é o melhor tratamento da endometriose, em qualquer estado que esteja. Além de diagnosticar, ele classifica e trata da melhor forma até mesmo as mais profundas, que se localizam nos órgãos da pelve. “Todas as vezes que uma mulher for menstruar, esse tecido que está fora do seu local normal responde e se comporta como o endométrio normal durante a menstruação, ou seja, ele necrosa e sangra. Com isso, surge o quadro de dor pélvica, que alcança níveis de intensidade muitas vezes insuportáveis, mesmo com uso de medicamentos”, afirma o especialista.

 Os tratamentos que têm capacidade de suspender a menstruação por tempo indeterminado são grandes coadjuvantes na prevenção do problema. “Pode ser feito o bloqueio menstrual com o uso da pílula anticoncepcional em caráter contínuo. Mesmo as que já têm a doença, podem ser adeptas a esse método, pois assim o endométrio não descama e não há refluxo. Os sintomas tendem a diminuir diante da pílula”, indica o ginecologista. Para as mulheres que apresentam o problema, é importante impedir seu avanço. Até agora, não foi descoberta nenhuma cura definitiva para a endometriose. Porém, ela não pode levar à morte. “O diagnóstico precoce em meninas adolescentes é a melhor forma de tratamento. Diante de dores consecutivas e fortes, a mulher deve procurar um médico.

 Em casos mais sérios, além da infertilidade, a doença pode causar a destruição de órgãos pélvicos, como bexiga e intestino. Neste caso, o problema necessita de cirurgias extremamente complexas, cujos resultados são ainda incertos”, afirma Gabriel Fernandes.

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#Observação : Estas manchas vermelhas mais escuras são fragmentos do endométrio que não foram expelidas com a menstruação.

 

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VAI NO PSICÓLOGO!!!


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A expressão “é psicológico”, “é emocional” ou “é psicossomático” está na boca do povo. Médicos costumam utilizá-la com frequência. É fato comum: você vai ao médico e ele pede uma série de exames. Não conseguindo encontrar evidências fisiológicas ou orgânicas relacionadas aos males que você apresenta, não hesita, solta logo seu veredicto sagrado: “seu problema é de origem psicológica”.
Alguns encaminham o paciente para um psiquiatra. Outros recomendam psicoterapia. E esses pacientes aparecem em nossos consultórios. E, não muito raro, têm expectativas médicas e até mecânicas em relação à solução de seus problemas. Geralmente esperam que a solução virá de um conserto aqui e outro ali, ou de um medicamento que logo apagará tudo o que lhe tem feito padecer. Pode-se dizer que, nesses casos, muitas vezes o médico passa a batata quente para as mãos do psicólogo. Pois o paciente chega até nós bastante ansioso em relação à solução imediata de problemas que nem mesmo se tem certeza sobre sua possível causalidade. Dizer ao paciente que é psicológico possui talvez alguns sentidos que seria interessante tratar aqui. O que um médico está fazendo quando enuncia isso a seu paciente? Está de fato apontando a causa dos problemas desse paciente e lhe indicando o melhor caminho ou tratamento a ser seguido? Na minha concepção não está apontando causa nenhuma. O enunciado “é psicológico” é muito vago para poder ser considerado científico. Se tivéssemos que tornar esta comunicação mais precisa, seria mais interessante comunicar ao paciente que ele deveria procurar profissionais de outras áreas, psiquiatras e psicólogos, por exemplo, para continuar a investigação das possíveis causas de seu problema de saúde.

Não deixo de me lembrar de algumas considerações acerca desse tipo de interações com médicos. Em um determinado episódio da série de televisão “House, M.D.”, o protagonista diz mais ou menos assim: “Quando um médico diz que seu problema é psicológico é porque ele é um idiota e não descobriu as causas”. Apesar de ofensiva, esta fala chama a atenção para um fato: o que muitos médicos estão fazendo quando emitem esse enunciado tão genérico a seus pacientes? Estão, muitos deles, tentando esconder de seu paciente sua incapacidade ou limites para saber o que está acontecendo? Não são capazes de dizer: “sinto muito, mas não sei o que você tem”? Por que tudo, no meio médico, tem de terminar com uma espécie de veredicto, com um diagnóstico categórico? Outra passagem da qual me recordo é de Susan Sontag, em seu livro “A doença como metáfora”. Ela diz que se ouvir de seu médico que seu problema é psicológico, se isto ocorrer, peça seu dinheiro de volta. E há como ter esta segurança toda, enunciando que o problema é “psicológico”?

Tem como simplesmente transferir o problema para psicólogos e psiquiatras? Penso que não é tão simples assim. Alguns médicos, nessas situações, estão mais tentando se livrar do problema e de assumir seus limites do que trabalhando para de fato tentar descobrir o que está acontecendo. Assumir seus limites e deixar claro que estão compartilhando a investigação com outros profissionais talvez seja uma devolutiva mais profissional. Neste mesmo livro, Sontag deixa claro os equívocos históricos que já ocorreram em função dessa atribuição espúria de causalidade. Os exemplos mais notórios são a tuberculose e as úlceras estomacais, sendo que o segundo exemplo é bem recente – só para não nos esquecermos desse tipo de equívoco. No caso da tuberculose, antes da descoberta de sua verdadeira causa, a bacterial, eram atribuídas a ela, também, causas psicológicas. No caso das úlceras estomacais, é bem mais fácil de se compreender o cenário, pois o papel etiológico significativo de um agente microbiano (a Helicobacter pylori) rendeu até mesmo um Prêmio Nobel de Medicina em 2005. Ou seja, há evidências, na história, da repetição do misticismo de que esta ou aquela doença é “psicológica”. É muito mais fácil atribuir uma causalidade vaga do que investigar de fato o que pode estar acontecendo, com abertura para todas as possibilidades factíveis. Não estou também, por outro lado, querendo apagar os componentes comportamentais ou interacionais de nossa saúde. Se há a possibilidade desses componentes estarem exercendo sua influência de modo mais determinante, eles devem ser investigados com mais precisão. Há um argumento de Skinner que talvez ajude a compreender essa questão da causalidade.

Em seu livro “Ciência e comportamento humano”, mais especificamente no capítulo 3, ele defende que toda causa é sempre externa e que a atribuição de causas internas a nossos comportamentos não teria qualquer função explicativa. Se um sujeito, por exemplo, está bebendo água com uma frequência alta e perguntarmos o por quê desse comportamento, geralmente teremos a seguinte resposta: bebe água porque está com sede. E assim acabamos ficando reféns de uma explicação circular: bebe água porque tem sede, logo tem sede porque bebe água. E isso não nos leva a lugar algum, a qualquer possibilidade concreta ou precisa de resolução do problema. Se, por outro lado, pensarmos em possíveis causas concretas, teremos algo mais palpável, mais razoável como hipóteses. O sujeito bebe muita água pois pode estar com uma dieta muito salgada; pode estar transpirando bastante, devido a altas temperaturas; pode estar com alguma disfunção orgânica, tal como diabetes, por exemplo. Enfim, essas são hipóteses mais precisas e menos vagas. E isto é investigar, de fato.

Quando alguém diz que é “psicológico”, podemos logo então perguntar: psicológico como, de que maneira? O que este sujeito faz para que assim o seja? Qual é precisamente sua participação? Que tipos de interações ou comportamentos, especificamente, podem ser determinantes? E até que ponto dizer que é psicológico também pode piorar a situação, em vez de ajudar? Sim, pode haver casos em que a pessoa, ao ouvir um enunciado vago desses, venha a se sentir culpada por coisas que nem mesmo lhe dizem respeito. Para tornar isso mais claro, vamos a um exemplo bem prático. Uma conhecida minha padeceu durante meses de coceiras nas costas. Foi de médico em médico, fez diversos exames, e ouvia sempre o quê? “Isso é psicológico…”. Um belo dia, ela teve uma idéia muito simples: trocaria de marca de sabonete. Assim o fez e as coceiras desapareceram, por completo. E aí me pergunto: onde esses médicos vão colocar essa conversa banal e reducionista de que “é psicológico” depois de uma dessas? E vamos supor que ela começasse a se sentir responsável por seus sintomas de um modo bastante difuso e comum: “ah, tenho coceiras nas costas, pois sou uma pessoa que carrega rancores, que não sabe perdoar, de ruindade mesmo…”. Enfim, com todo um desfile de superstições modernas, psicologizantes. Sim, pois todo o desespero em atribuir sentidos ou causas, gerando equívocos, é superstição.

É mais fácil nomear logo, encontrar uma pseudocausa para nossos problemas do que a investigação e ponderação razoável sobre o que de fato pode estar acontecendo. E assim também talvez não seja muito difícil desembocarmos em lugares comuns os quais afirmam uma série de outras besteiras atuais, tais como a força do pensamento positivo, por exemplo. Tudo pode, dessa maneira, terminar em algumas idéias pobres e comuns de que tudo depende de nossas crenças, do poder de nossa mente para mudar o que se encontra em nossa volta e por aí vai. Ou seja, se é psicológico, a responsabilidade é inteiramente sua. Logo, além de doente, você ainda terá motivos, obtusos, de sobra, para se sentir também culpado. Um fardo e uma ilusão a mais, e muita investigação a menos.

Fonte:

14 Oct 2009

Adriano Facioli

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LISA HOKE ART

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Olhando este efeito tão bacana na parede nem dá pra desconfiar que são copinhos plásticos sujos de tinta, descartáveis ,resto de papéis plásticos coloridos e que provavelmente seriam jogados no lixo, mas que colocados harmonicamente juntos se tornaram uma arte muito interessante de se ver. Aliás, tem muita coisa bacana com material bem inusitado. Show de bola!Cor pura, alegria pura e raramente são tão próximos como estão em  Lisa Hoke, Lisa’s The Gravity of Color, New Britain (2008).  Montado no local neste museu Connecticut e programada para permanecer até 2010, o mosaico monumental de milhares de copos de papel e plástico é centrada em um alto muro ao lado de uma janela do chão ao teto, embora se espalha para uma parede adjacente e pula a janela para uma terceira parede do outro lado. O quarto de uma série de instalações, que começou na Addison Gallery of American Art em Andover em 2005 e tem crescido mais e mais ousadas com cada encarnação, é um tipo de matiz full-throated. 

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Fonte: http://www.elizabethharrisgallery.com/lh.html