LIMITES HUMANOS?

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Na fronteira da insanidade
O indivíduo não é neurótico e nem psicótico, mas vive em uma linha sutil entre esses dois estados e a normalidade. Freqüentemente é confundido com o depressivo, mas na verdade sofre de transtorno de personalidade borderline

 

Como tudo começa
O transtorno se forma provavelmente a partir da combinação de três fatores: a própria constituição da pessoa, a dinâmica familiar e o meio social. Segundo a psicóloga Vanda Di Iório, algumas crianças exigem muita atenção por parte de seus cuidadores, que podem não estar preparados para tal demanda e responder de forma insatisfatória a essa vulnerabilidade do bebê.Esse desencontro pode desencadear níveis primários e altos de insatisfação antes que o indivíduo tenha desenvolvido um aparelho psíquico para tolerar seus impulsos agressivos, o que gera os sentimentos paradoxais sempre presentes no borderline: raiva, agressão e medo de abandono. “O doente quer ser livre para fazer o que tem vontade, ao mesmo tempo em que deseja ser cuidado e protegido. Esse conflito aparece desde cedo e é reforçado pela ambivalência familiar, que dessa forma não é capaz de ajudar a criança a desenvolver habilidades para regular a experiência e a expressão de seus afetos.Essa interação inadequada ao longo dos anos cria seqüelas que interferem de forma distorcida na percepção de si e do mundo. E como ela se organiza emocionalmente em função dessas percepções, dá para entender por que cresce tão confusa”, explica a especialista. O distúrbio pode dar os primeiros sinais na adolescência, mas é bem difícil distingui-lo, já que o próprio adolescente é rebelde e vive uma crise-limite, muitas vezes com comportamento ‘autodestrutivo’. Em geral o diagnóstico é feito a partir dos 20 anos ou bem mais tarde. 

 

Abandono: o medo maior
Alguns borderlines ameaçam cometer suicídio, enquanto outros se machucam com freqüência, cortando-se ou queimando-se. “Na maioria das vezes, eles não querem se matar e sim sentir uma dor física mais intensa que a dor psíquica, o que lhes traz um certo alívio”, explica Vanda Di Iório. “É por isso também que o doente se acalma quando entra em uma briga violenta em família: depois da discussão todos ficam mal, mas ele, como descarregou sua tensão, age como se nada de importante tivesse acontecido – e espera o mesmo comportamento dos demais”, completa a psicóloga.
O indivíduo não possui uma identidade definida: não sabe direito quem é, o que quer, quais são seus valores preferenciais. Tem dificuldade – real – de avaliar as conseqüências de seus atos e de aprender com a experiência, e assim segue repetindo os mesmos erros (e ninguém entende por quê). Ou seja, o borderline sofre e faz sofrer. Os que o cercam se cansam e se afastam porque ele é imprevisível e muito exigente. E aí acontece justamente o que o mais teme – ser abandonado. Para espantar o sentimento crônico de uma vida sem sentido, a pessoa ainda faz milhões de coisas ao mesmo tempo, sempre buscando novidades.
“O borderline não tem necessidade, tem urgência. Não sabe adiar e não agüenta esperar”, esclarece Vanda Di Iório. E quanto mais estressado e pressionado, mais os sintomas se intensificam. Para o psiquiatra Erlei Sassi Júnior, do Ambulatório Integrado de Transtornos de Personalidade e do Impulso do Hospital das Clínicas de São Paulo, esse paciente manifesta imensa necessidade de estar sempre agradando o outro. “Ele tem dependência de gratificação e tanto medo de ser abandonado quanto uma criança pequena. Ou seja, continua funcionando, na vida adulta, como um bebê. Por isso aparenta estar se fazendo de vítima, quando não está.”

Todos precisam de ajuda
O tratamento de borderline leva vários anos e deve ser feito por uma equipe multidisciplinar bem integrada: um psicoterapeuta, um psiquiatra e um terapeuta de família. O doente precisa de medicação, por isso o apoio do psiquiatra é imprescindível – em diversos casos ele medica e também atende o indivíduo. Os remédios utilizados são os estabilizadores de humor e também os inibidores de recaptação de serotonina e medicamentos que agem na noradrenalina e na dopamina, diminuindo a ansiedade e a impulsividade e melhorando a persistência. 

Como a família também sofre muito, sua qualidade de vida pode se beneficiar de um trabalho voltado para o grupo, ou para quem está emocionalmente ligado ao paciente, como namorados e amigos íntimos. Segundo o psiquiatra Erlei Sassi Júnior, uma internação só deve acontecer se ele estiver se automutilando, tentar o suicídio ou em caso de bulimia e dependência química. “Seu temperamento, que é nato, pode melhorar com remédios e com o tempo.

Mas seu caráter, que é o que aprendeu na vida, precisa do apoio constante de psicoterapia para mudar”, diz. Nunca é demais lembrar: antes de achar que você é borderline, ou que alguém na sua família tem essa doença, deve-se consultar um bom profissional, já que os sintomas também ocorrem em outras patologias.

 

Os sintomas são complexos
Ao longo do século 20, vários estudiosos fizeram referências vagas a esse quadro, que geralmente era confundido com histeria grave e depressão. Porém, só na década de 90 o transtorno de personalidade borderline foi bem definido, sendo discriminado das outras patologias nas Classificações Internacionais das Doenças Mentais. Segundo o DSM-IV (sigla em inglês correspondente a Manual Diagnóstico e Estatístico dos Distúrbios Mentais), o problema começa a se manifestar no início da idade adulta e pode ser indicado por cinco (ou mais) dos seguintes sintomas:

1. Esforços frenéticos para evitar o abandono, real ou imaginado.
2. Padrão de relações interpessoais intensas e estáveis, que é caracterizado por alternância extrema entre a idealização e a desvalorização.
3. Perturbação da identidade: existe uma instabilidade persistente e marcada da auto-imagem ou do sentimento do próprio indivíduo.
4. Impulsividade pelo menos em duas áreas que são potencialmente autolesivas – gastos, sexo, abuso de substâncias tóxicas, viver perigosamente.
5. Gestos ou ameaças recorrentes de suicídio ou comportamento automutilante, ferindo-se.
6. Instabilidade afetiva marcada por variação de humor, como episódios intensos de disforia, irritabilidade ou ansiedade, que têm duração de poucas horas até alguns dias.
7. Sentimento crônico de vazio.
8. Raiva exagerada e inapropriada, ou dificuldade de a controlar.
9. Concepção paranóide transitória reagente ao estresse ou sintomas dissociativos em nível grave.

A psicóloga junguiana Vanda Di Iório (SP), formada pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) e pela Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica, traduz em miúdos esses sintomas, colocando- os na vida prática. Uma pessoa com transtorno borderline é aquela que valoriza demais uma situação, mas pela menor contrariedade já acha que ele não presta mais; e fica deprimida, largada na cama, “Não existe um sintoma mais marcante, é a composição de todos que mostra o borderline. E o pior é que um potencializa o outro, e o indivíduo entra em um círculo vicioso de agressão, briga e reconciliação que cansa todo mundo”, explica a psicóloga.

Fonte:http://revistavivasaude.uol.com.br

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7 pensamentos sobre “LIMITES HUMANOS?

  1. ola Bete, muito grave tudo isto e o pior é quando o médico erra o diagnóstico e faz tratamento errôneo. Se cuida e que Deus te de sempre bençãos especiais para que estas atrubulações sejam amenizadas e curadas. Beijos

  2. Beth,
    Você é uma pessoa de bem, creio que Deus está olhando por vc. Isso vai passar, é apenas um período.Todos nós, temos medo, desconfiança,pavor,e tantas outras coisas que mexem conosco e nos desestruturam.Confie em Deus!!! Ele é o médico dos médicos e pode tudo!!!!

  3. …e o indivíduo entra em um círculo vicioso …

    Bete

    Tentar mudar de ares, fazer algo diferente, sair da rotina, mudar habitos, creio que podera ajudar bastante.

    Circulo vicioso, maltrata a todos.

    Se cuida e confia.

    Beijinhos

    Aprendi bem mais com seu post.

  4. Obrigado meninas. Não estou fazendo o gênero coitadinha,pois nem combina comigo. Sempre fui valente,batalhadora e positiva.
    Peço A Deustodos os dias pra me tirar deste poço fundo.E voltar a minha vida normal.

    um beijo!

  5. Esse tesxto traduz exatamente a minha vida. Muito esclarecedor pra quem não conhece a doença.

  6. Acabei de sair do hospital. Fiquei internada três dias que segundo o psiquiatra era depressão profunda. Mas depois de assistir e ler a matéria consegui elucidar muita coisa. Obrigada.

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