Arquivo | setembro 2008

MULHER : SÉCULO XXI

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O que pode uma mulher, no século XXI? Este é o tema comentado por Cláudia Riolfi, psicanalista e professora da Faculdade de Educação da USP. Segundo Riolfi, muitas mulheres estão no meio do caminho, perdidas. Conseguiram realizar o feminino muito além do lar e ainda escorregam para soluções gastas dentro dele. Confundem a mulher com a mãe e viram enfermeiras de seus homens e de seus filhos. A conta costuma ser alta, para eles e para ela.

“Que pena! Existem outras maneiras de uma mulher viver sua sexualidade. Aquelas que insistem em encontrá-las injetam feminilidade nas veias do mundo. Graças a elas, assistimos ao nascimento de uma nova ética”. A psicanalista dá mais detalhes.

Por que as mulheres ainda confundem tanto o seu papel? Extrema exigência consigo mesma, mania de perfeição em tudo que fazem?

Com a globalização, não temos mais modelos de ser homem e de ser mulher. Vimos nascer uma cultura na qual as mulheres não precisam mais se ater às tarefas do lar e se satisfazer na maternidade e na enfermagem. As opções que se abrem a sua frente são múltiplas. Se, por um lado, isso é muito bom, por outro, gera indecisão. O que escolher? Privada do refúgio de uma identidade segura, uma mulher nunca sabe se está seguindo o caminho certo. Na tentativa de se garantir, corre ao guru da vez: as revistas femininas, os livros de auto-ajuda, as amigas. Procura por um conselho certeiro, um guia do bem fazer. Como nada disso funciona inteiramente, o risco é que recorra aos velhos modelos de ser mulher. Quer dar conta do presente sem abrir mão do passado. É muito para uma pessoa só. Trata-se de uma impossibilidade.

Quais as conseqüências?

As conseqüências são múltiplas. Isso atrapalha a todo mundo. Em primeiro lugar, ela está sempre insatisfeita consigo mesma, julga-se muito mal. Ela se sente sempre em falta para com aqueles a quem ama. Não importam os elogios, ela nunca se acha uma boa mãe, pensa que nunca fez o bastante. É um equívoco. Isso nasce da dificuldade de se deparar com os próprios desejos. Para se proteger de um desejo que julgam ser excessivo, escondem-se atrás de seus filhos. O tempo que dedicam ao trabalho lhes persegue. Julgam-se impedidas de sair, de passear, de dançar… Ora, quem não faz o que gosta torna-se amargo, ressente-se. As queixas se multiplicam e o ressentimento só cresce. A mulher de hoje está afogada em um copo de raiva.

Que tabus ainda persistem quando se fala em sexualidade feminina?

Por parte das mulheres, ainda persiste o equívoco de que um homem está em melhores condições. Elas se iludem ao pensar que ser mulher é difícil enquanto ser homem é fácil. Não conseguem perceber que os homens estão tão ou mais perdidos do que elas. Assim, o encontro amoroso torna-se mais difícil ainda. É complicado se abrir ao prazer sexual quando a pessoa se sente explorada de algum modo. Aí está o germe da dificuldade que muitas mulheres encontram para obter prazer sexual.

De uma maneira geral, as mulheres ainda têm chances de ser feliz sexualmente falando, sem deixar de lado suas outras funções?

Gostaria de inverter esta pergunta. Proponho pensarmos que é justamente na medida em que ela consegue ser feliz sexualmente que conseguirá transferir o prazer que pode experimentar em seu corpo para suas outras funções. Uma mulher que está em paz com sua sexualidade é acolhedora, tem jogo de cintura, consegue inserir o feminino no mundo dos homens. Estávamos todos acostumados a viver em um mundo que os homens davam as regras e as mulheres ficavam fora da cultura. As primeiras feministas continuaram nesta lógica, reivindicando o direito de se tornarem iguais aos homens. O desafio agora é inventarmos um mundo onde haja lugar para os dois sexos.

Fonte: Vila Dois

23/09/08

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Posso escrever os versos mais tristes esta noite – Pablo Neruda

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Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: «A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe.»

O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a, e por vezes ela também me amou.

Em noites como esta tive-a eu nos meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi já.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.

Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido

Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, e ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.

Já não a amo, é verdade, mas tanto que eu a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.

Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta a tive nos meus braços,
a minha alma não se contenta com havê-la perdido.

Embora esta seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

Agora, ouçam!

*Pablo Neruda nasceu no Chile em 1904 e morreu em Setembro de 1973. É o poeta hispano-americano cuja obra alcançou maior difusão à escala internacional. Autor de vasta obra, influenciou fortemente muitos poetas sul-americanos. Publicou os primeiros textos no jornal La Mañana. O seu primeiro livro, Crepusculário, data de 1923, um ano antes do conhecido Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada. Emabaixador do Chile em vários países, Neruda regressou ao seu país natal em 1943, juntando-se ao Partido Comunista. Já depois da II Grande Guerra, foi alvo da repressão policial no seu país, o qual abandonou para regressar em 1952. É o poeta de língua espanhola mais traduzido em todo o mundo.

* Hoje passa-se 35 anos da morte do grande Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Carpem Diem!

Elisabete Cunha
23/09/08

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Te amo – Pablo Neruda

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TE AMO!

Te amo de uma maneira inexplicável,
de uma forma inconfessável,
de um modo contraditório.
Te amo, com meus estados de ânimo que são muitos
e mudar de humor continuadamente
pelo que você já sabe
o tempo,
a vida,
a morte.
Te amo, com o mundo que não entendo
com as pessoas que não compreendem
com a ambivalência de minha alma
com a incoerência dos meus atos
com a fatalidade do destino
com a conspiração do desejo
com a ambigüidade dos fatos
ainda quando digo que não te amo, te amo
até quando te engano, não te engano
no fundo levo a cabo um plano
para amar-te melhor
Te amo , sem refletir, inconscientemente
irresponsavelmente, espontaneamente
involuntariamente, por instinto
por impulso, irracionalmente
de fato não tenho argumentos lógicos
nem sequer improvisados
para fundamentar este amor que sinto por ti
que surgiu misteriosamente do nada
que não resolveu magicamente nada
e que milagrosamente, pouco a pouco, com pouco e nada,
melhorou o pior de mim.
Te amo
Te amo com um corpo que não pensa
com um coração que não raciocina
com uma cabeça que não coordena.
Te amo incompreensivelmente
sem perguntar-me porque te amo
sem importar-me porque te amo
sem questionar-me porque te amo
Te amo
simplesmente porque te amo
eu mesmo não sei porque te amo…

[ Pablo Neruda ]


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Para que serve o homem?

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Para que as mulheres procurarão um homem, se agora, nem mesmo para a reprodução eles serão necessários?”

Essa pergunta vem atormentando  o jornalista Ruy Castro desde que ele leu que a ciência acaba de descobrir um jeito de produzir espermatozóides a partir das células tronco femininas. Ou seja: uma mulher agora não depende mais de um homem para ser fecundada.

Ruy, que sempre fez um sucesso enorme entre as mulheres, tem medo que agora estas não considerem mais os homens nem mesmo para funcionar como homem-objeto (status a que foram elevados no auge do feminismo, lembram?) E arremata declarando que provavelmente agora os homens serão novamente “atirados na lata do lixo da história”

Ora, ora, Ruyzinho o que é isso? Realmente há tempos deixamos de considerar os homens como potenciais provedores, trocadores de pneus e mesmo parceiros para criar os filhos – uma vez instituída a tal da produção independente.

Porém daí a serem jogados na lata do lixo da história !? Muita calma nessa hora. Quem seria a louca mulher de fazer pouco e descartar um espécime capaz de originar tantos e tão variados prazeres? Sou capaz de lembrar uma lista infinita de utilidades e delícias com que os homens nos presenteiam, que mulher nenhuma seria capaz de reproduzir a contento.

Cafuné por exemplo. Há homens que são verdadeiros mestres nisso: fazem horas e horas de cafuné enquanto assistimos a um filme ou ouvimos música.

Aí há os especialistas em massagem na planta dos pés (pensa que é pouco?) têm a mão firme, sabem exatamente onde fazer mais ou menos pressão – um paraíso.

Outros arrepiam a gente só de encostar a mão. Arrepio daqueles que parece que estamos em uma montanha russa – e isso com um toque macio, levezinho, apenas ligeiramente safado.

E os que beijam então? Estes estão em extinção, mas quando um homem que beija, beija uma mulher que gosta de beijo – uau!

Há homens que sabem falar – estes raríssimos, se você conhecer algum, me avise – e falam coisas lindas, muitas vezes com uma voz baixa, meio rascante, mas com a naturalidade de quem diz bom dia. E deixam a gente de pernas bambas, onde quer que estejamos. Imagine a utilidade de um homem desses! Os que sabem falar, invariavelmente pensam bem, aí não sobra pra mais nenhum.

E o que me diz dos homens que fazem uma mulher rir? De verdade, não aquele risinho para agradar o “parceiro”. Nada se compara a cumplicidade de uma boa risada com um homem que sabe fazer rir. Não tem nada a ver com a sensação de rir com a melhor amiga.

Há homens insubstituíveis na cama. Aqueles craques em encontrar um bom filme começando em meio ao lixo eletrônico oferecido pelos canais de assinatura. E nos fazem companhia noite adentro de mãos dadas depois de um dia exaustivo quando não queremos nada mais do que apenas isso.

Não falei ainda dos homens que nos proporcionam prazeres sexuais inenarráveis. Não pela qualidade da transa em si, mas pela habilidade de, logo depois dela, tratarem-nos como verdadeiras rainhas. E aí nos sentimos saciadas, valorizadas, gostosas e prontas para a vida.

Decididamente caro Ruy, não há o que temer. Mulheres com juízo sempre procurarão e encontrarão homens com talento.

Talvez o mais difícil seja combinar antes dois pré-requisitos realmente essenciais para que o encontro flua melhor: é preciso que a mulher em questão realmente goste de homens e não esteja na dúvida entre a companhia de um deles e ir a academia ou varar a noite trabalhando para atingir metas.

E que, como já dizia Edith Piaf em Paris ou Marina Lima no Rio, é preciso que ela esteja disposta a renunciar algumas coisas pelo prazer de ter um “homem pra chamar de seu”. Mon homme. Como preferir.

Fonte: Vila equilíbrio

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Nem tudo é fácil – Cecília Meirelles

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Nem tudo é fácil

É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas…
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o…
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga…
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça…
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o…
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida…Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!

Cecília Meireles

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Oração Ao Tempo – Caetano Veloso

 

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És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo…

Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo…

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo…

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo…

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo…

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo…

O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo…

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo…

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo…


Esse post é uma homenagem a minha mãe maravilhosa!

Dona Irene Cunha

Mãe,

A senhora é meu porto seguro…meu exemplo para tudo na vida…MEU COLINHO…!

Amo você MINHA MÃE …!

Parabéns pelo seu aniversário!

Elisabete Cunha

18/09/08


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I Corinthios 13 – Só o Amor…

I Corinthios 13



1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos,
e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.
2 E ainda que tivesse o dom de profecia,
e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência,
e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes,
e não tivesse amor, nada seria.
3 E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres,
e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado,
e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso;
o amor não se vangloria, não se ensoberbece,
5 não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses,
não se irrita, não suspeita mal;
6 não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade;
7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8 O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas;
havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
9 porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos;
10 mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.
11 Quando eu era menino, pensava como menino;
mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
12 Porque agora vemos como por espelho, em enigma,
mas então veremos face a face;
agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente,
como também sou plenamente conhecido.
13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três;
mas o maior destes é o amor.


Beijo e paz!

Elisabete Cunha

17/09/08

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LEGIÃO URBANA – MONTE CASTELO